— Você não cansa disso? — perguntei, apontando para a tela.
— Não.
Resposta automática.
— Nem um pouco?
— Não.
Pausa.
— Por quê?
Cheguei mais perto.
— Porque tem coisa mais interessante.
Agora ele desviou o olhar. Por um segundo só.
— Tipo?
Eu não respondi, só avancei mais um pouco. O suficiente para ficar perto demais. Ele voltou a olhar para a tela, mas o corpo já não estava no mesmo lugar.
— Mateus…
Um aviso. Ou um convite mal disfarçado. Eu esperei. Um segundo. Dois. Até não fazer mais sentido esperar. Minha mão se fechou em torno do seu pulso, arrancando o controle da mão dele com um puxão firme.
— Ei, velho...
Mas ele não terminou. Porque eu já estava perto demais. Segurei a camisa dele, puxando com uma pressa que eu não tinha planejado. Foi impulso, mas não surpresa. Rodrigo reagiu com aquele meio segundo de resistência automática. O corpo travou antes de decidir e, então, decidiu. Cedeu.
As mãos dele vieram em mim com força suficiente para não parecer dúvida. O pufe afundou sob o peso de nós dois, desajeitado, quente, desequilibrando tudo, nossos corpos, o ar, a linha que a gente fingia ainda existir. Fiquei perto o suficiente para sentir a mudança na respiração dele, mais curta, mais presente. Os olhos encontraram os meus, diretos, sem o filtro de antes.
— Aqui? — ele murmurou, baixo.
— Aqui.
Não era sobre o lugar, nunca foi. Houve um segundo de suspensão, aquele ponto exato em que ainda dá para voltar. Ele não voltou, ao contrário, o corpo dele relaxou contra o meu, não como quem desiste, mas como quem decide parar de lutar contra algo que já estava acontecendo há tempo demais.
Me ajoelhei na sua frente, sobre o pufe gigante, minhas coxas pressionando as dele, as forçando a se abrirem. Tirei o meu calção e o calor do meu corpo quase nu foi como uma queimadura contra as pernas ainda vestidas de Rodrigo.
Ele sentiu o ar preso nos pulmões, os olhos cravados na minha boca entreaberta, nos meus lábios que já brilhavam com a umidade de uma lambida lenta. Não houve aviso. Não houve pergunta. Só a minha mão subindo pela sua camiseta, meus dedos macios arranhando a pele da barriga dele enquanto a outra segurava seu queixo, inclinando o rosto para cima.
O resto veio em camadas. Sem pressa, mas sem recuo. Toques que começavam incertos e logo encontravam memória. Proximidade que deixava de ser teste e virava presença. O mundo do lado de fora, a cidade, o shopping, a avó, a estrada, tudo se dissolvendo naquilo que só existia entre nós dois.
O primeiro beijo foi duro, quase punitivo, como se eu quisesse marcar território. Os dentes de Rodrigo bateram contra os meus, e ele gemeu baixo, as mãos subindo instintivamente para agarrarem os meus ombros à sua frente.
A minha língua invadiu sua boca com uma urgência que não deixava espaço para pensamentos, só para sensação. O gosto da minha boca se misturava a algo mais primal, mais quente, e Rodrigo arqueou as costas sem querer, sentindo o short apertar contra a ereção que já latejava entre suas pernas.
As mãos de Rodrigo desceram, arrancando as nossas camisetas por cima de nossas cabeças com um movimento brusco, me deixando apenas de cueca e ele de short, e então estávamos pele contra pele, o suor começando a formar uma película entre nós.
— Seu puto – murmurei contra seus lábios, a voz grossa de desejo — Jogando videogame quando eu tô aqui, todo duro pra você…
Rodrigo tinha essa coisa, de parecer inteiro quando finalmente parava de se conter. E eu… eu reconhecia aquilo. Talvez porque fosse o que eu sempre buscava. Ou evitava.
— Você complica tudo — ele disse, em algum momento, a voz mais baixa, mais próxima do que qualquer frase precisava ser.
— E você finge que não.
Ele soltou um riso curto, quase sem ar.
— Idiota.
Mas não se afastou. Ficamos ali por um tempo que não dava para medir direito. Não era sobre duração. Era sobre intensidade e, principalmente, sobre o que vinha depois, porque sempre vinha. Rodrigo não teve tempo de reagir. Meus dedos já estavam no elástico do seu short, o puxando para baixo junto com a cueca, o deixando nu no pufe. O calor do quarto fez gotas de suor percorrerem sua pele exposta, mas o calor do meu corpo contra o dele era mais que suficiente para o queimar por dentro.
Minha mão se fechou em torno de seu pau, já duro e úmido na ponta, e Rodrigo soltou um gemido alto, as unhas se cravando nas minhas costas.
— Assim, gostoso… - sibilei, meu polegar espalhando o líquido pré-gozo pela cabeça latejante — Tão duro pra mim, né?
