Após algum tempo de discussão na sala de reuniões do Studio, iluminada apenas pelo brilho frio das telas dos computadores e o cheiro de café requentado no ar, Kenji deslizava os dedos ágeis pelo tablet, mostrando uma a uma as campanhas que havia criado. Seus olhos estreitos, típicos de nissei, brilhavam com uma mistura de cansaço e determinação. Rogério, o cliente exigente, recostado na cadeira de couro preto com os braços cruzados sobre o peito largo, finalmente soltou um suspiro pesado, o rosto relaxando pela primeira vez em horas. Ele esfregou a barba por fazer e assentiu devagar.
— Tá bom, Kenji. Você me convenceu. Não só a Milena e o Romário... vamos incorporar o Gurizão também, como sugerido pela minha esposa Marilda na campanha da loja. O quinteto vai bombar.
Kenji permitiu-se um leve sorriso de vitória, os ombros relaxando pela primeira vez, mas guardou o alívio para si. A reunião se encerrou com apertos de mão firmes e o eco de cadeiras arrastadas pelo piso de madeira polida.
— Obrigada meu amor, nossa estou até empolgada a campanha desse ano será majestosa!
— Com certeza meu amor, não vai ser barato, mas senti firmeza naquele japa.
Diz Rogério.
Mais tarde, na praça do bairro, o ar da noite estava fresco e úmido, carregado com o perfume doce das flores de ipê que caíam como confetes amarelos sobre o gramado bem aparado. Os postes de luz antiga lançavam um brilho amarelado, criando sombras longas nas árvores centenárias da cidade de Serra Verde. Kenji, vestindo um Kimono leve branco folgado que deixava ainda mais leve os movimentos de seu corpo no treino do seu tai chi chuan com movimentos fluidos e precisos. Seus pés descalços sentiam a grama úmida, os braços traçando arcos lentos no ar como se pintassem o vento. A respiração era profunda, ritmada, o rosto sereno, quase meditativo, os cabelos negros ligeiramente úmidos de suor colados na testa.
De repente, uma voz grave e sarcástica cortou o silêncio da praça:
— Hummmm, fazendo balé à noite também, kidbicha?
Romário surgiu da penumbra de uma alameda lateral, caminhando com passos pesados e arrogantes, as mãos enfiadas nos bolsos do short de basquete folgado. Seu rosto bronzeado exibia um sorriso debochado, os olhos semicerrados de puro desprezo, o corpo musculoso tensionado como se estivesse pronto para uma briga. Kenji parou no meio de um movimento, mas não virou o rosto imediatamente. Ignorou-o por completo, o queixo erguido, a expressão impassível, apenas o leve cerrar dos punhos ao lado do corpo traía a irritação crescente.
Romário não gostava de ser ignorado. Parou a poucos metros, o peito inflado, o tom subindo:
— É mole? O cara sai do outro lado do caralho do mundo pra vir enviadar o meu bairro, puta que o pariu!
A voz ecoou pela praça vazia, carregada de animosidade pura. Kenji finalmente virou o rosto devagar, os olhos frios encontrando os de Romário com uma intensidade que fez o ar entre eles crepitar. Mentalmente, o nissei já calculava: um golpe rápido no plexo solar, seguido de uma varredura nas pernas. Seus músculos se contraíram imperceptivelmente, o corpo em alerta máximo, mas o rosto permaneceu neutro, quase desafiador. A tensão era palpável, Romário deu um passo à frente, os punhos cerrados dentro dos bolsos, o maxilar travado de raiva contida, como se quisesse avançar ali mesmo. Kenji sentiu o ódio borbulhando no peito, mas não cedeu um centímetro. O brasileiro já abria a boca para disparar mais uma piada venenosa quando, do outro lado da praça, viu a silhueta de Luiz Felipe se aproximando. Com um semblante irritado, Romário cuspiu no chão e seguiu seu rumo, lançando um último olhar carregado de hostilidade por cima do ombro.
Luiz Felipe atravessou a praça com passos pesados, o semblante carregado, ombros curvados como se o peso do mundo o esmagasse. Não cumprimentou Kenji, o olhar fixo no chão, a testa franzida em linhas profundas de preocupação.
Kenji estranhou imediatamente. O coração do nissei acelerou um pouco, algo não estava certo. Ele parou o treino por completo, o suor escorrendo pelo pescoço, e chamou com a voz suave, mas firme:
— Oi, Luiz Felipe.
