Nota do autor: A história a seguir é pura fantasia. Eu não apoio ou defendo qualquer tipo de bullying, ou prática de intimidação. Todos os personagens são 18+. E não acontece nada muito sexual na parte 1.
Estava terminando de fazer o jantar quando Thiago, meu filho, entrou, tentando passar rápido até a escada.
— Não vai dizer "oi" pro seu velho? Como foi a escola?
— Foi um bom dia. — Franzi a testa, notando o tremor leve na voz dele. — Tô indo pro meu quarto.
— Espera um pouco aí, campeão. Vem aqui.
Thiago parou, suspirando, e então virou-se, entrando na cozinha.
De cara, notei a roupa dele toda suja de tinta.
— O que é isso!? Que foi que aconteceu com você? — Fui até ele alarmado.
— Foi só um acidente. Não é nada de mais…
— Campeão, que tipo de acidente envolve tinta verde neon? — Coloquei uma mão no ombro dele. — Me diga o que aconteceu de verdade. Você sabe que pode me contar qualquer coisa.
Thiago olhou de um lado pro outro, ponderando. Por fim, ele me disse tudo que eu precisava saber.
— O idiota do Bruno achou que seria uma brincadeira engraçada jogar tinta em mim no intervalo.
Bruno.
De novo esse moleque!
Eu nunca tinha visto o garoto pessoalmente, mas desde o dia que ele foi transferido para a escola de Thiago, ele tem feito da vida do meu filho um inferno. Brincadeirinhas sem graça; espalhando rumores falsos; colocando a culpa nele por coisas que eu sei que meu filho jamais faria.
Thiago não era do tipo que aceita calado, então ele falou com os professores e até a coordenação da escola, mas aquele pirralho de alguma forma conseguiu evitar qualquer consequência! E pior ainda, parecia que todos compravam as mentiras dele! Primeiro os amigos de Thiago se afastaram dele, trocando-o por esse Bruno. Depois os professores e a coordenação acreditavam que meu filho era realmente o culpado das coisas que Bruno o acusava de ter feito. Até a namorada de Thiago, Amanda, que estava com ele há 2 anos, terminou o relacionamento após Bruno dizer que Thiago estava tendo um caso com outra garota.
Eu sugeri ir pessoalmente conversar com a diretoria e exigir que algo fosse feito: convocar uma reunião entre eu, Thiago, Bruno e os pais dele e confrontar o garoto diretamente, mas Thiago recusou estranhamente alarmado e disse que poderia lidar com a situação sozinho. Achei muito estranho. Parecia até que ele estava com medo de alguma coisa, mas acabei ignorando e me convencendo que ele só queria demonstrar amadurecimento. Thiago tinha feito 18 anos há poucas semanas, e eu sei bem que, nessa idade, garotos como ele tem essa necessidade de se mostrarem capazes de lidar com a vida sozinhos. Mas agora percebo que deveria ter tomado uma atitude naquela hora.
— Chega, isso já é de mais Thiago! Essa foi o quê? A terceira vez na semana que ele fez algo com você na escola.
— Pai, é sério. Não foi nada de mais. É só tinta.
— Não, Campeão. Não é só pela tinta! — Apertei os punhos. — Esse garoto já vem te atormentando há dias! Eu sinceramente não entendo o que os funcionários daquela escola tem na cabeça pra deixar esse tipo de bullying em pune. Eu deveria ir pessoalmente na casa desse garoto ter uma conversa seria com os pais dele e…
— Não! — Thiago gritou, olhos cheios de medo, mas ele escondeu rápido, mas não antes de eu ver. — Eu já disse que não foi nada de mais, pai. Eu consigo lidar com esse tipo de provocaçãozinha. Não precisa se preocupar comigo. É serio.
Suspirei.
Thiago estava escondendo algo. Eu sabia disso. Mas o que poderia ser? Ele nunca escondeu nada de mim antes. Me orgulhava da nossa relação. Eramos o tipo de pai e filho que eram os melhores amigos. Um sempre apoiava o outro. Seja lá o que ele não estava me contando, eu tinha certeza que Bruno estava no meio disso.
— Tá bom, campeão. Eu confio em você. Coloca essa roupa direto no tanque e vai tomar um banho. O jantar vai ficar pronto daqui a pouco.
