O Barman e o Confeiteiro (Capítulo 12)

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Heterossexual
Contém 3299 palavras
Data: 14/04/2026 17:55:31
Assuntos: Anal, Gay, Heterossexual, Oral, Sexo

Capítulo 12

Ykaro

Terça-feira. O meu dia de folga.

Geralmente, eu usava as terças para dormir até o meio-dia, limpar a casa e tentar organizar a bagunça constante que era a minha cabeça. Eu gostava do silêncio que ficava depois que o Adriano ia para o trabalho. Mas hoje, a bagunça estava sentada no sofá da minha sala, assistindo a um programa de esportes na TV no mudo.

O Adriano já tinha saído para o calvário dele no call center há mais de uma hora. A casa estava mergulhada num silêncio pesado, cortado apenas pelo zumbido do ventilador de teto velho que tentava, sem muito sucesso, espantar o calor infernal de Fortaleza. Estávamos só eu e o Luan na casa.

Eu estava encostado no batente da porta da cozinha, segurando uma caneca de café preto sem açúcar, observando o gigante de longe. Ele usava apenas uma bermuda de moletom cinza e estava sem camisa. As costas largas, os músculos tensos dos ombros, a pele retinta brilhando levemente com o suor... o calor justificava a falta de roupa, mas dificultava absurdamente a manutenção da minha sanidade.

Desde a loucura que tinha acontecido no meu quarto no domingo à tarde — desde a punheta dupla e do gosto dele que eu provei nos meus próprios dedos —, nós estávamos pisando em ovos. Era um silêncio carregado, cheio de olhares cortados e uma tensão elétrica que dava pra cortar com uma faca cega. Eu fugia dele, ele me evitava, mas a atração gravitacional entre a gente parecia estar prestes a explodir a casa inteira.

Eu não podia mais adiar isso. Eu precisava colocar um ponto final, construir um muro de concreto armado entre nós, antes que o ponto final fosse a minha própria destruição psicológica.

Deixei a caneca na pia de alumínio com um baque surdo e caminhei até a sala, sentindo o piso frio sob os meus pés descalços. Parei exatamente de frente pra TV, bloqueando a visão dele.

Luan levantou os olhos escuros pra mim. A expressão dele era indecifrável, uma máscara bem construída, mas o peito largo dele subiu e desceu mais rápido, a respiração pesando na hora.

— A gente precisa conversar. Agora. Sem interrupção de telefone, sem visita, sem o Adriano entrando pela porta — eu falei, a voz saindo mais áspera e fria do que eu planejava.

Ele não questionou. Pegou o controle remoto, desligou a TV de vez e jogou o aparelho no sofá. Em seguida, inclinou-se pra frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, as mãos imensas entrelaçadas.

— Senta aí, Ykaro. Pode mandar.

Sentei na poltrona velha de frente pra ele. Respirei fundo, sentindo o peso esmagador do que eu ia confessar. Ninguém, além de mim mesmo, sabia o quão fundo era o poço de humilhação em que a Alexandra me jogou no passado. Nem o Adriano sabia dos detalhes mais podres.

— Luan, o que rolou no domingo... o que a gente fez naquele quarto. E o que a gente tá querendo fazer de novo toda maldita vez que respira o mesmo ar no mesmo cômodo. Isso tem que acabar. Hoje. Tem que morrer aqui.

O maxilar do Luan travou com tanta força que eu vi o músculo saltar na bochecha dele. Ele não desviou o olhar do meu, mas eu vi os dedos apertarem até as juntas ficarem mais claras.

— Por que você tá recuando assim, do nada? — a voz dele saiu grave, arranhando a garganta, num tom de quem tinha acabado de tomar um soco no estômago e tentava não demonstrar a dor. — Achei que a gente tinha se entendido no domingo. Que a gente... sei lá, tava na mesma página.

