DANI

Um conto erótico de Vicente Braga
Categoria: Heterossexual
Contém 3249 palavras
Data: 07/05/2026 21:49:56
Última revisão: 07/05/2026 21:53:00

Bastava ela passar pelo corredor que metade dos homens esquecia o que estava fazendo. Já a ala feminina tratava a moça como ameaça nuclear. Viviam cochichando pelos cantos, caçando defeito onde claramente não tinha. Falavam das roupas curtas, do sorriso fácil, do jeito provocante.

Besteira. Inveja de quem perdeu a plateia.

A verdade é que, naquele corpo, até o básico chamava atenção.

Segunda-feira.

Cheguei na empresa e o saguão já estava um inferno. Dois elevadores parados. Todo mundo se espremendo no único que ainda funcionava. Quando abriu um espacinho, entrei. Fiquei prensado perto da porta, esmagado no meio da galera.

Então, unhas delicadas pintadas de vermelho atravessaram o sensor.

A porta abriu de novo.

Era ela. Vestido leve, curto, roçando nas coxas. Salto alto.

Soltou um sorrisinho rápido e se encaixou justo ali, entre mim e a porta. O tecido fino raspou na minha calça. Meu pau reagiu na hora. Tentei recuar, mas não existia espaço. Me restou encarar o nada, evitando olhar pra qualquer um.

No terceiro andar, o elevador parou num tranco seco e a luz apagou. No susto, minha mão foi parar na curva da cintura dela.

A luz de emergência acendeu. Fraca. Amarelada. Tudo ganhou aquele tom quente de lugar abafado. No instante seguinte, o elevador voltou a subir, mais lento.

O calor do corpo dela atravessava o vestido fino. Meu polegar deslizou devagar pela lateral da cintura.

— Qualquer dia esse elevador para de vez — murmurei.

Ela virou o rosto com um sorriso de canto. Prendeu o cabelo de lado, deixando o pescoço exposto.

— Vai mesmo… — respondeu baixo, perto demais. — Mas a gente também abusa dele, né?

E olha… não sei se foi o balanço daquela lata velha, mas ela veio mais pra trás, encostando de leve.

— Você não é a novata do Financeiro?

Fingi que não sabia. Só pra puxar assunto.

— Nem tão nova. Já tenho quase três meses aqui. O tempo voa.

Se ajeitou outra vez.

Subiu um pouco… depois desceu devagar contra mim.

— Ah… então é você que anda reprovando meus orçamentos.

Ela sorriu.

— Você é o Carlos Seixas, chefe do CPD, não é?

— Isso mesmo.

Apertei a cintura dela, trazendo mais pra perto.

— Sou muito amiga da Ritinha. Ela fala bastante de você.

Aquilo me pegou desprevenido. Ritinha é uma estagiária do RH que ando comendo faz um mês. Novinha. Uma gracinha.

— Pelo jeito fala mal, né?

— Não. Pelo contrário. Diz que você é muito competente.

Sorri. Ficamos um instante em silêncio.

— E o seu nome é…

Claro que eu já sabia. Mas tenho uma regra. Nunca pareça estar desesperado por mulher nenhuma. Elas sentem isso na hora.

— Dan… Dani. Todos me conhecem assim.

Minha mão já deslizava pela frente do corpo dela, quase entrando por baixo do vestido, quando segurou meu pulso.

— Me paga um café qualquer dia desses. Quem sabe eu não penso com carinho no seu orçamento.

Foda.

Elas também sabem jogar.

As portas abriram no quinto andar. Ela saiu e eu fui junto, dando espaço pro pessoal passar. Parei de lado, segurando o sensor com o braço esticado.

— Você fica no oitavo, né?

— Isso. Pelo jeito você sabe bastante sobre mim.

— Só o mais importante — respondeu, olhando direto pro volume na minha calça.

Caralho… ela sabe mesmo provocar.

— Depois pede pra alguém ver meu computador. Tá uma carroça. O menino que veio semana passada não resolveu.

— Acho que temos alguma coisa pra negociar então.

O olhar dela desceu outra vez.

— Parece que sim. Traz seu orçamento. Vou analisar com carinho.

Mordeu o lábio segurando o riso e saiu andando.

Fiquei olhando aquele vestido balançando no corredor, curto demais pra deixar minha cabeça em paz.

Deixei o elevador subir sozinho. Fui de escada. Precisava esfriar a cabeça.

