Em memória de nosso desejo

Um conto erótico de Ama(nte)
Categoria: Heterossexual
Contém 2010 palavras
Data: 01/05/2026 17:21:40

Ainda neste século, estávamos eu e meu amigo há muito chegado sentados em frente à sua casa quando ele, por sinal um tanto bem quisto pelo seu gosto pela escrita e um tanto sem-vergonha, que me contava tantas contagens que não mais me assustavam, dá-me um papel meio amassado e solta-me:

- Leia, esta é uma nova história que fiz, relembrando meus tempos de curso.

- Não é mais uma das besteiras que você já me obrigou a ler, acerto?

- Leia logo! Só tenho você para quem contar, aliás, não lhe trago nada que você desconhece, e alguns poderiam até considerar que tive alguma preocupação em não ser muito baixo.

- Tá bom.

Eram os escritos:

"O ano era tal que ocupava a nossa a mente nada que não fosse o rendimento na academia. Trabalhos, e provas, e pesquisas, e tudo o que se tem direito em uma faculdade; toda a faculdade de fazer o que era proposto pelos mestres e doutores. Embora o ano todo fosse de ocupações e estresses cuja culpa ali está distribuída, havia um mês que, em meio a todo aqueles onze, tornavam o caminho porque caminhávamos mais claro; como se durante todo o ano caminhássemos pela noite, e com uma lanterna prestes a acabar; um tanto pessimista de minha parte, entendo se tu o concluires. Falo-lhe dos trinta, das ditas férias.

Então é julho. Olho atráves de minha janela, vidro, meio suja, em que os limos quase a tornam como película – dá-lhe um ar de natureza, embora denuncie desleixo. É manhã, cedo; o sol entra pelo meio, e por alguns microburacos feitos pelo meu felino escalante.

Estou sentado, cadeira de madeira já há muito presente na casa, desde quando nem era cogitado a estar neste mundo – estava bem-guardado. Olho para meu lado, uma vibração. Brilha meu telefone; uma notificação. – “Advinha quem chegou?”. Por segundos fico imóvel, sinto frio, como se estivesse na descida de uma montanha russa; bombeia o coração agora acelerado.

O leitor, se desconhecido, deve estar mergulhado em confusão; por isso, entrego-te o contexto.

Há muito éramos amigos, desde a pré-adolescência. Morávamos um perto do outro, de modo que era possível vê-la sempre que quisesse. Era de baixa estatura, como todos éramos, lógico; mas tinha jeito de pouca estatura. Bem-desenhada, tinha atributos muito notados. Desde nova, aparentava ser um tanto esclarecida, embora naquela época isso pouco importava; ora, éramos quase-adolescentes, queríamos saber de tudo, exceto de esclarecimentos. O que se via, nos outros, com ênfase, era aparência. Importava mesmo era ser bonito. Hoje já mudou um pouco, mesmo que muitos não tenham ainda descoberto.

Era carismática, sempre disposta. Demostrava carinho com afinco aos seus próximos. Tinha um ar de conquistar facilmente pela forma de se comunicar. Tudo isso a mim chamava atenção. Ter alguém confiante próximo de mim não era nada de se reclamar, e ainda por cima, de uma aparência de desejar, e não pouco.

Fomos crescendo, sempre amigos. Nunca demonstramos interesse além, um para com o outro. Amizade pura, firme, sem nada mais. Era em que queria acreditar, ora, como uma menina com todos aqueles atributos e mais outros quereria alguma coisa comigo? Até desconfiava do porquê de ter me escolhido para uma amizade. Moleque sempre pessimista. Víamo-nos sempre, quase todos os dias. Visitava-a por tardes e noites. Nas tardes, conversávamos bastante, bobeiras de adolescentes. No implícito ficava apenas que apreciávamos demasiadamente nossas companhias. Nas noites, comíamos, uma comida específica, nada saudável; mas firmamos o compromisso de sempre aquilo comer; era nosso trato. E eram momentos ímpares. Por vezes ficávamos em silêncio, apenas fazendo nada juntos. Não nos parecia perda de tempo, e nem era.

Tempo depois, entramos na escola de graduação. Éramos ainda amigos, mas agora com menos contato; distanciamo-nos pela distância, física. E, em períodos, voltava para cá e nos uníamos como antes.

