Castelo de areia Temporada 1 Cap. 1.3 - términos e descobertas

Um conto erótico de Manfi
Categoria: Heterossexual
Contém 3883 palavras
Data: 14/04/2026 01:57:15

Captérminos e descobertas

Nota: fiquei surpreso e feliz com os comentários de algumas pessoas. Peço desculpas por não fazer o capítulo extra respondendo os comentários...foi um fds corrido.

Fiquei muito contente em como alguns captaram a essência do que me propus a escrever.

E apenas para contribuir...essa história é sobre construção de um relacionamento, e o desenvolvimento, amadurecimento que cada personagem consegue no caminho. Como falei antes, o título da série e das temporadas falam muita coisa...até pq já sabemos onde isso vai dar.

Uma última informação ou dica...os personagens não estão tentando mentir para os leitores. São dois narradores confiáveis contando a história do seu ponto de vista. Cabe ao leitor tentar entender o personagem, todas suas questões, complexidades, não apenas suas ações...talvez isso não de Ibope aqui...mas... é como eu gosto de escrever...

Ótimo divertimento para quem gostar desse tipo de texto. Agora se não for isso que deseja...não perca tempo. Pule pro próximo.

Abraço e obrigado mais uma vez.

(Tauane)

O caminho de volta foi silencioso.

Não um silêncio estranho, daqueles que pedem explicação. Era pior. Era um silêncio que dizia demais, mesmo sem ninguém falar nada.

Eu estava no banco de trás, olhando pela janela, mas sem prestar atenção em nada de verdade. As luzes passavam rápido, se misturando, e por um momento parecia mais fácil focar nisso do que no que tinha acabado de acontecer — ou no que eu tinha visto.

Ou no que ele tinha visto…

Por que isso me preocupou tanto? Nunca… nunca não… desde que perdi meu pai, nunca mais me deixei preocupar com a opinião das outras pessoas sobre mim.

Mas por que saber que ele viu o que viu me preocupou… ou pior… por que me importou tanto?

Carlos estava na frente, ao lado de mamãe com o corpo levemente inclinado pra frente, como se estivesse tentando ocupar menos espaço. Não olhava pra trás, não me procurava, não fazia nada.

E aquilo me incomodava mais do que se ele agisse diferente.

Pensei em falar alguma coisa — qualquer coisa. Um comentário leve, uma desculpa disfarçada, até uma provocação. Mas a presença de minha mãe ali tornava tudo inviável.

Então eu fiquei quieta.

E, pela primeira vez, o silêncio não era confortável pra mim.

Quando chegamos, tudo aconteceu rápido.

Despedida curta, porta abrindo, cada um seguindo pro seu lado — sem conversa, sem explicação, sem controle.

Entrei no meu quarto e fechei a porta com mais força do que precisava. Fiquei parada por alguns segundos, respirando, tentando organizar alguma coisa dentro de mim.

Não consegui.

Peguei o celular.

Demorei mais do que deveria olhando pra tela, sem abrir nada, como se só segurar ele já fosse resolver alguma coisa.

Por impulso ou raiva reprimida… ou simplesmente porque percebi que cheguei ao limite. Ou melhor, aquela situação… aquilo que vivíamos não tinha mais sentido ou um propósito para continuar…

Abri a conversa com o Antônio e digitei…

“A gente precisa conversar amanhã.”

Enviei.

Simples, direto, sem espaço.

Fiquei olhando a tela, esperando a resposta, mas antes mesmo dela chegar eu já sabia o que aquilo significava.

Tinha acabado.

De verdade.

Não por causa daquela noite.

Mas porque já tinha acabado fazia tempo — eu só tinha parado de fingir.

A outra conversa demorou um pouco mais.

Mas veio…e no fundo sabia que precisava acontecer também.

Miguel já tinha iniciado, com certeza com motivos diferentes dos meus.

“Sumiu rápido hein…”

Revirei os olhos automaticamente. Como alguém pode ser tão sem noção?

Abri a conversa mas não respondi rapidamente.

Ele insistiu.

“Nem se despediu direito”

“Ficou ruim assim?”

Fiquei alguns segundos olhando, respirando fundo antes de responder.

“A gente precisa parar com isso.”

