Queria Ser Síndica, mas Porteiros e Zeladores Me Viram Pelada - Parte 03

Um conto erótico de Tatiana
Categoria: Heterossexual
Contém 11908 palavras
Data: 29/05/2026 06:14:09
Última revisão: 29/05/2026 19:14:27

CRONOLOGIA: Os eventos narrados aqui vão de 22 de julho de 2025 (terça-feira) a 31 de julho de 2025 (quinta-feira).

Meu nome é Tatiana, tenho 32 anos e sou jornalista investigativa em um dos principais jornais da cidade. Sou movida por curiosidade e uma espécie de teimosia natural, dessas que não me deixam dormir quando sinto que tem algo errado.

Tenho por volta de 1,70m, mas com o corpo firme de quem sempre cuidou bem de si. Tenho a pele clara, que pega um bronze bonito no verão. Meu rosto é oval, o nariz fino, os lábios medianos. O cabelo é castanho e liso, cortado pouco abaixo dos ombros, com uma franja longa que insiste em cair sobre meus olhos. Tenho seios pequenos, mas bem proporcionais, com a firmeza de quem ainda não se rendeu ao tempo, uma cintura estreita e um quadril discreto, que termina em um bumbum arredondado, firme, que chama atenção quando caminho. Gosto das minhas pernas longas e das linhas sutis que aparecem no abdômen quando me estico diante do espelho. Sempre achei que meu corpo fosse o retrato da minha personalidade: discreto, mas forte e disciplinado.

Esta é a história da minha guerra contra o síndico.

Na terça-feira à noite, descobri que saber que algo é errada não impede ninguém de fazê-lo. A turma da academia tinha passado a tarde inteira em surto por causa do Antônio. A Andréia contou que ele tinha um pau de 25 cm, a conversa virou putaria e, pouco depois, fizeram uma votação para decidir se a Letícia mandaria os nudes dele.

Eu votei “SIM”.

Justo eu. A mulher que teve 53 fotos e 12 vídeos íntimos distribuídos pelo ex-marido para funcionários do condomínio. Que já tinha explicado, olhando na cara de nove homens, que nude vazado era crime. Que sabia o gosto daquela humilhação.

Mesmo assim, votei para ver as fotos de um rapaz que nunca tinha autorizado nada comigo. Na hora, tentei me justificar. A Letícia era ex dele. Ela parecia tranquila. Ele com certeza sabia que ela tinha aquelas fotos. Talvez nem ligasse, podia gostar de exibir o pau pra mulherada. Era tudo desculpa. Eu estava com tesão, curiosa e deixei a emoção vencer qualquer senso de decência.

Quando as fotos chegaram, olhei. O Antônio aparecia nu, forte, deitado numa cama desarrumada, exibindo um pau tão grande quanto tinham dito. Havia closes e um vídeo curto. O grupo enlouqueceu. De noite, sozinha no meu apartamento, abri os arquivos de novo no tablet e fiz siririca olhando para eles. Mais de uma vez.

Quando terminei a terceira, a culpa veio com força. Apaguei tudo do celular e fiquei no banheiro encarando meu reflexo, sabendo que apagar os arquivos não apagava o fato de eu ter visto, comentado e gozado pensando em algo que nunca deveria ter recebido.

Eu sabia exatamente como era atravessar um corredor imaginando quem tinha visto meu corpo. Ainda assim, por tesão e curiosidade, fiz parte da mesma merda com o Antônio.

Na manhã seguinte, acordei cansada e culpada. Passei o dia abrindo o grupo da academia, pensando em mandar uma mensagem dizendo que aquilo tinha sido errado e que todas deveriam apagar os arquivos. Não mandei. Admitir a gravidade daquilo significava admitir que eu era um hipócrita do caralho.

De noite, voltei do trabalho com uma calça preta, camisa clara e o blazer dobrado sobre o braço. Minha franja caía nos olhos, e eu só queria entrar no apartamento e esquecer isso por algumas horas. Apertei o botão do elevador quando as portas já estavam se fechando. Consegui entrar e dei de cara com o Antônio.

Travei.

Ele era mais gostoso ao vivo. Puta que pariu!

E, agora, eu estava presa num elevador com ele, tentando fingir normalidade enquanto a culpa me queimava por dentro. Ele me olhou sem entender a minha reação.

— Boa noite — disse, estranhamente constrangida e excitada.

A palavra “excitada” me irritava, mas era verdadeira. A culpa não tinha apagado o impacto das fotos e as siriricas. Meu deus, como aqueles tanquinhos não eram Photoshop?

— Boa noite.

Ele parecia cansado, talvez distraído, mas ainda assim chamava atenção. Forte, alto, camisa comum marcando o corpo trabalhado. Tentei olhar apenas para o rosto dele. Em menos de dez segundos, meus olhos escaparam para baixo e eu senti vontade de enfiar a cabeça dentro da bolsa.

O silêncio ficou pesado demais. Eu precisava falar alguma coisa, qualquer coisa que me devolvesse a aparência de uma moradora normal.

— A gente ainda não se conhece, né? — disse rápido demais. — Eu me chamo Tatiana.

— Antônio. Lembro da senhora nas reuniões.

— Senhora, não. Por favor — reagi, rindo nervosa.

Eu tinha 32 anos. Ele tinha 24. Oito anos de diferença não justificavam “senhora”, mas naquele momento eu me sentia uma tia criminosa de grupo de WhatsApp. Talvez ele estivesse certo.

Comecei a falar. Sobre o prédio, sobre o calor, sobre filmes que estavam em cartaz. Eu mal prestava atenção no que dizia. Minha boca trabalhava para impedir que o silêncio deixasse escapar a frase que realmente queria sair:

“Eu vi seu pau sem você autorizar e ainda bati siririca pensando nele. Eu preciso me desculpar com você, mas puta que pariu, você precisava ser tão gostoso?”

Claro que eu não falei isso dentro de um elevador.

Ele respondia educadamente, talvez tentando entender por que uma mulher que nunca tinha conversado com ele estava agindo como se precisasse ocupar cada segundo de ar. Eu ria além da conta, mexia no cabelo, apertava a alça da bolsa. E, para piorar, ainda olhei de novo para o volume na calça dele.

Eu estava tão ocupada tentando não parecer culpada que provavelmente parecia uma pervertida.

Quando o elevador chegou ao meu andar, eu devia ter dito boa noite e saído. Seria o sensato. Só que a culpa tinha uma forma esquisita de se misturar com a necessidade de me aproximar. Eu precisava confessar meu pecado. Também havia uma parte menos digna de mim que queria continuar perto daquele gostoso e olhar os 25 cm ao vivo.

— A gente podia, sei lá, trocar contato — sugeri, do nada. — Às vezes é bom conhecer mais gente no prédio.

Antônio assentiu. Trocamos números de WhatsApp.

Meu coração acelerou quando salvei o contato dele. Aquilo parecia uma invasão a menos e, ao mesmo tempo, o início de outra burrice. A porta do elevador ficou aberta enquanto eu ainda tentava decidir se deveria falar alguma coisa sobre o que tinha acontecido. Não falei.

— Bom te conhecer, Antônio.

— Igualmente, Tatiana.

— Olha... Se você precisar de ajuda pra alguma coisa. Qualquer coisa. Não importa o quão mínimo ou maluco for o problema. Se precisar só de um ouvido amigo, um ombro amigo ou fazer uma grande denúncia pra abalar a política da Paraíba, não importa. Me manda mensagem. Me liga. Qualquer hora. Sempre que você precisar, eu vou estar por perto.

Assim que terminei, percebi o tamanho do exagero. Eu tinha acabado de conhecer o rapaz no elevador e falei como se tivesse jurado protegê-lo como uma amazona.

Ele assentiu com uma expressão entre agradecida e assustada. Saí do elevador. Antes que as portas fechassem, olhei mais uma vez para ele. E, infelizmente, para baixo também.

Assim que entrei no apartamento, larguei a bolsa no sofá e fiquei parada, com vergonha do meu próprio comportamento. Eu devia ter confessado no elevador. Em vez disso, pedi o contato dele e ainda olhei para o volume na calça dele como uma tarada sem controle.

Nos dias seguintes, escrevi algumas mensagens pedindo para conversar e apaguei todas antes de enviar. Eu tinha medo da reação dele e, principalmente, medo de ouvir da boca dele exatamente o que eu já sabia sobre mim.

Na segunda-feira à noite, quase 23h30, não aguentei mais e fui até o apartamento do Antônio. Fiquei parada uns bons segundos com a mão levantada. Talvez ele estivesse dormindo. Talvez abrisse a porta de cueca, e aí minha confissão ficaria ainda mais constrangedora.

Bati assim mesmo.

Demorou um pouco até eu ouvir passos. Quando a porta abriu, o Antônio estava de bermuda e camiseta, cabelo levemente bagunçado. A expressão dele mudou ao me reconhecer.

— Tatiana? Aconteceu alguma coisa?

— Preciso conversar com você. É uma coisa difícil.

Ele abriu a porta e me deixou entrar. Fiquei de pé na sala, segurando o celular com as duas mãos, porque sentar me daria tempo demais para desistir.

— Na terça-feira, no grupo da turma da academia, rolou uma conversa sobre o tamanho do seu-

— Tatiana, eu já sei.

Senti meu rosto gelar.

— A Jéssica me contou a história toda. Pelo jeito que as outras mulheres passaram a olhar para mim semana passada, isso fez sentido. Mas tudo bem. Pode ficar com as fotos, desde que não mande para mais ninguém.

— Eu já apaguei tudo. Não enviei para ninguém e nunca enviaria. Mesmo assim, fui parte daquilo.

— Já estava desculpada. Relaxa.

— Para mim ainda não basta. Quando vazaram meus nudes, me senti exposta durante meses. Mesmo sabendo como é, fiz a mesma coisa com você.

Antônio ficou sério ao ouvir aquilo.

— Eu não sabia que tinha acontecido com você.

— Meu ex-marido distribuiu minhas fotos e vídeos para funcionários do condomínio quando saiu daqui. Foi vingança. Eu fiz esse mesmo acordo com esses funcionários para que ninguém mais vazasse. E mesmo assim, votei para ver você pelado.

— Relaxa. Todo mundo erra. Mas não precisa transformar isso numa punição eterna.

Respirei fundo. Eu já tinha pensado demais naquela decisão.

— Você aceitaria receber os meus nudes? Fotos e vídeos meus pelada, enviados por mim, com autorização. Você guarda, não repassa para ninguém e ficamos quites.

Ele respondeu sem hesitar:

— Opa! Quero! Prometo, sim!

A rapidez da resposta quase me fez rir, apesar da vergonha.

— Está bem. Eu mando ainda hoje.

— Então estamos quites.

Assenti e fui até a porta. Antes de sair, olhei para ele mais uma vez.

— Obrigada por não me tratar como lixo.

Saí do apartamento dele direto pra portaria. Seu Geraldo estava atrás do balcão, com um copo de café ao lado e a televisão ligada em volume baixo. Quando me viu naquele horário, se ajeitou na cadeira.

