No Off — Parte 1: O Alto dos Pinheiros

Um conto erótico de Marcos
Categoria: Heterossexual
Contém 907 palavras
Data: 22/05/2026 14:53:45

A mensagem chegou sem aviso. "Desce. Tô na rua." Olhei pro celular e fiquei parado por um segundo porque era André, o marido da Camila, minha amiga de anos, e ele não tinha motivo nenhum pra estar estacionado lá fora mandando mensagem pra mim às dez da noite. Mas eu sabia que tinha. A gente sabia faz tempo, os dois, mesmo sem nunca ter dito nada em voz alta. Desci.

Ele estava no carro com o motor ligado e quando me viu atravessando a rua aqueles olhos fortes me acompanharam até a porta com uma expressão que eu nunca tinha visto nele — nervoso, curioso, tenso do jeito de quem tá prestes a fazer alguma coisa que não tem como voltar atrás. Entrei e fechei a porta e ele arrancou sem falar nada, as mãos grandes no volante, as veias grossas e saltadas nas costas das mãos visíveis mesmo no escuro, e eu fiquei quieto deixando ele processar o que ele mesmo tinha iniciado. O cheiro adocicado que saía dele chegava até mim no espaço fechado do carro e eu respirei fundo e olhei pro lado de fora fingindo calma que eu não tinha.

O Alto dos Pinheiros ficava a quinze minutos. Ele não falou nada no caminho inteiro, a mandíbula travada, a respiração um pouco mais pesada que o normal, e eu deixei o silêncio trabalhar porque sabia que ele precisava chegar lá por conta própria. Quando parou o carro entre as árvores e desligou o motor e a escuridão engoliu tudo, ele ficou com as mãos ainda no volante olhando pra frente e eu me virei pra ele e esperei.

— Eu não sei o que tô fazendo aqui — ele disse baixo.

— Sabe sim — respondi.

Ele fechou os olhos por um segundo e quando abriu me olhou de frente pela primeira vez desde que eu tinha entrado no carro. Tinha medo naqueles olhos mas tinha outra coisa também, uma coisa mais forte que o medo, e eu me inclinei devagar na direção dele sem tirar os olhos dos dele e quando a distância ficou pequena demais ele não recuou. Peguei o queixo dele com a mão, firme, e senti ele tremer levemente sob os meus dedos antes de eu encostrar a boca na dele.

Ele ficou rígido no primeiro segundo, a tensão de um homem que nunca tinha feito isso, e eu não forcei, só fiquei ali pressionando devagar, dando tempo, e quando ele cedeu foi de uma vez — a mão dele veio pro meu peito, depois pro meu ombro, apertando forte como se precisasse de algo pra segurar, e ele beijou de volta com aquela urgência desajeitada de quem não sabe bem o que tá fazendo mas o corpo sabe muito bem. Eu aprofundei o beijo com calma e ele gemeu baixinho dentro da minha boca e aquele som me atravessou do peito até a barriga.

Puxei ele pela gola da camisa e ele veio sem resistir, os dois nos ajeitando no espaço pequeno do carro, e quando passei a mão pelo peito dele por cima da camisa ele travou de novo por um segundo e respirou fundo pelo nariz. — Marcos — ele disse, só o meu nome, como se fosse uma pergunta e uma resposta ao mesmo tempo. Desabotoei a camisa dele devagar, botão por botão, olhando pra ele o tempo todo, e ele me deixou, os olhos arregalados e escuros, a respiração saindo irregular. Quando abri a camisa e passei a palma da mão pelo peito quente dele ele jogou a cabeça pra trás e fechou os olhos e eu soube que era meu.

Puxei ele pelo pescoço e fui com a boca pela mandíbula dele, pelo pescoço, e senti o pulso acelerado batendo sob os meus lábios enquanto as mãos cheias de veias dele me agarravam pelos ombros cada vez mais forte. Ele estava tremendo de um jeito que não era de frio e eu gostei disso, gostei de cada segundo daquele homem grande e tenso desmontando nas minhas mãos dentro do próprio carro no escuro entre as árvores. Passei a mão pelo abdômen dele e fui descendo devagar e quando cheguei na fivela do cinto ele segurou meu pulso — não pra parar, só o reflexo de quem nunca chegou até aqui — e eu parei, olhei pra ele e perguntei baixinho se queria que eu parasse. Ele ficou me olhando por três segundos que pareceram muito mais e soltou meu pulso.

O que aconteceu depois foi lento e sem pressa porque eu queria que ele sentisse cada detalhe, cada centímetro, cada coisa nova que o corpo dele estava descobrindo pela primeira vez. Ele gemeu abafado com a mão sobre a própria boca num reflexo automático de quem ainda não sabe que não precisa se esconder, e eu tirei a mão dele da boca e segurei pelo pulso acima da cabeça e disse que não precisava se calar, que não tinha ninguém ali. Ele me olhou com aqueles olhos fortes completamente abertos e gemeu de novo, dessa vez sem esconder, e o som saiu rouco e perdido e honesto do jeito que só sai quando é a primeira vez de verdade.

Lá fora as árvores ficavam quietas e a cidade existia em algum lugar longe dali. A Camila estava em algum apartamento sem saber de nada. E dentro daquele carro no Alto dos Pinheiros, André descobriu uma coisa sobre si mesmo que não tinha como desaprender — e eu fui o primeiro a saber antes dele.

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