Thiago assentiu com a cabeça e subiu as escadas. Assim que ele estava fora da minha vista, soltei um suspiro cansado, passando a mão no rosto.
Eu não podia mais ficar só assistindo à vida do meu filho ser arruinado por um valentão qualquer que se achava no direito. Tinha tomado minha decisão. Se a escola não resolveria o problema, eu faria isso por conta própria.
No dia seguinte, deixei Thiago no portão da escola desejando um bom dia de aula pra ele. Me afastei com o carro, olhando pelo retrovisor até ele entrar no prédio, e então dei meia volta e estacionei na sombra de uma árvore.
Do onde eu estava, tinha visão do pátio do outro lado da grade onde os alunos costumavam ficar durante o intervalo. Fiquei de tocaia por umas horas; eu trabalhava de forma remota, mas de qualquer forma pedi o dia de folga para colocar essa plano em ação, então tinha o dia inteiro livre. A hora do intervalo por fim chegou e vi os alunos se espalhando pelo pátio.
Avistei meu filho indo para um canto, sentando-se sozinho numa mesa e desembrulhando o lanche que fiz de manhã. Senti um aperto no peito ao ver ele tão isolado.
Antigamente, antes de Bruno, Thiago era um dos garotos mais populares da escola. Ele e o grupo de amigo deles faziam tudo juntos. E tinha o Lucas, melhor amigo dele. Eles eram unha e carne. Lucas era praticamente da família; até chegou a viajar comigo e Thiago em alguma das férias escolares. Mas quando Bruno chegou, todos deram as costas pro meu filho. Lucas foi o único que continuou por perto, mas um dia, ele apareceu na porta de casa perguntando se Thiago estava. Ele estava, mas eu disse que ele não tinha condições de recebê-lo no momento. Thiago havia chegada da escola naquele dia com uma expressão abatida e se trancou no quarto, recusando até mesmo os meus pedidos para abrir a porta e conversar comigo.
— Então você pode passar um recado pra ele por mim, Sr. Silva?
— Claro. O que é?
— Diz pro Thiago que ele é um merdinha chorão, e que o Bruno é mil vezes melhor do que ele em qualquer coisa. — Lucas dizia essas coisas com um sorriso no rosto como se a pessoa na frente dele não fosse justamente o pai de Thiago. — Não acredito que perdi anos de amizade com alguém tão patético quando havia alguém como Bruno por perto esse tempo todo.
Meu queixo caiu. Empalideci, incrédulo. E então senti uma raiva fervente.
— Olha aqui, Lucas! Isso é algum tipo de brincadeira de mal gosto!? Você sabe pelo que o Thiago está passando! Como pode dizer isso?
— É apenas a verdade. Eu demorei muito tempo para abrir os olhos. Bem, era só isso que eu queria falar, até mais Sr. Silva.
Fiquei congelado em choque, sem ainda conseguir acreditar no que acabara de acontecer. Minha vontade era de ir atrás de Lucas e obrigar ele a me explicar direito que merda foi aquela e a se desculpar comigo e Thiago, mas ele já havia subido na moto e partido pra longe.
Desde aquele dia nunca mais tive notícias de Lucas e, sinceramente, nem fazia questão.
Thiago estava comendo um sanduíche enquanto olhava o celular e não percebeu o grupo de 3 garotos que se aproximavam dele até o do meio roubar o sanduíche das mãos dele. Apertei o volante, querendo ir até lá parar tudo aquilo, mas isso atrapalharia meus planos. Me desculpei mentalmente com Thiago enquanto assistia à situação se desenrolar.
Reconheci Lucas como um dos garotos. Ele estava bem diferente da última vez que o vi. Ele sempre teve um ótimo porte físico, mas estava bem mais musculoso, como se tivesse passado a frequentar a academia. O outro garoto era Caio, um dos antigos amigos de Thiago. Ele, Thiago e Lucas costumavam ser um trio e sair frequentemente juntos antigamente. Ele era o menor dos três, mas também surpreendentemente mais musculoso comparado a última vez que vi ele. Mas o garoto do meio era de tirar o folego. Ele era grande, em todos os sentidos, mas o que mais chamava a atenção era o peitoral avantajado e musculoso que esticava a camisa do uniforme.
Aquele deveria ser o Bruno.