Bem, agora posso continuar. Depois da leitura daquela pequena frase, deixei-me ser feliz imediatamente. Logo em seguida dei-lhe uma resposta: - “Sério? Vais fazer algo à noite?”. Nervoso com a reposta que viria, ditanciei-me e lembrei-me de que é preciso se hidratar; fui à cozinha beber uns goles de água. Retorno e, receoso, olho para a tela. – “Sim! Comer macarrão contigo”. Dei um sorriso sincero, de canto, o melhor que tinha para aquele dia.

O resto do dia e tarde passei contente e ansioso, em especial para receber seu abraço carinhoso e sentir uma de suas orelhas tocar meu abdômen, porque virava seu rosto para o lado ao abraçar-me, e era de baixa estatura– pode parecer que dou ênfase a isto, mas não; aliás, tu deves saber, leitor(a), que apreciava nela cada centímetro. Fiz tudo o que dava, até fingir para mim mesmo que não estava nada ansioso, e que tudo estava sob controle.

A noite chega, bela como nunca. Tomo um banho lento e me arrumo, perfume – um tanto forte, esperava que ela gostasse. Caminho sobre lajotas e depois concreto. Saio de minha casa e encontro asfalto e calçadas, sobre os quais caminho, lento, tentando desacelerar o coração; respiro fundo. Vejo algumas plantas pelas calçadas; pouca iluminação; rua deserta; era noite. De longe vejo uma sombra, em frente a uma casa protegida por algumas plantas. De mãos fechadas sobre a cintura alguém me olha. Era ela. Caminho, chego e, aproximando-me, abraço-lhe, por cima; ela, pela minha cintura, como costumava ser; não obstante eu quisesse abraçá-la por baixo, porque poderia sentí-la de fato, e descansar minhas mãos inocentemente em sua raba volumosa; mas adorava seu abraço. Durante os trinta segundos, parados, aprecio seu contato, um calor com algumas superfícies frias, era noite fria; afasto a cabeça, era olha para mim de baixo; a nossa diferença de altura é razoável. Dou-lhe um beijo na testa. Desfazemos nosso contato e entramos em sua casa.

Como sempre, e nunca enjoávamos, fazíamos alguma besteira ou algo realmente nutritivo para comer ou antes ou depois de assistir a um filme. Os filmes que escolhíamos eram quase sempre ruins, culpa, na maior parte das vezes minha. Ela tinha até bom gosto para longas-metragens, acertava boa parte das vezes, confesso. Fazia uma pipoca, gostosa, por vezes levemente queimada no fundo, mas aproveitávamos o que dava. Sentávamo-nos no sofá, eu na parte longa, porque era onde cabia quando esticava completamente minhas pernas, ela na parte um pouco menor. Logo nos deitávamos, lado a lado. Em alguns momentos ela se chegava a mim, ou eu a ela. Descia sua cabeça sobre meu ombro rígido, mas lhe parecia confortável. Eu, também recíproco, acariciava-a carinhosamente. Talvez ela não soubesse, nem desconfiasse; mas bastava que me tocasse um dedo para que ficasse excitado, e molhasse levemente minha cueca. Por sorte, ela sempre nos trazia um lençol, e o sofá era repleto de travesseiros; embora o medo, queria que ela sentisse o mesmo com meus toques. No fim das contas, poucos foram os filmes em que prestei a atenção, porque mais valia estar com ela, independentemente do que estivéssemos fazendo.

O filme termina. Os olhos ardem. Sono. Era fácil sentí-lo. Estávamos seguros um com o outro. Sempre quisemos ficar mais um pouco, não atoa voltava de sua casa sempre tarde; era como viver de fato.

