Macho pra Caralho! (Capítulo Final): Diário do Farol

Um conto erótico de HS
Categoria: Heterossexual
Contém 3970 palavras
Data: 17/04/2026 19:41:01

Passei mais de um dia viajando. Fui de ônibus para despistar meus perseguidores e no porto paguei um pescador para que me levasse num barquinho qualquer. Quase ao raiar do dia, saltava incógnito no trapiche mambembe da Ilha Grande, carregando só a mochila.

Já fazia algum calor e os mosquitos se apinhavam ao redor, atraídos pelo suor que escorria pelo rosto. A penumbra sobre a vegetação ao longo da trilha íngreme deixava tudo ao redor mais sinistro naquele refúgio quase intocado. Já quase no topo do morro, pude avistar a torre parecendo um farol em meio aos restos da construção abandonada pela metade, um projeto inacabado.

A construção na Ilha Grande ficaria como estava. Sonhei com um lugar fantástico para festas e orgias, um reduto para minha aposentadoria, mas agora aquilo era uma desordem, um esqueleto de estruturas, tendo o farol como a única parte concluída. Olhando assim, a obra parecia até a carcaça de uma baleia encalhada – e a torre do farol seria o arpão fincado que levou à morte daquele paquiderme.

Sobre ele, a estrela da manhã jogava um facho radiante, como um lembrete de que nada escapa ao olhar atento daquele que tudo vê. Nesta vida, Ele me deu mais do que sonhei ter, e agora cobrava o preço iluminando minha desgraça.

Mas esse agora era só mais um projeto inacabado entre outros...

Imagine ter três mulheres, uma loira, uma morena e uma ruiva, juntas na cama, todas entregando-se a você. Para mim, somente depois que conseguisse alcançar esse tipo de coisa, seria digno de um título especial: macho pra caralho! Macho que é macho, aguenta o tranco, satisfaz até três vadias, faz com que gozem mais de uma vez e segue fodendo até pedirem arrego.

Este foi outro projeto que estive a um palmo de concretizar. Há poucas noites atrás, Baby, a ruivinha que era minha assistente pessoal, e Candy, a moreninha gestora das minhas redes sociais, estavam em minha cama mamando e cavalgando no pau, em meio a gemidos sensuais e exclamações de prazer, dominadas pelo magnetismo que lancei sobre elas consistentemente desde que as escolhi.

Mas a terceira, Camilinha, era uma iniciante ainda em adestramento. Em meio à sua curva de aprendizagem rumo à exclusividade que a submeteria a mim, tal como as outras duas fizeram a seu tempo, essa loirinha ainda deveria sofrer algumas humilhações para que aquela conquista fosse plena e irreversível.

Foi justamente por isso que a coloquei de castigo, para que aprendesse a ser obediente sem questionamentos ou hesitação. Quando a garota apareceu sem aviso na cobertura do apart-hotel e me surpreendeu com as outras duas, tive que explicar detalhadamente minha proposta até fazê-la entender.

Eu lhe daria um emprego, assim como dei às outras duas. Em troca do salário e de uma vida coberta de luxos inalcançáveis para uma garota qualquer, além de desempenhar suas tarefas, ela devia ser exclusivamente minha. “Comigo, é assim que a banda toca” – avisei – “Se ficar, você vai foder como eu quiser, na hora que eu quiser, junto com quem eu mandar, e ainda vai sentir uma gratidão imensa por este privilégio!”

“Despensa. Uniforme. Faxina. Agora!” – Repeti em poucas palavras as ordens que lhe dava, estalando os dedos, para ficar mais fácil daquele cérebrozinho oxigenado entender.

Mandei Camilinha vestir um uniforme de faxineira e ficar limpando a gaiola de cristal enquanto me via foder as outras duas garotas sem piedade, para que ela aprendesse essa lição. Caso aceitasse, noventa por cento de sua aprendizagem estaria concluída – e o sonho de ter a loira, a ruiva e a morena juntas, estaria praticamente concretizado.

Era pegar ou largar, ela podia fugir, podia ir embora para nunca mais. Tinha dúvidas se a garota aceitaria aquilo assim tão rápido, mas… O benefício de ter sua imagem associada a alguém de sucesso era vantajosa para qualquer aspirante a influenciadora. Talvez por isso não me surpreendeu vê-la vestida com o uniforme cáqui, de esfregão em punho, limpando o chão à nossa frente enquanto eu seguia sodomizando as duas outras pornograficamente.

