Capítulo 1 — O Primeiro Trago

Um conto erótico de Leandro Gomes
Categoria: Gay
Contém 1752 palavras
Data: 06/05/2026 00:40:09

Não sei dizer se cadeia esfria homem ou se só faz a gente lembrar com mais nitidez daquilo que queimou fundo demais pra morrer, porque tem noite aqui dentro, nessas paredes úmidas onde o concreto sua mais que muito condenado, em que eu fecho os olhos e ainda sinto o cheiro dele misturado ao cheiro do couro caro dos bancos do carro importado, à erva boa queimando devagar entre nossos dedos, como se Alfredo Lima ainda existisse em algum canto da cidade — ou talvez só dentro dessa parte apodrecida de mim que o tempo, a polícia e a vingança de gente poderosa nunca conseguiram arrancar.

Já faz quase três anos desde que me arrancaram das ruas, da boca, do morro, da vida que eu achava que ia comandar até morrer velho ou baleado. E hoje, dentro dessa cela onde aprendi que liberdade não tem porra nenhuma a ver com espaço, eu penso mais em sair limpo dessa vida do que em voltar pro crime, porque algumas perdas mudam o homem de um jeito que nem a violência consegue mudar.

Alfredo foi minha perda. Ou minha condenação... Talvez os dois.

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Naquele tempo, metade dos anos 80, o Rio de Janeiro continuava lindo e podre como uma mulher perigosa que sorri enquanto esconde a navalha, dividido entre o brilho da Zona Sul e o sangue escorrendo silencioso pelos becos dos morros, entre a elite que fingia civilização e nós, que sobrevivíamos vendendo aquilo que eles usavam escondido pra suportar a própria hipocrisia.

Eu já era conhecido: Nandão. Nome correndo baixo em corredor de faculdade cara, em festa fechada de playboy, em viela de favela e mesa de bar onde homem poderoso fingia nunca ter me visto. Vendia maconha, cocaína, fuga.

Mas naquela época, eu com 37 anos, apesar de toda pose, dinheiro e respeito conquistado na marra, eu ainda não fazia ideia de que um garoto rico, arrogante e sufocado ia ser a única droga capaz de me destruir por dentro.

Eu ainda acreditava que meu corpo era uma espécie de armadura que a vida tinha me dado pra atravessar o mundo sem baixar a cabeça, e talvez por isso eu andasse sempre com o peito aberto, sem camisa quando dava, ou com aquelas camisas leves demais pro padrão de gente direita, deixando aparecer o que eu construí na marra — braço forte, peito forte e cheio de pelo, pele morena queimada de sol de tanto andar na rua, barriga firme de quem corre mais do que dorme, perna grossa e pesada de subir morro e fugir de tiro — porque no meu mundo aparência não era vaidade, era aviso.

Eu não era bonito do jeito que os playboy eram. Não tinha aquele ar limpo, educado, de quem cresceu aprendendo etiqueta. Minha beleza, se é que posso chamar assim hoje, vinha de outro lugar — vinha da sobrevivência, da rua, do jeito que eu olhava direto, sem pedir licença, da barba sempre feita na navalha, do corpo marcado não só por força, mas por história.

E tinha também o jeito. Porque homem não se impõe só com músculo, mas com presença também. E com silêncio e o tipo de confiança que não se aprende em faculdade nenhuma.

Mesmo com menos de 40, eu carregava no corpo e no olhar muito mais tempo de vida do que isso, e talvez tenha sido isso que chamou a atenção do Alfredo antes mesmo dele entender o que tava sentindo, porque eu não era só diferente do mundo dele… Eu era o oposto de tudo que tinham mandado ele desejar.

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Vi Alfredo pela primeira vez numa quinta-feira abafada de 1985, dentro daquele campus cheio de sobrenome importante, filho de juiz, empresário e político, onde todo mundo parecia ensaiar o próprio futuro como se a vida fosse uma peça escrita pelos pais. Ele destoava até se misturando.

Vinte e dois anos, alto, forte, bonito de um jeito quase irritante, pele clara demais pro calor do Rio, bochechas rosadas, barba ralinha e falhada, traços delicados mas ainda assim um homão da porra, daquele tipo criado sob cobrança pesada, roupas caras, relógio discreto e postura de quem aprendera cedo a nunca demonstrar fraqueza.

Mas eu vivia de farejar fraqueza. E por trás daquela arrogância toda tinha desespero.

Ele veio até mim por necessidade, embora tentasse parecer escolha.

— Você é o Nandão? Disseram que você tem coisa boa.

A voz firme, mas carregada daquele esforço típico de quem passou a vida tentando provar alguma coisa. Olhei bem pra ele antes de responder, porque certas pessoas entram na nossa história antes mesmo da gente perceber.

— Depende… tu quer coisa boa ou só quer esquecer tua vida por umas horas?

Ele sustentou meu olhar, mas eu vi. A pergunta bateu fundo.

— Não te importa... Mas talvez os dois.

Hoje eu penso que talvez tenha sido ali, naquele exato instante, que começou minha ruína. Não no primeiro toque ou no primeiro beijo. Mas naquele momento em que Alfredo Lima, herdeiro de um império social que jamais o deixaria existir por inteiro, me olhou como se eu representasse tudo que ele temia… e tudo que secretamente desejava.

Levei ele pra trás de um bloco mais vazio, onde estudante ia pra matar aula, foder ou fingir rebeldia. Acendi o baseado. Traguei e passei. Ele puxou com mais coragem que prática e tossiu bonito, o que me arrancou uma risada sincera.

