A DIARISTA - PARTE 2
(Narração do Valdir)
Pois é pessoal, depois daquela manhã de loucura na casa do Julião, eu não conseguia pensar em mais nada. A imagem dela ficou gravada na minha mente feito tatuagem.
E tem uma coisa que eu tenho que falar: tanto eu como o Julião não pensávamos nela como sendo uma mulher qualquer. Muito pelo contrário! Pra nós dois ela era especial, era diferente de todas as outras. Tinha algo no olhar, no jeito de ser, que fazia a gente sentir uma coisa boa no peito, uma admiração danada. Não era só tesão, era carinho, era respeito, era uma ligação forte.
E o combinado era certo: sexta na casa do Julião, sábado no meu apartamento. E eu contava os dias, as horas, esperando chegar logo o final de semana.
Confesso pra vocês que eu estava ansioso pra caralho. Mesmo já tendo rolado de tudo, agora no meu lugar parecia diferente. O coração batia forte no peito.
E pra passar o tempo, eu fiz uma coisa: limpei todo o apartamento antes dela chegar. Varri, passei pano, organizei tudo, deixei o lugar brilhando. Não que estivesse sujo, mas queria que estivesse perfeito, e também pra quando ela chegasse, já tivesse menos trabalho.
Eu me arrumei também, fiquei só de calção e camiseta, bem à vontade.
A CHEGADA
Bateu na porta às 8 horas em ponto. Fui abrir e lá estava ela. Entrou toda natural, como quem vem cumprir o combinado, colocou a bolsa na mesa e já foi logo ligando o material de limpeza.
— E aí Valdir, vamos ao trabalho né?
— Claro Aninha, entra que o apartamento é seu.
Ela olhou pros lados, vendo o lugar arrumado, e já fez logo a brincadeira de sempre, na maior normalidade:
— Aqui no seu quarto não tem aquelas cuecas sujas e coladas que eu achei na casa do Julião né? kkk.
— A não Aninha... acho que não, kkk.
— Acha? Tem certeza? Porque se tiver eu jogo tudo fora viu!
— Meu Deus que coisa... você é muito detalhista mesmo mulher! kkk.
— Por onde tu quer que eu inicie?
— Ah... tu quem sabe né Aninha, fica à vontade, você manda aqui.
— Humm... tá bom então... vou começar pelos banheiros mesmo.
— Tudo bem.
— E aí... quantos cômodos são mesmo? O apartamento é grande?
— É um pouco maior que a casa do Julião sim. Tem três quartos, dois banheiros, essa cozinha grande, varanda, área de serviço e ainda tem as duas sacadas.
— Nossa... é bastante coisa viu...
— Pode ficar tranquila que vou te pagar mais tá? Não vou deixar você no prejuízo não.
— Hummm... acho bom então! kkk.
— Tá, eu já vou indo senão não consigo terminar tudo hoje mesmo.
— É... mas se não der, pode vir amanhã que eu topo também...
— É... dependendo de como for, acho melhor mesmo.
Ela parou, me olhou de lado, sorriu daquele jeito debochado que só ela tem:
— Tu me entendeu né safado?
— Não disse nada! kkk.
— É... mas só pra lembrar mesmo! kkk. Agora fica quietinho aí que eu vou trabalhar!
Ela virou e foi caminhando devagar, eu fiquei ali olhando, já sentindo o clima esquentar por dentro.
O CAFÉ E A CONVERSA
O tempo foi passando, o serviço andava bem, o apartamento ficava cada vez mais limpo e cheiroso. Na hora do café, sentei com ela na mesa.
— Nossa Valdir... — disse ela, dando um gole. — Que diferença, viu? O lugar está tão limpo, tão arrumado... dá gosto de estar aqui. Lugar muito bom mesmo.
— Obrigado Aninha... é que com você vindo cuidar, ficou até melhor.
Ela sorriu, mexeu na colherzinha, e aí eu resolvi perguntar:
— E aí Aninha... e o Cláus? Como ele está por aí?
Ela parou na hora, ficou olhando pra xícara, deu um suspiro longo.
— Ah Valdir... ele está assim, sabe? Muito desanimado... sem vontade de nada. Parece que perdeu a graça de viver. Está muito calado, muito pra baixo, não tem ânimo pra coisa nenhuma.
Eu fiz uma cara de decepção, balancei a cabeça negando.
— Nossa... que pena Aninha... que coisa triste isso viu. Ele sempre foi tão animado, tão cheio de vida... ver ele desse jeito assim, dá uma dor no peito. Que decepção com ele...