Coloquei Candy deitada com as pernas encolhidas lambendo Baby sentada sobre seu rosto, enquanto eu chupava sua buceta e metia progressivamente três dedos no cu da garota, girando, contorcendo, acelerando, até provocar-lhe espasmos e ver o líquido que jorrava em jatos de suas entranhas. É claro que em seguida ordenei à faxineira que se aproximasse para limpar a poça de gozo do chão.

Posicionei à Baby ajoelhada na borda da cama, fiquei em pé atolando a rola em sua boca, lá no fundo da garganta, retendo-a pelos cabelos e dando tapas no rosto, enquanto agora era Candy quem estava por detrás, com os três dedos dilatando o cu da colega de trabalho.

Se você é um perdedor, um babaca frouxo, ou uma feminazi obsessiva, vai achar que estava exagerando. Mas minhas putas gostam assim, com pegada, dominação e obrigação, subserviência total – não aceitava nada menos que isso, e a loirinha estava aprendendo como devia se comportar quando quisesse fodê-la.

Uma nova saraivada de gozo jorrou de Baby, e a novata teve que limpar o chão junto à cama outra vez. Num relance, pude ver o desejo estampado em seu rosto e, quanto mais as outras garotas gritavam e gemiam ao sabor de minhas investidas, mais sua contrariedade por ter sido excluída aumentava. Camilinha estava quase no ponto que precisava.

É claro, ser excluído não agrada ninguém, sei bem disso. A primeira pessoa que me excluiu foi minha mãe, que desapareceu quando eu mal começara a frequentar a escola. Diziam pela cidade que ela se apaixonou por outro e foi embora, me abandonando sozinho com o velho, mas tinha minhas desconfianças de que isso não era toda a verdade.

Para mim, minha mãezinha bem podia ter sido assassinada pelo velho. Ele a traía com putas, bebia nos bordéis e se tornava violento, chegava em casa xingando e batendo, um inferno. Entendo que minha mãe fugisse, mas nunca me convenci de que houvesse feito isso: ela era a única que me defendia e não me abandonaria, logo, sempre achei que aquele sumiço foi coisa do velho.

Para piorar, sempre fui parecido fisicamente com ela, tínhamos os mesmos traços, e isso irritava o velho. Então, desde que ela desapareceu, quem apanhava em casa era eu. Não havia aviso, nem motivo. Bastava uns tragos de cana que lá vinha surra. No início, era de vara e de cinto. Depois, já adolescente, era com murro e pontapé, muito mais prático para ele. E tome porrada.

Vivia machucado e a falta de alguém que me cuidasse era evidente. Chegava na escola sujo, de olho roxo, maltrapilho, fedendo. Por mais de um ano fui descalço, porque nem sapato que coubesse tinha. Não fazia diferença, a esta altura já era um pária. Fui excluído por todos. Raramente, quando alguém falava comigo, era para me diminuir ou menosprezar.

Daí, reagia conforme aprendera, dando porrada nos outros. Não importava se era menino ou menina, se aluno ou professor, se mexesse comigo ia apanhar. Abandono era meu nome, Violência o sobrenome, sempre andando juntos na mesma pessoa.

Deixei a escola. Já não havia nada a aprender ali. Vivia pelas ruas, evitando ao máximo ficar em casa. Pedia dinheiro em bares, implorava por comida em restaurantes, mas era como se fosse invisível. Na primeira oportunidade que tive, roubei uma carteira de uma bolsa no supermercado. Na segunda, roubei a bolsa inteira. Na terceira, fui pego e apanhei dos seguranças por não ter idade para ser preso.

Estava arrebentado e pensava em desistir daquela vida de merda, quando conheci Analice.

O que ela viu em mim? Sinceramente, não sabia. A loirinha de boa família e educação em colégio de freiras tinha a aparência de um anjo, quase dava para ver uma aura radiante ao redor, enquanto eu mais parecia um animal selvagem.

Chegou por ali quando tínhamos dezoito, me apaixonei logo na primeira vez em que a vi, mas já sabia que ela era demais para mim. Os dias passavam e rondava sua casa, escondia-me atrás de paredes, espreitando na esperança de voltar a vê-la.

Até que um dia ela apareceu na porta e ficou olhando na direção onde estava agachado atrás de uns arbustos. O coração acelerou ao perceber que vinha até mim, e não soube como reagir quando se plantou olhando-me do alto, com as mãos na cintura e um sorriso estampado no rosto. Pensei que ela me denunciaria mas, ao invés disso, a garota me convidou para entrar.

