Milena passou a semana inteira me lembrando que iria com a turminha do inglês ao shopping no final de semana, onde teria um dia especial com Lalá para poderem passar um tempo juntas. Era visível como minha filha ansiava por esse momento, e eu até me sentia mal por não sentir um pingo de vontade de ir. Além de não ser um dos meus programas favoritos, nos últimos dias caiu a ficha de que eu ficaria responsável por uma turma de adolescentes durante um dia inteiro.
À noite, demorei para pegar no sono e, quando consegui, meu cérebro resolveu me torturar porque tive um pesadelo.
Sonhei que estava no shopping correndo de um lado para o outro enquanto um dos colegas de Mih tentava subir em uma estrutura decorativa do segundo andar; outro tinha entrado escondido na loja de eletrônicos para testar um videogame e simplesmente desapareceu; duas meninas discutiam no meio da praça de alimentação porque uma derrubou milk-shake na roupa da outra; um garoto tinha conseguido acionar o alarme de emergência sem querer; e Kaique ria da situação inteira enquanto filmava tudo no celular. Em algum momento do caos, um segurança segurou meu braço porque alguém acusou a turma de ter quebrado a vitrine de uma loja. Tentei explicar que eu só estava tentando impedir um menino de andar de carrinho motorizado pelo corredor do shopping, mas, do nada, apareceram dois policiais me levando algemada enquanto os pestinhas passavam atrás de mim carregando sacolas e acenando como se estivéssemos em um passeio turístico. O pior foi ouvir Lalá dizendo toda orgulhosa:
— Vou assistir minha sogra no jornal.
Uns dizem que os sonhos são o jeito que a mente encontra de encenar, de um modo exagerado e até meio torto, aquilo que já está sentindo acordada. Que cada cena, cada bagunça e cada detalhe estranho nascem das preocupações, dos medos e até das coisas que se tenta empurrar para o fundo da mente durante o dia. Para esse olhar, o sonho não vem do nada; ele só escancara o que já estava vivo dentro de nós e devolve, em forma de imagem, susto, correria e confusão, aquilo que nós mesmos cultivamos.
Outros dizem que os sonhos escondem mais do que mostram. Que aquilo que eu lembro ao acordar é só a parte aparente, o pedaço visível de algo mais profundo, mais íntimo, mais preservado, e que, por trás de uma cena boba, pode existir um desejo calado, uma falta, uma culpa, uma tensão antiga pedindo, do jeito que consegue, para ser explorada. Nesse sentido, o sonho seria quase como uma mensagem disfarçada, cheia de símbolos, onde nada aparece por acaso e tudo carrega um sentido escondido.
Mas ambas as partes concordam que sonhar nunca é um vazio sem importância. Seja como reflexo do que nos toca no presente, seja como porta para camadas mais profundas de nós mesmos, o sonho sempre fala, de alguma forma, sobre a nossa vida, nossos medos, vontades e aquilo que nosso coração ainda está tentando organizar.
~ Sobre os sonhos sem sentido lógico? Criatividade e proteção! 🤣
Acordei assustada, com o coração acelerado e a respiração presa na garganta. Fiquei alguns segundos encarando o teto até a cena absurda passar pela minha cabeça de novo e, aos poucos, comecei a rir baixinho, cobrindo a boca com a mão para não acordar Júlia ao meu lado, mas foi em vão.
— Oxe, o que foi? — Juh murmurou, deitando sobre o meu ombro.
— Nossa, tive um pesadelo com essa ida ao shopping. — Respondi, rindo, e contei como foi.
— Ah, amor... Você está pilhando. — Ela disse, rindo também.
— Aff, não queria ir... — Reclamei pela centésima vez.
— Eu queria tanto estar lá... — Minha gatinha falou, sorrindo.
Esse shopping fica a exatos dez minutos andando de onde nós morávamos. E eu tive uma espécie de êxtase quando percebi uma possibilidade que estava na minha cara o tempo inteiro.
— Amor, vai você! — Exclamei em voz alta, chegando até a bater uma palma por puro instinto de animação.
— Quê? Não... Com Dom não dá... — Ela respondeu.
