Nas duas semanas seguintes àquela noite no vestiário, Luíza pareceu outra pessoa. Não a que saiu de lá cambaleando, com o cabelo desarrumado e o rosto vermelho. Não aquela. Outra. Uma irmã mais antiga, mais calma, que eu não via há meses.
Ela voltou a acordar cedo para fazer café. O cheiro do pão na torradeira e do café coado me despertava antes do despertador, e eu descia as escadas com os olhos ainda pesados, encontrando a mesa posta, o leite na jarra, o açúcar no pote de sempre. Ela me perguntava sobre a escola, sobre os trabalhos, sobre o Daniel. Ria das minhas piadas sem graça — aquelas que ela dizia serem "tão ruins que acabavam ficando boas".
— Você tá diferente — eu disse, numa terça-feira, enquanto ela cortava tomates para a salada. A faca ia e voltava, ritmada, e eu ficava olhando os dedos dela, lembrando de quando ela me ensinou a cortar legumes sem machucar.
— Diferente como? — Ela ergueu a faca, me olhou por cima do ombro. Tinha um fio de cabelo loiro solto na testa, balançando com o movimento. O sorriso era tranquilo, mas havia algo nos olhos que eu não soube decifrar.
— Mais presente. Tá sempre em casa. Não sai correndo depois do jantar.
Ela sorriu, passou a mão nos meus cabelos, um gesto antigo que ela fazia desde que eu era criança. A mão dela estava fria por causa do tomate, e o contato fez um arrepio na minha nuca.
— É que tô menos corrida no trabalho. Aproveitando mais você.
— Tá bom ter você por perto.
Ela deixou a faca de lado e me abraçou de lado, um abraço rápido, mas quente.
— Também acho, Pedrinho. Você é a única pessoa que me faz sentir... normal.
— Normal?
— É. Como se nada tivesse mudado.
Na escola, os três valentões tinham desaparecido do meu radar. Não me olhavam, não falavam comigo, não me empurravam no corredor. Era como se eu tivesse deixado de existir. No intervalo, eu os via sentados nos degraus da quadra, rindo, bebendo refrigerante, batendo palmas. Mas não olhavam para mim. Era como se uma parede invisível tivesse se erguido entre nós, e eu não sabia se agradecia ou temia por aquilo.
Daniel, meu único amigo, notou.
— Os caras tão te ignorando — ele disse, mordendo um sanduíche no banco perto da quadra. A mostarda escorreu um pouco, e ele limpou com a manga da camisa.
— Tão.
— Que bom, né? Finalmente. Você tava merecendo um sossego. Lembra daquele dia que eles te encurralaram no banheiro? Você ficou uma semana com medo de ir lá.
— Lembro. — Eu não lembrava só daquele dia. Lembrava de todos. Dos empurrões, dos apelidos, das risadas. Lembrava de me esconder no fundo da sala para não ser visto. Lembrava de desejar ser invisível.
— Então. Aproveita.
Mas eu sabia que não era bom. Sabia que alguma coisa tinha acontecido. Só não sabia o quê. E o pior era que, cada vez que eu tentava tocar no assunto, Luíza desviava o olhar ou mudava de conversa. Era como se houvesse um acordo silencioso entre nós: eu não perguntava, ela não mentia. Mas as perguntas estavam lá, na minha garganta, entaladas como espinhas de peixe.
As mudanças começaram aos poucos. Tão devagar que, no começo, eu nem percebi.
Foi o short. Um dia, ela desceu para o café vestindo um short jeans que eu nunca tinha visto. Era mais curto do que os outros. Mostrava as coxas. Eu estranhei, mas não disse nada. Na semana seguinte, o short estava ainda mais curto. A barra roçava no início das nádegas. A blusa também mudou. Antes, ela usava camisetas largas, que escondiam o corpo. Agora, usava tops justos, decotados. Às vezes, sem sutiã. Os mamilos marcavam o tecido fino.
— Lu, você não vai se trocar? — perguntei, uma tarde, vendo ela descer as escadas com um top minúsculo e um short que mais parecia uma calcinha.
— Tô em casa, ué. — Ela olhou para o próprio corpo, como se não visse problema. — Tá calor.
— Tá calor? Tá chovendo lá fora.
— É. Calor assim. Um calor que vem de dentro. — Ela riu, um riso que eu não reconheci. — Você não vai entender.
