Castelo de areia. Temporada 1 Capítulo 1.1 - Jogos de Sedução

Um conto erótico de Manfi
Categoria: Heterossexual
Contém 4474 palavras
Data: 07/04/2026 02:01:37

Capítulo 1.1 - Jogos de Sedução

(Tauane)

Antes de retomar, preciso deixar claro uma coisa: meu relacionamento com o Antônio.

A gente se conheceu no grupo de jovens da igreja. Catequese, crisma… tudo junto. Com 14 anos, ele foi meu primeiro beijo. Algumas semanas depois, a gente já estava namorando.

Só que, aos 15, as coisas começaram a mudar.

A pior delas foi a morte do meu pai. Câncer na cabeça do pâncreas. Não teve chance. Começou com dor de barriga, pele amarelada… e, poucos meses depois, ele se foi.

Aquilo bagunçou tudo.

Eu me perdi.

Deixei de ser a filhinha certinha dele e comecei a virar essa mulher independente — e, sim, forte — que sou hoje.

A outra mudança foi o Antônio.

Ele começou a gostar de coisas… diferentes.

No começo, eram pequenos “incrementos”. Começou a me dar brinquedos, pedindo pra usar junto com ele. Depois, passou a elogiar os amigos dele. Gostava que eu me vestisse de um jeito mais… chamativo.

Provocativo, pra ser direta.

Até que, um dia, ele pediu pra eu transar com um amigo dele do futebol.

E aí a coisa saiu do controle.

Essas “brincadeiras” com outros caras começaram a virar rotina. Evoluíram rápido demais… e, quando eu percebi, já não existia mais limite claro.

Com o tempo, não fui só eu que parei de respeitar ele.

Os outros caras também.

Principalmente os da escola.

Chegou num ponto em que ninguém mais via o Antônio como meu namorado de verdade.

E, sendo honesta, nem eu.

Nosso relacionamento virou dois: um para as famílias… e outro completamente diferente no dia a dia.

Estou dizendo tudo isso porque resolvi ser honesta de verdade. Algumas coisas que eu vou contar podem levantar dúvidas.

Mas aqui vai o ponto:

Eu nunca traí o Antônio.

E, até meses atrás — voltando para o presente — eu nunca fiz nada escondido que pudesse ser considerado traição em nenhum relacionamento.

Tudo sempre foi… permitido.

Ou, no mínimo, exposto.

Dito isso…

Agora posso voltar.

Voltar a contar a minha história.

A nossa história.

E como, de fato, tudo com o Carlos começou.

2 SEMANAS DEPOIS QUE PEDI PARA CARLOS SER MEU “PROFESSOR”

Nosso relacionamento só crescia. A gente passou a andar junto o tempo todo, grudados mesmo, e eu quase não via mais o Antônio.

O que era curioso, porque ele continuava sendo a “joia” da escola. Alto, musculoso, bonito de um jeito que chamava atenção sem esforço, com aquele cabelo perfeito e a postura de quem sempre soube o efeito que causava.

Ele liderava os outros caras, sempre liderou, e no último ano isso só ficou ainda mais evidente. Ser namorada dele ainda era o sonho de muita garota, mesmo com as fofocas — coisas que todo mundo comentava, mas ninguém que participava confirmava.

Minha aproximação com o Carlos mexeu com ele.

Ciúmes.

E isso foi quase irônico, porque ele nunca tinha demonstrado nada parecido antes, mesmo em situações muito mais… expostas. Mas com o Carlos foi diferente. Talvez porque, pela primeira vez, ele tenha sentido que podia me perder de verdade. O problema é que ele não percebeu que já tinha me perdido fazia tempo.

Esse ciúme dele, somado à maldade natural dos amigos, começou a virar problema. Nada direto, nada escancarado, mas constante. Comentários, risadas, pequenas provocações… o suficiente pra incomodar. E eu precisava resolver aquilo.

Não só porque minha mãe me mataria se descobrisse.

Mas porque, naquele ponto, eu já sentia algo diferente pelo Carlos.

E também porque… eu não ia perder a viagem.

Nem o carro.

Chamei os meninos pra conversar. O Carlos tinha aulas extras após o término das aulas do dia — física e matemática avançada — então era a oportunidade perfeita.

Mandei o Antônio e os outros me encontrarem no vestiário masculino, ao lado da quadra.

