Tendências – Cap 11 - Nova amiga e Inauguração!
Feminização, Menino para Menina, Transição, Crossdresser,
Este episódio ocorreu a algum tempo, não há uso de material ilícito, nem apologias a uso de violência/drogas/pedofilia. Conta a história de Amanda, muito antes dela saber que seria Amanda.
Minha tia revisou minhas unhas, cabelo, retirada da make, para que eu pudesse ir para aula sem problemas. Alguns meninos haviam se distanciado ainda mais de mim, as meninas eram indiferentes, na verdade foi até melhor, quanto menos gente por perto, menos explicações.
Deu o intervalo, estava sentado quando uma menina que sentava longe de mim veio puxar assunto.
– Oi, tudo bem?
– Sim, mas o que posso te ajudar?
– Nada, apenas tenho reparado em você estas últimas semanas, você mudou muito.
– Nossa, mudei, acho que não, mas me diga o que tanto mudei?
– Olha, vamos dar uma volta lá no pátio, aqui acho que não é um ambiente seguro para conversarmos, vamos ?
Eu estiquei as sobrancelhas, bom, era mais duas pessoas andando juntas, essa menina era também bem isolada, eu gostava do estilo dela, acho que nos últimos 5 meses, devo ter feito 1 ou 2 atividades no grupo dela, no laboratório inclusive, então fomos andando, ela apenas falando coisas da aula, quando estávamos mais afastados, distante dos grandes grupos ela pediu para sentarmos no chão e falou.
– Olha, não se preocupe nem fique assustada, eu como disse tenho visto suas mudanças e elas têm sido discretas, acho que quase ninguém percebe, só quem realmente já vivenciou tudo isso que saberia.
– Estou curioso, o que você tá querendo dizer, aonde quer chegar Rose?
– Tá, vamos lá vou falar de mim e na sequência entenderá.
Ela pegou minha mão, com suas unhas pintadas de um roxo, combinando com seu cabelo em mexas, ela antes era castanha clara, acho que ela mudou de cabelo umas 4 vezes só neste ano, mas a delicadeza da mão e seu olhar me encantavam, acho que não tinha ainda dado atenção a ela, a ponto de achar ela agora uma menina realmente linda, simpática e misteriosa, esse tempo com minha mão durou uns 2 minutos então continuou.
– Bom ano passado, eu era como você, um menino, estudava no turno da tarde, mas sofria alguns bullying, embora eu soubesse o que queria ser, queria ser uma menina, então, eu e meus pais, decidimos que nas férias eu ficaria 24hs como menina, em 2 semanas eu já estava tomando remédios indicados pela endocrinologista, já estava fazendo terapia e quando iniciou o ano na turma, eu já era Rosemary, a aluna transferida de período, ou seja, eu sou uma transexual, não operada, mas estou me encaminhando para isso, e sinto a mesma coisa em você, acho que seremos boas amigas. estou errada?
– Como assim, você menina, nossa, é praticamente impossível acreditar?
– Olha, vamos deixar a dúvida para outro dia, o que importa que sou feliz e amo ser menina, com essa transição eu fiquei mais atenta e sensível as meninas trans a minha volta, e desculpa, mas eu acho que você está no mesmo estágio que eu estava ano passado, sinto muitas vezes seu andar, se jeito de sentar e mesmo já percebi uma ou outra vez, olhando atentamente que estava usando calcinha, estou errada ?
– Nossa, bom, acho que não adianta te esconder, mas na verdade parte do que falou está certa, eu na verdade estou mudando para ajudar minha mãe, é uma longa história, mas ela vai abrir um negócio no centro velho, aquele revitalizado, e eu vou ajudar ela, mas terei que ser uma menina para trabalhar na loja, por isso estou recebendo treinamento, gestos, roupas e tudo mais para me passar por menina, lá, mas não sou transexual, acho que apenas nisto você se confundiu, mas estou preocupada, eu dei tanta bandeira assim?
– Não, não foi tão fácil, apenas se alguém se interessar, e ficar te olhando mais vezes poderia saber, mas como disse, eu me vi em você então consegui ligar os pontos, mas me diga, como passar como menina, você vai virar menina ou é só como uma crossdresser no trabalho?
