SOB O MESMO TETO - Capítulo 5 – Fantasia

Da série Sob o Mesmo Teto
Um conto erótico de ViviK
Categoria: Heterossexual
Contém 3270 palavras
Data: 07/04/2026 02:10:34

Tantas coisas escrevi e acabei deixando de lado. Minha intenção era escrever sobre o Erick, como ele me afetava. Eu imaginei que teria várias pessoas dando dicas quentes e que eu poderia simplesmente deixar rolar uma fantasia, como se fosse apenas uma personagem ou uma atriz seguindo um roteiro. A ideia sempre foi trazer apenas esse lado mais quente. Saber que alguém estaria sentindo prazer com a minha história e eu me entregando ao prazer, sem culpa.

Mas para os acontecimentos desse feriado, preciso voltar um pouco no tempo. Trazer um relato que comecei a escrever, mas havia deixado de lado. Deixei de lado pois não tinha nada excitante nele. Apenas dor.

Volto aqui, na semana passada, na manhã seguinte à noite em que Léo se deliciou no sexo anal. Eu acordei com o corpo ainda mole, uma sensação diferente espalhada pelo corpo, em especial no cuzinho. Virei na cama, sorrindo, esperando encontrar ele ali. Queria um beijo. Um abraço. Um “bom dia, amor, você foi incrível”.

A cama estava vazia.

Ouvi o barulho do chuveiro. Ele já estava se arrumando. Levantei, coloquei a camisola, fui até o banheiro. Abri a porta devagar.

— Bom dia, amor — disse, em um tom que eu imaginei ser sexy.

Ele passou por mim com a toalha na cintura, sem me beijar.

— Estou atrasado.

— Ah. Certo.

Ele se vestiu em silêncio. Pegou o celular, as chaves. Na porta do quarto, hesitou por um segundo. Achei que fosse voltar. Mas só disse:

— Vou almoçar fora.

E saiu. Meu deixou ali, o Léu.

Ouvi o carro ligar, o portão abrir, fechar. O silêncio voltou.

Fiquei parada no meio do quarto, sem reação. Desci, esquentei a água, preparei o café sozinha. Tomei o primeiro gole olhando para o ambiente vazio, tão vazio quanto eu me sentia naquele momento.

Na noite anterior, eu tinha me entregado por inteiro. Abri as pernas, liberei o que sei que ele queria há tempos e era algo que eu não costumava sentir prazer. E no dia seguinte, nada. Nem um beijo. Nem um “você está linda”. Esperar um café na cama, uma surpresa, então? Era demais.

Eu era só um buraco. Um objeto que ele usou e largou. Foi assim que realmente me senti.

Olhei no espelho do corredor. Meu cabelo preto liso comprido estava bagunçado, mas ainda bonito. Meu corpo – 1,75m, seios firmes, cintura fina – não era o problema. Meus olhos azuis estavam ainda mais brilhantes, em função das lágrimas que não saíram, mas umideceram, avermelhando levemente. Sei que não tenho mais 20 anos, mas eu me cuido. Passo creme, faço exercícios, me arrumo.

Não era isso.

O problema era ele me ver. Ou melhor, não me ver.

Decidi que ia me arrumar. Não por ele. Por mim.

Liguei para a Fátima e marquei um horário no salão para a tarde.

No salão, o cheiro de química e xampu sempre me acalmava. Fátima é cabeleireira há trinta anos, dessas que sabem a vida de todo mundo mas nunca julgam. Enquanto lavava meu cabelo, massageava meu couro cabeludo com uma pressão que me fazia querer dormir.

— Tá precisando relaxar, hein, Vivi?

— Um pouco.

Ela me levou para a cadeira, começou a cortar as pontas. Do meu lado, duas senhoras conversavam alto. Uma delas, cabelo grisalho curto, óculos de leitura na ponta do nariz, falava sobre a nora.

— Pois é, a menina vive reclamando que meu filho não dá atenção. Mas será que ela também não tem culpa? Homem é que nem bicho, a gente tem que saber lidar. Se ela ficasse mais bonita, se arrumasse mais, talvez ele olhasse diferente.

A outra concordou:

— É verdade. Minha filha separou, vive chorando. Mas passava o dia de pijama, cabelo preso, sem vaidade. O que o marido ia ver nela? A vizinha, toda produzida, vive dando em cima. Não tô dizendo que é certo, mas…

Fátima me olhou no espelho, percebeu minha expressão.