— Porque eu sei exatamente onde essa estrada vai dar, Luan. E eu já caminhei por ela até os meus pés sangrarem. — Inclinei o corpo pra frente, copiando a postura dele, apoiando os braços nas pernas e olhando no fundo do olho escuro dele. — Antes de vir morar com o Adriano e trabalhar como barman no pub, eu não era só um garoto de programa comum que fazia uns bicos. Eu era o amante fixo de uma mulher rica. Eu era o segredo sujo dela, Luan. Eu vivia nos bastidores da vida perfeita que ela exibia pro mundo e pro marido. Eu ficava trancado em quartos de hotel caros, como um cachorro na coleira, esperando ela ter uma brecha na agenda, uma desculpa pra ir me foder, me usar e ir embora de volta pra vidinha dela. Isso quase acabou com a minha vida. Quase destruiu o pouco de alma e dignidade que me restava.

Luan arregalou os olhos levemente. O corpo dele inteiro pareceu perder a rigidez defensiva por um segundo. Ele não sabia dessa parte da história. O peito dele subiu e desceu devagar, processando o peso daquelas palavras.

— Ykaro, eu... — Ele abriu a boca, mas as palavras pareciam presas. Ele engoliu em seco. — Eu não fazia ideia. Não sabia que tinha sido tão doentio assim.

— Foi. Foi doentio e me quebrou por dentro. E eu jurei no túmulo da minha própria paz que eu nunca mais, sob hipótese nenhuma, seria o amante de ninguém. Eu não vou voltar a ser a sobra de afeto de outra pessoa. E olha pra gente agora. Olha pra merda que a gente tá fazendo. Você namora a Stella, Luan. Uma das poucas pessoas nesse mundo que eu considero amiga de verdade. Uma mulher que sorri pra mim todo santo dia no pub. Eu não posso continuar com isso. A gente não pode.

O silêncio que se instalou na sala foi ensurdecedor e cruel. Eu conseguia ouvir o tic-tac do relógio de parede na cozinha. Luan esfregou o rosto com as duas mãos, um gesto de pura frustração e cansaço. Quando ele me olhou de novo, os olhos dele tinham uma tristeza e uma resignação que me rasgaram por dentro.

— Eu entendo — ele falou, a voz quase sumindo. — Eu concordo com você, Ykaro. É o certo a se fazer. Não é justo com a sua história, não é justo com você, e definitivamente não é justo com a Stella.

Ele concordou, mas a forma como os ombros largos dele caíram, a forma como ele desviou o rosto pro chão, encarando o tapete da sala, gritava o oposto absoluto. Ele estava se sentindo tão estranho, tão dilacerado e perdido quanto eu por ter que pôr um fim no que a gente "tinha". E a pior parte, a parte que mais doía, era constatar que eu também estava com uma dor aguda no peito que eu não conhecia. Parecia que eu estava terminando um namoro que nunca nem começou.

Para mim, era tudo tão novo, confuso e aterrorizante. Sentir uma atração física brutal por um homem? Ok, eu até conseguia processar isso. Mas me sentir *desse* jeito, atraído nesse nível absurdo, a ponto de sentir o coração doer fisicamente por ter que dar um basta... era loucura pura.

Luan levantou devagar, como se o próprio corpo pesasse uma tonelada. Ele me deu um aceno curto e silencioso com a cabeça, incapaz de dizer mais nada, e foi pro quarto dele, fechando a porta com um clique suave.

A conversa tinha acontecido. O limite tinha sido traçado com tijolo e cimento. Mas, por dentro, eu estava milhas de distância de esquecer o gigante.

Resolvi que ia passar o resto da minha folga trancado em casa. Isolei-me no meu quarto, fechei as cortinas, coloquei os fones de ouvido no volume máximo tocando qualquer rock pesado e tentei dormir. Mas a minha mente não desligava. Lá pelas quatro da tarde, a tela do meu celular acendeu no criado-mudo, vibrando insistentemente.

Era uma mensagem no nosso grupo do WhatsApp.

*Stella: "Folga do nosso barman favorito! Bora comer uma pizza hoje à noite lá naquela pizzaria perto do shopping? Eu, você e o gigante. Já falei com ele e ele topou se vc for. Vamos, Yky, anima!"*

Eu encarei a tela do celular, o brilho ofuscando os meus olhos no quarto escuro, e senti o meu sangue ferver instantaneamente. Uma raiva cega, um ciúme irracional, amargo e violento tomou conta de mim.