Dessa vez fui direta, sem jogo, sem suavizar.

A resposta veio quase na hora.

“Parar com o quê?”

Soltei o ar pelo nariz.

“Você sabe.”

Demorou alguns segundos.

Mais do que eu esperava.

E então veio:

“Você sempre volta”

Aquilo me irritou na hora.

“Não dessa vez.”

Enviei sem hesitar.

A resposta demorou mais dessa vez.

E quando veio, veio diferente.

“Você fala isso agora”

“Mas eu te conheço”

Parei.

O polegar travado na tela.

E então a última mensagem chegou.

“Eu sempre vou estar por perto”

“E você sabe que nunca vai deixar de ser minha…do jeito que sempre foi. ”

Fiquei olhando aquilo por alguns segundos.

Mais do que deveria.

Algo ali me incomodou, não exatamente pelo que ele disse, mas pela certeza. Pelo tom. Pelo quanto aquilo já tinha sido verdade em algum momento.

Travei a tela.

Joguei o celular na cama.

Passei a mão no rosto, puxando o ar devagar.

No dia seguinte, ele apareceu.

Como se nada tivesse mudado.

Encostado no mesmo lugar de sempre, com o mesmo sorriso, a mesma postura de quem achava que ainda estava no controle.

— Tá brava ainda? — perguntou, como se fosse algo pequeno.

Parei na frente dele e cruzei os braços.

— Acabou, Miguel.

Falei direto, sem rodeio.

Ele inclinou a cabeça, analisando, como se tentasse entender se eu estava falando sério.

— Você tá falando sério?

— Tô.

Mantive o olhar. A postura ereta. O semblante sério. Não queria dar margem para qualquer dúvida.

Ele deu um passo mais perto.

— Isso aí passa.

Quase automático, previsível.

— Não dessa vez.

Minha voz saiu mais firme do que eu esperava.

E, por um instante, eu realmente acreditei nela.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, me olhando diferente agora — menos leve, mais atento.

Então deu um meio sorriso.

— Tá bom…

Fez uma pausa curta.

— Mas relaxa.

Se inclinou um pouco mais perto, a voz mais baixa.

— Eu sempre vou estar por perto.

Meu corpo reagiu antes da minha cabeça.

Quase imperceptível.

Ele continuou:

— E você sabe…

Pausa curta.

Controlada.

— que isso não muda.

Não respondi. Mas também não recuei.

E foi aí que eu entendi.

Não era só sobre parar.

Nunca tinha sido.

Era sobre sair de um lugar que eu mesma tinha criado…e que, pela primeira vez, eu não tinha certeza se ainda controlava. Ou se realmente controlei em algum momento…

…………….

(Carlos)

Nos dias que se seguiram à festa, eu a evitei.

Não foi uma decisão clara, dessas que a gente toma e sustenta. Foi mais automático, quase natural, como se alguma parte de mim soubesse que precisava de distância antes de tentar entender qualquer coisa — ou antes que eu confundisse tudo de novo.

Eu via a Tauane de longe, às vezes no corredor, às vezes na sala. Em alguns momentos, parecia que ela também me via, mas nenhum dos dois fazia movimento. E, estranhamente, aquilo não me incomodava como eu imaginei que incomodaria.

Não do jeito que deveria.

O que ficou da festa não foi exatamente o que eu vi, nem o que eu ouvi. Foi outra coisa, mais difusa, mais difícil de explicar — como se algo tivesse mudado de lugar dentro de mim sem fazer barulho.

E eu preferi não mexer nisso.

A Luana facilitava.

Não de um jeito forçado, nem com insistência. Era o contrário. Ela aparecia de forma leve, natural, como se a presença dela não exigisse nada em troca — e isso fazia diferença.

A gente começou a se encontrar mais vezes, quase sempre por acaso. No intervalo, depois da aula, em algum canto da escola onde a conversa não precisava de esforço. Ela falava com facilidade, e eu respondia melhor do que antes.

Sem perceber, aquilo deixou de ser novidade… mas não deixou de ser bom.

Tinha uma tranquilidade ali que eu não conhecia.

Sem pressão, sem jogo, sem expectativa escondida. E talvez por isso eu tenha começado a confiar, mesmo sem perceber.

