Os Dois Submissos Daquele Cara – Uma grande lição – Parte 2 de 2

Da série Aquele Cara
Um conto erótico de Tales
Categoria: Homossexual
Contém 4455 palavras
Data: 05/05/2026 19:24:47
Última revisão: 05/05/2026 19:26:18

Boa noite pessoal! Segue a parte 2 finalizando essa parte. Dia 12 de maio, por volta das 19:00h posto mais um conto. Agradeço a todos que acompanham e sempre conto com suas dicas, comentários e avaliações. Dentro do que é possivel na narrativa, adiciono o que vocês pedem.

Os Dois Submissos Daquele Cara – Uma grande lição – Parte 2 de 2

Eu estava com a mesma roupa. A sandália molhada havia secado e o chulé de fato havia aparecido. Ao menos estava do jeito que ele gostava e talvez isso ajudasse a conter a irritação dele. De fato ter ido embora daquele jeito ficou bem claro que fui embora por conta das provocações do Fernando. Talvez eu tenha deixado o Renan um pouco constrangido com os amigos dele.

Cheguei na casa do Renan por volta das seis horas da tarde. O tempo estava bem fechado, com um céu escuro e cheio de nuvens carregadas. Estava frio e ventava muito. Quando entrei na cozinha ele estava sentado na cadeira mexendo no celular. Ele usava apenas de short azul escuro de jogar bola. A imponência dele sempre me surpreendia. Mesmo distraído, olhando o celular, ele impunha respeito.

Fiquei um tempo na porta esperando ele falar algo, mas ele apenas me olhou, logo notou que estava vestido do jeito que ele mandou.

- Tira o cinto e guarda no bolso da calça – disse ele jogando a chave. - O Fernando está aqui e eu não confio nele.

Peguei a chave do cinto, tive um misto de sentimentos. O que aquela praga estava fazendo aqui? Não me diga que ia ter de dividir o Renan com ele. Não é possível... minhas reclamações mentais foram interrompidas com o Renan puxando a ponta do cinto de couro dobrado ao meio. O plaft sonoro inundou a cozinha.

- Rápido!

Tirei o cinto e coloquei no bolso, logo tirei toda a roupa, ficando nu. O cheiro de sebo do meu pau subiu quando tirei o cinto. Olhei para Renan e ele segurava o cinto dobrado em uma das mãos. Senti um frio na barriga na hora. Sabia que ia dar merda não voltado para a porra da mesa. Se tivesse voltado não estava nessa situação.

- Fernando! - chamou Renan alto, com aquele timbre de voz grosso dele.

Fenando veio até nós. Ele estava pelado. O corpo dele era muito bonito, não tem como negar. Ele tinha algo em torno de um metro e oitenta de altura, sua pele era branca e o corpo era liso, sem pelo algum, com músculos bem definidos, mas nada exagerado. O rosto lindo, como disse anteriormente. O pau mole entre as pernas não era tão grande quanto imaginei, mas era um tamanho talvez acima da média. Não havia qualquer pelo no corpo dele, nem mesmo no saco.

Olhei para ele meio irritado, as bochechas corando.

- Que rola pequena – disse ele debochando.

- Cala a boca – disse Renan virando a mão na cara dele. As costas da mão bateram bem no rosto dele. - Você só abre a boca quando eu falar com você.

- Sim senhor – disse Fernando baixando a cabeça.

Tanto eu quanto Fernando ficamos de pau duro. E sim… o pau dele era cima da média. Uns dezenove centímetros talvez.

- O que eu te disse? Hein? - perguntou Renan para mim. Inicialmente fiquei confuso, mas logo respondi.

- Mandou eu voltar para o bar – respondi baixando a cabeça.

- E por qual motivo não voltou? - perguntou Renan.

- Fiquei irritado – disse para ele, sustentando o olhar.

- Por quê?

- Porque deixou uma pessoa me ofender – disse para Renan. Eu já estava fudido mesmo, então ia falar o que estava sentindo. - Quando disse que me amava não disse que ia cuidar de mim? Como deixa um estranho me humilhar na frente dos outros? – disse de maneira firme, fazendo questão de falar ele me amava para deixar o Fernando irritado já que ele tanto tinha ciúmes como eu.