Não conseguia ouvir o que eles estavam falando daquela distância, mas pelas expressões de Thiago, não devia ser nada bom. Bruno disse mais alguma coisa, os três riram e então o valentão deu uma mordida no sanduíche roubado, jogando o resto nos pés do meu filho e eles se afastaram.
Tive que me segurar para não sair correndo do carro, pular a grade e ir confortar meu filho. Não conseguia entender como alguém podia fazer qualquer mal a Thiago. Ele sempre foi um garoto bom, gentil e amigável. Nunca ninguém tinha tido algum problema com ele. O que esse garoto, Bruno, tinha contra o meu filho? E por que diabos todos os amigos de Thiago, que conhecem ele desde que eram crianças, o trocariam por um estranho que chegou não tem nem um ano?
Esse Bruno era responsável por tudo isso de algo forma. Talvez ele estivesse subornando os amigos de Thiago? Isso não parecia certo. Lucas jamais aceitaria suborno para se afastar de Thiago, ainda assim, até ele abandonou meu filho da pior forma possível. Chantagem talvez? Também achava difícil. Seja lá o que Bruno estivesse fazendo para afastar as pessoas do meu filho e prejudicar a imagem dele, eu iria descobrir hoje mesmo, de um jeito ou de outro!
Assim que o período escolar chegou ao fim, o sinal tocou e os alunos começaram a sair da escola. Tinha mandado uma mensagem mais cedo pro Thiago avisando que sai de casa e voltaria tarde, que era para ele pedir um Uber quando saísse da escola e para não me esperar acordado.
Demorei um tempo para encontrar Bruno na multidão, mas assim que o avistei, travei meus olhos nele. Ele estava saindo junto de Lucas e Caio. Os três rindo de alguma coisa no celular de Caio. Senti náusea ao imaginar que poderiam estar tirando sarro de Thiago de novo. Bruno se despediu dos dois ex-amigos do meu filho e foi em direção a um picape. Ele destrancou o carro, entrou e saiu dirigindo.
Liguei meu carro e foi seguindo logo atrás dele da forma mais discreta possível. Minhas mãos suavam. O que eu estava fazendo era muito errado. Eu era um homem de 43 anos seguindo um jovem de 18 anos. Eu não ia fazer nada de ruim com ele, é claro! Só queria seguir o moleque até a casa dele e ter uma conversa franca com os pais dele sobre o bullying que ele estava fazendo com meu filho; e talvez dar uma leve ameaçada para que ele ficasse longe de Thiago.
Ele dirigiu por alguns minutos, afastando-se do centro. Demorei a perceber que estávamos numa parte mais isolada da cidade. Só quando ele entrou e parou no meio de um estacionamento deserto escondido entre dois prédios que fui perceber que havia algo de errado.
Bruno saiu do carro e olhou na minha direção. Merda! Ele sabia que eu estava seguindo ele.
Bem. Meu plano era seguir ele até em casa e falar com os pais dele, mas confrontá-lo diretamente também serviria. Manobrei o carro pra dentro do estacionamento e parei alguns metros longe do dele.
— Eu percebi você me seguindo já tem umas duas ruas, cara. — Ele estava muito tranquilo para alguém que estava sendo seguido por um completo desconhecido. — Quem é você e o que você quer?
Respirei fundo. Fechei os olhos e pensei em Thiago. Eu estava fazendo tudo isso por ele. Abri a porta do carro e sai.
— Você é o Bruno, certo?
— Quem é que quer saber? — Ele rebateu com uma pergunta.
Estreitei os olhos. Jogaria o jogo dele por enquanto.
— Meu nome é Rafael Silva. E eu tenho que tratar um assunto sério com você.
Bruno levantou uma sobrancelha. Ele se apoiou na picape, cruzando os braços.
— Que tipo de assunto?
— Meu filho, Thiago. Você tem atormentado ele há semanas e eu quero que você pare!
Bruno ficou em silêncio por um segundo e então gargalhou como se tivesse escutado a melhor piada da vida dele.
— Você é o pai do Thiago?
— Isso mesmo, garoto. Olha, eu não sei o que você tem contra o meu filho, mas você precisa parar com isso. Isso que você está fazendo não é certo e…
— Tá, tá, tá. Não precisa vir com essa conversinha pra cima de mim. — Bruno balançou a mão, dispensando meu discurso. — Eu não dou a mínima pro que o senhor tem a dizer.
