Como adentrar o coração de um vaqueiro bruto

Um conto erótico de Kherr
Categoria: Gay
Contém 9524 palavras
Data: 30/05/2026 09:31:49

Meu estágio após a conclusão do curso de enfermagem no hospital da cidade do interior chegou ao fim depois de um ano. A rotatividade de funcionários no hospital era baixa e, apesar do meu bom desempenho durante o estágio e um currículo invejável pelos cursos paralelos que fiz nas áreas de Atendimento Emergencial em Pronto Socorro, Unidade de Terapia Intensiva, Suporte Avançado de Vida em Cardiologia e Fisioterapia Respiratória, não pude ser contratado pela falta de vagas. O diretor clínico do hospital abriu mão de mim com visível pesar, e me prometeu que, assim que surgisse uma vaga, ela seria minha.

- No entanto, Leo, sabe aquele paciente que deu entrada no PS depois de sofrer uma queda e pisoteio de um touro durante um rodeio e, que foi transferido recentemente da UTI para o quarto após as cirurgias de redução das fraturas dos ossos pélvicos, fêmur esquerdo e omoplata direita, a equipe de ortopedia me avisou que está prestes a lhe dar alta. Como está impossibilitado de se locomover e, segundo o Dr. Fausto, isso só deve acontecer dentro de uns quatro meses, o pai do rapaz andou perguntando por um cuidador que pudesse cuidar do filho durante esse período. Só tem um porém, essa pessoa teria que se mudar para a fazenda deles, e ficar à disposição por 24 horas, sete dias por semana. Ninguém da empresa de Homecare se prontificou a aceitar o trabalho, e isso me fez pensar em você. Sendo solteiro, jovem, sem parentes na cidade e dividindo uma moradia com a enfermeira Tatiana, talvez se interesse pelo trabalho. Vão pagar muito bem, segundo o pai do rapaz, o quanto for preciso. É uma ótima oportunidade para você fazer um bom pé de meia, o que acha? – propôs o diretor clínico, disposto a me ajudar.

- O sujeito, desculpe, digo o Saulo, tem arrumado confusão com toda a enfermagem desde que foi admitido na UTI e estava lúcido o bastante para xingar qualquer um que se aproximasse dele, inclusive a equipe médica que precisou sedá-lo, pois ele se recusava a ficar no leito e ameaçava ir embora. Fico imaginando o que não é capaz de fazer quando estiver na própria casa. – argumentei, recordando-me do trabalho que esse paciente deu enquanto estava internado.

- De fato, o homem parece com um dos touros xucros de sua fazenda; dizem até que é o homem mais bruto da região. Recebi muitas queixas tanto da equipe médica quanto da enfermagem alegando que ele é insuportável e não aceita ser tratado feito um inválido, o que nesse momento ele é, até que as fraturas consolidem. Não estou te forçando a aceitar o trabalho, Leo, só acho uma pena não poder te oferecer uma vaga no hospital nesse momento. Se dependesse de mim, hoje mesmo estaria contratado. Gostamos muito de você! – afirmou, tocando meu ombro.

- Só tenho a agradecer, aprendi muito durante o estágio! Posso pensar um pouco a respeito, antes de dar uma resposta?

- Claro, sem dúvida! Segundo o Dr. Fausto, ele só pretende dar alta para o homem na próxima sexta-feira. Até lá você pode pensar se vale ou não à pena aceitar o trabalho.

Eu não havia entrado no quarto do vaqueiro mais que uma ou duas vezes no turno da noite acompanhado da enfermeira-chefe, depois que ele deixou a UTI, para fazer as medicações e, faltou pouco para ele nos escorraçar do quarto berrando para ninguém se atrever a tocar nele se não quisesse sentir a força de seus punhos. Tivemos que prender seus braços ao leito com correias para poder aplicar a medicação, enquanto ele prometia acertar as contas conosco assim que estivesse em condições de sair do leito.

Minha colega, com quem eu dividia um pequeno apartamento na cidade, me aconselhou a não aceitar o trabalho, dado o histórico do paciente.

- Nem pense em aceitar, esse sujeito é um bicho! Você é um fofo, Leo! Atencioso, devotado ao que faz, carinhoso, super educado, exatamente o oposto daquele troglodita, por mais bonito, másculo e sedutor que ele seja; imagina o que ele será capaz de fazer com você! Não Leo, fuja, que essa é uma fria! – aconselhou.

- Você só esqueceu um detalhe, com o fim do estágio também terminam os pagamentos da bolsa, mas as contas, o supermercado e a minha parte no aluguel do apartamento continuam a aparecer.

- Não se preocupe com isso! Com seu currículo há de surgir uma vaga em pouco tempo, enquanto isso eu arco com a sua parte, depois você me devolve quando conseguir o emprego.

- Não posso aceitar que me banque, por mais amigos que sejamos, e eu gostar de você como uma irmã. Preciso aceitar esse trabalho e me sujeitar aos desmandos desse paciente, são só quatro meses, passa rápido! – devolvi, procurando aceitar resignadamente meu destino.

- Quatro meses com aquele sujeito é uma eternidade, Leo, vai por mim! Aposto que você já reparou no quanto esse macho é gostoso e quanta energia não deve estar acumulada naquele corpão que até faz a gente perder o fôlego, mas isso não é nada perto do comportamento bronco, asselvajado e indomado dele. Se ele notar a sua meiguice, a doçura do seu olhar, a delicadeza com a qual trata as pessoas, vai fazer gato e sapato de você, Leo, não duvide disso! Procure ser firme e duro com ele, não se submeta, ou estará irremediavelmente perdido nas garras desse brutamontes. Em todo caso, se você aceitar e não aguentar lidar com aquele touro selvagem, sabe que pode voltar para cá a hora que quiser.

- Obrigado, amiga! Você é um amor! Eu vou dizer ao Dr. Fausto que aceito o trabalho e pedir para ele me orientar em relação aos cuidados que o paciente vai precisar. Seja o que Deus quiser! – afirmei resoluto.

José Afonso, o pai do Saulo era a versão mais velha do filho, rude, falava gritando, tinha uma postura dominadora que intimidava, era curto e grosso com as palavras, quase sempre ordens que distribuía como se ainda estivéssemos na era feudal.

- Seu trabalho começa no instante em que meu filho tiver alta. Você seguirá com a ambulância até a fazenda junto com ele. Tenho negócios a resolver em outro Estado onde também adquiri recentemente uma fazenda que está exigindo toda a minha atenção, por isso estarei ausente nos próximos meses. Também não tenho paciência para lidar com homem acamado. Já deixei instruções na fazenda com meu pessoal de confiança, para providenciarem tudo o que você precisar. Nesse período a casa e os cuidados com o Saulo ficam inteiramente por sua conta. Vou lhe pagar um extra para administrar a rotina da casa, uma vez que isso não faz parte dos cuidados de enfermagem. Se precisar de alguma coisa não prevista, me ligue para resolvermos juntos o que fazer, entendido! – todo andar da ala onde ficava o quarto do Saulo ouviu as instruções berradas no meu ouvido, como se eu fosse surdo, ou tivesse alguma incapacidade de entender as coisas. Durante a explanação pensei em desistir, mas quando ele mencionou o valor do extra que ia me pagar e, somado ao que já tinha sido combinado, eu resolvi encarar o desafio.