— Olha, você vai com eles e eu fico aqui com Dom. Se algo sair do controle, eu vou até você e a gente troca, simples!!! — Continuei, empolgada com a solução.
— Não sei, amor... Uns minutos longe, ok... Horas? Não tenho essa segurança... — Juh comentou.
— Por favoooor!!! — Eu praticamente implorei, chegando bem pertinho dela.
— Oxente, mô. — Ela riu de mim, e eu também acabei rindo.
— É sério, gatinha, por favor. — Pedi novamente e dei uns selinhos nela.
— Hum... Pede assim, manhosinha, de novo? — Júlia brincou.
Ri baixinho e voltei a me aproximar dela devagar. Minha mão deslizou pela cintura de Juh por baixo do cobertor enquanto eu encostava minha testa na dela.
— Assim? — Sussurrei, quase sorrindo contra a boca dela.
Júlia nem respondeu direito. Só segurou meu rosto entre as mãos e me beijou outra vez, mas, dessa vez, não foi um selinho.
Foi um beijo mais elaborado e cheio de intenções. Bem lentinho no começo e que, consequentemente, foi esquentando aos poucos, daquele jeito que Júlia sempre faz meu corpo esquecer qualquer reclamação idiota que eu tivesse segundos antes. Aliás... Faz esquecer qualquer coisa que ouse coexistir!
Os dedos dela acariciaram minha nuca, subindo para o meu cabelo enquanto eu me aproximava mais, encaixando meu corpo ao dela. Minha mão foi parar na cintura da minha gatinha, e eu apertei de leve por cima da blusinha fina que ela estava usando. Juh sorriu contra os meus lábios quando percebeu que eu já estava completamente entregue para o que mais ela estivesse disposta, pelo tempo que conseguíssemos.
Olhei rapidamente o horário e ainda tínhamos pouco mais de duas horas até Ninho acordar. Pode parecer pouco, mas aquela era a nossa realidade naquele momento. Então, sempre que surgia uma brecha, nós tentávamos aproveitar ao máximo, porque encontrar tempo para as nossas sapecagens estava se tornando uma missão cada vez mais difícil. Muitas vezes até existia vontade, mas o cansaço acabava vencendo antes que qualquer coisa chegasse a acontecer.
— Chantagista... — Ela sussurrou contra minha boca.
— Funcionou? — Perguntei baixinho, roubando outro beijo.
Ela riu e começou a passear devagar com as mãos pelas minhas costas, em um carinho gostoso que arrepiou até a minha alma. Senti os dedos dela escorregando pela barra da camiseta do meu pijama, subindo lentamente pela minha pele já quente. O beijo foi ficando mais intenso e, quando percebi, eu já suspirava completamente envolvida por minha mulher, sentindo Júlia apertar minha cintura para me trazer ainda mais para perto dela. Então, sem pressa nenhuma, Juh afastou os lábios dos meus e puxou a blusa do pijama por cima da minha cabeça.
Levantei os olhos e encontrei Júlia me observando. Ela sorriu com aquele jeitinho que me quebra e faz meu coração errar as batidas mesmo depois de tantos anos. A mão dela acariciou minha cintura, e minha gatinha parecia muito mais interessada em apreciar minha reação do que em fazer qualquer outra coisa.
Só depois ela se aproximou novamente, arrancando de mim um suspiro que eu nem tentei conter.
Segurei-a firme pela nuca para que a gata prosseguisse e... Nossa, a bicha sabe fazer, viu?! Intercalava a intensidade com leves mordidas que me faziam delirar e pedir por mais a cada instante.
Ela começou a puxar o meu short para baixo, e eu a ajudei, ficando completamente nua para darmos continuidade à nossa noite de amor inesperada.
— Vem aqui — Juh pediu, deitando na cama.
Ela queria que eu me aproximasse.
— Como você quiser, meu amor — falei, já tentando me posicionar.
— Enquanto você estava tendo pesadelo com Milena e os amigos no shopping, eu estava tendo um ótimo sonho com você bem assim comigo — Júlia confessou.
Ela disse isso toda convencida e cheia de si, porém, segundos depois, estava completamente vermelhinha.