Apertei meus punhos. Meu corpo esquentou de raiva.
— Quem você pensa que é pra falar assim comigo? Eu não faço ideia do que você fez pra evitar os professores e a coordenação da escola e voltar os amigos do meu filho contra ele. — Eu avancei até ele e apontei o indicador na cara dele. — Mas o Thiago é o meu filho. Seja qual for o seu truquezinho sujo, não vai funcionar comigo! Ou você para agora de atormentar o meu filho, ou…
— Ou? — Ele sorriu divertido.
Me senti desconcertado. Ele não estava levando nada daquilo a sério, e isso só me deixava com mais raiva. Se eu não fosse um adulto, já teria dado um soco na cara desse desgraçado e arrancado esse sorrisinho idiota dele.
— Ou então eu vou abrir uma denúncia legal contra você! Bullying é crime e você pode ter sérias consequências por isso.
Bruno fechou a boca numa linha bem fina e me encarou, e então deu um sorrisinho de canto.
— Rafael, não é? Agora eu entendo porque o Thiago implorou tanto pra eu ficar longe de você. Você é realmente um pai maravilhoso…
— O que você está fazendo!? — Dei um passo pra trás e assisti, confuso e envergonhado, Bruno agarrando a barra da camisa e puxando-a para cima, tirando-a.
O corpo dele era impressionante. Abdômen trincada. Braços fortes. E aquele maldito peitoral, adornado com mamilos grandes e rosados. Eu mesmo tinha uma ótima musculatura; ia à academia com frequência, e estava no auge da minha forma física; mas aquele garoto era algo totalmente além.
— Você não está curioso para saber como eu fiz pra fazer cada um daqueles amiguinhos estúpidos do Thiago e os idiotas dos professores se voltaram contra ele?
— O-O quê? O que você está falando? Coloca sua camisa, garoto! Nós estamos no meio da rua!
Bruno riu.
— O que foi? Nunca viu alguém tão forte quanto eu? Eu costumo escutar isso o tempo todo. — Senti meu rosto esquentar. — Mas vamos logo com isso. Eu ainda quero me divertir bastante com você.
— O que você quer dizer…
Bruno fez o peito esquerdo saltar, e então o direito, e então o esquerdo, direito, esquerdo, direito, esquerdo…
Eu não conseguia desviar o olhar.
O peitoral dele era tão grande, tão musculoso. Não havia nenhum fio de cabelo, apenas a pele lisa e bronzeada.
Direito, esquerdo, direito, esquerdo…
Minha boca abriu, baba se acumulou e escorreu no canto… Estava ficando tão difícil… tão difícil pensar…
— Sabe, eu não sei bem como isso funciona. Eu meio que descobri aleatoriamente também. Um dia eu fiz meus peitos saltarem quando tava limpando a piscina de um cara. Precisava arranjar uma grana, mas isso não vem ao caso. — Ele fez os peitos saltarem mais rápido. Eu tentava acompanhar o movimento com os olhos. — E ele ficou com esse mesmo rosto idiota. Desculpe, você ainda tá me escutando, Sr. Rafael?
— Uhmm…? Si-Sim… O-O quê está acontecendo? — Por que eu não conseguia me afastar?
— Bom. Continua olhando. Porque você não chega mais perto. Isso! — Me aproximei, até que os peitos de Bruno fossem a única coisa no meu campo de visão. Ele mudou a ordem que os peitos saltavam e meus pensamentos ficaram ainda mais confusos tentando acompanhar o novo ritmo. — Eu descobri que enquanto ele estava assim, focado nos meus peitos, eu podia controlar a menta dele. Primeiro eu pensei que ele tava zoando comigo, mas logo vi que era real. Eu fiz ele imitar uns animais, sabe, que nem nesses shows fajutos de hipnose. E então eu fui mais longe. Descobri até que podia mudar as memórias dele com as palavras certas ou até mesmo criar memórias falsas.
O que estava acontecendo? Não conseguia pensar direito. Tentei organizar minha cabeça. Onde eu estava? Num estacionamento deserto. Isso mesmo. Por que eu estava aqui? Eu estava seguindo alguém, o valentão do meu filho, e ele me trouxe até aqui. E então eu saí do carro pra conversar com ele e… e….
Direito, esquerdo, direito, esquerdo, direito, esquerdo...