Eu estava simples naquele dia. Jeans, camiseta branca. Nada chamativo… pelo menos não de forma óbvia. Mas eu sabia exatamente o efeito que causava mesmo assim.

Eles chegaram juntos.

Antônio, Miguel — sim, o mesmo —, Cadu e Mike.

O grupo inteiro.

— Fala aí, Tauane… — Miguel entrou primeiro, já sorrindo — chamou a gente pra quê?

— Espero que seja coisa boa… — Mike completou, olhando de cima a baixo, sem disfarçar.

Ignorei os dois. Cruzei os braços e olhei direto.

— A gente precisa conversar.

— Ih… — Cadu riu baixo — lá vem.

— É sério. — cortei.

O tom fez eles pararem.

— Eu não quero mais vocês mexendo com o Carlos.

O silêncio durou meio segundo… e então veio a reação.

— Ah, pronto… o nerdzinho agora tem defensora?

— Mike soltou, rindo.

— Tá vendo, Antônio? — Miguel virou pra ele — falei que ela tava envolvida.

Olhei direto pra Miguel, sem paciência.

— Isso não é da conta de vocês.

Dei um passo à frente.

— Eu não gosto dele desse jeito. Mas eu preciso que vocês parem.

— Precisa? — Miguel arqueou a sobrancelha — desde quando você precisa de alguma coisa, Tauane?

Dei um sorriso curto.

— Desde que eu comecei a pensar no que eu ganho com isso.

Isso chamou atenção.

— Minha mãe prometeu uma viagem pra Europa.

Agora ninguém riu.

— E vocês vão comigo.

— Hum… — Mike cruzou os braços — isso já começa a ficar interessante.

— Mochilão. 1 mês inteiro conhecendo a Europa. — continuei — Eu, vocês… a Dani também.

Me aproximei um pouco mais, diminuindo a distância entre a gente.

— E vocês sabem muito bem o tipo de viagem que seria.

O olhar deles mudou.

Mais atento.

Mais pesado.

Miguel deu um passo pra perto.

— Só isso não segura ninguém, Tauane…

Claro que não.

Respirei fundo, segurei o olhar dele e respondi no mesmo tom:

— Eu sei.

Passei a língua nos lábios, quase automático, e deixei a voz um pouco mais baixa.

— Não é só a viagem.

Agora ninguém falava mais nada.

— Se vocês colaborarem… — continuei — se pararem com as provocações… a gente continua se entendendo.

Mike inclinou a cabeça.

— Continua como?

Aproximei mais um pouco dele.

— Do jeito que vocês já conhecem.

O silêncio que veio depois foi diferente.

Mais denso.

Eu conseguia sentir o clima mudando. A forma como eles me olhavam, a proximidade, a atenção total.

Miguel soltou um riso curto.

— Agora sim você tá falando a nossa língua…

Olhei rápido pro Antônio.

Nada.Nenhuma reação.

Nem parecia que era meu namorado.

Voltei pros outros.

— Mas tem uma condição.

— Sempre tem… — Cadu murmurou.

— Tem.

Cruzei os braços de novo.

— O Carlos fica fora disso.

Miguel me encarou por um segundo.

— E você resolve isso… como?

Sustentei o olhar.

— Do meu jeito.

Mike sorriu.

— E esse “seu jeito” começa agora?

Dei um passo pra trás, avaliando eles.

— Começa.

O clima mudou de vez.

Mas antes de qualquer coisa, virei pro Antônio.

— Você não.

Ele piscou, meio perdido.

— Como assim?

— Fica na porta. — falei direto — vê se alguém vem.

— Mas eu—

— Deixa disso, cara. — Miguel já empurrou ele de lado — não estraga.

— Vai logo. — Mike completou — a Raquel pode aparecer a qualquer momento.

Antônio ainda tentou argumentar, mas ninguém estava mais prestando atenção nele.

Acabou indo…

Sem escolha.

Sem espaço.

Sem voz.

Quando voltei a olhar pros outros, já não precisava explicar mais nada.

O clima virou. De verdade.

A proximidade se fechou ao meu redor, o espaço praticamente desaparecendo. O ar ficou mais quente, mais pesado… e ninguém ali fingia mais que não estava acontecendo nada. Eu sentia os olhares, a atenção total, a forma como cada um reagia mesmo tentando manter algum controle.