Tantas coisas passaram pela minha cabeça naquele momento que preferi me calar, porque quebrariam completamente o clima e eu começaria a rir, o que a deixaria ainda mais envergonhada. Contudo, adorei saber sobre o sonho.
Júlia me conhece bem demais e eu adoro isso!
Ela sabe as minhas reações, meus pontos fracos, os pequenos detalhes que fazem o meu corpo entrar em combustão e o meu coração acelerar de maneira diferente. O melhor de tudo é perceber a felicidade genuina dela por saber tanto sobre mim.
Senti meus dedos se perderem em seus cabelos enquanto ela me puxava pela cintura com toda sua força. Minha respiração já não estava tão estável quanto alguns minutos antes, e a expressão divertida dela deixava claro que havia percebido. A cada segundo, eu me sentia afundar mais naquela sensação de estar totalmente entregue ao prazer que aquela linguinha deliciosa estava me proporcionando ao me foder.
Ela chupava com vontade e isso só se intensificava, eu rebolava sempre buscando mais contato. As mãos de Juh apertavam minha bunda e eu sentia seus suspiros dentro de mim. Não demorei a desaguar e espalhar o meu mel em sua face.
Deitei completamente mole em cima de uma de suas coxas. Se alguém perguntasse o meu CPF naquele momento, eu não saberia responder. Um sorriso satisfeito e incontrolável tomou conta dos meus lábios e eu fui me recompondo, já depositando beijinhos no meu amor.
Arranquei sua calcinha e abracei sua cintura para mergulhar dentro dela e senti-la completamente. Júlia estava molhadinha e quente contra meus lábios. Mergulhei minha língua nela sem hesitar, sentindo o aquele gosto intenso que me faz perder o juízo. Juh arquejou as costas, segurando os lençóis com força enquanto eu chupava devagar, intercalando a pressão da boca com mordidas leves nas coxas macias da minha esposa que tremiam ao redor da minha cabeça. Minhas mãos deslizaram por sua barriga, subindo para acariciar seus seios, sentindo os mamilos endurecidos entre meus dedos. Ela rebolou instintivamente, buscando mais contato, e eu obviamente obedeci, aprofundando minha língua dentro dela, massageando o seu ponto mais sensível com movimentos firmes e constantes.
Os gemidos da minha gatinha saíam abafados, como se estivessem presos na garganta, e a cada suspiro eu me percebia mais molhada só de sentir seu prazer. A chupei com vontade, sentindo seus dedos puxarem meus cabelos, guiando minha cabeça no ritmo que ela precisava. Introduzi dois dedos dentro dela, sentindo-a me apertar, e curvei-os naquele tocando onde ela mais precisava. O corpo de Juh inteiro tremeu, as suas coxas apertaram contra minhas têmporas, e eu soube exatamente o que estava acontecendo.
Mas antes que pudesse leva-la ao limite, senti as mãos dela nos meus ombros, tentando sinalizar algo. Júlia se virou com uma agilidade que só a excitação poderia lhe dar, se reposicionando de ladinho, de modo que seu rosto ficasse entre minhas pernas enquanto eu me ajeitava para darmos continuidade a nossa festa. Não precisamos de palavras, o calor de sua respiração contra minha pele me fez estremecer, e quando sua língua finalmente me encontrou, soltei um gemido inevitável dentro dela.
Formamos um círculo perfeito de prazer!
Minha boca voltou a devorá-la no exato instante em que ela me puxou para mais perto, chupando-me com uma fome que me fez ver luzes brancas onde claramente não existiam. O gosto dela inundava minha língua enquanto eu sentia a dela me explorando de forma profunda. Nossos quadris se moviam em sincronia, buscando mais pressão, mais contato... Mais tudo! Gemidos abafados saíam de minha garganta e vibravam contra sua pepeca, fazendo-a rebolar contra minha boca em desespero.