— Dona Tatiana? Aconteceu alguma coisa?

— O senhor ainda tem aqueles arquivos meus no celular?

Ele ficou vermelho na mesma hora.

— Tenho, sim. Mas nunca mandei pra ninguém. A senhora sabe disso.

— Eu sei. Pode me emprestar seu celular por alguns minutos? Prometo que não vou apagar nada e não vou abrir nenhuma conversa sua.

Ele hesitou apenas pelo constrangimento. Depois desbloqueou o aparelho e abriu a pasta onde guardava meus arquivos. Peguei o celular e reconheci as miniaturas imediatamente.

Abri meu próprio celular, copiei o número do Antônio e localizei o perfil dele no Telegram do seu Geraldo.

[Tatiana]: “Conforme combinado. Fica entre nós. Ass: Tatiana”

Selecionei todas as fotos e vídeos e comecei a enviar. Eram arquivos demais, e a barra demorou alguns minutos para terminar. Seu Geraldo permaneceu quieto, olhando para a televisão sem tentar descobrir quem receberia meus nudes.

Quando o envio acabou, a resposta veio pouco;

[Antônio]: “Fica entre nós. Prometo.”

Removi a conversa do histórico, sem apagar os arquivos que já tinham chegado ao Antônio. Depois devolvi o aparelho.

— Pronto. Obrigada.

Ele guardou o celular no bolso e me olhou com uma preocupação discreta.

— A senhora está bem?

— Melhor do que ontem.

— Então já valeu alguma coisa.

Despedi-me e entrei no elevador com uma sensação contraditória. Eu tinha confessado meu erro, pedido desculpas e enviado meus próprios nudes como compensação. Mesmo assim, eu sabia que a decisão tinha nascido da culpa e do tesão. Eu estava quite com ele, mas não inteiramente comigo.

Podia ter consertado um erro cometendo outro. Tinha dado a um homem que mal conhecia acesso ao material íntimo que eu havia passado meses tentando arrancar das mãos erradas.

Dormi melhor naquela noite. Isso talvez fosse a parte mais preocupante de todas.

Na terça-feira de manhã, acordei com o celular vibrando na mesinha de cabeceira. Peguei o aparelho achando que fosse alguma mensagem da redação. Às vezes, uma pauta estourava antes do café, alguém precisava ser localizado às pressas e eu já começava o dia com uma ligação no viva-voz enquanto escovava os dentes.

O remetente apareceu na tela: “Administração do Condomínio”.

Abri o e-mail com um mau pressentimento.

“Notificação de aplicação de multa por infração ao regulamento interno.”

Sentei na cama na mesma hora.

Li o texto inteiro duas vezes, já sentindo a raiva acordar antes de mim. Eu estava sendo multada em R$ 318,40 por ter fixado, sem autorização prévia da administração, um aviso impresso no mural do térreo da Torre-A. O aviso ficou exposto durante parte de uma tarde e convidava moradores para conversar sobre as contas do condomínio.

A infração citava uma regra de 1989 que proibia anúncios, convites ou cartazes particulares no mural sem aprovação do síndico. Eu me lembrava muito bem daquele papel. Tinha impresso em casa, numa folha simples, sem logotipo, sem ataque pessoal. O texto só dizia:

“CONVERSA ENTRE MORADORES SOBRE PRESTAÇÃO DE CONTAS DO CONDOMÍNIO. QUINTA-FEIRA, 19H30, NO SALÃO DE FESTAS. TODOS BEM-VINDOS.”

O filho da puta tinha me multado por causa disso.

Levantei da cama ainda de camiseta larga e calcinha, fui até a cozinha e preparei café com tanta raiva que derramei pó no balcão. Enquanto a água esquentava, abri o anexo da notificação. Havia uma fotografia do meu aviso preso ao mural, com data e horário. Alguém tinha parado na frente daquele papel, tirado uma foto e enviado pro síndico como se tivesse descoberto uma boca de fumo no hall de entrada.

— Que prédio cheio de gente desocupada do caralho — murmurei sozinha.

Tomei o primeiro gole de café em pé. A multa tinha sido emitida na noite anterior. O prazo para contestação era de dez horas. A assinatura eletrônica vinha apenas como “Administração do Condomínio”, o que me irritou ainda mais. O síndico adorava se esconder atrás de papel timbrado.

Abri meu notebook na mesa da cozinha e fui direto no regimento interno. Demorei alguns minutos porque o regulamento interno parecia ter sido montado por pessoas que acreditavam que grampear folhas aleatórias era uma forma legítima de organização. Na prática, era um conjunto de leis que se acumulavam ao longo das décadas, muitas contraditórias entre si pelos períodos diferentes em que foram promulgadas, sem que ninguém as atualizasse ou consolidasse.

Achei a norma, datada de 1989. O mural havia sido criado para comunicados oficiais, e a proibição de anúncios particulares aparecia no meio de uma sequência de regras sobre rifas, excursões e venda de quitutes. Ela tratava de anúncios comerciais, rifas e eventos particulares com cobrança. Meu convite não vendia porra nenhuma. Salvei a regra, a foto do aviso e a notificação numa pasta chamada “MULTA MURAL”.

Depois do banho, me vesti para trabalhar e respondi ao e-mail pedindo cópia integral da norma, identificação do responsável pela denúncia e indicação do procedimento de defesa.

No elevador, fiquei encarando meu próprio reflexo. Meus seios pequenos se ajustavam discretamente sob a camisa, minha cintura aparecia bem marcada pela calça e o blazer moldava meus ombros. Eu parecia calma. Isso era útil quando por dentro eu estava pronta para arrancar tinta da parede com as unhas.

Na garagem, encontrei outra multa por estacionamento irregular num envelope preso sob o limpador do meu carro. Aparentemente, meu carro estava 3 cm mais próximo da faixa do que a distância mínima obrigatória definida em 1995. Aquilo era um recado óbvio. Alguém queria que eu entendesse que estava sendo observada. Dobrei a folha, guardei na bolsa e entrei no carro.

— Beleza, Alberto. Agora você conseguiu a minha atenção inteira.

Eu tinha uma manhã cheia no jornal. Estava fechando uma matéria sobre contratos de manutenção em prédios públicos que haviam sido pagos duas vezes pelo mesmo serviço, com notas emitidas em datas diferentes e fotografias repetidas como prova de execução. Era o tipo de pauta que me deixava completamente ligada. Havia recibos, planilhas tortas e pessoas fingindo que não entendiam perguntas básicas. Eu adorava quando alguém mentia mal.

Minha primeira ligação foi para o responsável que havia prometido os comprovantes corrigidos.

— Aqui é a Tatiana. O senhor disse que teria os documentos hoje. Preciso deles até 11h. Depois disso, a matéria sai informando que o senhor não apresentou explicação.

Ele tentou ganhar tempo e encerrou a ligação prometendo retornar. Anotei o horário.

Pensei na multa. Eu precisava separar meu trabalho da briga do condomínio. Podia investigar aquilo como moradora e guardar documentos para a eleição, mas não usaria o jornal como arma pessoal.

Durante o restante da manhã, recebi duas fotografias de documentos, ouvi uma gravação curta de alguém que preferia não se identificar e confrontei um segundo responsável por telefone. Perto das 11h, o homem retornou dizendo que havia ocorrido um erro de lançamento. Perguntei se o dinheiro tinha voltado. Depois de uma pausa, ele respondeu:

— Isso ainda está sendo tratado.

Anotei a frase. Quase sempre significava que esperavam não ser questionados de novo.

A matéria estava tomando forma. Escrevi a abertura, reordenei os documentos e enviei um trecho para edição antes do almoço. Meu estômago reclamava, mas eu não estava com vontade de sair. Comi um sanduíche ruim na própria mesa.

Então, recebi a resposta do Alberto se passando por “administração do condomínio”.

Anexou uma cópia da regra que eu já tinha e escreveu que a identificação de quem comunicou a infração seria preservada. Também informavam que, segundo uma norma de 1988, a defesa deveria ser protocolada por escrito na sala administrativa durante horário comercial ainda hoje.

Ódio.

Só não surtei e fui lá espancar aquele bigodudo porque recebi uma mensagem no celular.

[Jéssica]: “Soube que você também ganhou presente do síndico. Está livre para almoçar amanhã? A Fernanda vai comigo. Acho que precisamos conversar.”

Sorri pela primeira vez naquele dia.

Eu e Jéssica ainda éramos amigas de cumprimento. Ela sempre parecia genuinamente gentil. Respondi que sim. Combinamos horário e lugar.

Na quarta-feira, acordei antes do despertador para acompanhar a publicação da matéria que havia fechado no dia anterior. Li o texto no site do jornal enquanto tomava café. Cheguei cedo à redação e passei a manhã conferindo retornos. Recebi duas mensagens com informações novas que ainda precisavam ser verificadas. Era assim que uma matéria crescia: alguém lia, reconhecia o problema e resolvia falar.

Perto do meio-dia, fechei o notebook e peguei minha bolsa. O almoço seria num restaurante a poucas quadras dali, escolhido pela Jéssica porque ficava bom para todas. Encontrei as duas numa mesa perto da janela.

Jéssica já estava sentada, de camiseta clara ajustada e uma calça leve que abraçava bem suas pernas. Mesmo sentada, as coxas torneadas dela chamavam atenção, largas e firmes, e a camiseta marcava os seios médios-cheios. Ela tinha o cabelo castanho-claro preso num rabo de cavalo baixo e aquele sorriso aberto que melhorava qualquer ambiente.

Fernanda estava ao lado dela e era impossível passar despercebida. Alta, bronzeada, com pernas longas e uma postura que fazia tudo nela parecer ainda mais bonito. Usava uma blusa sem mangas e saia na altura dos joelhos. Os seios volumosos apareciam bem marcados pelo tecido, a cintura era fina e a bunda redonda se destacava quando ela se levantou para me cumprimentar. Fernanda era uma das mulheres mais gostosas que eu já tinha visto de perto.

Eu gostava das duas, mas ainda não tinha intimidade com Jéssica. A Fernanda levantou para me abraçar.

— Chegou a terceira multada. Senta, porque a lista está crescendo.

Jéssica tirou um envelope da bolsa e me entregou. Ela e o marido tinham levado multa por usar o elevador social depois das 22h.

— Multaram a gente por subir pro próprio apartamento — disse ela. — E já soube de multa por toalha na varanda, por encomenda de ração e por visita em casa à noite.

Pousei o envelope na mesa.

— Eu levei multa por convidar moradores para discutir as contas do condomínio.

Jéssica apertou os lábios.

— Ele está escolhendo as pessoas.

— Também pensei nisso.

Jéssica contou como ficou furiosa ao abrir a notificação, principalmente porque o marido tentou acalmá-la dizendo que resolveriam por escrito, enquanto ela queria descer naquele instante e exigir explicações.

— Eu sei que discutir gritando não resolve — disse ela. — Mas tem horas que ser adulta é uma merda.