A Tati entrou nisso de um jeito mais direto alguns dias depois.

— Você tá diferente — ela comentou, encostando na carteira ao meu lado.

Dei de ombros.

— Melhor ou pior?

Ela sorriu.

— Melhor.

Fez uma pausa curta, olhando na direção da quadra, onde a Luana estava.

— E ela ajuda.

Segui o olhar. A Luana estava rindo com outras meninas, solta, leve, sem esforço.

— Ela é… diferente — eu disse, quase sem pensar.

A Tati assentiu.

— É.

Ficamos em silêncio por um instante.

— E pode parar de ficar com essa cara de dúvida — ela completou — a Luana não é dessas coisas que você ouviu.

Desviei o olhar, mas não rebati.

— Ela gosta de você — Tati continuou, mais baixa — e não tem nada por trás disso.

Aquilo deveria resolver alguma coisa.

Mas não resolveu completamente.

Ainda assim… foi o suficiente.

Soube do término da Tauane alguns dias depois, não por ela, mas por outras pessoas, como sempre.

— Terminou com o Antônio — alguém comentou, passando.

Eu ouvi, registrei… e segui.

Sem reação.

Ou pelo menos foi isso que pareceu.

Porque, por dentro, não veio alívio, nem incômodo

— só uma ausência estranha de qualquer resposta clara.

E isso não me incomodou.

Com a Luana, as coisas foram avançando devagar, sem definição, sem rótulo, mas com presença.

A gente começou a se aproximar mais fisicamente também, de um jeito natural — um toque que demorava um pouco mais, uma proximidade que já não parecia acaso.

Quando percebi, aquilo já não era mais só conversa.

Era outra coisa.

Nova…

Mas estável.

Diferente do que eu estava acostumado.

Foi a Verônica que trouxe o assunto de volta.

— Você não está andando junto com tauane… — ela comentou, enquanto organizava a cozinha.

Assenti.

— A gente só… não tem se falado muito.

Ela me olhou por um segundo a mais.

— E você acha isso normal?

Demorei antes de responder.

— Acho.

Mas a resposta não saiu tão firme quanto eu queria.

— Às vezes, evitar não resolve — disse com calma — só adia.

Aquilo ficou.

A Tati reforçou no dia seguinte, sem rodeio.

— Você vai continuar fingindo que nada aconteceu?

Eu encarei.

— Não é fingir.

— Então o que é?

Não respondi.

Porque eu também não sabia.

Ela cruzou os braços.

— Você não precisa decidir nada agora… mas precisa, pelo menos, conversar.

Fiquei em silêncio.

Mas dessa vez não afastei.

Demorei mais um dia.

Talvez dois.

Mas, em algum momento, ficou claro que aquilo não ia simplesmente desaparecer.

Então eu a procurei.

Sem pressa, sem urgência, mas com uma intenção que eu não tinha antes.

Encontrei ela no corredor, perto das escadas. Estava sozinha, algo raro para alguém como ela…

Por um segundo, pensei em voltar.

Mas não voltei.

Me aproximei.

— Tauane…

Ela levantou o olhar.

E, naquele instante, eu soube que nada ali estava realmente resolvido.

Nem pra ela.

Nem pra mimTauane)

Após o término do meu namoro com Antônio, esse fato virou o centro principal das rodas de fofocas da escola.

Não era por menos… o casal perfeito tinha se separado…

Não comentei nada em casa, mas tanto mamãe como Tati perceberam que Antônio e seus amigos já não faziam mais parte da minha rotina. Do meu dia a dia.

Tati resolveu romper o silêncio e entrou em meu quarto uma noite, após todos já terem ido dormir em seus quartos.

Tau. É verdade… sobre o seu namoro com Antônio? Vocês terminaram? Não vejo você andando com ele ou com os meninos da sua sala..

O silêncio ficou mais pesado depois disso.

Não aquele silêncio confortável, que só preenche espaço. Era outro, mais atento, como se ela estivesse esperando eu continuar — e eu, pela primeira vez, não soubesse exatamente como.

Mantive meu olhar para baixo, sem coragem de olhar nos olhos de minha irmã.

— Eu só… não tô com paciência pra eles.