Luiz Felipe ergueu o olhar, os olhos mel cheios de uma dor que Kenji nunca tinha visto antes. O musculoso grandalhão, sempre tão confiante, parecia frágil agora.
_ Desculpa, estou com a cabeça quente... não te vi aí.
_ Aconteceu alguma coisa? Quer conversar…desabafar?
Questiona Kenji
Sem dizer mais nada, ele simplesmente abriu os braços e puxou Kenji para um abraço apertado, quase desesperado. O corpo quente e sólido de Luiz Felipe envolveu o nissei, os braços fortes envolvendo sua cintura com uma urgência que fez o ar fugir dos pulmões de Kenji.
O nissei ficou desconcertado por um segundo, os olhos arregalados de surpresa, o coração martelando contra as costelas. Mas algo dentro dele se rompeu, uma onda de emoção pura, protetora, quase carinhosa. Ele sentiu o cheiro familiar de suor limpo e colônia de Luiz Felipe, o calor do peito largo contra o seu. Devagar, Kenji recuperou o controle, os braços subindo para retribuir o abraço com a mesma intensidade. Suas mãos espalmadas nas costas largas de Luiz Felipe, apertando-o como se quisesse absorver toda a dor dele. O abraço aconteceu e perdurou, os dois corpos colados sob a luz amarelada do poste, o mundo ao redor desaparecendo. Kenji fechou os olhos, o peito apertado de afeto e preocupação. Ele precisa de mim, pensou, o coração transbordando de uma ternura que ele mesmo não esperava sentir tão forte. Queria proteger aquele homem, queria ser o refúgio dele naquela noite. As mãos de Kenji subiram devagar, uma acariciando a nuca de Luiz Felipe com delicadeza, os dedos entrelaçando nos cabelos curtos.
Do outro lado da rua, Marcelo saltitava animado, viu o abraço e parou por um instante. Um sorrisinho malicioso curvou seus lábios enquanto sussurrava para si mesmo:
— Passada!
E seguiu saltitando para a casa de Gustavo, com uma pressa quase que urgente.
Enquanto isso, na casa de Milena, o quarto estava iluminado por luzes neon rosadas e roxas, o ar perfumado com incenso de baunilha e o cheiro de produtos eróticos recém-desembalados. Milena gravava vídeos para promover sua loja, posando provocante na frente da câmera, vestida com um robe curto de seda que mal cobria as coxas. Luiza e Pamela entraram de repente, trazendo uma marmita ainda quente.
— Aqui, amiga, minha mãe mandou essa marmita. Mas e aí, o que você aprontou? A Luiza me contou que o Luiz Felipe até passou mal. Perguntou Pamela, sentando-se na cama com um sorriso curioso.
Milena riu alto, jogando a cabeça para trás, o robe escorregando ligeiramente do ombro.
— Foi mesmo, acredita? Como eu pude me interessar por uma Hello Kitty daquela?
Luiza cruzou os braços, os olhos brilhando de fofoca:
— Então é verdade mesmo? O Gustavo e o gato do Luiz Felipe... Não dá pra acreditar, um homão daquele que desperdício e eu trabalho com ele há anos... Não pera, será que o Gurizão também é viado, amiga?
— O Luiz Felipe é certeza, eu mesma tirei as fotos. Já o irmão eu não sei, mas deve ser tudo farinha do mesmo saco.
Confessou Milena, com um riso debochado.
— Háaaaa não, eu já fiquei com o Gurizão e foi ótimo. Pena que agora ele está todo estranho, parece que está namorando escondido.
Disse Luiza, franzindo a testa.
— Deve estar dando escondido igual o viado do irmão. Enfim, o importante agora é eu voltar com o Eduardo. Aquele sim é homem de verdade.
Completou Milena, o olhar carregado de desejo perverso, mordendo o lábio inferior enquanto imaginava o reencontro.
Brian e Miguel chegaram em casa exaustos, a casa escura e silenciosa, apenas o zumbido baixo da geladeira quebrando o silêncio. Kenji não estava lá para recebê-los. O ar ainda guardava o cheiro sutil de incenso que o nissei costumava acender.
— Ué? Kenji no here?
Questionou Brian, franzindo a testa loira enquanto acendia a luz da sala.
— Parece que não. Deixa eu ver se ele deixou alguma comida pronta.
