O Barman e o Confeiteiro (Capítulo 10)

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 1596 palavras
Data: 05/04/2026 20:06:50

Capítulo 10

Ykaro

Domingo de manhã. O sol de Fortaleza já entrava pelas frestas da janela do meu quarto, mas eu não tinha a menor vontade de levantar. Eu estava acordado há horas, ouvindo a movimentação na casa. Ouvi a risada espalhafatosa do Caio, o barulho das panelas do Adriano e, principalmente, o som dos passos pesados que eu já tinha decorado: os do Luan.

Fiquei ali, trancado no meu bunker particular. Desde a noite da Helena, na terça, eu vinha tentando de tudo para exorcizar o gigante da minha cabeça. O sexo com ela tinha sido impecável, técnico, visceral... mas não tinha adiantado de nada. Era só fechar os olhos e eu sentia as mãos do Luan na minha cintura. Eu vinha evitando ele como se fosse uma praga, e até da Stella eu me distanciei. No pub, eu era puro gelo. Eu não parava de pensar naquele corpo retinto e no quanto tinha sido bom — perigosamente bom — ter gozado com ele.

Perto da hora do almoço, ouvi batidas leves na porta. Meu coração deu um solavanco contra as costelas.

— Ykaro? Tá acordado? — A voz do Luan, abafada pela madeira, me fez sentar na cama num pulo.

Respirei fundo, passei a mão no rosto e abri a porta. Lá estava ele. Luan usava uma camiseta regata que deixava os braços enormes de fora, o que não ajudava em nada na minha sanidade.

— E aí. — Tentei manter a voz neutra.

— O Adriano foi buscar o Nathan lá na parada de ônibus. O Caio tá trancado no quarto do Dri retocando alguma coisa na cara. — Ele entrou um passo no quarto, e o espaço que já era pequeno pareceu sumir com a presença dele. — Ele pediu pra te chamar pro almoço.

Ficamos ali, parados. O silêncio que se seguiu não era apenas constrangedor; era denso, carregado de uma tensão que eu podia sentir vibrando no ar. Nenhum de nós dizia nada, mas os nossos olhos falavam tudo. Eu olhava pra ele e via a mesma confusão que me assombrava.

— Luan, eu... — comecei a falar ao mesmo tempo em que ele abria a boca.

— Ykaro, sobre... — ele disparou.

Nós dois paramos e demos uma risada curta, sem graça. O gelo quebrou um milímetro. Eu queria fingir que nada tinha acontecido, que a gente era só dois caras que dividiam uma amiga, mas eu estaria mentindo pra mim mesmo. Eu queria que acontecesse de novo. E era isso que mais me incomodava.

— Ykaro, a gente precisa falar sobre aquilo — Luan disse, fechando a porta atrás de si, o rosto sério. — O que rolou no apartamento da Stella.

— Foi o vinho, Luan. E o tesão acumulado pela cena dela — respondi rápido, tentando criar uma barreira. — Curiosidade. Coisa de momento. A gente tava no meio daquela loucura toda e se deixou levar.

Luan concordou com a cabeça, soltando um suspiro que pareceu aliviar os ombros dele.

— É. Faz sentido. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Melhor a gente dar isso como encerrado, né? Pra não ficar estranho com a Stella.

— Com certeza. Encerrado — afirmei, mas as palavras saíram secas, sem convicção.

Luan deu um passo pra trás, pronto pra sair, mas antes ele estendeu a mão grande na minha direção.

— Amigos? — ele perguntou.

Eu estendi a minha mão e, no momento em que a minha pele encostou na dele, eu senti um choque percorrer a minha espinha. Não foi um aperto de mão comum. As nossas mãos unidas ficaram ali, presas, por muito mais tempo do que o necessário. O calor da palma dele queimava a minha. Começamos a nos encarar fixamente.

A boca do Luan era hipnótica. Carnuda, entreaberta pela respiração que começou a acelerar. Sem dizer mais nenhuma palavra, como se fôssemos puxados por um imã, nós nos aproximamos. Nossos lábios se colaram num beijo lento, urgente e carregado de uma vontade que vinha sendo represada há dias.

Mas o mundo lá fora não para. Antes que a língua dele invadisse a minha boca de vez, ouvimos o barulho alto do portão de ferro da garagem abrindo. A voz do Adriano e a risada do Nathan ecoaram no corredor.

Nos separamos num susto, ambos ofegantes. O clima ficou ainda mais estranho. Eu nunca tinha sentido tanto desejo concentrado em um único beijo na minha vida. Se antes eu estava obcecado, agora eu estava completamente perdido.

O almoço foi um exercício de atuação. O Adriano estava nas nuvens, todo orgulhoso apresentando o Nathan. O moleque era tímido, falava baixo, mas dava pra ver que estava feliz de ser incluído. O Caio, claro, não perdeu tempo.