Falei sem convicção.

A Tati não respondeu na hora. Mas, após alguns segundos me encarou…

— Você sente falta dele, né?

A pergunta veio simples, direta.

Demorei um segundo a mais do que deveria.

— De quem?

Ela não desviou.

— Do Carlos.

Soltei o ar pelo nariz, em um riso curto.

— Você tá viajando.

— Não tô.

Sustentou, como sempre.

E isso me irritava, porque ela não precisava forçar — ela só esperava, e eu acabava falando.

Passei a mão no rosto, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Eu só acostumei.

Foi o que saiu.

Mais fraco do que eu queria.

— Com o quê?

Fiquei em silêncio por alguns segundos antes de responder.

— Com ele por perto.

Simples.

Mas não era só isso…Ambas sabiam…

— E agora?

Demorei mais do que qualquer resposta precisava.

— Agora ele não tá mais.

Falei baixo, quase sem perceber.

A Tati não disse nada por alguns segundos, e foi nesse espaço que eu senti de verdade.

A falta. Não como ideia.

Como sensação.

Eu ainda falava com todo mundo, ainda andava com as mesmas pessoas, ainda era chamada, ainda era vista… mas não era a mesma coisa. Era barulho sem peso, sem presença, sem alguém que realmente estivesse ali.

E isso eu não sabia lidar.

— E a Luana? — perguntei para Tati, com cuidado.

Soltei um riso curto, sem humor.

— O que tem?

— Eu vi vocês três esses dias. Parecem próximos…

Sem entender, falar sobre isso me incomodou mais do que eu queria admitir.

— Eles tão se falando.

Tati respondeu, tímida.

— Eu sei.

Respondi rapidamente…

Ela esperou.

— E?

Cruzei os braços.

— E nada.

Mas não soou como nada.

Ela percebeu.

— Você não parece muito “nada”.

Olhei pra ela, sustentando por um segundo… e depois desviei, encarando o chão.

— Eu não sei.

Foi a primeira vez que eu disse isso em voz alta.

E aquilo permanecei por mais tempo do que imaginava.

— Não sabe o quê?

Respirei fundo.

— Se eu gosto dele.

A frase saiu mais pesada do que eu esperava, mais real do que eu queria admitir.

A Tati não reagiu na hora. Só me observou.

— E você acha que gosta?

Fechei os olhos por um instante antes de responder.

— Acho.

Abri de novo.

— Mas não do jeito que você tá pensando.

Ela ergueu a sobrancelha.

— Que jeito?

Dei um meio sorriso.

— Não sei ainda.

Ficamos em silêncio por um instante.

— Eu só… não gosto de ver ele com outra.

Aquilo saiu rápido demais, direto demais — e, pela primeira vez, eu não tentei corrigir.

A Tati respirou fundo.

— E você vai fazer o quê?

Dei de ombros.

— Esperar.

— Esperar o quê?

Olhei pra frente, sem focar em nada.

— Uma oportunidade.

Ela ficou em silêncio por um segundo.

— E o que você quer de mim?

Olhei direto pra ela.

— Me ajuda a falar com ele.

Simples. Direto…

Sem jogo…Sem disfarce.

Ela assentiu devagar.

— Eu ajudo.

Fez uma pausa curta antes de continuar.

— Mas antes… me explica uma coisa.

Já sabia…Antes mesmo dela falar.

— Aquilo que falam de você e do Antônio…

Respirei fundo.

— É verdade?

Ela não perguntou com julgamento, mas perguntou sério — e isso foi pior.

Fiquei em silêncio por mais tempo do que queria.

— É.

Falei por fim.

Sem rodeio.

Ela piscou.

— Tipo…

— Tipo isso mesmo.

Cortei.

— E os outros?

Demorei um pouco mais dessa vez.

Mas respondi.

— Também.

O silêncio que veio depois foi diferente.

Pesado, mas real.

Ela me olhava de um jeito novo agora — não pior, mas diferente.

— Eu achei que era só fofoca…

Falou mais baixo.

Soltei um riso sem humor.

— Quase sempre começa assim.

Ela não riu.

— E você tava bem com isso?

A pergunta ficou no ar.

Eu pensei em responder rápido, automático, como sempre fiz.