Rodrigo não conseguiu formar palavras, só balançou a cabeça, os quadris empurrando para cima sem controle, buscando mais pressão, mais atrito. O resto foi menos sobre movimento… e mais sobre reconhecimento. A respiração dele mudou primeiro. Curta. Descompassada. Como se o corpo estivesse tentando acompanhar algo que já tinha começado antes.
— Você é louco — ele murmurou, perto demais do meu ouvido.
Mas não se afastou.
— Eu sei.
Minha resposta saiu baixa e, dessa vez, ele riu. Não de nervoso, mas de entrega. Havia urgência, sim. Mas também havia outra coisa. Algo mais lento por baixo. Como se, no meio do impulso, a gente estivesse finalmente prestando atenção, nos intervalos, nos detalhes. No peso de estar ali de novo, mas diferente.
Eu não tinha pressa. Meus dedos dele deslizaram para baixo, acariciando seus testículos com uma leveza que era quase tortura, enquanto a outra mão subia para beliscar um mamilo, o torcendo até que Rodrigo se contorcesse com um grito abafado.
Minha boca desceu pelo seu pescoço, lambendo e mordiscando a pele sensível atrás da orelha, e então, sem aviso, empurrei Rodrigo para trás, o fazendo deitar no pufe, as pernas ainda penduradas para fora.
— Abre – ordenei, minha voz um rosnado.
Rodrigo obedeceu antes que o cérebro pudesse processar, as coxas se afastando, se expondo completamente. O ar quente no seu pau úmido e nas bolas contraídas era quase doloroso, mas então a minha boca estava lá, quente e molhada, engolindo seu cacete até a base em um só movimento. Rodrigo arqueou as costas, os dedos se enterrando nos meus cabelos, os quadris tremendo.
— Porra, Mateus...!
A palavra saiu como um lamento, a garganta apertada. Ele tentou empurrar minha cabeça, mas eu segurei seus quadris com força, o imobilizando enquanto a língua traçava círculos lentos na cabeça do seu pau, minha garganta se contraindo ao redor dele de uma maneira que fazia suas coxas tremerem.
O mundo lá fora continuava existindo. A cidade, o barulho distante, o tempo correndo normal. Mas, dentro daquele quarto, tudo parecia suspenso. Rodrigo me olhou por um instante que durou mais do que qualquer gesto. Sem ironia, sem defesa, só presença.
E foi ali que eu entendi, com uma clareza desconfortável: não era mais sobre o que a gente fazia. Era sobre o que a gente não conseguia evitar ser… quando estava um diante do outro.
Eu não brincava. Meus lábios deslizavam para cima e para baixo com uma precisão que deixava Rodrigo sem fôlego, a saliva escorrendo pelos cantos da minha boca e pingando em suas bolas. Cada vez que a minha garganta se fechava ao redor da cabeça do seu pau, Rodrigo sentia como se fosse gozar ali mesmo, mas então eu recuava, o deixando à beira da loucura, meus dedos apertando a base do seu pau para o impedir de gozar.
— Não goza ainda – murmurei, a voz vibrando contra a pele sensível de Rodrigo — Tô só começando com você.
Rodrigo não tinha forças para discutir. Só conseguia gemer, os olhos fechados, as mãos ainda presas nos meus cabelos enquanto eu voltava a o chupar, dessa vez com mais força, minha língua deslizando levemente a pele do seu pau a cada movimento para cima.
Minha saliva escorria pelos lados, molhando as coxas de Rodrigo, e o som obsceno de sucção enchia o quarto, misturado aos gemidos abafados que Rodrigo não conseguia conter.
Mas então eu parei. Soltei o pau de Rodrigo com um pop úmido, minha boca brilhante, meus lábios inchados. Rodrigo abriu os olhos, confuso, o corpo todo tenso com a necessidade de gozar, e me viu me levantando, pegando algo na estante ao lado da cama. O som do hidratante sendo aberto fez seu estômago revirar de antecipação.
— Levanta – eu disse, minha voz áspera.
Estava pronto para ceder o controle do ato para ele. E fiz isso simbolicamente, quando entreguei o tubo de hidratante em suas mãos. Rodrigo não hesitou. Eu rolei no pufe, me apoiando nas mãos e joelhos, meu corpo tremendo. Eu gostava de brincar com controle (uma vez que você coloca a mão no fogo, você nunca mais é o mesmo), mas verdadeiro prazer, eu sentia, estava em ser dominado.
Senti os dedos de Rodrigo espalhando o creme frio e gelado entre minhas nádegas, e então uma pressão firme, insistente, contra meu cuzinho. Mordi o lábio, meus músculos tensionando por instinto, mas Rodrigo não desistiu. Um dedo deslizou para dentro, lento, girando, me dilatando, e eu soltei um gemido longo, minha cabeça caindo para frente.