Respondeu Miguel, indo direto para a cozinha. Abriu o fogão, o micro-ondas, a geladeira. Tudo vazio.
— É, gringo, acho que o japa esqueceu do nosso rango.
Disse Miguel, coçando a nuca, o corpo moreno e musculoso relaxado na camisa social justa.
— Rango? — repetiu Brian, confuso coçando a cabeça.
— Comida, Brian. O Kenji não deixou nada pronto. Quer que eu faça algo?
— Hambúrguer!
Disse o Inglês.
— Nesse caso é melhor a gente pedir. Ou prefere pizza?
Sugeriu o Brasileiro.
— Brazilian Pizza! Hieeeee!
Miguel riu, pegando o celular para fazer o pedido. Enquanto digitava, Brian se aproximou por trás, os olhos azuis brilhando de desejo. Beijou o pescoço de Miguel devagar, as mãos grandes deslizando pela barriga definida do moreno.
— Vou pedir duas. Enquanto ficam prontas, a gente pode tomar um banho. O que acha?
— I like banho you!
Respondeu Brian, a voz de desejo, virando Miguel de frente e colando os lábios nos dele num beijo faminto.
O beijo esquentou rápido. Brian desceu as mãos pelas costas de Miguel, apertando a bunda firme enquanto o empurrava contra a bancada da cozinha. Miguel gemeu baixo, os olhos semicerrados de prazer. Brian ajoelhou-se devagar, o olhar cheio de luxúria, abrindo o short de Miguel com dedos ágeis. O pau grosso e moreno saltou livre, já meio duro. Brian lambeu os lábios, segurando a base com uma mão firme, e mergulhou a boca quente e molhada ao redor da cabeça rosada. Chupou devagar no início, a língua girando, babando generosamente enquanto subia e descia, os sons molhados ecoando na cozinha silenciosa. Miguel jogou a cabeça para trás, gemendo alto, uma mão enfiada nos cabelos loiros de Brian, guiando o ritmo.
— Isssssooo, Brian... assim...
Brian não parou. Enquanto chupava com fome, a boca babada escorrendo pelo pau de Miguel, ele próprio abaixou o short, expondo o próprio cu lisinho e rosado. Com a mão livre, Brian se preparou, dois dedos deslizando para dentro de si, abrindo-se devagar. Miguel olhava para baixo, ofegante, o peito subindo e descendo rápido. Brian se ergueu de repente, virando de costas e empurrando a bunda contra o pau babado de Miguel.
— Suck me... now !
Murmurou Brian, a voz rouca de tesão. Miguel não esperou. Segurou os quadris de Brian com força, as veias dos braços saltando, e abocanhou devagar, centímetro por centímetro, gemendo ao sentir o calor e o sabor do pau. Brian arqueou as costas, gemendo alto, as mãos apoiadas na bancada, empurrando para trás para socar tudo na garganta de Miguel. Brian puxou o namorado ajeitou seu membro rosado e começou a meter com ritmo crescente, os quadris batendo contra a bunda morena e firme de Miguel, o som de pele contra pele enchendo a cozinha. O moreno virava o rosto, buscando a boca de Brian num beijo desajeitado e molhado, as línguas se entrelaçando enquanto o loiro metia cada vez mais fundo, uma mão descendo para masturbar Miguel ao mesmo tempo. Os dois suavam, gemiam, os corpos colados num ritmo frenético e suado, o desejo explodindo entre eles até que o pedido da pizza fosse quase esquecido.
Enquanto isso, na casa de Gustavo, o cheiro de jantar ainda pairava no ar da sala de jantar aconchegante, com a mesa posta e a luz quente do lustre de cristal. Dona Eulália servia o prato, o rosto sereno.
— Quem será na hora da janta? Estão esperando alguém? Será que é a Manu?
Questionou ela, limpando as mãos no avental.
— Acho que não, mãe, mas vou lá atender.
Disse Eduardo, já se levantando.
— Pode deixar, eu vou. Acho que sei quem é.
interrompeu Gustavo, levantando-se rápido e indo até a porta com passos decididos.
Eduardo o seguiu, curioso. Quando Gustavo abriu a porta, Marcelo entrou com um sorriso largo, saltitante como sempre.
Eduardo parou no corredor, o rosto contorcendo-se de fúria instantânea, os olhos arregalados de raiva:
— O que essa bixinha está fazendo aqui?!
Autor: Mrpr2