*Ele topou*. Claro que ele topou. Eles são o casal feliz. Eu sou o amigo solteiro, o parceiro de trabalho legal que segura vela e que agora tem que sentar na mesma mesa de pizzaria e fingir que não sabe o gosto da porra do namorado dela. Tem que fingir que não imagina como aquele corpo reage na cama.

— Eu não posso ser o amante dele — rosnei sozinho no quarto, jogando o celular na cama com tanta força que ele quicou e caiu no chão. Levantei, andando de um lado pro outro, passando a mão pelo cabelo. — Mas, puta que pariu, é muito foda ter que fingir que eu não quero ser. É insuportável fingir que eu não quero aquele cara na minha cama.

Dividido por dentro, consumido por uma confusão e um tesão que estavam me deixando literalmente doente, eu fiz a única coisa que a minha mente fodida conhecia como válvula de escape. Peguei o celular do chão, com a tela agora levemente trincada na ponta, e mandei uma mensagem pra Helena. Mais uma tentativa patética de apagar fogo com gasolina. Mais uma tentativa de esquecer o toque dele afundando no corpo de outra pessoa. Mas, se na terça passada já tinha sido difícil, depois da punheta de domingo e do beijo roubado, eu sabia que não ia passar tão fácil. Ainda assim, marquei de sair com ela.

Helena não fez perguntas, não pediu justificativas. Ela era prática. Apenas mandou o endereço de um motel diferente, um lugar um pouco mais afastado do centro, famoso pelas suítes discretas e luxuosas.

Peguei a moto e rasguei a cidade. O vento quente de Fortaleza batia contra a minha jaqueta, mas não era o suficiente para esfriar a minha cabeça. Quando cheguei lá no começo da noite, fui direto pro quarto indicado.

Helena já estava me esperando. O quarto tinha luzes indiretas vermelhas, espelhos fumê nas paredes e uma cama redonda imensa no centro. Ela estava deitada lá, vestindo apenas uma lingerie de seda preta requintada, segurando uma taça de champanhe numa das mãos e ostentando um sorriso malicioso no rosto perfeitamente maquiado.

Mas eu não estava ali pra conversas nostálgicas, flertes baratos ou preliminares regadas a champanhe.

Não dei nem tempo pra ela falar. Tranquei a porta com um estalo alto, joguei minha jaqueta no chão e fui pra cima dela. Helena arregalou os olhos, claramente surpresa, quase derrubando a taça no carpete com a forma voraz e agressiva que eu a ataquei. Eu sempre fui do tipo que se doava na cama, um profissional focado no prazer da parceira, lendo cada movimento e gemido. Mas hoje não. Hoje eu não queria ser o funcionário exemplar do sexo. Hoje eu precisava descontar a minha fúria, a minha frustração e o meu ciúme.

Eu assumi um papel dominante e quase selvagem que eu raramente usava. Prendi os dois pulsos dela acima da cabeça contra o colchão macio, beijando-a com uma força que beirava a brutalidade. Essa novidade pareceu ser mais do que bem-vinda por ela; Helena arfou, o peito subindo e descendo rápido, os olhos azuis brilhando de excitação enquanto eu arrancava a calcinha de seda dela de uma vez só, rasgando a lateral da costura fina.

Não teve carinho, não teve palavras doces ou toques lentos. Coloquei a camisinha com pressa e entrei nela com tudo, de uma vez só.

Helena gritou, as unhas bem feitas cravando fundo nas minhas costas, deixando marcas que arderiam no dia seguinte. Eu transei com ela com uma força e uma urgência desesperadas. A cada estocada, o corpo dela tremia de tanto tesão. A cama pesada batia contra a parede acolchoada num ritmo frenético. Ela implorava por mais, ofegante, completamente rendida à minha agressividade, suplicando pra eu não parar.

