Castelo de areia Temporada 1 capítulo 1.2 - beijos, carícias e ciúmes

Um conto erótico de Manfi
Categoria: Heterossexual
Contém 3500 palavras
Data: 09/04/2026 04:36:19
Última revisão: 09/04/2026 04:46:24

capítulo 1.2 - beijos, carícias e ciúmes

(Tauane)

Depois daquele dia no vestiário, eu simplesmente parei — não de tudo, mas deles.

Evitei os meninos do terceiro ano o máximo que pude. Miguel, Mike, Cadu… todos perceberam.

Antônio mais do que todos.

E aí começou a crise.

Primeiro vieram os olhares.

Depois as perguntas. Aquela necessidade repentina de entender o que estava acontecendo… vindo justamente de alguém que, até pouco tempo atrás, nunca quis entender nada.

Era quase engraçado.

Quase.

— Você tá diferente — ele disse um dia, já sem muita paciência.

— Tô mesmo.

Nem olhei pra ele quando respondi.

E estava.

Pela primeira vez em muito tempo, eu estava focada em outra coisa que não fosse provar algo pra alguém.

Passei a estudar de verdade — não por obrigação, nem pra impressionar professor, mas porque eu quis.

E funcionou.

Notas altas. Professores elogiando. Comentários que eu não estava acostumada a ouvir.

Eu comecei a me ver diferente. Não só como a garota bonita da escola. E, estranhamente, isso não me fez perder o resto — eu só adicionei mais uma coisa.

E, no meio disso tudo, tinha o Carlos.

A gente passou a se ver todos os dias. Às vezes pra estudar, às vezes sem motivo nenhum, só pra ficar ali. Com ele, tudo parecia mais simples.

E isso me puxava.

Mas não era só isso.

Eu comecei a ter um carinho maior por ele — de verdade. E, junto com isso, veio outra coisa que eu reconheci rápido: eu gostava do efeito que tinha sobre ele.

E usava.

Só que agora de um jeito diferente. Mais sutil. Mais próximo. Menos óbvio.

Um toque no braço enquanto falava. Um elogio fora de hora. Um olhar que durava um pouco mais do que deveria.

Nada exagerado, mas suficiente.

Teve uma noite que ficou marcada.

Acordei de madrugada com sede e levantei ainda meio sonolenta, indo até a cozinha sem pensar muito.

Sem roupa.

Não foi exatamente planejado.

Mas também não foi tão distraído quanto poderia parecer.

Na volta, passei pelo corredor mais devagar do que precisava. A porta do quarto dele estava entreaberta, a luz acesa. Parei por um segundo — só o suficiente — e continuei andando, como se não fosse nada.

Não fiz questão de esconder.

Não olhei diretamente, mas...tive quase certeza que deu certo.

No dia seguinte, ele estava diferente. Mais quieto, mais atento… mais presente.

E aquilo me disse mais do que qualquer palavra.

O tempo foi passando assim.

Dias virando semanas, sem pressa, sem definição — mas cada vez mais próximos. Quando percebi, já tinham se passado meses.

E a gente estava perto demais.

Foi aí que resolvi mudar o cenário. Queria definitivamente trazer ele para o meu mundo. Tirar ele do seu mundinho isolado e confortável.

Encontrei ele depois da aula e encostei de leve no braço dele antes de falar:

— Vai ter uma festa esse fim de semana…

Esperei ele me olhar.

— Eu queria que você fosse comigo.

Ele demorou, como sempre.

Eu sorri de lado.

— A Luana vai também… ela joga vôlei comigo. Tá no primeiro ano.

Inclinei levemente o rosto, observando a reação dele.

— Quero te apresentar pra ela.

Deixei a frase no ar.

Sem pressa, sabendo exatamente o que estava fazendo — e o efeito que aquilo ia causar.

……………….

(Carlos)

Com o passar dos dias, alguma coisa em mim começou a mudar.

Não foi de uma vez, nem foi claro, mas aconteceu. Aquela sensação constante de vazio — pesada, imóvel — começou a ceder espaço.

Não foi embora, mas deixou de ocupar tudo. Às vezes voltava mais forte, às vezes quase sumia, e, nesses intervalos… eu conseguia respirar melhor.