— Então resolve… — Miguel murmurou, a voz mais baixa.

Olhei pra ele.

— Eu tô resolvendo.

Fiquei de joelhos no centro deles. Um a um, abri suas calças e liberei seus membros, que já estavam prontos para mim.

E avancei.

Sem pressa.

Sem bagunça.

Sem perder o controle em nenhum momento. A tensão que antes era só silêncio agora tinha corpo.

Utilizando minhas mãos e minha boca, revezando entre os três, comecei a fazer o que tanto ansiavam — e que eu gostava muito.

Não foram todos de uma vez. A mão trabalhava de forma certeira, movimentando rápido, enquanto a boca acompanhava o ritmo.

Eu percebia cada reação, cada mudança no ritmo deles, cada tentativa de se manter firme… e usava isso a meu favor. Não era sobre exagero. Era sobre saber exatamente até onde ir.

E parar antes. Sempre antes. Era uma verdadeira tortura. Quando sentia que o pau ficava mais duro, o pré-gozo molhava ainda mais minha mão, eu parava e me voltava para o outro.

O silêncio agora era outro. Mais curto. Mais pesado. Quebrado só pelo som da respiração deles, cada vez menos controlada.

E quanto mais eles reagiam…

mais claro ficava quem estava conduzindo aquilo.

Um de cada vez.

Sem pressa.

Sem perder o ritmo.

Sem deixar dúvida.

Não deixava ninguém achar que tinha chegado onde queria. Não deixava ninguém esquecer quem estava no controle.

Um a um, eles acabaram cedendo. Não deixei nenhum resquício do que tinha acontecido. Com a boca, em uma sucção perfeita, seus paus ficaram como se nada tivesse acontecido.

Suas namoradinhas nunca iriam imaginar — a menos que sentissem meu cheiro nos pênis de seus namorados.

Me afastei devagar, ajeitei a camiseta com calma, passei a mão no cabelo. Minha boca e rosto melados, uma mistura de sêmen e saliva, mas o rosto com um sorriso orgulhoso.

— Agora vocês já sabem. — falei tranquila.

Miguel soltou um riso baixo.

— A gente sempre soube… só precisava lembrar.

Olhei de lado.

— Então não esquece do combinado.

— Nem você. — Mike respondeu.

Dei um meio sorriso.

— Eu não costumo esquecer.

Virei em direção à porta.

E foi aí que vi.

Antônio.

Mais para dentro do vestiário do que eu tinha mandado, completamente alheio ao que acontecia ao redor. Demorei um segundo pra entender… e quando entendi, ficou claro demais.

Ele tinha perdido o controle…seu pau ainda duro em sua mão, sujo, assim como o chão à sua frente.

Sozinho.

Ali.

Sem perceber que eu já estava olhando.

E então eu ouvi…Passos vindos do corredor.

Se aproximando.

E ele…nem tinha notado.

………..,Carlos)

Sou acordado pelo som do celular. No primeiro momento, achei que fosse o despertador, mas logo percebi que era uma chamada. Número desconhecido.

Por tudo que tinha ouvido no dia do enterro, hesitei em atender. Podia ser qualquer coisa. Mas também podia ser o tio Teixeira. Lembrei que ele não tinha me passado o contato e que tinha me dado apenas dois dias de “descanso”.

Atendi.

— Alô?

— Demorou pra atender, filho. — a voz dele veio firme, mas com aquele tom paternal de sempre. — Toma um café rápido. Em vinte minutos estou aí pra te pegar.

Ele não perguntava. Só avisava.

E, como sempre, cumpriu.

Exatos vinte minutos depois, o celular tocou de novo. Mal tive tempo de comer alguma coisa. Comi quase sem perceber o gosto, só porque sabia que precisava.

No carro, o silêncio só não era completo por causa da música. Um jazz antigo, provavelmente dos anos 60. Algo naquele som me atingiu de um jeito estranho… bom. Nostálgico.

Um sorriso surgiu antes que eu percebesse.

— Legal, né? — Teixeira comentou. — Seu avô que me apresentou isso. Esse disco fez sucesso na época.

Por um instante, senti algo próximo de normalidade. Como se, por alguns segundos, eu tivesse voltado pra um lugar onde tudo ainda fazia sentido.

