Só Um Pouco Hétero - Capítulo Seis

Um conto erótico de M.K. Mander
Categoria: Gay
Contém 3499 palavras
Data: 23/05/2026 00:15:01
Assuntos: Gay, Homossexual, Sexo

Capítulo 6

As meninas pegaram no sono às nove da noite, logo após Shawn voltar do trabalho.

Depois disso, Shawn passou uma hora tentando fazer o apartamento simplório parecer minimamente apresentável. Por fim, desistiu, aceitando que era uma causa perdida, e tomou um banho rápido. Vestindo um short azul velho, Shawn estava se secando quando ouviu uma batida suave na porta.

Descalço, Shawn foi na ponta dos pés até a porta e a abriu.

O olhar de Rutledge desceu imediatamente para o seu peito nu, seus mamilos, seu umbigo, antes de se fixar no short que descansava baixo em seus quadris.

Shawn limpou a garganta baixinho e Rutledge olhou para o seu rosto. Na penumbra do ambiente, era difícil decifrar sua expressão. Shawn pressionou um dedo contra os lábios e apontou para a cama das meninas.

Rutledge assentiu bruscamente.

Shawn pegou sua mão, puxou-o para dentro e trancou a porta. Então, conduziu Rutledge para o seu quarto.

Era o único quarto do apartamento. Quando se mudaram, Shawn pretendia que fosse o quarto das crianças, mas era frio e úmido, então ele acabou ficando ali. O cômodo também era pequeno e desprovido de qualquer móvel além da cama estreita e de sua mesa de estudos. Shawn teria se sentido mais envergonhado se Rutledge estivesse realmente olhando ao redor, mas ele não parecia interessado no ambiente enquanto fechava a porta silenciosamente e encarava Shawn sob a luz fraca do abajur.

Rutledge começou a se despir em silêncio.

O coração de Shawn batia rápido e ele conseguia ouvir a própria respiração, irregular e trêmula. Ele ficou imóvel e observou, a pele quente, o pau duro e pesado dentro do short.

Finalmente, Rutledge estava nu. Parecendo completamente desibido, ele caminhou até a cama, sentou-se e deu um tapinha no joelho; a tensão emanava dele em ondas. Sua ereção se erguia longa e grossa em meio aos pelos escuros na virilha.

Shawn desviou o olhar, deslizou para fora do short e aproximou-se de Rutledge. Ele hesitou.

Com os olhos semicerrados, Rutledge agarrou seu braço e o puxou para o seu colo. O resto foi um borrão de beijos ardentes, toques e muita pele. Shawn nunca se sentira tão fora de controle de desejo, incapaz de pensar, incapaz de fazer qualquer coisa além de sentir e querer.

Quando ele finalmente afundou no pau lubrificado de Rutledge, o alívio profundo foi avassalador. Ele gemeu. A sensação de preenchimento, a intimidade, era enlouquecedora e assustadora em sua intensidade. Rutledge rosnou, puxando Shawn para mais perto, os peitos colados um contra o outro.

Olhando naqueles olhos escuros, Shawn se moveu. Era excitante demais ver os olhos de Rutledge se fecharem pela metade, a maneira como sua cabeça se inclinava para trás.

Shawn abriu as pernas um pouco mais, ajustando a postura enquanto o recebia profundo e suave; a extensão quente de seu professor o queimava de dentro para fora. Ele olhou para baixo, entre seus corpos, fascinado pelo movimento de seus próprios quadris. Ele via as mãos de Rutledge — grandes, quentes e fortes em seus quadris — direcionando o movimento conforme ele queria, guiando Shawn enquanto ele cavalgava, enquanto o próprio pau de Shawn permanecia intocado entre eles; estava vermelho e grosso, com a umidade brilhando e escorrendo pelo corpo do membro.