— Deixa elas, Vivi. Cada um sabe onde o calo aperta.

Mas as palavras já tinham entrado. Ficaram martelando na minha cabeça o resto da tarde. Eu já achava mesmo que a culpa era minha, que talvez se eu fizesse mais, tentasse mais? Mais do que eu já fazia? Todas as tentativas de lidar com isso, de conversar sobre isso não deram muito certo e eu acabei desistindo de tentar.

Lembrei então das histórias que lia, dos contos eróticos que sempre me excitavam. As mulheres daquelas histórias não esperavam. Elas agiam. Faziam surpresas, usavam fantasias, provocavam. Talvez eu precisasse ser mais como elas.

Na volta para casa, passei em frente a uma loja dessas de artigos eróticos. Nunca tinha entrado. Dessa vez, estacionei o carro, respirei fundo e entrei.

A vendedora, uma mulher de uns quarenta anos, cheia de piercings, me atendeu com simpatia.

— Primeira vez aqui?

— Dá para perceber?

— Relaxa, amiga. Todo mundo começa em algum lugar. O que você procura?

Não sabia. Olhei as prateleiras, os pacotes, as lingeries. Tive curiosidade com um objeto com um pompom, até imaginei pra que servia, mas fiquei sem graça de perguntar o que era. Mas logo ao lado me deparei com uma fantasia de coelhinha – orelhas, lacinho, um body de renda branca que mal cobria nada, e uma calcinha com um pompom fofinho na parte de trás. Era ridícula. Era sexy. Eu queria.

— Isso. E também… — hesitei. — Tem alguma coisa para… chocolate?

— Com certeza. Tem gel de massagem sabor chocolate, tem chocolate derretível próprio para pele, tem até pincel para passar.

Comprei a fantasia, o chocolate próprio, um pincel. Vi alguns licores, mas lembrei que tinhamos vários em casa que ganhamos de presente. Saí com a sacola preta, o coração batendo rápido.

Em casa, escondi tudo no fundo do guarda-roupa. O plano era usar no domingo. Léo estava em casa no domingo – pelo menos não viajava. Eu ia preparar uma surpresa. Ia ser a própria taça.

Mas os dias seguintes foram estranhos, o stress do trabalho, o distanciamento do Léo, aquelas dores todas que afloraram na quinta, quando tive aquela conversa com Lúcia e Renata que já contei para vocês. Desabafei mais do que queria. Ouvi coisas que não esperava. À noite, Léo chegou tarde, bêbado, e nem me tocou. Tentei pensar de forma positiva, mas como sempre as circunstâncias não ajudam.

Na sexta, feriado, passei o dia sozinha em casa. Escrevi. Pensei. Chorei um pouco, não vou mentir. À noite, ele chegou cedo, mas ficou no sofá vendo televisão. Eu coloquei uma camisola bonita, me sentei ao lado. Ele nem virou a cabeça.

— Amor — chamei.

— Hum?

— A gente podia… não sei. Conversar?

— Tô cansado. Depois a gente conversa.

Depois nunca chegava.

Sábado amanheceu ensolarado.

Tentei planejar alguma coisa. Fazer um piquenique, ir ao cinema, qualquer coisa que nos tirasse de casa.

— Léo, que tal a gente almoçar fora?

— Hoje não. Tô com uns negócios para resolver no celular.

Ele passou a manhã inteira sentado no sofá com o celular na mão. De vez em quando digitava, outras vezes lia, outras só ficava olhando a tela. Eu trouxe café, ele nem agradeceu. Perguntei se ele queria que eu preparasse o almoço, ele disse “pode ser”. Tentei descobrir o que incomodava, se era sobre os pais dele, trabalho. Desconversou. Minha presença parecia incomodar.

Fiz uma macarronada. Comemos em silêncio. Ele com o celular ao lado do prato, eu olhando para as nuvens, pensativa.

À tarde, tentei de novo:

— Vamos dar uma volta? O dia tá bonito.

— Mais tarde.

Mais tarde ele foi tomar banho e deitou. Tirou uma soneca. Acordou, pegou o celular de novo.

À noite, jantamos o que sobrou do almoço. Ele ligou a televisão. Eu fui para o quarto. Chorei em silêncio.

Deitei e fiquei olhando para o teto. Pensei na fantasia escondida no armário. Pensei no chocolate. Pensei no Erick, que só voltaria na segunda. Por que eu tinha que desejar justamente o homem que não podia ter? Por que tanta culpa? Por que estes desejos tão intensos? Eu me sentia um lixo.

