A Vingança do Nerd - Prólogo

Um conto erótico de HDNA
Categoria: Gay
Contém 541 palavras
Data: 23/05/2026 14:54:01

As brigas dos meus pais começaram quando eu era jovem.

No início eram pequenas coisas. Portas fechadas com força demais. Silêncios longos durante o jantar. Minha mãe fingindo que estava tudo bem enquanto apertava os dedos ao redor do copo de café. Meu pai chegando cada vez mais tarde em casa.

Depois vieram os gritos.

E então o divórcio.

Quando minha mãe finalmente saiu de casa comigo, levando caixas demais para um apartamento pequeno demais, eu já tinha aprendido algo importante: pessoas quietas sobreviviam mais.

Então eu fiquei quieto.

Enquanto outros adolescentes aprendiam a socializar, beijar, beber escondido e fazer amigos, eu me escondia dentro da biblioteca do colégio. O cheiro de livro velho, poeira e ar-condicionado virou meu lugar seguro.

Li tudo que encontrei.

Fantasia.

Romances policiais.

Filosofia.

Ficção científica.

Literatura clássica.

Qualquer coisa que me permitisse escapar da minha própria vida por algumas horas.

Com o tempo, virei exatamente aquilo que esperavam de mim.

O nerd.

Magro demais.

Pálido demais.

Quieto demais.

Óculos por obrigação genética, olheiras permanentes e uma habilidade quase sobrenatural de desaparecer em qualquer ambiente.

E, como todo estereótipo miserável de colégio, eu também virei alvo fácil.

O bullying começou cedo e nunca realmente terminou.

Mas piorou anos depois, quando minha mãe resolveu se casar de novo quando fiquei maior de idade, quando completei 19 anos.

O marido dela, Renato, era um cara legal. Sério. Eu gostava dele.

O problema eram os filhos.

Gabriel e Guilherme.

Gêmeos.

O tipo de cara que parecia existir apenas para lembrar pessoas como eu do próprio lugar no mundo.

Altos.

Bonitos.

Atléticos.

Daqueles caras que entram numa sala e automaticamente puxam toda atenção pra si.

Nós três acabamos estudando no mesmo campus durante o ciclo básico das engenharias.

E eles transformaram minha vida num inferno.

Na faculdade fingiam que nem me conheciam. Mas bastava surgir qualquer oportunidade para começarem.

Empurrões no corredor.

Piadas.

Risinhos abafados.

Material jogado no chão.

Comentários sobre meu jeito, minhas roupas, minha cara.

Nada exagerado o suficiente para alguém interferir.

Só constante o bastante para me desgastar aos poucos.

E eu suportava tudo calado.

Como sempre fazia.

Até aquele sábado.

Meus pais viajaram durante o fim de semana, deixando nós três sozinhos naquela casa enorme comprada com dinheiro da imobiliária do pai deles.

Piscina.

Academia privativa.

Cinema.

Área gourmet.

Tudo naquela casa parecia grande demais.

Inclusive o ego dos dois.

Desci as escadas no fim da tarde pensando apenas em perguntar se iríamos pedir alguma coisa para jantar.

Foi então que ouvi música vindo da academia.

E vi os dois.

Eles estavam distraídos diante do espelho depois do treino, completamente despreocupados por acreditarem estar sozinhos.

E, pela primeira vez desde que os conheci…

Não pareciam intocáveis.

Não pareciam superiores.

Pareciam apenas ridículos.

A arrogância.

A postura.

O jeito como se admiravam no reflexo.

Tudo desmoronou em segundos.

Porque os dois escondiam uma insegurança tão grande quanto o ego que construíram para compensá-la.

E eu descobri isso da forma mais inesperada possível.

Fiquei parado alguns segundos observando sem ser percebido.

Então senti algo estranho crescer dentro de mim.

Não era apenas raiva.

Era prazer.

Um prazer lento, perigoso e quase viciante.

Porque, pela primeira vez na vida…

Eu tinha encontrado uma maneira de ferir alguém de volta.

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