Os polegares de Rutledge acariciavam seus ossos ilíacos sem pensar, sua língua traçando uma trilha úmida em seu pescoço enquanto seu pau alargava Shawn de um jeito bom demais. Engolindo os gemidos, Shawn empurrou para baixo para aumentar a pressão e recebê-lo totalmente. A sensação do abdômen rígido de Rutledge deslizando contra a carne sensível de seu próprio pau fez Shawn ganir, e ele apertou os ombros de Rutledge um pouco mais forte conforme abandonava as rotações pélvicas e começava a deslizar para cima e para baixo no pau de Rutledge, firme e rápido, querendo mais, mais fundo, mais.

Nenhum dos dois conseguia respirar direito e ambos precisavam de tudo mais forte e mais rápido; logo Rutledge estava chocando seus quadris contra os de Shawn a cada estocada, e Shawn arquejava toda vez que Rutledge atingia sua próstata, faíscas brilhando atrás de seus olhos. Rutledge rosnava, seus músculos trabalhando enquanto ele erguia Shawn e o baixava sobre seu pau e, porra, a força dele era um tesão absurdo, e Shawn o queria, o queria, o queria.

Rutledge veio primeiro, e Shawn o seguiu logo depois, tremendo durante o orgasmo e cravando os dentes no ombro de Rutledge para abafar seus gemidos.

Shawn só teve uma consciência vaga de Rutledge o levantando e o deitando de costas: suas pálpebras ficaram pesadas, seu corpo lânguido de prazer.

Pouco antes de cair no sono, ele percebeu que não haviam trocado uma única palavra desde que Rutledge entrara no apartamento.

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Shawn acordou lentamente, e a primeira coisa que registrou foi um corpo muito nu e muito quente contra suas costas. Rutledge. Eles estavam de conchinha. Rutledge estava abraçado a ele por trás.

Dizendo a si mesmo para não ser bobo — a cama era apenas muito estreita e simplesmente não havia muito espaço —, Shawn abriu os olhos, piscando sonolento. E deparou-se com duas garotinhas encarando-os com curiosidade.

— O Shawn acordou — Bee sussurrou, chupando o polegar. — Já posso fazer barulho? Emily balançou a cabeça. — O Sr. Rutledge ainda está dormindo. Um pequeno vinco apareceu entre as sobrancelhas de Bee. — Mas o que o Sr. Rutledge está fazendo na cama do Shawn? — Ele está dormindo, boba! — Emily disse, esquecendo-se de sussurrar.

Shawn sentiu o homem atrás dele se mexer levemente e apertar o braço em volta de sua cintura. Rutledge murmurou algo ininteligível, os lábios roçando a orelha de Shawn. Shawn fez uma careta e puxou os lençóis para mais alto, garantindo que as meninas não vissem nada que não devessem.

Bee apontou para Rutledge. — Você me mandou ficar quieta, mas viu? Você acordou ele! — Ela sorriu radiante. — Bom dia, Sr. Rutledge! — Bom dia — disse Rutledge com a voz rouca, bem no ouvido de Shawn.

Arrepios cobriram a pele de Shawn. Ele apertou os olhos e mordeu o lábio. Controle-se. — Bom dia — disse ele finalmente, virando a cabeça.

Era estranho ver o cabelo de Rutledge tão bagunçado, mas isso, somado à barba por fazer e a toda aquela pele nua, causava coisas estranhas no interior de Shawn. Os olhos escuros de Rutledge percorreram o rosto dele. Shawn não sabia como agir. Não sabia em que pé estavam.

— Por que o Sr. Rutledge dormiu na sua cama? — Bee perguntou. — Ele não tem cama? Os lábios de Rutledge se curvaram. — Algo assim, nanica — disse ele, ainda olhando para Shawn. — Não a chame de nanica. — Eu não me importo — disse Bee. — Eu sou baixinha! — Ela não se importa — disse Rutledge.

Bufando, Shawn alcançou seus shorts e os vestiu, estremecendo um pouco pelo desconforto. — Dolorido? — Rutledge murmurou, sentando-se também. Shawn saltou da cama e lançou-lhe um olhar de soslaio. O rosto de Rutledge estava quase impenetrável, mas havia um brilho de algo em seus olhos...