Analice era boa comigo, estranhamente boa. Ficamos amigos. Quando sua família saía, ela me deixava entrar, me levava à cozinha e dava de comer os restos que houvessem. Oferecia toalhas limpas e sabonetes perfumados, mandava que fosse ao banheiro me limpar. Mais de uma vez, esfregou minhas feridas e fez curativos, sempre escondido de sua família.

Quando já não estava fedendo, nos sentávamos lado a lado no sofá da sala e Analice me contava sobre seu mundo particular, um lugar onde tudo era fino, elegante e bonito: as redes sociais. Com o passar do tempo, conheci todas as personalidades que ela admirava e até usei seu telefone para gravar alguns vídeos, com Analice fingindo ser uma influenciadora, uma brincadeira só nossa.

Foi numa destas tardes a sós em sua casa que Analice me seduziu pela primeira vez. Quando saí da ducha, a garota entrou no banheiro e me pegou desprevenido. Minha primeira reação foi tapar o pau com as mãos como se estivesse nu ante uma freira no meio da igreja, mas a loira não se intimidou: deu um sorriso indecifrável e veio caminhando devagar em minha direção, mantendo os olhos fixos nos meus.

Eu suava e tremia, mas quando ela me abraçou e seus lábios tocaram os meus foi como se todas as adversidades da minha vida deixassem de existir em um só golpe. O corpo macio de pele suave e perfumada se colou ao meu, o desejo veio forte como eu nem sabia que era capaz de sentir, e naquela tarde nos amamos pela primeira e última vez.

E agora, com Candy e Baby à minha disposição, dedicava-me a humilhar Camilinha como uma espécie de vingança por Analice.

Um misto de tesão e raiva se contorcia dentro de mim ao lembrar daquela garota do passado, o amor e o ódio por tudo que passei não deixariam que lidasse com Camilinha como as demais. Não, essa loirinha precisava ser ainda mais maltratada, precisava servir para alguma coisa além de sexo: ser minha vingança e minha redenção.

Por isso, quando coloquei as duas funcionárias do meu império na machosfera de quatro na cama, mantive a Camilinha ajoelhada ao lado. Enquanto alternativa de um cu para o outro, fundo e veloz, entre uma troca e outra obrigava a loira a chupar o pau.

“É pouco higiênico sair de um cu para outro sem limpar antes” – eu dizia. – “E uma funcionária obediente limpa a rola do patrão quando sai de uma bunda, para que possa foder o cu de outra vagabunda sem se preocupar com detalhes.”

Naquela noite, obriguei Camilinha a fazer de tudo comigo e as outras duas garotas. O ponto alto foi quando estava de pé com Baby e Candy ajoelhadas mamando na rola, enquanto Camilinha ficava de quatro sobre a cama logo à minha frente, chorando e bufando, com as mãos afastando suas nádegas pequenas para que eu introduzisse um consolo de cristal grande e grosso no traseiro até deixá-la arregaçada para sempre.

Depois ainda me deitei na cama e trouxe Camilinha por cima, fazendo-a sentar com o brioco no pau. Martelei sem dó nem piedade, aquilo devia estar queimando a garota por dentro, mas eu sinceramente não me importava: se ela quisesse entrar para a equipe, ia ter que dar tudo de si - e ainda agradecer pela oportunidade!

Baby e Candy vieram pelos lados e começaram a acariciá-la com as mãos deslizando por seu corpo, nos peitos siliconados, na barriguinha chapada, no grelinho eriçado e dentro da bucetinha molhada, tudo enquanto eu metia sem parar no cu da garota.

Essa loirinha nunca mais faria manha para tomar no cu, disso tinha certeza. Ao terminarmos, minha felicidade era imensa. Uma ruiva, uma morena e uma loira, todas fodidas por mim. Agora sim eu era macho pra caralho! Além do mais, ver Camilinha completamente arrasada entre os travesseiros, em meio ao torpor depois de ser abusada por aquele consolo gigante, trazia-me de volta as lembranças mais doces que possuía, de quando estive com Analice.

Na tarde em que ela me entregou seu corpo delicioso, logo após penetrá-la com uma vontade sem igual, extenuados, ríamos e sonhávamos em fugir para onde nada mais existisse além de nós dois. Queríamos ir para uma ilha, um lugar só nosso, viver juntos sem medo nem culpa, como um casal apaixonado. Até que, poucos días depois, veio a notícia que fez tudo mudar de vez: Analice estava grávida.