E isso doeu mais do que deveria.

Não conversamos mais durante o trajeto. Mas aquele pequeno momento ficou.

Curiosamente, foi um dos últimos.

Nunca mais estive com ele depois dessa semana.

Soube da morte dele dois anos mais tarde, por um neto que me encontrou em uma rede social.

Voltando…

Fomos direto para a empresa. Teixeira organizou uma reunião com os principais acionistas. Eles pareceram aliviados com a decisão de manter a venda.

A reunião tomou praticamente o dia inteiro. Depois do almoço, outra reunião, dessa vez com diretores de diferentes setores. Reconheci alguns rostos, mas não estava interessado.

Nem mesmo quando me levaram até a área de produção — onde os drones eram montados — senti algo.

Aquilo deveria me empolgar.

Sempre foi o meu objetivo.

Mas… não senti nada.

Eu sabia que aquilo importava.

Só não conseguia me importar.

No dia seguinte, Teixeira me deu a manhã livre. À tarde, me levou até o contador da família. Falaram sobre investimentos, aplicações, bancos, contas… sobre como o dinheiro seria distribuído e rendido ao longo do tempo.

Assenti em vários momentos.

Mas não lembro de quase nada.

Era como se eu estivesse lá… sem realmente estar.

Me orientaram a não comentar com a Verônica sobre os valores, nem sobre a estrutura das contas.

No terceiro dia, já estávamos no escritório quando veio a notícia: as buscas tinham encontrado os corpos.

Ou o que restava deles.

Não era possível reconhecer.

Estavam carbonizados.

Eu ouvi…Entendi…

Mas não reagi.

No dia seguinte, com a confirmação oficial, Teixeira deu entrada na certidão de óbito. Eu não tinha condições de lidar com aquilo.

Ele percebeu.

E assumiu tudo.

Inventário. Venda de imóveis. Venda das ações. Abertura de contas, nacionais e internacionais. Estruturação dos investimentos.

Se eu soubesse que aquela procuração significaria o fim do nosso tempo juntos, teria feito diferente.

Teria aproveitado mais.

Teria falado qualquer coisa que não envolvesse dinheiro, morte ou burocracia.

Mas não fiz.

Nossa última conversa foi rápida, no caminho de volta.

— Vamos vender também o seu apartamento. — ele disse. — Fique com a Verônica. Ela é uma ótima pessoa e com certeza te tratará como se fosse um filho. Ajude nas despesas. E seja dono da sua vida… e do seu futuro.

Essa frase ficou.

Ficou mesmo.

Chegando em casa, contei para a Verônica. Ela me abraçou forte… e chorou.

— Bem-vindo ao lar, meu filho…

Desde aquele dia no carro, indo para o cemitério, eu não chorava daquela forma. Prometi que iria tentar. Por mim, pelos meus pais… e por ela.

Imaginar o quanto ela sofreu — e o quanto amava meus pais — ainda me afeta.

Depois dessa sequência com o tio Teixeira, com meu futuro financeiro aparentemente resolvido, tive que voltar para a escola.

Foi difícil.

Não porque era complicado.

Mas porque parecia… inútil.

Eu não tinha mais objetivo.

Ou talvez tivesse.

Só não fazia mais sentido.

E foi aí que a Tauane entrou de verdade.

A amizade dela foi essencial.

Ou pelo menos foi o que eu pensei na época.

A gente passou a não se desgrudar. E, olhando hoje, acho que nenhum dos dois estava bem o suficiente pra entender o que aquilo significava.

Naturalmente, isso incomodou...

Principalmente o namorado dela.

E talvez tenha sido por isso que ele e os amigos começaram…

Primeiro, risadas. Comentários. Pequenas provocações.

Depois, humilhações mais diretas.

Até o dia em que Antônio me empurrou contra o armário no corredor, abriu minha mochila e jogou tudo no chão. Na frente de toda a escola.

Ele era alto, forte, atleta.

Eu… não.

E naquele momento, isso parecia importar mais do que qualquer outra coisa.

As “brincadeiras” continuaram ao longo da semana. Outros alunos começaram a entrar na onda.

— Olha o viadinho da Tauane…

— Pau mandado…

Eu ouvia.

Fingia não ouvir.

Mas ouvia.