- E por que achou que eu não faria nada? - questionou Renan ainda sentado.

- O senhor fez? - perguntei arqueando uma sobrancelha. - Eu não vi.

O semblante dele mudou levemente de indiferença para desagrado.

- Que desaforado – disse Fernando achando graça.

- Como sempre estressado, agindo por impulso – disse Renan sério. - E cada resposta parece estar na ponta da língua – ele deu uma pausa sério olhando fundo nos meus olhos. O olhar penetrante dele me fez baixar a cabeça. - Desde o dia que te conheci, basta uma coisa não ficar do seu agrado que você fica estressado… sai dando resposta e patada para todo lado, isso quando não é sarcástico.

- Não e qualquer coisa…

Renan apenas manteve o olhar e eu fiquei calado, baixando o rosto novamente.

- O Fernando vai igualmente ter um castigo pelas besteiras que ele falou sobre você – disse Renan se levantando. - Agora Fernando, veja como eu trato um submisso quando ele age de forma desrespeitosa.

Fernando cruzou os braços na altura do peito com um sorriso mesquinho no rosto.

- Isso vai ser interessante…

O cinto bateu forte no meio do peito dele. Ele deu um salto no susto. O vergão apareceu no local da batida.

- Você só fala quando eu te chamar – disse Renan.

Fernando passou a mão onde o cinto bateu, um nítido desagrado no rosto.

- Sim, senhor – disse ele acariciando o local da cintada.

- Vira para a parede – ordenou Renan para mim.

Virei, encostando o peito e o rosto suado no azulejo frio. Renan me olhou de costas, o olho na minha bunda. Eu conhecia aquele olhar, era o olhar quem queria me enrabar até eu não conseguir aguentar. O pau dele já esta duro no short. Mas não, ele ia me bater somente...

- É dessa forma que funciona Fernando, parece que você ainda não aprendeu – disse Renan estalando o cinto nas minhas costas. O cinto bateu na região das escápulas, o ardor da cintada propagou pelas costas. A cintada foi forte, do jeito que meu dono sempre faz quando quer me castigar. Logo ele deu outra e mais e mais outra, agora na bunda. - Submisso meu tem que ser disciplinado. Esse aqui é bastante, faz tudo que eu mando, mudou praticamente a vida toda dele toda conforme a minha vontade – disse ele dando outra cintada bem no meio das costas, fazendo eu me contorcer. - Mas é cabeça dura e mesmo apanhando não aprende. É respondão e estressa muito fácil – disse dando outra cintada na minha bunda. O local que o cinto bateu ardeu e o ardor se espalhou. Dei uma gemida e tentei sair. – volta!

Voltei para a mesma posição e levei outra cintada, dessa vez mais forte que a anterior, e levei outra, e outra e Renan logo começou a dar varias cintadas, uma atrás da outra, com a mesma forma das anteriores. Eu saltei na hora e coloquei a mão na frente da bunda e o cinto bateu umas duas vezes no meu antebraço.

- Tira do braço daí, volta para a sua posição e aguenta calado – ordenou Renan com o autoritarismo de sempre. - Coloca as duas palmas das mãos na parede, acima da sua cabeça. Você vai apanhar e vai doer – disse ele enquanto eu colocava as mãos na parede fria acima da minha cabeça. - E eu não quero um pio, um gemido. Aguenta calado igual homem!

- Sim, senhor.

Renan deu outra cintada forte nas costas, e depois um nas pernas e depois voltou a dar várias cintadas na bunda e nas costas. Na mesma hora forcei e aguentei firme. Renan bateu sem dó.

- Já passamos dessa fase que você duvidar de mim – disse Renan, e agora a voz dele estava irritada. - Não é por você ter ido embora, é por achar que eu não iria te defender – disse Renan batendo mais forte ainda, as cintadas pegando nas pernas, nos braços, nas costas. - Eu não aceito você duvidar de mim?

Cada cintada meu corpo ardia mais, ele tava batendo com força.