Merda, mal tínhamos dezoito anos, eu era um ninguém, nem tinha onde cair morto e sua família sequer sabia de minha existência. Ter aquele filho era impensável. Num estalo, lembrei-me de uns dias antes, quando Analice comentou do dinheiro escondido num cofre e da herança do avô, que os pais mantinham sob custódia até que ela tivesse vinte e um.

Naquela noite, entrei pela janela dos fundos que Analice deixou destrancada, tal como combinamos. Me esgueirei pela escuridão da casa até o quarto dos pais e vi os corpos dormindo na cama. Atrás de um quadro, usei a combinação fornecida por Analice para abrir o cofre onde encontrei o dinheiro e uma pistola, tal qual ela me dissera.

O frio do metal da arma parecia que entrava pela minha pele e gelava até os ossos da minha mão. Eu tremi, é claro, cheguei a mirar em direção à cama, mas pensar é muito diferente de fazer. Faltou coragem, não consegui dar os dois disparos.

Minha covardia calculou que a herança nem era tão necessária assim, pois havia o dinheiro do cofre. Tinha uns dois mil dólares, o suficiente para fugirmos juntos. Guardei a pistola no lugar e deixei o quarto ainda com o casal dormindo o sono dos justos. Quando voltei à penumbra da sala, o vulto de Analice me esperava, ansiosa.

– Tudo bem, amor? Deu tudo certo? Não ouvi os disparos. O que você fez?

– Eles não precisam morrer, meu anjo. Peguei o dinheiro do cofre, temos o suficiente. Vamos fugir antes que acordem!

– Você amarelou? Vai deixar eles vivos? E a herança? Se fugirmos assim, com os dois vivos, eles nunca vão entregá-la!

– Não importa, querida, a gente se vira.

– Ficou doido? Acha que vou largar tudo e fugir com você por essa mixaria?

– Analice, se acalma. Estamos fazendo muito barulho!

– Essa não, quero a minha herança! Volta lá e termina o serviço!

– O quê? Não vou matar os seus pais, não consigo!

– Merda, porque fui confiar num covarde? E pensar que fiz tudo aquilo, te acolhi, cuidei de você, me entreguei, deixei que me tocasse, que me fodesse… Que nojo!

– Nojo? Põe a cabeça no lugar, garota! Vamos pra um lugar onde ninguém nos conheça, como sonhamos, viver sossegados, ter nosso filho, formar uma família de verdade!

– Filho? Sossego? Se liga garoto, quero ser influenciadora, a maior de todas que jamais existiu! Preciso de muita grana pra isso!

– Como assim? Você falou que estava grávida, daí bolei esse plano e… – Nesse momento, Analice gargalhou alto na minha frente.

– Eu nunca estive grávida e você não planejou porra nenhuma! Te fiz acreditar nisso tudo só pra conseguir realizar meu sonho! Até parece que vou fugir com você!

– Mas… Então era tudo mentira? Você nunca quis fugir comigo?

Ela nem conseguiu responder. O pai tinha despertado com a gritaria, achou que havia ladrões na sala, pegou a pistola e desceu as escadas disparando. A cabeça de Analice estourou bem na minha frente, esparramando seus restos no meu rosto. Queria abraçá-la, queria segurá-la uma vez mais que fosse, mas os disparos continuavam zunindo à minha volta.

Minha cabeça rodava, oscilando entre o desespero e a decepção. Analice foi falsa comigo, me usou, e mesmo assim a amava. E tudo por causa daquela sua maldita obsessão em ser influenciadora! Meu primeiro amor, a única pessoa que parecia se importar comigo, estava morta. Se não houvesse sido covarde, se tivesse assassinado seus pais como ela queria, nós até poderíamos ter um futuro juntos, ainda que não fosse como sonhava. Mas agora, tudo estava definitivamente perdido.

Antes que o pai de Analice me visse, fugi até a igreja do bairro para buscar abrigo, mas o padre se assustou. Era meio da madrugada, tinha miolos espalhados no cabelo e o rosto sujo de sangue, além de não conseguir explicar o que havia acontecido. Quando o clérigo mandou que me sentasse para esperarmos pela polícia, fugi de novo. A polícia podia ser qualquer coisa, menos a solução para aquilo.

Corri sem destino até minhas pernas falharem, fui dar na rodoviária e terminei apagando sentado num banco, exausto e confuso. E foi justamente quando adormeci que o Estrela da Manhã me falou. Em meio à névoa, sua silhueta nebulosa tinha uma voz suave que transmitia tranquilidade em meio à confusão daquela noite. Suas palavras soavam como um esteio e, rapidamente, me agarrei a elas.