A discussão começou ainda no hospital, tão logo o Dr. Fausto foi ao quarto dele comunicando que acabara de assinar a alta. Ele arrancou o jelco coberto pelo esparadrapo do cateter intravenoso do braço quase arrancando o frasco da solução intravenosa do suporte, lançou o lençol que o cobria até a cintura para longe e queria se colocar de pé para sair andando dali o quanto antes. Foi preciso que mais dois enfermeiros e o próprio Dr. Fausto me ajudassem a contê-lo antes que se estatelasse no chão, pois as fraturas não consolidadas o impossibilitavam de ficar em pé o firmar os pés no chão.

- Quais foram as recomendações que acabei de lhe fazer, rapaz? Não ouviu nada do que eu disse? – questionou furioso o Dr. Fausto, o que o fez parar de se debater e nos golpear. – Posso revogar a alta a qualquer momento se resolver não colaborar. E, se preciso for, devolvo-o para a UTI onde permanecerá sedado pelo tempo necessário para essas fraturas consolidarem. É isso que quer? – perguntou impositivo.

O Saulo rosnou feito um touro bravio, nos encarou como se quisesse nos trucidar antes de acatar as ordens do médico.

- Nem a pau que eu vou me deitar nessa maca e me deixar conduzir feito um aleijado! – vociferou quando o motorista da ambulância apareceu com a maca que seria fixada na ambulância durante o transporte.

- Além de ser uma norma do hospital, você não está em condições de caminhar por conta própria. É isso, ou você ouviu o doutor, volta para a UTI, o que prefere? – indaguei numa voz serena, mas firme.

- Norma do hospital ... sem condições de caminhar por conta própria ... ouviu o doutor ... volta para UTI .... blá...blá...blá! – resmungou zangado, enquanto eu o ajeitava aquele corpão na maca.

- De ambulância? É sério isso? Também vão querer me enfiar nessa porra! Nem morto que vou aparecer na fazenda diante da peãozada dentro dessa coisa! Tratem de providenciar um carro comum ou não tem acordo! – voltou a vociferar, tentando se livrar das correias que o prendiam à maca.

- Você não pode dobrar o quadril, precisa manter as pernas esticadas ou vai comprometer toda a recuperação. – expliquei pacientemente. – Outra solução é jogar você na caçamba de uma camionete, então, o que vai ser? – indaguei, com um sorriso de deboche.

- Blá ... blá ... blá! É só isso que você sabe falar? – perguntou, me encarando desafiador.

- Em relação a você é, é tudo que eu sei falar! – devolvi, não me deixando intimidar.

- Vamos ter problemas, isso é mais que certo! – retrucou, sem me encarar. – Na ambulância, já que não tenho escolha! – exclamou. Eu sorri para ele sem demonstrar com isso que havia ganho a batalha para não ferir seus brios; e também, porque a guerra estava só começando.

- Boa escolha! – exclamei, após o ajeitarmos na maca da ambulância antes de seguir rumo a fazenda, num percurso de 130 quilômetros, para o qual eu também me acomodei no banco ao lado da maca.

No início, ele ficou me encarando como se quisesse me devorar. Depois, com o barulho monótono do motor da ambulância e do sedativo que haviam lhe acrescentado à infusão intravenosa, já prevendo o trabalho que ele ia dar, adormeceu feito um garotinho exausto.

Só então me pus a reparar nele. Era um sujeito enorme com cerca de 1,90m de altura outro tanto de envergadura, ombros largos, tronco sólido, coxas e pernas que mais pareciam troncos de árvore, braços musculosos e um rosto anguloso coberto por uma barba densa que havia sido feita há dois dias lhe conferindo uma aparência máscula e selvagem. O lençol fino que o cobria formava uma saliência enorme entre as coxas camuflando seu dote avantajado que me levou a pensamentos libidinosos, uma vez que minha homossexualidade reprimida continuava mantendo meu cuzinho tão virgem quanto na época em que trocavam as minhas fraldas.

- Saulo! Saulo! Chegamos! – precisei acordá-lo sacudindo o peito com a mão espalmada sobre ele. – Vamos te levar até o quarto na maca, procure não se agitar! – orientei.

- Não quero que nenhum dos peões me veja sendo carregado numa maca. Só preciso que alguém me dê um apoio e vou caminhando. – retrucou, mal humorado.

- Já falei sobre isso, Saulo! Você não pode colocar peso sobre os ossos fraturados, ou demorarão mais para consolidar. E eu vou pedir para um ou dois peões nos ajudarem, você é muito pesado para que o motorista da ambulância e eu te carreguemos sem ajuda. – devolvi, com voz suave. Ele estava prestes a retrucar, se opondo a minha orientação, mas desistiu ao notar que os peões que fui requisitar no estábulo já estavam a postos.

O quarto apesar de amplo e espaçoso era tosco, cheirava a suor, couro e impregnações indefinidas. Uma cama grande de ferro ladeada por duas mesinhas de cabeceira estava encostada a uma das paredes, a oposta era totalmente preenchida por um armário de madeira escura que chegava até o teto. Duas janelas largas com gelosias que davam para a varanda que cercava a casa ocupavam a terceira parede. Na quarta abriam-se duas portas, uma que dava para o banheiro anexo, e outra que saia para o corredor; entre elas uma estante guardava um pouco da história de seu ocupante, troféus e medalhas, tendo uma escrivaninha em sua base.

- Não preciso de uma babá! Muito menos de um sujeito como você! – rosnou ele, depois que o acomodamos recostado à cabeceira, e ele ficou a me examinar da cabeça aos pés. O clima tenso que pairou no ar quase podia ser cortado.

Pensei em devolver a agressividade no mesmo tom para ver se ganhava o respeito dele, mas desisti, prevendo que isso apenas instalaria uma guerra declarada entre nós. Agindo assim, não chegaríamos a segunda semana daquele convívio forçado e indesejado por ambos. Coloquei o copo d’água que ia lhe oferecer numa das mesinhas e saí do quarto batendo a porta com mais força que o necessário.

O dia seguinte ainda não havia clareado quando acordei ouvindo o som metálico de esporas e o trotar de patas de cavalo entrando pelas janelas do quarto que me fora designado, ao lado do quarto do Saulo. A sensação de não pertencer àquele lugar gerou um incômodo desconfortável. Levantei-me, tomei uma ducha e me preparei para encarar os desafios do dia.

No quarto do Saulo o ar estava estagnado. Ele continuava na mesma posição que havia deixado na noite anterior, denunciando que não havia pregado o olho. O maxilar travado e as olheiras profundas do vaqueiro eram a prova que a dor física continuava presente, mas o que eu não podia ver era a dor que o corroía por dentro, a da humilhação de ter que depender de alguém.

Com uma bacia de água morna e algumas toalhas entrei no quarto dele desejando um – Bom dia! – risonho, pois cheguei à conclusão que bater de frente com ele só pioraria as coisas entre nós.

- Vamos refrescar esse corpo e esse rosto, Saulo! O dia promete ser quente, vai se sentir mais disposto depois de se refrescar. – afirmei. Ele não respondeu, apenas virou o rosto para o lado da parede, o que não me impediu de fazer o que tinha me proposto a fazer, aproximando-me dele com uma toalha molhada que ele fez voar longe com o soco que desferiu sobre a minha mão.