– É isso, a palavra eu já conheço, eu saio daqui, vou pra loja, me monto, abro a loja e atendo os clientes até mamãe chegar, aí as 19hs fechamos a loja e vamos pra casa, lá em viro menino para vir para aula, até que mamãe consiga uma ajudante e eu possa voltar a ser menino a tarde.
– Hum, nossa que trabalhão hein, e acho lindo essa dedicação em ajudar sua mãe, olha te admiro ainda mais, já te achava um menino legal, agora então te acho um sonho.
Era estranho eu ter me aberto tão facilmente assim, mas acho que a forma delicada dela me tocar, falar, me fez sentir que ela era uma menina a se confiar, ainda mais sabendo que na verdade ela fora um menino e se transformou em uma das mais bonitas meninas da classe, e agora entendia esse isolamento, me senti mal em não ter me aproximado mais dela, mas nunca teria percebido, pelo menos ela passava 100%, sem chance de ser um menino.
– Obrigada.
Falei sem perceber o tom feminino, ela sorriu elegante e carinhosamente, e ainda pegando em minha mão falou.
– Que linda, sua voz é linda quando em femme, mas se cuida, acho que a turma não ficaria confortável com sua mudança repentina, mas eu estou amando, quer dizer, adorando.
– Quanto , ou melhor, quanto tempo, quer dizer, aí não sei como perguntar?
– Olha pode perguntar tudo, não se preocupe, saberei entender suas dúvidas e vamos ajustando a forma de você se referir a algum assunto que possa ser não correto, o que quer saber?
– Quanto tempo demorou para você se descobrir menina, foi nessas férias de fim de ano?
– Não, não, eu me sentia feminina, diferente do meu corpo, já aos 7 a 8 anos, tem inúmeras situações vividas por mamãe, com eu desde querer uma boneca, colocar as roupas dela, não gostar de bola e jogos de meninos, as cores que eu gostava, e papai e mamãe, foram vendo e com 12 anos conversamos.
– Nossa mas demorou só agora para mudar, digo a mudança real?
– Sim, entramos em terapia, conversas, exames, quando tudo foi visto como natural, aos 13 mamãe já passava os fins de semana com sua filha, durante a semana eu era menino, fomos assim e nas férias era sempre a filha dela viajando. Mas ano passado, iniciamos a hormonização em junho, em novembro já era praticamente impossível esconder, então eu e ela resolvemos mudar, foi umas férias bem intensas, sem viagens e muita mudança na casa, roupas, estilos até chegar a essa criaturinha aqui.
– Uma menina muito linda por sinal, você além de tudo é simpática e sabe que me deixa mais aliviada.
– Cuidado, eu peço para não se expor, por favor … mas diga-me a funcionária de sua mãe que teria um nome?
– Então, hoje inaugura a Loja, será meu primeiro dia.
– Nossa que coincidência hein?
– Pois é, mas estou achando ótimoooooo, você me deixou mais tranquila, eu hoje estou uma pilha de nervos.
– Imagino, fez eu lembrar minha primeira semana estudando de manhã como Rose.
O sinal tocou e levantamos e ela me deu a mão e fomos juntas para a sala, alguns meninos olharam espantados, as meninas se olhavam e um pouco antes dela soltar a minha mão eu parei, ela parou e me virei para ela e disse sussurrando no ouvido.
– Amanda!
Ela sorriu, e assim que nos separamos para eu ir para meu canto as meninas foram falar com elas e ouvi ela dizer, que não éramos namorados, apenas estávamos de mãos dadas, só isso.
Eu assisti as duas aulas seguintes, sempre desviando meu olhar para Rose, ela fazia o mesmo e ao final da aula ela veio até mim e saímos de mãos dadas até o portão, lá ela me deu um beijinho, tipo selinho e saiu já entrando no carro de sua mãe, eu sorri, ouvi alguns sussurros do pessoal da turma e fui pro ônibus, agora no sentido oposto do meu, seria meu primeiro dia de trabalho.