- Desculpa – disse virando para me defender, levantei a perna em uma posição de defesa e a mão dele bateu no meu rosto.

- Vira…

- Eu não estou aguentando mais.

Outra tão na cara.

- Vira, agora!

Virei.

- Vai apanhar até eu achar que deve – disse ele voltando a bater, tão forte quanto antes.

Eu sai novamente, Renan me puxou, me fez ajoelhar, logo ele pressionou o meu rosto no pau duro dele e voltou a bater novamente, o cinto estalando nas minhas costas.

- Agora vai apanhar mais para aprender – disse ele batendo rápido. - E se colocar a mão na frente do eu amarro as suas mãos.

Ajoelhado aguentei as cintadas dele, o cinto batendo com força e sem parar. Minhas costas e minha bunda ficaram roxas. Depois da surra até fiquei fraco.

- Nunca mais duvide de mim – disse Renan. Olhei para cima e ele me olhava sério. - Eu nunca vou deixar qualquer coisa acontecer com você e nunca vou permitir que alguém te trate mal, NUNCA!

- Sim senhor – disse ajoelhado no chão da cozinha. Nunca havia apanhado daquele jeito. - Me desculpe...

- De pé – disse Renan ainda segurando o cinto. - Quero a cozinha arrumada, banheiro lavado e a casa varrida – disse Renan indo para o quarto. - Depois ajoelha ao lado da cama enquanto eu e Fernando conversamos. Não demora – disse ele entrando no quarto, Fernando logo atrás dele.

Levantei meio zonzo. Estava doendo de mais as costas e a bunda. Encostei as costas na parede fria para amenizar a ardência. Aquilo foi reconfortante e ao mesmo tempo, doloroso. Meu pau estava duro e babando. Olhei desanimado para a pia. Essa surra foi pesada. Sentei um pouco na cadeira respirando fundo.

Havia escurecido e ventava bastante, a chuva ameaçava mas não vinha. Logo me levantei e segui as próximas duas horas fazendo tudo que Renan mandou. A casa na verdade não estava muito suja. Apesar de porquinho meu dono não era desorganizado.

Por volta das oito horas eu acabei de lavar o banheiro. Quase bati uma escondido, mas repensei: e se ele perguntasse? Eu sou péssimo com mentiras. Assim que terminei aproveitei para tomar um banho. A surra foi pesada mesmo, tudo dolorido e muito roxo quando olhei no espelho do banheiro. Ficaram vários hematomas nas costas e na bunda. Quando passei o sabonete durante o banho senti as marcas latejarem doloridas.

Respirei fundo e audível enquanto a água quente caia. Lavei meu pau fedido e cheio de sebo, agora ele estava limpo. Puxei a pele para ver se restou algum sebinho. Porra, estava gostando do cheiro fedido dele. Que merda.

Saí do banho e fui para quarto enrolado na toalha. Entrei e vi que Renan e Fernando conversavam, aparentemente ficaram um bom tempo falando de outros assuntos e somente agora o assunto voltou para a dominação e submissão.

Agora havia começado a garoar. Ao fundo era possível ouvir alguns trovões, bem distantes. O quarto estava com a luz apagada, apenas a luminosidade da noite entrava. Meus olhos se acostumaram a baixa claridade assim que entrei.

Além de pouca luz o quarto estava frio e, sendo bem honesto com vocês, estava com uma energia carregada, meio pesada. Me pareceu um lugar que eu não queria estar. Não estar onde o Renan está é raro de acontecer. Acho que isso vinha do Fernando. Ele me passava uma aura de pessoa ruim, negativa.

Respirei fundo.

- Não consigo entender o motivo disso – reclamou Fernando.

- As coisas não funcionam dessa forma Fernando – disse Renan sentado na beira da cama. Fernando estava ajoelhado, aparentemente estava cheirando e lambendo os pés dele.

- Mas o senhor nem reconsiderou – disse ele ajoelhado cheirando os pés do Renan.

- Não tem o que reconsiderar Fernando – disse Renan irredutível. - As chances de eu cogitar isso é zero.