— Tire esse sorriso convencido da cara — disse Shawn, olhando para o relógio na parede. — Você não tem uma aula para dar daqui a pouco? — Tenho — disse Rutledge, saindo da cama. Ele parecia tão fora de lugar no quarto pequeno e gasto de Shawn que chegava a ser bizarro.

Shawn desviou o olhar, pegou as meninas e as tirou do quarto. Não seja ridículo, disse a si mesmo. Foi apenas sexo. Sim, sexo com outro homem — sexo com seu professor —, mas apenas sexo. Ele não tinha motivos para se sentir perturbado. Eram adultos, tinham desejado um ao outro e transado para saciar a vontade. Simples. Nada de complicado nisso. Não precisava ser complicado.

Shawn ainda estava repetindo isso para si mesmo enquanto preparava o café da manhã para as crianças quando a campainha tocou. Ele foi abrir. — Bom dia! — disse a Sra. Hawkins, passando por ele. — Bom dia, meninas. — Bom dia, Sra. Hawk — disseram as gêmeas em uníssono. — Elas já comeram? — a Sra. Hawkins perguntou a Shawn. — Não, eu ia alimentá-las agora, mas estou um pouco atrasado e agradeceria muito se você...

Ela o interrompeu com um gesto. — Claro, vá tomar banho. Eu cuido disso... Rutledge saiu do quarto de Shawn, vestindo o paletó. O cabelo ainda estava úmido do banho.

A Sra. Hawkins ficou paralisada, encarando-o. Então, o olhar dela se voltou para Shawn. Shawn sentiu o rubor subir pelo rosto. Não era preciso ser um gênio para adivinhar o que eles tinham feito na noite anterior. Os lábios da Sra. Hawkins se comprimiram em uma linha reta. Sem dizer uma palavra, ela assentiu rigidamente na direção de Rutledge, pegou as meninas e as levou para a cozinha.

Shawn piscou, olhando para as costas dela. Apenas algumas semanas atrás, a Sra. Hawkins lhe dissera para "viver um pouco e arranjar uma namorada", mas aparentemente aquilo era um problema para ela. Que inferno. Sua vida sexual não era da conta dela.

— Encontre outra babá para as crianças se não quiser que elas cresçam com a mente fechada. — Rutledge dirigiu-se à porta. — Preciso ir. Tenho que me trocar antes do trabalho.

Shawn hesitou antes de segui-lo até a porta. Era impressão sua ou Rutledge estava realmente evitando olhá-lo nos olhos? — Ok — disse Shawn, forçando indiferença na voz. — A gente se vê por aí, suponho.

Rutledge paralisou antes de virar a cabeça para ele. Um segundo se passou. Rutledge esticou a mão, enganchou os dedos no cós dos shorts de Shawn e o puxou para perto. Ele inclinou a cabeça e pressionou o nariz contra a lateral do pescoço de Shawn antes de sugar a pele com força. Shawn arquejou com a mistura de dor e prazer.

Num piscar de olhos, Rutledge se fora, e Shawn ficou encarando o espaço vazio que ele ocupara um momento antes. O que aquilo deveria significar?

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— E então? — Christian disse quando Shawn se sentou ao lado dele algumas horas depois. Afundando no assento, Shawn olhou para as próprias mãos sobre o abdômen. — O quê? — Vocês... você sabe? — A curiosidade era clara na voz do amigo. Shawn assentiu. — Sim — murmurou. — Eu dei para ele de novo. — E agora? Você o tirou do sistema? Shawn disse: — Com certeza.

E então Rutledge entrou na sala de aula. Como sempre, o silêncio foi instantâneo. Rutledge caminhou até sua mesa, vestido em um impecável terno de três peças escuro que abraçava sua estrutura muscular. Sua mandíbula forte estava perfeitamente barbeada... — É, totalmente fora do sistema — Christian murmurou.