Minha visão começou a escurecer e as ondas prazer subiam pelos meu corpo cada vez mais quentes, concentrado no trabalho insaciável da língua de Júlia e no movimento de sua mão que segurava minha bunda, me abrindo para ela completamente. Apertei as coxas ao redor de sua cabeça, perdendo a capacidade de chupar direito, limitando-me a manter minha língua pressionada contra ela enquanto meu corpo inteiro se tensionava. Quando o orgasmo me atingiu, foi brutal. Desabei para a frente, mordendo sua coxa para não gritar, sentindo o meu mel escorrer em sua face enquanto minhas pernas tremiam incontrolavelmente.
Ainda ofegante e ainda sentindo espasmos, forcei minha boca de volta a ela. Minha mulher gemeu contra minha pele, me fazendo arrepiar. Usei os dedos junto à língua, penetrando-a profundamente enquanto minha boca novamente sugava seu clitóris com ainda mais urgência, movendo a cabeça de um lado para o outro em um ritmo frenético. Sua respiração ficou desenfreada, os dedos cravando em meu bumbum, e de repente ela se arqueou inteira, congelando por uma fração de segundo antes de desabar em espasmos violentos. Senti seus músculos pulsarem ao redor dos meus dedos e seu mel quente inundando minha boca enquanto ela rebolava contra meu rosto, buscando prolongar cada minuto de prazer.
Ficamos assim por alguns segundos. Duas mulheres derretidas uma sobre a outra, ofegantes, suadas, com os corpos ainda extasiados. Meus braços cederam e deslizei para o lado, rolando junto ao corpo dela no lençol embaraçado. Júlia se virou devagar e se aninhou contra meu peito, depositando um beijo no meu ombro. Minha mão encontrou a dela automaticamente, entrelaçando os dedos suados sobre minha barriga. O silêncio do quarto voltou a reinar, preenchido apenas por nossas respirações descompassadas que, aos poucos, foram encontrando um ritmo mais calmo.
Sentei-me devagar na cama, encostando as costas na cabeceira enquanto ainda recuperava o fôlego. Puxei Júlia pelo braço e ela veio docilmente, montando no meu colo de frente para mim, enrolando as pernas ao redor da minha cintura. Suas mãos pousaram e minha nuca, enquanto as minhas seguravam firme sua cintura, apertando sua pele contra a minha. Nos beijamos demoradamente, trocando o gosto intenso um da outra que ainda persistia em nossas bocas. Ela começou a se mover em círculos lentos, rebolando suavemente, deslizando sua pepeca molhada contra minha coxa, espalhando seu calor pela minha pele enquanto gemidos abafados voltavam a escapar agora próximos ao meu ouvido.
— Você quer um segundo round, é? — questionei, enchendo-a de beijinhos.
— Hunrum... — Juh sussurrou, tímida.
— Que foi? — perguntei, rindo, e roubei um selinho.
E Júlia apontou para a caixa de brinquedos.
— Ahhhh, entendi... — confirmei e a beijei.
Levantei da cama e fui até o canto onde ficava a caixa e peguei a cinta, voltei e enquanto ajustava, Júlia me observava de olhos semicerrados, mordendo o lábio inferior só isso já me tirava o fôlego.
Sentei-me na beirada do colchão e a chamei, ela veio facinho, montando no meu colo de frente para mim com uma facilidade imensa. Nós nos beijamos e minhas mãos começaram a passear por suas costas ao mesmo tempo eu sentia seu calor escorrer sobre minha coxa em uma umidade extremamente provocante. Posicionei apenas a pontinha em sua pepeca, roçando bem devagar, e Juh rebolava quase entrando em desespero, buscando mais contato, gemendo baixinho contra minha boca.
Ela desceu até a base de uma vez, e ambas soltamos gemidos que se misturaram na boca uma da outra. Minhas mãos envolveram sua cintura, apertando sua pele macia, e comecei a meter com força, puxando-a para baixo com as mãos enquanto arqueava meus quadris para cima em encontros profundos e brutais. O som de nossas peles batendo misturava-se aos gemidos abafados que Juh tentava conter. Senti seu primeiro orgasmo chegar rápido e intenso. Ela enterrou o rosto no meu pescoço, toda ofegante, mas eu não parei. Segurei seus quadris com mais firmeza, mantendo o ritmo implacável, sentindo a base da cinta pressionar também dentro de mim a cada embate. Minha gatinha tentou se segurar em meus ombros, as unhas cravando na minha pele, seu corpo trêmulo e completamente sem defesas. O segundo orgasmo a pegou de surpresa, fazendo-a arquear as costas para trás, com a boca aberta em um gemido rouco que escapou antes que pudesse ser abafado. Puxei-a para perto de novo, beijando seus seios, mordiscando seus mamilos enquanto continuava movendo meus quadris numa cadência que não lhe dava trégua.