Voltar à escola ajudou mais do que eu esperava. Ou talvez não fosse a escola. Talvez fosse ter algum tipo de rotina.

Ou alguém.

Eu voltei a estudar com mais frequência. Não exatamente por vontade, mas porque aquilo ainda fazia algum sentido.

Resolver exercícios, entender um problema, chegar a uma resposta — era uma das poucas coisas que ainda encaixavam.

E, com o tempo, isso começou a aparecer.

Notas melhores, comentários dos professores, um reconhecimento que, em outro momento, teria significado muito mais… mas que agora eu recebia em silêncio.

Mesmo assim, era bom.

E, de alguma forma, aquilo também me aproximava mais dela.

Tauane.

A gente passou a passar muito tempo juntos.

Estudando, conversando… ou simplesmente ficando no mesmo espaço. Com ela, as coisas pareciam mais leves — ou pelo menos menos difíceis.

Ela falava com facilidade, se aproximava sem esforço, tocava como se aquilo não tivesse peso nenhum.

Mas tinha, pelo menos pra mim.

Eu comecei a perceber que já não era só companhia. Era outra coisa. Mais presente, mais difícil de ignorar. E isso me deixava desconfortável em alguns momentos, mas não o suficiente pra me afastar.

Eu ficava. Sempre ficava.

Em paralelo, acabei me aproximando mais da Tati, de um jeito diferente. Mais tranquilo. Ela não invadia espaço, não forçava conversa — era como se entendesse quando eu precisava falar… e quando não.

Às vezes sentava perto, perguntava alguma coisa simples, comentava algo da escola.

E ficava por isso.

Sem expectativa.

Sem cobrança.

Aquilo me acalmava.

Os dias foram passando assim, sem grandes acontecimentos, mas com pequenas mudanças. E, de alguma forma, aquilo foi me trazendo de volta… embora num mundo totalmente novo para mim.

Quando a Tauane me chamou depois da aula, eu não esperava nada diferente. Achei que fosse mais um dia comum.

— Vai ter uma festa esse fim de semana…

Eu olhei pra ela.

— Eu queria que você fosse comigo.

Demorei para responder.

Festa já parecia deslocado por si só — eu ali… não.

— A Luana vai também… — ela continuou — joga vôlei comigo. Tá no primeiro ano.

Eu ainda estava tentando entender o convite, mas, quando ela falou isso, alguma coisa travou.

— Quero te apresentar pra ela.

Fiquei em silêncio.

Luana.

O nome ficou ali por um tempo maior do que deveria. A ideia fazia sentido… mas não encaixava. Como se alguma coisa ali estivesse no lugar errado — e eu não soubesse dizer o quê..

Eu imaginei.

A festa. Gente. Música.

Ela…

Luana.

E, sem perceber como, a imagem mudava. Voltava. Sempre voltava pra Tauane.

O jeito que ela se aproximava. O toque. A voz.

Desviei o olhar.

— Eu… vou pensar — respondi.

Ela sorriu de um jeito que eu já conhecia.

E isso só piorou um pouco mais o que eu não sabia explicar.

Passei o resto do dia com aquilo na cabeça. Festa. Luana. Tauane. E, no meio disso… eu.

Quando cheguei em casa, a Verônica estava na cozinha. O cheiro de comida, o som baixo da televisão… tudo parecia normal demais. Fiquei parado por um instante, observando.

— Chegou, meu filho?

— Cheguei.

Ela olhou pra mim dessa vez. Demorou menos de um segundo.

— Aconteceu alguma coisa?

Pensei em dizer que não.

Mas não era verdade.

— A Tauane me chamou pra uma festa.

Ela sorriu na hora.

— Isso é ótimo, Carlos.

Ótimo.

A palavra não encaixou de imediato.

— Eu não sei se é… — respondi.

Ela inclinou levemente a cabeça.

— Por quê?

Hesitei um pouco na resposta…não queria assumir em voz alta.

— Eu não sou muito… esse tipo de pessoa.

Ela deu um passo na minha direção.

— E quem disse que você precisa ser?

Fiquei em silêncio.

— Você pode só ir — ela continuou — ver como é. Não precisa provar nada pra ninguém.

Aquilo fez sentido.

— A Tauane vai estar lá.

Falei sem pensar.

Ela percebeu...