Ela foi para a cozinha, abriu a geladeira, se inclinou para pegar uma garrafa de água. O short subiu ainda mais. Eu desviei o olhar, sentindo o rosto queimar.
— Lu... as pessoas vão ver.
— Que pessoas?
— Eu. Eu vejo.
— Você é meu irmão, Pedro. — A voz dela ficou mais séria, mas não zangada. — Você não deveria estar olhando desse jeito.
— Não é isso. É que... você não era assim.
Ela fechou a geladeira e se virou para mim. Os olhos nos meus. Havia algo duro ali, mas também algo frágil.
— As pessoas mudam. Eu mudei. E tá tudo bem.
— Mas por quê?
— Porque eu cansei de ter medo, Pedro. Cansei de me esconder. Cansei de ser a irmã mais velha perfeita que todo mundo esperava. — Ela deu um gole na água e deixou a garrafa na pia. — Agora eu sou dona de mim. Do meu corpo. Do que eu visto. Do que eu faço.
— Isso tem a ver com aquela noite?
O silêncio que se seguiu foi pesado. Ela desviou o olhar.
— Que noite?
— Você sabe.
— Não sei do que você tá falando. — Ela subiu as escadas sem olhar para trás. — Vou tomar banho.
A partir daí as coisas foram mudando ainda mais, a primeira vez que eu ouvi os gemidos foi numa terça-feira. Eu estava no quarto, tentando fazer um trabalho de história, quando um som estranho veio do quarto ao lado. Baixo, abafado. Achei que fosse a televisão. Aumentei o volume do videogame. O som continuou.
Levantei, fui até a porta do quarto dela. A porta estava entreaberta. A luz do abajur acesa. O que eu vi me paralisou.
Luíza estava deitada na cama, completamente nua. As pernas abertas. Uma das mãos entre as coxas, os dedos se movendo rápido. A outra segurava o celular, encostado no ouvido.
— Isso... — ela murmurava. — Fala mais... fala mais...
A voz de Rodrigo saía do aparelho, distorcida, mas as palavras eram claras.
— Você tá molhada pra mim, Luíza? Tá tocando pensando em mim?
— Tô... tô sim...
— Então mostra. Quero ver esses peitos. Tira foto.
Ela obedeceu, virou de lado, esticou o braço para fazer a foto. O flash iluminou o quarto por um segundo, e foi quando eu vi: o corpo dela estava coberto de marcas. Roxos nos seios, arranhões nas coxas, uma mordida no ombro. Marcas que contavam histórias que eu não tinha permissão para ler.
— Manda — a voz ordenou.
Ela mandou. Depois voltou a mão para a buceta, os dedos se movendo mais rápido, entrando e saindo. Os gemidos ficaram mais altos, mais urgentes.
— Tô perto... — gemeu. — Rodrigo... tô quase...
— Goza pra mim. Goza ouvindo minha voz. Fala meu nome.
— Rodrigo... Rodrigo... vou...
Foi quando ela virou a cabeça e me viu na porta.
— PEDRO!
O grito foi tão alto que me fez recuar, batendo as costas no corredor.
— O que você tá fazendo aí? ESPIANDO? — Ela já estava de pé, completamente nua, andando na minha direção. Os seios balançavam. A buceta ainda brilhava, molhada. O rosto estava vermelho, mas não de vergonha — de raiva.
— Eu... eu só ia pegar água... eu não sabia...
— ÁGUA? — Ela parou na minha frente, tão perto que eu sentia o calor do corpo dela. — Você não sabe bater na porta? Não aprendeu isso na escola?
— Desculpa... eu juro que não queria...
— É claro que queria! Todo mundo quer! Todo mundo quer ver a Luíza pelada, a Luíza se tocando, a Luíza dando prazer! — A voz dela embargou. — Até você, Pedro. Até meu irmão.
— Não... não é isso...
— SAI DAQUI! Some! Some da minha frente!
Eu saí correndo, subi as escadas, tranquei a porta do quarto. Fiquei sentado no chão, o coração batendo tão forte que parecia que ia sair do peito. As palavras dela ecoavam na minha cabeça. *Até você, Pedro. Até meu irmão.*
Poucos minutos depois, ouvi a voz dela no celular de novo. Estava mais baixa, mas a acústica do corredor trazia cada palavra.
