CRONOLOGIA: Os eventos narrados aqui vão de 29 de julho de 2025 (terça-feira) a 30 de julho de 2025 (quarta-feira).
Meu nome é Jonas. Sou um professor universitário comum de 46 anos. Essa história era sobre quem ia comer a minha vizinha evangélica, Rebecca. Mas ela acabou migrando pra outra série e essa história passou a ser mim. Para ler sobre a Rebecca atualmente, leia “Passando a Vara nas Vizinhas. Ou Não.”.
O nosso capítulo começa na segunda de tarde, imediatamente após o final do capítulo anterior.
Entrei no apartamento da Carolina com o corpo doendo em lugares que não sabia nomear e com a sensação de que eu tinha envelhecido cinco anos em uma tarde. Queria tomar um banho e passar pomada no corpo. Em vez disso, dei de cara com a Carolina arrumada pra sair.
A Carolina usava um vestido leve e formal, bonito sem exagero, tecido fluindo no corpo dela com um caimento que sugeria mais do que mostrava, cintura marcada com elegância, decote discreto que realçava sem gritar, sandália simples e cabelo solto bem arrumado. A pele levemente bronzeada dela parecia ainda mais macia.
— Você tá andando torto — disse Carolina, ao me ver. — Você tem 20 minutos pra tomar banho e estar pronto, senão a gente vai se atrasar.
— Se atrasar pra o quê?
— O Clube do Livro, criatura! — respondeu Carolina, impaciente. — Você disse que iria comigo pra todos os meus programas, então vai comigo pras reuniões semanais do Clube do Livro. A matrícula anual é só 600 reais.
— Carolina, por favor, eu passei o dia...
— Passou o dia com a Lorena — respondeu Carolina, ríspida. — Você disse que dava conta das duas. Se arregar agora, quebra o acordo e perde as duas.
Suspirei. Ela tinha razão.
— Desculpe. Vou me arrumar. Me dá quinze minutos.
— É pra usar traje social!
Manquei apressadamente pro banheiro. 15 minutos depois, saí com o corpo ainda reclamando. O joelho ardia, a lombar parecia ter sido pisada por um cavalo e meu braço direito tinha um roxo que não lembrava de ter ganhado. Ainda assim, vesti uma roupa social decente, penteei o cabelo e me arrumei o melhor que pude dado o tempo. A Carolina me esperava na sala, já pronta e linda. Ela usava um vestido leve e formal, com cintura marcada e decote discreto. O tecido acompanhava os peitões dela sem gritar “olhem pra mim”.
— Você tá andando torto — disse Carolina, olhando meu joelho.
— Eu treinei parkour e fiz rapel no mesmo dia.
— Eu sei. A Lorena mandou mensagem dizendo que você não arregou.
— Ela contou a parte em que eu quase morri?
— Rindo.
— Essa mulher me ama.
— Ela gosta de te ver sofrer. É diferente.
A Carolina pegou a bolsa, conferiu o celular e apontou pra porta.
— Vamos, senão a gente se atrasa pro clube do livro.
O clube do livro acontecia numa livraria-café em que preço do cappuccino dificilmente era justo. As cadeiras estavam organizadas em círculo, havia uma mesa com exemplares do livro do mês e um balcão onde uma fatia de torta custava o valor que pago no almoço. A Carolina entrou como quem pertencia àquele mundo. Cumprimentou pessoas, sorriu, perguntou de filhos, leituras atrasadas, viagens e de uma senhora que tinha feito cirurgia no joelho. Eu fui junto, apertando mãos, dizendo “prazer” e tentando não mancar demais.
— Esse é o Jonas — disse ela para uma mulher de óculos grossos e colar de pérolas. — Meu amigo e professor universitário. Vai começar hoje.
— Seja bem-vindo — disse a mulher.
— Obrigado. — Tom educado, expressão séria. O ideal era ser mais neutro e menos sarcástico até descobrir quem era quem.
A Carolina me olhou de lado, satisfeita por eu não ter aberto a boca pra falar merda logo na entrada. No balcão de inscrição, a funcionária me explicou a mensalidade. Eu ouvi o valor como uma facada pequena e recorrente no meu orçamento. Talvez não fosse absurdo (pra Carolina), mas era o suficiente para doer moralmente no meu bolso.
— Pode passar no crédito? — perguntei, tentando soar casual.
Paguei no cartão agradecendo minha expressão neutra. Por dentro, eu estava fazendo conta dos custos da mensalidade do clube do livro, rapel, aluguel de equipamentos, remédios e a cada vez mais provável fisioterapia pós-Lorena. Eu não ia falir, mas se isso se estendesse por meses teria que recalcular os planos de trocar de carro ou viagem pra Paris que a Cinthia queria.
A Carolina percebeu meu incômodo, claro. Ela irritantemente já lia através da minha cara neutra.
— Tudo certo? — perguntou baixo.
— Tudo. Só estou aceitando que cultura custa dinheiro.
Ela riu, mas eu desconversei antes que ela cavasse mais fundo. Fomos para as cadeiras e sentamos lado a lado. Peguei o exemplar da mesa só para olhar a capa e descobri que o livro do mês era “O Morro dos Ventos Uivantes”.
Eu nunca tinha lido.
Das irmãs Brontë, tinha lido “Jane Eyre”, “Villette”, “A Senhora de Wildfell Hall” e “Agnes Grey”. Mas não esse.
Conhecia a música da Kate Bush, claro. Qualquer pessoa com um mínimo de exposição à cultura pop conhecia. Também lembrava de ter lido um resumo muitos anos atrás, numa revista de literatura. Sabia sobre Heathcliff, Catherine, obsessão, vingança, gente sofrendo em paisagem ruim e uma atmosfera de “ninguém aqui devia namorar ninguém”. Mas isso era muito pouco para sustentar um debate sério. No desespero de não passar vergonha na frente da Carolina, comecei a juntar todas as referências que tinha na cabeça para montar algo que lembrasse um resumo.
A mediadora da noite era uma senhora chamada Heloísa, voz calma, postura firme e olhar de quem já tinha visto muitos mentirem sobre livros que não leram. Ela abriu a conversa falando da estrutura do romance, dos narradores, do modo como a história chegava até o leitor em camadas, e eu fui ficando cada vez mais imóvel. Quando ela citou nomes secundários, relações familiares e passagens específicas, percebi que estava ferrado. Precisava evitar chamar atenção e absorver o máximo de informações.
A Carolina fazia anotações. A perna cruzada e a atenção inteira na discussão. De vez em quando, ela sublinhava alguma coisa no livro e eu me sentia um farsante. A parte pior era que eu podia simplesmente ter admitido que não li. Eu era um novato. O máximo que fariam seriam rir de mim e me tratar de forma esnobe. Mas eu não queria a Carolina me visse como uma fraude.
Na verdade, eu não sabia se estava querendo proteger meu ego de revelar minhas limitações à Carolina, se estava evitando constranger a Carolina por ter levado um novato despreparado ou se queria querendo provar que podia enganar aqueles intelectuais esnobes. Provavelmente tudo ao mesmo tempo.
Quando a discussão abriu para comentários, fiz o possível para me esconder na multidão. Olhei pra mesa, respirei baixo, praticamente me mantive imóvel, fiz cara de quem estava mais interessado em ouvir os outros. Isso nunca funciona. A Heloísa olhou diretamente para mim.
— Jonas, como recém-chegado, você quer comentar sua impressão?
Senti a mão da Carolina encostar no meu braço. Trocamos um olhar romântico de alguns segundos e, em seus olhos, eu podia ler a frase inteira: “aposto que você não leu e quero ver como você vai sair dessa agora, filho da puta!”.
Levantei um pouco o corpo na cadeira.
— Claro — respondi, num tom professoral pra ganhar tempo. — Eu acho que o livro funciona muito nessa tensão entre paixão e destruição. Não é exatamente uma história de amor no sentido confortável. É mais uma história de vínculo, ressentimento e identidade. O amor ali não melhora ninguém. Ele revela o pior, aprofunda o pior, e talvez seja por isso que continua tão forte.
Fui vago e cheio de frases que não diziam nada? Claro! Uma técnica básica da enrolação. Fale coisas verdadeiras o bastante para não serem contestadas, mas amplas o bastante para dificultarem verificação.
Um rapaz de barba curta, que parecia ter nascido para perguntar coisas específicas, inclinou a cabeça.
— Você acha que a Catherine escolhe o Edgar por cálculo social ou por autoengano?
Filho da puta.
Eu respirei, bebi um gole de água e ganhei três segundos.
— Eu acho que as duas coisas se misturam — respondi. — O cálculo social é mais visível, mas ele só funciona porque ela consegue transformar aquilo em justificativa íntima. Ela não pensa apenas “vou subir”. Ela pensa “isso faz sentido para o que eu deveria ser”. Só que o vínculo com Heathcliff continua operando por baixo, como uma dívida emocional que ela nunca paga.
O rapaz assentiu. Eu tinha acertado alguma coisa. Não sei como. A Carolina não me olhou, mas o canto da boca dela mexeu. A senhora de pérolas entrou na conversa.
— E quanto à Nelly? Você vê a Nelly como narradora confiável?
Aí fodeu. Eu lembrava vagamente que tinha uma narradora, talvez empregada, talvez fofoqueira, talvez as duas coisas. Fiz o que todo professor faz quando não sabe a pergunta do aluno: mudar de assunto sem dizer nada com nada.
— Confiável em literatura é sempre uma palavra perigosa — comecei, e por dentro lembrei de ter usado essa tática com a própria Carolina três vezes em uma disciplina que tinha sobrado pra mim há dez anos. — Eu diria que ela é confiável no sentido de nos dar uma estrutura, mas não no sentido de neutralidade. Ela organiza, escolhe, interpreta. E talvez parte da força do livro venha disso. A gente não recebe a coisa pura, recebe a coisa narrada por alguém que também está presa àquele mundo.