- Já falei que não quero ninguém me alisando! Muito menos um sujeito feito você! Pegue essa bacia e suma da minha frente! – esbravejou ele, esperando alguma reação bruta da minha parte.

Quando percebeu que ela não viria, voltou a me examinar com aquele olhar de quem está habituado a decifrar a personalidade de um bicho, a identificar vestígios numa trilha, a ler o que eu guardava em segredo. Foi essa leitura que estava gerando todo aquele incômodo nele, eu era um homem diferente dele, um homem que não se encaixava naquele lugar árido, de pessoas brutas, onde sensibilidade e delicadeza eram pecados capitais.

Sentei-me na beira da cama ao lado dele, molhei outra toalha e a torci e, sem pedir licença, a passei suavemente pela testa suada dele. Seu corpo se retesou como o de um cavalo que presente o perigo. O toque foi profissional, mas suave, algo que o deixou perturbado, pois desde que se conhecia por gente, não sabia o que era ser tocado com delicadeza, uma vez que o pai sempre o tratou com aspereza na voz e trato, à semelhança do que fazia com o gado. Às vezes, muito raramente, ele se lembrava de já ter sido tocado assim há muitos e muitos anos quando sua mãe tomava seu rosto entre as mãos e beijava carinhosamente sua testa, antes de ele ter completado uma década de vida, e nunca ter entendido direito o porquê de ela ter partido sem o levar consigo.

Notei os punhos dele se fechando, sua intenção era me afastar dele, mas a sensação de frescor que sentiu na pele era um argumento contra o qual era difícil lutar, e ele acabou aceitando meus toques que iam percorrendo seus braços musculosos, as mãos calejadas, o torso revestido de pelos distribuídos de forma sensual, os ombros largos que pareciam carregar o peso de toda a fazenda sobre eles.

- Acha que sou algum inválido? – perguntou-me ao me encarar, porém sem aquela agressividade de antes na voz.

- Acho que você é um homem que precisa se recuperar das fraturas para voltar a fazer o que fazia antes, e é para te ajudar nesse processo que estou aqui. – respondi num tom baixo e lhe dirigindo um sorriso tímido.

Seguiu-se um silêncio. Mas foi um silêncio diferente no qual já não pairava mais aquele clima belicoso. Depois de ajeitar os travesseiros, aplicar-lhe a injeção com o antibiótico e lhe estender os dois comprimidos para a analgesia e a inflamação, tudo com movimentos coordenados e precisos, deixei-o a descansar. Antes de passar pela porta, vi pela primeira vez que seus punhos estavam relaxados ao lado do corpo e que ele soltara um suspiro longo de quem sabia que a luta havia terminado.

O mormaço da tarde estava abrasador. Voltei ao quarto dele com uma jarra de água quase gelada e os comprimidos que precisava tomar. O Saulo estava imóvel olhando pelas janelas e vendo a movimentação dos peões do lado de fora. Tinha aquela postura de quem só esperava um pretexto para explodir, sentindo-se como um animal de carga inútil descartado e deixado de lado.

- Precisa se alimentar, Saulo! A medicação que está tomando é forte e não é bom que caia no estômago vazio. Além do que, precisa de energia para recuperar as forças. – afirmei, quando adentrei ao quarto com uma terrina de canja, e o sol já estava prestes a encostar no horizonte com as primeiras estrelas começando a cintilar no céu de um azul escuro com tons amarronzados.

- Leve isso daqui! Não sou criança para ser alimentado na boca! – exclamou furioso, encontrando em quem despejar sua frustração.

- Eu sei que você não é criança! Mas seu braço direito está imobilizado, o esquerdo coberto de hematomas, se eu colocar essa terrina de sopa nas suas mãos vai derrubar tudo sobre si e na cama, e quem vai precisar limpar essa lambança serei eu. Já tenho muito trabalho na cozinha e no trato com as empregadas, portanto, colabore! – sentenciei com a voz calma e firme.

Ele não revidou, a lógica profissional dos meus argumentos o convenceu. Ele detestava se sentir um estorvo. Abriu a boca com relutância quando aproximei a colher e a coloquei em sua boca. Notei que ele gostou do sabor da canja, temperada com ervas que ele logo soube não tinha sido feita pela cozinheira da fazenda, uma senhora que não tinha nenhum tino para a coisa, mas que se viu obrigada a aceitar a função pela pressão do pai do Saulo. Ele ficou me encarando, nossos rostos estavam a centímetros de distância e, pela primeira vez, creio que reparou verdadeiramente em mim, um homem com um rosto imberbe, quase angelical, que não o encarava em desafio, um homem para o qual não precisava assumir uma postura dominante, de defesa. Também notei que a minha presença, tão próximo dele, compenetrado para que nada caísse da colher que o alimentava, lhe trazia uma paz que não existia em meio a brutalidade daquela fazenda.

- Por que faz esse tipo de trabalho, ficar limpando e cuidando do corpo dos outros? – perguntou-me

- Porque alguém o precisa fazer! E porque eu gosto de ver as pessoas se recuperando e voltando a vida normal com a ajuda dos meus cuidados! – respondi, desconcertando-o momentaneamente.

- Não parece ser a função para um homem! – exclamou, demonstrando o que verdadeiramente o incomodava em nosso breve relacionamento.

- Talvez eu não seja um homem igual aos outros, e não me importe com isso, mas em fazer aquilo que acho certo. – devolvi.

- Eu já notei que você não é um homem igual aos outros! – afirmou, esperando minha reação.

- E é por isso que não gosta de mim! Não se aflija, tão logo esteja recuperado não precisará mais me ver, são só mais algumas semanas. – retruquei. Ele ficou me olhando sem revidar. A resposta ecoou dentro dele e, pela primeira vez, ele sentiu que não queria me expulsar do quarto.

O Saulo devorou todo conteúdo da terrina, limpei com um guardanapo o canto de sua boca e, com a mão firme puxei-o pelo pescoço para poder ajeitar os travesseiros. Foi um toque breve, apenas o bastante para completar a tarefa, mas pude sentir como a pele dele se arrepiou e, quase deu para sentir a descarga elétrica que desceu pela sua coluna. Quando deixei o quarto, não imaginava que ele ia perder o sono por toda aquela noite, meditando sobre a minha presença em sua vida.

A noite trouxe consigo uma ventania seguida por um temporal, interrompendo a energia da casa toda. Fui ao quarto dele com um farolete que desenhava sombras compridas nas paredes para verificar se estava tudo bem, ele tinha os músculos da face contraídos, o corpo todo retesado, as têmporas suadas.

- A dor voltou, não é? E com força. – exclamei. Ele assentiu com a cabeça, mas não reclamou, como um bicho que prefere morrer a admitir alguma fraqueza. – Vou injetar um analgésico mais forte e vamos precisar massagear essa perna para fazer o sangue circular para favorecer a cicatrização. – afirmei.