O sorriso mudou, mais leve.

— Então você não vai estar sozinho.

Eu não respondi.

— E… — hesitei — ela quer me apresentar pra uma amiga.

— Ah… — ela disse, quase rindo — entendi.

Desviei o olhar.

— Eu não sei se isso é uma boa ideia.

— Carlos… — ela falou com calma — você tem 16 anos.

Fiquei em silêncio.

— É normal sentir isso. Insegurança, dúvida… mas você não pode deixar isso decidir tudo por você.

Aquilo ficou. Provavelmente por que era o que queria ou precisava ouvir.

— Vai — ela disse — nem que seja só pra descobrir que não gosta.

Respirei fundo. A resposta demorando mais do que o necessário para sair...

— Eu vou.

Ela sorriu.

E, por um momento, pareceu simples.

Mas não era.

Subi pro quarto com aquela sensação ainda ali. Não era só nervosismo, nem só expectativa.

Era outra coisa — mais difícil de ignorar do que de entender.

Sentei na cama e fiquei olhando pro nada por alguns segundos.

A ideia da festa ainda estava ali.

Luana também.

Mas não ficava do mesmo jeito.

Porque, no meio disso tudo… Sempre voltava pra Tauane, sem que eu conseguisse evitar — ou entender por quê.

No jeito. No toque. Na forma como ela se aproximava como se aquilo fosse natural.

Fechei os olhos por um instante e soltei o ar devagar.

E, mesmo sem querer pensar nisso…a sensação continuava ali.

Quieta, mas insistente.

Como se alguma coisa já tivesse começado…

antes mesmo de eu perceberTauane)

A festa estava cheia quando chegamos.

Luz baixa, música alta, gente demais pra qualquer tipo de controle real. Era exatamente o tipo de ambiente em que tudo acontecia ao mesmo tempo… e ninguém prestava atenção em nada específico.

Eu gostava disso.

Facilitava.

Apresentei a Luana pro Carlos logo no começo, antes que ele tivesse tempo de pensar demais.

— Luana, esse é o Carlos. O gênio que eu te falei.

Ela sorriu com facilidade. Bonita, leve, do tipo que não precisa se esforçar muito pra agradar. Ele travou um pouco, como eu já esperava.

Observei os dois conversando. O jeito dele, mais contido. O dela, mais solto.

Funcionava.

Era pra funcionar — então por que não encaixou direito pra mim?

Afastei o olhar, fingindo desinteresse.

Não era nada. Não podia ser.

Não demorou muito pro Miguel aparecer. Sempre direto, sempre sem limite.

— Sumida, hein… — ele falou no meu ouvido, perto demais — tava com saudade.

Nem olhei de imediato.

— Problema seu.

Ele riu.

— Continua gostosa…

E ficou. Mesmo com o Antônio por perto.

Aquilo, em outro momento, já teria virado problema. Mas ali, naquele tipo de festa, parecia só mais uma coisa acontecendo ao redor — e, ainda assim, eu mantive o Carlos por perto, mesmo com a Luana ali, mesmo com o Miguel insistindo, mesmo com tudo acontecendo ao mesmo tempo.

Em algum momento, o Carlos disse que ia ao banheiro.

— Traz uma bebida pra mim?

Falei quase automático.

Ele concordou e saiu, e eu acompanhei com o olhar por um segundo a mais do que precisava antes de voltar.

O Miguel continuava ali.

— Você mudou… — ele disse, mais baixo agora.

— Não.

— Mudou sim.

Revirei os olhos.

— Para, Miguel.

Mas ele não parou.

E eu… também não saí.

Aquilo começou a me incomodar — não pelo que ele fazia, mas pelo momento, pelo contexto, pelo que estava acontecendo ao mesmo tempo.

Olhei em volta procurando o Antônio.

Não achei.

E, por um instante, isso pareceu conveniente.

— Vem aqui.

Falei, já me afastando um pouco da pista.

Ele veio logo atrás...

Paramos em um canto mais escuro, mais afastado. O tipo de lugar em que ninguém presta atenção — e, quando presta, já não importa mais.

— Agora você fala — eu disse, cruzando os braços.

Mas nem eu acreditei no tom.

Ele não respondeu. Só se aproximou.

Eu não recuei.