A senhora assentiu também. Dois acertos. Eu já estava começando a ficar confiante, o que era sempre o primeiro passo antes da queda.
— Mas em que cena você acha isso mais claro? — perguntou ela.
Ah, desgraça!
— Eu penso menos numa cena isolada e mais no acúmulo — respondi. — Na maneira como as relações vão sendo filtradas por ela. Às vezes, a cena importante não é só o que acontece, mas o modo como chega até nós.
Todos me olharam em silêncio. A Heloísa estreitou os olhos, interessada demais.
— Você está pensando na relação entre Lockwood e Nelly?
Eu não sabia quem era Lockwood! Mas o nome soava a moldura narrativa. Então fui.
— Sim, justamente. A moldura importa porque cria distância. A gente não entra direto na ferida. A gente escuta alguém contando a ferida para alguém que também está tentando entender. Isso muda tudo.
A Heloísa sorriu.
— Boa formulação.
Eu estava sobrevivendo, mas suando frio e querendo que passassem logo para outro. A Carolina baixou o olhar pro livro, fechou a caneta e depois me encarou de lado. Ela percebeu. Puta que pariu. Era só fazer a pergunta certa que ela me quebrava na frente de todos.
Mas outro participante se antecipou a ela e abriu a boca para fazer mais uma pergunta. Antes que ele terminasse a frase, a Carolina me surpreendeu.
— Acho interessante passar isso para a Márcia — disse com naturalidade. — Ela comentou comigo na semana passada justamente sobre a Nelly e a moralidade do relato. Márcia, você lembra?
A Márcia entrou feliz na conversa, e eu voltei a respirar. A Carolina não quis me humilhar em público, mas provavelmente se divertiu bastante com minha desventura.
O resto da reunião foi mais seguro. Balancei a cabeça concordando silenciosamente depois de ver outros fazendo primeiro, fiz anotações e tentei ao máximo não falar nada para não me incriminar. No final, algumas pessoas vieram conversar comigo. Uma moça comentou a música da Kate Bush, e eu me agarrei aquilo como um náufrago faria com um pedaço de madeira.
A volta de carro foi silenciosa nos primeiros minutos. A Carolina dirigia com calma. Eu estava exausto, dolorido, com o joelho latejando e o cérebro cansado de fingir que conhecia Emily Brontë.
— Você não leu o livro — disse ela.
Não foi uma pergunta.
— Não li.
— Só conhecia a música da Kate Bush.
— E um resumo vago de muitos anos atrás.
Ela começou a rir.
— Eu sabia. Na hora em que você falou “vínculo, ressentimento e identidade”, eu pensei: esse filho da puta não passou da contracapa.
— Nunca li a contracapa. Mas não sou um farsante. Só escolheram a irmã Brontë errada.
— É o livro mais famoso daquela família.
— Nunca que vai ser melhor que “Jane Eyre”.
— Você improvisou bem.
— Eu quase arreguei na última.
— Eu notei. Por isso passei pra Márcia.
Olhei para ela.
— Obrigado.
Carolina deu de ombros.
— Não posso te culpar totalmente desta vez. Desta vez! Eu meio que “esqueci” de avisar qual era o livro do mês porque queria saber sua amplitude literária.
— Eu nunca disse que era um especialista em todas as áreas da literatura mundial.
— Mas tem um ego que não admite dizer “desculpe, eu não li”.
Fiquei quieto por um instante. A cidade passava pela janela. Estava cansado demais pra mentir direito.
— Não sei se não admiti por ego ou pra não te constranger.
— Os dois — respondeu Carolina, rápido.
— Provavelmente.
— Jonas, eu não preciso que você saiba tudo. Eu gosto mais de quem tenta de verdade do quem mente pra pagar de fodão.
Passamos mais alguns minutos em silêncio. Então, se ela queria que eu admitisse coisas, admiti algo que me incomodou lá.
— Você tem vergonha de mim. Me apresentou a eles como seu “amigo”.
Ela me olhou entre a ofensa e a risada.
— E como você queria que eu te apresentasse? Como meu namorado? — O tom em “namorado” era desdenhoso. — Você não é isso. No máximo, é um ficante premium.
— Mas pareceu na hora que você tinha vergonha de mim porque eu sou...
— Metade da minha idade mais velho? Claramente sedentário? Casado? Meu ex-professor, trazendo um monte de problema ético no meio?
— Você tem vergonha de mim...
— Para de chorar.
Chegamos ao apartamento perto de 23h. Eu estava destruído. O treino com a Lorena ainda doía. O rapel tinha deixado meus antebraços duros e o clube do livro tinha gastado a pouca energia social que me sobrava. Eu queria tomar um banho e dormir. Se a Carolina quisesse sexo, tudo bem. Nós faríamos aquele sexo gostosinho e carinhoso, e dormiríamos abraçadinhos. Isso, eu achava que aguentaria.
No entanto, a Carolina largou a bolsa no sofá, tirou as sandálias e me olhou de um jeito que denunciava que ela tinha outros planos.
— Rumpelstilzchen — disse ela, do nada.
Parei no meio da sala.
— Rumpel o quê?
— Rumpelstilzchen.
— E...?
— Decorou? Ótimo! Você só precisa parar se eu falar.
Fiquei encarando a Carolina enquanto ela tirava uma sandália com o pé, depois a outra, sem pressa, sem tirar os olhos de mim. Também tirei os meus sapatos, mais devagar, porque meu joelho rangia. Ela percebeu minha careta e sorriu de canto, gostando de ver o estrago que a Lorena tinha causado em mim durante o dia.
— Tá muito quebrado?
— Nada que algumas noites de sono não resolvam.
— Você sabe que pode desistir a qualquer momento, né?
— Não vou desistir de você!
Ela sorriu aprovando, passou por mim, roçando o braço no meu, e apontou com o queixo para o corredor.
— Vem.
Segui a Carolina até o quarto olhando o vestido acompanhar o corpo dela. Os peitões marcavam o tecido, a cintura fina deixava a bundinha mais visível quando ela andava, e o cabelo escuro caía nas costas dando um ar, ao mesmo tempo, fofo e erótico. O clima de sexo iminente era óbvio.
Na minha cabeça, já tinha antecipado tudo faríamos. Eu beijaria a Carolina devagar e com carinho. Depois, tiraria seu vestido de forma calma e sedutora, deitaria com ela sem pressa, chuparia seus seios e meteria devagar mas gostoso. Faríamos amor de um jeito tranquilo e romântico, como combinava com aquela doce e fofa intelectual.
No quarto, a Carolina parou ao lado da cama e virou para mim. Ela me olhou como se estivesse esperando eu entender algo. Cheguei perto, pus as mãos na cintura dela e tentei beijá-la com calma, do jeito que imaginava que ela queria. Na mesma hora, a Carolina me empurrou com as duas mãos no meu peito, bem séria.
Recuei imediatamente, levantando as mãos.
— Tudo bem. Desculpa. Entendi errado.
A Carolina me olhou feio.
— Entendeu errado o quê?
— Você me empurrou.
— E eu falei a palavra de segurança?
— Não.
— Então por que você parou?
Fiquei parado na frente dela, completamente perdido. Se a mulher empurrava, eu parava. É um “não” bem simples de entender. Só que ela tinha feito isso e a Carolina estava me encarando como se eu tivesse errado uma questão de 2+2.
— Carolina, se você me empurra, eu paro.
— Eu sei. E isso é ótimo. Só que hoje tem palavra de segurança.
— Certo.
— Certo nada. Volta e me pega de jeito.
Me aproximei de novo, ainda cauteloso. A Carolina não me beijou. Ficou me encarando, esperando eu colocar a mão na cintura dela e, quando tentei puxá-la, me deu um tapa na cara. Recuar foi automático. Dei dois passos para trás, confuso e com a bochecha ardendo.
— Desculpa, desculpa. Eu pensei que você quisesse.
— Eu falei a palavra de segurança?
— Não, mas me deu um tapa.
— E daí?
— Empurrar e depois dar um tapa é o mesmo que dizer palavras de segurança. Se você não quer, eu não vou-
Ela fechou os olhos, levou a mão ao rosto e fez um facepalm impaciente.
— Jonas, pelo amor de Deus. Tem hora que parece que você não é tão experiente quando vende! Eu quero brincar. Eu quero empurrar, bater, xingar, resistir, provocar, morder. Enquanto eu não disser a palavra de segurança, tá tudo liberado. Pode vir com tudo, mas sabendo que tem que aguentar porque eu vou revidar a cada momento. Esta noite é pra bancar o macho dominador e me dominar.
— Macho dominador?
— Sim, criatura. Dominação. Submissão. Tesão e tapa na cara. É pra aguentar minhas cotoveladas e arranhões enquanto me faz de putinha. Eu achei que você, logo você, não precisaria de legenda.
— Eu achei que você gostasse de um negócio mais romântico.
— Na próxima, a gente faz bem romantiquinho e dorme de conchinha. Mas agora, eu quero ser dominada e feita de putinha por um machão bem macho.
Fiquei olhando para ela, tentando entender desde quando eu era um “machão bem macho”. Sei lá, isso parece mais a vibe do Enéias e daqueles outros que sempre foram parrudos.
Ok. Eu tinha feito uma leitura totalmente errada do que ela queria. Em vez um sexo gostosinho como uma namorada delicada naquela noite, ela queria ser segurada, vencida, submetida e comida como a minha putinha, mas nas regras delas, com briga, tapa e mais dores acumuladas pra mim. Não estava muito nas condições físicas, mas se era o que ela queria, eu podia interpretar isso pra satisfazer ela.
— Você podia ter explicado antes.
— Eu expliquei. Falei a palavra de segurança.
— Isso não explica porra nenhuma.
— Explica que existe um freio. O resto você improvisa.
— Tudo liberado mesmo?
— Menos o cu. Não temos lubrificante e você NÃO vai usar manteiga.