Mas não saiu.

Demorei.

— Eu achava que tava.

A resposta veio mais baixa, mais honesta do que eu queria.

— E agora?

Olhei pra ela, pela primeira vez sem filtro.

— Agora eu não sei mais.

O silêncio voltou, mas dessa vez não era pesado — era compartilhado.

A Tati se aproximou um pouco mais no sofá, sem falar nada, só ficando ali.

E, de repente, eu senti tudo de uma vez.

Não a festa.

Não o Miguel.

Nem o Antônio.

Outra coisa.

Mais antiga.

Mais profunda.

Mais difícil.

Passei a mão no rosto, tentando segurar… mas não consegui.

As lágrimas vieram sem aviso.

Sem controle.

Sem estratégia.

A Tati me abraçou na hora, forte, sem perguntar, sem comentar.

E eu deixei.

— Eu sinto falta dele…

Falei no meio do choro.

Nem precisei explicar.

Ela sabia.

Sempre soube.

Nosso pai.

A ausência que nunca saiu, que só mudava de forma, que aparecia quando tudo o resto começava a desmoronar.

Ela apertou mais o abraço, também chorando agora.

— Eu também…

Ficamos ali por um tempo, sem pressa, sem fingir, sem precisar ser nada além do que a gente era naquele momento.

Duas filhas…tentando entender o que ficou depois que ele foi.

E, pela primeira vez em muito tempo…

eu não tentei controlar nada.

…………..

(Carlos)

Encontrei a Tauane no corredor, perto das escadas, exatamente como tinha imaginado.

Sozinha.

Por um instante, pensei em voltar, deixar aquilo pra depois, como vinha fazendo nos últimos dias. Mas não voltei. Me aproximei devagar.

— Tauane…

Ela levantou o olhar, e foi ali que eu percebi que alguma coisa nela também tinha mudado. Não era só o jeito mais quieto, ou a ausência daquele controle quase automático. Era mais sutil — como se ela estivesse menos protegida do que antes.

Fiquei em silêncio por um momento antes de falar.

— A gente precisa conversar.

Ela assentiu, como se já esperasse.

Fomos até um canto mais afastado, onde o barulho da escola diminuía o suficiente pra deixar espaço pro que estava preso. Respirei fundo.

— Eu não vou fingir que nada aconteceu… mas também não vou tentar entender tudo, porque eu acho que nem você entende.

Ela desviou o olhar por um segundo.

— Não mesmo.

A resposta veio baixa, sem defesa.

Aquilo me desarmou mais do que eu esperava.

— Eu me preocupo com você — continuei — com o jeito que você se envolve nessas coisas… com as pessoas.

Ela soltou um riso curto, sem humor.

— Você não tem ideia.

Ficamos em silêncio por alguns segundos. Eu pensei em perguntar. Sobre o que eu tinha ouvido, sobre ela, sobre a Luana… mas não consegui.

Talvez porque não quisesse ouvir a resposta. Talvez porque, no fundo, aquilo já não tivesse o mesmo peso.

— Eu gosto de ficar com você — falei por fim — mas não desse jeito.

Ela voltou a me olhar.

— Que jeito?

Demorei um pouco.

— Confuso.

A palavra ficou entre a gente.

— Eu tô tentando ver onde isso vai com a Luana… — continuei — eu preciso disso.

Ela não reagiu na hora, mas eu percebi. Pequeno, rápido, quase nada — mas o suficiente pra saber que aquilo importava.

— Tá — ela disse depois — faz sentido.

Simples.

Mas não leve.

— Eu não vou te atrapalhar.

Assenti, embora aquilo não soasse tão simples quanto ela queria fazer parecer.

Convidei a Luana pra sair no dia seguinte.

Ela aceitou sem hesitar.

O cinema parecia uma escolha segura, um lugar onde eu não precisaria pensar demais. Mas não funcionou assim.

A gente mal prestou atenção no filme.

No começo, foi só o básico — braços encostando, mãos próximas demais, aquele tipo de contato que parece casual, mas não é. Até que, em algum momento, a mão dela encontrou a minha e ficou.

Não foi acidente.

E eu não afastei.