— Não vamos vencer se nos rebaixarmos a brigar com ele. Temos que vencer com inteligência — respondi.

Jéssica ficou séria outra vez.

— Eu não quero que o prédio vire um lugar onde todo mundo tenha medo de falar. Tem gente mais velha que nem sabe responder uma multa dessas. O síndico vai conseguir fazer muito estrago antes que alguém o pare.

Eu tinha pensado nos moradores antigos, nos conselhos que desapareceram e nas decisões aceitas porque ninguém queria comprar briga.

— Foi por isso que colei o aviso — falei. — Quero que as decisões do condomínio deixem de ser aceitas por cansaço.

— Eu iria nessa conversa. Agora, depois da multa, vou com mais vontade ainda.

Quando ela perguntou se eu tentaria ser síndica de novo, respondi que sim. Eu não conseguia ver o prédio ser administrado daquele jeito e ficar quieta.

— Então começa comigo — disse Jéssica. — Está na hora de você ter gente do seu lado de verdade.

Eu estava cansada de carregar aquela briga sozinha.

— Obrigada.

— Não agradece ainda. Eu posso ser bem insistente.

— Perfeito. Eu também.

Fernanda sorriu, satisfeita com a aliança que tinha ajudado a formar. Pedimos sobremesa e o almoço passou a incluir assuntos comuns. Eu ria com facilidade. Fazia tempo que não me sentia tão à vontade com alguém que eu ainda estava conhecendo melhor.

— Eu achava que você não gostava muito de mim. Você sempre parecia observar tudo de longe. E eu sei que, para algumas pessoas, pareço aquela mulher que vive numa bolha.

— Eu observo mesmo. Mas nunca achei que você fosse falsa. Acho que só nunca tivemos oportunidade de conversar melhor.

Ela riu.

— Ainda bem que remediamos isso agora.

Antes de irmos embora, Jéssica me enviou as fotografias que tinha no celular e pediu minha defesa para adaptar ao caso dela. Saímos do restaurante juntas. Jéssica se despediu com um abraço, daqueles demorados o suficiente para demonstrar carinho sem forçar intimidade. Fernanda me apertou logo depois, perfumada e quente, e seguiu com Jéssica pro outro lado da rua.

Voltei à redação me sentindo diferente de quando tinha saído. O trabalho ainda estava me esperando. Havia respostas para conferir e uma pauta nova começando a se formar a partir das mensagens recebidas pela manhã. Sentei na minha mesa, abri o notebook e passei quase duas horas lendo documentos, fazendo ligações e marcando trechos importantes em um arquivo.

Para mim, era óbvio que todas as pessoas multadas recentemente eram aquelas que tinham apoiado alguém contra o síndico ou demonstrado publicamente incômodo com suas decisões. E algo tinha mudado nas últimas semanas para ele passar a colocar suas garrinhas de fora. Ele não costumava multar nem as piores infrações.

Mas tinha uma peça que não se encaixava: perseguir os opositores com multas injustas antes que eles se organizassem era despótico, mesquinho e... burro! Era o tipo de ação que atrai muita atenção, gera muito ódio e faz as pessoas conversarem entre si. Em vez de expulsar os opositores, ele estaria os juntando e lhes dando motivação em troca de uma satisfação de birra momentânea. É um movimento idiota demais pro síndico. Devia ter uma pegadinha escondida. Uma armadilha preparada para nós que eu não conseguia encontrar.

Terminei o expediente bem tarde naquele dia, mas tinha um happy hour para ir com os colegas. Antes de sair, encontrei uma mensagem da Jéssica dizendo que tinha gostado muito do almoço e que fazia tempo que não se sentia tão à vontade com alguém que ainda estava conhecendo melhor. Respondi que também tinha gostado e que deveríamos ter almoçado juntas antes.

Depois disso, me juntei com uns cinco colegas e fomos para um barzinho ali preto. Eu usava uma blusa preta justa de mangas curtas, calça jeans escura marcando bem a minha bunda e botas baixas. Meu cabelo estava solto, com a franja caindo nos olhos de tempos em tempos. Sentei com meus colegas, aceitei a primeira cerveja e tentei relaxar. As duas primeiras horas foram bem agradáveis.

— Não caça encrenca hoje — disse um colega, antes de ir embora.

— Só depois de terminar a cerveja.

Ele riu e saiu. Foi quando reparei no Lucério sentado sozinho em uma mesa no canto, de costas para a parede, inclinado sobre um copo. Vestia uma camisa escura amarrotada nos cotovelos. A postura corcunda parecia ainda pior quando ele bebia sozinho.

Ele estava sentado sozinho em uma mesa no canto, de costas para uma parede, como se até num bar de bairro precisasse garantir que ninguém o atacaria pelas costas. Na mesa, uma garrafa de cerveja quase vazia e um copo com um resto de outra bebida.

Demorei alguns instantes para decidir se aquilo era sorte, azar ou uma oportunidade. Eu nunca tinha visto Lucério bebendo sozinho. Sempre o encontrava circulando com aquela presença de defunto mal-humorado que sabia mais do que deveria. Bêbado e aparentemente abandonado à própria irritação, ele talvez falasse mais do que costumava.

Peguei meu copo, despedi-me dos colegas que ainda estavam na mesa e fui até ele.

— Posso sentar ou vampiros só bebem acompanhados de cadáveres?

Lucério levantou os olhos devagar. Parecia cansado e bêbado o suficiente para não esconder totalmente o mau humor.

— Veio me importunar?

— Também.

Puxei a cadeira e sentei sem esperar convite. Ele olhou para o meu copo, depois para mim, tentando entender o que eu queria. Pela primeira vez, era ele quem parecia desconfortável.

— Está comemorando alguma vitória ou bebendo por causa de uma mulher? — perguntei.

— Bebendo.

— Então, é mulher.

Ele não respondeu. Pedi outra cerveja, e ficamos algum tempo falando pouco, cada um tentando medir o outro. Eu ainda queria descobrir alguma coisa útil, mas o Lucério daquela mesa parecia menos perigoso e mais derrotado.

Quando o meu copo chegou, ele pediu mais uma dose de cachaça. Experimentei um gole do copo dele e fiz uma careta.

— Isso tem gosto de castigo.

— Combina comigo.

A frase saiu seca, sem graça forçada. Ali, eu soube que alguém tinha machucado o orgulho daquele homem. Quando pedi a segunda cerveja, ele pediu mais uma dose de cachaça.

Ele bebeu novamente, olhando para o copo como se houvesse algo muito interessante no fundo. Aos poucos, o silêncio deixou de parecer uma disputa e passou a ter um cansaço compartilhado. Eu ainda queria arrancar informações dele. Só que o Lucério daquela mesa parecia muito menos o homem que comandava segredos do condomínio e muito mais um sujeito derrotado por alguma coisa recente.

— Quem foi? — perguntei.

Lucério bebeu antes de responder.

— Há mulheres que dizem admirar inteligência — começou, sem olhar para mim. — Dizem gostar de conversa, de caráter, de alguém que as compreenda. Então aparece um homem bonito, cheio de músculos, com um pau desproporcional, e toda essa conversa evapora.

Fiquei quieta.

A voz dele tinha amargura demais para ser uma opinião abstrata. Aquilo vinha de alguma ferida recém-aberta.

— É fácil rir de homens inseguros — continuou. — Fácil chamar tudo de fragilidade masculina. Algumas mulheres alimentam uma imagem de pureza e exigência moral. No fim, basta aparecer o corpo certo e o resto vira detalhe.

Ele olhou para mim finalmente. Os olhos estavam vermelhos pelo álcool ou pelo rancor.

— Você perguntou. Essa é a resposta.

Tomei um gole de cerveja e apoiei o copo na mesa.

— Isso foi uma das coisas mais redpill que já ouvi ao vivo.

Ele soltou uma risada sem humor.

— Claro. Porque qualquer crítica feita por um homem frustrado ganha esse rótulo e pode ser descartada.

— Não. Ganha esse rótulo quando o homem transforma a própria rejeição numa teoria sobre mulheres. Você não está dizendo que uma mulher machucou você. Está dizendo que mulheres são superficiais porque uma delas quis transar com um homem mais gostoso.

O maxilar dele apertou.

— Você não sabe o que aconteceu.

— E você não sabe o que aconteceu dentro da cabeça dela. Talvez ela tenha querido trepar com um cara bonito e pausudo porque estava com tesão. Mulheres também têm tesão, Lucério. Não precisam justificar uma foda com um tratado sobre compatibilidade intelectual e moral.

Ele ficou calado.

— E outra coisa: você estava apaixonado por uma mulher da sua idade, com o seu corpo e o seu charme de morcego gripado? Ou escolheu uma mulher gostosa, jovem, bonita, com um corpo que chama atenção de qualquer homem?

Lucério baixou o olhar para o copo. Aquilo me mostrou que eu tinha acertado.

— Ela é mais do que bonita.

— Acredito. Mas você reparou nela antes de saber tudo isso, não reparou? Você não foi seduzido primeiro pelo caráter abstrato dela. Você viu uma mulher gostosa e ficou obcecado.

Ele demorou para responder.

— Sim.

A simplicidade da resposta me desarmou um pouco.

— Então pronto. Você pode ficar magoado. Pode achar uma merda. Pode beber até começar a conversar comigo por livre vontade. Mas não venha agir como se fosse moralmente superior porque ela sentiu tesão por alguém com um corpo que você gostaria de ter.

Lucério girou o copo entre os dedos. Durante alguns segundos, pensei que ele se levantaria e iria embora. Em vez disso, bebeu e apoiou os braços na mesa.

— Talvez você tenha razão.

O Lucério pediu outra rodada para os dois e, quando os copos chegaram, perguntou:

— E você? Veio até aqui só para me chamar de hipócrita?

— Vim tentar descobrir alguma coisa útil enquanto você estava bêbado.

— Pelo menos, é honesta.

Bebi antes de perceber que estava prestes a falar mais do que devia.

— Meu ex-marido vazou fotos e vídeos meus depois do divórcio. Mandou para os funcionários do prédio porque ficou puto por eu ter ficado com o apartamento.

Lucério parou de beber.

— Sinto muito.

— Eu sobrevivi. Fiz acordo com os funcionários, obriguei o Rômulo a apagar tudo e mantive aquilo longe dos moradores. Só que, depois de uma merda dessas, a confiança nunca volta inteira. Eu entro num elevador pensando quem já me viu pelada.

Lucério afastou o copo.

— Seu ex-marido é desprezível.

— Eu sei que foi você quem proibiu os funcionários de espalharem aquilo.

Ele ficou quieto.

— Você viu meus vídeos? — perguntei.

— Não.

— Nem as fotos?

— Não eram minhas para ver.

A resposta veio seca e simples. O pior foi que acreditei nele.

— Passei meses achando que você guardava cópias em alguma pasta nojenta.

— Eu guardo informações que servem para alguma coisa. Material íntimo vazado por vingança só serve para humilhar alguém.

