A vizinha tarada

Um conto erótico de Adriano
Categoria: Heterossexual
Contém 1886 palavras
Data: 05/05/2026 21:41:55

Sou Adriano, tenho 19 anos, músculos que não serviam pra nada além de carregar livros pesados, e uma solidão que doía fisicamente. Mudei pra fazer Engenharia. Meus pais bancavam o apartamento minúsculo e só apareciam nos fins de semana, cheios de perguntas sobre notas e planos. Durante a semana, era eu, as paredes e o silêncio.

O cheiro do café queimado era a primeira coisa que eu sentia ao acordar. Meu próprio fracasso na cozinha, uma metáfora patética da semana que tinha pela frente.

A vizinha do 302, Dona Helena, me notou antes de eu notá-la. Eu, tentando abrir a porta com três sacolas de mercado e a chave caiu. Uma voz com um timbre rouco, de quem fumou muito derby no passado, veio de cima:

“Deixa cair tudo, que é mais rápido. Pode confiar.”

Era Helena. Uns sessenta e poucos anos, cabelos curtos e grisalhos. Um robe de veludo amarrado na cintura, mas nem tão amarrado assim. Dava pra ver a renda de uma camisola por baixo. Não era uma visão de revista. Era real. Tinha rugas ao redor dos olhos, que sorriam antes da boca.

“Tô no 302. Se precisar de um sal ou de um remédio pra solidão, é só bater.”

Foi assim. Sem glamour. Ela não era uma senhora de cabelos brancos. Era uma mulher que morava sozinha, com um passado que eu só ouvia pedaços – um casamento longo, uma viuvez recente, filhos adultos em outra cidade. “Eles ligam no Natal e no meu aniversário. O resto do ano é silêncio. Aprendi a gostar dele, mas às vezes o silêncio pesa.”

Começamos a tomar café juntos. Às vezes na varanda dela, às vezes na minha. Eu levava pão de queijo. Ela fazia um café coado no filtro de pano que era a melhor coisa que eu provava desde que cheguei. A conversa era banal. O tempo, a notícia do jornal, a dificuldade absurda de Cálculo II. Ela falava de livros, de como a biblioteca municipal tinha um cheiro mofado que ela adorava. Eu falava da Camila, minha noiva do interior, e da saudade que eu sentia quando via fotos dela no celular, porque parecia que estávamos em planetas diferentes.

“Ah, o amor de jovem”, ela dizia, mexendo o café. “Tão cheio de certezas. É bonito. Cansa também.”

Havia uma ironia morna nela. Uma vez, vendo eu carregar uns livros enormes, ela comentou: “Cuidado com esses pesos, menino. Depois dos quarenta, uma hérnia é um parto pra curar. E eu tô sem planos de ter mais filhos.” Eu corava. Ela ria, um riso franco, de garganta.

Nas ausências dos meus pais, dos meus amigos, da vida que eu conhecia. Ela preenchia um vazio que era, no fundo, o medo de não dar conta. E eu, eu preenchia o quê pra ela? Companhia. Alguém pra contar a piada do jornaleiro. Alguém que ouvia a história da vez que ela foi pra Salvador em 1987.

Numa terça-feira, ocorreu um apagão. Uma chuva torrencial caiu sobre a cidade e, com um estalo, a luz foi. A escuridão no meu apartamento foi absoluta. Fui me preparar, procurar uma vela algo pra clarear a casa, quando escuto uma batida na porta.

“Adriano, filho, abra! Essa escuridão toda e a vela aqui tá com cheiro de mofo."

Ela estava na porta, com uma vela numa mão e uma garrafa de vinho barato na outra. O robe estava bem amarrado dessa vez.

“Posso passar a tempestade aqui? Meu apartamento parece um caixão assim.”

Deixei ela entrar. Sentamos no chão da sala, encostados no sofá, dividindo o vinho em copos de plástico. A conversa desfiou. Ela falou do marido, da doença longa, da solidão que veio depois. Eu falei do meu medo de fracassar, de não ser o homem que meus pais e a Camila esperavam. Em algum momento, nossas mãos se tocaram ao pegar o mesmo copo. Não afastamos.