Os dedos se entrelaçaram devagar, como se aquilo estivesse sendo descoberto ali, no tempo certo. Meu corpo respondeu antes da minha cabeça, mais rápido, mais presente, como se estivesse atento a cada mínimo movimento.

Quando percebi, ela já estava mais perto. O rosto inclinado, o olhar diferente — mais direto, mais consciente do que estava fazendo.

O beijo veio sem aviso.

Suave no começo, explorando, como se testasse limites invisíveis. Eu demorei um instante pra acompanhar, mas quando acompanhei, foi inteiro. O contato foi ganhando intensidade aos poucos, sem pressa, mas sem recuar, como se cada segundo deixasse claro que aquilo não era mais só curiosidade.

Minha mão subiu pelo braço dela, devagar, sentindo o caminho antes de chegar na lateral do corpo. A reação veio na hora — pequena, quase imperceptível, mas suficiente pra me prender ali. Ela se aproximou mais, diminuindo qualquer espaço que ainda existia.

E aquilo…aquilo não era só novo.

Era inevitável.

Quando nos afastamos, por um instante, o mundo ao redor voltou rápido demais. A tela, o som, as pessoas… tudo parecia distante, como se eu ainda estivesse preso naquele ponto exato onde tudo tinha mudado.

No ônibus, na volta, foi diferente.

Mais silencioso.

Mais íntimo.

Sentamos lado a lado, sem o espaço que existia antes. O corpo dela encostava no meu de forma contínua, o calor constante, presente, impossível de ignorar. Em algum momento, ela apoiou a cabeça no meu ombro, e eu fiquei ali, imóvel, tentando manter alguma lógica no meio daquilo.

A mão dela deslizou devagar pela minha perna.

Discreta.

Mas firme.

O suficiente pra mudar completamente o ritmo da minha respiração.

Meu corpo reagiu na hora, mais intenso do que no cinema, mais difícil de controlar. Eu senti, claro demais, como se tudo estivesse concentrado naquele único ponto.

Respirei fundo, tentando me ajustar, mas ela percebeu.

Levantou o rosto, me olhando de perto.

— Tá tudo bem?

A voz saiu baixa, quase colada.

Assenti.

Mas não era só “tudo bem”.

Era mais.

Muito mais.

E, pela primeira vez, eu não tentei fugir disso.

No dia seguinte, fui até a casa dela.

Era sábado, fim de tarde, tudo mais quieto, mais lento. O ambiente parecia favorecer aquilo antes mesmo de qualquer coisa acontecer.

Sentamos no sofá, começando como sempre — conversa leve, proximidade gradual — mas dessa vez não demorou.

Quando percebi, ela já estava mais perto, o corpo encaixando no meu com mais naturalidade, como se aquilo já fosse esperado. As mãos não hesitavam mais. Sabiam onde ficar, como ficar.

O beijo voltou diferente.

Mais intenso.

Mais certo.

Sem aquela dúvida inicial.

Minha mão deslizou pelas costas dela com mais segurança, acompanhando o movimento do corpo, sentindo cada resposta, cada ajuste. Ela não recuava — ao contrário, se aproximava mais, respondendo no mesmo ritmo.

A respiração mudou. Ficou mais pesada.

Mais próxima.

E, aos poucos, tudo foi ficando mais difícil de controlar.

Eu sentia cada detalhe — o calor, a pressão, o ritmo — como se o corpo inteiro estivesse tentando acompanhar algo que a cabeça ainda não entendia completamente.

Por um momento, pensei em ir além.

E quase fui.

Mas parei.

Não por falta de vontade.

Mas porque eu ainda não sabia como.

E essa dúvida me segurou ali, no limite.

A gente continuou, entre beijos e toques, explorando até onde dava, sem ultrapassar o que ainda parecia grande demais.

Mesmo assim…já era mais do que eu tinha vivido até ali.

Quando cheguei em casa, o silêncio era outro.

Mais cheio.

Mais presente.

Entrei direto pro banheiro, fechei a porta e fiquei alguns segundos parado, encostado na pia, tentando organizar o que tinha acontecido.

Não consegui.

Meu corpo ainda estava preso naquilo.

No toque.

No ritmo.

Na sensação que não tinha ido embora.

Dessa vez, eu não ignorei.