Quando cheguei no departamento, Mathias estava de conversa com dois caras do Financeiro e o João, do Jurídico.

— A vida de vocês tá fácil, hein? Já tão falando da mulher do Maurício de novo? Eu já não mandei parar com essa merda?

— Não, chefe… — respondeu Mathias, o Nelson Rubens do setor. — O papo agora é a novata do Financeiro. Gatinha… né? Parece uma indiazinha.

— E qual o problema? Nunca viram mulher bonita?

Mathias segurou o riso.

— Mulher nada, chefe. É traveco.

Já iam cair na gargalhada, mas minha cara matou a animação na hora.

— Como assim? — perguntei seco. — Que porra é essa?

João abriu aquele sorriso torto de quem tava louco pra contar fofoca. Aquilo só podia ter vindo dele mesmo. O desgraçado era pegador. Andava comendo a mulher do coitado do Maurício, o próprio chefe. Foda.

Antes de começar, soltou aquela risadinha debochada.

— Dessa vez me fodi, Carlão. Ontem teve despedida do Bernardo lá no bar do Osvaldo. Aliás, por que você não foi? Enfim… a Dani apareceu. Puta merda… tava uma delícia. Saia jeans curtinha, aqueles coxão… Cheguei junto. E ela tava dando moral.

Desgraçado… Fiquei ouvindo aquilo com um negócio estranho apertando o peito. Ridículo. Afinal, tinha sido só uma encoxada no elevador. Não era a primeira da vida. Nem ia ser a última.

— Aí levei pros fundos do bar. Beijo daqui, mão dali… quando enfiei a mão por baixo da saia… — ele soltou uma risada sem acreditar. — Caralho, Carlão… quase caí pra trás. Uma puta de uma rola!

O Mathias balançou a cabeça rindo.

— Pior que gata, com cabelão preto, olho puxadinho… qualquer um cai.

— Mulher de pau não dá, né Mathias? — cortou um dos caras do Financeiro. — Pelo jeito cê tá doidinho pra testar.

Os idiotas começaram a rir outra vez.

— Lá no setor tá todo mundo maluco nela — disse o outro. — O Tadeu tá até apaixonadinho. Leva bombom quase todo dia pra boneca.

Gargalhada de novo.

Menos eu.

Passei a mão no rosto e respirei fundo.

— Vocês são um bando de idiotas. Vão trabalhar. E não quero ninguém falando dela aqui. Fui claro?

O pessoal foi se dispersando.

Sentei na cadeira e tentei me concentrar no serviço, mas minha cabeça não desgrudava daquilo.

— Merda…

Falei baixo, esfregando o queixo.

E, pior que a confusão na cabeça… era o corpo reagindo sozinho. Bastava lembrar do perfume. Do calor dela no elevador. Daquele quadril encostando em mim pro pau ficar duro igual um adolescente.

Não consegui nem dormir direito aquela noite.

Fui pra cima da minha mulher com força, sem dó. Aos 57 anos, modéstia à parte, ainda dou conta do recado. No meio do sexo, ela gemeu meu nome, arfando, perguntou de onde tava vindo tanta inspiração.

— Eu gosto é de buceta porra! — quase soltei em voz alta.

Era fato. Eu não conseguia tirar a Dani da cabeça nem por um segundo. Cada estocada… era nela que eu pensava.

Na manhã seguinte, a folha do orçamento tremia na minha mão.

Não olha pras pernas dela. Não olha. Você não é viado.

Repetia aquilo pra mim mesmo igual um idiota. Podia ter mandado um e-mail? Claro. Mas lá estava eu.

O setor estava quase vazio por causa do almoço. Melhor assim. Menos olho em cima.

Dani conversava com o tal do Tadeu perto da mesa dela. Blusinha rosa de alcinha, salto alto e uma saia preta justa que… puta que pariu. Se aquilo tudo era verdade, como conseguia esconder daquele jeito?

Nossos olhares se cruzaram. Ela se despediu do sujeito e veio andando na minha direção.

— Veio me salvar?

— Depende. — ergui o orçamento.

Ela chegou perto e deu um beijo rápido no meu rosto.

Travei.

O sorriso dela entregou que percebeu. Fiquei sem jeito. E de pau duro também… não tinha como.

Fomos até a mesa no canto da sala. Perguntei o que o computador tinha de errado. Dani puxou outra cadeira e sentou ao meu lado, reclamando da lentidão pra abrir arquivos e programas enquanto cruzava as pernas devagar, deixando o pé tocar na minha calça.