— Desculpa, Rodrigo. Foi o intrometido do meu irmão... Não, ele não viu nada demais... Eu sei, eu sei... Não, não vou deixar ele atrapalhar de novo... Tô aqui. Ainda tô molhada. Quer ver?
Os gemidos recomeçaram. Eu coloquei o travesseiro sobre a cabeça. Mas ainda ouvia.
Outro flagra aconteceu no vestiário da academia. Eu tinha ido buscá-la porque a mãe ia ligar e ela não atendia o celular. O corredor estava vazio. A porta do vestiário feminino estava fechada. Bati.
— Lu? Tá aí?
— Pedro? — a voz dela saiu estranha, ofegante. — O que você quer?
— A mãe tá ligando. Disse pra você atender.
— Agora não. Espera lá fora.
— Tá bom.
Eu ia me afastar quando ouvi um gemido. Baixo, abafado. Mas não era só um gemido. Era um som molhado, ritmado. Um som que eu já tinha ouvido antes, mas não queria reconhecer.
— Lu? Tudo bem?
— Tudo! — a voz saiu aguda. — Só... tropecei aqui.
— Tropeçou?
— É. Me dá um minuto. Vai lá fora.
Eu não me movi. Algo não estava certo. A voz dela estava diferente, mais rouca. Havia um outro som ali, uma respiração pesada que não era a dela.
— Lu, você tá sozinha aí?
— Claro que tô! — a voz dela falhou no final. — Vai, Pedro. Por favor. Daqui a pouco eu saio.
Eu me afastei da porta, mas não fui para fora. Fiquei no corredor, encostado na parede. O silêncio durou alguns segundos. Depois ouvi um sussurro. Uma voz masculina. Baixa, grave.
— Ela já gozou. Agora é minha vez.
Meu coração disparou.
Quando a porta se abriu, os três valentões saíram. O moreno, o alto, o baixo. Estavam rindo, arrumando as roupas. O moreno passou a mão no cabelo. O alto ajeitou a camisa, que estava do avesso. O baixo olhou para trás, para o vestiário, e sorriu.
— Até amanhã, Lu — disse, e os três foram embora.
Poucos minutos depois, Luíza apareceu. O cabelo estava desarrumado, grudado na testa. A blusa estava abotoada errada. Ela não usava sutiã. O tecido fino marcava os seios. O rosto estava vermelho, os lábios inchados. E havia um cheiro. Um cheiro doce, almiscarado, que eu não soube identificar, mas que me fez sentir náuseas.
— Lu... o que aconteceu?
— Nada. Tô atrasada. Vamos.
— Eu vi eles saindo...
— Eles? — Ela piscou, rápido demais. — Eles vieram usar a piscina. A academia tava fechada, eu deixei.
— Você disse que tava sozinha.
— Eu tava. Eles foram embora antes de você chegar.
— Eu ouvi vozes. Ouvi... outras coisas.
— Você ouviu o quê? — Ela riu, um riso sem graça. — Tava no telefone. Com a mãe. A acústica do banheiro engana.
— A mãe não fala com voz grossa. E ela não ia dizer "ela já gozou, agora é minha vez".
O rosto de Luíza mudou. O sorriso desapareceu. Os olhos ficaram duros.
— Você não ouviu nada, Pedro. Está me entendendo? Você não ouviu nada. E não viu nada. Porque se você contar pra alguém... — Ela parou, respirou fundo. A voz seguinte saiu mais baixa, mais trêmula. — Se você contar, vai estragar tudo. Tudo que eu construí. Tudo que eu consegui.
— Conseguiu o quê, Lu? O que você conseguiu?
— Proteção. — Ela olhou para o chão. — Pra mim. Pra você. Pra nossa família.
— Não entendi.
— Não precisa entender. Só precisa confiar em mim. — Ela segurou meu rosto com as duas mãos. As mãos estavam frias. — Você confia em mim?
— Confio.
— Então vamos para casa.
Eu não insisti. Mas algo dentro de mim se partiu.
Na sexta-feira seguinte, eu cheguei da escola e os quatro estavam na cozinha. Rodrigo, o moreno, o alto, o baixo. Todos sentados à mesa, latinhas de cerveja na mão, rindo de alguma coisa no celular. Luíza estava ao lado do moreno, vestindo um short que era praticamente uma calcinha e um top branco, sem sutiã. Os mamilos marcavam o tecido fino. A mão do moreno estava na coxa dela.