A mão dele veio direto na minha cintura, firme, puxando o suficiente pra tirar qualquer espaço entre nós. O corpo dele estava quente, tenso… fácil de ler.

Por um segundo, deixei.

Não por ele.

Pelo momento.

Pelo impulso.

Pelo controle.

Minha mão subiu devagar, sem pressa, deslizando pelo corpo dele antes de desaparecer por dentro da bermuda. A reação veio na hora — imediata, previsível.

Ele soltou o ar mais pesado.

— Caralho…

Apertei de leve, só o suficiente pra confirmar o que eu já sabia. O corpo dele respondeu inteiro a um gesto simples, como se estivesse esperando por aquilo.

E, por um instante, tudo ficou simples.

Fácil.

Controlado.

Como sempre foi.

Eu sabia exatamente o que estava fazendo.

E ele também.

Mas não tinha escolha. Nunca tinham.

Até eu ver…Carlos.

Parado.

Não muito longe. Não perto o suficiente pra ouvir, mas perto o bastante pra entender.

O suficiente. Para ver seu rosto...o olhar de decepção, algo nítido, genuíno.

Era nítido que algo mudou dentro dele. E não era algo bom. Não poderia ser. Essa imagem é a lembrança mais nítida que tenho até hoje. Sempre nítida... dolorosa...

Minha mão travou na hora.

Soltei o Miguel sem explicar, sem terminar — só soltei.

Ele ainda tentou se aproximar, confuso.

— Qual foi?

Mas eu já não estava mais ali.

Meu olhar ficou preso no Carlos por um segundo a mais do que deveria.

E ele…virou.

Simples assim.

E saiu.

Aquilo me irritou. Mais do que deveria.

Sem motivo claro. Sem lógica.

Mas irritou.

Segui com o olhar até perder ele de vista — e, quando encontrei de novo, ele já estava com a Luana.

Rindo. Conversando. Próximo.

Como se nada tivesse acontecido.

Como se não tivesse visto.

Como se não importasse.

Aquilo apertou de um jeito estranho.

Rápido. Incômodo.

E eu não gostei disso.

Não demorou muito pro Antônio aparecer.

E, dessa vez, ele percebeu.

— Que porra é essa, Tauane?

Revirei os olhos.

— Não começa.

— Você tava com ele — apontou na direção do Miguel.

— E daí?

Respondi rápido demais.

Ele avançou um passo.

— Você tá achando que eu sou o quê?

Antes que eu respondesse, o Miguel apareceu de novo.

— Calma aí, parceiro…

O tom não ajudou. Nem um pouco.

O Antônio empurrou ele.

E foi o suficiente.

A briga começou quase instantânea — empurrões, xingamentos, gente se juntando ao redor, tudo rápido demais.

Eu fiquei parada por um segundo.

Sem reagir.Só olhando.

Até sentir uma mão no meu braço.

Firme.

— Vamos.

Era Carlos…

Ele não esperou resposta.

Só me puxou, e, dessa vez…eu fui.

Sem discutir. Sem questionar.

Saímos da festa no meio do barulho, da confusão que ficava pra trás. O ar do lado de fora parecia diferente — mais frio, mais real.

Ele só soltou meu braço quando já estávamos longe o suficiente.

— Você tá bem?

A voz dele saiu mais firme do que eu esperava.

Assenti, mas não respondi.

Ele também não insistiu.

Só pegou o celular.

— Vou ligar pra Verônica.

Fiquei em silêncio, observando, sem saber exatamente o que estava pensando… ou sentindo.

Só sabia que alguma coisa ali tinha saído do lugar.

E, dessa vez…

não fui eu que controlei.

…………………

(CARLOS)

Entrei no banheiro mais pra fugir do que por necessidade.

O barulho da festa ficou mais abafado ali dentro, mas não sumiu completamente. Vozes ecoando, gente entrando e saindo, risadas… tudo meio distante. Encostei na pia, olhando meu reflexo por alguns segundos.

Eu ainda não parecia pertencer àquele lugar.

Talvez nem quisesse.

Foi quando ouvi.

No começo, não prestei atenção. Só mais um grupo falando alto, rindo de alguma coisa… até que um nome apareceu.

Tauane.

Meu corpo reagiu antes da minha cabeça, e eu fiquei imóvel, sem nem perceber.

