Lá estava eu, como recitado por Chesperito em um episódio de Chaves, como um cão arrependido, com o rabo entre as pernas e o ego ferido. Tudo que eu havia construído para minha vida havia desmoronado, casamento, emprego, casa. Era tudo agora peças que não se encaixam mais no quebra-cabeça da minha vida dali em diante.
Aquele salão da rodoviária de Feira de Santana era bastante movimentado, mas o barulho das conversas, dos encontros e despedidas, carrinhos de malas indo e vindo, carros chegando e saindo, um pouco dos motores dos ônibus compunham um silêncio ensurdecedor. Eu mal conseguia ouvir meus pensamentos. As mensagens que mandei para Marco não mostravam o sinal que foram entregues, tudo isso gerava uma grande confusão em meus pensamentos. O que seria de mim dali para frente? Mas vamos entender como cheguei a esse momento.
Durante os anos da faculdade eu criei um laço muito forte com Marco. Fazíamos quase tudo juntos, sentávamos perto, saíamos sempre que era possível, mas eu nunca vi nele uma pessoa para relacionamento. Talvez por ser bem diferente dos tipos ideais que minhas amigas estabeleciam. Talvez por eu entender que ali era um lugar de passagem para mim e ele ser morador de lá. Não sei.
A vida andou, formamos, voltei para minha cidade, não tive mais contato com Marco. Mudei para uma outra cidade, um pouco maior, na Chapada Diamantina, e conheci Rey, nos casamos e tudo deu certo por quase dois anos. Depois a coisa começou a desandar, Rey era um bom marido, mas a nossa vida não andava, não evoluíamos como casal, as conquistas eram poucas e pequenas e isso estava me deixando mal.
À beira de uma depressão, arquitetei tudo para me separar, mas não podia voltar simplesmente para a casa dos meus pais. Separação nunca foi uma opção, meus pais dificilmente me aceitariam, pois entendem que o casamento é sagrado, coisas assim. Disse a Rey que faria um curso em Salvador. Falei com Mari, uma amiga dos tempos de faculdade, solteirona. Passei uns dias lá e ela ficou de me ajudar, apenas pediu para aguardar.
Mari revirou tudo o que pensou até encontrar Marco, conversou com ele e ele concordou em Mari me passar o contato dele. Assim que peguei o número do telefone dele mandei mensagem. Me apresentei, contei o que havia passado, esperei ansiosamente uma resposta, que durante todo o dia não veio.
Marco respondeu apenas dois dias depois, apenas com um “joinha”. Decidi ligar, mas ele não atendeu, duas, três tentativas e nada. Ele respondeu em texto que estava ocupado naquele momento e não poderia atender. Marco então mandou outra mensagem dizendo para eu ligar à noite. Aquilo foi um gole amargo no meu ego. Ele sabia que Rey estaria em casa à noite e eu teria de fazer a chamada com Rey em casa.
Quando deu a hora combinada, disse a Rey que ia fazer uma oração, subi no terraço e fiz a ligação, no quarto toque ele atendeu. Comece uma conversa de forma banal, perguntando como ele tava, o rumo que tinha dado à vida, e consegui entrar no assunto. Contei que tinha feito, do casamento, os sonhos e as frustrações.
Descobri que a vida dele tinha dado uma boa evolução. Formado, concursado e com negócios em paralelo. Marco tinha feito uma boa caminhada. Não sei se ele me contou isso para mostrar que deu certo, contra o que todos diziam na época da faculdade ou por apenas querer compartilhar seu relativo sucesso na vida.
Estava decidida e me separar de Rey. O plano era apenas sair de casa e pedir abrigo a Marco. Mas pedi a Mari um apoio caso o plano não desse certo. Pedi a Marco a separação, disse que sairia de casa e depois veria a questão dos papeis. No mesmo dia comprei a passagem para Salvador. Era uma sexta-feira, fui ao encontro de Mari, passamos o fim de semana juntas, fomos à praia, saímos no sábado à noite.
Acordei no domingo já organizando minhas coisas em uma mala apenas. A outra, deixei combinado com Mari que pegaria depois. Contei a ela o plano e decidi fazer outra ligação para Marco, contando a situação, eu estava separada, e sem lugar para ir. Omiti que tinha o apoio de Mari como plano B. Apenas pedi abrigo. A resposta foi curta e direta: “Tá, pode vir”’. Foi frustrante e ao mesmo tempo aliviador.
O carro que chamamos no aplicativo chegou, fomos à rodoviária. Entrei na ala de embarque e Mari voltou, foi uma despedida rápida. Tão logo entrei e o ônibus já estava na plataforma, a fila formada, me apressei em despachar a mala no bagageiro, embarquei e um mundo de coisas me veio à mente. Marco demonstrava tanto carinho por mim e eu não dei o devido valor, e agora era ele que me acolhia.
