A noite chegou devagar. A casa da minha avó tinha um ritmo próprio quando escurecia, tudo parecia desacelerar depois do jantar, como se o tempo ali fosse mais espesso, mais contido. As luzes mais baixas, o som distante de uma televisão em outro cômodo, o cheiro de perfume que insistia em permanecer no ar. Tudo parecia mais antigo à noite, mais carregado de memória.
E o quarto, o mesmo quarto. Entrei primeiro, quase sem pensar. Mas o corpo reconheceu antes da memória organizar. O cheiro, carregado, denso, de madeira encerada e de amaciante na roupa de cama, um cheiro que sempre parecia impregnar aquela casa. Reconheci a disposição dos móveis. A cama. A janela que não fechava direito. A parede com a pintura levemente descascada no canto. Tudo estava no lugar, inclusive o que não se via.
Ali. Um ano antes. Heitor. Era o mesmo quarto onde Heitor e eu havíamos cruzado a linha final do nosso relacionamento. A memória daquela noite parecia ainda vibrar nas paredes, um fantasma invisível que tornava o ar pesado e eletrizando. Não foi uma lembrança completa, foi um tipo de sensação, como se o espaço ainda guardasse alguma coisa que não era visível, mas também não tinha ido embora.
Senti um calafrio percorrer a minha coluna, me lembrando da textura da pele de Heitor e do som das nossas respirações ofegantes preenchendo este espaço exato. Agora, era Rodrigo quem estava ali, com sua presença física e familiar, mas carregada de uma tensão nova.
— Esse aqui? — Rodrigo perguntou, entrando logo atrás – A gente dorme aqui mesmo?
— É.
Resposta curta demais. Ele jogou a mochila no canto, sem cerimônia, como sempre fazia. Ocupava o espaço com facilidade, como se não tivesse peso nenhum ali. Escolheu logo a cama de casal e me deixou com a cama de solteiro.
Eu, sim, tinha um peso no peito. Me deitei na cama, encarando o teto por um segundo, tentando neutralizar a avalanche silenciosa que vinha junto com aquele lugar. O colchão afundou do mesmo jeito que antes, meu corpo reconheceu antes da minha cabeça. Rodrigo percebeu, claro que percebeu.
— Que foi?
— Nada – balancei a cabeça.
Ele não comprou, mas também não insistiu. Mas ficou olhando por um segundo a mais, como se estivesse arquivando aquilo para depois. Foi até a televisão, um aparelho antigo no canto do quarto, ligou sem pedir, pra variar, como se aquilo fosse um gesto automático.
A tela demorou a responder, lançando uma luz azulada e trêmula sobre o quarto, o som preenchendo o espaço rápido demais. Rodrigo começou a zappear por canais sem muita atenção, com impaciência, parando aqui e ali sem interesse real. Ruídos, imagens soltas, comerciais, noticiários repetitivos, filmes antigos, programas aleatórios. Até parar. Não foi imediato. Mas também não foi por acaso.
O tipo de cena que não precisa ser nomeada. Era um daqueles filmes eróticos antigos que passam somente de madrugada. Luz baixa, enquadramentos sugestivos, vozes que não eram exatamente diálogo. Um casal, em uma iluminação dramática, estava envolvido em uma interação explícita, corpos nus se contorcendo sob uma trilha sonora de sintetizadores suaves e artificiais. O volume estava baixo, mas os gemidos sintéticos eram audíveis.
Rodrigo não disse nada, os olhos presos na tela, só ajustou o volume, baixo o suficiente para parecer descuido. Eu encostei na cabeceira, cruzando os braços.
— Sério isso? — falei, sem sair da cama.
— Ué.
Ele deu de ombros, mas não tirou os olhos da tela. Revirei os olhos, sentindo uma pontada de irritação subir pelo pescoço, mas não desliguei a TV. E esse foi o problema. Fiquei ali, meio de lado, fingindo desinteresse. Mas o quarto já não era neutro. Nem a televisão. Nem o silêncio entre um som e outro.
Rodrigo estava confortável demais, como um adolescente vidrado em sexo, assistindo um filme erótico, o contorno de uma teta feminina, um quadril à meia luz, uma nádega delgada na tevê. Sentado na beira da cama agora, inclinado para frente, os cotovelos apoiados nas pernas. O corpo atento, presente.
