Minha Esposa me traiu com um Refugiado - Parte 7

Um conto erótico de Thiago
Categoria: Heterossexual
Contém 583 palavras
Data: 04/05/2026 04:49:51

Capítulo 7: O Jogo Que Ninguém Mais Escondia

Depois daquela noite…

nada voltou ao normal.

Mas o mais estranho…

é que também nada mudou de forma clara.

Ninguém falou sobre o que aconteceu.

Ninguém comentou.

Ninguém tocou no assunto.

Mas tudo estava diferente.

Principalmente Letícia.

Ela acordou leve demais.

Natural demais.

Como se tivesse dormido perfeitamente.

Como se a noite não tivesse sido… o que foi.

— "Melhorou?" — ela perguntou, me olhando como sempre fazia.

O mesmo tom.

O mesmo sorriso.

A mesma mulher.

Mas não era.

Eu respondi automático.

— "Melhorei."

Mentira.

Eu não tinha melhorado nada.

Só tinha aprendido a esconder.

Abel também estava normal.

Calmo.

Respeitoso.

Distante… na medida certa.

Mas agora eu via.

Eu via pequenas coisas que antes passariam despercebidas.

Olhares rápidos.

Sorrisos interrompidos.

Silêncios que apareciam quando eu me aproximava.

E o pior…

era que eles não pareciam tensos.

Pareciam… confortáveis.

Como se algo tivesse sido ultrapassado.

Como se não houvesse mais uma linha a cruzar.

A estrada seguiu.

O calor aumentou.

E a Kombi voltou a ser aquele espaço fechado demais.

Pequeno demais.

Íntimo demais.

Só que agora…

com outra energia.

Letícia começou a mudar aos poucos.

Ou talvez eu só tenha começado a perceber.

Os shorts estavam mais curtos.

As camisetas mais soltas.

Os movimentos mais livres dentro daquele espaço pequeno.

Ela passava entre nós com mais frequência.

Se inclinava.

Se esticava.

Subia na cama pra organizar coisas que não precisavam ser organizadas.

E às vezes…

ficava tempo demais ali.

Eu observava pelo retrovisor.

Sem querer.

Ou querendo demais.

E Abel…

não desviava mais como antes.

Ele não encarava.

Mas também não evitava.

E isso dizia tudo.

As conversas também mudaram.

Não eram mais só histórias.

Agora tinham… camadas.

— "Você já viajou assim antes?" ela perguntou uma vez, sentada de lado na cama.

— "Assim como?"

— "Sem saber exatamente onde vai parar…"

Ele demorou um segundo.

— "Já… mas nunca com companhia interessante."

Ela riu.

Baixo.

— "Cuidado… você fala demais."

— "Só quando vale a pena."

Silêncio.

Eu estava ali.

A poucos metros.

Mas naquele momento…

eu não fazia parte.

E o mais perturbador…

é que eu deixava.

Porque quanto mais eu fingia que não via…

mais fácil era manter tudo em pé.

À noite…

a rotina se repetiu.

Sem discussão.

Sem sugestão.

Simplesmente aconteceu.

Eu fui pra frente.

Eles ficaram atrás.

Como se aquilo já fosse o combinado.

Como se ninguém precisasse mais decidir.

Deitei no banco.

Olhos fechados.

Mas agora…

não havia mais dúvida.

Só escolha.

Atrás de mim, o colchão se ajustou.

O som do tecido.

Respirações.

E então…

as vozes.

Mais baixas.

Mais próximas.

Mais confiantes.

— "Hoje você não vai fingir que não quer…" ele disse, quase num sopro.

Ela demorou.

De propósito.

— "E você… não vai fingir que vai parar?"

Silêncio.

— "Depende de você."

— "Mentira… você não para."

Um leve riso.

Mais perto.

— "E você não pede."

— "Porque você entende…"

Pausa.

— "Entendo o quê?"

A resposta veio mais baixa ainda.

Quase impossível de ouvir.

— "Até onde pode ir…"

O colchão cedeu.

Devagar.

Num ritmo que já não parecia mais acaso.

E eu…

fiquei ali.

Ouvindo.

Sentindo.

Sabendo.

Mas sem me mover.

Porque naquele ponto…

já não era mais sobre descobrir.

Era sobre aceitar.

E eu aceitei.

Não em voz alta.

Não de forma consciente.

Mas aceitei.

Porque amar a Letícia…

pra mim…

sempre foi maior do que qualquer outra coisa.

Até mesmo maior do que eu.

E naquela noite…

pela primeira vez sem dúvidas…

eu entendi:

eu não estava mais tentando impedir.

Eu estava permitindo.

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