— Pedro! — ela disse, rindo. — Chegou! Vem, senta.
Eu não me movi. Meus pés pareciam presos no chão. A mochila pesava nas costas como um bloco de concreto.
— O que eles estão fazendo aqui?
— Vieram visitar. A gente vai pedir pizza.
— Visitar? Eles?
— É, ué. São meus amigos agora.
— Amigos? Lu, eles são os caras que te ameaçaram. Eu ouvi. Eu estava lá. Eles disseram que iam...
— Pedro. — A voz dela ficou mais firme. Ela se levantou, veio até mim, colocou as mãos nos meus ombros. — Já passou. Foi resolvido. Eles são meus amigos. Fica tranquilo.
— Como pode ser diferente? Como é que da noite pro dia eles viram seus amigos?
Ela suspirou, olhou para os quatro, depois para mim. Por um momento, vi um lampejo de impaciência nos olhos dela, mas também outra coisa. Medo.
— Eu sei que é difícil de entender. Mas as pessoas não são só boas ou más, Pedro. Elas são complicadas. Elas erram, e às vezes se arrependem. A gente conversou, se entendeu. Eles me respeitam agora.
— Respeitam? — Eu olhei para a mão do moreno na coxa dela. — Isso é respeito?
Ela seguiu meu olhar, e por um segundo pareceu desconfortável. Mas logo sorriu.
— É carinho. Coisa de amigo.
— Amigo não faz isso.
— Os meus fazem. — A voz dela ficou mais dura. — E você não vai questionar na frente deles. Entendeu?
O moreno se levantou, veio até mim. Eu recuei um passo, instintivamente. O cheiro de cerveja e cigarro veio com ele.
— Relaxa, minhoca. Não vou te morder. — Ele sorriu, mas o sorriso não chegava nos olhos. — Tua irmã é gente boa. A gente gosta dela. Cuida dela.
— Não chama ele assim — Luíza disse. O tom era duro, mas não tanto quanto antes. Havia uma hesitação, como se ela soubesse que não adiantava.
— É brincadeira, ué — o moreno respondeu, dando de ombros. — Relaxa, Lu. Teu irmãozinho aguenta.
— Eu disse pra não chamar ele assim.
O moreno olhou para ela. O sorriso desapareceu por um segundo. Depois voltou, mais largo.
— Tá bom, tá bom. Pedrinho, então. Amigo da gente.
Ele voltou para a mesa. Luíza me olhou. Os olhos dela estavam cansados.
— Vai trocar de roupa, Pedrinho. Depois a gente come.
Eu subi as escadas. No quarto, sentei na cama, o coração batendo forte. Lá embaixo, ouvi as risadas. A voz do moreno. A voz de Luíza, rindo junto. Mas não era a risada dela. Era uma risada ensaiada, uma risada que ela usava para agradar. Uma risada que doía de ouvir.
Numa noite, eu desci para buscar água e ouvi música alta. Batidas pesadas, graves profundos, e risadas. A porta da sala estava aberta. Luíza estava no centro, dançando. Usava um short curtíssimo e um top minúsculo. O corpo se movia num ritmo pesado, sensual, como se o som estivesse dentro dela. Os quatro estavam sentados no sofá, bebendo, rindo, batendo palmas.
— O desafio é simples — Rodrigo anunciou, quando me viu na porta. Ele não se importou que eu estivesse ali. Nenhum deles se importava. — Você vai dançar funk até a música acabar. E vai beber vodka cada vez que a gente mandar.
Luíza parou de dançar. O rosto estava tenso.
— E se eu não conseguir? — a voz dela saiu baixa, trêmula.
— Se não conseguir, a gente posta os vídeos. Seu irmão vai ver. Sua mãe vai ver. Todo mundo vai ver. Você quer isso?
Ela olhou para mim. Por um segundo, vi medo nos olhos dela. Medo de verdade, o mesmo medo que eu via quando ela olhava para o pai bêbado, anos atrás. Depois, o medo se transformou em outra coisa. Aceitação. Entrega.
— Não — ela disse, a voz firme agora. — Não quero.
— Então aceita o desafio.
— Aceito.
— Isso, cadela! — o moreno gritou. — Rebola!
Ela rebolou. Os seios balançavam. A bunda empinada girava. O short subiu, mostrando a calcinha. Ela não parou.