Simples. Sempre foi assim com ele. O moleque acabara de transar comigo de tarde e estava interessado em ver um filme antigo na televisão. Não era apenas o conteúdo do filme que me irritava; era a casualidade com que Rodrigo assistia, como se fosse normal, como se a tensão latente entre nós não fosse o elefante na sala, ou no quarto, melhor digamos. Meu desconforto não vinha de pudor, mas de algo mais confuso e profundo. Senti o sangue bater um pouco mais forte nas têmporas.
— Você vai ver isso? – perguntei, a voz mais seca do que pretendia.
— E qual o problema? Melhor que nada.
— Nenhum — respondi rápido demais.
Ele virou o rosto lentamente, mantendo o olhar na tela por mais um segundo antes de me encarar.
— Então?
Sustentei o olhar.
— Só acho meio… nada a ver.
— Nada a ver por quê?
Porque aquele quarto já tinha história. Porque aquilo ali parecia uma imitação ruim de algo que eu conhecia de verdade. Porque eu não queria dividir aquele espaço com imagens que não eram nossas. Mas eu não disse nada disso.
— Você não cansa de ser… assim? — perguntei.
— Assim como?
— Fácil.
A palavra saiu mais dura do que eu planejava. Ele franziu a testa.
— Fácil?
— É. Tudo pra você é… direto. Sem pensar muito.
Ele soltou um riso curto, um sorriso de canto, provocador, surgindo em seus lábios.
— E você pensa por nós dois.
— Não é isso.
— É sim.
Agora ele virou de corpo inteiro.
— Você complica coisa que não precisa.
— E você simplifica coisa que não devia.
— Alguém tem que fazer isso.
Silêncio. O tipo de silêncio que não encerra. Amplifica. A televisão continuava ligada, brilhando no canto do quarto como uma presença incômoda, um par de seios balançando na tela, mas ninguém estava mais assistindo de verdade. Rodrigo se levantou. Deu dois passos na minha direção. Parou perto demais.
— Para de ser idiota, Rodrigo. Só desliga essa porcaria.
Agora minha voz saiu diferente. Menos casual. Ele não se mexeu.
— Por quê? Está começando a ficar bom.
— Porque eu tô pedindo.
Ele virou o corpo na minha direção, apoiando os joelhos na beira da minha cama.
— Você tá pedindo… ou tá mandando?
Aquilo não era mais sobre a televisão. Eu senti, ele também.
— Não enche — falei, seco.
Rodrigo sorriu de canto. Mas não era leve.
— Você fica estranho nessas horas.
— Que horas?
— Quando parece que você tá em outro lugar.
Aquilo acertou mais do que deveria.
— E você nunca tá — rebati — Sempre aqui. Sempre… raso.
O sorriso sumiu. Rápido.
— Raso?
— É.
Ele se aproximou um pouco, agora mais perto.
— Você acha que me conhece assim?
— Acho.
— Então fala. Fala logo o que é.
A voz dele saiu baixa, sem ironia, pela primeira vez na noite. Eu hesitei, porque não era simples. Nunca era. O quarto ficou pequeno de novo, o mesmo tipo de pressão.
— O que está te incomodando? O filme ou a gente aqui?
A pergunta flutuou no ar, densa. Senti o rosto esquentar. Me sentei na cama, o lençol escorregando pela cintura. Olhei para cima, encontrando o olhar escuro de Rodrigo. A distância entre nós era mínima. Eu sentado na cama, ele em pé ao meu lado, meu rosto na altura da sua barriga. Eu podia sentir o calor irradiando do corpo dele.
— Não é sobre isso — falei, indicando a televisão com um gesto leve.
— Então é sobre o quê?
Ele não recuou, nem piscou. E isso me irritou mais do que qualquer provocação.
— Sobre você fingir que nada tem importância – falei – Acho que você foge, o tempo todo, da gente.
O impacto veio seco. Ficamos ali, presos nesse ponto. Respiração mais pesada. Espaço curto demais entre um e outro.
— E você não? — ele devolveu.
— Não do mesmo jeito.
— Não?
Agora ele estava perto demais para aquilo ser só conversa.
— Você se esconde atrás de tudo — ele continuou — Pensamento, silêncio… até desse seu jeito de olhar.