Acabei adormecendo antes dele subir.

Domingo.

Acordei com o barulho das chaves. Léo já estava de pé, com a roupa de ciclismo – o short justo de lycra preta com o forro de gel, a camisa de manga comprida vermelha e preta, os sapatos com os cliques especiais para prender no pedal. O capacete estava pendurado no braço. As luvas no bolso traseiro da camisa.

— Vai sair? (perguntei mesmo sendo óbvio)

— Vou dar uma volta. O dia tá bonito.

Olhei pela janela. O sol nascia, o céu limpo.

— Posso ir junto?

Ele hesitou.

— Não. Eu vou rápido, volto logo.

— Mas eu gosto de pedalar.

— Hoje não, amor. Preciso pensar umas coisas.

Ele virou as costas e saiu.

Fiquei ali, ouvindo o portão bater. Não estávamos brigados. Ele só… foi. Sem querer que eu fosse junto. Sem explicar direito.

Eu pensei em insistir, em levantar e ir atrás. Mas alguma coisa me segurou. Talvez o cansaço. Talvez saber que não adiantava.

Respirei fundo. Não iria me abalar com isso. Decidi que aquele era o dia. Iria fazer a surpresa. Espera ele voltar e mostrar que ainda sou a mulher que ele um dia desejou.

Esperei ele sair do portão – olhei pela janela e vi quando dobrou a esquina. Então tirei a fantasia do armário. O body de renda branca, as orelhas de coelha, o lacinho. E a calcinha com o pompom.

Tomei um banho demorado, passei creme, perfume. Depois, fiz a maquiagem com cuidado. Uma base leve para uniformizar a pele, pó translúcido para tirar o brilho. Nos olhos, fiz um delineado coelinha bem puxado – o traço fino rente aos cílios, subindo num vozinho no canto externo. A sombra era um branco perolado na pálpebra móvel, com um toque de prata no canto interno para iluminar. Rímel bem aplicado. Nos lábios, um gloss incolor, só para dar brilho. E uma pontinha preta no nariz, claro.

Mas o detalhe que completava o visual eram as bochechas. Usei um blush cremoso, cor de rosa choque – quase framboesa – e esfumei bem nas maçãs do rosto, puxando levemente para as têmporas. O efeito ficou bom. Ficou um ar inocente, ao mesmo tempo provocante. Coelhinha boba. Presa fácil.

No espelho, eu gostei do que vi. As orelhas brancas e rosadas emoldurando o rosto. Consegui um olhar de coelha: inocente, mas que chama atenção, as bochechas coradas. Meu cabelo preto liso comprido caía pelos ombros, contrastando com o branco da fantasia. Meu corpo estava bonito. O body de renda branca mal cobria os seios – firmes, empinados, os mamilos roçando o tecido a cada movimento. A cintura fina se alargava suavemente nos quadris, criando uma curva que a renda acompanhava como se tivesse sido feita sob medida. A calcinha branca, com aquele pompom fofinho na parte de trás que balançava quando eu me mexia, e eu testava os movimentos, me divertia – um charme à parte, deixando o bumbum completamente à mostra – redondo, durinho, daquele jeito que eu sabia que ficava bom de qualquer ângulo. As pernas longas, torneadas, ganhavam ainda mais destaque com o salto alto que coloquei para completar o visual.

Me senti como numa propaganda de chocolate da Playboy. Era sexy, divertida, meio boba, mas era eu – e pela primeira vez em muito tempo, eu gostava do que via. Sorri.

Girei algumas vezes em frente ao espelho. Me olhava de todos os ângulos. Estava leve, apenas aproveitando o momento, a diversão da fantasia. Pensei que deveria ter tentado isso mais vezes, mesmo que fosse só pra mim.

Desci para a cozinha. Peguei o chocolate – esquentei no micro-ondas até ficar numa textura cremosa. Coloquei numa tigela de vidro. Peguei o sorvete de creme – deixei amolecendo um pouco. Tínhamos uma garrafa de amarula e outra de malibu.

Preparei a mesa da sala: o chocolate, o sorvete, uma taça para o licor, uma colher. Peguei uma seleção do Spotify – estava tocando "Blinding Lights" do The Weeknd. Aumentei o volume.