E, conversando, depois daquele filme entediante – de costume. Fomos, naturalmente, prosear em seu quarto. Bobeiras, como sempre; piadas sem graça, fofocas, e visões para o futuro que agora tínhamos. Deitamo-nos da cama e o fizemos por vários minutos; tarde da noite. Decido me deitar, decubito dorsal, olhando para o teto, mãos por detrás da cabeça, confortável como nunca. Ela, sentada ao meu lado, fala seus falares enquanto a escuto atentamente. Ela se cansa e se deita ao meu lado, de lado. Estico um dos braços, sobre o qual ela descansa a cabeça. Envolve meu peito com seu braço e a minha perna com uma das suas. Imóveis, colados. Sinto sua repiração muito levemente sobre meu pescoço. Ela dá leves cheiros, que me cosqueiam quando não me excitam. Sua perna pesa sobre a minha, que mede metade em espessura; peso que amo, e me atiça a apertá-la. Então, decido acariciá-la leve e constantemente, desde o seu rosto à sua panturilha. Ajeito seus cabeços por detrás das orelhas, penteio-os com meus dedos lentamente. Desenho as bordas de sua orelha, caminho com os dedos para sua nuca, quente, como se o frio da central de ar não desse conta do nosso calor somado; dou aos cabelos finos de lá leves penteadas e puxinhos. Caminho por seu ombro, tríceps, cotovelo, antebraços; volto por onde vim e dirijo-me por suas costas; amasso cada pedaço ao passo que também as toco com as pontas dos dedos, fazendo-a quase não sentir o toque. Ela tem um ponto fraco nas costas, que a faz dar algumas tremidinhas quando a toco ao meio. Exploro cada centímetro de suas asas e cinturas. Piloto por seu abdomen, aperto-o; tocá-lo me deixa mais aguçado, é a sua vulnerabilidade, é como se eu mesmo sentisse o toque que a dou. Caminho por uma banda de sua raba, grande e bem-desenhada; dou-lhe leves e fortes apertos, divirto-me puxando-a carinhosamente para mim, deixando livre o espaço que estava longe de meus olhares naquele momento, e que tanto queria. Continuo a nadar por sua perna, de pele macia; preencho-me a mão por todo o seu rio de coxas e panturilha, e volto como cheguei para onde comecei. Passei bons minutos dando-lhe um pouco desse amor que por ela sentia. Isto é o meu ponto de vista.

Ela é, embora nos conhecêssemos por tanto tempo, ainda um mistério em vezes para mim; porque quero sempre conhecê-la mais. Enquanto a carinhava, não me arrisco a dizer o que ela sentia. Não demonstrava. Não sei. E se ela estivesse se contendo? Perguntava-me mentalmente. Ao mesmo tempo, não queria que demonstrasse. Por que ela deveria demonstrar algo, se estava fazendo carícias inocentes? Para mim, era tudo natural o que vivíamos como amigos. Nada além daquilo, já havia aceitado que era o que era. Então começo a sentir ela a movimentar-se quase parada. Sentia sua respiração ofegar. Um calor triplicado ao que sentia no começo, como se agora ele se dissipasse em grande quantidade. Ela continua. Continuo meus carinhos, agora em maior intensidade. Passo a acariciá-la mais firme, sinto-me diferente; de tal maneira que não consigo entender mais o que estamos fazendo. Ela expira ainda mais forte em meu pescoço. Começa a dar-lhe beijos lentos, quentíssimos, que fazem com que se cerrem meus punhos e em seguida a aperte. Sinto, em minha perna, a umidade que ela trazia para mim, então, em descontrole dou-me a liberdade de tocá-la. Desço com minhas mãos sobre sua bunda e sinto sua boceta, pegajosa, como se já estivesse chamando-me desde o início das demonstrações de afeto. Toco-lhe até que ela decide beijar-me. Foi a primeira vez que senti seus lábios. A sensação era indescritível, já não mais raciocinava, apenas a degustava. A consistência de seus lábios, sua língua a envolver a minha, eram sensações ímpares, porque era com alguém que por muito desejava e admirava. Depois de provarmos nossos sabores, deito-a e a deixo nua, olhando para mim, paisagem. Dei-lhe um beijo e caminei com minha boca por seu pescoço, peitos, barriga. Pego um travesseiro e coloco sob a seu quadril, deixando-a totalmente disposta a mim. Então envolvo meus braços em suas pernas, beijo-as, até chegar aonde queria. Chupo-a, como se estivesse com pouca fome, embora fosse muita, carinhosamente. Não me esqueço do seu gosto, era como um doce, que estaria em meu café da manhã, almoço e janta de toda a vida. Por fim, deitamo-nos e conversamos. Desde aí passamos a nos demonstrar ainda mais, queria a todo custo sentir seus lábios; e o que mais me excitava era que ninguém poderia saber, o que levou a outras histórias dignas de inscrição, e talvez o será feito; em memória de nosso desejo."

- Você nunca me poupa dessas histórias, não?

- Você gostou, eu sei.

- Não pela temática, parece-me um tanto desconfortável; mas a linguagem me agradou de alguma forma.

- Você leria, então, a próxima?

- Em nome da escrita sim.

Levanto-me do banquinho em que estava.

- Até a próxima.

- Até logo, meu amigo.

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