— …falei, mano, ela fez isso lá no vestiário…

Risos.

— Miguel não larga mais…

Outro riso, mais baixo.

— Agora ele pega ela direto… nem espera mais o Antônio…

Aquilo não fez sentido de imediato. Ou talvez tenha feito rápido demais.

Engoli seco.

— E você, o trouxa que ainda acha que controla alguma coisa…

Dessa vez a voz veio mais próxima.

Eu reconheci.

Antônio.

— Deixa… — ele respondeu, num tom estranho — enquanto ela voltar pra mim, tá tranquilo.

Meu estômago virou. Mas não acabou.

— E o nerd? — alguém perguntou.

— Ah… — outro respondeu — ela arrumou uma mina pra ele. Pagou a Luana pra distrair o cara.

Risos.

Altos dessa vez.

Eu não ouvi mais nada depois disso. Ou talvez tenha ouvido… e não registrado. Fiquei ali por alguns segundos, sem conseguir me mexer, sem conseguir organizar o que estava passando pela minha cabeça.

As palavras se repetiam, mas não encaixavam direito — ou talvez encaixassem demais, rápido demais.

Saí do banheiro sem olhar pra trás. O som da festa voltou com força, mas parecia distante, como se não estivesse acontecendo comigo.

Como se eu estivesse só… passando por aquilo.

Procurei.

Sem saber exatamente o quê.

Até encontrar.

Luana.

Ela estava perto do bar, mexendo no celular.

Quando me viu, levantou o olhar e sorriu, como se nada tivesse mudado.

Aquilo me incomodou.

Me aproximei.

— A gente pode conversar?

Minha voz saiu mais firme do que eu esperava.

Ela percebeu na hora. Guardou o celular.

— Pode.

Fiquei alguns segundos em silêncio, tentando organizar as palavras, mas elas não vinham completas.

— Você… sabia?

Ela franziu a testa.

— Sabia o quê?

Respirei fundo.

— Sobre mim… sobre isso.

Ela me encarou por um segundo a mais, tentando entender — e entendeu.

— Não — respondeu direto, sem hesitar — eu não sei do que você tá falando.

Eu tentei ler alguma coisa no rosto dela. Qualquer sinal.

Não encontrei.

Ou não quis encontrar.

Ela deu um passo mais perto.

— O que aconteceu?

Demorei.

— Eu ouvi umas coisas…

Minha voz saiu mais baixa agora.

Ela ficou em silêncio por um instante, então olhou por cima do meu ombro.

— Vem comigo.

Segurou meu braço de leve, firme o suficiente pra me puxar. Eu fui.

Mais por impulso do que por decisão.

Atravessamos a festa até uma área mais afastada, mais escura.

E foi ali que eu vi…

Não foi claro. Não foi direto. Mas foi suficiente.

O jeito que eles estavam, a proximidade, o movimento… a forma como o corpo dela se encaixava no dele.

Vi como ele segurava sua cintura, como sussurrava algo em seu ouvido, como ela sorria em resposta. Uma de suas mãos agarrou a dela, e ele começou a conduzi-la pelo próprio corpo, enquanto a outra segurava sua bunda.

Essa mão escondida debaixo do vestido. A outra por cima da mão dela, guiando o percurso pelo tórax, no ritmo da música.

Me surpreendi quando a mão dela se soltou da dele e, por vontade própria, se encaminhou lentamente para dentro da bermuda.

Dei um passo à frente, querendo ter mais nitidez, ter certeza do que via. Talvez procurando alguma explicação.

Mas aquilo não precisava de explicação.

E, naquele momento, tudo o que eu tinha ouvido voltou de uma vez — não como pensamento, mas como sensação.

Desconforto. Calor.

Algo apertando no peito sem forma definida.

Eu parei.

Não consegui chegar mais perto.

Nem precisava.

Ela estava ali. Mas não estava.

E isso foi pior.

Desviei o olhar.

Tarde demais.

Não sei quanto tempo fiquei ali, mas senti quando a Luana se aproximou.

Mais perto.

Mais calma.

— Ei…

A voz dela saiu baixa, diferente.

Eu não respondi.

— Olha pra mim.

Demorei, mas olhei.

Ela não estava sorrindo.