Shawn corou e desviou o olhar. — Eu estou. — Claro que está. Mas limpe essa baba do rosto. Sério, você está me assustando. É o Rutledge. O cara é um completo idiota, não tem senso de humor, não tem coração... e nem é bonito para compensar a personalidade. — Ele é bonito — Shawn resmungou. — Não é. Tudo bem, ele tem um ótimo corpo e confiança, mas o nariz dele é muito grande e os olhos dele são cruéis. — Christian sorriu maliciosamente. — A menos que você curta esse tipo de coisa, suponho.

Shawn revirou os olhos e, sem querer, cruzou o olhar com o de Rutledge. De repente, Shawn pôde sentir agudamente o chupão escondido pela gola alta, os hematomas nas coxas, a sensibilidade no traseiro. Rutledge desviou o olhar e limpou a garganta.

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— Olha, ele veio buscar a Mila de novo — Christian murmurou, indicando com a cabeça enquanto atravessavam o estacionamento após as aulas. — Viu? Não sou o único que fica encarando.

Shawn seguiu o olhar de Christian. Com certeza, havia um homem encostado em um Lexus branco e, sim, ele estava atraindo bastante atenção. O cara nem parecia ciente de todos os alunos o encarando, parecendo entediado e consultando o relógio de tempos em tempos. — Caramba, ele é tão lindo — disse Christian.

Shawn observou o homem criticamente. Ele era, de fato, surpreendentemente bonito: alto, de cabelos escuros, com feições fortes e classicamente belas, uma boca firme e sensual e olhos de um azul profundo marcante. Sim, Shawn entendia por que Christian se sentia atraído, embora o sujeito parecesse o oposto completo de Christian: todo abotoado, sério e comportado.

— Não sei, cara — disse Shawn. — Parece que ele tem um cabo de vassoura enfiado no rabo. Christian mexeu as sobrancelhas. — Acredite em mim, caras assim costumam ser os melhores na cama — feticistas e intensos. — Ele suspirou. — Droga, por que todos os caras gatos são héteros? É tão injusto.

Shawn soltou um riso anasalado e deu um tapinha no ombro dele. — Pelo menos você vai vê-lo pelado este fim de semana. Christian fez uma careta. — Tipo uma criança olhando a vitrine de uma loja de doces.

Shawn abriu a boca para falar, mas a fechou quando um Mercedes preto familiar parou na frente deles. A porta se abriu. — Entre — disse Rutledge, sem sequer olhar para ele. Parecia estar fazendo algo extremamente desagradável.

— Não, obrigado, vou pegar o ônibus — disse Shawn.

— Entre — Rutledge repetiu.

Shawn olhou ao redor. Eles estavam atraindo muitos olhares curiosos. Merda. Ele deu de ombros para Christian e entrou no carro. Rutledge pisou fundo no acelerador.

— Você ficou louco? Todo mundo viu a gente! Rutledge ficou em silêncio, dirigindo a uma velocidade alucinante.

— É assim que começam boatos horríveis! Rutledge não disse nada. — Para de me ignorar, porra!

Rutledge pisou no freio com tudo. Antes que Shawn percebesse, os lábios de Rutledge estavam nos seus e a língua dele estava em sua boca. Shawn gemeu e retribuiu o beijo, enterrando as mãos no cabelo espesso de Rutledge.

Oh Deus, oh Deus, Deus...

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As semanas seguintes passaram como um borrão.

Todas as noites, Rutledge ia à sua casa e eles passavam horas na cama, fazendo sexo até ficarem completamente exaustos e caírem no sono emaranhados um no outro. Às vezes, eles se esbarravam nos corredores da universidade, ou Shawn ia até o escritório de Rutledge, montava em seu colo e eles...

Era loucura. Era insanidade. Shawn não conseguia tirar as mãos dele; era como se não tivesse controle algum sobre o próprio corpo. Ele se sentia estranho com o próprio comportamento insaciável; nunca tinha agido assim antes. E a coisa estava piorando. Não importava quantas vezes transassem, não importava quantos orgasmos ele tivesse, ele queria constantemente mais, mais e mais de Derek, mas nunca era o suficiente.