Depois de uma hora e meia, ali estava eu, no momento em que essa história começa. Sentada sozinha naquele salão frio e enorme. Uma orientação que ele havia me dado era sempre me sentar perto dos postos da polícia. Além de parecer mais seguro fica fácil de achar. Desde quando embarquei em Salvador mandei mensagens a Marco, ele não respondeu. Saindo da casa de Mari, chegando na rodoviária, entrando no ônibus, chegando na cidade, desembarcando e nem sinal de entrega da mensagem. Até que todas as mensagens aparecem com lidas de uma só vez. Ele só diz: “Me espera perto do posto da polícia”.
Alguns minutos depois Marco chega. Apenas um “Boa noite”, pegou a mala e me chamou para ir junto com ele. Algo bem diferente da moto 125 bem usada que ele tinha na faculdade nos esperava no estacionamento. Um carro que, no tempo da faculdade, nem todos os professores tinham. Ele colocou a mala no banco de trás, abriu a porta para que eu entrasse, dentro tudo muito bem arrumado, o cheiro de couro era notável.
Fomos em silêncio até o apartamento dele, que ficava em um prédio de poucos andares e sem elevador, subimos as escadas. O apartamento ficava no primeiro andar, o primeiro do piso. Marco abriu a porta, entramos e ele só disse que era pra eu ficar à vontade, me mostrou o quarto que eu deveria ficar e o banheiro.
Pedi uma toalha, de pronto ele entregou, deixando junto à porta. Enquanto a água me escorria pela pele, lavava não só o suor, mas todos os anos que se passaram desde que tinha visto Marco, ainda na faculdade. Era uma nova Nati que sairia daquele banho. Isso era uma decisão que eu estava disposta a fazer, afinal o jogo tinha se invertido.
Fui até o quarto indicado por Marco. Enquanto me vestia, dava pra ouvir o barulho do teclado do computador no espaço ao lado. Perguntei a ele onde eu poderia colocar minhas roupas. Ele veio e me mostrou um lado do guarda-roupas que estava vazio. Tomei a liberdade de vestir uma camisa dele. Sei que os homens gostam disso.
Embora Marco não seja um típico “alto”, coisa de 1,70 de altura, é o suficiente para qualquer camisa dele ser um vestido para mim. Coloquei uma calcinha de algodão, sutiã normalzinho e a camisa dele, calcei minhas havaianas e perguntei se ele queria que eu fizesse algo para comer. Ele só respondeu que não precisava se preocupar, tinha comida congelada, que bastava tirar da geladeira que depois ele ajeitava, mas se eu quisesse fazer algo que a cozinha era toda minha.
Sinceramente, eu esperava um Marco mais emotivo. Nos tempos da faculdade ele era muito apaixonado por mim, agora estava frio, seco, mas ao mesmo tempo era receptivo. Só de ele aceitar me acolher já era muito. Deveria, no mínimo, deixar a vida dele um pouco mais fácil.
Fui para a cozinha, fiz macarrão, uma salada e grelhei uma carne que já estava temperada. Fiz os pratos, coloquei na mesa e fui até ele e vi o que ele fazia. Mexia numas fotos de carros antigos. Cheguei por trás, o abracei pelos ombros e disse: “Hei, não precisa trabalhar tanto”. Marco se virou, com o sorriso de canto e um olhar que dizia: “Não sabe da missa a metade”.
Ele ficou sem palavras quando me viu usando uma camisa dele. O levei até a sala e mostrei a mesa, ele agradeceu. Começamos a comer, conversamos bastante, Nem voltou para o computador. Eu, aparentemente, tinha quebrado o gelo do homem. Mas ainda faltava um ponto. E era um passo mais arriscado, porém necessário.
Perguntei a ele se poderia dormir naquele quarto. Ele disse que sim. Agradeci. Ele foi para onde ficava o computador, puxou uma parte do sofá e se deitou para dormir. Pouco tempo depois fui até ele e disse que não era justo ele ficar lá e eu na cama. Marco então respondeu que ele normalmente dormia lá, e quase não usava a cama. Voltei para o quarto. E lá fui eu alguns minutos depois até ele, dizer que não tava conseguindo dormir, e pedi para ficar lá com ele, que de pronto me recebeu e fiquei bem junta dele, quase em uma conchinha.
Acordei antes dele, fiz café, deixei uma toalha no banheiro e fui acordá-lo. Enquanto ele se banhava, deixei uma roupa pronta para ele usar e preparei a mesa. Tomamos café juntos e Marco foi trabalhar. Como desde quando cheguei ali, usava uma camisa dele, como forma de mostrar ao que estava disposta, mas ele parecia não abaixar a guarda. Passei aquela manhã dividindo minha atenção entre preparar um almoço decente e pensar novas estratégias de quebrar a aparente frieza daquele homem.