Meu corpo reagiu antes da resposta.
— E você se esconde atrás de nada — retruquei — O que é pior.
— Você acha que eu não penso? — ele disse, mais baixo agora — Que eu não… sinto as coisas?
A pausa antes do “sinto” não passou despercebida.
— Acho que você evita.
Ele deu um passo a mais. Agora não havia mais distância possível.
— E você?
Boa pergunta, mas não respondi. Porque, naquele momento, responder seria menos honesto do que agir. A distância entre nós deixou de existir de forma gradual, quase imperceptível. Segurei o braço dele, não com força, mas com intenção. Rodrigo não se afastou, pelo contrário, sua mão me alcançou, tocando levemente o meu joelho por cima do lençol. A reação veio rápida, quase automática, como se aquela tensão toda estivesse só esperando um ponto de ruptura.
O contato foi simples, mas enviou uma descarga elétrica através da minha perna. Não recuei. Fiquei imóvel, observando a mão de Rodrigo escorregar lentamente para cima, pela minha coxa, empurrando o tecido do lençol. O ar no quarto parecia ter desaparecido. A memória de Heitor se dissolveu, substituída pela realidade imediata e urgente da pele de Rodrigo.
A televisão continuava ligada atrás de nós, mas virou ruído. O que restou foi o quarto. O calor. A proximidade que já não cabia mais em silêncio.
— Você é impossível — ele murmurou, perto demais.
Soltei uma respiração curta, mas minha voz já não tinha resistência.
— E você sempre volta.
Ele soltou um riso baixo.
— Talvez porque você puxa.
Talvez. Ou talvez porque nenhum dos dois sabia realmente para onde ir. Dessa vez, não havia pressa desorganizada. Havia intensidade, sim, mas atravessada por algo mais denso. Como se cada gesto carregasse também o que não tinha sido dito antes.
— Então para de falar — eu disse.
Não foi um pedido, foi um limite. Ou um começo. Ele não respondeu, mas também não se afastou. E foi o suficiente. Rodrigo se inclinou em minha direção. O primeiro beijo foi um teste, um toque de lábios seco e rápido. Fechei os olhos, minha mente lutando por um segundo antes de ceder, mais uma vez.
Quando Rodrigo me beijou novamente, mais fundo, eu abri a boca, permitindo a entrada da língua quente e insistente. O gosto era familiar, hortelã da pasta de dente e algo que era inerentemente de Rodrigo.
O que veio depois não teve anúncio, nem pressa, nem hesitação. Era como se a discussão tivesse aberto um espaço que já existia, só precisava de um empurrão. Minhas mãos encontraram a cintura de Rodrigo, o puxando para mais perto.
Rodrigo subiu na cama de solteiro, se ajoelhando sobre mim, o peso do corpo grande dele me pressionando contra o colchão. O beijo se intensificou, se tornando úmido e barulhento, dentes roçando lábios, respirações se misturando no espaço reduzido entre nossos rostos.
A televisão continuava ligada, esquecida, jogando luzes instáveis nas paredes. Mas já não importava. Nada ali era distração, era presença. As mãos de Rodrigo desceram, encontrando a barra da minha camiseta e deslizando por baixo dela.
Minha pele estremeceu ao contato dos dedos frios e firmes percorrendo as minhas costelas e a barriga. Rodrigo acariciava a minha pele com movimentos circulares, se aproximando perigosamente da linha do short.
Rodrigo não tinha mais aquele ar leve do videogame, nem a postura defensiva do filme pornô. Havia uma intensidade diferente, menos barulhenta, mais direta. E, pela primeira vez, eu não tentei controlar o ritmo. Deixei acontecer, mas consciente, sempre consciente.
Arqueei as costas, um gemido baixo escapando de minha garganta. Agarrei o cabelo de Rodrigo, puxando a cabeça dele para baixo, aprofundando o beijo. Minhas pernas se abriram instintivamente, permitindo que Rodrigo se acomodasse melhor entre elas. A minha ereção já era inegável, endurecendo o tecido do short e roçando na coxa de Rodrigo.
— Quer isso de novo, né? — Rodrigo sussurrou contra os meus lábios, desviando para beijar a minha mandíbula e o pescoço.