Delicado. Feminino demais. Como pode? Nada daquilo batia com o que eu tinha ouvido. João devia ter inventado aquela merda toda só pra afastar a concorrência. Filho da puta ligeiro.

Dani analisava o orçamento, a caneta dançando pela boca, distraída.

— Isso tá bem inflado. Vai ser difícil aprovar.

Quando levantei os olhos, a peguei encarando o volume na minha calça.

— Me ajuda, vai, Dani. A empresa para sem esses servidores novos.

Levantei da cadeira, abri o gabinete e encaixei dois pentes de memória.

— Pronto. Agora essa carroça anda.

Ela agradeceu, mas disse que ainda precisava avaliar melhor o orçamento.

Acabamos indo pra copa conversando sobre qualquer coisa.

Descobrimos que tínhamos ido no mesmo show do Biquini Cavadão no Olympia duas semanas antes. Melhor assim… eu tava com minha mulher.

Peguei dois cafés na máquina, o famoso petróleo corporativo. Quando virei, Dani já estava encostada na bancada, pernas cruzadas na cadeira alta.

Porra… que pernas.

Continuamos conversando. Chegou uma hora que já estávamos perto demais.

Não aguentei.

Segurei sua nuca e puxei. Dani abriu a boca e minha língua encontrou a dela, macia. Gosto de café. O beijo foi ficando mais fundo. Ela mordeu meu lábio devagar sorrindo de um jeito sacana.

A porta da copa abriu de repente.

Me afastei na hora.

Era a Valdete, da limpeza. Olhou pra gente e abriu um sorriso cheio de malícia.

— Os pombinhos podem ficar tranquilos. Vim só tirar o lixo. Aproveitem que o fofoqueiro do Tadeu foi almoçar.

Dani caiu na risada.

— Valdete! Não tá acontecendo nada demais.

— Ah, minha filha… não perde tempo não. Homem assim não aparece dando sopa todo dia.

Apontou pra mim com o queixo e abriu outro sorriso safado.

— Chupa ele bem gostoso… senão, eu chupo.

— Valdete! Que absurdo!

Caímos na risada.

Assim que ela saiu e a porta fechou, o clima voltou na mesma hora.

— Velhinha safada…

Dani riu baixo.

— Adoro ela.

Descruzei as pernas dela e subi as mãos devagar pelas coxas, levando a saia junto. Quando comecei a puxar a calcinha, Dani segurou meu pulso.

— Calma… preciso te contar uma coisa.

A boca quase encostava na minha enquanto falava.

— Eu preciso ver.

Ficamos nos encarando por alguns segundos. Dani soltou meu braço devagar. Puxei a peça até os pés dela.

E ali estava. Não dava mais pra me enganar. E, pra piorar, maior que o meu. Tive um breve apagão.

— Como você consegue esconder isso?

Um sorriso de canto apareceu no rosto dela.

— Dou meu jeito. Mas quando você tá perto… fica mais difícil.

Ela pegou minha mão e guiou devagar. Segurei. Quando me dei conta, já movimentava a mão num ritmo lento, sentindo o calor e a rigidez.

— Porra… eu não sou viado — murmurei.

— Vem cá.

Ela puxou meu braço outra vez, colando a boca na minha. O beijo voltou mais calmo dessa vez. Mais fundo.

— Não pensa demais. Sente. Deixa rolar.

Aquilo bagunçou minha cabeça de vez. Me afastei num impulso e saí da copa sem olhar pra trás.

Minutos depois sentei na minha mesa ainda desnorteado. Foi só ali que percebi que continuava segurando a calcinha dela.

Merda.

Nas três semanas que vieram, me esforcei ao máximo pra não cruzar com ela. Evitava nossos horários em comum e até os e-mails sobre orçamento e outras coisas passei pra um cara da equipe resolver.

Fui um baita de um babaca. Quase perdi a mulher da minha vida por dar ouvido para aqueles idiotas. Porque, no fundo, o problema nunca foi ela. Era o medo do que iam falar. Do julgamento.

E isso começou a me corroer.

Será que, no fim das contas, eu também era um babaca preconceituoso?

Difícil admitir uma merda dessas. Mais difícil ainda entender.

Por sorte, umas três semanas depois teve a festa da empresa. A cada semestre, quando os resultados vinham bons, inventavam essas comemorações. Dessa vez levaram todo mundo pra uma chácara no extremo sul de São Paulo. Longe pra cacete.