- Perdeu a confiança em mim? - perguntou Fernando súplica.

- Fernando, eu disse que acabou esse assunto – disse Renan me olhando quando entrei.

Ver o Fernando naquela posição me trouxe alguns sentimentos… impotência foi o maior dele. Eu tinha que me sujeitar… quanta humilhação. Meu olhar duro ficou estático em Fernando.

- Nem um beijo… nem um carinho… o máximo que me deixa fazer é lamber seus pés – disse Fernando.

- Fernando eu já disse para calar a boca – disse Renan mudando o tom de voz, Fernando encolheu quando ele disse.

Entrei no quarto e quando fui me ajoelhar, como Renan havia mandado, ele me chamou.

- Deixa eu ver essas marcas – disse Renan me avaliando. Fui até ele e passou a mão calejada nas minhas costas, sentindo os locais onde os hematomas eram mais visíveis. Eu gemi um pouco quando a mão dele passou onde mais ardia. - Aprendeu a lição?

- Aprendi, senhor – disse para ele.

- E qual é?

- Confiar no senhor – disse para Renan. - Sempre vai cuidar de mim, independente do que aconteça.

- Ótimo – disse ele me puxando para um beijo.

O beijo dele foi suave, porém gostoso como sempre. A saliva dele sempre parecia salgada e bastava ele me beijar para meu pau subir. Sem o cinto o meu pau cutucou ele, tirando ele do beijo e olhando. O olhar de desagrado dessa vez não era culpa minha, foi ordem dele tirar o cinto.

- Você beija ele?! - perguntou Fernando estarrecido.

Eu e Renan olhamos para Fernando. Eu estava de pé, Renan estava sentado na beira da cama me abraçando pela cintura e Fernando estava ajoelhado.

- Sim… beijo dele é doce e muito bom – disse Renan e até mesmo eu fiquei surpreso com a informação. Meu beijo era doce!?

- Está de brincadeira comigo né, porra! - disse Fernando levantando.

Renan não se moveu.

- Você beija ele? Ele?! - disse apontando para mim. - E não me beija, e me nega qualquer tipo de cuidado e carinho.

- Você não merece – disse Renan calmo, mas o olhar frio dele era um alerta. Aquele olhar do Renan era o olhar de que é melhor você se calar ou a coisa vai mudar de cenário.

- E o que ele fez para merecer? - disse Fernando quase gritando. - Eu sou seu submisso, te servi por muito tempo…

- Fernando eu não vou falar novamente… - advertiu Renan.

- Eu – disse ele apontando o dedo para o peito. - Eu...

Renan levantou da cama irritado, na hora recuei. Ele pegou a sandália do chão e puxou Fernando pelo cabelo. Logo deu uma lapada com sandália bem na cintura dele. A sandália bateu com tanta força que ficou a marca do solado nas costas dele. Depois ele o puxou pelo cabelo novamente e deu mais uma nas costas, e depois outra na bunda, ele tentou sair novamente e Renan o puxou com força.

- Fica quieto! – disse Renan olhando nos olhos dele.

- Eu tenho ensaio essa semana, não pode marcar…

A mão do Renan estalou forte no rosto dele.

- Fodas, desmarca o ensaio.

Fernando olhou para ele engolindo seco.

Renan o jogou na cama de bruços e começou a bater nele, bem forte. E foram várias vezes que a sandália bateu nas cotas, bundas e pernas dele. Ele bateu com forçar, Fernando tentou colocar a mão na frente para não apanhar, mas Renan o segurava forte e continuava batendo.

- Para, está doendo…

Renan parou depois da última queixa dele.

- Eu vou voltar a bater, se eu ouvir a sua voz novamente, eu te quebro todo – disse Renan. Ele estava de pé, com um joelho apoiado na cama. Fernando estava de bruços com as duas mãos na frente da bunda. - Tem meses que você me procura para ser meu sub novamente e agora está arregando? Disse que em áudios e mensagens que merecia apanha e agora fica nessa frescura. Você vai apanhar muito, mas muito mesmo hoje – disse Renan segurando a sandália. Aquela sandália tinha o solado de borracha bem grosso e duro. - Está achando que eu sou otário, que vou fica mandando mensagem pra te fazer bater punheta? Agora você vai aguentar.