Comecei a dançar sozinha. Os quadris balançando, os braços para cima. O pompom balançava atrás. Peguei uma taça para experimentar os licores… uma dose de amarula, outra de malibu. Era tão bom… Misturei amarula com uma bola de sorvete. Bebi um gole. Depois outro. A amarula era doce, cremosa, descia fácil. Mas o docinho das bebidas disfarçava o álcool.

Léo não vinha. Em um momento, a angústia tomou conta, chorei. A maquiagem borrou. Mas decidi não me abalar, respirei fundo:

— Hoje ele vai me ver — disse em voz alta.

Fechei os olhos e tentei imaginar a cena. Léo chegaria, abriria a porta, me veria ali. Seus olhos brilhariam. Ele viria até mim, passaria a mão na minha cintura. Eu passaria chocolate no meu corpo e ele lamberia. Na minha cabeça, porém, a imagem mudava. O rosto que vinha não era o de Léo. Era o de Erick. A voz grave. As mãos firmes. Aqueles olhar profundo.

— Não — falei sozinha, sacudindo a cabeça. — Hoje vou tentar pensar só no Léo.

Bebi mais um gole. O efeito do licor se intensificava, um calor gostoso espalhando pelo corpo, apagando a tristeza. Dancei mais solta, mais entregue. Molhei o dedo no chocolate, lambi. Delícia.

O chocolate respingava pela fantasia. O chocolate escorreu quente. Arfei. A sensação era boa. Respingou um pouco na região dos mamilos, por cima da renda. O tecido grudou na pele. Eu pensava que estava mais para uma porquinha do que uma coelhinha e ria. Lembrei da piada do urso.

A música estava alta. Não sei dizer quanto da amarula e da malibu tinha ido. Eu dançava com os olhos fechados, o corpo mole, a mente viajando, já não pensava em nada, só curtindo o momento.

Não ouvi o portão. Escutei a porta abrir. Estava lenta do álcool. Abri os olhos.

E não era o Léo.

Era Erick.

Ele estava parado na soleira, a mala na mão, os olhos arregalados. Camiseta azul, calça de moletom esportiva. Ele me olhava – os seios quase à mostra pela fantasia, o chocolate escorrendo, o pompom na bunda, as orelhas de coelha na cabeça.

Meu coração parou. Depois disparou. Na cabeça, milhões de coisas se passaram. Não deu tempo de fazer nada, de correr, ir para o quarto. Por mais que eu imaginasse o que faria com o Erick, não estava preparada para tê-lo à minha frente, não assim, não nesse estado.

Erick, atônito, continuava congelado.

Ele engoliu em seco. Os olhos percorreram meu corpo sem querer – os seios, a cintura, as pernas – e depois desviaram, como se queimassem.

A taça escorregou da minha mão. Caiu no chão, se espatifou. O licor espirrou nos meus pés. O chocolate continuava escorrendo.

Tentei falar qualquer coisa, mas a voz não saiu. Eu estava horrível, pensei… congelada também, em claro desespero. Faltou ar.

Erick apenas correu e me segurou. Perguntou, naquela voz única que ele tem:

— Está tudo bem?

É óbvio que não estava. Havia um pouco de sangue no chão – acabei pisando em um caco da taça. Parecia que eu ia desmaiar.

— Desculpe, eu cheguei cedo, achei que vocês estivessem viajando. Teria avisado.

Tentou me segurar pelo braço, mas eu estava escorregando. As pernas não obedeciam. Eu estava desabando, quase indo ao chão, em cima dos cacos de vidro, do licor derramado. Mas Erick me segurou, dessa vez mais próximo.

Minhas pernas tremiam. Não conseguia me mexer. O choque, a vergonha, o álcool, tudo ao mesmo tempo. Senti o rosto esquentar, os olhos arderem. As lágrimas não paravam de sair.

— Eu tô horrível — soltei, soluçando.

Era nítido que Erick estava desconfortável. Ele só me apertou mais forte. Viu meu pé sangrando.

— Se quiser conversar, eu tô aqui. Se quiser que eu vá, eu vou, mas acho que não seria uma boa ideia deixar você sozinha assim. Temos que fazer algo com seu pé.

A voz não saía. A voz dele me hipnotizava, mas eu não estava pronta para nada, e ele estava me vendo como uma amiga. Acho que a situação só me distanciou dele. Eu não conseguia levantar – a bebida tinha batido. Ele me pegou no colo, com uma força como se eu não pesasse nada.