Tirei o lençol que o cobria e procurei desviar o olhar do que estava dentro da cueca dele para não perder a concentração. Toquei na coxa musculosa e peluda dele onde as cicatrizes das incisões para colocar os pinos que reduziram as fraturas já haviam cicatrizado, mas ainda estavam visíveis e sensíveis. Ele reagiu como se tivesse recebido um coice, mas à medida que minhas mãos deslizavam sobre a pele, ele foi relaxando e se entregando ao alívio que a musculatura começava a sentir.

- Meu pai diz que um homem que depende de cuidados perde o prumo! – afirmou, depois de um tempo observando minhas mãos trabalharem com segurança e delicadeza. – Você tem mãos bonitas, dedos longos e finos, pele macia! – exclamou.

- Seu pai deve confundir força com grosseria! O que tenho visto em você é um homem forte que aguenta tudo sem reclamar, e que externa brutalidade para ganhar o respeito das pessoas. – afirmei. Ele ficou me encarando, a tensão nos músculos diminuindo, a dor cedendo aos poucos.

Mantive as mãos sobre aquelas coxas musculosas por um tempo depois de terminar a massagem. Nossas peles se tocando afastaram tudo o que estava além das paredes daquele quarto, a fazenda, a opinião dos peões, os fuxicos das empregadas da casa, restando apenas nós dois tentando entender um ao outro e ao que estava acontecendo dentro de nós. A dor o havia extenuado, o analgésico injetado produzia resultado, as pálpebras do Saulo pesavam a cada minuto que passava, até se descerrarem como uma cortina cobrindo o brilho daquele olhar que estava me deixando cada dia mais confuso e inseguro. A respiração dele ressoava profunda e calma. Perdi a vontade de sair daquele quarto enquanto observava cada detalhe daquele corpanzil que, apesar de ferido, não escondia a energia e o vigor contido nele. Tirei a roupa mantendo apenas a cueca pequena que mal cobria os 115cm da minha bundona, e me aconcheguei ao corpão quente dele, o que o fez soltar outro suspiro longo, como se o toque da minha pele extraísse toda tensão da dele.

O temporal cedeu pouco antes do alvorecer. A casa sede estava cercada e isolada do restante da fazenda por um lamaçal vermelho. Acordei assustado quando senti a coxa peluda do Saulo roçando as partes expostas das minhas nádegas, pensando que ele talvez estivesse querendo me enrabar com aquele caralhão que eu sabia ser enorme, apesar de não o ter visto senão dentro da cueca. Mas ele ainda dormia, foi ao menos o que me pareceu. Voltei para o meu quarto, tomei uma ducha e fui à cozinha preparar o café para ele. A cozinheira já estava lá, a postos, esperando minhas ordens, depois que a destituí de suas funções, preparando eu mesmo as nossas refeições, sob o desaprovo dela.

O Saulo estava se espreguiçando na cama quando entrei com a bandeja do café, cujo aroma logo se espalhou pelo quarto abafado pelo ar úmido trazido pela chuva.

- Bom dia! Dormiu bem? As dores diminuíram? – perguntei com um sorriso.

Ele rosnou, o pulsar das veias das têmporas e a mandíbula contraída externavam a raiva que estava sentindo.

- Vou acabar enlouquecendo se continuar confinado nessa cama! – exclamou, querendo recusar o café, antes de perceber como a salada de frutas, as torradas cobertas de geleia, a omelete fofa coberta com queijo ralado estavam harmoniosamente dispostos em recipientes coloridos sobre a toalhinha rendada que cobria a bandeja, herança deixada por sua mãe numa gaveta qualquer. Ele não se achou merecedor de tanto cuidado e gentileza. O aroma do café que entrou em suas narinas trouxe seu olhar para mim, junto com um sorriso que não queria expressar. Todo esse cuidado nunca lhe foi dado, apenas cobranças, gritos e ordens do pai compunham o relacionamento seco entre eles. A mesma aridez nas palavras ele devolvia no trato com os peões, era como acreditava que o dono de uma fazenda devia tratar seus subalternos para ser respeitado. Contudo, a minha voz tranquila, as palavras bem estudadas antes de fluírem pelos lábios estava construindo o respeito e admiração dele por mim. Era embaraçoso admitir isso sem poder contestar, sem poder se impor; pois isso, ele sabia, não funcionava comigo. A mesma firmeza e segurança com as quais as mãos cuidavam dele, estavam em algum lugar dentro de mim, e era isso que estava mexendo com suas convicções.

Restava saber se a armadura bruta que construiu ao seu redor resistiria a delicadeza dos cuidados e do carinho que eu lhe dedicava, uma ameaça ao seu mundo de aparências.

Ele estava particularmente agitado naquela manhã. Berrou com a empregada que eu havia mandado para limpar o quarto. Mandou chamar o capataz que, ao olhar para ele convalescendo e preso àquela cama como um boi confinado no curral, foi expulso aos gritos antes de ficar sabendo o motivo pelo qual havia sido requisitado.

No dia em que fiz o acerto com o pai dele, pedi que ele adquirisse ou alugasse uma cadeira de rodas para que o filho não precisasse ficar o tempo todo restrito ao leito. Ela foi entregue naquela manhã sem que o Saulo soubesse.

- Quem veio nesse furgão! – perguntou-me quando entrei no quarto para ajudá-lo a vestir um short, pois pretendia levá-lo até a varanda, ampliando o horizonte que seus olhos estavam vendo há quatro dias.

- Vou te ajudar a vestir um short, mas antes vamos tirar essa cueca, que não me deixou trocar durante o último banho. – mencionei.

- Considera isso um banho, passar toalhas úmidas pelo meu corpo? Ninguém a não ser eu tira a minha cueca, não quero sentir mão de homem mexendo na minha intimidade, muito menos as tuas! Não quero vestir um short, nem porra nenhuma, quanto mais me mexo, mais dores sinto depois. – retrucou ele

- Na sua condição é um banho sim, um banho de leito, mas não deixa de ser um banho! Dentro de uma semana talvez vamos tentar um banho debaixo do chuveiro. – respondi e, sem pedir autorização, puxei a cueca dele para baixo, resolvido a não dar ouvidos aos seus queixumes.

Quase perdi a respiração quando o caralhão imenso e calibroso saltou para fora, a enorme cabeçorra parcialmente desencapada, um emaranhado de veias que mais pareciam afluentes de um rio envolvendo o colosso de carne, e aquele sacão taurino onde duas bolas do tamanho de um ovo de galinha exibiam seu contorno sensual e lascivo, mesmo cobertos por um chumaço denso de pentelhos. Ele percebeu o quanto aquela visão mexeu comigo, uma vez que nunca tinha visto minhas mãos tremendo tanto quando vesti o short nele.

- Vai me dizer que nessa profissão nunca viu o caralho de um macho, para ficar nesse estado? – questionou.

- Que estado? Não sei do que está falando! Claro que vi! Muitos, para seu governo! – respondi de pronto e gaguejando, enquanto um risinho se formava em seus lábios. – Nenhum desse tamanho, confesso! – acrescentei num tom de voz quase inaudível.

- É por isso que ficou tão pálido?

- Não estou pálido! – retruquei encabulado. – Era bem melhor quando mantinha essa boca fechada! – emendei, o que o fez rir.

O riso logo se transformou numa cara fechada e carrancuda quando voltei ao quarto com a cadeira de rodas.