Quando o cansaço bateu, ofereci minha cama. Ela aceitou sem cerimônia. Quando me virei pra pegar um cobertor no armário, senti sua mão no meu braço.

“Obrigada”, ela disse. E então, num movimento rápido e desajeitado – não foi suave, foi quase um choque –, ela se ergueu e me beijou. Foi um beijo seco, rápido, mais um selo do que qualquer coisa. Cheirou a vinho tinto e baunilha.

“Desculpa”, ela sussurrou, recuando, o rosto iluminado pela vela com uma expressão que era vergonha e desafio. “Foi o vinho. E o medo. Durma bem.”

Ela se enfiou na minha cama. Eu me deitei no sofá, o coração batendo descompassado. Não era tesão. Era confusão. Era o beijo de uma avó, mas os olhos dela não eram de avó quando me encararam. Passei a noite em claro.

Nos dias seguintes, um constrangimento pairou. Os cafés continuaram, mas havia uma tensão nova. Eu comecei a notar coisas que talvez sempre estivessem lá, mas que agora me cutucavam: o modo como ela arrumava o decote do vestido quando eu chegava, as piadas de duplo sentido que ficaram um pouco mais ousadas.

“Tem um conto naquele livro que te emprestei”, ela disse um dia, sem olhar para mim, passando manteiga no pão. “De uma mulher mais velha que ensina umas coisas… pra um rapaz perdido. É bem escrito. Leia.”

Eu li. E outros. Não eram contos pornográficos. Eram histórias sobre desejo e tempo, sobre toques que significavam mais do que sexo. Aquilo me perturbou. Me excitou de um jeito confuso e sujo.

A sexta-feira chegou pesada. Eu tinha bombado numa prova. A Camila tinha cancelado nossa vídeo-chamada. A solidão era um peso de chumbo. Bati na porta dela às seis da tarde.

“Entra”, ela disse, seca. A mesa tinha café e bolo simples. “Parece que o mundo acabou pra você.”

“Algo assim.”

Sentamos. O silêncio era espesso. Eu olhava para as mãos dela, veiudas, com manchas da idade, segurando a xícara. Mãos que coçavam o passado. De repente, sem planejar, a frase saiu:

“Eu li o conto.”

Ela parou. Olhou pra mim. O ar saiu dos pulmões dela num suspiro quase inaudível. “E?”

“E…”, minha voz falhou. A vergonha queimava meu rosto, mas uma coragem desesperada, filha da solidão, tomou conta. Levantei, a cadeira rangendo. “E eu não sei o que tô fazendo.”

Quando estendi a mão, estava tremendo. Toquei o rosto dela. Ela não se moveu. Seus olhos, muito sérios, vasculharam os meus.

“Adriano…”, ela disse.

Eu beijei-a. Dessa vez, não foi um selo. Fui eu quem iniciei. Foi desajeitado, meu nariz batendo no dela, meus lábios muito firmes. Ela ficou parada por um segundo que durou uma era. Então, com um som baixo na garganta, ela respondeu. Seus lábios se abriram, sua mão subiu e segurou a nuca da minha cabeça, puxando-me para baixo. O beijo ficou úmido, profundo, cheio de uma experiência que me engolia. Senti a língua dela, o sabor do café e de algo mais amargo. Meu corpo inteiro reagiu, um choque quente percorrendo-me.

Ela, ofegante. “Você não sabe o que está começando.”

“Não me importa."

Ela me levou pelo braço, não para o quarto romântico, mas para o sofá dela, largo e gasto, cheio de almofadas. As ações dela, então, foram metódicas, não lascivas. Ela desabotoou minha camisa com uma eficiência que não era sensual, era prática. Quando suas mãos – aquelas mãos que eu observava segurar xícaras – abriram minha calça e puxaram meu pau para fora, foi com uma firmeza que não admitia hesitação.

Ele estava duro, latejante, vergonhosamente exposto. Ela olhou, avaliou. Então se ajoelhou no carpete, entre minhas pernas.