— Toma! — Rodrigo disse, jogando uma garrafa de vodka para ela.
Ela pegou, bebeu um longo gole. O líquido quente escorreu pelo queixo, pelo pescoço, entre os seios. O rosto ficou vermelho. Os olhos brilharam.
— Isso, cadela! — o alto gritou. — Bebe tudo!
Ela bebeu mais. A vodka escorria pela sua barriga, molhando o top. O tecido ficou transparente. Os mamilos marcavam, duros.
— Agora dança de novo! — o moreno ordenou.
Ela dançou. Os quadris se moviam em círculos, os braços sobre a cabeça, os dedos enroscados nos cabelos. O short subiu. A calcinha apareceu. Ela não se importou. O corpo já não tremia de medo. Tremia de outra coisa.
— Tira a blusa! — o baixo gritou.
Ela hesitou. Olhou para mim. Eu estava na porta, imóvel. O coração batia tão forte que eu sentia nas têmporas. Nossos olhos se encontraram, e por um segundo eu vi a Luíza antiga ali. A que me ensinava a cortar legumes. A que me abraçava quando eu tinha pesadelos. A que dizia que ia me proteger de tudo.
— Não... — ela sussurrou, ainda olhando para mim.
— Tira! — Rodrigo repetiu. — É ordem. Ou você quer que eu mostre os vídeos agora?
Ela fechou os olhos. Uma lágrima escorreu, mas ela a limpou rápido, como se fosse suor. Os dedos foram para a barra do top. Puxaram devagar. O tecido subiu, revelando a barriga, o umbigo, a parte de baixo dos seios. Ela parou.
— Tudo! — o moreno ordenou.
Ela tirou. Os seios saltaram para fora, balançando. Os mamilos estavam duros. Ela continuou dançando, os braços agora cobrindo os seios, mas o movimento fazia com que eles escapassem.
— Não esconde! — o moreno ordenou. — Mostra! Mostra pro seu irmão o que você é!
Ela baixou os braços. Os seios ficaram expostos. Ela dançou assim, nua da cintura para cima, os seios balançando, os mamilos duros. A vodka escorria pelos peitos, pela barriga. O short estava encharcado, transparente.
— Isso, cadela. Isso.
— Olha pra ele — Rodrigo ordenou. — Olha pro seu irmão enquanto dança.
Ela olhou. Os olhos estavam vidrados, mas havia algo ali. Uma súplica. *Me perdoa*, eles diziam. *Me perdoa por isso*.
— A gente consegue ver sua buceta — o alto provocou. — Toda molhada.
Ela não respondeu. Apenas dançou. Dançou até a música acabar. E quando acabou, caiu de joelhos, ofegante. O rosto estava vermelho, os olhos vidrados.
— Desafio cumprido — Rodrigo disse. — Boa cadela.
Ela sorriu. Mas era um sorriso vazio.
No sábado seguinte, eu desci para almoçar e encontrei Luíza na sala. O clima era diferente. Havia uma tensão no ar, uma expectativa. Os quatro estavam sentados no sofá, com uma caixa preta na mesa de centro.
— Hoje vamos brincar diferente — Rodrigo anunciou. — Você vai se vestir de cadela. De verdade. Coleira, rabo, focinho. E vai agir como uma.
— Como assim "agir como uma"? — Luíza perguntou. A voz estava trêmula, mas havia algo nos olhos dela. Uma curiosidade mórbida, como quem olha para um abismo e considera pular.
— Vai latir. Vai andar de quatro. Vai fazer o que a gente mandar. Vai ser nossa cadela.
— E se eu não conseguir?
— Se não conseguir, a gente posta os vídeos. Vamos seu irmão já sabe quem você é mesmo.
Luíza olhou para mim. Os olhos dela estavam marejados.
— Pedro... — a voz falhou. — Sobe pro quarto.
— Não — Rodrigo interrompeu. — Ele fica. O desafio inclui plateia.
— Não... não faz isso com ele...
— Faz parte. Ele fica, ou o desafio acaba agora e os vídeos vão pro ar. Você escolhe.
Ela baixou a cabeça. Os ombros tremeram.
— Tá bom.
Ela abriu a caixa. Tirou as peças uma por uma. O sutiã transparente, tão fino que os seios enormes apareciam por completo. A calcinha fio dental, que desaparecia entre as nádegas. A coleira preta no pescoço, com uma argola. O rabo postiço, preso por um pequeno plug. As orelhas de pelúcia na cabeça.