— Eu não sabia — disse, sustentando o olhar — e eu não faria isso.

Hesitei, mas não me afastei.

Ela se aproximou mais devagar, como se me desse tempo.

— Eu gosto de falar com você.

A frase foi simples.

Mas ficou.

— Gosto de ficar com você.

Eu senti antes de entender.

E, quando percebi, ela já estava perto demais.

O beijo veio leve, sem pressa.

Diferente de tudo que eu imaginava.

Não foi impulso. Nem urgência.

Foi construção.

Os lábios dela se moviam com calma, como se me ensinassem sem dizer nada. Eu demorei meio segundo pra responder… e depois respondi de verdade.

Minha mão subiu quase sem perceber, tocando o braço dela primeiro, depois a cintura. O corpo dela se aproximou mais, encaixando sem pressão, só o suficiente pra eu sentir o calor, a proximidade, a presença.

O mundo ao redor diminuiu.

A música ficou distante.

As vozes desapareceram.

Era só aquilo.

E, pela primeira vez…não era confuso.

Era novo.

E bom.

Quando o beijo se aprofundou um pouco mais, eu senti meu corpo reagir inteiro — não de um jeito desconfortável, mas de um jeito mais claro, mais direto.

Eu estava ali.

De verdade.

Quando nos afastamos, ainda próximos, ela encostou a testa na minha por um segundo.

— Viu?

Falou baixo.

Eu não respondi. Mas fiquei.

O som da briga veio depois, alto, cortando a festa. Vozes alteradas, empurrões, gente se juntando.

Eu reconheci.

Antônio.

Miguel.

Tudo acontecendo ao mesmo tempo.

Mas, dessa vez, eu não fui.

Foi quando vi a Tauane.

E, antes que eu pensasse muito, fui até ela, segurei seu braço.

— Vamos.

Ela não resistiu e isso eu não esperava.

Saímos da festa sem dizer nada, com Luana nos seguindo.

Eu ainda sentia o gosto do beijo.

E, ao mesmo tempo… alguma coisa que eu não sabia nomear.

Olhei pra frente sem olhar pra ela.

— A gente se vê depois — falei, baixo, para Luana.

Como uma promessa em meio ao caos.

Mas não era sobre ela.

Era sobre outra coisa.

Outro tipo de sensação.

Que eu ainda não entendia…mas que já tinha começado.

Continua….

Nota: agradeço aos que comentaram e que estão acompanhando a história.

Um agradecimento especial ao Osório...na revisão final, já no site para enviar, acabei percebendo o que disse e tirei alguns trechos redundantes sobre os sentimentos dos personagens...kkkk...

Como sempre falo, sou um escritor bem iniciante, na verdade nem escritor sou...e só haverá melhora se ajudarem, principalmente com críticas construtivas.

Essa história não será longa...e terá fim...kkk... prometo.

Espero que gostem e acompanhem até o fim.

Obrigado.

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Comentários

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Há uma tensão/tesão sexual entre Tau e Miguel que é inegável. Ele tem certa dominância sobre ela e ela, com a desculpa de que está fazendo isso para evitar coisa pior, acaba cedendo, mas a realidade, é que ela gosta e ela quer. E ela não pensa em nada mais que isso, só sexo e dominância mesmo. Quando ela parar pra pensar no futuro, ela certamente pensará em Carlos ou em alguém muito mais estável que Miguel. A Tau me parece o time de mulher que adoraria ter os dois mundos: o estável e o perigoso (que a faz viver e lhe produz sensações que nunca encontrou com outro alguém). O problema é quando o estável descobre e quebra toda rede de segurança dela. Dificilmente, essas pessoas aguentam as consequências...

Dito isso, meu xará já beijou duas meninas (Tau e Luana) hehe

Pensei em algumas teorias sobre como que o Carlos acabou casando com Tau. Ela é claramente problema desde o começo, mas... não mandamos no coração, né? E... ela pode ter mudado no meio do caminho, para depois cair em tentação de novo pelo irresistível Miguel. Curioso por esse desenrolar, ainda mais porque o autor disse que há erros dos dois lados, sem heróis e vilões.

Três estrelas e que venha o próximo capítulo!

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Um estilo diferente de narrativa, gostei. Aguardando ansiosamente a continuação.

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