- O que você pensa que vai fazer com essa tralha? – perguntou desconfiado.

- O médico disse que você não podia apoiar o peso do corpo sobre os pés, mas não disse que você não podia ver o dia passar fora de uma cama. Vou te levar para a varanda, tem um sol matinal brando batendo nela, e você vai poder acompanhar o movimento dos peões de longe. – respondi. Pensei que ele fosse recusar, mas vi uma animação em seu olhar que nunca esteve lá.

O vaqueiro era pesado, ossos duros, músculos densos, tirá-lo da cama exigiu todas as minhas forças. O braço musculoso dele se agarrou ao meu ombro, o tronco se inclinou sobre as minhas costas, a respiração do esforço de ambos ressoando, o cheiro másculo de seu corpo colado ao meu, enquanto ele inspirava para sentir o frescor do perfume cítrico que ele emanava, contrastando com o cheiro de bicho confinado dele.

Depois de acomodá-lo na varanda onde o sol o banhava da cintura para baixo, o Saulo inspirou fundo deixando que o aroma do pasto lavado pela chuva da noite anterior entrasse pelas narinas. Sentei-me perto dele, numa das pranchas que unia os pilares de madeira que sustentavam a varanda. Ficamos ali em silêncio por mais de duas horas, as palavras pareciam já não ser mais necessárias para nos comunicarmos.

- Obrigado! – agradeceu ele, num sussurro baixo. Eu apenas assenti.

Sem que eu o soubesse, pela primeira vez o Saulo sentiu que não precisava provar nada para ninguém, que a minha presença não representava nenhuma ameaça, mas lhe trazia uma paz que nunca sentiu. Aqueles momentos ao meu lado se tornaram os melhores de seu dia. Seu olhar de julgamento deixou de existir, agora ele acompanhava meus movimentos com uma curiosidade crescente.

Eu estava na cozinha terminando de preparar o almoço dele quando ouvi um baque alto vindo do quarto. Corri todo preocupado e o vi caído no chão ao lado da cama, respirando ofegante e a testa coberta de suor pelo esforço que fez tentando calçar as botas.

- Perdeu o juízo, foi? – indaguei zangado, jogando o par de botas longe. – Quer pôr tudo o que fizemos a perder, é isso que está tentando fazer?

- Você nunca vai entender! Eu não posso ficar preso, preciso caminhar, preciso ter um céu sobre a cabeça, não um teto que aprisionando. – desabafou, me fazendo compreender que aquelas botas faziam parte de sua armadura, daquilo que fazia dele o homem forte e destemido que estava acostumado e enfrentar tudo o que vinha pela frente.

- Vou repetir, se não se controlar e insistir em apressar as coisas, vai acabar para sempre numa cadeira de rodas. É isso que você quer? Tenha paciência, você vai voltar a calçar essas botas, vai voltar a cavalgar por toda essa fazenda, vai fazer tudo que tiver vontade, mas precisa deixar esses ossos consolidarem. – asseverei, tomando as mãos grandes e calejadas dele entre as minhas, fitando-o firmemente nos olhos.

Ele não respondeu, sabia que eu estava com a razão e apertou as minhas mãos bem menores do que as dele, sentindo a firmeza que vinha delas, não pela força, mas da convicção. Ele continuou segurando minhas mãos, não queria perder aquele contato que também se intensificou com o olhar.

- A força que está dentro de você, Leo, nos faz sentir preso a você. – afirmou.

O Saulo passou a me requisitar com frequência, quando não por um motivo tangível, inventava um para se justificar; minha presença e minha voz modulada começavam a mudar algo dentro dele, mas que ele ainda não estava preparado para expressar.

Naquela noite, quente como as demais, eu rolava na cama de um lado para outro, sem que a imagem do caralhão dele saísse dos meus pensamentos. O que eu sentia crescer em meu peito quando trocava os curativos dele, quando o banhava, quando fazia sua barba hirsuta enquanto seu olhar ficava preso em mim, estava me assustando. Eu estava me afeiçoando ao vaqueiro bruto; não, eu pela primeira vez estava me apaixonando por um homem, sem que nenhuma tentativa de o negar estivesse surtindo efeito.

As cabeceiras de ambas a camas eram separadas pela parede que dividia os dois quartos, e eu podia ouvir a inquietação dele do outro lado. Fiquei a ouvi-la por um tempo, até me preocupar achando que ele podia estar querendo sair novamente da cama, já que o confinamento o torturava. Caminhei descalço de mansinho até a porta entreaberta do quarto dele. O Saulo estava sentado, recostado na cabeceira, as pernas bem abertas e a mão dele fechada ao redor do cacetão masturbando aquele colosso enquanto ele suspirava com o peito estufado e a cabeça lançada para trás. Hipnotizado, não consegui sair dali, meus pés pareciam ter criado raízes. Uma convulsão começou a agitar meu cuzinho, meu corpo começou a tremer, a boca secou e eu tentava lamber os lábios para os umedecer. De repente, ele olhou na minha direção, não sei se me viu, uma vez que não havia acendido nenhuma luz. Chispei para o meu quarto feito um raio e me atirei sobre a cama, meu pinto estava duro e eu sentia uma necessidade enorme de enfiar qualquer coisa dentro do cu, mas comecei a chorar tentando esquecer tudo o que vi e senti.

O Saulo não comentou nada durante o banho na manhã seguinte, que agora já acontecia com ele sentado debaixo do chuveiro, o que me levou a crer que não me viu espionando. Também não disse nada quando tirei a cueca dele toda engomada de porra seca, que eu aproximei do nariz inspirando profundamente para sentir aquele perfume almiscarado impregnado nela, assim que ele ficou de costas para mim. Ele me disse para não ter pressa nos banhos, que estava feliz por não depender mais daqueles banhos de gato rápidos que mal tiravam o suor da pele. Por isso, e por sentir um tesão enorme ao deslizar minhas mãos ensaboadas sobre a profusão de músculos de seu corpão, os banhos nunca duravam menos que meia hora. Ele se deixava acariciar como um gato manhoso, às vezes puxando uma conversa, outras ficando em silêncio, mas em ambas situações se esforçando para controlar as ereções que teimavam em distender seu falo portentoso. Ele não o escondia de mim, parecia até que queria que eu o contemplasse, não para me intimidar, mas para me transmitir o que as palavras ainda não tinham coragem de pronunciar.

As preocupações do Saulo não residiam mais apenas na recuperação, mas no dia em que meus serviços não seriam mais necessários e eu deixaria a fazenda voltando para a cidade e para a minha vida rotineira. Ele começou a perceber que a fazenda não seria mais a mesma sem mim, que ele próprio já não era mais o mesmo depois daquelas semanas que passavam mais rápido do que ele desejava.

