Antes de ler este conto, não sei de ler "O segurança da Calourada"
A luz do sol, agora forte e direta, cortava o quarto em faixas de calor e sombra. Lucas estava imóvel, com Fabiana dormindo aninhada contra seu lado, seu braço preso sob o peso do corpo dela, e Ednna enrolada em suas pernas como um gato satisfeito. O silêncio era profundo, apenas pontuado pelo respirar lento e profundo das duas mulheres e pelo zumbido distante de um inseto fora da janela.
Ele olhou para o teto, sua mente ainda reverberando com os eventos da noite. A sensação de ser primeiro o voyeur, o espectador clandestino, e depois ser arrastado para o centro daquela tempestade de prazer era uma confusão deliciosa. O corpo dele estava cansado, cada músculo relaxado pela exaustão, mas uma energia residual, uma satisfação profunda, pulsava em seu núcleo.
Ednna mexeu-se primeiro. Um pequeno gemido de sono, seus olhos se abriram lentamente, focando no rosto de Lucas. Um sorriso lento, lascivo, surgiu em seus lábios.
— Segurança… — ela murmurou, sua voz ainda rouca pelo uso intenso. — Você sobreviveu.
Fabiana também começou a se mexer, despertando com mais delicadeza. Ela abriu seus olhos azuis-claros, agora um pouco inchados, e olhou primeiro para Lucas, depois para Ednna. Um sorriso igualmente cansado, mas satisfeito, iluminou seu rosto escultural.
— Que bom dia… — ela disse, esticando-se como um gato. Os músculos definidos de seu corpo se contorciam sob a luz do sol.
Ricardo, do outro lado da cama, já estava sentado, olhando para eles com uma expressão de incredulidade e admiração. — Caralho, Lucas… nunca imaginei que você tinha esse lado. Ou que essas duas eram tão… insaciáveis.
Ednna soltou uma risadinha, levantando-se na cama. Seu corpo nu era uma paisagem de marcas — pequenas marcas rosa de mordidas, áreas avermelhadas de tapas, a pele brilhando com uma mistura de suor e outros fluidos. Ela parecia gloriosa, uma rainha após uma batalha bem-vinda.
— Todo homem tem um lado, Ric. Alguns só precisam de um empurrãozinho… ou de um boquete duplo — ela disse, olhando diretamente para Lucas.
Fabiana levantou-se também, buscando uma garrafa de água no chão. Ela bebeu um pouco e ofereceu a Lucas. — Você precisa hidratar, guerreiro.
Lucas aceitou a água, sentindo a frescura revigorante em sua garganta seca. A realidade do dia começava a se impor. — A cachoeira… você ainda quer ir? — ele perguntou, dirigindo-se a Ricardo.
Ricardo olhou para as duas mulheres, que agora começavam a se vestir com movimentos lentos e preguiçosos, pegando suas roupas dispersas pelo quarto. — Claro que vamos. Mas primeiro… café. E um banho. Não vamos chegar lá parecendo um bando de zombies.
Ednna, vestindo apenas seu shorts jeans curto e um top, virou-se para Lucas. — Você vai com nós, segurança? Ou tem serviço?
— Hoje é feriado — Lucas respondeu, um sorriso surgindo em seu rosto. — E depois da noite passada… acho que meu serviço já foi feito.
Fabiana, agora vestida com seu vestido verde-esmeralda, ajustou os cabelos loiros cacheados. — Então bora. Mas antes do banho… — ela se aproximou de Lucas, colocando uma mão em seu peito. — Eu quero um café bem feito. Você sabe fazer café, segurança?
O tom era provocante, mas também um desafio. Lucas sentiu um novo estremecimento de interesse, menor que os da noite passada, mas presente. O voyeur tinha sido incluído. E agora, ele era parte do grupo.
A casa de Ricardo tinha uma cozinha ampla. Lucas, seguindo instruções vagas das duas mulheres — que pareciam mais interessadas em observar seus movimentos do que realmente ajudar — preparou café. Ricardo estava no banheiro, se lavando.
Ednna observava Lucas de uma cadeira na mesa da cozinha, seus olhos seguindo cada movimento dele. — Você é organizado, né? Gosto disso. Homem que sabe fazer coisas domésticas… tem um charme.
Fabiana, encostada na porta, concordou. — É verdade. Além de ter um porte físico que não nega… e uma vocação para voyeur que é… interessante.
Lucas serviu o café em quatro xícaras. O silêncio que se seguiu foi diferente daquele da noite — era mais consciente, mais introspectivo. Ricardo voltou, limpo e vestido, e se juntou a eles.
— Então… sobre a cachoeira — Ricardo começou, bebendo seu café. — É um lugar meio isolado. Bonito. A água é gelada, mas depois do calor da noite…
Ednna interrompeu com um sorriso largo. — Água gelada é perfeita. Revigorante. E dá uma sensação… de frescor na pele. Especialmente depois de tudo que aconteceu.
Fabiana olhou para Lucas. — Você vai poder relaxar. Observar… sem ser escondido.
A provocação era clara. Lucas sentiu um calor na face, mas também uma onda de antecipação. A cachoeira não seria apenas um local de relaxamento; seria um novo estágio.
