A festa tinha acabado tarde e o metrô tava um inferno de lotado. Era aquela hora da noite em que São Paulo vira um forno subterrâneo, ar quente subindo do chão, gente espremida como sardinha em lata e o cheiro de suor misturado com perfume barato pairando no ar. Eu tinha saído da festa com as meninas, mas Lara e Mari pegaram outro caminho e eu fiquei sozinha esperando a linha 4 amarela. Meu corpo ainda latejava do treino do dia e da energia da festa, regata larga colada na pele suad a, short jeans rasgado marcando as coxas grossas e All Star surrados já meio sujos de cerveja derramada. Meu cabelo preto curto tava bagunç ado total, algumas mechas grudadas na testa e na nuca por causa do calor que não dava trégua. O fone no ouvido direito tocava Charlie Brown Jr. baixo, “Só os Loucos Sabem”, e eu rebolava discretamente no meio da plataforma, sentindo o ritmo bater no peito como se fosse meu próprio coração acelerado.
Quando o trem chegou, a multidão se empurrou toda de uma vez. Eu entrei apertando o corpo contra a porta, segurando a barra de cima com uma mão só porque minha altura de 1,80 m me dava essa vantagem. O vagão tava cheio pra caral ho, gente colada em gente, e eu sentia cada gota de suor escorrendo devagar pelas costas, descendo pela curva da coluna e parando na cintura do short. Meu corpo de atleta tava quente, os músculos das pernas latejando gostoso depois de tanto pular na quadra e dançar na festa. Os peitos marcavam forte na regata fina e eu não ligava, até curtia o jeito que alguns olhares passavam por mim. Mas hoje meu pensamento tava em outro lugar. No Theo. Aquele nerd magrelo de óculos que tinha gaguejado pra mim na festa, que tinha recuado e depois ficado ali, olhando pra cima como se eu fosse a coisa mais impressionante do mundo. Eu ainda sentia o calor daquele momento, o jeito que ele corou, o volume discreto na calça dele. Meu estômago dava um salto só de lembrar.
O trem deu uma freada brusca e todo mundo balançou junto. Foi aí que eu senti alguém esbarrar forte nas minhas costas. Um corpo menor, mais leve, se apertando contra mim por causa do balanço. Eu me virei devagar, já com um sorriso no rosto, e lá estava ele. Theo. O mesmo cabelo castanho bagunçado, os óculos finos embaçados pelo calor, a camiseta de banda indie agora amassada contra meu corpo. Ele tinha entrado no mesmo vagão sem eu perceber e agora tava colado em mim, rosto na altura dos meus seios, olhos arregalados atrás das lentes.Ele tentou recuar um passo mas não tinha espaço. A multidão empurrava ele de volta pra mim. Eu ri alto, aquele riso extrovertido que sai do fundo da garganta e faz as pessoas ao redor olharem.
— Relaxa, baixinho, eu não mordo… ainda. E olha que eu gosto de mulher também, mas hoje só tô afim de te ver corar
Minha voz saiu alta o suficiente pra ele ouvir por cima do barulho do trem, mas não tão alta pra todo mundo escutar. Ele ficou vermelho na hora, bochechas pegando fogo, e ajustou os óculos com a mão trêmula. Eu senti o corpo dele tremendo levemente contra o meu, o peito subindo e descendo rápido. O vagão balançou de novo e ele foi jogado mais pra frente, o rosto quase encostando na minha regata úmida. Meu corpo reagiu instantaneamente. Um calor gostoso subiu pelas coxas, o short jeans roçando na pele sensível e eu apertei as pernas uma contra a outra sem querer. Sentia o suor dele misturando com o meu, o cheiro limpo de sabonete dele tão perto que me deixava com a boca seca. Meu coração batia forte, não só pelo metrô lotado, mas pela sensação de poder. Ele era tão menor, tão tímido, e eu tava ali, alta, forte, dominando o espaço sem esforço.Eu me inclinei um pouco pra baixo, só o suficiente pra meu cabelo bagunç ado roçar no rosto dele.
— Tá vendo como São Paulo é pequena? — falei baixinho, quase no ouvido dele. — Ontem na festa você quase fugiu de mim e hoje tá colado aqui. O destino gosta de brincar, né Theo?