Ela vestiu tudo. O corpo já respondia. Os mamilos endureceram contra o tecido fino. A buceta encharcou.
— Agora anda — Rodrigo disse, puxando a guia.
Ela caiu de joelhos. As mãos no tapete. A bunda empinada. A buceta já estava molhada, escorrendo pelas coxas.
— Au — ela latiu, a voz falha. — Au...
— Mais alto. Como uma cadela de verdade.
— Au! Au!
— Isso, cadela. Isso.
Ela começou a andar de quatro pelo tapete. A bunda balançava, os seios balançavam, a coleira tilintava. O rabo balançava a cada passo.
— Anda até ele.
Ela se arrastou até mim, parou aos meus pés, olhou para cima. Os olhos dela estavam brilhando de lágrimas.
— Au.
— Lu... para com isso... — Minha voz saiu embargada.
— É brincadeira, Pedrinho. — Ela sussurrou, baixinho, só para mim. — Eu preciso. Se eu não fizer, eles mostram os vídeos. Você não quer que eles mostrem, quer?
— Não...
— Então deixa. Finge que não é comigo. Finge que eu sou outra pessoa.
O moreno se aproximou, deu um tapa na bunda dela.
— PAAH!
— Aahn! — ela gemeu, os olhos revirando por um segundo. Depois latiu. — Au!
— PAAH! PAAH!
— Aahn! Aahn!
— Gosta?
— Au! — ela latiu, mas a voz falhou. — Au...
— Gosta de apanhar?
— Au! Bate mais!
— PAAH! PAAH!
— Aaah! Isso! Au!
Ela gozou. O corpo se contraiu, os olhos reviraram, a boca se abriu num gemido longo. O latido saiu junto, misturado com o gemido. E quando os espasmos passaram, ela ficou ali, de joelhos, olhando para o chão. Envergonhada. Mas também excitada. E a vergonha e a excitação estavam tão misturadas que ela já não sabia onde uma terminava e a outra começava.
— Desafio cumprido — Rodrigo disse. — Boa cadela.
Na semana seguinte, eles fizeram o último desafio. Eu desci para buscar água e ouvi música alta. A porta da sala estava aberta. Luíza estava em cima da mesa de centro. Usava apenas um biquíni minúsculo — duas tiras de tecido que mal cobriam os seios enormes, e uma calcinha fio dental. Os peitos balançavam a cada movimento. Os mamilos estavam duros. O suor brilhava na pele.
Uma garrafa de vidro vazia estava no chão, deitada.
Os quatro estavam ao redor, rindo, gritando, batendo palmas.
— O desafio é simples — Rodrigo anunciou. — Você vai dançar em cima da mesa. Vai descer até a garrafa sem encostar. Se encostar, perde.
— E se eu perder? — Luíza perguntou. A voz estava trêmula, mas os olhos brilhavam. Ela já sabia a resposta.
— Se perder, vai ser castigada.
— Castigada como?
— Você vai ver.
Luíza olhou para a garrafa. O medo estava nos olhos dela. Mas o tesão também. Sempre o tesão, traindo o medo.
— Tá bom.
— Vai, Lu! — o moreno incentivou. — Desce até a garrafa sem encostar!
— Sem encostar? — ela riu, os seios balançando. — Impossível!
— Desafio é desafio!
Ela se ajoelhou na mesa, apoiou as mãos no tampo de madeira, e começou a descer em direção à garrafa. Os seios enormes balançavam dentro do biquíni minúsculo, quase escapando. A bunda empinada, totalmente exposta, balançava a cada movimento.
— Vai, vai, vai! — os quatro gritavam.
Ela desceu, desceu, os lábios se aproximando da garrafa. O suor brilhava na pele. Os mamilos marcavam o tecido molhado. A buceta pingava.
Quando estava quase lá, o bico da garrafa encostou nos lábios dela. Ela tentou desviar, mas foi tão rápida que o vidro escorregou.
E entrou.
Os olhos dela se arregalaram. Os quatro gargalharam.
— Ela comeu a garrafa!
Luíza tirou a garrafa da buceta, rindo, o vidro brilhando de saliva. Mas o riso era nervoso, embargado.
— Foi sem querer!
— Mentira! Foi de propósito!
— Não foi, juro!