Quando senti que ela não aguentava mais, que seu corpo estava completamente entregue, molhado e trêmulo em meu colo, seus movimentos desenfreados e sem controle, percebi que eu mesma estava no limite. O terceiro orgasmo de Júlia veio profundo e arrancado, seu corpo inteiro convulsionando enquanto ela desabava contra mim, sem forças para se segurar, a pepeca pulsando violentamente ao redor da cinta. A visão dela tão perdida, tão minha, a fricção da base contra minha pele sensível, o calor dela escorrendo sobre mim... Tudo explodiu em mim ao mesmo tempo. Gozamos juntas naquele abraço apertado, minhas pernas tremendo, minha visão escurecendo, segurando-a pela cintura com todas as minhas forças para que nenhuma de nós caísse no colapso.
Ficamos assim por instantes que pareceram eternos, ofegantes, suadas, o coração dela batendo tão forte contra meu peito que eu sentia cada estalo. Levantei com cuidado, deitando-a de costas na cama com todo carinho do mundo.
— É disso aqui que você estava com saudade, não é? — Perguntei, rindo.
— Vem, amor — Ela respondeu, fraquinha e me chamando com as mãos.
Posicionei-me entre suas pernas e entrei nela novamente, dessa vez devagar, profundamente, olhando fixamente em seus olhos vidrados de prazer. Movimentos longos e cheios de intenção, encaixando nossas mãos entrelaçadas ao lado de sua cabeça. Finalizei a nossa noite com cada centímetro de amor e posse que eu tinha dentro de mim, sentindo seu corpo receber o meu em silêncio absoluto, até que ambas derretêssemos completamente uma na outra, sem saber mais onde terminava eu e começava ela.
Fomos para o banho e deixamos a água quente cair sobre nós enquanto nos encaixávamos debaixo do chuveiro, totalmente molinhas. Peguei o sabonete e passei devagar pelas costas de Júlia, massageando sua pele e sentindo-a relaxar contra meu peito enquanto depositava beijinhos molhados em seu ombro, no pescoço e por onde mais eu conseguisse. Ela virou-se devagar entre meus braços, enfiando o rosto em mim, toda satisfeita, com um sorriso lindo, e eu a abracei, levando minha boca à dela em selinhos molhados e demorados.
— Se ele não acordar, vou precisar ordenhar. Olha como meus peitos estão — Juh falou quando fomos para o quarto.
— Deliciosos! — brinquei, e rimos.
— Amanhã pode ser bom para mim também... Posso me distrair um pouquinho, não é? — ela me perguntou.
— Então você vai? — questionei, festejando.
— Você soube pedir tão bem... Impossível te negar algo! — Júlia me respondeu, e nós rimos.
Logo depois, Dom chorou, e nós já ficamos no quartinho dele. Apaguei na cama auxiliar e, quando acordei pela manhã, minha gatinha estava dentro dos meus braços. Levantei bem devagar, peguei nosso filhote, ainda adormecido, e desci.
— Mamãe, sabe que dia é hojeeee? — Mih sussurrou no meu ouvido.
— Impossível esquecer, filha, você não deixa. — Respondi rindo.
— Vai ser muito divertido. — Ela disse e sentou ao meu lado, balançando as pernas.
— Não tenho dúvidas... Conversei com a mamãe, e é ela quem vai acompanhar vocês, viu? Para ela se distrair um pouquinho também. — Informei.
— Com Dom? — Milena quis saber.
— Não, Ninho vai ficar comigo. Se ele chorar muito, a gente troca de função. — Respondi, e Milena voltou a se animar.
— Acho que vou acordar Kaká! — Mih exclamou e saiu correndo.
— Não está muito ce... — eu ia dizendo, porém ela desapareceu do meu campo de visão.