— Porra! Eu me diverti muito com ele naquela época. — Bruno riu. — Eu até fiz ele se divorciar da vadia da esposa. Ele tinha casado com ela não tinha nem um ano e tava esperando um bebê dela. Claro, eu não sou um monstro. Eu deixo ele visitar o filho todo fim de semana, mas no restante do tempo, ele é a meu personal trainer vadia pessoal. Quem sabe eu até deixo você usar ele um dia desses.
— Po-Por que… tá fazendo isso? Por que…? Meu filho…
— A sim. Você quer saber por que eu gosto tanto de pegar no pé do Thiago? — Acenei com a cabeça devagar.
— Se te conforta, eu não odeio ele ou coisa do tipo. Na verdade… — Ele desviou o rosto e, pela primeira vez, vi algo que não era desdem, sarcasmo ou sadismo no rosto dele, apenas uma leve vergonha. — Eu meio que tenho inveja dele. É, é isso. Antes de descobrir esse poder, minha vida era uma merda. Minha mãe era uma alcoólatra fodida e tudo que sei do meu pai é que ele foi preso por vender drogas e foi espancado até a morte na prisão. — Os olhos dele brilharam com tristeza por um mísero segundo e então ele voltou a sorrir de forma predatória.
— Não se preocupe. Eu tô muito bem agora. Se eu preciso ou quero algo, eu só encontro algum cara que pode me dar isso e, bem, faço isso… — Ele estufou o peito, fez eles saltarem juntos, e então alternadamente, manteve um parado e outro saltando, trocava a ordem, invertia. — … e os pensamentos deles vão pra Lalaland assim como está acontecendo com o senhor agora. Mas sobre o Thiago, onde eu estava mesmo? Bem, quando eu me matriculei na escola e cheguei lá pela primeira vez, eu me senti tão deslocado. Ninguém queria chegar perto de mim. E então o Thiago apareceu.
— Ele foi a primeira pessoa que foi legal comigo sem eu precisar ter que derreter o cérebro dele. — Bruno apertou os peitos entre os braços, fazendo eles ficarem ainda mais definidos e saltitantes. Baba escorria pelo canto da minha boca. — E então eu descobri o quão boa era a vida dele. Amigos que estavam lá pra ele sempre que ele precisava; as melhores notas…
Ele me encarou com um brilho faminto, lambendo os lábios.
— E, é claro, um pai amoroso e presente. Todas as coisas que eu nunca tive. — A expressão dele escureceu. — Por quê? Por que ele pode ter todas essas coisas de mão beijada enquanto eu tive que sofrer até descobrir o poder para reivindicar as mesmas coisas!? Isso não é injusto, Sr. Rafael?
— Si-Sinto… mu-muito…
— Não preciso das suas desculpas. Apenas se concentre nos meus peitos. Como eles saltam.
Esquerdo, direito, esquerdo, direito…
— Agora me escute com atenção, Sr. Rafael. Tudo que vou dizer agora é a mais pura verdade. Você sabe que tudo que eu digo é verdade. Eu sou a pessoa que você mais confia no mundo inteiro, então, obviamente, tudo que eu digo pro senhor é a verdade mais verdadeira que o senhor já ouviu.
— Con-Confio… Tu-Tudo que você diz é verdade…
— Isso mesmo. Tudo que eu digo é verdade. — Bruno sorriu de forma quase amigável. — Amanhã, quando você deixar o Thiago na escola, você vai me esperar no portão e vai me levar pra sua casa. Você não vai achar nada estranho. Será como se fossemos dois amigos indo aproveitar um tempo juntos. E só pra ter certeza, você vai esquecer que eu sou o valentão do seu filho. Bruno não é o valentão do seu filho. Seu filho não tem nenhum valentão. Repita.
— Sem valentão… Meu filho não tem nenhum valentão… Vou te esperar no portão da escola após deixar o Thiago.
— Maravilha. Quando eu estalar meus dedos, você vai voltar pro seu carro e dirigir cuidadosamente até chegar em casa. E quando você sair desse estado de transe, vai esquecer tudo que aconteceu aqui, com exceção dos comandos que te dei, entendeu.
— Entendi…
— Foi ótimo conversar com o senhor, Sr. Rafael. Mal vejo a hora de nos vermos amanhã.
Bruno levantou a mão e sorriu para mim uma última vez.
Snap.