Após banhos rápidos — Lucas tomou seu banho sozinho, mas com a porta do banheiro aberta, sabendo que Ednna e Fabiana estavam no corredor, talvez ouvindo — eles se prepararam para sair. O carro de Lucas estava pronto.
A viagem até a cachoeira foi mais tranquila que a da noite anterior. O clima estava leve, o sol brilhando alto. Ednna e Fabiana estavam no banco de trás, conversando entre si sobre coisas triviais — universidade, planos para o fim de semana — mas ocasionalmente lançando olhares para Lucas pelo retrovisor. Ricardo estava no banco do passageiro, comentando sobre o evento da noite anterior.
A cachoeira era realmente isolada, um refúgio natural com uma queda de água cristalina em um poço de pedras. O som da água era constante, um ruído branco que limpava a mente. Eles se instalaram em uma área aberta próxima à água.
Ednna, sem cerimônia, tirou seu top e shorts, ficando apenas em um biquíni minúsculo que destacava ainda mais sua marquinha e seu corpo definido. Fabiana também se despiu, revelando um corpo menos volumoso, mas igualmente tonificado, em um biquíni azul que complementava seus olhos.
— Vamos! — Ednna gritou, correndo para a água gelada.
Fabiana seguiu, e Ricardo também, após um momento. Lucas ficou observando por um instante, sua mente registrando a imagem das duas jovens mergulhando na água, seus corpos se movendo graciosamente contra a correnteza. O voyeurismo ainda estava lá, mas agora era permitido, quase esperado.
Ele finalmente se juntou a eles, a água gelada causando um choque revigorante em seu corpo ainda quente. Ednna nadou até ele, seus olhos brilhando com a luz refletida na água.
— Gosta de observar mesmo, né? — ela perguntou, sua voz um pouco mais alta para superar o som da cachoeira.
— É… algo que descobri recentemente — Lucas admitiu, sentindo-se mais confortável em confessar agora.
— E nós descobrimos que gostamos de ser observadas — Fabiana disse, chegando ao lado de Ednna. — É uma troca interessante.
Ricardo nadou até eles, sorrindo. — E eu descobri que gosto de ser o objeto de observação… e participação.
O banho na cachoeira foi longo, refrescante. Eles se divertiram, brincaram na água, e por momentos foi apenas um grupo de amigos relaxando após uma festa. Mas Lucas notava os olhares prolongados, os toques sutis — Ednna passando a perna por sua perna debaixo d'água, Fabiana ajustando seu cabelo próximo a ele, Ricardo dando um tapinha em seu ombro com um sorriso cúmplice.
Depois de se secarem ao sol, se sentaram em uma grande pedra próxima à água. Ednna estava sentada próximo a Lucas, seu corpo ainda reluzente de água.
— Então… segurança — ela começou, sua voz mais séria agora. — Essa coisa de voyeur… você quer só observar? Ou quer participar também?
Lucas pensou por um momento. A noite passada havia sido uma mistura intensa de ambos. — Acho que… depende do momento. Observar dá um tesão único. Participar… também.
Fabiana se inclinou para frente. — E se… oferecermos uma situação onde você pode escolher? Observar… ou participar. Sem pressão.
Ricardo levantou uma eyebrow. — Isso parece interessante.
Ednna sorriu, seu olho malicioso brilhando novamente. — A cachoeira tem áreas mais isoladas… pequenas cavernas formadas pelas pedras. Privadas. Podemos… explorar.
A proposta estava clara. Lucas sentiu o coração acelerar novamente. A linha entre voyeurismo e participação estava se tornando uma zona flexível, mutável.
— Eu… estou aberto a explorar — ele disse finalmente.
Fabiana levantou-se, estendendo a mão para ele. — Então vamos.
Eles seguiram Ednna, que parecia conhecer o local, por um caminho estreito entre as pedras até uma pequena caverna natural formada pela erosão. Era um espaço semi-aberto, com uma vista parcial da cachoeira e uma área mais escondida no fundo.
Ednna entrou primeiro, seguida por Fabiana e Ricardo. Lucas ficou por um momento na entrada, observando. Era seu papel original — o voyeur.
Dentro da caverna, Ednna e Fabiana começaram a se beijar, lentamente inicialmente, depois com mais paixão. Ricardo observava, sentado em uma pedra, seu olho fixo nas duas mulheres. Era uma cena íntima, quase idílica, contra o som da água corrente.
Lucas observava, seu corpo reagindo ao espetáculo. Ele podia ficar ali, apenas observando, satisfazendo seu fetiche. Mas então Ednna olhou para ele, através do beijo com Fabiana, e estendeu a mão para ele, um gesto claro de inclusão.
Ele hesitou por apenas um segundo. O voyeur estava sendo convidado novamente para o centro. Ele podia escolher.
Com um passo decidido, Lucas entrou na caverna. O voyeur havia se tornado participante novamente. E a cachoeira, com seus sons naturais e sua beleza isolada, seria o cenário para o próximo capítulo de sua exploração. O dia ainda estava longo, e as possibilidades eram infinitas.