O estranho pauzudo roubou meu coração 1

Um conto erótico de Aylla
Categoria: Heterossexual
Contém 958 palavras
Data: 03/05/2026 00:21:44

1

Eu gastava mais de trinta minutos procurando lugar para estacionar próximo ao Proudy Mary por causa da quantidade de veículos no inicio da noite, ocupando as vagas dos funcionários da casa, e como cantor, às vezes nem como funcionário é considerado, sempre acontecia de eu ter que estacionar nos lugares mais inusitados.

A intenção era ficar o mais perto possível do local do show mas o destino gostava de humilhar.

Ruas desertas, latas de lixo, beira de estradas de terra, ao lado de quadras de futebol com fortes indícios de pontos de drogas, eram meus destinos. Mas naquela noite de domingo clara e sem estrelas, eu estava com sorte, havia uma vaga disponível a apenas duas ruas do Proudy.

Eu ruminava tudo isso com a mão dentro da bolsa enquanto procurava a chave. Como pobre fica contente com pouca coisa, o simples fato de não ter que andar por minutos a fio, me fez pensar positivo quando a chave escapuliu da minha mão, e eu fiquei igual barata zonza com baigon na cara de tanto procurar, agachada ao lado do palio.

Em plena madrugada, coloquei os joelhos no chão para tentar alcançar embaixo do carro. Mas uma das desvantagens dos pálios e de mulheres como eu de um metro e cinquenta e cinco, é que ambos sofremos de membros curtos. A elevação do passeio cobria parte do rebaixamento.

Ainda agachada amaldiçoei minha falta de destreza para pegar as coisas.

O silêncio da rua foi quebrado de repente por um carro da polícia passando em disparado. Eu vi as luzes passando e o barulho dos pneus cantando contra o asfalto, logo em seguida um sedã prata estacionou fechando meu pálio, me encolhi ainda mais atrás da roda dianteira.

- Joga aqui mesmo, joga aqui porra! – uma voz masculina mandou. – Ele vai se virar bem!

Ouvi algo rolando pelo chão e batendo na parte traseira do meu carro que sacudiu. Olhei para os prédios no passeio onde eu estava agachada mas sem sinal de vida.

O sedã disparou pela rua como havia feito o carro da polícia minutos antes. Meu coração vinha na boca. Eu permaneci ali sem saber direito qual reação deveria ter. Orando aos céus, levantei devagar, avistei minhas chaves em frente ao carro.

Avancei para pegar mas uma mão estranha suja de vermelho e peluda segurou o chaveiro da Minie primeiro, senti um impacto, e algo em cima de mim, cheirando a ferrugem e escapamento.

- Cala a boca, - disse a voz grossa.

Era um homem daqueles de jogo de futebol americano de tão grande.

Tudo que eu conseguia pensar era em como de repente o mundo escureceu de uma hora para a outra.

Eu fui abrindo os olhos imaginando que estava na minha cama em casa. Mas o frio nos meus dedos, e o cheiro do meu bom ar do carro, despertou meus sentidos quase como um choque. Soltei um grito que logo foi contido pela mesma mão que havia pegado a chave do meu carro.

A ponta da cabeça do sujeito batia no teto do palio de alto que era.

- Calma, - ele mandou. – Não vou te fazer nada. Só preciso de uma carona.

Ele estava com o nariz sangrando e uma das minhas máscaras descartáveis em volta do rosto contendo o sangue de forma precária. O sujeito abaixou a mão. Eu olhei em volta procurando por meu violão, e senti um alivio enorme quando o encontrei no banco de trás.

O homem continuou dirigindo sem palavras para onde nos conduzia. Minha mente fazia ligações de coisas dignas de séries e filmes. Por isso, precisei implorar:

- Por favor moço, pode me deixar em qualquer lugar, leva o carro, só me deixa com meu violão.

O homem soltou um riso dolorido.

- Não sou bandido, menina – avisou nervoso. – Isso tudo é um enorme engano.

Eu não queria saber o que era “isso tudo” nem o que estava acontecendo.

Minha única preocupação era chegar em casa e tomar um belo banho quente e esquecer que tinha ficado desacordada com um completo estranho durante horas.

O homem disse aquilo, porém a cada palmo do corpo dele havia um sinal de sangue. Abaixo do braço direito, o nariz, acima do olho.

As luzes das viaturas mais a frente o fizeram diminuir a velocidade e estacionar no acostamento.

Ele desceu do carro e passou a direção para mim, mancando seguiu a diante, na direção oposta.

Eu suspirei todo o peso dos meus ombros, pulei para o volante, como em um carro de fuga. Todavia quando observei pelo retrovisor, o vulto do sujeito afastando-se. Olhei para frente, para a blitz, eu não tinha nada a ver com aquele sujeito, não devia nada a ele, nem nunca o tinha visto antes.

Mas também ele não havia me feito nada. Talvez fosse apenas uma pessoa ferrada precisando de uma ajuda.

Eu fui dando ré ainda no acostamento. O alcancei rápido, e chamei.

- Entra no porta-malas, - sugeri – posso te deixar depois da blitz, de lá você segue seu caminho.

- Por que faria isso? – perguntou.

Eu não tinha resposta. Ele era pesado, e ao acomodar-se no porta-malas o sacudiu o carro. Fui me aproximando da blitz os policiais pediram o documento, a CNH.

Eu tinha um sitio herança do meu pai, ficava exatamente naquela direção, usei isso como desculpa, e o fato de ser músico na noite para explicar o horário de retorno. Os polícias deixaram que eu seguisse viagem sem mais perguntas.

Assim que eles ficaram para trás mesmo, e o primeiro posto de gasolina estava mais adiante, estacionei no acostamento, ao levantar a porta do porta-malas o grandalhão estava no terceiro sono. Eu tinha a impressão de que poderia me arrepender muito, muito mesmo mas alguma coisa dentro de mim, dizia que precisava ajudar aquele estranho.

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