Não afastei.

Só deixei.

Deixei a sensação crescer, tomar espaço, guiar o que vinha depois, sem tentar interromper. Foi rápido, mas intenso, como se tudo que tinha sido contido antes finalmente encontrasse um caminho.

Peguei meu pau e levei a movimentar minha mão rapidamente, de forma desajeitada. Foi a primeira vez que me masturbei.

Quando terminou, fiquei ali por alguns segundos, respirando mais devagar, tentando entender não só o que tinha acontecido…mas o que aquilo significava.

Porque, pela primeira vez, não era só sobre prazer.

Era sobre descoberta.

E, junto com ela…veio uma inquietação silenciosa.

Como se, naquele momento, eu tivesse cruzado um limite invisível — e já não fosse mais possível voltar exatamente pra quem eu era antes.

Continua…..

Obs: FICA PROIBIDO A COPIA, EXIBIÇÃO OU REPRODUÇÃO DESTE CONTEÚDO FORA DESTE SITE SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO AUTOR.

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Comentários

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O Carlos é um personagem que tem a personalidade retraída, talvez nunca terá uma tendência expansiva como a Tuane, mas sua timidez é muito potencializada por sua falta de confiança em sua aparência física, mas na Essência é um indivíduo confiável e que não tem medo de se expor ao novo, ao desafio, essa confiança inata ele possui e é bastante positiva se for bem trabalhada.

A Tati é a personagem que mais me surpreendi positivamente, fiquei realmente e profundamente emocionado com a maneira que ela conduziu a conversa com a Taune, ela começou com se fosse uma conversa coloquial, meio que fofocas de irmãs, mas soube conduzir de maneira brilhante, até alcançar um ponto bem confuso do inconsciente da Taune, foi uma passagem belíssima e emocionante no texto, me fazendo desejar ardentemente que a Tati faça parte dessa trama com a mesma sapiência emocional e assertividade que apresentou neste capítulo, sendo o ponto de arrimo e ao mesmo tempo de equilíbrio emocional entre o casal protagonista.

Luana é uma gracinha, por enquanto, apesar de estar em primeiro momento parecendo superficial, ela com certeza está marcando e moldando profundamente e de forma positiva os nuances da personalidade do Carlos.

Taune é uma personagem intrigante, ainda não consegui entender se ela é capaz de racionalizar as mazelas emocionais oriundas de uma perda profunda manipulando o ambiente a seu favor ou deixa escapar inconscientemente e inconsequentemente seus desejos mais profundos por causa dessa instabilidade emocional, eu pude observar que ela não se arrenpende de ter feito tudo que fez, o que incomoda ela foi o fato do Carlos ter descoberto suas atitudes, esse sentimento de achar pior terem sido reveladas suas ações, acima da consciência de tentar entender o quê e por quê fez errado, me deixa confuso quanto a sua índole, mas ainda não é nada definitivo.

Parabéns Manfi, estou vendo lógica, emoção e erotismo implícito, que tenho a impressão de estar fazendo clima para a putaria soltar o aço. Rsrsrs

Com quem será a primeira vez do Carlos?

Como será a primeira vez do Carlos?

Quando será que ele conseguirá dar prazer completo a sua parceira, e qual seria essa parceira?

São questões extremamente urgentes para o universo juvenil criado, veremos, aguardando na disciplina, mas ansioso.

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Carlos quis dar um passo adiante com Luana. Gostei da decisão. Tau sentiu os eventos da festa, quis terminar tudo com o namorado e o alfa, além de estar "confusa" em relação ao Carlos.

A frase do Miguel está martelando até agora: "Eu sempre vou estar por perto". Mesmo inexperiente, ele tem dominância pela Tauane e ela gosta diso. Se já é assim, imagine quando ele evoluir pro próximo nível (fato confirmado no primeiro capítulo).

A relação que acontecerá entre os três é que me deixa mais ansioso nesse conto. A Tauane do presente parece ter realmente sentimentos pelo meu xará. Porém, ela reconhece que o Miguel sabe, entre outras coisas, comer um cu. O que será que aconteceu? Será que o amigo Osório terá razão (amor de vida e amor de pica)? Haverá possibilidade para reconciliação?

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