Acho que, antes de continuar, preciso me apresentar direito.
Mamãe tem vinte e nove anos e parece o tipo de mulher que chama atenção sem precisar tentar. Pele parda, 1,75, cabelos castanho-claros sempre caindo em ondas pelos ombros e um corpo de curvas generosas que faz qualquer roupa parecer bonita nela. O rosto é delicado, com traços suaves e um olhar acolhedor que sempre faz as pessoas confiarem nela rápido demais.
Tio Lu também é alto, 1,82 e tem aquela aparência que intimida antes mesmo dele abrir a boca. Moreno claro, cabelos pretos, traços fortes e um corpo largo construído entre academia e caixas de mudança carregadas sozinho porque “não precisava de ajuda”. As poucas tatuagens espalhadas pelos braços só deixam ele com uma aparência ainda mais séria… até ele sorrir.
Porque quando sorri, toda a pose desaparece.
E então tem eu.
Parda, cabelos pretos e um corpo mais cheinho que sempre pareceu crescer antes do tempo. Meus seios já chamavam atenção em qualquer roupa, minhas pernas eram grossas e eu nunca consegui herdar a elegância natural da mamãe. Enquanto ela parecia delicada sem esforço, eu me sentia grande demais, intensa demais, exagerada demais.
Mas se na aparência não éramos parecidas, na personalidade éramos quase iguais.
Carinhosas até demais.
Mamãe sempre diz que eu nasci precisando encostar nas pessoas que amo. Abraços, cafuné, mãos dadas, beijos na bochecha, deitar no colo de alguém só porque sim… toque físico sempre foi minha forma favorita de amar. E palavras também. Eu gosto quando cuidam de mim com voz mansa, quando dizem que sentiram minha falta, quando me chamam por apelidos bobos.
Talvez por isso eu fosse tão grudada em Lu.
Com ele, carinho nunca pareceu vergonha.
Após exatos cinco dias, minha menstruação foi embora.
Mas levou só o sangue.
Porque as sensações ficaram.
Meu corpo parecia diferente, mais atento, mais sensível. E minha mente… completamente bagunçada.
Aqui em casa, tudo continuou exatamente igual. Mamãe seguia trabalhando sem parar, entrando e saindo entre plantões e aulas da faculdade. Tio Lu continuava “invadindo” nosso apartamento sempre que queria. E eu seguia presa na rotina entre escola, deveres e noites longas demais pensando em coisas que nunca tinham passado pela minha cabeça daquela forma.
Ou talvez sempre tivessem passado.
Eu só nunca tinha percebido.
Porque agora bastava lembrar da voz divertida de Lu dizendo que “vacas precisavam de boas tetas” para meu corpo inteiro reagir de um jeito absurdo.
Minha pele arrepiava instantaneamente.
Meus mamilos endureciam sob a camiseta larga do pijama.
E aquela sensação quente e úmida entre minhas pernas surgia outra vez, lenta, pulsante, me deixando nervosa e curiosa ao mesmo tempo.
No começo achei que tinha alguma coisa errada comigo.
Mas não tinha.
Eu sabia o que era sexo. Sabia como as coisas funcionavam na teoria. Mamãe sempre foi aberta comigo sobre qualquer assunto relacionado ao corpo, hormônios ou desejo. Crescer com uma mãe da área da saúde fazia certas conversas parecerem menos tabu do que para outras garotas da minha idade.
Só que entender uma coisa e sentir eram mundos completamente diferentes.
Porque na prática aquilo parecia uma descarga elétrica atravessando meu corpo inteiro.
Um calor estranho.
Uma ansiedade boa.
Como se meu próprio corpo tivesse despertado antes da minha mente conseguir acompanhar.
Sábado à noite sempre foi nosso momento favorito da semana.
Eu estava jogada no sofá da casa de Lu, usando meu velho pijama de vaquinha, enrolada num cobertor macio enquanto nossa série preferida passava na televisão. A sala estava escura, iluminada só pela luz azulada da TV e pelo abajur amarelo no canto da estante.
Só que, naquela noite, minha atenção não estava na série.
Nem na história.
Nem em nada que estivesse acontecendo na tela.
Ela estava na sensação quente do corpo de Lu encostado no meu. No braço dele atrás dos meus ombros. Na pele quente roçando sem querer na minha. E principalmente nos meus seios sensíveis demais sob a camiseta fina do pijama.
Meus mamilos estavam duros outra vez.
Sensíveis.
Latejando.
E quanto mais eu tentava ignorar aquilo, mais consciente ficava do próprio corpo.
Até que tio Lu percebeu.
— Vaquinha… — ele murmura, abaixando um pouco o volume da televisão. — O que tá acontecendo? Você nem tá prestando atenção na série.
Viro o rosto lentamente para ele.
As bochechas queimam na mesma hora.
Seus olhos encontram os meus, atentos, preocupados… e eu simplesmente não consigo mentir.
— Lu… minhas tetas tão sensíveis demais desde aquele dia…
Ele pisca, surpreso, antes de deixar uma risada curta escapar pelo nariz.
— Vaquinha, isso lá é jeito de falar?
Cruzo os braços imediatamente, tentando parecer afrontosa apesar da vergonha.
— Ué. Você falou isso pra mim… e eu gostei.
A sobrancelha dele ergue devagar.
Meu coração tropeça.
— E minhas tetas estão sensíveis — continuo, agora mais baixinho. — Os bicos tão doendo…
Por um instante, tio Lu fica em silêncio.
Não um silêncio desconfortável.
Um silêncio cuidadoso.
Como se estivesse escolhendo cada palavra antes de falar.
Então ele suspira de leve, passando a mão pela nuca.
— Como você alivia vaquinha?
— Eu massageio, aperto o biquinho, aperto o seio, até minha grutinha molhar.
— E resolve? Você fica satisfeita? Ele pergunta com os olhos atentos em mim
— Não tio Lu, eu faço isso no mínimo umas cinco vezes antes de dormir. Até eu cair no sono.
— Tudo isso vaquinha? Você quer fazer agora? Se aliviar?
Antes mesmo dele perguntar novamente eu deixo meus seios amostra, meu biquinhos já duros, a pele arrepiada, começo meu ritual de sempre. Aperto todo o seio algumas vezes, como se tivesse bombeando, belisco os biquinhos, minhas pernas se abrem relaxadas, os suspiros escaparem da minha boca. Tio Lu começa a falar comigo.
—Vaquinha, faz devagar. Curte o momento, deixa o biquinho por último.
Mas eu não consigo, quando toco nas minhas tetas tudo parece ter pressa, velocidade. Ele insiste nas instruções e o inimaginável acontece.
O pedido escapa da minha boca antes mesmo que eu consiga pensar direito.
— Então faz você, Lu…
O silêncio que cai na sala parece engolir o som da televisão ao fundo.
Ele me encara por alguns segundos, completamente imóvel. O olhar pesado, a respiração presa, como se estivesse lutando contra alguma coisa dentro dele.
Então segura meus pulsos com cuidado, afastando minhas mãos devagar.
— Vaquinha… — a voz dele sai baixa, rouca. — Você faz ideia do que tá me pedindo?
Meu rosto continua queimando, mas não desvio os olhos.
Porque eu sabia.
Talvez não completamente. Talvez não na intensidade adulta daquilo tudo. Mas sabia que queria ele perto. Queria o toque dele. Queria continuar sentindo aquela descarga quente no corpo toda vez que ele me olhava daquele jeito.