— Calma, doutorzinho. Não vai engasgar não! Hahahaha!

Ele me lançou aquele olhar ferido de orgulho, mas conforme a fumaça subia entre nós, algo nele começava a ceder — não sua força, nem sua personalidade, mas aquela muralha construída por pai autoritário, sobrenome pesado e anos de repressão.

Ele relaxou os ombros, descruzou as defesas e me observou de um jeito diferente. Como homem. Não como traficante, nem como risco e nem como erro.

— Meu velho me mataria se me visse aqui fazendo isso — ele disse, com a voz já mais solta.

— Tô ligado... E tu morreria antes se ele soubesse o que tu ainda tá doido pra fazer.

Ficou um silêncio longo e denso. Aqueles silêncios que dizem mais que confissão.

Até hoje lembro da forma como ele virou o rosto lentamente na minha direção, os olhos vermelhos não só da erva, mas de uma espécie de exaustão emocional que eu conhecia bem demais.

— Você acha que me conhece?

Na época, eu sorri com a confiança burra de quem ainda não entende a dimensão do próprio destino.

— Acho que conheço tua fome.

E conhecia. Porque era igual à minha. A diferença é que eu já tinha aceitado meus monstros. Alfredo ainda passava a vida tentando enterrá-los em roupa cara, discursos corretos e expectativas familiares.

Mas aí, sem aviso prévio, Alfredo me beijou de um jeito raivoso e desesperado. Como se cada segundo reprimido desde a adolescência tivesse finalmente encontrado uma rachadura por onde escapar.

E eu? Eu beijei aquele playboy como quem invade território proibido, sentindo sua arrogância desmanchar debaixo das minhas mãos, o corpo forte tremendo mais de tesão do que de medo, e quando minhas mãos desceram no corpo dele, quando empurrei sua resistência junto com sua pose cara contra o concreto áspero daquele esconderijo universitário, percebi que ele não queria recuar. Queria cair.

E foi ali, entre fumaça, calor e culpa, que eu o possuí pela primeira vez, sentindo não só seu corpo estremecer sob o meu, mas sua vida inteira começar a sair dos trilhos enquanto eu enterrava nele muito mais que desejo — enterrava o começo do fim da mentira em que ele vivia.

Eu me abaixei, puxando sua calça até os joelhos. O pau dele — uma bela ferramenta de 20 cm, grosso, pesado, com uma curva sutil para cima, a cabeça rosinha, e um belo sacão — balançou duro no ar, e eu o engoli de uma vez. Alfredo gemeu contido com o cigarro na boca. Dei um trato naquela rolona branquinha.

Em seguida, me levantei e coloquei o meu pau pra fora. O playboyzinho me entregou o cigarro e deu um sorriso safado quando viu: 19 cm, grosso, veiúdo, saco grande também, pentelhudo, envergado pra cima e um pouco pra direita. Ele não perdeu tempo e me chupou melhor que os viado que eu já tinha fodido. No quesito felação, ele não era estudante, mas já era formado com honra.

Enquanto ele me mamava, eu molhei meus dedos com saliva e atolei dois no cuzinho dele. Ele reclamou no início, mas aí eu fui com cuidado, com mais saliva... até não aguentar e colocar ele contra a parede. Pincelei meu pau no cuzinho dele e dei uma cusparada na cabeça da minha rola. Fui metendo devagar e não foi difícil enterrar tudo. Alfredo já tava relaxado pela maconha e pelo tesão. O pau dele pulsava a cada estocada que recebia. Só segurei ele na cintura e meti sem dó, enquanto ele só pedia pra eu continuar socando.

Um calor intenso subiu pelo meu corpo, e eu suei mais do que se estivesse correndo no morro da favela ao meio-dia... O cabelo do playboy logo ficou molhado de suor também, e seu rosto ficou ainda mais avermelhado, coisa linda de se ver! Fodi aquele cuzinho por uns 10 minutos sem tirar de dentro até não aguentar mais.

— Vou gozar, doutorzinho. Quer leite no cu ou o quê?

— Goza fora!

Eu simplesmente o ignorei; não ia perder a oportunidade de leitar o cu do playboyzinho marrento. Me segurei forte nele e só continuei fodendo até fincar a rola bem no fundo quando o gozo veio... Deu pra sentir os jatos de porra enchendo o rabo dele. Minhas pernas ficaram bambas e eu me agarrei nele ainda sentindo os espasmos. Mesmo puto de raiva, Alfredo gozou em seguida, batendo punheta com meu pau ainda duro dentro dele. O safado gozou litros!

Depois, ainda ofegante, camisa desalinhada, olhar perdido entre choque e prazer, Alfredo ficou em silêncio por um tempo que pareceu eterno enquanto se limpava. Eu acendi outro baseado com dedos estranhamente menos firmes.

— Na moral… — murmurei, tentando esconder o impacto que ele já causava em mim — tu acabou de complicar tua vida, doutorzinho.

Ele me olhou, ainda desmontado, mas com aquele resto de arrogância sobrevivendo como podia.

— Acho que ela já era complicada antes.

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Hoje, olhando pra essas paredes, eu sei que naquele momento nenhum de nós fazia ideia da dimensão real daquilo. Achamos que era só sexo, só droga, só fuga da realidade. Mas não era. Era amor. Daquele tipo perigoso, desigual, impossível. Daquele tipo que destrói tudo antes de admitir o próprio nome.

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