— Tudo bem. Tudo bem. Era só ter explicado antes.
— Eu já te disse a palavra de segurança.
Ela apontou para si mesma, impaciente.
— Olha, Jonas, pra isso funcionar tem que ter reciprocidade na cama. Eu fiz direitinho os teus fetiches de “sou sua putinha”. Eu aceitei aquele batismo ridículo com você gozando na minha cara com aquela palhaçada de vínculo eterno. Eu topei porque você gosta, porque te dá tesão e porque, por algum motivo que Deus vai julgar, eu também gostei. Agora é a minha vez. Eu quero que você faça os meus fetiches. Eu quero resistir e te encher de tapas na cara. Eu quero que você me domine. Se eu falar a palavra de segurança, para tudo. Enquanto eu não falar, você continua metendo porque você vai estar fazendo exatamente o que quero. Você precisa de mais explicação que isso?
Fiquei calado por um segundo. Ela tinha razão e era justo. E eu não podia julgar os fetiches de quem tinha aceitado os meus.
— Desculpa. Eu vou fazer do jeito que você quer desta vez.
Carolina fez outro facepalm, agora mais dramático.
— Jonas...
— Que foi agora?
— Macho dominador que começa pedindo desculpas é brochante.
— Eu...
— Seja um canalha filho da puta que quer me comer. Não é muito difícil.
— Entendi.
— Agora, vem e me agarra! Se conseguir.
Eu já sabia que a Carolina era safadinha, mas nunca teria imaginado esse tipo de safadeza nela.
Antes que ela perdesse a paciência e o tesão e me devolvesse como brinquedo defeituoso pra Cinthia, fui lá e agarrei a Carolina pela cintura, beijando sua boca com força. Ela me mordeu, tentou me empurrar de novo e eu segurei seus pulsos contra o corpo dela, sentindo-a rir no beijo como se estivesse satisfeita por eu finalmente ter entendido a brincadeira.
Empurrei a Carolina contra a parede da sala e subi as mãos pelas coxas dela, levantando o vestido. Ela tentou travar as minhas mãos, me deu outro tapa na cara e acertou meu peito com o cotovelo quando tentei beijar seu pescoço. A cotovelada pegou bem em cima de um lugar já dolorido do rapel e eu quase perdi o personagem, porque vi uma luz branca no canto do olho.
— Caralho, Carolina! Você tem cotovelo de pedreiro.
— Fracote!
Naquele momento, me perguntei sinceramente se a Carolina tinha mesmo esse fetiche ou se tinha inventado a desculpa perfeita pra me bater pelas canalhices que fiz pra me aproximar dela.
Ela não estava pegando leve. Tapa, puxão, arranhão, cotovelada, joelhada semi-acidental. Eu agarrava ela com força e a gente se debatia pelas paredes, batendo no armário, no guarda-roupa... A bucetinha dela estava molhada quando enfiei a mão por baixo do vestido, e a maneira como ela arfou quando meus dedos tocaram a calcinha acabou com qualquer dúvida que eu tivesse.
— E essa buceta molhada, putinha? — falei perto do ouvido dela.
Ela respondeu mordendo a minha clavícula e me dando duas joelhadas. Aquilo merecia resposta. Virei-a de costas contra mim, puxei o vestido pelos ombros e tentei tirar com pressa. O tecido prendeu no braço dela, ela reclamou, eu reclamei, nós dois quase caímos contra a cama, e no meio da confusão ela me deu outro tapa na cara.
Quando finalmente consegui puxar o vestido pra baixo e desabotoei o sutiã, os peitões dela ficaram livres, cheios, firmes, com os bicos duros e pontudos. Aquelas aréolas escuras e grandes me deixavam maluco. Peguei os dois seios com as mãos, apertando com vontade, e a Carolina jogou a cabeça pra trás com um gemido curto.
Chupei um mamilo, depois o outro, puxando com os lábios e mordendo de leve. Ela segurou o meu cabelo e puxou forte.
— Mais forte, filho da puta.
Mordi com mais pressão. Ela gemeu, bateu no meu ombro e me arranhou a nuca. Eu estava cada vez mais convencido de que, no dia seguinte, iria acabar no pronto-socorro em dois dias no máximo.
— Assim — disse ela, ofegante. — Agora tá aprendendo.
— Minha putinha exigente.
Ela travou por meio segundo, e eu percebi que acertei. O olhar dela mudou. Não perdeu a agressividade, mas ganhou aquela vergonha safada que eu já começava a reconhecer.
— Minha putinha.
A Carolina me beijou com violência, enfiando a língua na minha boca, e tentou arrancar a minha camisa. Um botão voou. Outro caiu no chão. Segurei o vestido dela pela cintura e puxei de vez até ele cair no chão. Ela ficou só de calcinha, e eu, com a camisa aberta, calça torta e o corpo latejando.
Ela tentou me empurrar em direção à cama, mas eu a segurei pela bunda e apertei com força. A bunda dela não era grande como a da Andréia, mas era proporcional, firme e muito gostosa de agarrar. A Carolina soltou um gemido de raiva quando dei o primeiro tapa.
— Mais forte.
Dei outro. Ela gemeu mais alto.
— Mais. Forte!
Dei mais uns tapas pra avermelhar aquela bundinha. Continuávamos nos debatendo pelo quarto e bati a canela na quina da cama. Como ela continuava me batendo enquanto recuperava o fôlego, quase invoquei a palavra de segurança por conta própria. A Carolina notou e riu da minha cara. Então a empurrei no colchão. Ela caiu de costas, os seios balançando, cabelo espalhado, calcinha molhada marcando a buceta. Quando fui puxar a calcinha, peguei a alça lateral e puxei de um jeito que rasgou. De todos os tapas, agarrões, mordidas e xingamentos que fiz nos últimos minutos, aquilo que ofendeu ela.
— Você rasgou a minha calcinha!
— Você disse “tudo, menos o cu, liberado”.
— Era uma calcinha boa, seu animal!
— Eu compro outra.
— Compra cinco.
— Cinco?
— Cinco. Uma pra repor e quatro de multa.
— Fechado.
Ela tentou manter a indignação, mas estava rindo. Aproveitei e puxei o resto da calcinha rasgada pelas pernas dela. A buceta de Carolina estava bem molhada, pequena, com aquele risquinho de pelos formando um desenho perto da entrada. Os lábios estavam inchados de tesão, a pele quente, e quando abri suas coxas ela tentou fechar de novo só pra me provocar.
— Abre!
— Me obriga!
Segurei as coxas dela com força e abri. Desci a boca pelos seios, barriga e virilha, mas parei antes de chupar sua buceta. Ela mexeu a bunda no colchão, impaciente.
— Jonas...
— Pede.
— Vai se foder.
— Eu vou te foder. Mas só se pedir direito.
Ela tentou me chutar, mas segurei sua perna e beijei a parte interna da coxa.
— Chupa minha buceta, seu filho da puta.
Chupei sua buceta com vontade. A Carolina agarrou meu cabelo e puxou, alternando entre gemer e xingar. Passei a língua pela entrada molhada, subi para o clitóris, chupei e senti as pernas dela tremerem.
Ela tentou me empurrar a cabeça mais forte contra ela e depois me puxou de volta pelo cabelo quando achei que podia diminuir o ritmo. A Carolina queria brutalidade até na chupada, mas a reação dela era tão gostosa que eu obedeci. Ela se contorcia, os seios subindo e descendo com a respiração pesada, os bicos duros brilhando de saliva onde eu tinha chupado.
Quando percebi que ela estava perto de gozar, parei e subi. Ela me olhou com ódio.
— Desgraçado!
— Sim.
— Eu estava quase gozando.
— Eu sei.
A Carolina me deu um tapa no peito, bem em cima de outro roxo, e eu gemi de dor de verdade. Ela percebeu e abriu um sorriso safado.
Então, me puxou para um beijo, sentindo o próprio gosto na minha boca, e começou a tirar minha calça com pressa. Ajudei como pude, mas a lombar travou numa posição humilhante e precisei sentar na beira da cama para tirar a perna da calça. A Carolina gargalhou.
— O macho dominador sentou pra tirar a calça.
— O macho dominador tem dor lombar.
— Brochante!
— Minha pica discorda.
De fato, meu pau estava duro e apontando para ela com uma convicção que meu corpo não compartilhava. A Carolina desceu da cama, ficou de joelhos entre minhas pernas e o segurou. Por um segundo, achei que fosse chupar. Em vez disso, ela me olhou, lambeu a cabeça uma vez, só o bastante para me provocar, e levantou.
— Hoje, eu quero isso na minha buceta.
Peguei uma camisinha no criado-mudo, abri com alguma dificuldade porque minha mão estava tremendo de dor e tesão. A Carolina, impaciente, arrancou a embalagem da minha mão.
— Até pra abrir camisinha você tá parecendo um aposentado.
Ela colocou a camisinha em mim com uma habilidade que me fez respirar fundo. Depois, deitou de costas, abriu as pernas e me chamou com dois dedos.
— Vem comer tua putinha.
O fetiche dela e o meu se encontraram ali. Ela queria ser dominada, eu queria ouvi-la se assumindo como minha putinha, e os dois estavam safados o bastante para misturar tudo. Eu precisava ser mais dominador pra satisfazer melhor ela.
Subi por cima dela, apoiei uma mão no colchão e usei a outra para guiar meu pau até a entrada da bucetinha. A Carolina me encarava, respirando pesado, com as coxas abertas e os seios expostos.
Empurrei devagar no começo. A cabeça do meu pau abriu a buceta molhada dela, e a Carolina fechou os olhos, mordendo o lábio. Entrei mais um pouco, sentindo o calor e o aperto. Ela soltou um gemido baixo, quase irritado por gostar tanto. Empurrei até o fundo, parando com meu corpo colado no dela. A primeira penetração foi lenta o bastante para nós dois sentirmos tudo.
— Caralho — gemeu ela. — Mete.
