Estava bem confusa com o que eu via. Era algo bem inusitado. Cães andavam que nem humanos...mas espera...aquilo...aquilo era um humano? Um ser humano estava andando nu, de quatro e com uma coleira como guia. Um homem sendo um animal de estimação?
Alguns cidadãos, que eram cães, começaram a apontar para mim, como se eu fosse uma espécime rara. Eles começaram a falar algo que eu não entendia. Tentei dizer algo, porém eles se assustaram. Acho que eles nunca viram um humano falando. Alguns humanos presos nas coleiras começaram a rosnar pra mim. Acho que agora seria uma boa hora de dar o fora daqui. No momento que olhei pra trás, vi um cão com um pedaço de madeira, ele tentou acertar meu rosto, porém coloquei meu braço na frente. A madeira bateu com força no meu dispositivo de transporte. Olhei com pavor para a pulseira quebrada, agora eu estaria presa nesse mundo. Olhei ao meu redor, eles estavam me cercando, sai correndo. Entrei na floresta e comecei a desviar de diversas árvores e pedras, olhei para trás e havia mulheres e homens nus correndo atrás de mim. Isso estava me deixando apavorada. Corri com mais pressa ainda, e acabei tropeçando em uma raiz de árvore, comecei a rolar pela ladeira cheia de folhas, pedras e raizes. Graças ao macacão que eu usava, não me machuquei tanto, porém, minha cabeça bateu em uma pedra e desmaiei.
Acordei em uma cabana, sentia ao mesmo tempo frio e calor percorrer meu corpo, estava em uma cama bem confortável por sinal, ainda estava meio atordoada, porém senti algo tocando em minha parte íntima. Peraí, parte intima? Levantei minha cabeça e percebi que estava nua, e vi que um homem estava com a cara dele enfiada na minha parte intima, e lambia ela com sua língua bem úmida. Levei um susto e levantei da cama na mesma hora. Dei um grito, e um daqueles cães humanoides veio ao meu encontro. Ele começou a dizer algo, porém eu não entendia uma palavra que seja. Ele percebeu que eu não entendia nada do que ele falava e caminhou até um armário e de lá tirou uma coleira. Ele veio até mim, eu não queria que ele colocasse aquele troço em mim, porém aquele cão era mais forte que eu. Acabou que ele colocou a coleira em mim. O cidadão/cachorro olhou nos meus olhos e disse:
— Oi, consegue me entender agora?
Fiquei espantada. Parece que essa coleira que eu estava usando era um tradutor universal.
— Oi... — disse, um pouco receosa.
— Ah, que bom. Te salvei de ser morta pelos humanos. O pessoal achava que você estava sendo possuida por algum demônio, pois quem ja viu um humano andando somente com duas pernas e falando uma lingua estranha? — disse ele, rindo.
— E você não teve medo de mim?
— Claro que não. Não sou supersticioso. Bem, meu nome é Rodolpho. E qual é o seu? — disse ele.
— Meu nome é Bianca.
— Prazer.
Olhei ao meu redor e vi que aquele homem nu, o animal de estimação de Rodolpho, estava com a parte intima dele dura, e não tirava os olhos de mim..
Rodolpho percebeu que eu olhava para o humano de estimação dele, e que eu estava meio inquieta.
— Ah, sinto muito. É que ele está com vontade de cruzar, dai o negócio dele fica desse jeito — disse Rodolpho.
— Entendi. Você poderia me dar minha roupa? — perguntei, sem tirar meu olhar do membro daquele humano.
— Sinto muito. Não posso.
— Por que não?
— Sem roupa, você consegue se misturar com a gente. Se você vestir alguma peça de roupa que seja, o pessoal daqui achará estranho. Como você percebeu, humanos não usam vestimentas por aqui.
— Percebi... faz sentido.
— Você não é daqui, né?
— Não. Eu venho de outro mundo — disse.
— Você é tipo uma extraterrestre?
— Tipo isso.
— Entendo. Bem, deixarei você descansar mais um pouco. Logo a comida estará pronta. Vou tirar o Mauz desse quarto para ele não fazer nenhuma gracinha.
— Ele se chama Mauz? — perguntei.
— Sim, isso mesmo. Mauz, venha.
Mauz e Rodolpho saíram do quarto e Rodolpho fechou a porta. Coloquei minha cabeça sob o travesseiro e rezei para que aquilo fosse um pesadelo.