As coisas só mudaram — ou pioraram — no dia em que saí de uma aula extra e encontrei o Flávio, o único amigo que eu tinha além dela.

Ele parecia nervoso.

— Cara… preciso te falar uma coisa. — disse, olhando em volta — a Tauane saiu pro vestiário masculino com os caras do terceiro ano. Ela te falou alguma coisa?

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

Não havia motivo pra me preocupar.

Provavelmente o Antônio estava lá.

Mas… não era só curiosidade.

Era outra coisa.

Um incômodo.

Leve, mas presente.

Não respondi.

Só comecei a andar. Fui em direção ao vestiário.

Cheguei perto o suficiente para ouvir.

— Antônio, olha o que você fez…

Era a voz dela.

Misturava bronca… com algo que não parecia exatamente irritação.

Depois disso, silêncio.

Em seguida, o som de água correndo.

E então, antes de eu abrir a porta:

— Espero que tenha ficado claro. Sem mais brincadeiras com ele, senão…

Ela não terminou a frase, a porta se abriu e ela me viu.

O corpo dela travou.

Por um segundo, parecia que tinha visto um fantasma.

Fiquei parado sem saber o que fazer.

Antônio saiu logo depois, passando por mim sem olhar.

A porta se fechou.

Tive a impressão de que havia mais gente lá dentro…Mas não tinha como ter certeza.

Voltei a olhar pra Tauane.E foi aí que percebi.

Não era só preocupação.

O rosto estava molhado.Levemente corado.

O cabelo… desalinhado.

Algo ali não se encaixava e eu não sabia o quê.

Mas sabia que… não era só impressão.

E, pela primeira vez desde que tudo começou…

aquilo me incomodou de verdade.

………………….

(Tauane)

Assim que vi o Carlos se aproximando, saí do vestiário rápido demais — rápido o suficiente pra não dar tempo de ele ver mais do que devia.

Segurei a mão dele antes que ele pudesse reagir.

— Vem comigo.

Nem esperei resposta. Só puxei.

A porta se fechou atrás da gente com um som seco. Rápido demais. Talvez ele tenha estranhado, talvez tenha pensado em perguntar… mas não perguntou. E isso já me dizia muita coisa.

Levei ele até o refeitório e escolhi uma mesa mais afastada, quase escondida. Um canto onde ninguém prestava atenção.

Onde dava pra conversar com calma… e, principalmente, conduzir sem interferência.

Sentei de frente pra ele.

O corpo ainda rígido, o olhar preso em mim — não só tentando entender, mas tentando se preparar, como se já esperasse que alguma coisa ali não fosse simples.

Eu não dei esse tempo.

— Carlos… eu não queria que você visse aquilo.

Sustentei o olhar, não só esperando resposta — segurando ele ali, deixando a frase pesar um pouco mais do que precisava.

Vi quando ele engoliu seco.

— Eu tava com o Antônio lá dentro. A gente estava conversando e… "namorando"... Vc sabe né?

Falei direto, sem suavizar, observando.

A reação veio pequena, controlada, mas estava lá — no jeito que o maxilar travou, no tempo que ele levou pra respirar de novo.

Ele estava tentando entender.

Ou talvez tentando aceitar.

— Ele passou dos limites. De novo. E eu deixei claro que aquilo acabou. As brincadeiras, as atitudes… tudo. Inclusive com você.

Inclinei o corpo levemente pra frente, diminuindo o espaço — não o suficiente pra chamar atenção de fora, mas o suficiente pra ele sentir.

— Eu não ia deixar ele continuar fazendo aquilo com você. Não com você.

Ele não respondeu, mas o olhar mudou — menos defensivo, mais atento, mais preso.

E isso foi o suficiente.

Avancei um pouco mais.

— Você percebeu, né…? A gente se aproximou bastante nessas últimas semanas.

Aproximei a cadeira devagar, o som quase imperceptível no chão.

— E ele percebeu também. Só que, dessa vez… mexeu com ele.

Inclinei a cabeça de leve, observando ele reagir antes mesmo de continuar.

— Ego masculino. Na verdade, a velha insegurança camuflada de excesso de testosterona...

Soltei um pequeno riso.

Mas não era só sobre o Antônio.

Minha mão encontrou a dele sobre a mesa. Segurei.

Senti o exato momento em que ele travou — um segundo, talvez menos — mas ele não puxou.

