Família ou Vício Eterno
Meu nome é Letícia. E eu estou no fundo do poço.
O relógio da kitnet marcava 18h47. Faltavam menos de uma hora para o fim do ultimato do Roberto. Meu corpo ainda tremia do sexo selvagem que o Fernando tinha me dado há pouco — ele me deixou de quatro no chão da sala, socando meu cu sem piedade enquanto eu gemia e chorava ao mesmo tempo. Agora eu estava sentada na beira da cama, nua, pernas abertas, sentindo a porra dele escorrer devagar da minha bucetinha e do meu rabinho arrombado. O celular estava quente na minha mão. Eu relia as mensagens antigas do Roberto, o coração apertado como se alguém estivesse esmagando ele dentro do peito.
De repente, o celular vibrou de novo. Mensagem nova. Do Roberto.
Abri com as mãos tremendo tanto que quase derrubei o telefone.
“Letícia, já são quase 19h. Você não veio. Tudo bem. Eu aceitei o emprego em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É outro estado, outra cidade, outra vida. Saio com as crianças em 48 horas. Já arrumei as malas delas, já avisei a escola. Se você não aparecer em casa AGORA, eu vou embora e começo do zero. Vou achar uma mulher que queira ser mãe de verdade pros nossos filhos. Não vou mais esperar. Escolhe de uma vez: ou volta pra ser a esposa e mãe que eu sei que você ainda é lá no fundo… ou some da nossa vida pra sempre. Última mensagem. Depois disso, eu bloqueio você.”
As palavras me acertaram como um soco no estômago. Porto Alegre. Outro estado. Mais de mil quilômetros de distância. Meus filhos… meus bebês… indo embora com outra mulher que vai beijar eles, dar banho neles, contar historinha pra eles dormirem. Eu imaginei a cena: outra mãe na cozinha da nossa casa, outra mulher dormindo na cama com o Roberto, outra mulher ocupando o lugar que era meu. A culpa me invadiu como um veneno quente. Lágrimas grossas caíram na tela. “Eu sou
uma monstra… eu abandonei meus filhos por um pau grosso. Por tesão. Por egoísmo puro.” Meu peito doía tanto que eu mal conseguia respirar. Eu amo o Roberto. Amo ele de um jeito que dói — ele me aceitou, me perdoou, cuidou de tudo enquanto eu virava puta. Eu amo meus filhos mais que a minha própria vida. O cheiro deles, as risadas, os “mamãe” que eles gritam quando eu entro em casa… tudo isso passou na minha cabeça como um filme que eu estava prestes a perder pra sempre.
Mas aí o Fernando saiu do banho, só de toalha, barriguinha de cerveja aparecendo, pau ainda semi-duro balançando entre as pernas. Ele viu meu rosto destruído e sorriu daquele jeito possessivo que me deixa molhada mesmo agora.
— De novo chorando, vadia? É o corno mandando mensagem de novo?
Eu mostrei o celular pra ele. Fernando leu em voz alta, rindo baixo no começo, depois ficando sério.
— Porto Alegre? Esse filho da puta tá blefando pra te pressionar. Você não vai embora. Você é minha mulher agora. Olha pra você… buceta pingando minha porra, cu arrombado, ainda tremendo do jeito que eu te fodi. Você precisa disso. Precisa de mim te rasgando todo dia.
Ele se aproximou, abriu a toalha e enfiou o pau ainda grosso na minha boca. Eu chupei automaticamente, lágrimas misturadas com baba, garganta apertando a cabeçona enquanto ele segurava meu cabelo negro.
— Isso… chupa o pau do teu macho enquanto decide. Você vai mesmo trocar isso — ele meteu fundo na minha garganta — por um corno que não sabe te foder?
Enquanto eu chupava, o conflito me rasgava como nunca. De um lado, o desejo animal: meu corpo inteiro latejava por ele. Eu precisava sentir ele me enchendo, me dominando, me chamando de mulher dele. Minha bucetinha pulsava só de sentir o gosto da porra dele na língua. Eu me odiava por isso. “Como eu posso estar com o pau dele na boca e ainda molhar a coxa enquanto penso nos meus filhos indo embora?” De outro lado, a culpa que me matava: os rostos dos meus filhos, o olhar magoado do Roberto, a vida que eu destruí por tesão. Eu imaginava eles num
apartamento novo em Porto Alegre, chamando outra mulher de “mãe”. Isso me destruía mais que qualquer pau.
O relógio marcou 19h20. Faltavam dez minutos.
Fernando tirou o pau da minha boca, me jogou de costas na cama e abriu minhas pernas. Ele meteu tudo na bucetinha de uma vez, socando forte, olhando nos meus olhos.
— Decide, Letícia. Fica comigo e eu te fodo pra sempre. Ou vai embora e vira uma mãe certinha que vai secar de tesão em seis meses.
Eu gemia alto, unhas cravadas nas costas dele, corpo traindo a mente. Gozei forte, esguichando, chorando, gritando o nome dele e o nome dos meus filhos ao mesmo tempo. O prazer e a dor se misturavam até eu não saber mais o que era o quê.
19h28. Dois minutos.
Eu empurrei o Fernando pra longe, levantei tremendo, peguei minha roupa com as mãos molhadas de porra e suor. Vesti o primeiro vestido que achei — simples, nada de micro saia — e olhei pra ele.
— Eu vou embora, Fernando.
Ele ficou parado, pau duro latejando, olhos arregalados.
— Você tá louca? Depois de tudo que a gente viveu?
Eu chorei alto agora, voz embargada:
— Eu amo você… amo o jeito que você me fode, amo ser sua puta. Mas eu amo mais meus filhos. Eu não consigo viver sabendo que eles vão crescer sem mim. Eu
não consigo ser a mãe que abandona eles pra sempre. Me perdoa… mas eu escolho eles. Eu escolho o Roberto. Eu escolho ser mãe de novo.
Fernando tentou me segurar, mas eu me soltei, peguei a bolsa e saí correndo da kitnet. O ar da rua bateu no meu rosto molhado de lágrimas e porra. Eu corri as três quadras até minha casa como se minha vida dependesse disso.
Quando abri a porta, Roberto estava na sala com as malas fechadas, crianças dormindo no sofá. Ele me viu e os olhos dele se encheram de alívio e dor ao mesmo tempo.
Eu caí de joelhos na frente dele, abraçando suas pernas.
— Eu escolhi vocês. Eu volto. Pra sempre. Me perdoa… eu sou uma puta, mas eu sou a mãe deles. Eu sou sua esposa. Eu escolhi minha família.
Roberto me levantou, me beijou com força, lágrimas dele misturadas com as minhas. Eu sabia que o conflito não ia acabar nunca — que eu ia sentir falta do pau do Fernando pelo resto da vida, que meu corpo ia doer de desejo em noites solitárias. Mas eu escolhi.
Eu escolhi ser mãe. Eu escolhi ser esposa. Mesmo que uma parte de mim tenha morrido hoje.
O tempo acabou. E eu finalmente decidi.