— Então você é o famoso calouro do telemarketing? — Caio soltou, analisando o Nathan como se fosse um inseto sob o microscópio. — O Adriano fala tanto de você que eu achei que você tinha seis braços e duas cabeças. Mas é só um menininho fofo.

Nathan deu um sorriso amarelo, sem saber como reagir.

— Deixa o garoto, Caio — Adriano defendeu, radiante.

Eu mal conseguia focar na conversa. Minha atenção estava dividida entre o prato e as trocas de olhares rápidos e furtivos com o Luan. Toda vez que os nossos olhos se cruzavam, o beijo de minutos atrás voltava a queimar. O Caio, que não é burro nem nada, guardou o veneno por um momento, mas eu sabia que ele já tinha formado uma opinião sobre o Nathan — e provavelmente não era a que o Adriano queria ouvir.

Depois que todos comeram, o Caio foi o primeiro a vazar, alegando que tinha um "encontro com o destino". Nathan foi ajudar o Adriano com a louça no quintal, e eu aproveitei a brecha para me trancar no meu quarto novamente. Eu precisava de ar. Precisava processar o fato de que eu estava ficando maluco.

Uns dez minutos depois, ouvi batidas de novo. Abri a porta e lá estava o gigante. Os olhos dele brilhavam com uma intensidade que me fez recuar um passo. Sem pedir licença, Luan entrou no quarto, fechou a porta e me prensou contra ela, retomando o beijo que tínhamos começado antes.

Dessa vez, não tinha interrupção. O Adriano e o Nathan tinham acabado de sair — ouvi eles comentando que iam tomar um sorvete no shopping. Estávamos sozinhos.

O beijo era quente, voraz. Não demorou quase nada para que os dois estivessem de pau duro, roçando um no outro pelo tecido das bermudas. Perdi o controle do meu próprio corpo. Quando vi, as minhas mãos já estavam abrindo a bermuda dele e tirando o pau pretão e pulsante do Luan pra fora. Ele fez o mesmo com o meu.

Nossas línguas se envolviam num ritmo frenético enquanto trocávamos uma "mão amiga" deliciosa e firme. Os gemidos baixos eram o único som no quarto. O Luan, com aquela mão imensa, juntou os dois paus e começou a masturbar os dois juntos, num movimento de vai e vem que me fazia ver estrelas.

Eu levei a minha mão por cima da dele, auxiliando no movimento, e algo estalou dentro de mim. Ver as nossas mãos juntas, batendo uma para nós dois, me assustou. Eu nunca tinha sentido algo assim. Eu sabia, em algum lugar profundo e sombrio da minha alma, que aquilo não era mais só tesão acumulado. Mas eu não estava pronto para dar nome a isso. Não ainda.

Fomos intensificando o ritmo, nossas respirações virando um único som de desespero. Gozamos quase ao mesmo tempo. A porra quente dos dois se misturou nas minhas mãos, escorrendo pelos dedos.

Fiquei ali, respirando pesado, olhando fixamente para a palma da minha mão. A vontade de levar à boca e provar o sabor do Luan era esmagadora. Eu estava em transe. Luan percebeu o que eu queria antes mesmo de eu formular o pensamento.

Ele pegou a mão limpa, passou no próprio pau pegando um pouco da porra que ainda escorria da cabeça, e levou até a minha boca. Meu pau até deu um solavanco de tesão puro. Eu abri a boca e suguei os dedos dele com vontade. O sabor era doce com um final amargo, uma mistura potente que era muito além do que eu tinha imaginado. Era melhor do que qualquer fantasia.

Quando os dedos dele saíram, eu senti falta quase imediata. Luan me olhou fixo, o peito subindo e descendo. Eu peguei um pouco da minha porra e levei até a boca dele. Ver aquele homem gigante, delicioso e imponente com os meus dedos na boca, provando o meu sabor, foi a cena mais excitante da minha vida.

Voltamos a nos beijar, o gosto um do outro selando aquele momento de insanidade.

Mas o destino é um filho da puta.

O celular do Luan, jogado em cima da minha cama, começou a tocar. A música alta cortou o clima como uma navalha. Ele se afastou, pegou o aparelho e o nome na tela nos trouxe de volta para a realidade com a força de um soco no estômago.

"Stella"

Luan ficou pálido. Sem saber o que fazer, ele guardou o pau, ajeitou a bermuda e me lançou uma última olhada — um misto de culpa, desejo e pavor. Ele atendeu a ligação enquanto saía do quarto.

— Oi, amor... — A voz dele, agora tentando soar normal, ecoou pelo corredor enquanto ele se afastava.

Eu me encostei na parede, sentindo as pernas bambas. Aquela frase simples, "Oi amor", me acertou como uma marreta. Eu respirei fundo, olhando pro teto, sentindo o resto do gozo dele secar na minha mão.

— Jurei que não seria amante de ninguém... — sussurrei para o quarto vazio, uma risada amarga escapando da minha garganta. — E agora estou aqui nessa merda de novo.

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