Eu estava fazendo a barba dele, algo impensável de início, pois o Saulo não permitia uma aproximação tão estreita que, como agora, com a cabeça inclinada para trás e o pescoço exposto, o colocava numa posição de vulnerabilidade. Contudo, ele já não se esquivava mais das minhas mãos como antes, aceitava o toque em seu pescoço enquanto eu fazia o aparelho de barbear deslizar sobre a espuma grossa. Compenetrado no que fazia, eu não percebia que nossos rostos estavam a centímetros de distância, mas o Saulo não perdia sequer um dos movimentos no meu rosto, o canto da boca se levantando um pouco, a ponta da língua umedecendo o lábio inferior tentadoramente vermelho e úmido, a sobrancelha arqueada, os olhos verdes focados brilhando de um jeito que só ele conseguia interpretar. Essa proximidade mansa, não precisar se defender, apenas sentir sem reservas aquela mão suave tocando seu rosto era algo que o deixava dependente desse cuidado, algo perigosamente diferente de tudo o que ele já havia sentido. Seu instinto queria que ele tomasse aquele rosto entre as mãos, beijasse aqueles lábios rubros e molhados, se afogasse nesses olhos que pareciam cintilar apenas para ele. Entre suas pernas, ficava cada vez mais difícil controlar aqueles impulsos que despertavam o caralhão obrigando-o a domá-lo com apertões frequentes, mas que pouco resultado produzia, expondo o que se afogueava dentro de seu corpo e acabava melando a cueca.

Com o polegar, tirei um pouco de espuma que permaneceu grudada no queixo dele. Os músculos ainda estavam tensos quando envolvi com a palma da mão a pele escanhoada da bochecha, mantive a mão por mais tempo que o necessário o que produziu um choque que desceu pela coluna dele muito diferente daqueles que sentia na arena de rodeio. Não era mais um toque profissional, era uma carícia disfarçada que escondia algo que ambos relutavam em admitir por razões distintas. Ali ficou claro que a relação paciente/enfermeiro havia terminado, que a pulsação das veias dele contra a palma da minha mão e o silêncio do quarto falavam por si sós.

- Mais algumas semanas e você vai embora, seu trabalho por aqui estará encerrado, mas eu já não sei mais se consigo viver sem a sua presença nessa fazenda. Sei que tem sua vida na cidade e que ela é muito diferente da minha, e é por isso que receio perguntar se você se disporia a não partir, a ficar aqui, comigo. – só o Saulo mesmo saberia dizer o quanto lhe custava admitir que pela primeira vez precisava de alguém, que dependia de mim e do que ele desconfiava que eu estava sentindo por ele.

- Seu pai logo estará de volta. Você voltará a cavalgar por esses pastos e a colocar a peãozada para trabalhar, acha que existe uma chance de eu me encaixar nessa vida, nesse lugar? – devolvi, cheio de incertezas, exceto uma, a de estar apaixonado por ele. A partir dali os silêncios que se formavam entre nós ficaram incômodos e sem respostas.

Voltei a ouvir os grunhidos do Saulo no quarto ao lado naquela noite em os calores que percorriam meu corpo não me deixando conciliar o sono. Eu já sabia o que significavam, mas mesmo assim fui, pé ante pé, até a porta do quarto dele. Sem a tipoia, ele se masturbava com a mão direita, o sacão saltava cada vez que ele distendia o cacetão grosso. Meu cu dentro da bermuda justa do pijama, chuchava engolindo o ar, mas querendo engolir aquele pauzão cabeçudo, não me deixando afastar dali, camuflado pela escuridão.

- Vai continuar aí parado como da última vez sem me ajudar com isso aqui? – perguntou com a voz rouca e entrecortada pela excitação que a masturbação provocava. Minha primeira reação foi querer sair correndo dali, mas era tarde para isso, não saberia explicar o que fazia ali a observá-lo quando amanhecesse. – Vem cá, Leo! Preciso de você!

- Desculpe, eu ... eu ... eu só vim ver se está precisando de alguma coisa! – devolvi balbuciando.

- Não está vendo isso aqui? Eu preciso de você, preciso que me ajude! – retrucou, soltando o cacetão que de tão duro permaneceu empinado feito um poste.

Eu tremia a cada passo que dava na direção dele, lambi os lábios ao me sentar na beira da cama, ficando ao alcance da mão do Saulo que prontamente levou a minha até o caralhão pulsando forte. Fechei a mão com delicadeza ao redor dele, sentindo-o latejar com força. A luz baça da lâmpada de cabeceira me permitiu ver a cabeçorra lustrosa vertendo pré-gozo que ia se espalhando pelos meus dedos.

- O que quer que eu faça? – perguntei, encarando seu olhar pidão e carente.

- O que você quiser! Só me faça sentir vivo, Leo! Faça eu me sentir inteiro novamente, faça eu sentir que essas fraturas não roubaram a minha essência. – respondeu ele.

Inclinei a cabeça e fui abocanhando a cabeçorra até ela preencher completamente a minha boca. O cheiro de suor da virilha dele e o cheiro pungente do pré-gozo faziam meu cuzinho se contorcer. Mamei demoradamente o pauzão grosso, extraindo grunhidos abafados do Saulo que se contorcia a cada sugada que eu dava para sorver o visgo que escorria da glande.

- Leo, Leo! Ah, Leo! – gemia rouco, forçando minha cabeça para dentro da virilha. – Não para, não para, Leo! Chupa meu cacete, chupa! Eu preciso tanto disso, preciso tanto desses seus lábios carnudos, Leo!

Afoito, como se fosse um esfomeado, eu lambia, chupava, mordiscava cada centímetro do cacetão pesado, forçando para engolir o máximo que podia, mas a cabeçorra estufada era tudo que cabia na minha boca. Meu tesão só aumentava com a mão dele entrando na bermuda e amassando minhas nádegas. Quando ele urrou forte, os jatos leitosos de porra densa eclodiram na minha boca, tão rápido que eu mal dava conta de os engolir. O Saulo estava há semanas sem gozar, os colhões estavam abarrotados, e ele ejaculou feito um touro, gemendo meu nome em êxtase. Era a primeira vez que eu engolia a porra de um macho, e me deliciei com seu sabor alcalino, picante e de aroma almiscarado. Ele não desviava o olhar deslumbrado da minha boca devorando seu esperma com tanta devoção.

- Não vá, fique aqui comigo! Deita do meu lado como fez naquele dia! – pediu, confirmando que estava mais desperto do que eu imaginava quando me despi e deitei ao seu lado daquela vez. – Tire a roupa, quero sentir a sua pele tocando na minha! – acrescentou, quando viu que eu ia me deitar com o bundão coberto. Obedeci.

Ele me trouxe para junto do tronco, ao qual me abracei, deixando o braço pousado e mão espalmada acariciando os pelos dele. Seu braço sadio escorregou pelas minhas costas até a mão parar na bunda, deslizando para dentro do meu rego estreito, inquieta e assanhada.

- Nem pense em fazer estripulias! A omoplata e o fêmur certamente estão consolidados, mas a bacia vai requerer mais tempo. – afirmei controlando os gemidos quando senti o dedo dele cutucando minhas preguinhas e o cuzinho apertado.

- Não pode me pedir o impossível! Tenho seguido obedientemente suas regras, mas está me pedindo demais! – retrucou, enfiando um segundo dedo no meu cuzinho que me fez gemer. – Sabe cavalgar, já montou num cavalo?

- Não, claro que não! Quase todos os cavalos que vi foram em filmes, e esses que os peões estão montando desde que cheguei aqui. – respondi.

- Então está na hora de aprender! Eu vou te ensinar! – exclamou, me deixando sem entender nada. – Abre as pernas e senta no meu colo! – ordenou.

- O quê?