- Mas eu…

- Eu poderia te amordaçar, mas eu quero que você fique em silêncio – disse Renan sério. - Eu quero ver você apanhando calado porque eu mandei ficar em silêncio – disse Renan, voltando o olhar para mim. - E você ajoelhado.

Ajoelhei como Renan mandou, Fernando estava com marcas na coxa e a bunda. Ambas estavam bem vermelhas e com a marca do solado, criando algumas linhas arroxeadas em alguns pontos.

- Estamos entendidos Fernando? - questionou Fernando.

- Sim, senhor – disse Fernando tirando as mãos.

- As duas mãos na nuca, agora! – ordenou Renan.

Ele colocou as mãos na nuca.

Renan voltou a bater nele, tão forte quanto antes. As batidas com as sandálias foram rápidas, Fernando não falou nada, apenas aguentou calado enquanto a sola da sandália marcava suas costas brancas e definidas.

- Essas marcas não vão sumir por, pelo menos, duas semanas – disse Renan batendo forte nas costas dele. Se eu fosse contar acho que ele bateu mais de trinta vezes.

Fernando não dizia nada, apenas alguns gemidos baixos enchendo o quarto frio e silencioso. O rosto contorcido de dor enquanto ele aguentava calado, com medo de falar algo e piorar estava nítido no seu rosto.

- Agora vire – disse Renan.

Ele recusou e Renan o virou na cama.

- Na frente não…

A sandália bateu bem no rosto dele.

- Escuta bem uma coisa – disse Renan com o dedo apontado no meio da cara dele. - Você pode tentar fugir dessa vida, pode tentar se esconder atrás dessa prepotência sua, mas no fim você é só mais um sub, como tantos por ai. Você não tem culhão para vida Fernando, parece que ainda não entendeu isso. Se quer ser sub meu novamente vai aprender e aguentar calado. Não to batendo pra te deixar de pau duro, estou te batendo para te adestrar.

Fernando engoliu seco.

- Agora levanta e ajoelha ao lado dele – disse Renan me indicando.

Fernando se levantou meio desconcertado, a mão no rosto onde a sandália bateu. Aquela marca ali ficaria um bom tempo também. O problema é que essa era bem no rosto. Logo ele ajoelhou ao meu lado.

- Abraça ele – disse Renan. - Vou mijar nos dois.

- O que?! - perguntei incrédulo.

- Eu não vou…

Renan não disse nada, apenas olhou para Fernando..

Eu e ele nos olhamos. Fernando estava desconcertado.

- Por que isso? - questionou Fernando, insistindo.

- Agora Fernando!

Ele estava desafiando um Renan irritado. Não seria bom para ele.

- Eu não vou fazer, EU NÃO VOU! - gritou Fernando respirando fundo.

Renan não disse nada, apenas sentou-se na beirada da cama e olhou friamente para Fernando.

- Eu não vou me sujeitar a essa humilhação toda – disse ele irritado.

- Por que não? Fale o que está pensando – disse Renan calmo. - Abra o coração…

Ele respirou fundo.

- Você me trocou! – disse Fernando gritando, o semblante do rosto dele transformado em pura raiva. - Você me trocou por “ele” – disse Fernando com uma entonação carregada de raiva no “ele”.

- Eu não te troquei Fernando, você queria chamar a polícia para mim e eu perdi a confiança em você – disse Renan calmo.

- Não foi assim, eu pedi desculpas, eu implorei para você me perdoar – disse Fernando alto, o rosto contorcido de ravia. - Foi em um momento de raiva.

- Não foi o suficiente – disse Renan ainda calmo. - E eu estou avaliando ainda se compensa ser seu dominador, mas com esse comportamento seu vejo que você não tem jeito. Não é possível ter um submisso que quer mandar no dominador.

- Não é por causa disso, a culpa é dele – gritou Fernando apontando para mim. O semblante dele transformado. Aquele rosto bonito e quase angelical era puro ódio.