Mas pra mim, a realidade era um inferno particular. Nem mesmo a mulher mais gostosa, rica e experiente que eu já comi na vida bastava pra me distrair hoje. O corpo macio dela parecia errado. O cheiro de perfume caro dela parecia fraco.

Parte dessa força descomunal na cama com ela, essa brutalidade que a fazia gozar repetidas vezes, rasgando a garganta em gritos agudos, vinha dos meus próprios pensamentos obscuros e doentios. A cada socada que eu dava na Helena, a minha mente sádica projetava o Luan. Eu imaginava que, naquela exata hora, o Luan podia estar no apartamento da Stella. Que ele podia estar usando aquele pau escuro e enorme pra foder a minha amiga do mesmo jeito que eu estava fodendo a Helena.

O pensamento de outra pessoa tocando nele, da boca dela percorrendo o peito dele, dele gemendo o nome da Stella e não o meu... me tirava do eixo. Eu rosnei alto, os dentes trincados, metendo com tanta força que o colchão afundava de forma absurda, até que o meu próprio limite estourou. Gozei, exausto, vazio e com raiva, desabando com a testa colada no ombro suado dela.

Quando o sangue parou de pulsar nos meus ouvidos, o vazio bateu mais rápido e mais pesado do que nunca. Uma cratera aberta no meu peito.

Helena se vestiu algum tempo depois, radiante, o rosto corado e o cabelo desgrenhado. Ela me deu um beijo demorado e úmido no pescoço.

— Você tá virando um animal maravilhoso, Ykaro. Nunca me fodeu tão bem, com tanta fome — ela sussurrou, ajeitando a alça da bolsa de grife. — O quarto tá pago até amanhã de manhã. Aproveita a banheira. Fica o tempo que quiser. Me liga quando precisar esvaziar a cabeça de novo.

Ela saiu, a porta se fechou e eu fiquei sozinho no silêncio opressor e vermelho do quarto de motel.

Olhei pro relógio digital na cabeceira. Eram quase dez da noite. Eu não queria ir pra casa. Ir pra casa significava ter que encarar o Luan caso ele tivesse voltado da pizzaria. Significava ter que lidar com o fato de que ele estaria na sala conversando com o Adriano, ou no quarto dele existindo a poucos metros de mim. O Luan sempre estava em casa. E isso estava se tornando uma tortura irritante. Na real, ele sempre estava por perto, como uma sombra, um fantasma imenso que eu não conseguia arrancar de dentro de mim, por mais que eu fugisse.

Aproveitei que não ia voltar pro meu inferno particular na minha folga, levantei com o corpo doendo, enchi a banheira de hidromassagem gigante com água bem quente e liguei pro serviço de quarto. Pedi a garrafa de cachaça envelhecida mais forte e cara que eles tinham no cardápio, acompanhada de um balde cheio de gelo.

Entrei na água fervente, a temperatura queimando a minha pele de forma quase punitiva. Apoiei as costas na borda e comecei a encher a cara.

Meia garrafa, incontáveis doses puras e uma hora depois, o álcool finalmente fez o seu trabalho e derrubou todas as minhas barreiras de proteção e moralidade. A minha razão, a regra inquebrável do "não serei amante de ninguém", o discurso doloroso daquela manhã... tudo foi pra casa do caralho. O tesão reprimido, o ciúme e uma carência absurda venceram o duelo.

Com os dedos molhados e a vista já meio embaçada pela bebida, peguei o celular equilibrado na borda de mármore da banheira. Abri o chat do Luan. As minhas mãos tremiam, mas não era de frio.

Não foi um pedido amigável. Não teve "por favor", não teve "oi, tá ocupado?". Soou muito mais como uma ordem. Uma convocação desesperada de um homem bêbado que tinha chegado ao fundo do poço da própria obsessão. Mandei a localização exata do motel. E digitei embaixo, com a tela manchada de água:

*"Quarto 12. Agora."*

Joguei o celular no chão, no meio das toalhas, fora do alcance da banheira, e dei mais um gole longo no copo puro de cachaça. O líquido desceu rasgando. Eu tinha certeza absoluta, cem por cento de certeza, de que a minha convocação não seria atendida. O Luan deveria estar com a Stella. Ele ia olhar a mensagem, balançar a cabeça, ignorar a loucura de um barman bêbado e continuar a vida correta dele de pastorzinho fiel.