Aquilo mexeu comigo mais do que eu gostaria. Eu ainda queria derrubá-lo, mas já não conseguia tratá-lo como um monstro simples.

— Você continua sendo um filho da puta por várias outras razões.

— Nunca pedi absolvição.

— Ótimo.

Por alguns minutos, ficamos em silêncio. O bar estava esvaziando, e eu já tinha bebido o bastante para não esconder o que me incomodava.

— Eu odeio o Alberto — falei. — Ele deixou o prédio apodrecer enquanto aumentava as taxas. Gente aposentada teve que sair porque não conseguia mais pagar para continuar morando onde viveu por décadas. Ele esvaziou os conselhos e passou a fazer o que queria. Eu perdi duas eleições para um homem que só sabe sorrir e enrolar.

Lucério bebeu devagar.

— O Alberto se mantém porque as pessoas preferem suportá-lo a gastar energia enfrentando-o e temem o que viria em seu lugar.

— E porque você protegeu ele.

— Sim.

— Por quê?

— Porque me servia.

A resposta me irritou justamente por ser honesta.

— Meu ex-marido votou nele na frente de todo mundo. Fez questão de me diminuir. Acho que foi ali que entendi que o meu casamento já estava fodido.

Lucério ficou olhando para o copo.

— Você não perdeu porque era incapaz. Perdeu porque a maioria das pessoas prefere que nada aconteça do que ter que se mexer e mudar hábitos para que elas melhorem.

Aquilo era quase um elogio. Vindo dele, me deixou desconfiada e satisfeita ao mesmo tempo.

— E agora? O Alberto ainda serve a você?

— Cada vez menos.

— Então, por que você não o derruba?

— Porque prometi a uma pessoa que não faria politicagens até ela me liberar.

Meu corpo ficou alerta, apesar da bebida. Eu podia pressionar, tentar arrancar detalhes, transformar aquela noite em vantagem. Só que eu também estava cansada de conversar como se toda pessoa fosse uma fonte ou uma ameaça.

Ele me encarou por cima do copo.

— Você é mais parecida comigo do que gosta de admitir. Observa todo mundo, guarda informação e escolhe a hora de atacar. Também não confia em quase ninguém.

A frase atingiu um lugar que eu preferia manter protegido.

— Eu ainda gosto das pessoas.

— Você ainda é jovem. Isso vai mudar.

— Espero que não.

— Se serve de consolo, você é uma das exceções.

Ele sorriu de leve. Foi estranho perceber que eu conseguia enxergar alguma humanidade naquele rosto feio e fechado. Mais estranho ainda foi perceber que ele estava olhando para mim com tesão.

— Aquela mulher ainda importa? — perguntei.

— Importa.

— Então por que está olhando para mim assim?

— Porque você está aqui.

A resposta deveria ter me ofendido. Só me deixou excitada. Pedi a conta antes que meu bom senso voltasse. Saímos juntos, andando até o condomínio. A distância que ele mantinha entre nós começou a me irritar.

— Você vai passar o caminho inteiro fingindo que não quer me beijar?

O Lucério parou.

— Você bebeu demais.

— Você também. E eu ainda sei o que estou fazendo.

Ele hesitou. A hesitação dele me excitou mais do que deveria. Agarrei a gola da camisa escura.

— Então para de pensar tanto.

Ele me beijou ali mesmo, perto do portão do condomínio, com gosto de cerveja e cachaça. O beijo começou torto, depois encaixou depressa. Quando nos afastamos, eu já tinha escolhido fazer merda.

— Meu apartamento.

Ele respirou fundo, ainda olhando para a minha boca.

Eu e Lucério chegamos ao meu apartamento tropeçando e nos beijando. Eu não acreditava que estava beijando aquele velho decrépito de volta. Mas estava e porque queria. O beijo começou meio torto, com pressa e bafo de cerveja e cachaça, mas logo encaixou.

Agarrei a camisa dele pela gola e empurrei seu corpo contra a parede da entrada. Ele soltou um som baixo, surpreso, talvez ofendido por ter gostado. O Lucério tinha aquele corpo seco demais, ombros estreitos, postura meio curvada, mas havia uma força nervosa nele que eu não esperava.

— Você tem certeza? — perguntou, baixo.

— Tenho — respondi, encarando a boca dele. — E você?

— Tenho.

— Então não estraga.

Me beijou de novo, e fomos avançando pelo apartamento aos tropeços. Bati a bunda no aparador da sala, ele derrubou uma revista no chão, eu quase ri no meio do beijo. Aquilo tudo era ridículo, mas fazia sentido na minha cabeça alcoolizada.

Ele me prensou contra a estante. As mãos dele foram para minha cintura, por cima da blusa, depois desceram até a minha bunda por cima do jeans. Apertou com uma vontade quase raivosa. O LUCÉRIO ESTAVA APERTANDO A MINHA BUNDA. Eu nunca me recuperaria psicologicamente disso.

Mordi o lábio dele, e ele respirou fundo pelo nariz, daquele jeito contido de quem queria fingir que ainda mandava em si mesmo.

No caminho até o quarto, ele abriu o botão da minha calça jeans com uma habilidade irritante. Puxei a camisa dele para fora da calça e senti a pele seca da barriga dele sob meus dedos. Não havia nada de atlético ali. O Lucério era magro, duro nos lugares errados, com aquele corpo de homem que parecia ter sido desenhado por alguém que odiava sol. Ainda assim, meu corpo reagia.

Chegamos ao quarto aos beijos. Ele tentou tirar minha blusa, embolou a manga no meu braço e quase levou um tapa sem querer. Eu ri contra a boca dele, mais bêbada do que orgulhosa.

— Calma, desgraçado.

Ele me olhou com irritação, mas beijou meu pescoço logo em seguida. A boca dele desceu devagar, chupando minha pele com força suficiente para me fazer arfar. Meu corpo inteiro respondeu de um jeito vergonhoso. Tinha passado tempo demais tratando Lucério como um vampirão na minha cabeça, e aquela fantasia idiota escolheu justamente a minha cama para virar fetiche. A lembrança da festa de carnaval voltou. Ele chupando pescoço da Jéssica, ela fingindo que aquilo era só brincadeira.

Agora era comigo, e meu corpo parecia decidido a me humilhar até o fim.

Tirei minha blusa de uma vez e fiquei só de sutiã. Ele parou por um instante, olhando meu corpo. Eu era bem diferente dele. Minha pele clara tinha um bronze discreto, cintura marcada e abdômen plano. Meus seios eram pequenos para médios, redondos, firmes, com aréolas rosadas pequenas e mamilos discretos que já estavam duros. Minha bunda era firme, oval e alta, sem exagero. Minhas coxas eram esguias, com músculo suficiente para mostrar que eu treinava.

Quando tirei a calça, fiquei de calcinha diante dele. O tecido fino deixava entrever meus pelos pubianos castanho-escuros aparados em triângulo compacto sobre o púbis. Minha buceta já estava molhada, e aquilo me irritou quase tanto quanto me excitou. O Lucério ainda estava vestido, pálido, magricela, levemente curvado, com aquela cara de homem que passava mais tempo vigiando a vida dos outros do que tomando sol. Mesmo assim, a calça dele não escondia mais nada. O pau estava duro, marcando o tecido de um jeito impossível de ignorar.

Ele passou os dedos pelos meus seios, por cima do sutiã, e respirou fundo.

— Você gosta de me provocar — disse ele.

— Eu gosto de vencer.

— Hoje, você não parece muito interessada em vencer.

Ele abriu meu sutiã e levou a boca a um dos meus mamilos. A língua dele passou devagar, depois os lábios chuparam com mais força. Eu fechei os olhos, irritada com o quanto aquilo era bom. O Lucério sabia usar a boca. Aquilo era uma informação que eu jamais poderia admitir em voz alta sem destruir minha autoestima.

Minhas mãos desceram até a calça dele. Abri o botão, puxei o zíper e senti o pau duro por baixo da cueca. Era maior do que eu esperava. Não combinava com ele, o que me deixou ainda mais irritada. Era como descobrir que um vilão de novela tinha bom gosto musical.

— Ainda sabe usar isso, Lucério? — provoquei. — Será que aguenta?

Ele ficou quieto. O olhar dele endureceu, e por alguns segundos achei que a provocação tinha passado do ponto. Então, ele me beijou com força e enfiou a mão dentro da minha calça. Os dedos dele acharam a minha buceta por cima da calcinha, já molhada.

— Você fala demais — disse ele.

— E você demora demais.

O Lucério se ajoelhou na minha frente. Por um segundo, o absurdo da cena quase me fez rir. Meu pior inimigo ajoelhado diante da minha buceta. A risada morreu quando ele puxou minha calcinha para baixo.

Ele beijou a parte interna da minha coxa. Depois, a outra. Eu apoiei uma das mãos no cabelo ralo dele, sentindo a textura fina entre meus dedos. Quando a boca dele encostou na minha buceta, perdi qualquer vontade de fazer comentário.

O Lucério chupou devagar no começo. Lento demais. Quase cruel. Passou a língua pelo meu clitóris, abriu meus lábios com os dedos e chupou com vontade. O som molhado da boca dele me deixou sem ar. Eu forcei a cabeça dele contra mim, sem delicadeza nenhuma, e ele aceitou, enfiando mais a língua.

— Isso, Lucério — gemi. — Chupa minha buceta.

Ele chupava como se quisesse provar alguma coisa. Talvez para mim. Ele alternava a língua e os lábios, chupando meu clitóris até minhas pernas ficarem bambas. Tive que me segurar nos ombros dele. O velho vampiro era magricela, mas a boca dele era uma arma de destruição de rancor. Eu já estava molhada demais, com a buceta pulsando, quando ele parou.

— Por que parou? — perguntei, ofegante.

— Porque você ainda vai pedir.

— Filho da puta.

Ele sorriu de um jeito irritante. Empurrei o ombro dele para trás, fazendo-o se levantar, e o joguei sentado na beirada da cama. Tirei a calça dele, depois a cueca. O pau saltou duro, grosso o bastante para me fazer olhar com mais atenção, com veias aparentes e a cabeça inchada. Não era o corpo que eu esperava desejar. Mas aquele pau, naquela hora, merecia respeito.

Ajoelhei entre as pernas dele e segurei a base. Dei uma lambida lenta na cabeça, sentindo o gosto salgado da pele. Lucério fechou os olhos e soltou um suspiro baixo. Aquilo me deu poder. Talvez fosse por isso que eu gostava tanto de chupar um homem nessa posição. Ajoelhada, sim, mas com o controle da respiração dele na minha língua.

Coloquei a cabeça do pau na boca e chupei com vontade. Desci aos poucos, sentindo o volume ocupar minha boca. Ele era grande o suficiente para exigir cuidado, mas longe de parecer o do Antônio. Chupei cada centímetro, usando a mão no que não entrava, lambendo a veia mais saliente, deixando a saliva escorrer.

O Lucério segurou meu cabelo, sem puxar ainda. O gesto me arrepiou.

— Você gosta disso — murmurou.