O que se seguiu não foi uma performance de filme. Foi humano, estranho, intenso. Ela não “engoliu” como nos contos. Ela colocou na boca, sim, mas havia um cuidado, uma contenção. Ela parava para respirar, para ajustar a posição dos joelhos no carpete duro. “Porra, minha artrose”, murmurou uma vez, mudando de posição. Era real. Tão real que doía. A sensação, porém, era avassaladora. O calor da boca dela, a língua explorando, a visão daquela mulher de cabelos grisalhos, de olhos fechados em concentração, fazendo aquilo por mim. Mas, de algum modo, me excitava além da conta.

“Vou gozar”, avisei.

Ela não tirou. Apenas assentiu com a cabeça, continuando, mais devagar. Quando gozei. Ela tomou tudo, engoliu com tranquilidade, tossindo levemente depois. Limpou a boca com as costas da mão, sem cerimônia.

“Caramba”, ela disse, se apoiando no sofá para se levantar. “Faz tempo.”

Ela tirou o vestido. Por baixo, uma combinação de algodão, não de renda. Um corpo de mulher idosa. Seios caídos, barriga flácida, marcas do tempo em toda parte. Era a antítese de tudo que eu associara a desejo. E, no entanto, quando ela subiu em mim, babou a buceta e guiou meu pau para dentro dela – que estava incrivelmente quente e úmida –, foi a coisa mais verdadeira que eu já tinha sentido.

Ela se moveu com uma cadência lenta, cheia de pequenas pausas. “Ai, o joelho… espera.” Ajustava-se. Gemia de prazer, não de performance. Suas mãos no meu peito eram fracas. Eu a ajudava, segurando seus quadris, guiando o movimento. Era menos uma foda e mais uma colaboração contra as limitações. Quando ela gozou, foi com um tremor silencioso, um suspiro profundo, seu rosto se contraindo numa expressão de alívio intenso. Eu gozei dentro dela pouco depois, segurando-a com força, escondendo o rosto no seu pescoço, que cheirava a talco e suor.

Ficamos deitados no sofá estreito, desconfortáveis, suados. A realidade bateu: eu estava transando com uma senhora de 65 anos. A vergonha veio.

“Foi… bom”, ela disse, depois de um tempo.

“Foi”, concordei, sem saber se era verdade.

No dia seguinte, meus pais vieram. O apartamento cheio, a vida normal. Quando eles foram embora no domingo à noite, o vazio voltou com força redobrada. Na terça, eu bati à sua porta. Ela abriu, parecendo mais velha, mais cansada.

“Precisa de sal?”, ela brincou.

Entrei. Dessa vez, não houve conversa. A necessidade era grande demais. Eu a beijei contra a parede da cozinha, minhas mãos sob seu vestido. A necessidade nela também parecia diferente, mais urgente, menos contida.

“Quero de outro jeito”, ela sussurrou no meu ouvido. “Hoje.”

Na cama, ela se virou de quatro. Era uma visão íntima, não glamourosa. Eu beijei suas costas, desci. Quando minha boca se aproximou do seu ânus, ela prendeu a respiração.

“Você não precisa…”, ela começou.

“Eu quero”, interrompi. E era verdade. Era sobre posse, sobre ir aonde ninguém mais foi, sobre conhecer toda a solidão dela.

Foi lento, hesitante, sujo no sentido mais literal. Mas quando finalmente empurrei nela, com ela gemendo num misto de dor e prazer profundo, senti uma conexão deliciosa. Não era só sexo. Era dois perdidos se agarrando no escuro. Gozei dentro do cuzinho dela, e ela gozou logo depois, um gemido delicioso.

Deitados, o silêncio voltou. Ela traçava círculos no meu braço.

“Isso não tem futuro, Adriano.”

“Eu sei.”

Ela virou o rosto para mim. Na penumbra, ela parecia apenas cansada. “Obrigada. Por não me tratar como uma velha. Mesmo eu sendo uma.”

Saí antes do amanhecer. No corredor, o cheiro de café queimado do meu apartamento já invadia o hall. A vida real, insossa e solitária, me esperava. E eu sabia que, naquela cidade cinza, tinha deixado um pedaço de minha inocência no sofá gasto de uma mulher que, como eu, só queria escutar um pouco menos o peso do próprio silêncio.

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Foto de perfil genéricaByHeitorContos: 3Seguidores: 5Seguindo: 0Mensagem Sou homem, com imaginação fértil e um tesão de 20,5cm. Espero agradar muito vocês com meus contos.

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