E aquilo disse muito mais do que qualquer resposta.

Apertei de leve os dedos dele, mantendo o olhar.

— Mas não é com ele que eu me preocupo.

Minha voz já não era explicação. Era outra coisa, mais baixa, mais próxima.

— É com você.

Vi a respiração dele mudar — quase imperceptível, mas eu vi.

— Eu gosto de estar com você, Carlos.

A pausa que veio depois não foi minha.

— E você sabe disso.

Minha mão deslizou da dele devagar, sem pressa, como se não tivesse intenção… até parar na coxa.

E ali, ele reagiu.

Não foi grande, mas foi imediato. O corpo enrijeceu, a respiração prendeu por meio segundo, o olhar perdeu o foco antes de voltar pra mim.

Eu percebi tudo.

Claro que percebi.

E, por um instante, quase ri — não de deboche, mas de constatação.

Era impressionante como, mesmo tentando se controlar, ele ainda respondia tão fácil. Nem mesmo confuso, nem mesmo abalado, ele conseguia ficar indiferente a mim.

E aquilo… me deu uma satisfação que eu não devia sentir.

Mas senti.

Antes que ele tivesse tempo de pensar demais — ou recuar — me movi.

Sentei no colo dele, de lado, como se fosse natural.

Como se fosse simples.

Mas não era.

E ele sabia.

O corpo dele reagiu na hora — rígido primeiro, depois indeciso.

Eu senti cada ajuste, cada micro movimento tentando entender onde me colocar, o que fazer com as mãos, com o corpo… comigo.

Por um instante, achei que ele fosse me afastar.

Mas não afastou.

Cedeu.

E isso foi o suficiente.

Minha mão subiu devagar até o rosto dele. Segurei o queixo, firme o bastante pra manter o olhar.

— Relaxa…Sussurrei.

O polegar roçou o lábio inferior dele, devagar, sem pressa, sem ser totalmente inocente.

Aproximei meu rosto, mantendo o olhar preso no dele até o último instante.

E encostei meus lábios nos dele.

Um beijo leve. Curto.

Mas carregado — não pela intensidade, mas pelo que estava por trás.

Afastei só o mínimo, ainda próxima, sentindo a respiração dele — mais rápida agora, menos controlada.

— Eu vou cuidar de você… — falei baixo — sempre.

E, por um segundo, aquilo não pareceu só estratégia.

Foi a coisa mais honesta que saiu de mim em muito tempo.

E isso me incomodou mais do que deveria.

Ele não respondeu.

Mas não precisava.

Porque eu senti.

Ali…Debaixo de mim.

A resposta veio sem palavra nenhuma — sutil, mas impossível de ignorar, pressionando de leve a parte de trás da minha coxa.

Fechei os olhos por um instante.

Não por ele. Por mim.

Pelo controle…

E pelo quanto eu estava gostando daquilo.

……………

(Carlos)

Eu não disse nada.

Fiquei alguns segundos ali, parado, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.

As palavras dela ainda ecoavam, mas não era só isso. Era o jeito. A proximidade. O toque.

Principalmente o toque.

Tudo parecia ter acontecido rápido demais… e, ao mesmo tempo, lento o suficiente pra eu sentir cada detalhe.

E eu senti.

Isso era o que mais me incomodava e me confundia ainda mais.

Desviei o olhar primeiro. Não porque não tinha o que dizer, mas porque não conseguia sustentar o olhar dela depois daquilo.

Tinha alguma coisa ali… no jeito que ela me olhava… que me deixava exposto demais.

Como se ela estivesse vendo coisas em mim que eu ainda não conseguia entender.

Meu corpo ainda estava tenso. Mais do que deveria.

E quando percebi isso de verdade, foi pior.

O calor subiu pelo meu rosto, junto com uma vergonha que não vinha exatamente dela… mas de mim. Da forma como eu tinha reagido. Da facilidade com que aquilo aconteceu.

Engoli seco. Tentei controlar a respiração.

Não consegui.

— Eu… eu preciso ir pra aula…ainda tenho uma aula extra…

A frase saiu baixa, travada. Mais uma fuga do que qualquer outra coisa.

Não esperei resposta.

Se eu ficasse ali por mais tempo, eu não sabia o que poderia acontecer.

Me levantei e saí, sentindo o corpo estranho, como se não fosse totalmente meu naquele momento.