Ele engoliu em seco, os óculos embaçando mais ainda. Eu via o peito dele subindo rápido, a respiração curta. Meu corpo inteiro pulsava. O calor do vagão fazia o suor escorrer entre meus seios, descer pela barriga tanquinho e parar no cós do short. Eu sentia cada detalhe: o tecido da regata grudando na pele, as coxas grossas pressionando contra a perna dele, o latejar gostoso entre as pernas que começava a crescer devagar. Era tesão puro de dominação. De ver ele se derretendo ali, no meio de todo mundo, sem poder fugir. Eu adorava isso. Adorava o contraste da minha altura com a dele, o jeito que ele tinha que olhar pra cima pra me encarar.
O trem parou em uma estação e mais gente entrou, empurrando ele ainda mais contra mim. Agora o corpo dele tava colado do peito até as coxas. Eu senti o volume na calça dele crescendo devagar, discreto mas impossível de ignorar. Meu sorriso ficou maior. Eu não me mexi. Deixei ele ali, preso contra mim, sentindo cada centímetro do meu corpo suad a.
— Você tá bem, baixinho? — perguntei com tom divertido, mas com uma ponta de carinho que eu não conseguia esconder. — Tá respirando? Porque seu rosto tá parecendo um tomate maduro.
Ele murmurou algo que eu não entendi direito por causa do barulho, mas vi os lábios dele se movendo e os olhos brilhando atrás dos óculos. Meu estômago deu um nó gostoso. Eu imaginava ele assim no meu apê, de joelhos, olhando pra cima do mesmo jeito. O rock no fone parecia acompanhar o ritmo do meu coração. Eu queria mandar ele fazer algo ali mesmo, tipo abaixar o olhar ou pedir desculpa baixinho, mas segurei o impulso. Ainda era cedo. Eu tava construindo. Sentindo o poder crescer devagar, como um bloqueio perfeito no treino.
O trem balançou de novo e eu segurei a barra de cima com mais força, o braço esticado mostrando os músculos definidos do treino. Meu short subiu um pouco nas coxas e eu vi o olhar dele descer rapidinho antes de voltar pro meu rosto. Isso me deixou molhada pra caralho. Senti a umidade quente se formando entre as pernas, o tecido da calcinha grudando. Meu corpo inteiro tava sensível, cada balanço do metrô fazendo meus peitos roçarem de leve no peito dele. Eu respirava fundo, sentindo o cheiro dele misturado com o meu suor, o calor subindo pela nuca, o friozinho bom na barriga que eu sentia quando bloqueava uma bola impossível.
— Sabe, Theo — falei mais baixo, só pra ele —, eu tô gostando disso. De você ficar assim, sem ter pra onde correr. Me lembra quando eu tô na quadra e o time adversário tenta me bloquear. Eu sempre passo por cima.
Ele corou ainda mais e eu ri baixinho, o riso saindo rouco e satisfeito. Meu corpo latejava inteiro agora. As coxas apertavam uma contra a outra, o suor escorrendo pelas costas, o short jeans marcando a bunda empinada. Eu me sentia poderosa, viva, no controle total mesmo no meio daquele caos de metrô lotado. O medo de altura que me pegava às vezes nem passava pela cabeça ali. Aqui embaixo, no vagão apertado, eu era a rainha.O trem parou na estação dele e ele hesitou um segundo antes de se afastar. Eu segurei o braço dele de leve, só um toque, sentindo a pele quente sob meus dedos.
— Não some, nerd. O jogo tá só começando.
Ele saiu olhando pra trás, rosto ainda vermelho, e eu fiquei ali, sorrindo sozinha enquanto o trem voltava a andar. Meu corpo todo pulsava de tesão contido, o rock no fone batendo forte no peito. Eu já imaginava o próximo encontro, o jeito que ele ia corar de novo, o jeito que eu ia avançar mais. Porque eu mandava no jogo. E ele ia aprender a adorar isso.O metrô seguiu, o calor continuava, mas eu tava leve, feliz, com um sorriso safado no rosto. O primeiro acidente tinha sido perfeito. E eu mal podia esperar pelo próximo.