- Você ouviu, abre as pernas, uma de cada lado do meu corpo e senta no meu colo! – repetiu enfático.

Quando me pus a fazer o que tinha pedido, vi o caralhão duro brotando do meio de suas coxas feito uma estaca. Tesão, medo e uma curiosidade ímpar se fundiam em minha mente. As mãos dele se fecharam ao redor da minha cintura, guiando meu quadril sobre o colo dele, até eu senti o pauzão roçar no rego. Inspirei fundo, me inclinei em direção ao rosto dele com as mãos espalmadas sobre seu peitoral. Os olhos dele brilhavam de luxúria. Suas mãos deslizaram sobre as nádegas e ele as abriu expondo meu cuzinho.

- Senta! – ordenou arfando de tesão.

- Seu quadril fraturado, não podemos fazer isso, pode te prejudicar! – exclamei, num último lampejo de lucidez.

- Senta! – voltou a ordenar com mais firmeza.

Sentei, deixando o peso das ancas cair lentamente no colo dele, enquanto ele pincelava a cabeçorra sobre as minhas preguinhas até encontrar a fendinha apertada, para dentro da qual a cabeçorra mergulhou, fazendo um – Ploft – quando meu esfíncter a engoliu. Soltei um grito e quis me levantar, mas ele foi mais ligeiro e usou a força dos braços para reter minhas ancas.

- Devagar, respira! Já estou dentro de você! Deixe o peso cair lentamente e abre bem o cuzinho! Você é muito apertado, Leo! Deliciosamente apertado, e eu não quero te machucar! – a fala dele saia grunhida pelo tesão.

Meu corpo todo tremia, o cuzinho sugava aquela trolha enorme para dentro sem se importar com a dor das pregas rasgando. O pauzão ia afundando nas minhas entranhas sem que eu pudesse controlar os ganidos de dor e prazer. O Saulo me puxou pelo pescoço e me beijou, metendo a língua na minha boca com a mesma fúria desesperada que socava o cacetão no meu cuzinho. Eu ia me sentindo preenchido por aquele macho, a mais sublime e maravilhosa sensação que já senti.

- Saulo! – gemi, ao sentir a verga toda entalada no rabo, e o sacão peludo roçando a pele lisa do meu reguinho. Ele me encarava com um sorriso abobalhado.

- Agora mova as ancas para frente e para trás, erguendo um pouco a bunda, mas sem deixar meu cacete sair do seu cuzinho. – ronronou, guiando minhas ancas. – Isso, é assim mesmo, com suavidade e ritmo! Está sentindo meu cacete se mexendo no seu cu?

- Ai Saulo! Ai meu cuzinho, macho! Teu pauzão está me arrebentando, não sei quanto ainda vou aguentar. – gemi, sentindo o esfíncter firmemente travado em volta do caralhão dele e minhas entranhas se abrindo.

- Vem cá, me beija que a dor passa! Eu só vou te soltar depois de leitar nesse rabinho gostoso, meu potrinho tesudo! – sussurrou, me encorajando. Beijei-o desesperadamente com paixão, com furor, com tesão.

A estaca grossa parecia estar revolvendo todos os órgãos do meu ventre, dilacerando as entranhas entre o que eu já não sabia mais se era dor ou prazer. Quanto mais meu olhar focava no rosto dele, vendo o prazer e a satisfação resplandecendo nele, mais eu rebolava e cavalgava no cacetão pulsando insaciado. Nunca imaginei que pudesse haver felicidade como aquela. Arfando, suspirando acelerado e gemendo eu senti o orgasmo tomando forma entre a musculatura da pelve. Com um gritinho esganiçado, senti meu pinto ejaculando em cima do abdômen do Saulo.

- Tesão da porra, Leo! Tesão caralho! – exclamou em voz alta antes de urrar e encher meu cu de porra; se agarrando com mais força à minha cintura e socando o caralhão o mais fundo que podia no meu buraquinho arregaçado.

Eu estava exausto quando comecei a sentir o cacetão amolecendo no meu cuzinho, o suor pingava da minha testa sobre o peito peludo dele, empapado de suor como ele todo pelo esforço.

- Isso foi uma loucura! Olhe para o seu estado! Eu nunca que devia ter concordado com essa loucura! E se você piorar, se as dores no quadril voltarem? – indaguei preocupado.

- Eu nunca me senti tão vivo, tão disposto! Era disso que eu estava precisando, não de injeções e comprimidos! Ah, Leo, você sabe como curar um doente! Promete que nunca vai me deixar, que vai ser meu enfermeiro para sempre, que vai me deixar ser seu macho! Promete, Leo! – balbuciava exaltado pelo tesão.

A leitada que ele inoculou no meu cu foi tão farta quanto a que eu havia engolido, e vazou um pouco quando desmontei dele antes de travar o cuzinho. Ele quis me puxar de volta, se agarrar ao meu corpo trêmulo, mas só o beijei afagando seu rosto.

- Fica! – pediu, não me soltando.

- Primeiro preciso te limpar, tem porra para todo lado nesse abdômen! Depois preciso cuidar do meu cu, acho que esse caralhão me rasgou todo. – devolvi, notando que junto com a porra que vazava do meu rabo e escorria pela parte interna da minha coxa, descia um filete de sangue que o Saulo também notou.

- Você é virgem, Leo? – perguntou espantado.

- Era! Até alguns minutos atrás, era! Agora parece que escavaram um túnel no meu rabo. – devolvi, sorrindo para ele.

- Agora você tem um macho, e vai precisar satisfazer todos os desejos dele, está sabendo, não é? – o sorriso e a expressão de felicidade no rosto dele foi o que de mais gratificante podia desejar.

- Vou pensar no seu caso! Por hora me deixe usufruir da sua umidade viril formigando no cuzinho. – respondi, antes de ele dar um tapa estalado na minha nádega.

- Cuidado para não engravidar! – retrucou jocoso.

Preocupado com o esforço que ele precisou fazer para me enrabar, apesar de ter ficado deitado e com o quadril apoiado sobre a cama durante todo o coito, eu liguei para o Dr. Fausto perguntando o que ele achava de fazer umas radiografias dos ossos fraturados para ver se a consolidação estava acontecendo a contento. Ele concordou e fomos ao hospital realizar as tomadas radiográficas. O Saulo não cabia em si de contente quando foi informado que o fêmur e a omoplata estavam completamente consolidados, só o quadril demandaria mais algumas semanas, e que depois, sessões de fisioterapia restaurariam a força da musculatura que se atrofiou durante o período de imobilização.

- Você ouviu o doutor, preciso por essa musculatura para funcionar, e você sabe muito bem como vamos fazer isso! – disse com um sorriso ladino quando voltávamos para a fazenda.

A tal “fisioterapia” virou sua principal cobrança diária. Bastava eu me aproximar dele para ser agarrado por seus braços musculosos, ter a boca sufocada por seus beijos e ter as nádegas carnudas devassadas até me deixar penetrar pelo pauzão que vivia à meia bomba. Enquanto eu não me sentasse em seu colo, o cobrisse de beijos e o deixasse chupar e mastigar meus mamilos ele não dava sossego. Nem mesmo a volúpia dos meus gemidos ecoando pela casa denunciando o que estava rolando em seu quarto, o impedia de saciar seu tesão.