Comecei o vai-e-vem. Primeiro num ritmo controlado, porque o meu joelho e a minha lombar não estavam em condições. Mas a Carolina não aceitou. Enfiou as unhas nas minhas costas e puxou minha bunda com as pernas, querendo mais força.
— Mete de verdade!
— Você vai me matar.
— Morra, mas me come feito homem antes!
Ela me deu outro tapa na cara. Dessa vez, não recuei. Segurei seu pulso, prendi acima da cabeça e meti mais forte. A Carolina gemeu alto. O som dela me fez esquecer a dor por alguns segundos. Chupei seus seios de novo enquanto metia, alternando os mamilos, apertando os peitões com força, sentindo o corpo dela sacudir embaixo de mim. Ela me xingava, me arranhava, tentava virar por cima e eu a segurava. Quando ela quase conseguiu, usei o peso do corpo para mantê-la presa na cama.
— Agora sim — ela disse, ofegante.
— E você parece minha putinha.
Ela gemeu na hora.
— Eu sou a tua putinha.
Aquilo me deu um tesão absurdo. Talvez porque ela estivesse dizendo por vontade própria, talvez porque ela tivesse acabado de dar dois socos, três tapas e duas cotoveladas. Inclinei-me sobre ela e beijei sua boca, metendo mais fundo.
— Repete!
— Sou tua putinha, Jonas.
— Minha putinha gostosa.
— Tua putinha gostosa.
Virei a Carolina de bruços. Ela tentou resistir, claro, porque resistir fazia parte. Me acertou outra cotovelada, dessa vez na costela, e eu soltei um “puta que pariu” tão sincero que ela riu no meio da virada.
— Essa foi sem querer — disse ela.
Ou seja, as outras cotoveladas que acertaram foram de propósito.
Puxei sua bunda para cima e entrei nela por trás. A buceta dela me recebeu molhada e apertada, e a posição me deixou ver a bundinha dela empinada, a cintura marcada, as costas levemente arqueadas. Segurei sua bunda com as duas mãos, abri um pouco e voltei a meter com força. A Carolina enterrou o rosto no travesseiro, abafando os gemidos, mas eu agarrei seu cabelo e puxei o bastante para ela virar a cabeça.
— Quero ouvir.
Dei um tapa na bunda dela. Ela gemeu.
— Mais.
Dei outro.
— Mais forte, porra.
Dei mais forte. Ela empurrou a bunda contra mim e começou a falar entre os gemidos.
— Come a tua putinha... Mete nessa buceta... Isso, filho da puta...
Eu estava suando, dolorido e cada vez mais sem fôlego. O domingo de sexo intenso com Lorena e Carolina, o boquete duplo com as duas na segunda e a maratona da terça envolvendo uma foda com a Lorena no almoxarifado, parkour e rapel estavam cobrando seu preço. Meu pau ainda estava duro, mas meu corpo não iria aguentar muito. Mesmo assim, continuei metendo, porque a Carolina estava gostosa demais, safada demais e feliz demais com aquela trepada.
Ela tentou se mover para frente, então segurei sua cintura e puxei de volta a cada estocada. Os tapas na bunda dela ficavam alternando com agarrões. Meus dedos apertavam a carne, as unhas dela arranhavam o lençol, e os gemidos dela vinham cada vez mais altos.
— Sou a tua putinha — repetiu ela.
Aquilo quase me fez gozar, mas eu segurei. Queria ver a Carolina gozar primeiro. Passei a mão por baixo dela e encontrei seu clitóris. Ela travou na hora.
Continuei metendo por trás enquanto esfregava seu clitóris. O corpo dela começou a perder a força. A resistência virou tremedeira. Os xingamentos viraram pedidos. A Carolina tentava manter a postura de mulher briguenta, mas a buceta estava apertando meu pau em espasmos e as pernas dela já falhavam.
— Jonas... Vou gozar.
— Goza, minha putinha.
Ela gozou gemendo contra o travesseiro, a bunda tremendo, a buceta pulsando em volta do meu pau. Continuei metendo durante o orgasmo, mais curto e mais forte, segurando sua cintura enquanto ela se contorcia. Quando o corpo dela relaxou, virei-a de lado e depois de barriga para cima de novo, porque queria ver seu rosto.
A Carolina estava vermelha, suada, os seios marcados pela minha boca, os mamilos duros, os lábios inchados dos beijos e mordidas. Ela me puxou para cima dela e me beijou com menos briga, mas ainda com tesão.
— Já tô quase.
— Então goza na tua putinha.
Voltei a meter nela de frente. O ritmo agora era mais pesado que rápido. Meu corpo já não tinha explosão suficiente para quase nada. Ela percebeu e envolveu minhas costas com as pernas, me puxando para dentro com cada estocada. A buceta dela continuava molhada, quente, apertada o bastante para me arrancar o resto de controle.
Gozei dentro da camisinha, gemendo contra o pescoço dela. Foi bom pra caralho, mas veio pouco. Eu já tinha gozado demais nos dias anteriores. Meu corpo entregou o que dava. Uns jatos curtos, intensos, arrancados na marra, e depois aquela sensação de que até minha alma estava seca.
A Carolina percebeu e deu uma risada.
— Só isso?
— Fiz o meu melhor.
— A Lorena te secou?
— Vocês duas me secaram!
— Fraco.
— Injusta.
Ela me beijou de novo, agora sorrindo. Ficamos parados um tempo, meu corpo em cima do dela, os dois suados e ofegantes. Saí devagar, tirei a camisinha, dei um nó e joguei no lixo do banheiro. Quando voltei, a Carolina estava deitada de lado, os seios ainda marcados, as coxas abertas de cansaço, a calcinha destruída no chão.
— Cinco calcinhas! — lembrou ela. — De qualidade!
— Certo.
— E sem estampa ridícula.
— Você está exigente demais pra quem foi dominada.
Ela me mostrou o dedo do meio.
Deitei ao lado dela com cuidado, porque meu corpo tinha virado um inventário de lesões. Ela se aproximou, apoiou a cabeça no meu peito e passou a mão de leve pela minha barriga. A agressividade tinha ido embora junto com o tesão mais urgente, sobrando um carinho estranho depois da putaria.
— Você tá bem? — perguntei.
— Tô bem, Jonas. Gostei pra caralho.
— Eu também. Mas não sei se isso foi fetiche ou vingança.
— As duas coisas podem coexistir.
Ela riu, levantou para ir ao banheiro, voltou depois de um banho, trazendo uma toalha úmida. Ela me limpou com cuidado, passando a toalha pelo meu pau, a barriga e o peito arranhado. Aquilo, depois de tanto tapa, mordida e xingamento, me pegou de jeito.
— Dorme aqui hoje — disse ela.
— Tem certeza?
— Sim. Você não disse que quer coisas romantiquinhas comigo? Então, quero dormir abraçadinha em você.
Eu sorri quando ela se aninhou em meu peito, mas apaguei em minutos. Infelizmente, dormir não significava se recuperar. A lombar doía, o joelho latejava, as costas ardiam, meu peito tinha arranhões novos, meu pescoço e meus ombros carregavam mordidas da Carolina e o meu rosto ainda estava quente dos tapas.
Na quarta de manhã, acordei com o corpo inteiro duro e, ao notar a ausência ao meu lado na cama, lembrei que a Carolina vivia num fuso horário diferente. Fiquei alguns segundos pensando na rotina absurda daquela mulher. Home-office parecia confortável quando alguém falava de fora, mas ela acordava de madrugada para trabalhar no fuso europeu, mas ainda precisava manter a vida social no horário brasileiro. Ou ela tirava cochilos durante a tarde ou tinha uma qualidade de sono péssima. Provavelmente as duas coisas.
Levantei devagar, sentindo o joelho latejar e a lombar reclamar. Minhas costas ardiam pelos arranhões e meu peito ainda lembrava cada unha que ela tinha cravado em mim na noite anterior. Vesti uma camiseta e saí do quarto mancando em silêncio.
A porta do escritório estava fechada, mas ouvi a voz dela falando em inglês. Devia estar em reunião. Sinal de aumentar o silêncio pra não atrapalhar.
Fui para a cozinha sem fazer barulho. Preparei meu café da manhã de qualquer jeito, porque ainda estava com sono e dolorido demais para ter vaidade com comida. Mas pra ela, caprichei. Fiz ovos mexidos e deixei pão aquecido num prato coberto. Cortei fruta, separei queijo e deixei café fresco na garrafa térmica. Depois coloquei um comprimido ao lado do prato dela. Com certeza, ela precisava menos do que eu, mas parecia simpático fingir que aquela casa ainda tinha algum equilíbrio entre agressora e vítima.
Sentei com a minha caneca e comecei a comer. Pouco depois das 7h, a porta do escritório abriu. A Carolina apareceu usando uma regata sem mangas em rosa e verde-água, short jeans curto e chinelo. A regata deixava os ombros à mostra, e o short deixava suas coxas à mostra. Ela estava bela e plena, mesmo tendo dormido menos de três horas, enquanto eu ainda tentava descobrir como me sentar sem que doesse.
Ela parou ao ver a mesa.
— Você fez isso tudo?
— Achei que você precisava de um bom café da manhã.
A Carolina olhou para os pratos, depois para mim.
— Lá, agora é hora do almoço. Eu saí pensando em pegar qualquer coisa rápida e encontro isso. Obrigada.
— Sou seu hóspede. Eu precisava contribuir com alguma coisa.
Ela riu, puxou a cadeira e sentou.
— Quando eu te devolver para a Cinthia, talvez te contrate para vir aqui toda manhã e preparar meu café.
— Eu aceito discutir remuneração e benefícios.
Ela empurrou o comprimido de analgésico na minha direção.
— Esse é seu. Se ainda não tomou, come antes de tomar.
— Você está cuidando de mim?
— Estou preservando meu cozinheiro particular.
— Que romântico.