Derek.

Esse era outro ponto que incomodava Shawn. Ultimamente, ele se pegava pensando em Rutledge como "Derek" com uma frequência muito maior do que gostaria. E para piorar, Shawn não tinha tanta certeza de que era apenas sexo o que ele queria. Ele gostava de beijar Rutledge demais. Mas a parte após o sexo era a pior. Rutledge beijava seu rosto e seu pescoço, de forma suave e preguiçosa, e Shawn se sentia bem, acolhido...

Exatamente como estava se sentindo naquele momento, enquanto Rutledge roçava o nariz na sua nuca.

— Deus, sai daqui — Shawn gemeu contra o travesseiro, com a voz ainda rouca por causa do boquete que dera em Rutledge mais cedo. — Eu tenho o turno da noite hoje. Preciso estar no trabalho em menos de duas horas, e vai levar uma eternidade para chegar lá. — Ele fez uma careta com o pensamento. Odiava os turnos da noite, odiava quando era enviado para o restaurante do outro lado da cidade e odiava deixar as gêmeas com a Sra. Hawkins durante a noite toda.

Rutledge não se moveu, seu corpo grande ainda espalhado sobre as costas de Shawn. Ele era pesado demais e estava ficando difícil respirar, mas Shawn percebeu que não se importava tanto assim.

— Eu também preciso ir — disse Rutledge contra o seu pescoço, dando um beijo ali. — Tenho centenas de trabalhos para corrigir.

— Já corrigiu o meu?

— Sim.

— E? — O estômago de Shawn apertou enquanto esperava pela resposta. Ele tinha se esforçado tanto naquele trabalho.

— Foi aceitável — disse Rutledge. — Nota C.

Shawn murchou. — Ah.

Os lábios de Rutledge pararam contra sua nuca. Então, ele virou Shawn de frente e apoiou-se nos cotovelos sobre ele. Seus olhos escuros estudaram o rosto de Shawn.

— Você está... chateado?

— Não — disse Shawn com leveza, soltando uma risada curta e desviando o olhar. — Eu só... eu só queria ter ido melhor. Para calar a boca das pessoas que espalham boatos sobre nós.

— Se você tivesse tirado uma nota melhor, isso só teria piorado as coisas.

— Talvez. Mas — eu só queria muito ter ido melhor.

Rutledge segurou o queixo dele com os dedos e forçou Shawn a olhá-lo. Ele tinha uma expressão estranha no rosto: irritação misturada com algo mais.

— Você foi melhor — disse ele com rispidez. — Eu esperava algo pior.

Shawn bufou, balançando a cabeça. — Obrigado. Eu acho.

Rutledge o encarou com o mesmo olhar vagamente irritado antes de se inclinar e beijá-lo. Shawn não tinha certeza de como passaram do beijo para Rutledge tentando empurrar o pau para dentro dele — de novo.

— Você só pode estar brincando comigo — disse Shawn, entre uma risada e um gemido. — Eu estou dolorido.

— Só mais uma vez — disse Rutledge, conseguindo soar resignado e desesperado ao mesmo tempo. — Vou ser gentil.

— Foi o que você disse da última vez — retrucou Shawn, mas, para falar a verdade, ele não se importava. Estava dolorido, mas, meu Deus, ele o queria.

— Eu fui gentil — disse Rutledge, com os quadris balançando suavemente contra ele. — Até você me implorar para te foder com mais força.

— Eu não implorei.

Rutledge apenas bufou.

— Cala a boca — disse Shawn, tentando manter os quadris parados — tentando esconder de Rutledge o quanto estava gostando da sensação daquele pau fundo dentro dele. Ele mordeu o lábio para engolir os gemidos. Era realmente embaraçoso: o pau de Rutledge nem estava roçando sua próstata, mas ele estava amando a plenitude incrível e a intimidade inebriante de ter outra pessoa — Derek — dentro dele, sobre ele, ao redor dele; o corpo pesado de Derek o pressionando contra o colchão, cercando-o...