— Vamos, vou levar você para o seu quarto.

Eu solta, à mercê do que pudesse acontecer, mas com tantos pensamentos negativos que impediam qualquer desejo naquele momento. Qualquer fantasia era só fantasia e ficou em algum lugar bem profundo na minha mente. No caminho, ao passar pelo espelho, me vi no colo do Erick, fiquei pensando ele tem quanto de altura? 1,82? 1,85? Mas o meu rosto chamou mais atenção, eu parecia a Lady Gaga com a maquiagem borrada no filme do Coringa.

Com todo cuidado, ele me colocou na cama, analisou meu pé com cuidado. Era só um pequeno corte.

— Deixa só limpar seu pé e tirar esses cacos.

Todo cuidadoso, ele limpou. Não era nada grave.

— Vivi, você é uma mulher incrível. Não deixe a vida te derrubar.

Pensei em puxá-lo para a cama, mas só pensava na condição que eu estava. tentei agradecer, mas não conseguia falar. apenas soluçava.

Ele levantou e saiu.

— Descansa um pouco, toma um banho. Acho melhor eu ir, mas se precisar me liga, estarei perto.

Erick saiu. Eu não estava pensando direito.

Fiquei alguns minutos ali. Estava mal. Me deu uma ânsia e vomitei.

Deitei na banheira e deixei o chuveiro correndo. Quando vi, estava transbordando. Terminei o banho. Me sequei. Deitei um pouco. Dormi.

Não sei quanto tempo fiquei apagada. Em algum momento, tive a sensação de que alguém estava me observando. Teria o Erick voltado ou era minha imaginação, um sonho? Será que me achou ridícula? Pensou em fazer algo? Ele não é alguém pra se aproveitar de mulher bêbada. Eu só sentia nojo de mim mesma.

Quando acordei, coloquei o roupão e saí pela casa. Estava vazia. Léo não havia voltado. Pensei no que fazer.

Lembrando do Erick, não foi o abraço que eu imaginava nas minhas fantasias. Foi um abraço de amigo. Fraterno. Cuidadoso. Como se eu fosse uma irmã que ele precisava confortar.

E isso doeu mais do que tudo.

Eu lembrava como chorei no ombro dele. O chocolate manchando a camisa azul. As orelhas de coelha caíram em algum lugar. Era o retrato do ridículo. A imagem no espelho ficou gravada na cabeça. Ser carregada para o quarto não era assim que eu tinha imaginado.

O choro voltou. Mas um choro diferente – mais fundo, mais velho. Choro de quem percebe que perdeu uma chance. Não a chance de ficar com Erick. A chance de ser feliz. De ser desejada. De ser vista.

A casa estava em silêncio. Os cacos de vidro tinham sido recolhidos. O chão estava limpo. A mesa, arrumada. Erick havia limpado tudo antes de sair. Provavelmente ficou preocupado ainda mais um tempo em saber se eu ia ficar bem ou precisar de ajuda. Na mesa, um chá de gengibre com o pote de mel ao lado. Ainda estava quente, provavelmente recém terminado.

Léo não havia voltado. O celular dele estava desligado – ou ele simplesmente não atendia.

Sentei na mesa da cozinha. Tomei um gole do chá.

Olhei pela janela. O sol estava se pondo. O céu alaranjado.

Pensei em tudo. Na conversa do salão, nas mulheres que dizem que a culpa é nossa. Na fantasia de coelha jogada no cesto de roupa suja. No Léo, que não voltou para o almoço, que nem mandou mensagem. No Erick, que me viu no meu pior e ainda assim foi gentil. Na impossibilidade de qualquer coisa com o Erick depois disso. Até as fantasias que tanto passavam na minha cabeça já estavam destruídas. Ele me viu como uma amiga. Minha auto estima estava péssima.

Peguei o notebook, não consegui escrever tudo. Depois fiquei na dúvida se publicava ou não.

Não sei o que fazer.

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Comentários

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Acho que a autora se perdeu pelo caminho ela começou descrevendo um casamento perfeito e do nada não sei se foi por alguma crítica ela mudou tudo que vinha escrevendo até agora o marido perfeito bom de cama do nada virou alcoólatra e parou de procurar ela mais já parou pra pensar que ele pode ter percebido essa vontade e até pode estar pensando que já aconteceu alguma coisa entre a esposa e o Erick e será mesmo que eu conversa franca não seria o ideal ?

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