Eu tomei o comprimido e comecei a comer com mais vontade. Ela provou os ovos, aprovou com um movimento curto da cabeça e relaxou na cadeira. Quanto mais convivia com ela, mais achava a Carolina gostosa pra caralho.
— Tá quieto — disse ela.
— Estou recalculando você.
— Por causa de ontem?
— Por você ter escolhido Rumpelstilzchen como palavra de segurança.
Ela sorriu na hora pela minha lentidão para pronunciar corretamente.
— Escolhi justamente porque sabia que você ia tropeçar para falar.
— Uma sacanagem você escolher uma palavra dessas quando a ideia era eu conseguir parar rápido.
— Era fácil para mim. Eu pronuncio direito.
— Isso torna tudo pior.
Ela riu, tomou café e desviou o olhar por um instante. Reconheci aquela expressão. Vergonha misturada com tesão.
— Não faz essa cara — disse ela. — Eu gosto de um sexo gostoso e amorzinho também. Mas ontem, eu queria algo mais pesado.
— Percebi.
— E não fica convencido.
— Tarde demais.
Carolina revirou os olhos, mas o canto da boca dela se mexeu. Ela gostava desses joguinhos sexuais, dessas provocações. De se empurrar pra um lugar safado e depois fingir que tinha caído ali sem querer. Então decidi fazer um agrado a ela. E a mim também, porque não era santo e meu pau estava duro desde que vi aquelas coxas naquele short.
— Sabe — falei, mexendo no café. — Ontem você falou que queria ser dominada e comida feito uma putinha. Hoje, você parece nervosa.
— Nervosa? — Ela fingiu indignação. — Eu sou a calma em pessoa.
— Não é essa calma que eu estou vendo.
— E o que você está vendo?
Afastei um pouco a cadeira e deixei ela ver o volume na minha cueca por baixo da camiseta. A Carolina olhou rápido, tentou voltar pra caneca e falhou. O canto da boca dela tremeu e a mão apertou a alça com força demais.
— Acho que você misturar esse café com leite. E tomar o leitinho direto da fonte — disse. — Vai te acalmar.
Ela arregalou os olhos e soltou uma risada curta, quase ofendida.
— Você acorda todo quebrado e ainda vem com essa?
— Meu corpo está destruído. Meu pau, não.
Carolina tentou sustentar a pose, mas eu vi a garganta dela mexer quando engoliu seco. Ela pousou a caneca devagar, olhou pra porta do corredor, depois para mim, depois pro meu pau de novo.
— Uma boa putinha sabe a hora de obedecer.
Era o mesmo jogo da noite anterior, só que menor e de manhã. Ela levantou da cadeira como quem ia pegar alguma coisa no armário, deu dois passos e parou ao meu lado. A mão dela desceu sem pressa pela minha barriga e encontrou o meu pau duro por cima da cueca.
— Eu não sei o que deu em mim — disse ela, baixo, olhando para a própria mão.
— Eu sei o que deu em você.
— Não sabe nada.
— Sei. Você gosta disso.
Ela apertou meu pau com mais força, respirando fundo.
— Gosto de quê?
— De obedecer. Agora, seja uma boa putinha e chupe o meu pau.
A Carolina me olhou com raiva falsa, daquele tipo que vem com a buceta molhada. A mão dela entrou pela cintura da cueca e puxou o meu pau para fora. Ela ficou encarando por alguns segundos, como se ainda pudesse desistir, mas os dedos já subiam e desciam com calma, espalhando a umidade da cabeça pela pele.
— Você é um filho da puta muito convencido — disse ela.
Ela se ajoelhou entre as minhas pernas e começou. Devagar no início, como se o gesto ainda precisasse ser autorizado por alguma parte elegante dela, e depois sem tanta cerimônia. Segurou meu pau pela base, lambeu da metade até a cabeça e fechou os olhos quando sentiu o gosto. Ela abriu os olhos de novo e me olhou de baixo, com uma mistura de vergonha, desafio e tesão.
— Era isso que você queria?
— Sim. Agora, chupa direito.
A Carolina abriu a boca e colocou a cabeça do meu pau entre os lábios. Primeiro com cuidado, testando, chupando de leve, usando a língua em volta da glande. Depois foi pegando ritmo, descendo um pouco mais, subindo, lambendo, masturbando com a mão o que a boca ainda não levava. Eu encostei a cabeça no alto da cadeira e respirei fundo, porque a visão da Carolina ajoelhada na minha frente, de regata, short curto e boca cheia do meu pau, era um negócio de outro mundo.
— Isso — falei, segurando o cabelo dela sem forçar. — Chupa esse pau gostoso.
Ela gemeu com a boca cheia. Não foi um gemido alto, mas vibrou no meu pau e me fez fechar os olhos por um segundo. Quando olhei de novo, ela estava me encarando, e vi que ela estava gostando daquilo. Gostava daquela transgressão entre sua imagem pública e estar de joelhos na cozinha de manhãzinha chupando o pau do amante casado.
— Você gosta mesmo disso.
Ela tirou a boca só o bastante para responder, com a voz mais baixa.
— Cala a boca.
— Gosta pra caralho.
Ela me deu um tapa na coxa, mas voltou a chupar com mais vontade. A boca descia mais fundo, a língua trabalhava por baixo, a mão subia e descia na base, e a outra mão apertava minha coxa como se precisasse se segurar em alguma coisa. Eu estava dolorido demais para fazer qualquer movimento brusco, então deixei ela comandar o ritmo.
A Carolina chupava como quem queria provar alguma coisa para mim e para ela mesma. Quando eu colocava a mão na nuca dela, ela prendia a respiração por um segundo e depois relaxava, deixando o pau entrar um pouco mais.
— Boa moça — falei.
Ela parou por meio segundo, olhou para mim com os olhos estreitos e voltou a chupar ainda mais forte. Não sabia que ela gostava tanto de ser provocada, mas era provável que permitisse porque sabia que ia ter troco.
Comecei a sentir o gozo chegando. O corpo todo estava cansado, e a madrugada de sexo selvagem não tinha deixado muita reserva, mas a boca dela era quente, molhada, dedicada, e o jeito como ela me olhava acabava com qualquer disciplina.
— Eu vou gozar.
Ela não tirou a boca. Só me olhou e apertou a base do meu pau com mais firmeza, como se dissesse que sabia exatamente o que estava fazendo.
— Tem certeza? — perguntei.
Ela respondeu chupando mais fundo.
Segurei a nuca dela com cuidado e gozei na sua boca. O primeiro jato saiu forte, e Carolina fechou os olhos, mantendo os lábios firmes em volta da cabeça do meu pau. Vieram outros, mais espaçados, e ela continuou ali, engolindo tudo. Quando terminei, ela ainda chupou de leve, lambendo a cabeça e a base até não sobrar quase nada. Só então soltou meu pau, limpou o canto da boca com o dedo e lambeu o próprio dedo.
— Pronto — disse ela, rouca. — Agora, estou calma.
— Eu também. Calmo, morto e grato.
Ela se levantou, ajeitou o short e a regata, pegou a caneca de café como se nada tivesse acontecido e sentou de novo do outro lado da mesa. Eu guardei meu pau na cueca, tentando não fazer careta ao ajustar a postura. Por alguns segundos, tomamos café de verdade.
— Você tem aula hoje? — perguntou ela.
— Sim. Preciso sair logo para a faculdade. E, na hora do almoço, a Lorena disse que tem uma surpresa.
Carolina soltou uma risada curta e passou manteiga no pão.
— Melhor você levar uns analgésicos na mochila.
— Eu já estou tomando analgésico no café da manhã. Ela vai ter que aceitar as minhas limitações hoje.
— Ela não vai aceitar porra nenhuma. Mas talvez ache engraçado.
Ela terminou de comer sem pressa. Eu fiquei olhando para ela de um jeito que talvez não devesse. Aquilo tinha começado com um acordo de benefícios mútuos. Mas parte de mim já tinha jogado no lixo a ideia de comer o resto da turma da academia e estava pensando nela além das duas semanas.
— Eu queria estender isso.
A Carolina levantou os olhos da caneca.
— Nós dois, depois dessas duas semanas?
— Nós dois. E a Lorena também, se ela quiser. Eu queria que você fosse minha namorada.
Ela pousou a caneca com cuidado. E me olhou como se eu tivesse falado a besteira mais inconsequente da história da humanidade.
— Jonas, você é casado. Nosso acordo ainda envolve a Lorena. E ainda tem mais. A Cinthia saber e permitir não transforma um “podem pegar emprestado por duas semanas” em “pode ser namorada dele”.
— Eu sei. Não estou falando de esconder nada. Estou falando de conversar direito com todo mundo.
A Carolina ficou alguns segundos em silêncio, olhando para mim.
— Isso tudo é o seu ego reclamando que eu fiquei com vergonha de te apresentar como namoradinho ontem?
— Não. Você estava certa. A gente mal e mal é ficante premium. Mas eu quero isso. Quero poder assumir. Quero poder dizer que somos namorados.
— Pra você, é fácil chegar com duas gostosas dizendo que namora elas. Quem vai pagar mico é a gente.
— Eu não estou falando sobre exibir vocês como prêmios.
— Então essa conversa não começa agora, antes de você dar aula e a Lorena te levar pro... surpresa do almoço. Eu não vou fazer discutir meu futuro amoroso dez minutos depois de um boquete.
— Justo.
Ela sorriu de lado e terminou o café.
— Eu só volto a trabalhar às oito e meia. Vou passar na padaria para comprar pão e repor umas coisas aqui em casa. Você desce comigo e depois segue para a faculdade.
— Combinado.
A Carolina levanto e lavou os pratos, enquanto eu tomava banho e me vestia pro trabalho. Quando me viu arrumado e pronto, ela pegou uma bolsa pequena. A regata se ajustou ao corpo dela quando se moveu, e eu me odiei um pouco por ainda sentir tesão mesmo estando quebrado e recém-esvaziado.