Quando acordei, não sabia precisar se fora um sonho, uma sugestão ou um plano extremamente detalhado sobre como superar aquela situação. O fato é que me sentia renovado e, pela primeira vez na vida, com um objetivo muito claro à minha frente.

Senti o maço de dinheiro roubado do cofre no bolso e, sem nem tomar um café, entrei em ação. Ali mesmo, comprei um telefone e uma passagem para a capital num transporte que saía em quinze minutos. Durante a viagem, abri minha primeira rede social com o nome que usaria dali pra frente: Haroldo Santana, o HS.

Quando desci do ônibus, minha primeira postagem falando sobre como o sistema ajudava as mulheres a manipular os homens e instigando os machos de verdade a ajudarem os demais a virar a própria mesa já tinha centenas de curtidas. Como num passe de mágica, ao final daquele dia minha conta possuía mais de duzentos seguidores. E isso foi só o início para que me tornasse grande, muito grande.

Em oito anos, HS já era considerado o maior influenciador da machosfera, dirigindo uma Lamborghini e com um rolex dourado na coleção de relógios de grife. Os patrocinadores vinham aos montes, o dinheiro fluía sem parar e, com ele, todas as mulheres que desejasse. A marca HS tornou-se um fenômeno e, sem modéstia, posso dizer que tirei milhares de seguidores da mediocridade ensinando-os como se trata uma vagabunda sem ter que submeter-se nem a elas nem a ninguém.

Fui bruto e impositivo na minha carreira? Com certeza, as vadias gostam de ser tratadas assim, dá um tremendo tesão nelas saber que serão dominadas por um macho alpha sem piedade.

Agi contra a vontade delas? Obriguei alguma vadia a fazer o que não queria? Seguramente que não, aquele joguinho todo de se fazerem de manhosas e coitadinhas era parte da dança, quando na verdade as mulheres vinham e voltavam para tomar mais rola do que já tinham levado. Não importa como fizesse, ou o quê exigisse de seus corpos, elas sempre retornavam para mim.

Mulher é tudo igual, se fazem de princesas, ou de pobrezinhas, mas na verdade só querem aproveitar-se da sua masculinidade, tal como Analice fizera comigo. Esse mimimi todo de autoafirmação, direitos iguais e libertação feminina é só parte do sistema que criaram para nos manter cegos. Macho de verdade não se deixa enganar com essas bobagens.

As candidatas a influenciadoras, então, são as piores na arte de dissimular sucesso e tentar se impor – e por isso sempre lhes dedico atenção especial, levando-as para a cama e fazendo-as ver que a única razão de existirem é servir a um homem como eu, que saiba dar-lhes o que há de melhor e fodê-las como verdadeiras putas, em troca do que possuem de mais precioso: sua exclusividade absoluta.

Não vou ser repetitivo. Se quiserem saber quem me tornei e o que sou capaz de fazer, que se dêem ao trabalho de ler este diário. Nele estão os meus feitos e a minha doutrina, para quem quiser aprender. O que não está escrito aqui é o real motivo porque decidi construir este lugar na Ilha Grande. Eu sabia que algum dia a conta vinha, que o Estrela da Manhã não me dava tudo a troco de nada, e imaginei o que faria quando o momento chegasse: precisava de um refúgio, um lugar assim, longe de tudo e de todos, tal como sonhei com Analice.

Cuidei de cada detalhe, desde o projeto até a obra. O ponto alto é a torre em forma de farol, representando o brilho que o “Estrela da Manhã” lança sobre o mundo e a iluminação verdadeira que se alcança quando se pode ver tudo com clareza: livre do sistema que nos aprisiona, longe das artimanhas e enganações femininas, os homens nasceram para reinar livremente e dominar tudo ao redor. Assim foi, assim é, e assim sempre será.

Só não imaginei que o tal dia chegasse muito antes de conseguir terminar esta obra. No momento que despertei da noite extenuante com Baby e Candy, notei a ausência de Camilinha e fui até o banheiro procurá-la, quando vi no espelho escrito com batom: “Tchau trouxa, foi bom”.

Imediatamente entendi que a coisa ia desandar. Pode haver sido minha intuição masculina, ou quem sabe uma sugestão soprada em meus ouvidos por Ele, mas peguei umas poucas coisas, enfiei na mochila e fugi logo em seguida. Na rodoviária, só pensava em chegar ao meu refúgio, quando vi no telefone as notícias de que estava sendo procurado.