Três semanas depois, no meio da tarde, o barulho da camionete do José Afonso, estacionou no pátio lateral da casa sede, anunciando que a trégua de calmaria vivida na fazenda nos últimos meses havia chegado ao fim. O Saulo já não dependia mais das medicações e das trocas de curativo na perna, as incisões para a redução da fratura no fêmur estavam cicatrizadas; o braço direito não dependia mais do suporte da tipoia e já se movia recuperando a força muscular; o quadril, a depender do movimento, ainda dava umas fisgadas fortes e doloridas, mas permitia que ele desse alguns passos apoiado em alguém. Ele e eu estávamos na sala, onde eu lhe havia trazido um café recém coado que ele tomava devagar, olhando para mim com uma expressão escondendo um sorriso. O ronco do motor da camionete fez com que nos entreolhássemos. Senti um aperto no peito.

O José Afonso entrou na casa pisando firme sobre as tabuas do assoalho sem cumprimentar ninguém, não era um homem de gentilezas muito menos de abraços. Seu olhar percorreu o ambiente desprovido de qualquer sentimento, olhou primeiro para o Saulo sentado na poltrona e, em seguida para mim com um desdém mal disfarçado.

- Vejo que já está recuperado, ou quase isso! – exclamou. – O serviço desse rapaz terminou, sua presença nessa casa não é mais necessária! Já lhe paguei antecipadamente por todo serviço e pelo extra para gerir as empregadas da casa. Se nesse decorrer restou algum acerto pode me dizer que providencio o pagamento agora mesmo. Caso contrário, pode fazer sua mala que vou mandar alguém te levar para a cidade. – disse ele com sua voz rouca e autoritária, sem olhar para mim.

- Não, já está tudo acertado! O senhor não me deve mais nada! – respondi, sentindo um nó na garganta.

A maneira como o pai me tratou, feito uma ferramenta usada que já não tinha mais serventia alguma, fez o sangue do Saulo ferver. Ele apertou os dedos nos braços da poltrona até os nós deles ficarem brancos. Minha mala, feita pouco antes e sem que o Saulo soubesse, já estava num canto próximo a porta, e eu ia me dirigir até ela quando o funcionário designado para me levar à cidade apareceu. Antes de dar o primeiro passo, o Saulo me segurou pelo braço, fechando a mão potente ao redor dele.

- O Leo não vai embora, pai! Ele não é um peão de trecho que o senhor despacha na porteira. – explodiu o Saulo com a voz firme e decidida.

- O que deu em você, Saulo, ficou frouxo depois de um tombo de um touro? – questionou o José Afonso com as sobrancelhas arqueadas e o rosto vermelho de uma raiva contida. – Esse rapaz foi regiamente pago por seus serviços, o que mais você quer? – questionou, desconfiado de o filho ter se envolvido comigo além do estritamente profissional. – Ou será que esse rapaz te prestou outro tipo de assistência além dos cuidados de enfermagem? – indagou, insinuando algum tipo de promiscuidade.

Baixei o olhar sentindo a humilhação de estar sendo o centro daquela disputa. A maneira como o José Afonso sempre olhou para mim, com desprezo e repulsão pelo corpo esguio e rosto pouco másculo, doeu fundo na alma. Nunca antes alguém havia me encarado com tanto escárnio. Tentei fazer com que o Saulo soltasse meu braço, mas ele o apertou com mais força.

- Em primeiro lugar quero que o Leo seja respeitado! Muita coisa mudou por aqui nesses quatro meses, pai. Se o Leo sair por aquela porta, eu seguirei com ele. – sentenciou o Saulo.

O José Afonso encarou o olhar do filho, a submissão de anos que havia nele tinha desaparecido. O que ele viu foi a determinação de um homem que descobriu um valor que o dinheiro dele era incapaz de comprar. Ele deu as costas e saiu pisando firme, bateu a porta com tanta força que fez os quadros da parede tremerem.

O jantar transcorreu num silêncio carregado, após o qual o José Afonso se trancou no escritório. Impossível saber o que se passava em sua cabeça, mas algo me dizia que aquele teto era pequeno demais para nós dois e para o preconceito que aquele homem seco e rude trazia dentro de si.

- Meu pai vai te ignorar, não lhe dirigirá a palavra, talvez nunca vá aprovar a sua presença nessa casa, e é por isso que eu vou te pedir para ser forte, para não me deixar porque desaprendi como é viver sem você. – afirmou.

- Eu não vim procurar a aprovação do seu pai ou de quem quer que seja. Eu vim cumprir um contrato, mas acabei descobrindo o homem mais forte e maravilhoso que já conheci. Você não é um frouxo como seu pai mencionou, Saulo. Você é corajoso, destemido e sedutoramente forte. Estou disposto a enfrentar o que for para ficar ao seu lado, para te entregar toda paixão que carrego dentro de mim.

O Saulo me estendeu as mãos abertas, eu encaixei as minhas nelas e ele me puxou para junto de si, lenta e cuidadosamente foi tocando os lábios nos meus até esse toque se transformar num beijo lascivo carregado de tesão e paixão. O vaqueiro bruto se deixou guiar por esse sentimento novo que preenchia todo o vazio que havia dentro dele. Eu nunca antes havia experimentado uma segurança tamanha como a que senti aconchegado naquele peitoral sólido e quente. Uma brisa fresca vinda com a noite nos envolvia na varanda sob uma luz amarelada ao redor da qual voavam duas mariposas.

- Seremos alvo das fofocas desses peões, das empregadas da casa, dos vizinhos e das pessoas na cidade, mas eu não vou me esconder, não vou deixar de mostrar para todo mundo o homem que mudou toda a minha vida, o homem pelo qual estou apaixonado. A vida não costuma nos dar segundas chances, e eu não vou abrir mão dessa que te trouxe a mim! – sentenciou o Saulo, entre um beijo e outro, antes de voltarmos para o quarto que por todas aquelas semanas serviu como espaço improvisado para cuidados de enfermagem, mas que acabou se tornando um ninho que acalentava os coitos tórridos nos quais o caralhão dele vibrava forte no meu cuzinho, antes deixar nele aquela umidade que confirmava ser ele o meu macho.

A fazenda era o dote do sogro quando o José Afonso se casou com a mãe do Saulo, e que ela tratou de passar para o nome do filho quando deixou a fazenda e o filho para se ver livre do marido que só lhe causou tristeza e dissabores. Foi também isso que levou o José Afonso a se mudar para a outra fazenda onde ainda havia muito a se fazer para a tornar tão lucrativa quanto a que pertencia legalmente ao filho. Na manhã em que entrou na camionete com tudo que lhe pertencia, não sabíamos se voltaríamos a vê-lo algum dia. Ele não se despediu, nem do filho nem de mim. Apenas passou o olhar pela fachada da casa com o mesmo desinteresse e falta de empatia com os quais encarava tudo e todos que não representassem lucro.

O Saulo me segurava pela cintura, totalmente recuperado, estava sólido como uma âncora na qual me apoiei; depois da camionete fazer a curva e sumir na poeira da estrada, ele virou o rosto para mim e me beijou, até eu retribuir chupando a língua que se movia provocativa em minha boca.

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