Descemos juntos no elevador. Ela ficou ao meu lado arrumando um fio solto do cabelo, enquanto eu tentava parecer um homem normal em vez de alguém que tinha perdido uma briga contra esporte e sexo na mesma terça-feira.
— A Lorena me mandou uma mensagem antes de você acordar — disse ela, olhando o próprio reflexo na porta do elevador. — Me contou o que vai rolar na hora do almoço e me pediu pra te entregar tão inteiro quanto possível.
— O que tem hoje?
— Ela realmente não te contou?
— Não.
Carolina sorriu.
— Então, boa sorte.
A porta do elevador abriu e a Eliana entrou. Ela estava arrumada pro trabalho. Calça de alfaiataria clara, blusa de tecido fino, blazer leve, salto, cabelo solto e escovado. A Eliana era uma dessas mulheres que poderiam atravessar um velório e ainda fazer três viúvos repensarem a vida. E eu, naquele elevador, estava com a aparência de um homem que tinha sido atropelado por uma sequência de más decisões.
Ela deu bom dia pra mim e abraçou a Carolina com força. A Carolina apertou de volta como se a sua melhor amiga fosse pra guerra.
— Vou sentir sua falta.
— Eu também. Cuida de você.
— Eu cuido.
— Cuida mesmo. E sai de casa. Toma sol. Para de usar livro grosso pra afastar homem.
A Carolina riu, chamou a Eliana de grossa e ficou vermelha. Aquilo me deu um aperto estranho. A Eliana abraçou a Carolina outra vez antes de chegarmos à portaria. Quando a Carolina saiu, a Eliana acompanhou com os olhos. Eu também. Continuei no elevador com Eliana até a garagem. Eu devia estar um lixo completo. Olheiras fundas, camisa amassada, cabelo desalinhado, barba por fazer, corpo bambo. Até sorrir exigia energia que eu preferia guardar para sobreviver ao que a Lorena queria aprontar na hora do almoço.
Na garagem, segui para a saída com o celular na mão.
— Vai pra onde? — perguntei.
— Pra frente do prédio. Chamar um Uber.
— Ué. Cadê seu carro?
— Com a Cinthia.
Ela destravou o carro e parou com a porta aberta.
— Entra. Eu te dou carona.
Suspirei. Abuso da bondade alheia tem limites até mesmo para mim.
— Eliana, obrigado, mas o campus é muita contramão pro seu trabalho e teria outras pessoas daqui que poderiam me dar c-
— Entra no carro, Jonas!
— De verdade, não precisa.
— Entra no carro, Jonas!
Entrei. Quando uma mulher como Eliana dava uma ordem, doía menos obedecer logo do que atrair a raiva dela.
Ela dirigiu alguns minutos em silêncio, esperando o trânsito abrir. Afundei no banco do passageiro com o rosto virado para a janela, cansado.
— Eu amo muito a Carolina — começou ela.
Abri os olhos e olhei de lado, sem levantar a cabeça. Aquilo prometia ser ruim. Muito ruim.
— Amo mesmo. Ela é inteligente, linda, boa, e tem essa mania irritante de fingir que não precisa de ninguém. Quando sofre, se fecha. Ela pega todo aquele gosto por filosofia e sei lá mais o que para usar como parede. Passar uma aura de meio arrogante. Aí os homens acham que ela é difícil e as mulheres, que ela está sendo babaca. Eu olho e vejo uma amiga com medo de levar outra pancada que parece estar pedindo para levar.
— Hm.
Foi tudo que consegui dizer. “Hm” é uma ferramenta subestimada. Serve para concordar, discordar, ganhar tempo e evitar que uma mulher linda perceba que você está calculando se será assassinado por ela, pela melhor amiga dela ou por ambas.
— Ela não me contou nada, mas tenho certeza de que teve uma decepção amorosa feia nas últimas semanas. Feia mesmo. Eu conheço a Carolina. Porque por um tempo ela parecia diferente. Rindo mais, saindo mais, menos reclusa. Até as conversas dela estavam mais leves. Depois, alguma coisa deu muito errado e ela voltou a se fechar.
Fiquei quieto. Não gostei da palavra “decepção”. Ela podia estar falando do ex-marido dela, de algum outro cara no último ano, ou de mim.
— Hm.
— E eu odeio ver ela assim. Odeio mesmo. Porque a Carolina é uma das pessoas mais incríveis que eu conheço, mas quando ela sofre, ela faz essa coisa irritante de fingir que está tudo sob controle. A pessoa pode estar com a alma sangrando e ainda consegue comentar um filme polonês como se nada tivesse acontecido.
Os olhos dela se moveram para mim por um instante. Eu mantive a cara de homem cansado e inocente. A primeira parte era verdadeira. A segunda nunca tinha sido.
— Eu não sei quem foi. Ela não me disse. Mas se eu descobrir quem fez a Carolina sofrer, eu esfaquearia e caparia esse homem.
Fiquei imóvel.
Capar.
A palavra entrou pela minha orelha e foi direto para o meu saco, que tentou se esconder dentro do corpo. Só conseguia imaginar aquelas mãos segurando um facão cego enquanto estou amarrado numa cadeira sem as calças.
— Você está bem? — perguntou.
— Estou.
— Ficou pálido.
— É o trânsito.
Para minha sorte, o trânsito brasileiro justifica quase tudo. Atraso, estresse, palidez, crise existencial e medo súbito de castração.
Ficamos um tempo em silêncio. Ela mudou a abordagem, e eu percebi tarde demais que o primeiro golpe tinha sido só aquecimento.
— Notei que vocês estão muito amigos.
— Eu e a Carolina?
— Você e a Carolina. Nas últimas semanas, principalmente.
— Hm.
— Mais do que antes. E você já foi professor dela. Você tem estado perto dela. Vocês conversam bem. Você entende as coisas que ela gosta sem fazer cara de tédio ou revirando os olhos. Vocês têm gostos parecidos. Essas coisas de filme que ninguém vê, livro que é batente de porta, conversa de filósofo que termina em crise existencial.
— Eu não...
— Preciso de um favor grande. Vou ficar dez dias fora. Eu queria que você ficasse de olho nela por mim nesses dez dias. Não como vigia, mas como alguém que quer o bem dela. Chama ela pra sair, vê um filme esquisito com legenda, toma café, fala desses livros que vocês fingem que não são castigo. Só... fica por perto. Ajuda ela a não se enfiar de novo naquela concha.
Esfreguei os olhos.
— Eu vou tentar.
— Tentar não basta. Quero que você prometa.
Fiquei calado tempo demais. O carro avançava devagar no trânsito da manhã. Uma coisa que eu odiava era dar minha prometer coisas. Respirei fundo. Minha voz saiu baixa.
— Eu dou a minha palavra. Pelos próximos dez dias, vou cuidar dela no que eu puder e vou colocar o bem e a felicidade da Carolina na frente do meu. E vou falar com ela sobre a importância de fazer terapia e ajudá-la a procurar uma boa terapeuta para que ela possa reconhecer esse problema e confrontá-lo. Satisfeita?
A Eliana pareceu achar bonito. Eu achei uma sentença. Agora eu tinha terminado de foder de vez minhas próximas duas semanas.
— Dramático.
— Você pediu um juramento dentro de um carro cedo da manhã.
Ela riu curto e mudou de faixa. A tensão baixou o suficiente para eu lembrar de respirar.
— Obrigada. De verdade. E se você cumprir sua palavra, quando eu voltar vou te dar uma coisa bem especial.
Meu pau ficou atento na hora. Meu corpo podia estar destruído, mas minha imaginação era uma máquina viva. Meu cérebro montou meia dúzia de cenários em dois segundos.
— Especial? — perguntei com cuidado.
— Muito especial. Uma coisa que falei com a Cinthia e sei que você quer muito. E eu posso dar.
Respirei de um jeito estranho. Eu não acreditava que ela estava falando sério!
— Um churrascão de aniversário! Você escolhe as carnes, as cervejas, chama quem quiser. Comida e bebida eu banco.
Fechei os olhos por um segundo.
— Err... Obrigado?
— Diz aí, quais as carnes que você gosta mais de comer. Pode pedir o que quiser. Aproveita que isso é uma vez na vida.
Cocei a cabeça. Churrasco era ótimo, claro. Amava um. Mas eu passei a vida inteira comendo qualquer carne que tivesse na grelha sem me perguntar nome de corte e bebendo de Itaipava e Skol. Meus padrões culinários eram simples demais e normalmente costumo esconder isso dos vizinhos. Nosso condomínio tinha cada vez mais gente falando sobre cortes de carne e cerveja artesanal e eu precisava tomar cuidado para que não me vissem do jeito que o Caco Antibes enxergava os pobres. Como estava cansado demais para improvisar, assumi a verdade.
— Eu não ligo muito para carne nem cerveja — respondi, com a cabeça encostada no banco. — Pra mim, carne é carne. Cerveja é cerveja. E presente não se nega. O que você comprar, pra mim, vai estar ótimo e perfeito.
Ela olhou para mim com pena.
— Jonas, isso foi meio triste e ofensivo aos gaúchos. Mas tudo bem.
Ficamos quietos por alguns segundos. A resposta tinha sido honesta demais. Eu realmente não ligava tanto para tipos de carne ou tipos de cerveja. Comendo e bebendo, para mim já estava bom. Foi aí que eu lembrei quem se importava com isso.
— Mas a Cinthia não anda bebendo álcool. Então, seria bom ter suco de uva Del Valle. É o favorito dela.
— Certo.
Foi quando lembrei que a Lorena teria umas restrições alimentares no mês do meu aniversário.
— A Lorena é vegetariana nos meses ímpares. Então, precisa ter alguma coisa pra ela. Queijo coalho separado, pão de alho sem ficar encostando na carne, uns legumes na brasa. Ela gosta de chope, mas se for de dia deve maneirar. Provavelmente vai ficar no suco de laranja. Natural, de preferência. Ela não liga pra marca.