O biquíni tinha se deslocado. Um dos seios tinha escapado completamente, o mamilo duro exposto. A calcinha fio tinha se deslocado também, mostrando a boceta molhada.
— Pedro? — ela disse, me vendo na porta. — Minhoca! Veio ver!
— Lu... o que você está fazendo?
— Brincadeira, ué. Desafio.
— Você está bêbada.
— Tô não. — A voz arrastada dizia o contrário. — Só feliz. Feliz de verdade.
O moreno se levantou, pegou ela pelo braço.
— Perdeu o desafio, cadela.
— Perdi? — ela riu.
— Então vai ser castigada.
— Castigada? — ela riu, mas o corpo já respondia. Os mamilos endurecidos marcando o biquíni molhado. — Tá bom.
— Pro quarto. Agora.
Ela obedeceu, rindo, rebolando. Os seios balançavam. A boceta escorria. Mas antes de subir as escadas, ela olhou para mim. Um olhar rápido, mas cheio de significado.
*Não me julga*, dizia o olhar. *Não me abandona*.
No quarto, ela foi amarrada. Os pulsos e tornozelos presos nas colunas da cama com cordas. As pernas abertas. Completamente nua. O biquíni tinha sido arrancado, jogado no chão. Os seios enormes estavam expostos, os mamilos duros, roxos das mordidas anteriores. A boceta estava aberta, os lábios inchados, o mel escorrendo.
Os quatro estavam ao redor.
— Não chora, minhoquinha — Luíza disse, me vendo na porta. A voz estava arrastada pela vodka, mas ainda era doce. Ainda era minha irmã. — É brincadeira. Só brincadeira. Eles não vão me machucar de verdade. Eles só querem brincar.
— Lu... isso não é brincadeira...
O moreno se aproximou da cama, ignorando meu protesto.
— Agora o castigo.
— Castigo — ela repetiu, rindo. O riso estava mais solto, mais entregue. A vodka tinha levado embora o último resquício de vergonha.
— PAAH! — o tapa na buceta veio forte.
— Aahn! — ela gemeu, o corpo se contraindo.
— PAAH! PAAH!
— Aahn! Aahn!
— PAAH! PAAH! PAAH!
— Aaah! Isso! Isso!
Ela gozou. Os jatos escaparam, molhando a cama. Os olhos reviraram.
— Isso, cadela — o moreno riu. — Já gozou.
— Castigo é para não gozar — o alto disse. — Vai ter mais.
— PAAH! PAAH! — tapas nos seios.
— Aahn! Aahn!
— PAAH! PAAH!
— Aaah! Isso!
Ela gozou de novo. Depois outro. Depois outro. Os tapas vinham sem parar. Na buceta, nos seios, nas coxas. Ela gemia, gozava, pedia mais.
— Mais... mais... me bate... por favor...
— Isso, cadela. Isso.
O moreno parou. Luíza ficou ofegante, o corpo tremendo, os jatos ainda escapando.
— Agora a gente vai te foder de verdade — Rodrigo disse.
Ela olhou para ele. Os olhos estavam vidrados. E o que ela disse saiu num sussurro quebrado:
— Sim... sim... me fode... me fode... é isso que eu mereço...
O moreno subiu na cama, posicionou o pau na entrada da boceta. Enfiou de uma vez.
— Aaah!
— Isso, cadela. Pede mais.
— Mais... quero mais...
O alto veio na frente, enfiou o pau na boca dela. O baixo apertava os seios, beliscava os mamilos.
— Fala que você é nossa — Rodrigo ordenou.
— Sou... sou de vocês... sempre fui...
— Fala que você é a puta nossa.
Ela hesitou. Apenas um segundo. Mas hesitou. Olhou para mim, e nos olhos dela havia um pedido de desculpas.
— Sou... sou a puta dos valentões do meu irmão...
— Goza.
— Aaah!
O moreno gozou dentro da boceta. O alto gozou na boca dela. O baixo gozou nos seios.
— Troca — Rodrigo disse.
O moreno saiu. O alto entrou na boceta. O baixo entrou no cu. O moreno na boca. Recomeçaram.
E o tempo passou. Dez minutos. Vinte. Trinta. Uma hora. Duas horas. Eles não paravam. Os paus entravam e saíam, os orgasmos vinham e iam. Luíza já não sabia mais quantas vezes tinha gozado. A boca babava. Os olhos revirados. A buceta escorrendo. O cu escorrendo.