— Relaxa – Rodrigo sussurrou, a outra mão descendo para massagear as minhas bolas enquanto o dedo dentro de mim se movia em círculos — Deixa eu te preparar direito, seu safado.
Tentei obedecer, forçando os músculos do meu anelzinho a se soltarem, e então senti um segundo dedo se juntar ao primeiro, me dilatando ainda mais, me laceando. A dor era boa, uma queimação que se transformava em prazer a cada movimento dos dedos de Rodrigo, cada toque na minha próstata que fazia meu pau latejar.
— Porra, Rodrigo, eu não aguento mais… – gemi, empurrando o quadril para trás, buscando mais.
Rodrigo riu baixo, satisfeito.
— Tá pedindo, é?
Antes que eu pudesse responder, os dedos sumiram, substituídos pela cabeça larga do pau dele, pressionando contra mim. Segurei a respiração, meus dedos se cravando no plástico do pufe, e então, devagar, mas sem parar, Rodrigo empurrou sua pica para dentro de mim. A queimação foi intensa, mas passageira, substituída pela sensação de estar completamente cheio, esticado ao redor do membro grosso de Rodrigo.
— Caralho – sibilei, meus músculos tremendo com o esforço de me ajustar aos dezenove centímetros de Rodrigo — Tão grande…
Rodrigo não respondeu com palavras. Em vez disso, segurou os meus quadris com força e começou a se mover, devagar no início, cada empurrão fazendo com que ele sentisse o pau dele esfregar contra algo dentro de mim que o fazia ver estrelas. Os gemidos saíram sem controle, altos, desesperados, e logo Rodrigo estava batendo contra mim com mais força, o som de pele contra pele ecoando pelo quarto junto com os meus gritos abafados.
— Assim, putinha – Rodrigo rosnou, as mãos deslizando para a frente, agarrando os meus mamilos, beliscando até doer — Gosta de levar rola assim, né? Todo abertinho pra mim…
Eu não conseguia formar palavras. Só conseguia gemer, meu corpo sacudindo a cada investida, meu pau duro e dolorido entre as minhas pernas, esmagado contra o pufe a cada movimento. Então Rodrigo parou de repente, puxando sua vara para fora, e eu quase chorei de frustração.
— Vira – Rodrigo ordenou, a voz rouca.
Obedeci, rolando de costas, minhas pernas ainda trêmulas. Rodrigo se ajoelhou entre elas, o pau brilhante de saliva e hidratante, e então estava empurrando para dentro de mim novamente, dessa vez de frente, os olhos cravados nos meus.
As mãos de Rodrigo deslizaram sob as minhas coxas, as levantando, me abrindo ainda mais, e então ele começou a se mover novamente, cada empurrão fazendo com que nossos corpos colidissem, nossa pele batendo com um som úmido.
— Olha pra mim – Rodrigo exigiu, os dedos apertando o meu queixo, me forçando a manter contato visual — Quero ver sua cara quando você gozar.
Eu não tinha escolha. Meus olhos se fixaram nos de Rodrigo, escuros e intensos, enquanto o ritmo aumentava, a vara do prazer de Rodrigo atingindo aquele ponto dentro de mim que fazia meu corpo inteiro tremer. Uma das mãos de Rodrigo deslizou entre nós, se fechando ao redor do meu pau, e foi isso que me levou ao limite.
— Vou gozar, vou gozar...! – gritei, minhas costas arqueando, o esperma jorrando entre nós em pulsos quentes, manchando nossas barrigas.
Rodrigo não parou. Continuou a me foder com força, os quadris batendo contra os meus, até que com um gemido gutural, ele também gozou, o calor me enchendo por dentro, me marcando de uma maneira que ia muito além do físico. Nós ficamos assim por um momento, ofegantes, suados, os corpos colados. Então Rodrigo se inclinou para frente, capturando a minha boca em outro beijo, esse mais lento, mais possessivo.
— Ainda não acabou – ele murmurou contra os meus lábios, e eu soube, pela maneira como Rodrigo me olhou, que a viagem seria longa, muito longa.
Quando o silêncio voltou, ele era outro. Mais denso, mais cheio de coisas que não tinham nome. Rodrigo passou a mão no rosto, se deitando no pufe, olhando para o teto.
— Isso vai dar merda.
Não era pergunta. Eu me apoiei ao lado dele.
— Já deu.
Ele virou o rosto, me encarando. Longo.
— E você continua.
— Você também.
Pausa. Um meio sorriso apareceu. Aquele de sempre.
— Eu nunca disse que era melhor que você.
Ali, naquele quarto emprestado, naquela cidade que parecia grande demais para nós dois, eu entendi uma coisa que talvez já soubesse: o que existia entre a gente não era falta de opção. Era escolha. E talvez fosse isso que tornava tudo mais difícil de sustentar.