A Eliana diminuiu na lombada, ouvindo. Eu devia ter parado na Lorena, mas meu cérebro continuou avançando no automático.
— Tá.
— O Antônio gosta muito de coração de frango. Muito mesmo. E não bebe álcool. O suco favorito dele é maracujá. Qualquer marca.
Ela assentiu. Começou a estranhar, claro. Já estava começando a ser específico demais. Mas a minha mente estava mais interessada em continuar me lembrando o que cada uma delas responderia se a Eliana perguntasse a elas.
— A Alessandra gosta de fraldinha. A Letícia também. E a Letícia gosta de linguiça calabresa e Heineken. Seria bom ter umas Heineken para ela. A Carolina prefere contrafilé, detesta cupim e costela, e tem bebido cerveja sem álcool. Guinness 0.0 ou Heineken 0.0. Mas duas ou três já dão, porque ela bebe pouco.
A Eliana ficou um tempo sem responder.
— Você vai me mandar isso por escrito — falou. — Essa lista ficou grande demais.
— Mando.
Ela parou no sinal e olhou para mim completamente admirada.
— Isso foi muito fofo, Jonas. Não sabia que você era um cara tão legal a ponto de lembrar tanto assim de tantos amigos.
Não consegui impedir o boquiabertamento. Meu rosto perdeu a cor, e encarei o painel, incomodado e envergonhado. Fofo. Legal. Amigo. Palavras horríveis quando aplicadas corretamente a um homem que preferia se imaginar apenas como um conquistador alfa. Eu senti uma espécie de nojo de mim mesmo, porque eu tinha decorado tanta coisa sobre eles sem segundas intenções. Será que “carinho” é uma IST?
— Nem eu — disse, extremamente decepcionado.
O sinal abriu. Ela demorou um segundo para acelerar. Eu olhei pela janela, derrotado. No fim, a Eliana me deixou na faculdade, e eu desci do carro com uma promessa nova nas costas.
Na faculdade, não lembro de muita coisa. Estava tão cansado que, ao chegar na sala dos professores e encontrar apenas os rostos familiares de Carlos, Natália e Alessandra, não tive pudor em capotar e dormir por uns 15 minutos de cara na mesa. Tive um sonho maluco sobre o Antônio entrando pra pegar uma cadeira de rodas, o Carlos perguntando nomes de analgésicos pra dores no joelho e o Maurício sendo levado pro hospital de novo pela Natália. Mas o sonho era diferente da realidade porque o Carlos não foi com ela dessa vez.
Horas depois, perto do meio-dia, descobri o que era a surpresa da Lorena: ela me matriculou numa academia de jiu-jitsu, com instrutora particular! A instrutora? Ela!
O dojo onde a Lorena e o Rogério praticamente cresceram juntos era uma novidade para mim. Nunca tinha entrado em um de verdade. A Lorena estava de quimono branco, faixa preta amarrada, cabelo preso firme e seriedade no rosto. No condomínio, ela era sorriso, piadas sarcásticas e provocação. No dojo, ela era uma autoridade que andava descalça sobre o tatame e tratada como tal por todos.
O gi não escondia o corpo dela, só mostrava de outro jeito. Ombros firmes, cintura marcada, pernas fortes e uma postura que deixava claro que ela tinha sido uma aluna aplicada, que passou mais de uma década e meia aprendendo a dobrar gente ao meio.
Eu estava com um gi emprestado, grande demais, e uma faixa de iniciante amarrada com um nó feio. Meu joelho doía do parkour, meus antebraços estavam duros do rapel e minhas costas ardiam dos arranhões da Carolina. Eu já entrei no tatame derrotado.
— Você tá bonitão — disse Lorena, rindo quando me viu encabulado e tentando ajeitar a faixa. — Hoje, você vai aprender o básico.
— Básico tipo alongar?
— Básico tipo cair sem se quebrar.
— Isso teria sido útil ontem.
— Por isso mesmo, precisa aprender isso pra continuar indo.
Ela me levou para o centro do tatame e começou com queda para trás. Queixo no peito, braço batendo no tatame, nada de apoiar a mão atrás, nada de travar o ombro, nada de cair duro. Demonstrou primeiro com uma facilidade ofensiva, jogando o próprio corpo no chão, batendo o braço na hora certa e levantando sem mudar a respiração. Eu tentei imitar e produzi uma versão de baixo orçamento. Caí travado, bati o braço atrasado, senti o impacto subir pela coluna e fiz uma careta que tentei disfarçar.
— De novo — disse Lorena.
— Eu já entendi o conceito.
— Seu corpo entendeu porra nenhuma.
Fui de novo. Caí pior. Na terceira, bati o cotovelo. Na quarta, esqueci o queixo e quase dei uma cabeçada no tatame. Na quinta, bati o braço certo e mesmo assim doeu. Porque aparentemente cair certo também dói, só dói um pouco diferente. A Lorena corrigia tudo com paciência e um brilho nos olhos que me deixou em dúvida sincera se ela estava me ensinando, praticando ou só descontando as minhas canalhices. Fiquei com medo da resposta.
— Relaxa o ombro, Jonas.
— Estou relaxado.
— Você tá caindo como uma geladeira empurrada.
Ela mandou repetir. Repeti. Cai. Levantei. Cai de novo. Levantei de novo. Em algum ponto, parei de tentar preservar a minha dignidade e passei a preservar apenas os dentes.
A Lorena me ensinou queda lateral, queda para trás com giro, rolamento básico e uma variação que, segundo ela, era simples, embora meu corpo tenha tratado como uma tentativa de assassinato. Cada vez que eu errava, ela me ajudava a ajustar o ângulo, a posição do braço, o queixo, a perna. Cada vez que eu acertava minimamente, ela abria um sorriso que me irritava e agradava ao mesmo tempo.
Em todas as vezes, doía mais e mais.
— Melhor — disse ela depois de uma queda lateral em que eu não pareci um saco de entulho. — Muito melhor.
— Por que continua doendo, então? — Não queria me levantar. Meu corpo queria continuar deitado e dar um cochilo de 20 horas.
— Você pode desistir e pedir pra parar a qualquer momento.
Respirei fundo e coloquei todas as minhas forças pra levantar e me reposicionei.
— Mais uma vez.
Ela sorriu e decidiu passar para desequilíbrios. Primeiro, pegada na gola. Depois, pegada na manga. Depois, um movimento de pé que parecia inocente até ela me virar no ar com a naturalidade de quem tira poeira de móvel. Caí no tatame, bati o braço e soltei um gemido que tentei transformar em tosse.
— Tá vivo? — perguntou Lorena.
— “Vivo” é um termo muito abrangente.
— Levanta ou desiste.
Levantei. Ela repetiu. Caí de novo. Levantei. Repetiu pela esquerda. Caí pior. Repetiu pela direita. Caí com um som que fez um rapaz no canto olhar preocupado. Levantei. A cada queda, a Lorena ficava um pouco mais animada, o que era bonito e ameaçador. Ela não comemorava a minha dor, pelo menos não completamente. Ela comemorava o fato de eu levantar. Eu via isso na cara dela. A mulher ficava feliz de verdade quando eu me erguia de novo, suado, vermelho, mancando e ainda educado o bastante para não mandar todo mundo à merda.
— Você tá indo bem — disse ela.
— Lorena, eu fui arremessado 17 vezes.
— 18.
— Obrigado pela correção.
— E levantou todas as 18 vezes.
— Por orgulho, burrice e medo de você.
Ela riu e bateu de leve na minha faixa.
— Estou orgulhosa de você. Sério.
Entrou então uma parte chamada “drill leve”, expressão mentirosa criada por gente que gosta de amassar os outros no chão. Lorena mandou eu tentar manter base enquanto ela puxava, empurrava e me desequilibrava. Eu parecia uma cadeira velha num ônibus em rua esburacada. Ela tocava no meu ombro e eu ia para um lado. Tocava no cotovelo e eu quase sentava. Pisava diferente e meu corpo aceitava a derrota antes da mente entender o golpe. O pior era que ela explicava tudo depois, e fazia sentido.
— Você antecipa o medo — disse ela, ajustando minha postura. — Antes de eu puxar, você já tá fugindo.
— Eu chamo isso de instinto de preservação.
— Eu chamo de pedir pra apanhar.
Ela me puxou pela gola, encaixou a perna e me derrubou de novo. Bati no tatame e vi o teto. Eu já tinha visto aquele teto mais vezes do que vi o rosto dos meus alunos naquele semestre. A Lorena apareceu no meu campo de visão, agachada, com um sorriso largo.
— Essa foi boa.
— Pra quem?
— Pra mim, um pouco. Pra você, muito.
— Discordo da avaliação.
— Você caiu melhor desta vez. Tá aprendendo. Agora, levanta.
Levantei. Essa palavra começou a virar a trilha sonora da minha ruína. Levanta. Cai. Levanta. Cai. Bate o braço. Queixo no peito. Respira. Não apoia a mão. Relaxa o ombro. Não trava. Não luta contra a queda. Em determinado momento, eu estava tão dolorido que o meu corpo passou a negociar em bloco: “ou a gente cai direito ou morre logo”. Aí, comecei a sentir que estava mesmo melhorando. Pouco, mas de verdade. Numa queda para trás, bati o braço no tempo certo. Numa lateral, protegi melhor o pescoço. Num desequilíbrio, consegui acompanhar o movimento sem parecer um boneco de posto.
— Isso! — disse ela, feliz demais por um resultado medíocre. — Viu? Você sentiu o movimento.
— Eu senti dor.
— Sentiu os dois.
Ela riu, e aquele riso me pegou de um jeito inconveniente. Apesar de todo meu cinismo e canalhice, uma parcela mínima de mim ficou com o coração mole ao ver o quanto aquilo deixava a Lorena feliz e queria continuar e continuar para manter aquele sorriso no rosto dela. O resto, os outros 99,9999%, pensava apenas na possibilidade real de eu morrer antes do aniversário das duas.