A água quente borbulhava ruidosamente ao meu redor, relaxando os meus músculos moídos pela foda violenta de mais cedo. Fechei os olhos e deixei a cabeça pesar para trás.

Trinta minutos se passaram. Trinta minutos que pareceram trinta horas de agonia silenciosa. O silêncio do motel era minha única e zombeteira companhia.

E então, o aparelho de telefone antigo, preso na parede perto da porta do quarto, começou a tocar.

O som agudo e insistente me fez dar um pulo na água. O susto cortou parte do meu transe alcoólico. Saí da banheira num rompante, pingando água quente pelo carpete vermelho felpudo, quase escorregando, e arranquei o gancho do suporte.

— Senhor? — a voz da recepcionista soou mecânica, entediada com mais uma noite de trabalho. — Tem um rapaz aqui na portaria. Um homem alto, de carro. Ele disse que o senhor está esperando por ele. Posso liberar a entrada no quarto 12?

O meu coração parou de bater por dois, talvez três segundos inteiros. O ar sumiu dos meus pulmões.

— Pode. Pode liberar a entrada dele agora — eu falei, a voz saindo falha, embargada por um misto de descrença e alívio doentio.

Bati o telefone no gancho com força. Peguei uma toalha limpa e enrolei na cintura às pressas, andando de um lado pro outro no quarto como um animal enjaulado. O sangue que antes estava dormente por causa da bebida agora corria feito fogo e adrenalina nas minhas veias. Ele veio. Puta que pariu, eu não conseguia acreditar. Ele largou tudo, largou a Stella, largou a pizza, largou a culpa, e veio.

Cinco minutos depois, ouvi as batidas na porta. Três toques firmes, pesados. A batida inconfundível dele.

Caminhei até a porta, destranquei a fechadura com a mão escorregadia e abri.

Luan estava lá. Ele usava a mesma bermuda de moletom cinza da manhã, mas agora vestia uma camisa preta básica. O peito largo dele subia e descia numa respiração ofegante, pesada, como se ele tivesse corrido uma maratona pra chegar até ali. Ele cheirava a noite de Fortaleza e ao perfume amadeirado dele. Os olhos escuros e insondáveis me varreram de cima a baixo, vendo o meu cabelo pingando de água, o peito tatuado molhado e a toalha mal amarrada na cintura.

Eu havia jurado pela minha vida que não seria amante de novo. Eu disse com todas as letras, chorando as minhas pitangas horas atrás, que aquilo ia acabar com a gente. Mas olhando pro gigante parado na soleira daquele quarto de motel, engolindo em seco, os punhos cerrados e o olhar cravado em mim com uma fome assustadora, nada daquilo importava mais. A moralidade não tinha espaço na porra do quarto 12. Naquele exato momento, o que eu queria gritava mais alto do que o meu instinto de autopreservação.

Eu não dei passagem pra ele entrar devagar. Eu avancei.

Agarrei a gola da camisa preta dele com as duas mãos, puxei o corpo imenso e musculoso dele pra dentro do quarto com força, e chutei a porta pesada pra fechar atrás de nós, trancando o mundo do lado de fora.

Ele não hesitou por uma fração de segundo sequer. Luan envolveu a minha cintura com os dois braços fortes, apertando a minha pele nua, me erguendo do chão por um instante pela força do impacto, e nós nos beijamos.

Não foi um beijo cuidadoso, não teve hesitação ou culpa. Nossos dentes se chocaram. Foi ardente, faminto, desesperado. As línguas brigando por espaço. Foi o beijo violento e incontrolável de dois homens que tinham acabado de jogar as próprias regras no lixo porque o desejo de estarem juntos era maior do que qualquer outra coisa no mundo.

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O começo do fim,o fim de uma era, ciclos que se fecham, vida que segue, agora as coisas se Arrumam

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