Deixei Júlia descansar o máximo possível, e Dom aproveitou bastante o colinho dela pela manhã, porque, à tarde, ele só teria o meu.
Despedi-me dos três com um beijo em cada um, desejando um bom passeio, sem querer imaginar muito o que aconteceria nele.
Meu neném ficou calminho a maior parte do tempo. Adiantei algumas coisas do trabalho no computador enquanto o balançava, e rapidamente ele dormiu. Depois, passamos na casa dos titios, onde os priminhos adoraram ficar mexendo nas bochechinhas dele.
Contudo, já de volta ao nosso lar, após o banho, todo o cenário mudou. Dom enjoou de tudo e nada do que eu tentava funcionava, então só me restava levar o bezerrinho para a mamãe. Nem no carro esse guri aquietou. Chorou do início do percurso até o final. Estacionei o carro e perguntei em que piso Juh estava, e ela me disse que estava na praça de alimentação.
Kaique veio nos encontrar, e todo o cenário que eu tinha criado na minha cabeça era extremamente catastrófico, porque estavam todos civilizadamente comportados, comendo um lanchinho após o filme. Apenas conversando animadamente.
— Lalá, olha o meu outro irmãozinho — Mih falou.
— Seu cunhadinho. — Brinquei, e todos riram, inclusive ela.
— Depois eu posso carregar? — Ela perguntou, toda carinhosa.
— Pode sim. Deixa só ele mamar um pouquinho que eu te dou. — Juh respondeu.
— Ele nem está com fome, é saudade da mamãe. — Falei, fazendo carinho no rosto da minha gatinha.
— Eu acho que Dom nem chorou, a senhora que ficou com saudade da mamãe. — Mih brincou.
— Eu também acho. — Kaká concordou.
— Claro, vocês tomaram minha muié assim... — respondi, rindo.
Pensei que iria ficar mais um pouco com eles, porém não precisou. O rolê havia chegado ao fim. Alguns deles os pais pegaram no shopping mesmo; outros eu levei em casa e aproveitei para deixar Juh e Dom também. A última volta era com Lalá, Milena e Kaique.
— E aí, como foi? — Perguntei para eles.
— Foi muito massa, eu brinquei muitão no Play Games. — Kaká respondeu animado.
— O filme foi ótimo. — Lalá completou.
— E a companhia melhor ainda. — Milena falou e deu um beijinho nela.
Achei melhor focar na estrada. Salvador entrega tanta beleza que é até um pecado ignorar.
— E elas sentaram sozinhas, mãe. — Kaká fez questão de ressaltar.
— E foi? — Perguntei, sem um pingo de curiosidade.
— Ninguém quis ficar perto... — Mih respondeu, com um sorrisinho no rosto.
— E você abandonou a gente para brincar com seus outros amiguinhos. — Lalá completou, confiante.
— Um dia vem só nós três e eu assisto com vocês. — Kaique falou.
E, nesse momento, Lalá fez uma expressão triste. Acredito que ela pensou que fosse mais difícil de acontecer.
— A gente vai sempre dar um jeitinho para vocês se curtirem de algum jeito. — Disse-lhe, e ela deu um sorrisinho.
Já próximo da casa do tio dela, endereço onde Lalá ficaria, parei em uma padaria e desci com Kaique.
— O que a gente está procurando mesmo, mãe? — Ele me perguntou, enquanto eu encarava as prateleiras.
— Estamos dando um tempo para elas se despedirem direito. — Falei, pegando um docinho para Juh.
— Ahhh... Boa, mãe! — Kaká exclamou.
Seguimos e rapidamente chegamos. Ela deu tchauzinho para a gente e entrou. Antes de partirmos, senti um abraço de Milena por trás.
— Obrigada, tá? — Ela agradeceu e me deu um beijo no rosto.
— Por vocês, tudo... — Respondi e virei para dar um beijinho nela também.
À noite, só se falava dessa ida ao shopping e de tudo o que fizeram, e eu fiquei genuinamente feliz por aquele momento entre elas ter acontecido. Não foi de um jeito padrão, mas ocorreu da maneira que foi possível naquele momento e foi organizado com todo amor.