Estava na festa fazia umas duas horas. Já tinha virado algumas doses de uma cachaça mineira boa pra cacete e nada da Dani aparecer.

E por que apareceria? Aquela festa só tinha babaca.

Eu estava jogando bilhar quando um carro entrou buzinando lá fora. Risada de mulher. Ergui os olhos.

Era ela.

Dani vinha com outras duas garotas que eu não conhecia. As três fantasiadas de gatinha. Minissaia curta, blusinha preta de couro colada no corpo, salto alto e arquinho com orelhinha na cabeça. Entraram rindo alto, fazendo garra com as mãos, miando pros convidados e provocando quem olhava, já bêbadas.

O pescoço da festa inteira virou na hora.

E junto veio o sussurro sujo pelos cantos.

— Hoje eu fodo esse traveco…

— Quero ver quem vai ter coragem.

Risadinha torta. Cotovelada. Olhar atravessado.

Fingi que não ouvi. Fingi até que não me importava. Mas a vontade mesmo era de quebrar a cara de meia dúzia ali.

Preparava uma caipirinha quando vi aquele cara do Financeiro, o mesmo do “mulher de pau não dá”, grudado nela, falando no ouvido.

Dani ria. Ria demais.

Não demorou nada. O desgraçado esperou um vacilo, uma abertura, e se inclinou pra beijá-la. Os lábios chegaram a encostar.

Ela sorriu daquele jeito sacana, quase deixando acontecer… mas empurrou o peito dele logo depois.

O espertão saiu rindo, tirando onda.

Então ela olhou pra mim.

Não falei nada.

Mas o aperto no peito só diminuiu quando vi ela se afastando dele.

Horas depois, já quase no fim da festa, Comercial, RH, Jurídico e Financeiro lavavam roupa suja em volta da churrasqueira.

— Vocês erraram nisso.

— E vocês reprovaram aquilo.

Dani estava no meio da roda, pernas cruzadas, atraindo olhares.

Do nada o assunto virou a tal prostituta degoladora de gargantas que aparecia toda semana no Notícias Populares.

— Por isso parei de ir em puteiro — soltou Jorge, do RH, quase caindo no balcão.

Risada geral.

Aos poucos a roda foi se espalhando.

Fui ao banheiro e, quando saí, dei de cara com ela encostada na parede.

Nossos olhos se encontraram. Ela sorriu de leve.

— Não falou comigo. É por causa do orçamento?

Não respondi. Continuei olhando pra boca dela enquanto me aproximava.

— Volta lá. Acho que agora consi…

Não deixei terminar. Puxei pela cintura e beijei. Subiu na ponta dos pés na mesma hora, as unhas arranhando de leve minha nuca.

O beijo veio apressado, meio torto, carregado de coisa entalada. O gosto doce de bebida misturado com cigarro de cravo. Entregue, soltou um suspiro curto contra meus lábios e agarrou minha camisa, me puxando mais pra perto.

Alguém saiu do banheiro, mas nenhum dos dois se afastou. Ela encostou a testa na minha por um instante, respirando perto demais, antes de voltar a me beijar.

— Carlos… aqui é complicado — sussurrou no meu ouvido, a voz rouca e trêmula. — Não quero te prejudicar. Todo mundo já sabe.

Encostei a boca no pescoço dela, sentindo o pulso acelerado sob a pele quente, e subi até a orelha, mordiscando de leve.

— Caralho, Dani… não consigo parar de pensar em você.

Ela apertou meu braço com força, cravando as unhas.

— Eu também não.

Abri a porta do banheiro e a puxei para dentro, sem desgrudar minha boca.

O beijo ficou mais faminto, quase desesperado. Fechei a porta com o pé. Ela abriu minha calça. Quando segurou meu pau, a força e o calor da mão dela me fizeram tremer.

Continuamos colados um no outro, línguas enroscadas, enquanto ela me punhetava em movimentos firmes.

— Me fode, seu safado — murmurou contra minha boca.

Eu a virei de costas, subi sua saia e segurei a calcinha com as duas mãos.

— Não rasga, não rasga, por favor… — pediu, rindo baixinho.

Rimos juntos, o riso misturado com respiração pesada.

— Imagina eu ficar sem calcinha o resto da festa… não vai dar certo.