Um aluno mais novo, faixa azul, passou perto e comentou com outro:
— A Lorena tá fazendo o coroa cair igual saco de batata.
Ah, sim. Claro. Esqueci de comentar. A Lorena também tinha vergonha de mim e me apresentou a todo mundo como o amigo dela que decidiu sair do sedentarismo e praticar esportes. Eu era o coroa com barriguinha de chope (de leve) e os braços molengas. Claro que uma deusa esportista e empresária nunca iria me assumir pros colegas. Tudo bem. Era do jogo. Só que isso me fazia me sentir usado às vezes.
A sequência seguinte envolvia eu tentar escapar de uma posição em que Lorena estava por cima controlando meu braço. A explicação era simples. A execução era um pesadelo úmido de suor e pano grosso. Ela me imobilizava, eu tentava girar, travava, ela corrigia, eu errava, ela encaixava mais pressão e eu descobria que o tatame podia ser ao mesmo tempo macio e cruel. Em certo momento, ela prendeu meu braço e eu senti que qualquer movimento errado faria meu ombro quebrar.
— Bate se doer demais — disse ela.
— Bater como? Eu não tenho a menor chance!
— No tatame, idiota.
Bati. Ela soltou na hora.
— Viu? Assim, ninguém se machuca.
Ela me deu água, deixou eu respirar 30 segundos e voltou ao massacre. Agora era rolamento. Eu coloquei a cabeça errado, ela corrigiu. Coloquei a mão errado, ela corrigiu. Rolei torto, caí de lado e bati o joelho.
— Caralho.
— Melhor palavrão do dia — disse ela. — Agora de novo.
— Deixa eu respirar um pouco.
— Já disse. Você pode desistir a qualquer momento.
— Só preciso de mais uns 40 segundos pra respirar.
Rolei de novo. Dessa vez saiu menos feio. A Lorena bateu palmas.
— Aí! Agora sim.
— Isso foi bom?
— Foi decente.
Ela se aproximou e ajeitou minha gola, um gesto rápido, quase carinhoso, que destoou do fato de ela ter me derrubado tantas vezes.
— Você tá muito melhor do que no começo.
— Isso é bom?
— Você ainda está muito abaixo do nível dos novatos normais.
— Desculpe.
— Não quero que você seja perfeito. — O olhar dela completou a frase.
O treino durou mais do que meu corpo achava justo. Quando a Lorena finalmente disse que por hoje chegava, eu sentei na borda do tatame. Meu gi estava torto, minha faixa quase desamarrada e meu cabelo molhado de suor. A Lorena sentou ao meu lado, me entregou a garrafa de água e ficou me olhando com um sorriso que crescia devagar.
— Você não desistiu — disse ela.
— Pensei nisso várias vezes.
— Mas não desistiu.
Ela riu e encostou o ombro no meu. A felicidade dela era evidente agora e não era só por me ver apanhando. A Lorena estava contente porque eu tinha entrado no mundo dela, tomado porrada, caído, levantado e continuado. Aquilo significava alguma coisa pra ela.
Aqueles meu 0,0001% de meu coração mole pensou algo como “ela tão linda e radiante quando está feliz e você a feliz de verdade”. Os 99,9999% restantes respondeu “você vai morrer nesse ritmo, seu imbecil”. Mas o coração mole venceu e quis dar a ela o que ela queria.
— Semana que vem eu volto.
A Lorena virou o rosto na minha direção.
— Sério? Porque você não precisa. Eu já disse que sei que isso é pesado pra quem não curte. Você pode desistir a hora que quiser.
Eu podia ter me salvado. Podia dizer que dependia do trabalho, que queria negociar pra ser só o rapel ou inventar uma desculpa pra não vir na semana que vem e me livrar disso pelo resto do acordo de duas semanas. Em vez disso, por causa da minha palavra dada e pela alegria idiota no rosto dela, confirmei.
— Você disse que isso aqui vai me ensinar a não me machucar tanto quando cair nas outras coisas. Então, eu volto semana que vem. Este horário parece bom pra mim, se não for ruim para você.
O sorriso da Lorena abriu inteiro.
— Então, vou montar uma sequência pra você.
— Essa frase me dá medo.
— Tem que dar.
— Ainda não sei se você estava me ensinando ou só me batendo pelas minhas canalhices.
— Um pouco de cada.
Ficamos em silêncio. Ombros encostados. Era o máximo de carinho que ela fazia na frente de pessoas que ela conhecia há anos. Ela não queria me assumir. Era frustrante, mas tenho espelho em casa.
— Então, você é professora aqui?
— Não. Mas eu e o Rogério estamos aqui há tanto tempo que nos voluntariamos pra ser instrutores auxiliares nas aulas dos novatos, quando tem aulas cheias. E também em ações sociais em comunidades.
Ela sorriu antevendo a próxima pergunta.
— Eu expliquei a eles que você era um caso especial e, que como eu tinha conhecia, poderia ser a instrutora das primeiras aulas. Eles toparam porque são todos gente boa.
Bebi um pouco de água.
— Algum dos seus três ex-namorados praticava jiu-jitsu.
— Um deles nunca pisou em nenhum desses programa. Um durou uma aula, o outro quatro. Mas aqui, não me sinto tão sozinha. Tenho o Rogério e muitos bons amigos que fiz ao longo dos anos.
— Lorena.
— Sim?
— Sei que nosso acordo é de apenas duas semanas, mas eu prometo que aguento pelo menos uns seis meses. Não quero que lembre de mim como mais um que fugiu depois de duas ou quatro aulas.
Ela deu um sorriso, que não sei se era de felicidade ou deboche (daquele tipo “e quem disse que vou querer lembrar de você?”), levantou primeiro e estendeu a mão. Peguei, e ela me puxou com força demais. Meu corpo subiu, minha lombar reclamou e meu joelho chorou. Fiquei em pé por milagre e desequilíbrio.
— Quinta tem jogo — lembrou ela.
— Sou reserva.
— Mas um reserva pode entrar se precisar.
— Não vai precisar.
Saí do tatame andando devagar, sentindo cada músculo reclamar em uma língua diferente. Por fora, eu parecia um quarentão cansado saindo da primeira aula de jiu-jitsu com uma mulher atlética demais. Por dentro, eu sabia que provavelmente morreria antes do fim das duas semanas. A pior parte era admitir que uma parte microscópica de mim achava aquilo bonito. A outra só queria tomar mais analgésicos para dor, mas não podia por risco de overdose.
Pois bem, leitor. No próximo capítulo, a parte 15, vamos ter maratona, crossfit, uma pessoa descobrindo a verdade sobre nosso trisal (isso conta como trisal?) e muito sexo.
Algumas perguntas sobre os próximos capítulos pros leitores responderem nos comentários:
1) O que vocês estão achando do relacionamento Jonas e Carolina?
2) O que vocês estão achando do relacionamento Jonas e Lorena?
3) O que vocês estão achando do relacionamento Jonas, Carolina e Lorena?
Coloquem nos comentários para o que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Em breve, teremos a continuação.
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NOTA DO AUTOR:
Eu tenho plena ciência de que este é o trisal mais polêmico da novela e o que o pessoal menos gosta. Mas eu realmente me divirto bastante escrevendo esse trio junto (de fato, eles são o trio mais divertido de escrever).
Eu gosto demais como a Carolina e a Lorena parecem dispostas a foder cada aspecto da saúde física e mental do Jonas. Considerando que elas continuam fazendo sexo com ele, não é mais vingança. Elas tão nessa pelo puro amor ao jogo. É uma série mais divertida de escrever do que ele sendo um voyeur fracassado vendo o sogro setentão* avançando cada vez mais na evangélica certinha ou do canalha predador comendo várias mulheres e sofrendo uma queda épica só no final (como se elas não fossem conversar entre si no primeiro dia, exatamente como Carolina e Lorena fizeram).
É até engraçado que dá para notar que as duas estão, ao mesmo tempo, forçando a barra ao máximo para fazer ele desistir do acordo e torcendo para que ele continue sendo esse cara maluco e despreparado que apanha, apanha, apanha e, porrada após porrada, continua levantando.
* E ainda tem isso: imagina a cara do Jonas quando souber que o seu Raimundo comeu a Lorena (naquele infame capítulo do Rogério) sem todo o trabalho que ele teve, sem sofrer nada e ainda saiu disso ileso e assobiando.
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AVISO AOS LEITORES:
Vou seguir os conselhos de alguns leitores e espaçar os próximos capítulos. Assim, vou ganhar um tempo para terminar a parte do futebol* de todo o arco do futebol. Além de escrever as cenas de sexo de cada capítulo, que são a parte menos complexa do rolê...
Semana 01: Alessandra, Miguel 04, Jéssica 20
Semana 02: Érico 13, Jonas 15, Zé Maria
Semana 03: Carlos 17, Geraldo 13, Jonas 16
* Normalmente, a parte mais chata e trabalhosa de escrever são os crossovers com a mesma cena em PoVs diferentes. Os personagens devem ter as exatas mesmas falas e ações, mas os pensamentos e perspectivas devem ser suficientemente diferentes para justificar ser contada em outra visão.
O capítulo da Sarah saiu com uns erros de revisão/repetição por isso. Eu escrevi a versão do Miguel primeiro e depois fui escrever a da Sarah, pensando em como tudo que ele via como fofinho e charmoso era a Sarah sendo insegura e desastrada pra caralho.
O crossover do futebol é o mais ambicioso desses crossovers porque na primeira metade dos capítulos quase todos os personagens estarão no mesmo lugar ao mesmo tempo, estarão interagindo entre si e a história vai ser contada por Rogério, Carlos, Érico, Antônio, Vinícius e Jonas. E se rolar tempo, eu coloco um PoV pra Alessandra assistindo o jogo enquanto seduz alguma mulher na torcida.