O velho padre da igreja que procurei para abrigar-me logo após a morte de Analice dava depoimentos, dizendo que sempre acreditou que aquele menino criado nas ruas do bairro se tornaria um marginal, pois minha má índole já era perceptível em meu rosto desde que começara a caminhar - e acrescentando que essa era a provável razão por minha mãe ter me abandonado.

Depois, Camilinha aparecia contando como usou um consolo para me enganar e conseguir a impressão dos dedos do assassino de sua irmã, Analice, anos atrás. A principal prova do crime eram minhas digitais na arma do crime, e só não haviam me capturado ainda porque tanto minha identidade como meu paradeiro eram desconhecidos.

Sim, o Estrela da Manhã usou um padre e uma garota de ar inocente para cobrar seu preço, não existe impunidade, ou quase isso, porque afinal estou aqui, condenado por mim mesmo ao exílio, mas livre. Minha maior dor é que não haverão mais redes sociais, nem seguidores, nem contratos milionários. Não usarei mais a Lamborghini nem o Rolex dourado, muito menos os ternos bem cortados com camisa aberta no peito.

Que ironia, fiz sucesso manipulando a cabeça dos homens e difamando as mulheres, vendendo mentiras para o mundo e fodendo todas as fêmeas que cediam aos meus apelos, e no final estava sendo procurado pelo único crime que não cometi. Meu império ruiu. Terminaram-se as noites junto a garotas fantásticas, sem Babys, Candys ou Camilinhas. Haroldo Santana, o HS, mito da machosfera, está morto e enterrado para o mundo.

Agora somos só eu, o farol e minhas memórias, que registro neste diário para a posteridade.

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Este conto é o final da série “Macho pra Caralho!” e foi escrito para o desafio pirata 3: escritores, com base no livro “Diário do Farol” de João Ubaldo Ribeiro. O protagonista da história original é um dos personagens mais perversos que já li, e isso é o que me impressiona no livro. Se quiserem saber quem foi o HS e o que ele era capaz de fazer, leiam qualquer capítulo da série, como ele mesmo recomendou!

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Comentários

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HS merece perdão? NÂO... Mas vamos lá...

A história me tocou, me fez pensar em quantos HSs não conheci na vida, o cara se fudeu e se fudeu pra caralho, mas... Nem todos... Nem sempre... As vezes a vida nos empurra para esse lado.

Mas quem sabe, um dia a verdade aparece e a Camilinha descobre seus verdadeiros vilões, imagino que se um dia isso acontecer, ela jamais de forma alguma se perdoaria, não pelo que fez com o HS, vamos lá, ele humilhou ela e mereceu, mas por não ter ido atrás dos verdadeiros culpados antes.

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Excelente ponto, Dani. E se Camilinha estivesse apenas encobrindo os vilões ( seu pai)? Não tinha pensado nessa possibilidade, senão us a no conto, kkkk

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Seria interessante mas por outro lado perderia o impacto da injustiça.

Por que se ela soubesse e só estivesse encobrindo o pai, seria só alguém sendo escroto com um escroto.

Mas se existe a possibilidade dela não saber, o que temos é a ideia de como a vingança é cega, por que ela destruiu a “pessoa errada” e passou por tudo isso, por nada, por que o assassino está na casa dela.

Ao mesmo tempo o HS em auto-exílio pelo crime que não foi dele, se torna algo kármico.

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Eu acho que o dinheiro do pai já encobriu o pai já anos atrás, por isso só tem a digital do HS no registro de ocorrência.

Ela só está tão cega pela vingança, que ser humilhada, machucada, ter o cu lacerado ao ponto de desmaiar, foi um preço que ela aceitou pagar…

Por outro lado de uma forma cármica HS teve sua “vingança” conta Analice e família, já que o alvo de seu ódio na cama com um consolo monstruoso e humilhacões exageradas era a irmã mais nova da causadora de tudo, se mesclando a imagem da irmã de propósito.

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Esse link da série com a obra do João Ubaldo me fez ver a série e o HS de maneira diferente.

Essa questão de pessoas q sofrem violência e criam uma visão distorcida de realidade, para própria defesa/proteção, e acabam por replicar a violência q receberam. Isso da muito o que pensar pra discutir sobre moralidade e justiça.

Muito bom o final.

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Nem, a tentativa era humanizar o HS, sem que ele perdesse sua essência “escrota”, rs

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