Tirei o pau da boca, olhei para ele e sorri. Voltei a chupar. Ele gemeu mais forte quando engoli um pouco mais fundo. Fiquei ali até sentir o pau dele pulsar na minha língua. Ele estava perto. Parei antes que acabasse.

— Ainda não — falei.

Levantei e tiramos o resto da roupa. A visão era estranha e excitante do jeito mais errado possível. Lucério nu continuava magro, pálido, com a barriga lisa de quem não tinha gordura porque talvez se alimentasse de ressentimento. Havia algo quase cômico em ver aquele homem tão sério, tão cheio de pose, com o pau duro apontado para mim.

Deitei na cama e abri as pernas. Minha buceta estava molhada, inchada. O Lucério veio para cima de mim e se ajeitou entre minhas coxas. O pau dele roçou na entrada da minha buceta, duro, com a cabeça inchada espalhando minha própria umidade.

Ele hesitou por um instante. Eu também. Aquela era uma péssima decisão, mas nós dois ainda estávamos lúcidos o bastante para saber o que estávamos fazendo. Senti o pau dele encostar de novo na minha buceta. Arfei antes mesmo de ele entrar.

— Me come, velho safado.

Ele entrou de uma vez, fundo o bastante para me fazer prender o ar. Minha buceta abriu para aquele pau quente e duro, molhada demais para fingir qualquer dignidade. O Lucério veio por cima, apoiando os braços ao lado do meu corpo magro, e começou a meter com força controlada. No começo foi lento, talvez por medo de não aguentar, talvez porque queria me ouvir pedir.

A cada estocada, o pau dele entrava mais fácil. Eu abri mais as pernas, puxando-o com as coxas, e ele entendeu o recado. O corpo magricela dele se encaixava sobre o meu de um jeito estranho, mas o pau preenchia minha buceta tão bem que qualquer nojo morria antes de aflorar.

— Mais forte — falei.

Ele meteu mais forte. A cama rangeu. O som dos nossos corpos começou a preencher o quarto. Pele contra pele, respiração falhando, minha buceta molhada recebendo cada estocada daquele homem que eu pretendia continuar odiando depois. Segurei as costas dele, sentindo os ossos sob a pele.

Meu Deus, eu estava mesmo transando com Lucério. O mesmo Lucério que eu imaginava escrevendo dossiês na madrugada.

— Isso, Lucério — gemi. — Fode minha buceta.

Ele perdeu um pouco do ritmo ao ouvir aquilo. Homem gosta de ser chamado pelo nome no meio da putaria, principalmente quando passa a vida fingindo que não tem vaidade. Ele enterrou o rosto no meu pescoço e começou a beijar minha pele. A boca dele subiu para minha orelha. A respiração estava pesada.

— Você é muito gostosa, Tatiana.

— Aguenta, então, filho da puta.

Ele riu baixo, quase sem som. Depois meteu mais fundo, como se a resposta tivesse ofendido alguma parte íntima do orgulho dele. Gemi alto. Ele levou uma mão aos meus seios, apertando um deles enquanto continuava metendo. Seus dedos passaram pelas minhas aréolas pequenas, beliscaram meus mamilos duros, e meu corpo inteiro contraiu em volta do pau dele.

Eu puxei a cabeça dele para meu pescoço.

— Chupa.

Ele parou por meio segundo e olhou para mim com uma expressão de “que porra é essa?”. Eu já estava no foda-se supremo.

— Chupa meu pescoço, maldito — insisti.

O Lucério obedeceu. A boca dele grudou no meu pescoço, chupando com força, e o prazer veio tão bruto que eu arranhei as costas dele sem querer. Ele gemeu contra minha pele e voltou a meter mais forte. O barulho dos corpos se chocando aumentou. Minha buceta ficou ainda mais molhada, apertando o pau dele a cada estocada.

Depois de alguns minutos, percebi que ele começava a cansar e tentava esconder. Isso quase me deu ternura, uma reação absurda e inaceitável para com o Lucério. Rolei por cima dele antes que o orgulho masculino virasse tragédia.

— Deita — mandei.

Ele obedeceu. Subi em cima, segurei o pau dele e alinhei na minha buceta. Sentei devagar, sentindo cada centímetro entrar. Quando ele ficou todo dentro de mim, parei por um instante. Lucério fechou os olhos, o rosto tenso. Apoiei as mãos no peito cadavérico dele e comecei a rebolar.

Devagar no começo. Depois mais rápido. A posição me dava controle. Eu subia e descia no pau dele, sentindo a cabeça bater fundo. Meus seios pequenos balançavam, meus mamilos durinhos, meu abdômen contraindo a cada movimento. Ele apertou minha cintura com as mãos ossudas, depois subiu para os meus seios. Apertou com vontade, passando os polegares pelos bicos.

— Isso — falei, acelerando. — Segura meus seios.

Ele segurou. Eu cavalguei mais forte. A cama fazia barulho, minha respiração falhava, e o pau dele encaixava bem demais na minha buceta. Bem demais para alguém que eu pretendia voltar a odiar no dia seguinte. Minha buceta descia molhada naquele pau, lambuzando a base, enquanto ele me olhava como se ainda não acreditasse no absurdo daquela noite.

— Você vai me matar assim — ele disse.

— Aguenta, desgraçado.

Ele apertou meus seios com mais força. Aquilo me fez gemer. Inclinei o corpo para frente, esfregando minhas aréolas contra o peito magro dele, e continuei cavalgando. O suor começava a colar nossos corpos. A pele clara dele estava quente, e eu sentia cada respiração dele batendo no meu rosto.

Quando percebi que ele estava perto, saí de cima antes que acabasse. Virei de quatro na cama, apoiando os cotovelos no colchão. Era uma das posições que eu mais gostava, e naquela noite eu queria sentir tudo. Lucério se posicionou atrás de mim. Suas mãos agarraram minha cintura, e ele entrou de novo com uma estocada firme.

Gemi contra o lençol. Ele começou a me comer por trás, metendo num ritmo mais bruto. Minhas coxas tremiam. A cada estocada, a pélvis dele batia na minha bunda firme, fazendo aquele som indecente que sempre me deixava mais molhada. A mão dele subiu para meu cabelo. Segurou primeiro com cuidado.

— Puxa — pedi.

Ele puxou. Minha cabeça foi levemente para trás, e o prazer veio mais forte. O Lucério metia e puxava meu cabelo, alternando força e controle. Aquilo me deixou louca. Era errado demais gostar tanto. Pior ainda gostar sendo com ele.

— Assim, porra — gemi. — Enfia mais.

Ele obedeceu. O pau entrava fundo, minha buceta apertava em volta dele, e eu senti o orgasmo se aproximar rápido. Tentei segurar. Falhei. Gozei gemendo, com as pernas endurecendo e os dedos agarrados ao lençol. Minha buceta pulsou em volta do pau dele, e Lucério soltou um gemido rouco, quase perdendo o ritmo.

Ele não parou. Segurou minha cintura com uma mão e deu um tapa na minha bunda com a outra. O estalo ecoou no quarto. Eu gemi mais alto do que deveria.

— De novo — pedi.

Ele bateu de novo, mais forte. Minha bunda ardeu, minha buceta apertou, e o desgraçado percebeu. Passou a meter com mais força, dando tapas entre uma sequência e outra, enquanto o suor escorria pelas costas dele e pingava no meu corpo. A cama rangia, os corpos batiam, e eu só conseguia pedir mais.

— Filho da puta — gemi. — Não para.

Ele puxou meu cabelo outra vez, trazendo meu corpo para trás até minhas costas encostarem no peito magro dele. O pau continuava entrando fundo. Ele me segurou por baixo dos seios, apertando meus mamilos entre os dedos, e começou a meter de baixo para cima. A posição me deixou sem ar. Senti a cabeça do pau batendo num ponto que me fez ver branco por um instante.

— Fode minha buceta.

Ele meteu mais forte, quase com raiva. O som era obsceno. Eu estava suada, molhada, com a buceta latejando e a bunda ardendo dos tapas. Ele me soltou, e eu caí de volta no colchão, ofegante. Antes que ele cansasse de vez, me virei de lado e puxei a perna para cima.

— Assim — falei.

Ele entrou em mim de lado, segurando minha coxa. O pau deslizou fácil, afundando até o fim. Essa posição fez tudo parecer mais apertado. Minha buceta envolveu o pau dele com força, e ele soltou um palavrão baixo. Eu sorri, mesmo sem fôlego.

— Gostou, maldito?

Ele respondeu metendo mais fundo. A coxa dele batia na minha bunda, e o som molhado da minha buceta se misturava ao barulho da cama. Ele segurou minha perna no alto, abrindo meu corpo para ele, e começou a estocar com mais firmeza. Olhei por cima do ombro e vi o corpo pálido dele brilhando de suor. Magricela, quase cadavérico, completamente entregue. O contraste entre aquela aparência de homem seco e o pau duro me comendo era tão absurdo que meu tesão aumentava.

Gozei de novo nessa posição. Dessa vez mais baixo, mordendo o lençol, com o corpo inteiro tremendo. Lucério quase gozou junto. Senti as fisgadas do pau dele dentro de mim e empurrei o corpo dele com a mão.

— Ainda não.

Ele me olhou, ofegante.

— Você está me usando.

Aquilo me fez rir, mas a risada virou gemido quando ele voltou a entrar. Dessa vez fiquei deitada de barriga para cima, uma perna no ombro dele, a outra aberta ao lado do corpo. Lucério segurou minha coxa e começou a meter fundo, cada estocada fazendo minha buceta engolir o pau dele até a base. Eu via tudo: o pau entrando em mim, meus pelos escuros úmidos, minha buceta aberta e molhada recebendo aquele homem que eu deveria considerar uma ameaça.

— Olha para mim — ele disse.

Olhei. O rosto dele estava vermelho de esforço. A postura curvada tinha desaparecido naquela hora. Ele parecia menos velho, menos sombra, menos bicho de corredor. Parecia apenas um homem suado me comendo com vontade. Um homem normal. Corado. Condizente com a idade.

— Enfia tudo — falei.

Ele enfiou. Cada estocada vinha mais forte, e minha perna tremeu no ombro dele. Ele levou a mão livre ao meu peito e apertou um seio, esfregando o polegar no mamilo. Minha aréola rosada estava sensível, e o toque me fez arquear o corpo.

— Você gosta de apanhar na bunda e mandar — murmurou.

— E você gosta de obedecer, filho da puta.

Ele deu um tapa na minha coxa e continuou metendo. Eu ri e gemi ao mesmo tempo. Ele estava perto. Eu também. Sentei de repente, empurrando-o para trás, e fiz com que ele se encostasse na cabeceira.

— Agora fica quieto.

Sentei no pau dele de frente, com as pernas abertas sobre as dele. O encaixe foi fundo. Abracei o pescoço dele e comecei a cavalgar de novo, dessa vez mais grudada, mais suada. O peito magro dele roçava nos meus seios, meus mamilos duros raspando na pele dele. Ele segurou minha bunda com as duas mãos e ajudou no movimento, erguendo meu corpo para depois me puxar de volta até a base do pau.