Não respondi, apenas virei o pescoço para dar acesso, sentindo os lábios quentes de Rodrigo sugando a minha pele sensível logo abaixo da orelha. O som de sucção era alto no quarto silencioso. Rodrigo mordeu a minha pele suavemente, me fazendo soluçar de prazer.
Sentia prazer nos intervalos, nos olhares, nos pequenos silêncios que surgiam mesmo no meio da proximidade. Não era só impulso, não mais. Em algum momento, a televisão virou só luz. Depois, nem isso. Com um movimento brusco, Rodrigo puxou a minha camiseta para cima.
Ergui os braços, permitindo que a peça fosse removida e jogada no chão. Rodrigo recuou por um instante para olhar, seus olhos brilhando na penumbra enquanto examinava o meu peito nu. Ele desceu as mãos, beliscando os meus mamilos duros, os girando entre os dedos.
— Ah, cacete — suspirei, fechando os olhos.
Rodrigo não desviava, nem eu. E, por um momento raro, não havia disputa, só um tipo de acordo silencioso. Ele não perdeu tempo. Sua mão desceu pela minha barriga, passando pela leve penugem ao final do meu abdômen até encontrar o elástico do meu short. Ele deslizou a mão por dentro, encontrando o meu membro quente e pulsante. O toque firme envolveu a minha glande, espalhando o líquido pré-gozo que já umedecia a ponta.
Eu bufava, meus quadris se levantando involuntariamente para buscar mais fricção. Repliquei o movimento, minha mão indo para o calção de Rodrigo, o puxando para baixo. Minha mão envolveu a piroca grossa e dura de Rodrigo, que saltou para fora da sua cueca boxer.
Nós nos masturbamos mutuamente por alguns minutos, o ritmo aumentando, os gemidos ficando mais altos, aquela famosa luta de espadas. O som das nossas mãos deslizando na pele úmida e o cheiro de tesão e suor preencheram o quarto. Mas eu queria mais.
Afastei a mão de Rodrigo e desci pelo corpo dele, beijando o peito, a barriga, até chegar à linha da cintura. Com dentes e mãos, removi por completo os seus shorts e a cueca, o deixando nu sob a luz azulada da televisão (o casal do filme não chegava nem na metade da performance entre Rodrigo e eu). Segurei a base do pau de Rodrigo e olhei para cima, mantendo contato visual enquanto descia a minha cabeça.
Minha língua quente lambeu a glande de cima para baixo, lentamente, saboreando o gosto salgado. Rodrigo prendeu a respiração, seus dedos cravando no travesseiro. Então eu abri a boca e engoli o membro até a metade, começando a sugar com pressão, minha bochecha cavada pelo esforço.
— Caralho, Mateusinho... — Rodrigo gemeu, as pernas tremendo.
Trabalhei a boca com maestria, usando a língua para estimular a glande enquanto a minha mão massageava os testículos pesados de Rodrigo. Mas Rodrigo não estava satisfeito em apenas receber prazer; ele queria provar tudo.
Ele retirou o pau da minha boca com um estalo úmido e, em um só movimento, me virou na cama, empurrando as minhas pernas para cima, expondo o meu cuzinho apertado, já fodido por ele durante a tarde.
Sem aviso, Rodrigo desceu o rosto e lambeu o meu pequeno orifício, fazendo um movimento largo e plano com a língua. Abafei um grito, surpreso, meu corpo todo se contorcendo. A sensação foi intensa e proibida.
Rodrigo não parou. Ele chupou e lambeu o meu cuzinho, com fome, empurrando a língua para dentro, alternando entre sucções fortes e lambidas rápidas. Ele preparava o terreno, deixando a área lubrificada e relaxada, enquanto eu me perdia na sensação de ser comido ali mesmo, de novo, por Rodrigo.
— Está pronto? — Rodrigo perguntou, subindo e limpando a boca com as costas da mão.
Apenas acenei, incapaz de falar, puxando Rodrigo para um beijo desesperado, provando o meu próprio gosto na boca dele. Rodrigo se posicionou entre as minhas pernas, alinhando a glande grossa na entrada do meu cuzinho, já aberto da foda anterior. Com um empurrão lento e constante, ele começou a entrar.
A dor inicial foi aguda, mas rapidamente deu lugar a um prazer cheio e profundo à medida que Rodrigo avançava. Prendi o ar, as unhas marcando as costas de Rodrigo, até sentir o corpo dele encostar no meu.