Aquela imagem invadiu minha mente de repente. Cacete. Eu mal me reconhecia. O tesão foi tão forte que quase rasguei a calcinha na maldade. Mas ela foi mais rápida, a baixou num instante.

Apoiada na parede fria, a bunda empinada esfregando contra mim, rebolando num ritmo lento, provocando.

Desci a mão e segurei o pau dela. Duro, latejando, a cabeça já melada de tesão. Dani soltou um gemido rouco quando apertei de leve e comecei a punhetar.

— Carlos… — murmurou, a voz falhando.

Passei a cabeça do meu pau entre as nádegas dela, esfregando no cu apertado, espalhando saliva e lubrificação. Empurrei aos poucos. A resistência inicial cedeu e a cabeça entrou, fazendo ela arquear as costas e soltar um gemido mais alto.

— Ahh… assim… — pediu, empinando mais.

Segurei firme no quadril dela com uma mão e continuei punhetando seu pau com a outra. Entrei mais, centímetro por centímetro, sentindo ela me apertar gostoso. Quando estava todo dentro, parei um segundo só curtindo aquela pressão.

— Porra, Dani…

Comecei a meter de verdade. Saindo com quase tudo e voltando fundo, enquanto minha mão subia e descia rápido no pau dela.

Lá fora, a música seguia mais baixa, mas ainda dava pra ouvir gente rindo, copos batendo e alguém gritando perto da piscina. E eu ali, enterrado nela.

Ela começou a se contrair toda, me apertando em espasmos.

— Tô quase… não para… — gemeu.

Não parei.

Acelerei o ritmo, fazendo-a perder o controle primeiro. O pau dela pulsou na minha mão e gozou. Aquilo acabou comigo. Dei mais algumas estocadas e gozei junto.

Ficamos ali ofegantes, meu corpo colado no dela. Beijei sua nuca suada.

— Caralho… você é perfeita — sussurrei.

Virou o rosto, sorrindo preguiçosa.

— E você ainda não viu nem metade do que eu quero fazer com você.

Aí pensei, fudeu. Engoli seco o que ela disse. Na hora não dei bandeira, fingi não estar preocupado, mas porra, no meu cú não. Isso não. Nem vem.

Saímos dali juntos, ela um pouco na minha frente. A turma quase toda olhando. Não sei o que incomodava mais. A hostilidade das mulheres ou a zombaria dos homens.

Ela parou por um instante, sentindo os olhares em cima dela.

Então me aproximei, abracei por trás e encaixei uma boa sarrada. Virou o rosto com aquele riso torto nos lábios. Nos beijamos ali. Na frente de todo mundo.

Naquele dia deu merda danada. Saímos dali e passamos quase a noite toda trepando num motelzinho barato na zona sul. Quando cheguei em casa já passava das três da manhã. Minha mulher percebeu na hora que tinha alguma coisa errada. As velhas desculpas não colaram.

Foda. Ela já andava desconfiada fazia dias.

Brigamos feio. Não contei nada, claro. Fiz uma mala, peguei um hotelzinho no Brás e fiquei por lá.

Algum tempo depois, saímos da empresa no meio da tarde. Caminhamos até a Benjamin Constant e entramos na velha cafeteria do Tião. Era engraçado. Até aquele velho safado atrás do balcão não conseguia tirar os olhos dela.

Dani abriu a bolsa, puxou um RG e colocou na minha frente.

— Quem é esse?

— Eu.

Caramba… fui muito inocente nessa. Não esperava.

— Nossa… corte militar.

Dani revirou os olhos.

— Meu pai me obrigava. Queria que eu servisse o Exército. Mas bastava ele se distrair e pronto… lá estava eu de vestidinho pela casa. Meu tio Marcos que adorava. Acho que gostava tanto de me ver de menina quanto de ver meu pai puto da vida.

— Daniel Martins…

Dani soltou um riso curto.

— Bom… pra mim você continua sendo Dani. Não me fode.

— Só se você quiser, querido.

Desgraçada. Me fodeu.

Rimos. Encostamos as canecas.

Foi aí que percebi o Tião parado atrás do balcão, encarando a gente.

— Tá tudo bem, Tião? — perguntei.

O velho pareceu despertar no susto. Balançou a cabeça rápido demais.

— Tá… tá sim.

Entrou por uma portinha ao lado e sumiu nos fundos do comércio.

Eu e Dani nos olhamos.

E quanto mais tentávamos segurar o riso, pior ficava.

Vicente Braga

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