O som da minha buceta molhada engolindo o pau dele era vergonhoso. Eu deveria ter ficado constrangida, mas fiquei foi mais excitada.

— Isso — ele gemeu. — Assim.

— Cala a boca e me come.

Ele segurou minha bunda com mais força e começou a me puxar contra ele, metendo de baixo para cima enquanto eu descia. O impacto dos corpos ficou mais forte. Eu sentia minha buceta sendo preenchida a cada movimento, o suor escorrendo entre meus seios, meus cabelos grudando no rosto. Minha franja caía sobre os olhos, e eu a soprei para o lado sem parar de cavalgar.

Então veio a ideia idiota de novo. Puxei a cabeça dele para meu pescoço.

— Chupa de novo.

Ele parou por um instante, com aquela mesma cara de incredulidade.

— Agora, porra.

Lucério soltou uma risada curta, derrotada, e chupou meu pescoço enquanto eu cavalgava. Pronto. A desgraça estava completa. Eu tinha fetiche em fingir que era vítima do Drácula da Shopee. Pior que o desgraçado ainda fazia bem feito.

Gozei outra vez, mordendo o ombro dele para abafar o som. Minha buceta apertou o pau dele com tanta força que ele travou.

Eu sabia o que vinha. Saí de cima dele antes do gozo. Ele pareceu quase ofendido.

— Não faz isso.

— Quero de outro jeito.

Empurrei-o para deitar de novo e fiquei por cima de costas para ele. Segurei o pau, sentei devagar e comecei a rebolar olhando para frente. Nessa posição, ele conseguia ver minha bunda encaixada nele, minha cintura fina, meu corpo subindo e descendo. As mãos dele foram direto para minha bunda. Apertou. Abriu. Deu um tapa forte, que me arrancou um gemido.

— Sua bunda é melhor do que eu imaginava — ele disse.

— Você imaginava minha bunda?

— Sou velho, não morto.

Eu ri, mas a risada quebrou quando ele estocou de baixo para cima. Rebolei mais rápido. O pau dele entrava fundo, a minha buceta fazia um som molhado a cada descida, e eu sentia o corpo dele começando a falhar atrás de mim. Ele estava no limite. O suor dele molhava minhas costas, e a respiração vinha pesada. Saí de cima outra vez, só para provocar. O Lucério me olhou com irritação e tesão.

— Você quer me enlouquecer.

— Talvez.

Não tinha muito o que fazer, ele estava no limite. Deitei de costas no colchão, abri as pernas e olhei para ele. Lucério veio sem perder tempo. Entrou fundo, apoiou o corpo sobre o meu e me abraçou enquanto metia. Eu abri mais as pernas para receber aquele pau, sentindo minha buceta molhada apertar em volta dele. Meu corpo se contorcia a cada estocada. Ele estava no limite.

— Enche minha buceta de porra — falei no ouvido dele.

Ele gemeu baixo, quase como se a frase tivesse quebrado o último pedaço de controle. Senti o pau dele pulsar dentro de mim. Depois veio o gozo, quente, em jatos, enchendo a minha buceta enquanto ele permanecia enterrado até o fim.

Lucério continuou dando pequenas estocadas, como se quisesse colocar cada gota mais fundo. Segurei os ombros dele, respirando com dificuldade, ainda sentindo os espasmos do meu próprio corpo. Ficamos grudados por alguns minutos, sem falar. O pau dele ainda dentro de mim, meu corpo suado contra o dele, a cama bagunçada em volta. Eu deveria estar arrependida, mas naquele momento, só estava exausta, mole e satisfeita de um jeito que me irritava.

Ele se deitou ao meu lado. Eu quase fiz uma piada, mas a preguiça venceu. O Lucério passou um braço pela minha cintura e me puxou para perto. Aquela foi a parte mais estranha da noite. Não esperava carinho dele.

Fiquei encaixada no corpo magro dele, sentindo sua respiração desacelerar na minha nuca. Antes de apagar, minha cabeça produziu dois pensamentos lúcidos e inconvenientes. O primeiro era que eu tinha trepado com meu pior inimigo e gostado muito mais do que qualquer mulher sensata admitiria. O segundo era que tínhamos transado sem camisinha e a Tatiana sóbria teria de resolver aquele problema quando acordasse.

Decidi odiar a mim mesma no dia seguinte. Naquela noite, só fechei os olhos e dormi abraçada com o Lucério.

Acordei com a cabeça latejando, a boca seca e o corpo dolorido. O quarto cheirava a sexo e bebida. Ainda de olhos fechados, senti um braço magro atravessado sobre a minha cintura e uma respiração quente na minha nuca. Abri os olhos. O relógio marcava 5h27. Virei devagar e encontrei Lucério dormindo nu atrás de mim, com o cabelo ralo bagunçado e o rosto amassado no meu travesseiro. Sem roupa escura e sem aquela pose de homem que controlava os segredos do prédio, ele parecia apenas um cinquentão magrelo.

Eu também estava nua. Minha calcinha estava caída perto da cama, a calça jeans tinha parado junto à porta e a camisa dele estava jogada sobre a cadeira. A lembrança voltou inteira.

Puta que pariu.

O Lucério despertou e se sentou depressa demais. Levou uma mão à cabeça, fechando os olhos por causa da ressaca. Depois olhou para mim, para o próprio corpo nu e pra bagunça do quarto.

— Você lembra de ontem?

Ele ficou calado. Vi os pedaços da lembrança voltando no rosto dele, acompanhados de uma vergonha que eu jamais imaginara ver em Lucério.

— Eu me lembro — disse ele, rouco.

— Que ótimo. Pelo menos, não vou precisar desenhar.

Puxei o lençol até os seios e me sentei na cama. Outra lembrança veio logo depois, e essa me deixou completamente sóbria.

— Nós transamos sem camisinha. E você gozou dentro de mim porque eu mandei. Puta que pariu.

Lucério perdeu a pouca cor que ainda tinha no rosto.

— Eu vou com você comprar a pílula do dia seguinte agora.

Aquilo me irritou mais do que qualquer desculpa teria irritado. Passei os dedos pelo pescoço e senti a marca que ele deixara.

— Olha essa porra aqui.

O Lucério encarou o chupão.

— Você pediu.

— Eu sei que pedi. Ainda assim, vou ter que esconder uma marca de vampiro velho no pescoço.

A boca dele quase formou um sorriso.

Ele puxou o lençol sobre a cintura, e eu quase ri apesar da ressaca. Eu tinha passado meses tratando Lucério como uma ameaça sombria e agora discutia com ele sobre chupão enquanto ele escondia o pau com meu lençol.

Levantei com outro lençol enrolado no corpo e fui ao banheiro. No espelho, confirmei o estrago. Havia outra marca mais discreta perto da clavícula. Quando voltei, ele estava se vestindo.

— Você vai embora agora? — perguntei.

Ele parou com um botão entre os dedos.

— Achei que seria o que você preferiria.

— Eu não sou um monstro. Você fica para tomar um café da manhã.

Ele terminou de abotoar a camisa. Peguei uma camiseta larga no armário e vesti por baixo do lençol, depois fui até a cozinha colocar água para esquentar. Minha cabeça ainda doía demais para eu lidar com qualquer conversa sem café.

O Lucério apareceu na porta da cozinha alguns minutos depois, já vestido, segurando os sapatos na mão para não fazer barulho. Aquilo era estranhamente educado para um autointitulado vilão.

— Café?

— Aceito.

Coloquei duas canecas na bancada. Ficamos lado a lado, bebendo em silêncio, ambos com uma aparência miserável. Eu ainda sentia vontade de brigar com ele, mas também sentia uma proximidade que me dava mais medo do que a briga.

— Eu quero que você saiba que vou derrubar o Alberto. E se você ficar no caminho, derrubo você junto.

— Não esperava sair da sua cama com imunidade.

— Ótimo.

Lucério terminou o café, deixou a caneca na pia e lavou ela e as louças que estavam lá. O silêncio seguinte foi mais desconfortável do que os outros.

— Ninguém pode saber que transamos — falei.

— Ninguém saberá. Eu não transformo sexo em fofoca, Tatiana.

Acreditei nele. O Lucério caminhou até a porta. Antes que abrisse, falou:

— Eu não me arrependo de ter praticado coito com você.

A frase saiu sem provocação. Isso a tornou pior.

— Eu ainda estou decidindo se me arrependo.

— Justo.

Cruzei os braços.

— Vá para a garagem. Eu vou me vestir e desço. Você disse que ia comigo comprar a pílula.

— Eu sempre assumo as responsabilidades dos meus erros.

— Esqueceu de assumir o síndico.

Ele saiu do apartamento com a camisa amarrotada e o cabelo ainda bagunçado. Fiquei parada na porta até ele chegar ao elevador. Quando as portas se abriram, Lucério entrou sem olhar de novo para mim. Fechei a porta e encostei a testa nela.

Na hora do almoço, cheguei ao restaurante de óculos escuros, blusa preta de gola alta e calça preta. Eu parecia uma viúva rica indo reconhecer o corpo do marido. O problema era que o cadáver da minha dignidade tinha sido produzido por mim mesma, na minha própria cama, com a participação ativa do Lucério.

Só pensar no nome “Lucério” fazia minha ressaca piorar. Eu já tinha tomado a pílula do dia seguinte e o vampirão tinha ido comigo até a farmácia antes de ir ao trabalho. Acho que o que mais me dava raiva era não poder culpar ele como um macho escroto.

A Jéssica já estava numa mesa perto da janela quando cheguei. Usava uma camiseta verde-clara e uma calça leve, confortável, que fazia o favor de acompanhar as coxas grossas e firmes dela quando cruzava as pernas. O cabelo castanho-claro estava solto, caindo pelos ombros.

— Meu Deus — ela disse, me abraçando. — Você veio almoçar ou veio anunciar que vai tomar o controle de uma seita?

— Estou de luto pela minha capacidade de tomar decisões.

Ela se afastou um pouco para me olhar melhor.

— Ressaca?

— Uma ressaca que ganhou personalidade própria.

Sentei com cuidado, porque meu corpo ainda guardava lembranças muito inconvenientes da madrugada. A cadeira pareceu dura demais, o que me fez odiar Lucério por mais um motivo inteiramente novo. A Jéssica puxou o cardápio para mim.

— Eu ia pedir suco, mas você está com uma cara que pede água, café e um padre.

— Dispenso o padre. Ele faria perguntas.

— Você está péssima mesmo.

— Obrigada. Era o efeito desejado.

Ela sorriu, mas ficou me observando com aquele jeito gentil que começava a me desarmar rápido demais. Em dois almoços, Jéssica já tinha saído da categoria de vizinha simpática para a categoria muito mais perigosa de amiga confidente.

Pedi um prato leve, porque meu estômago ainda não tinha decidido se pretendia colaborar comigo. A Jéssica abriu a bolsa e colocou sobre a mesa uma pasta fina.