— Você não precisa ir — disse Rutledge em seu ouvido, arquejando levemente enquanto os quadris balançavam.

— O quê? — Shawn conseguiu articular.

— Você não precisa trabalhar lá. — Uma estocada profunda. — Eu pago...

— Nem comece.

— Você já aceitou dinheiro antes — disse Rutledge, atingindo sua próstata, repetidamente.

— Não. — Shawn apertou os lençóis com os punhos. Era demais. — Sensível demais. — Ele tentou se lembrar do que estavam falando. — Você sabe que era diferente antes.

Os quadris de Rutledge pararam, fazendo Shawn ganir de frustração.

— Como era diferente? — Rutledge perguntou com uma voz estranha.

Shawn piscou, atordoado. Era a primeira vez que eles falavam, mesmo que remotamente, sobre o que havia entre eles.

— Eu te dava boquetes porque precisava de dinheiro — disse ele em voz baixa. — Eu te fodo porque eu quero.

— O quê?

— Porque eu quero você.

Silêncio.

Shawn sentiu o rosto arder e disse a si mesmo para não ser bobo. Não era como se tivesse dito algo que Rutledge não pudesse adivinhar: era flagrantemente óbvio que eles se queriam. Mas nunca tinham dito isso em voz alta.

— O quê? — perguntou ele, um pouco defensivo.

Soltando um ruído baixo na garganta, Rutledge o beijou novamente e, mudando o ângulo, estabeleceu um ritmo constante e imensamente satisfatório.

— Está bom? — Rutledge perguntou rouco entre as estocadas.

— Sim. — Shawn não conseguia evitar que pequenos gemidos escapassem de seus lábios. — Tão bom.

Seus gemidos foram ficando progressivamente mais altos a cada investida, suas bolas encolhendo conforme o orgasmo se aproximava.

— Sim, é isso — disse Rutledge em seu ouvido, beijando-o. — Quero você. — Ele pressionou beijos úmidos e quentes por todo o pescoço de Shawn, suas estocadas perdendo o ritmo, mas não a força.

— Quero você — disse ele novamente, com o tom de voz de alguma forma diferente.

Uma onda de prazer atingiu Shawn com força, e ele gozou com um gemido, o corpo inteiro tremendo. Deus.

Ele só teve uma consciência vaga de Rutledge estocando dentro dele por mais um tempo antes de finalmente ficar imóvel sobre ele. Então, para sua decepção e alívio, Rutledge se retirou e rolou para o lado.

Abrindo os olhos, Shawn virou a cabeça. Rutledge estava deitado de costas, com os olhos bem abertos. Seu rosto estava um pouco corado, o peito subindo e descendo, mas ele estava longe de estar relaxado. Havia um pequeno franzir de testa em seu rosto, os lábios comprimidos em uma linha fina.

Por fim, Rutledge levantou-se da cama, livrou-se do preservativo e começou a se vestir.

Shawn sentou-se, observando os ombros tensos de Rutledge.

— Pode me dar uma carona para o trabalho?

As mãos de Rutledge pararam nos botões da camisa. Shawn não tinha certeza de por que havia perguntado. Sabia que a casa de Rutledge ficava em uma parte completamente diferente da cidade. Simplesmente não era prático para ele dar uma carona a Shawn se tinha tanto trabalho esperando por ele em casa — ele perderia horas fazendo isso.

Sério, por que ele tinha perguntado? Foi estúpido. Shawn alongou os músculos doloridos, tentando relaxar a nuca.

— Sim — disse Rutledge secamente, desviando o olhar novamente. — Vista-se.

Shawn o estudou por um momento. Saiu da cama e caminhou até ele.

— Tudo bem se você não quiser — disse ele, terminando de abotoar o restante dos botões da camisa de Rutledge.

Rutledge olhou para os dedos de Shawn, com a expressão sombria.

— Eu quero.

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