Li algumas coisas a respeito, busquei informações na internet, liguei para algumas amigas. A manhã passou que só percebi quando senti a fechadura da porta principal girar e Marco entrar pela sala. Nem precisa contar que senti todo o meu mundo desabar naquele momento. Não tinha terminado o almoço, em uma hora ele teria de voltar ao trabalho e não daria tempo preparar nada além de miojo.
Pedi desculpas em um tom desesperado, quase me ajoelhando no meio da sala. Marco olhou sem falar nada, apenas pôs a mão em minha cabeça e disse que não havia problema. Caminhou até o quarto, deixou a bolsa que usa para o trabalho, pegou uma toalha e foi se banhar. Deixou a porta aberta.
Ouvi o barulho do chuveiro e me aproximei. Abri mais a porta, me aproximei do vidro e pedi desculpas novamente. Antes que ele respondesse, passei para a parte de dentro do box, já sem roupa, o abracei. Fiquei nas pontas dos pés tentando alcança-lo, foi quando ele abaixou a cabeça, para me alcançar. Nos beijamos, começou devagar, lento, mas fui ganhando confiança. Me pendurei nele pelo pescoço e os beijos continuaram. A água quente nos deixou excitados e fez crescer em mim uma vontade forte como nunca havia sentido. Queria Marco dentro de mim.
Durante o banho não rolou nada além de beijos. Assim que terminamos, tratei de me secar bem rápido enquanto Marco arrumava as “coisas de banho” na prateleira que ficava dentro do box do chuveiro. Logo retornei com uma toalha seca, comecei a secar seu corpo, em uma condição de submissão, fui alternando entre a toalha e beijos. Primeiro sequei os braços, depois o peito, a barriga, fui até as pernas, e as sequei também. Foi a deixa que eu precisava.
Senti seu membro a poucos centímetros do meu rosto, de longe um dos mais imponentes que eu já vi. O de Rey não chegava nem perto, era maior, mais grosso, mais firme. Peguei com as duas mãos, segurava, olhava e, sem nem pensar comecei a colocar aquilo na boca. Primeiro coloquei a cabeça. Em seguida fui tentando colocar mais, memso sem jeito. Talvez por estar nervosa em agradar Marco, talvez por não ter assimilado o seu tamanho, ou porque com Rey era bem raro acontecer algo para além de uma penetração seca e rápida.
Logo fui pegando jeito, passava a língua, ia dando o meu melhor e, quando olhava para cima, via Marco olhando pra mim com cara de quem está amando tudo aquilo. Mesmo engasgando eu fazia questão de engolir o máximo que desse. Ao memso tempo ia fazendo carinho com as mãos nas bolas dele, até que senti que ele ia explodir em gozo. Parei, olhei para ele e disse: Agora não. E ele assentiu, balançando a cabeça afirmativamente com os olhos fechados.
Fui até a cama, pedi a ele que se deitasse, chupei mais um pouco e fui por cima dele, até que tivesse um encaixe. Deixei a gravidade cuidar do resto, embora meu corpo não tivesse ainda pronto para aquele momento. Foi mais pela vontade do que por capacidade. Aquela penetração literalmente me rasgava, não só nas entranhas do meu corpo mas da minha alma também. Um misto de sentimentos vinha à minha cabeça naquele momento, mas não era mais a minha mente que controlava a situação. Eu só queria dar satisfação àquele homem.
Com um certo esforço consegui um bom ritmo, embora, nem de longe, eu conseguia receber todo o membro de Marco. Deixei acontecer, fui estabelecendo um ritmo que logo foi ganhando força e ia entrando pouco a pouco, embora com um desconforto que vinha daquela dor sufocada pela vontade. Eu tentava beijá-lo na boca, mas a nossa diferença de altura impedia, então, contentava-me em beijar seu peito, seus ombros. Nem sei quantas vezes eu gozei naquele momento. Foi então que senti que era a vez dele gozar.
Eu precisava que aquele fosse um momento simbólico. Uma assinatura dele em mim. Ajoelhada no chão do quarto, comecei a chupá-lo novamente, agora com mais força com mais vontade. Foi quando senti o primeiro jato. Era um gozo forte, espesso, quente. Fiz questão de engolir uma parte, a outra deixei que vazasse, de modo a marcar meu queixo e cair pelos meus seios. Fiz questão de espalhar pela pele, para que ficasse com o cheiro dele. Para eu me lembrar que agora tinha um dono.
Terminei de limpar Marco, tirando com a boca os resquícios de gozo que ainda estavam nele. Perguntei o que ele queria comer e ele, como sempre, disse que o que eu fizesse estava bom. Fiz uma coisa rápida, um macarrão ao dente e grelhei uma carne, uma salada de alface e tomates e depois de comer, ficamos assistindo TV e depois caímos no sono.