— Antes que você desmaie em cima do guardanapo, eu trouxe coisa útil. Recebi mais uma cópia de advertência. Uma mulher foi advertida por deixar o cachorro passar pelo hall depois de voltar do veterinário.

Tirei os óculos por um instante para olhar os papéis. A claridade me atingiu como uma agressão pessoal, então coloquei de volta. Reconheci o nome da mulher como uma das poucas que disse ter votado em mim na eleição passada.

— Esse homem está se esforçando para ser odiado.

Jéssica riu. Era fácil conversar com ela. Ela prestava atenção e fazia perguntas boas. A raiva dela contra o Alberto vinha acompanhada de preocupação com os outros moradores, o que me fazia confiar nela mais do que eu pretendia.

Depois de alguns minutos, ela apontou discretamente para meus óculos.

— Você comemorou muito ontem?

— Mais do que devia. Começou num happy hour e terminou comigo me envolvendo com alguém com quem eu jamais deveria ter me envolvido.

O rosto dela mudou para preocupação imediata. A comida chegou antes que ela continuasse. A garçonete colocou os pratos na mesa, e eu fiquei alguns segundos entretida demais com a ideia de esconder meu rosto dentro do guardanapo.

— Mas foi alguma coisa grave? Você está segura?

Eu queria responder com honestidade. Queria dizer que sim, estava segura, porque o Lucério tinha sido correto de manhã. O problema era a humilhação de dizer em voz alta “eu transei com Lucério”.

— Só fiz uma escolha sexual muito ruim.

Jéssica quase engasgou com a água.

— Ah. Você transou com alguém ontem?

Encarei o prato.

— Transar é uma palavra adequada para o que aconteceu.

Ela falou baixo, mas abriu um sorriso surpreso. Eu escondi parte do rosto atrás do copo.

— Não fica animada. É uma história de horror.

— O sexo foi ruim?

A lembrança do meu corpo traidor respondendo ao Lucério atravessou minha cabeça com detalhes suficientes para eu querer enfiar um garfo na própria coxa.

— Infelizmente, foi incrível.

Jéssica ficou imóvel por meio segundo e depois sorriu ainda mais.

— Então a escolha foi ruim, mas a transa foi boa?

— Você resumiu minha tragédia com uma alegria desnecessária.

— Desculpa. É que eu achei que você estivesse me dizendo que tinha brigado com alguém ou cometido algum crime. Você só deu para um homem inconveniente.

Se ela soubesse qual homem, provavelmente usaria termos menos suaves.

— “Inconveniente” é uma palavra generosa.

— Casado ou ex de amiga?

— Não. Só um homem que eu preferia continuar odiando.

Jéssica me olhou por cima do copo.

— Então, ele é feio.

Eu quase deixei o talher cair.

— Jéssica.

Minha mão foi automaticamente até a gola. Ela percebeu o gesto, e seus olhos se arregalaram.

— Digamos que ele combine com essa roupa e com a prova que estou escondendo no pescoço.

Jéssica olhou para a minha gola.

— Ele deixou marca?

— Eu estava bêbada.

Ela riu, e eu fechei os olhos por trás dos óculos. De todas as pessoas naquele condomínio, justo eu tinha virado a mulher de preto escondendo marca de mordida depois de transar com um sujeito que parecia dormir pendurado dentro de um armário.

— Isso explica você ter permitido o chupão, mas não explica a roupa de rainha das trevas.

A vontade de contar voltou com força. Talvez eu estivesse cansada da sensação de guardar tudo sozinha.

— Ele é alguém de quem eu não gosto — falei. — Alguém que eu considero meu maior inimigo. Um homem que me irrita muito só por existir e que, por motivos incompreensíveis, acabou no meu apartamento.

Jéssica pousou o garfo.

— Você transou com um vizinho que votou no Alberto?

Eu engoli em seco.

— É uma interpretação possível.

— Merda. Foi um daqueles homens chatos que ficam defendendo ele em reunião?

— De certo modo.

Ela me olhou com um misto de piedade e vontade de rir, e eu percebi que aquela amizade tinha avançado vários andares desde o almoço anterior. A Jéssica nem sabia o nome do homem e já me tratava como alguém com direito a fazer uma merda sexual sem receber sermão. Aquilo me aqueceu por dentro, embora a situação toda ainda fosse tão ridícula que vinha acompanhada da vontade de bater a testa na mesa.

— Certo. E você está bem com isso?

— Eu lembro de tudo. Eu sei que queria e tinha consciência. Só que a versão sóbria de mim teria chamado a versão bêbada de filha da puta por umas duas horas seguidas.

Jéssica assentiu com calma.

— Isso acontece. Uma escolha ruim não transforma você numa idiota para sempre. E uma transa boa com um homem errado continua sendo só uma transa. Você decide depois se isso morre ali ou se precisa de alguma conversa.

— Jéssica, o homem foi...

O celular dela começou a tocar sobre a mesa. Um alarme alto, daqueles escolhidos por alguém que não confia na própria capacidade de lembrar compromissos. Ela pegou o aparelho e arregalou os olhos.

— Eu preciso voltar agora.

Meu celular vibrou logo depois, lembrando que meu horário também tinha acabado. A vida tinha acabado de me salvar da confissão e me condenado a passar mais algumas horas carregando aquele segredo.

A Jéssica chamou a garçonete, pagamos depressa e levantamos. Na calçada, antes de atravessarmos em direções opostas, ela me abraçou com carinho e saiu apressada, linda até andando rápido sob o sol, com a bunda redonda se movendo sob a calça leve.

Puxei a gola mais para cima e comecei a caminhar. A rainha das trevas do condomínio ainda tinha uma tarde inteira de trabalho pela frente. E, em algum lugar entre um almoço e outro, eu precisaria decidir como contar para a minha nova grande amiga que o vampirão da minha ressaca era justamente Lucério, o homem que eu suspeitava estar obcecado por ela

Pois bem, leitor. Nos próximos capítulos, vamos acompanhar minha luta contra o síndico e seja-lá-que-merda-for-essa com o Lucério.

Eu comecei sonhando com o Antônio e acordei com o Lucério. Depressivo!

Algumas questões que gostaria que os leitores respondessem nos comentários:

I) O que acharam do casal Tatiana e Lucério?

II) E da amizade Jéssica e Tatiana?

Coloquem nos comentários para o que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Em breve, teremos a continuação.

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AVISO AOS LEITORES:

Obrigado pelas mensagens de apoio que li no conto da Sarah. Eu não sabia da limitação de 1 post por dia quando decidi acumular tantos capítulos já prontos para publicar. A minha ideia era publicar uns 3 por dia por um fim de semana inteiro como pedido de desculpas. Ironicamente, isso atrasou minha volta em mais de um mês...

Mas o lado bom é que posso manter a média de publicação de um por dia por uns 09 ou 10 dias sem me afetar e assim correr as tramas paralelas até que eu possa liberar a série principal de novo. E depois voltar ao padrão de dois/três capítulos por semana.

Os capítulos que já estão prontos são:

* Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 20 (PoV Jéssica)

* Eu, minha amiga gostosa e os vizinhos dela - Parte 04 (PoV Miguel)

* Eu e Minha Esposa Pulamos a Cerca... E o Caos Explodiu - Parte 13 (PoV Érico)

* Passando a Vara nas Vizinhas. Ou Não. - Capítulos 16 e 17 (PoVs Carlos e Eliana)

* Quem Vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulos 14, 15 e 16 (PoV Jonas)

* A Confraria das Lobas - Parte 01 (PoV Alessandra)

* Minhas coleções de calcinhas, amantes e putinhas - Parte 12 (PoV Zé Maria) e 13 (PoV Seu Geraldo)

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O capítulo da Jéssica deve sair na semana que vem, depois de eu lançar o do Miguel, porque ambos dialogam. E eu também acho bom lançar logo as primeiras partes de Carlos e Jonas para não emendar em sequências as partes deles.

Os capítulos do Carlos 16, Érico, Alessandra, Jéssica e Zé Maria tratam das cenas do “Enquanto Isso” e as consequências dela. A do Geraldo é um retcon de algo que me incomodava bastante desde o ano passado, quando decidi suavizar os personagens. Além de amarrar/retconar o capítulo passado dele para ajustar com a trama dos capítulos de Tatiana e Jéssica.

Carlos 16 e Jonas 14 tem uma rima interessante e era bom saírem em sequência. O do Zé Maria precisa sair depois do capítulo do Érico e o da Alessandra precisa sair antes de Jonas 15.

Eu pretendo retomar a seção de Respostas aos Comentários, mas por questão de tempo, vai ser apenas uma vez por semana.

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Dois capítulos que eu cheguei a escrever parte, mas desisti por ora foram os capítulos “Eu, a esposa gostosa do meu chefe e os vizinhos deles - Parte 04” (PoV Lisandra) e “Louco para enrabar a professora ruivinha, (sonhei que) enrabei a médica certinha primeiro” (PoV Antônio).

“Eu, a esposa gostosa do meu chefe e os vizinhos deles - Parte 04” (PoV Lisandra) iria mostrar o descobre-não-descobre da Lisandra sobre o caso da Lorena com o Jonas e apresentar o Rodolfo. Mas como iria ser um capítulo sem sexo e com muita coisa já amarrada com outros capítulos (o Rodolfo foi jogado pro PoV da Jéssica), achei que não ia ficar muito bom. Estava muito cara de “filler juntando o que todo mundo já viu, mas na visão da Lisandra”.

“Louco para enrabar a professora ruivinha, (sonhei que) enrabei a médica certinha primeiro” (PoV Antônio) teria uma longa cena do Antônio sonhando que estava desvirginando a bunda da Jéssica e brincar com a reação dele depois de um sonho tão vívido e detalhado. Afinal, o tesão nela iria pras alturas, mas ao mesmo tempo o Antônio não quer estragar suas duas novas amizades. Mas acho que mesmo tendo no título, iria ter muitas críticas por ser sonho.

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Foto de perfil genéricaAlberto RobertoContos: 136Seguidores: 306Seguindo: 0Mensagem Em um condomínio de classe média alta, a vida de diversos moradores e funcionários se entrelaça em uma teia de paixões, traições e segredos. Cada apartamento guarda sua história, no seu próprio estilo. Essa novela abrange todas as séries publicadas neste perfil. Os contos sempre são publicados na ordem cronológica e cada série pode ser de forma independente. Para ter uma visão dos personagens, leia: Guia de Personagens - "Eu, minha esposa e nossos vizinhos"

Comentários

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Finalmente chegamos no grande conflito moral da Tatiana.

Mostrou muito bem as falhas dela, principalmente o fato dela ter colocado a preocupação com a própria imagem acima de fazer o que é certo.

Eu tinha a sensação que o Antonio não se preocuparia muito com a Letícia ter mandado as fotos (pra mim a questão sempre foi ela ter mandado sem falar com ele, mesmo que ela conhecendo bem ele soubesse que ele não se importar). Pra mim diz muito mais a forma como as pessoas agiram antes e depois do fato.