- Não é e nunca foi por causa dele – disse Renan com aquela calma perigosa. Fernando estava passando dos limites com Renan.

- O que ele tem que eu não tenho, hein? - perguntou Fernando quase gritando, ele apontava o dedo para mim repetidas vezes. E hoje eu entendi porque o Renan morava entre um galpão e um prédio muito alto. Era impossível ouvir o que acontecia aqui.

Renan não disse nada, apenas observou.

- O João eu entendo, ele é grande, é forte, é bonito, é influente, poderoso, ele faz parte da elite do funcionalismo público – disse ele enaltecendo João por tudo que era físico e palpável. - Eu entendo o João! Você queria um romance sem dominação, eu entendo, eu sou submisso. Eu fiquei puto, mas entendo ser trocado por alguém como o João. Agora me trocar por “ele” – disse Fernando me indicando com o dedo, gritando, o “ele” saindo com nojo e desprezo. - Um gay pobre fodido, feio, com cara de favelado…olha… olha pra ele – disse com nojo de mim. - Ele se quer é...

Renan saiu da cama num salto e pegou ele pelo pescoço com as duas mãos antes da próxima palavra sair. Eu me assustei com a velocidade que ele saltou na direção de Fernando. Renan apertou o pescoço dele com as duas mãos e Fernando começou a ficar sem ar. O rosto dele foi ficando vermelho enquanto o olhar arregalado entrava em pânico. Renan olhava para ele com um olhar frio enquanto ele olhava Renan apavorado.

Um raio iluminou repentinamente o quarto silencioso e frio.

- Renan… - chamei ele com uma mão erguida. Eu estava apavorado com a situação.

Renan apenas me olhou de cima. Mais um raio iluminou o quarto criando sombras difusas no chão e nas paredes. Naquele breve clarão vi o olhar de canto dele, os olhos azuis dele pareciam brilhar. O olhar gélido marejado de fúria.

Fernando estava ficando sem ar. O rosto ficando vermelho.

- Nunca mais – disse Renan tomado pela raiva. - NUNCA MAIS diga o que estava prestes a dizer, Fernando. Você não é melhor que ele por isso e nem melhor que qualquer outra pessoa nesse mundo – disse Renan voltando a calma. As mãos ainda apertando a garganta de Fernando.

A chuva começou a cair forte do lado de fora, criando um barulho alto na telha. O vento forte soprou a cortina para dentro do quarto e gotículas frias de água começaram a nos atingir. Fernando forçava os pés no chão tentando fugir inutilmente das mãos de Renan.

- Essa é a primeira e a última vez que eu vou te dizer isso. Nunca mais na sua vida ataque alguém que eu amo para me atingir, NUNCA! – disse Renan para ele, a voz saiu fria e controlada, mas carregada de desprezo. As mãos no pescoço de Fernando enquanto o rosto ficava cada vez mais vermelho. - Eu achei que você tinha mudado, mas não. Piorou!

- Sabe por que eu te larguei? - perguntou Renan. - Eu te larguei porque você é um covarde, um preconceituoso desgraçado. Você humilha, ofende, trata as pessoas com base na aparência e no status dela. Isso veio muito antes do João, muito antes. Eu tinha vergonha de sair com você, medo de você abrir a boca e falar besteira. Além de você ser insuportável e ninguém gostar da sua companhia. Você pode ser bonito, talvez seja a pessoa mais bonita que eu fiquei, mas por dentro você é um lixo. Um ser humano podre e totalmente esquecível.

O silêncio seguiu após as lavras dele, ele ainda apertava o pescoço de Fernando, a chuva forte caia ao lado de fora, um raio novamente iluminando o quarto repentinamente.

- Renan… você está me assustando - disse olhando apavorado para Renan apertando o pescoço de Fernando, que segurava inutilmente os punhos de Renan tentando sair. O rosto de Fernando estava cada vez mais vermelho.

- Você me dá nojo Fernando – disse Renan jogando-o no chão com força. - Quando uma pessoa parte para esse tipo de ofensa é porque ela não tem mais nada para oferecer.