— Aaah! Aaah! Aaah!
— Goza, cadela!
— Aaah! Gozei! Gozei!
— Mais.
— Não... não aguento mais... por favor...
— Agüenta. Você aguenta. Você é forte.
O moreno enfiou mais fundo. O alto acelerou no cu. O baixo empurrou na boca.
— Aaah! Aaah! Aaah!
— Goza!
— Aaah!
Ela gozou. Gritou. Chorou. Riu. Não sabia mais o que fazia. O corpo tremia sem parar, os espasmos se sucedendo, os jatos escapando, molhando o lençol, as pernas, tudo. E entre os gemidos, entre os espasmos, ela murmurava:
— Sou... sou a puta de vocês... a cadela de vocês... o buraco de vocês... mas eu também sou outra coisa... eu também sou a Luíza...
— Cala a boca — Rodrigo ordenou. — Você é o que a gente quiser.
— Eu... eu...
— Goza.
— Aaah!
O moreno gozou dentro da boceta. O alto gozou no cu. O baixo gozou na boca. Luíza engoliu tudo. O corpo se contraiu, os jatos escaparam.
— Aaah! Aaah! Aaah!
O último orgasmo veio fraco, quase um soluço. O corpo se contraiu uma última vez. Depois, o silêncio. Apenas a respiração ofegante.
Os quatro se vestiram. Pegaram as coisas. Rodrigo foi o último. Parou ao lado da cama, olhou para ela.
— Até a próxima, cadela.
Ela não respondeu. Estava imóvel, os olhos fixos no teto. As lágrimas escorriam sem parar, mas ela não fazia nenhum som.
A porta fechou.
Eu fiquei ali. Sozinho. No chão frio do corredor. Olhando para ela.
— Lu... — chamei, baixinho.
Ela se virou para mim. O movimento foi difícil, doloroso. Mas ela se virou. E nos olhos dela havia algo que eu nunca tinha visto. Não era só vergonha. Não era só dor. Era um vazio. Um vazio imenso, como se algo dentro dela tivesse sido arrancado.
— Pedro... — a voz era um fio. — Você ainda me ama?
— Claro que amo, Lu. Você é minha irmã.
— Mesmo depois disso?
— Mesmo depois de tudo.
Ela fechou os olhos. Mais lágrimas escorreram.
— Então me solta. Me solta dessas cordas. Me ajuda.
Eu me levantei, fui até a cama. As cordas estavam apertadas, os nós difíceis. Meus dedos tremiam, mas consegui desfazê-los. Quando o último nó cedeu, Luíza se enrolou como um feto, as mãos cobrindo o rosto.
— Obrigada — ela sussurrou. — Obrigada, minh... Pedrinho.
— Lu... por que você fez isso? Por que deixou eles fazerem isso?
Ela não respondeu por muito tempo. Depois, num sussurro tão baixo que eu quase não ouvi:
— Porque no começo eu não tive escolha. E depois... depois eu achei que merecia. Achei que era só isso que eu era.
— Você não é só isso, Lu. Você é muito mais.
Ela me olhou. Os olhos ainda estavam vazios, mas havia uma fagulha ali. Uma fagulha pequena, frágil. Uma fagulha de esperança.
— Você acha?
— Eu sei.
Ela estendeu a mão. Eu segurei. E ficamos ali, no quarto escuro, enquanto a noite lá fora ia ficando mais funda. Dois irmãos. Duas pessoas quebradas. Mas ainda juntos. Ainda de pé.
NOTA DO AUTOR:
QUEM QUISER DAR UMA CONVERSADA E/OU VER FOTOS DOS PERSONAGENS NAS SITUAÇÕES DOS CONTOS, MINHAS REDES ABAIXO. SÓ ME MANDAR MENSAGEM QUE TAMBÉM FAÇO IMAGENS PERSONALIZADAS DOS PERSONAGENS NAS SITUAÇÕES DESCRITAS NOS CONTOS. ELAS ESTÃO ME DANDO MUITO TRABALHO PRA FAZER E TO PENSANDO EM ABRIR UM GRUPO NO TELEGRAM CASO HAJA INTERESSE DE VOCÊS ONDE POSSO POSTAR CAPITULOS EXTRAS DOS CONTOS OU CAPÍTULOS ADIATADOS AO SITE.
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