— Me fode — sussurrei, os olhos vidrados.
Rodrigo começou a se mover, puxando quase todo o pau para fora e entrando fundo novamente. A posição "papai e mamãe" permitia um contato visual intenso. Nós nos olhávamos enquanto transávamos, trocando beijos rápidos e suados entre as estocadas impiedosas de Rodrigo no meu cuzinho. O som da pele batendo na pele, pac, pac, pac, era o único ritmo que importava.
A cama rangeu com o movimento, mas ninguém se importava (o quarto da minha avó não era vizinho ao nosso, ainda bem, e ela tinha sono pesado, por causa dos remédios). Rodrigo aumentou o ritmo, os golpes ficando mais duros e rápidos. Ele segurava as minhas pernas abertas, me penetrando fundo, mirando o ponto certo que me fazia ver estrelas.
Após alguns minutos nessa intensidade, Rodrigo parou e me virou de lado. Nós ficamos de ladinho (minha posição favorita), Rodrigo me abraçando por trás, o peito colado nas minhas costas. Seu corpo era bem maior que o meu (Rodrigo era bem uns 15cm mais alto do que eu), e ele conseguia me envolver por completo.
Nessa posição, os movimentos foram mais lentos, mais profundos, uma dança íntima de quadris. Rodrigo beijava a minha nuca e o meu ombro, sussurrando palavras obscenas no meu ouvido enquanto roçava a piroca nas paredes internas quentes do meu cuzinho.
— Vira pra mim — Rodrigo pediu depois de um tempo.
Obedeci. Rodrigo se afastou, se deitando de costas, permitindo que eu me sentasse em cima dele. Subi, estralando as pernas de cada lado da cintura de Rodrigo. Segurei a piroca dele e a guiei para dentro de mim, me sentando lentamente, sentindo cada centímetro me preenchendo.
Nessa posição, eu tinha o controle. Comecei a subir e descer, usando as coxas para impulsionar o movimento. Rodrigo segurava a minha cintura, me ajudando, os olhos fixos no meu corpo que se movia acima dele. O ângulo permitia que eu sentisse tudo, a glande roçando a minha próstata a cada descida. O prazer era insustentável. Aumentei a velocidade, roçando meu próprio pau duro contra a barriga de Rodrigo. O suor escorria pelos nossos rostos, se misturando.
— Vou gozar — avisei, a voz trêmula.
— Goza pra mim — Rodrigo respondeu, apertando a minha cintura.
Bati uma rapidamente e me estremeci todo, jatos grossos de porra atingindo o peito e a barriga de Rodrigo. A contração do meu cuzinho em torno do pau de Rodrigo foi o empurrão final que ele precisava. Ele gemeu alto, segurando os meus quadris com força e arremetendo o próprio quadril para cima, despejando a carga quente dentro de mim.
Nós ficamos parados por um momento, apenas o som ofegante das nossas respirações preenchendo o quarto. Eu desabei sobre o peito de Rodrigo, exausto, sentindo o coração dele bater furiosamente contra o meu. Nossos bromance reescrito em suor e prazer naquele quarto antigo.
Quando tudo se acalmou, o quarto voltou aos poucos. A televisão ainda piscava, esquecida. Rodrigo se deitou ao meu lado, ainda próximo na cama de solteiro, respirando mais devagar agora. O braço jogado sobre os olhos, como se precisasse bloquear alguma coisa. Fiquei olhando.
— Você é complicado pra caralho — ele murmuou, sem tirar o braço do rosto.
Sorri de leve.
— E você ainda veio.
Ele abaixou o braço, me encarando de lado.
— E mesmo assim…
Não terminou, mas não precisava. Ficamos em silêncio, um silêncio diferente. Menos carregado, mais perigoso. Porque agora não era mais sobre tensão acumulada, era sobre o que vinha depois dela. E isso… a gente ainda não sabia sustentar.
Aquilo ficou no ar, pesado demais para ser ignorado, simples demais para ser analisado ali. Fechei os olhos por um instante e entendi, com uma clareza que não era confortável: não era só desejo que nos puxava de volta. Era alguma coisa mais difícil, mais insistente, algo que nem ele sabia nomear. E que eu… talvez já estivesse começando a entender.
