A Colheita dos Três.
O calor da manhã em Viamão já dava sinais de que o dia seria de lida pesada. Na cozinha, o Renê passava o café vestindo apenas cueca, organizando a mente para a viagem à praia com o cunhado Rafael.
A paz foi quebrada pela chegada de Raul, o guri que Renê criara como um filho desde o nascimento. O jovem de 23 anos entrou em estado de euforia, cantando e dançando. Renê achava que toda aquela alegria era por causa da Letícia, sobrinha do Júlio, com quem o guri fingia namorar para manter as aparências.
Raul estava visivelmente bêbado e feliz. — Eu sou o cara mais feliz do mundo, Renê! — gritou ele, abraçando o irmão. Renê brincou sobre o trabalho e as ovelhas do vizinho, mas o Raul só queria saber de tomar um banho para tirar a nhaca da bebedeira.
No embalo da pressa, o Raul esqueceu o celular em cima do balcão. Foi aí que o aparelho vibrou. Era um áudio do Júlio, o "Gringo", melhor amigo do Renê há décadas. Sem pensar em segredo de senha, o Renê deu o play.
O que saiu pelo alto-falante foi como um coice de mula no peito. A voz rústica do Júlio ecoou sem filtro: — "...Foi a melhor trepada da minha vida, cara. Tu realmente me superou. Nunca peguei um cuzinho tão apertado assim... foi difícil de entrar, mas valeu a pena. Estou de pau duro só de lembrar. Não deixa o Renê desconfiar."
O sangue do Renê ferveu. Ele travou as mãos no balcão, com os olhos injetados, bem na hora em que o Júlio estacionou a caminhonete na brita e entrou na cozinha com aquele jeito de dono do mundo. — Que porco Dio é esse barulho na minha orelha? — rosnou o Gringo ao ouvir a própria voz.
— Que pouca vergonha é essa, Júlio? Tu entrou na minha casa pra desonrar o meu irmão, vivente? Tu virou viado agora? — o Renê cuspiu as palavras, avançando no amigo.
O Gringo não recuou. O cheiro de fumo e suor de campo exalava dele enquanto encarava o Renê: — Me respeita! Eu não sou viado. Sou um homem que gosta de sentir o corpo de outro homem quando a vontade aperta. O único interessado no meu pau e no rabo do teu irmão sou eu e ele.
Enquanto a briga estancava, a mente do Júlio traía o momento, voltando para o sábado no galpão. He lembrava de ter encurralado o Raul entre os fardos de alfafa, sentindo o guri tremer como um passarinho antes de ser possuído com toda a força bruta do colono. No galpão, o guri choramingava de prazer, pedindo por mais.
A gritaria na cozinha foi interrompida pela Débora, que saiu do quarto furiosa: — Renê, tu não manda no tesão do teu irmão! Tu já fez muita merda também. Cala a boca e deixa o guri ser feliz com o Júlio!
Renê e Júlio acabaram indo para a beira da rua, encostados na caminhonete. Ali, o Gringo contou a real: o Raul estava morto por dentro com aquela mentira com a Letícia, e só ganhou vida quando sentiu o que era um homem de verdade no galpão. O Renê ouvia tudo com uma curiosidade que o deixava zonzo.
Para manter as aparências com os vizinhos, o plano seguiu: a Letícia, que era a maior cúmplice do tio Júlio, viajou com o Raul para a praia. Aos olhos da cidade, eram namoradinhos, mas lá, ela garantia o espaço para os dois se pegarem à vontade.
CAPÍTULO 2.
A Débora também entrou no jogo. Ela começou a sair direto com o Raul para "fazer compras", mas o destino era sempre o mesmo: deixar o guri nos braços do Gringo. Ela provocava o Renê em casa, descrevendo o que imaginava daquela lida bruta, preparando o espírito do marido para o que viria.
Renê acabou aceitando. He viu o irmão entrar na caminhonete do Júlio para voltar à chácara, sabendo que naquela noite a "colheita" seria pesada. O pacto estava selado: o Gringo agora era o homem daquela casa, cuidando do guri e, em breve, cuidando da Débora sob o olhar atento do Renê.
A tensão explodiu naquela noite em que Renê deu o comando de dez minutos. He sentou na poltrona e viu o Gringo tomar a sua esposa com a mesma brutalidade que usava no guri. He viu a Débora se entregar, suada, pedindo por sacanagem e o Renê assistia tudo das sombras.
Quando o Renê trouxe a caipirinha e o gel, o esquadrão estava formado. — Juntou a sede com a vontade de fazer muita sacanagem! — gritou a Débora.
O Gringo, sentado no sofá com as pernas abertas e suado do esforço, deu a ordem final para a Débora montar nele de novo, enquanto o Renê servia as taças.
Agora, o Renê assistia de molho, sabendo que o caipira sabia fazer o serviço como ninguém, tanto no irmão quanto na esposa, e a paz finalmente reinava naquela chácara em Viamão.
Espero que essa formatação esteja mais agradável para a leitura!
