— Bianca...
— Bianca...
Abri meu olho direito, e percebi que era Rodolpho me chamando. Ele era um dálmata gigante, cheio de pintas pretas pelo corpo. Dei uma espreguiçada e percebi que o que eu estava vivendo não era um pesadelo, mas sim a vida real. Olhei para ele...e Rodolpho olhou pra mim com uma cara engraçada, acho que ele estava tentando sorrir.
— Bianca, o almoço está pronto. Pode vir— disse ele.
— Ah, obrigada. Antes de mais nada, você sabe onde está a pulseira que eu usava no meu braço? — perguntei, meio sonolenta.
— Eu guardei. Está naquela cômoda — Ele apontou. — Percebi que ela está quebrada. Quer que eu leve para um amigo meu ver se consegue consertá-la?
— Você faria isso por mim?
— Claro. Mas venha almoçar primeiro. Você deve estar faminta.
— Estou morrendo de fome mesmo. Onde está a comida? — perguntei.
— Ah, está aqui no chão. Naquela tigela rosa.
Olhei para o Rodolpho e depois olhei para aquele alimento que estava dentro daquela tigela cor de rosa. Ele só poderia estar me tirando. Eu não sou um cachorro para comer em uma tigela para cães.
— Eh...Rodolpho, normalmente, eu não como comida em uma tigela que está no chão...sabe...
— Ah, sinto muito. — Ele pegou a tigela e colocou em cima da mesa de jantar. — Assim está melhor?
— Então...você tem um garfo ou alguma colher para eu usar?
— Ah, sim. Tenho sim. — Ele foi até um dos armários da cozinha e tirou de lá uma colher e me deu. — É estranho ver humanos comerem com colher.
— Ah, é? — perguntei.
— Sim. Eu digo isso por causa do Mauz. Ele come com a cara na comida, sem uso de nenhum outro instrumento além da boca. E, falando dele, é a hora dele comer.
Rodolpho saiu pela porta da cozinha e foi chamar o Mauz. Estava achando tudo isso super estranho. Estou nua, comendo comida em uma tigela de cachorro e usando uma colher. Nunca sonhei com algo tão maluco quanto isso que eu estou vivendo agora.
A porta se abre com violência, era Mauz. Ele entrou na cozinha e veio até mim, começou a me cheirar e colocou as duas mãos dele em cima das minhas coxas. Ele começou a me encarar, olhos nos olhos. Aquilo estava me deixando nervosa. Ele se aproximou de meu rosto e começou a lambê-lo. Senti o membro dele roçando em minhas pernas, dava para sentir que estava meio pegajoso. Ecaaaa, pensei.
— Mauz, saia de cima dela. Que educação é essa? — disse Rodolpho, falando ríspido com ele. Mauz desceu, e foi para o canto da cozinha. — Me desculpa, Bianca.
— Tudo bem... — disse, com o coração disparado.
— Aqui, Mauz. Toma seu almoço — disse Rodolpho, colocando a tigela de Mauz no canto da cozinha. — Você deve estar achando tudo estranho nesse mundo, né?
— Pior que sim. É tudo meio estranho. Bem diferente de meu mundo.
— Você deve sentir falta da sua terra, né?
— Sinto mesmo.
Ding Dong
— É a campainha. Melhor você terminar seu almoço no chão. Seria estranho alguém ver uma humana comendo na mesa, e ainda com uma colher. Rápido.
Tirei a tigela da mesa e coloquei no chão, e fiquei de quatro que nem o Mauz. Que vergonha. Vou precisar passar por uma terapeuta quando eu conseguir voltar para o meu mundo.
Olhei de relance para ver quem era a visita, e vi que era uma Poodle, muito bonita por sinal. Rodolpho e aquela cachorrinha ficaram conversando na sala de estar dele. A visita de Rodolpho olhou para a cozinha e me viu.
— Rodolpho, você adotou mais um humano? Nossa que gracinha que ela é — disse a cachorrinha, passando a mão sobre mim. — Ela tem quantos anos?
— Não faço ideia — disse ele.
Bem, eu tinha que disfarçar e tentei comer somente com a boca. Ela continuava passando a mão em mim e enquanto isso, conversava com o Rodolpho. Sem eu perceber, Mauz começou a vir em minha direção. Senti algo tocando minha parte intima, olhei pra trás e vi Mauz tocando a minha parte sexual com o nariz. Ele sabia que eu não podia me mexer agora, e estava se aproveitando. Ele começou a lamber minha bunda, enquanto que aquela poodle passava a mão pelos meus cabelos. Era meio estranho sentir estar sendo lambida, e aquilo estava me dando arrepios. Rodolpho percebeu o que estava acontecendo e puxou Mauz pra trás, porém a poodle também percebeu.
— Ohh, que bonitinho. Ele quer cruzar com ela. Se eles cruzarem, você pode dar um filhote deles pra mim?
Eu olhei espantada...filhotes? Cruzar? Tô fora dessa. Nem a pau que esse Mauz vai enfiar aquele negócio dele dentro de mim. Saí da cozinha, e fui direto para o quarto, encostei a porta e sentei no chão pensativa. Isso só poderia ser um pesadelo, pensei novamente.