Ironicamente, apesar dela ter feito o certo, a forma que a Tatiana conduziu a situação me pareceu péssima. Ela trocou os pés pelas mãos, agiu completamente baseado no constrangimento e no fim pareceu uma adolescente e não uma adulta. Ficou constrangida, agiu sem pensar tomando umas atitudes estranhas e no fim achou que dar as fotos dela pra ele seriam alguma "compensação" (no fundo acho que fazer aquilo foi uma desculpa pra ele ver ela nua e talvez querer transar com ela), pelo menos ela tem consciência disso também.

Ou você ou a Tatiana confundiram o nome do síndico. O sindico é Alberto, Arnaldo é o pai do Miguel.

Dito isso, o Alberto deu um tiro no pé. A primeira mandou uma mensagem. Foi uma multa linha dura mas que tem uma interpretação das regras que justifica. A segunda é tão absurda que a Tatiana pode mandar foto de todos os carros parados levemente tortos, exigir que eles sejam multados (o que seria péssimo pra um sindico que já é impopular e só se mantém pelo Lucério e por ter várias procurações), e se ele não multar mais ninguém pelo mesmo motivo ela pode questionar a multa por isonomia.

Ele só quis fazer uma inimiga com essa multa. Como disse o Lucério: "Audácia em incompetente costuma terminar em tragédia".

Jéssica e Tatiana desde o inicio me pareceram duas personagens bem parecidas, tanto nas motivações quanto pela forma que ela fazem as coisas. Acho uma amizade bem interessante sobretudo pela tensão sexual da parte da Tatiana que fica fantasiando a Jéssica com o Lucério. A Fernanda por ser amiga das duas funciona bem como uma ponte.

"É um movimento idiota demais pro síndico. Devia ter uma pegadinha escondida. Uma armadilha preparada para nós que eu não conseguia encontrar."

O problema de uma pessoa inteligente é achar que os outros vão ser tão inteligentes quanto ela seria.

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Lucério depre falando todas as verdades foi uma grata surpresa. Excelente conversa de duas pessoas com um vazio no peito. Os dois foram honestos e percebendo a honestidade do outro se sentiram seguros para continuar.

"— Passei meses achando que você guardava cópias em alguma pasta nojenta."

Errou, Tatiana. Quem faz isso é o Jonas.

"— Você é mais parecida comigo do que gosta de admitir. Observa todo mundo, guarda informação e escolhe a hora de atacar. Também não confia em quase ninguém."

Tiro certeiro. Algo curioso nessa relação é que a Tatiana está se aproximando da Jéssica, enquanto o Lucério tenta corromper ela, mas se a Jéssica conseguir fazer a Tatiana mudar é um sinal pro Lucério de que ele mesmo pode conseguir mudar. E isso tudo são coisas que nem ele, nem a Tatiana e nem a Jéssica sabem ainda. O Lucério se isolou e ficou como ele é, mas se ela deixar as pessoas se aproximarem, ela pode ir num caminho diferente.

Mesmo o Lucério já mudou um pouco por causa de todo esse "joguinho" com a Jéssica. Ele só está muito fundo no abismo pra notar isso. A Tatiana não está tão fundo, ela pode mudar mais fácil.

A conversa da Jéssica com a Tatiana depois foi muito boa, só não curti muito a Tatiana quase entregar quem foi tão cedo. Preferiria que a Tatiana resolvesse guardar aquilo até decidir algo.

Uma coisa que veio na minha mente quando vi o novo episódio foi um tema comum de várias das séries que a gente discutiu há um tempo: o que os personagens costumam querer no inicio nem sempre é o que é melhor pra eles.

Eu acho que isso também vale pra Tatiana. Eu acho que ser sindica não é bom pra ela e acho que é algo que ela tem que perceber pra conseguir evoluir (desde que eles coloquem um síndico que ela confia). Ela precisa encontrar um equilíbrio entre as responsabilidades dela e a vida dela pra conseguir ser feliz.

- Foi uma das coisas que criou atrito e eventualmente levou ao fim do casamento dela

- É o que muitas vezes faz ela agir não como ela mesma, mas sim em prol da imagem dela (por exemplo falar que o que elas fizeram com o Antonio foi errado)

- Ela vê determinadas pessoas como rivais só por posicionamento "politico" no condomínio.

- Ela basicamente não tem uma vida fora do trabalho porque usa boa parte do foco dela em prol de virar síndica.

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Vou começar esse com um detalhe: não sei se eu posso dizer que a Tatiana já é minha personagem feminina favorita, porque ela ainda não fez tanta coisa comparado com as outras, mas tem potencial pra ser se continuar assim.

I) O que acharam do casal Tatiana e Lucério?

Acho que foi um bom começo. Acho que pelo menos por um bom tempo tem que ficar no máximo numa relação de "amigos / inimigos coloridos".

Acho que ver o Lucério vendo que a Tatiana vai mudando e indo pra um caminho diferente do dele pode ser uma boa forma dele ver que ele também pode se redimir. Isso não necessariamente precisa terminar com eles juntos, mas gostaria de mais conversas tipo essas.

Eu acho que fazer eles transarem mais cedo pode ter sido um pouco precipitado. A gente podia ter ido numa linha mais parecida com o joguinho dele com a Jéssica, mas diferente da Jéssica a Tatiana pode ceder muito mais e fazer coisas sexuais com ele, mas eles já terem transado diminui um pouco o valor de, por exemplo, ele "vencer" e ela deixar ele massagear os peitos, ou chupar o pau dele.

Eu particularmente também gosto do prospecto de Tatiana x Antônio.

Eu defendia muito Jonas x Tatiana, mas acho que muito do que eu pensava pode tranquilamente mudar pra Lucério x Tatiana. Uma exploração maior dos fetiches dela. Com o Jonas tem a questão dele gostar de fotografar, mas nada impede que ela mesma fale pro Lucério que tem tesão em ser fotografada da época que ainda era casada e suprimiu isso desde então por conta das fotos vazadas.

II) E da amizade Jéssica e Tatiana?

Muito boa. São duas personagens que faz muito sentido serem amigas. Da mesma forma que o Lucério gosta de mostrar como a Jéssica não é tão diferente dele, por tabela ao falar que a Tatiana é muito parecida com ele faz ela ser muito parecida com a Jéssica. As duas também parecem ter pelo menos alguns fetiches parecidos sem saber.

Eu particularmente acho que talvez seja melhor dar uma segurada nos capítulos já prontos ao invés de soltar tudo o mais rápido possível.

Prefiro ter um ritmo consistente de episódios do que acabar rápido e você se sentir pressionado a escrever rápido. Lançando uns 2 ou 3 por semana e picotando com respostas entre eles me parece muito bom e você pode escrever mais no seu ritmo.

Acho melhor também dar uma espaçada nos episódios do Jonas. Eu gosto muito dos capítulos dele, mas entendo quem acha demais se saírem vários juntos.

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Por fim, é muito bom ter você de volta! Obrigado por escrever tudo isso.

Você pode ter sumido, mas nunca teve obrigação nenhuma de escrever pra gente de graça no seu tempo livro e por isso sou grato.

Espero que as coisas estejam melhores! Tudo de bom!

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I) A dinâmica foi boa e deu pra ver que existe uma química, mas não sei ainda se torço pra ser endgame de ambos. Queria ver uma transa Tatiana/Antônio para saber se é só tesão dela ou se pode ter algo a mais.

II) Necessária, deu um motivo para a Jéssica aparecer mais em outras histórias com o plot do síndico e trouxe a Tatiana mais para perto dos plots da academia.

Ainda acho que para função de principal aliado(a) da Tatiana o Rogério se encaixa melhor, até pq no futuro vai chegar uma inimiga dele que vai se aliar a Alberto/Marieta, mas nada impede de que a linha de frente da oposição seja composta por mais gente, Rebecca indiretamente pode fazer parte indicando algum colega que trabalha na área do Direito Civil.

Sobre os dois capítulos que foram momentaneamente cancelados, concordo com a sua decisão. Ambos não acrescentariam nada novo e o do Antônio ainda poderia atrapalhar a jornada de redenção dele.

E na minha opinião, os únicos capítulos onde não é necessário que tenham cenas de sexo são os do Geraldo quando ele fica exclusivamente na portaria mas vê todas as outras histórias passarem por lá (quem entrou/saiu; com quem entrou/saiu; que roupa estava usando, o que estava fazendo, etc). Easter eggs ou pequenos spoilers nesse tipo de capítulo, se possível, são bem-vindos.

Agora sobre esse capítulo, a grande pergunta que deixo é: o Lucério pode sair do condomínio? E não só sair do condomínio como durante a luz do dia? Pra mim ele era tipo uma entidade que só vivia dentro daqueles muros tomando conta de algum tesouro, tipo o Smaug em “O Hobbit”.

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1. Sinceramente acho q pode meio q ser a redenção do lucerio, tipo a Tatiana faz ele esquece da Jessica, e eles ficam felizes juntos, afinal ela gostou mais doq admitir.

2.acho legal

E d boa sobre os contos, so d ter vc escrevendo d novo, ja é bom pra mim kkkkkk mais sinceramente ainda torço pra q vc faça ou um final alternativo com lucerio ganhando a Jessica ou aquilo que vc falou uma vez, da versão dela solteira e tal kkkk

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Gostei dessa trama mas gosto mesmo é da Jéssica com suas transas com o marido se deixando ver pelo Antônio e que ele consiga comer ou sarar a bunda da Jéssica e ter o marido como voyeur, seria uma cena linda de descrever. Será que isso pode acontecer? O Lucério também deve ter uma colher de chá com a tesuda da médica

Quando iremos ter o beijo de língua da Jéssica com a Lizandra, acho que seria uma ótima as duas mulheres mais linda e desejada do condomínio se beijando já que elas beijaram outra boca feminina. Será que isso irá acontecer?

Vou ficar aguardando o capítulos da Jéssica para ver o que irá rolar nessa trama toda.

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Olá meu caro.

1) Eu gostei muito da transa de Tatiana e Lucério. Sério! Foi bem envolvente e você preservou as características dos dois. Acredito que possa acontecer novamente, tiveram química. É gostei saborear um bom sexo entre "rivais". Tatiana gozou e gostou mas tem vergonha de admitir. Lucério vai ficar mais seguro. Será muito interessante. Na minha opinião teria que repetir ocasionalmente.

2) Eu acho ótimo. ela é prática e segura, fará um bem enorme para Jéssica e Jéssica trará leveza, simpatia e segurança emociona/social a ela. Vale muito a pena investir nessa amizade. Ela ainda pode atiçar os desejos secretos de Jéssica por Lucério falando de suas experiências, até relatar um possível sexo anal com Lucério despertando a conta de de Jéssica realizar com Rogério.

Concordo com sua política de ter sempre ao menos uma cena de sexo nos capítulos!!!! rs

Ansioso pelos próximos capítulos e pala chegada da grande vilã má, bela e gostosa! A grande antagonista de Jéssica e Rogério.

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