O corredor parecia mais longo do que o normal.

Caminhei sem olhar pra trás, tentando criar alguma distância… mas não adiantava.

Porque ela continuava ali.

Na minha cabeça…

O jeito que ela falou.

O tom da voz.

A proximidade.

O peso do corpo dela sobre o meu.

Fechei os olhos por um segundo enquanto andava.

Não adiantou…Ela voltava. Sempre voltava.

Soltei o ar devagar, passando a mão pelo rosto, tentando me trazer de volta pra algum tipo de normalidade.

Mas não tinha.

Aquilo não era normal.

Ou talvez fosse… e eu que nunca tinha passado por algo assim antes.

Eu não sabia e isso só piorava tudo.

Parei por um instante no meio do corredor, apoiando a mão na parede.

Respirei fundo…

Uma vez. Duas vezes…

Não adiantava negar. Eu sabia exatamente o que estava acontecendo com o meu corpo.

E isso me deixava ainda mais desconfortável.

Continuei andando, mais devagar agora.

Tentando organizar.

Foi então que percebi outra coisa.

Eu comecei a ver a Tauane diferente.

Não era mais só a garota confiante da escola. Nem só a pessoa que tinha se aproximado de mim nos últimos dias.

Era… mais do que isso…

Mais presente.

Mais próxima.

Mais difícil de ignorar.

Detalhes que antes passavam despercebidos começaram a ficar claros demais. O jeito que ela se aproximava, a forma como falava… como me tocava de maneira casual...mas sempre deixando marcas, lembranças do contato de seu corpo com o meu

E o pior é que eu percebia isso. Não era só sensação.Eu sabia que tinha alguma coisa ali.

Alguma coisa no jeito dela.No jeito que ela conduzia as coisas sem parecer que estava fazendo isso.

E, mesmo assim…eu não conseguia me afastar.

Continuei andando, tentando convencer a mim mesmo de que aquilo não era nada. Que eu estava exagerando. Que era só uma situação diferente.

Mas não era só isso.

Tinha alguma coisa se formando.

E eu estava dentro.

Mesmo sem entender como.

Mesmo sem saber até onde aquilo ia.

Parei no corredor, a poucos passos da sala.

Respirei fundo, tentando desacelerar, como se isso fosse suficiente pra colocar as coisas de volta no lugar.

Mas não estava. Nada estava.

A sensação ainda estava ali. No corpo. Na cabeça. Misturada com tudo o que eu não conseguia explicar.

O toque…O cheiro…A proximidade.

Fechei os olhos por um segundo.

Era inútil tentar afastar.Já tinha ficado.

Abri os olhos devagar. A porta da sala estava ali, como se nada tivesse mudado.

Mas tinha…

Alguma coisa tinha começado naquele momento.

E, pela primeira vez…eu tive a sensação de que não teria como voltar atrás.

Continua…

Obs: FICA PROIBIDO A COPIA, EXIBIÇÃO OU REPRODUÇÃO DESTE CONTEÚDO FORA DESTE SITE SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO AUTOR.

Nota: primeiramente gostaria de agradecer aos amigos, pelos elogios e pela preocupação e felicidade pela minha recuperação.

Segundo, como falei no primeiro...quem me conhece sabe que não sou contra críticas aos autores...se forem justas, honestas e respeitosas...por que não???

É muito menos sou desses que defende personagens, não gosta de palpites, discussões sobre a história e etc...muito pelo contrário...estava pensando em copiar o que o autor da série "eu, minha esposa e nossos vizinhos" ou algo do tipo...peço desculpas se não for o nome correto. E criar um capítulo extra para responder aos comentários, já que vou respeitar o pedido de minha esposa e não responder diretamente os comentários aqui....longa história que prefiro não citar...

Então... é a chance de vários...critiquem a história, dêem opiniões e etc...se for respeitoso vc terá a chance de uma interação honesta e, quem quiser, cair matando no cara que sempre crítica...kkkk

Mais uma vez agradeço aos amigos pelos elogios...mas...me ajudem a melhorar com suas observações e vamo conversar sobre a história.

É isso....quinta tem a próxima parte....aí depois responderei os comentários e críticas dos três primeiros capítulos...se tiver algo, não só "puxacao de saco"...kkkk

Abraço...ótima madrugada.

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