Olhei a cena em choque, Fernando estava com as duas mãos no pescoço deitado no chão, os olhos arregalados e vermelhos, respirava com dificuldade enquanto grunhia. Renan se levantou e foi até a porta do quarto. Ficamos todos em silêncio ouvindo apenas o barulho da chuva fustigando as paredes e a janela. Renan ficou um tempo calado.

- Nenhum dominador sério vai querer alguém como você, por isso todos te largam e falam mal de você depois, não te suportam – disse Renan ainda na porta do quarto, de costa para nós. - No BDSM a beleza não conta tanto quanto você acredita. Um submisso que se entrega, que é leal e obediente vale muito mais que um rostinho bonito. Você não tem nada além disso, é só um rosto bonito que as pessoas usam e depois jogam fora.

Fernando olhava para ele com os olhos arregalados cheio de lágrimas, as duas mãos no pescoço, a respiração espaçada e dificultosa. Eu estava ao lado dele agachado em choque com a cena. Mais um Raio iluminou repentinamente o quarto, seguido por um trovão distante.

- Vai embora da minha casa agora! - disse Renan saindo do quarto com uma batida forte na porta.

Nunca tinha visto o Renan tão irritado com alguém. Sendo muito honesto se não o conhecesse e soubesse como era o seu autocontrole poderia pensar que ele ia estrangular o Fernando. Sabia que ele tinha um senso de proteção comigo muito forte, mas não imaginava ele partir para cima do Fernando daquele jeito.

Fernando se levantou respirando com dificuldade, ele se encostou na parede abaixo da janela. O chão estava molhando devido a chuva que caia. Ele respirava com dificuldade, as duas mãos no pescoço. Sendo muito honesto eu não soube o que fazer na hora.

Mais um clarão no quarto e um trovão alto no fundo. Chovia muito forte e estava frio dentro do quarto. Fechei a janela mas nesse ponto Fernando havia se molhado. Ele parecia processar em choque o que ocorreu: as palavras duras do Renan, a surra, a rejeição, o ciúmes, a fama de insuportável… ele colocou a mão aberta na testa respirando fundo, com dificuldade, a respiração parecia dolorosa. Ele engoliu fundo visivelmente com dor e começou a chorar.

Olhei a cena, do meu canto.

Fernando chorou alto, com dor. Uma mão na frente do rosto, a outra apertando o peito como se doesse muito. O choro era audível e doloroso, o choro de alguém que viu seu mundo desabar. O tipo de choro que vemos quando alguém perde um ente querido. Um choro de total desespero.

Fernando se encolheu no canto, tampou o rosto com as duas mãos enquanto chorava. As lágrimas caiam. Ele não sabia se respirava, se chorava, se lamentava. Um choro triste de presenciar que fez meu coração apertar no peito. Fernando parecia ter perdido uma parte dele, talvez Renan tivesse arrancado algo dele essa noite ou tivesse despedaçado ele por dentro.

Uma parte minha queria ir abraçar e afagar ele, a outra sentia que ele deveria passar por isso. Fernando parecia uma pessoa que estava se afogando e talvez estivesse mesmo. Talvez ele estava afogando na própria soberba.

Ele deitou no chão molhado do quarto chorando desesperado, a mão no peito como se quisesse arrancar o coração. O choro alto e doloroso, com fungadas audíveis, gemidos e desespero.

- Que triste… - foi a única coisa que disse antes de me levantar. Antes de sair e fechar a porta do quarto olhei uma última vez aquele homem no chão desolado, chorando em desespero, encarando a própria imundice. Talvez ele tivesse que passar por isso...

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Foto de perfil genéricaTales SantosContos: 22Seguidores: 22Seguindo: 0Mensagem Como diz um famoso filósofo francês: penso, logo fico triste. Um amante por histórias e apaixonado pela vida. Leiam, comentem, mandem sugestões. Não menos importante... meu nome não é Tales.

Comentários

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Esse foi um dos mais densos de toda série. Consegui sentir a dor do Fernando e o misto de sentimentos seu.

Seu nível de escrita é incrível! Por favor, continue escrevendo!

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