— É... é muito triste mesmo. Eu tento puxar assunto, tento animar ele, mas parece que ele está em outro mundo. Não me dá atenção direito... é como se ele estivesse só existindo, não vivendo.
— Poxa... que situação difícil. Ele tem uma mulher boa, tudo do bom e do melhor, e não está sabendo dar valor.
O ALMOÇO E O CLIMA
Chegou a hora do almoço, pedi comida.
— O que você quer?
— Uma alaminuta!
— Tá, uma pra você e duas pra mim! kkk.
Pedi as cervejas e o chocolate pra gente comer depois. Comemos na sala, o clima foi ficando mais íntimo aos poucos, só com o olhar, com a proximidade.
Aí ela começou a falar sobre o que tinha rolado antes, a gente foi se aproximando, até que não aguentamos mais e nos beijamos.
E do nada nossos corpos necessitavam de mais ação. O beijo foi pegando fogo, a gente se agarrou com força, e o resto vocês já sabem...
A AÇÃO NO QUARTO
Levantamos devagar, de mãos dadas, e fomos pro quarto.
Chegando lá, deitei ela na cama. Me coloquei por cima dela, olhei fundo nos olhos dela e entrei com todo cuidado.
Nossa que sensação! Diferente da primeira vez que foi mais descontrolado, agora era diferente. Eu comecei a socá-la bem devagar, sem pressa nenhuma. As estocadas eram fortes, profundas mas curtas, ia até o fim, sentava tudo dentro dela, e ficava ali roçando.
Ela gemia baixinho, cerrando os olhos e enroscando as pernas na minha cintura. Era uma coisa tão romântica, tão calma, mas ao mesmo tempo tão pegada. Parecia que nossos corpos eram um só.
Ficamos ali por um bom tempo, gozamos muito juntos, sentindo uma paz e um prazer que não tem explicação.
O BANHO
Depois de descansar um pouco na cama, a gente ainda estava com tesão de sobra. Resolvemos ir tomar banho pra lavar o suor e continuar a festa.
Entramos os dois no box, água morna caindo, corpos grudados. E aí o clima mudou de novo, a coisa esquentou.
Ficamos lá dentro de todas as formas: de pé, ela montada em mim, de ladinho, de quatro. Água, sabonete, pele na pele, gemidos altos e muito prazer. Era pura vontade de comer um ao outro até não aguentar mais.
NA SALA E NA COZINHA
Saímos do banho e já fomos pro sofá. A vontade era tanta que não parava nunca. Fizemos de tudo ali mesmo: 69, de lado, de todas as posições. Depois fomos pra cozinha, limpei a mesa, joguei ela sentada lá em cima e continuei com tudo. Fodi ela forte, as coisas balançando, o barulho da pele batendo, até que eu gozei tudo dentro dela, bem gostoso.
A CHEGADA INESPERADA
Depois de tanta ação, a gente ficou lá recuperando o fôlego. Quando olhei o relógio, já eram 16 horas da tarde! O tempo voou de tão bom que foi.
A gente se arrumou rápido, vestiu a roupa direitinho. Ela passou a mão no cabelo, que ainda estava úmido de tanto suor e água do banho. Mal tinha passado uns cinco minutos, quando bateu forte na porta: TOC TOC TOC!
Fui abrir e era ele: o Cláus!
— E aí parceiro! — falou ele todo sorridente, me deu um abraço bem forte e entrou. — Vim buscar a minha mulher!
— Entra aí Cláus, fica à vontade. — falei, tentando disfarçar o nervosismo.
Ele entrou e olhou pra Ana, que já estava sentada no sofá, ainda um pouco ofegante, mas se fazendo de calma.
— O que é que você tá fazendo aqui, amor? — gritou ela, fingindo surpresa.
— Vim te buscar, ué! Já tá na hora, achei que já tinha terminado.
— Ah, que bom que veio sim! Já terminei tudo, pode ficar tranquilo. — respondeu ela, me olhando de lado, meio debochada, como se dissesse “ainda bem que deu tempo de tudo”.
Ele chegou perto dela, deu um beijo na testa e reparou logo no cabelo dela:
— Ué, amor? Tu tomou banho é? O cabelo todo molhado ainda...
Ela nem pensou duas vezes, respondeu na maior cara de pau:
— Ah, sim! Tu nem imagina o que aconteceu! Tava limpando os armários do Valdir, tinha um monte de teia de aranha lá no fundo, ficou tudo grudado no meu cabelo! Tive que passar uma água rápida pra tirar, senão ia ficar com cabelo de aranha kkkk.
Ele riu, balançou a cabeça, deu um beijo bem demorado e bem forte nela, bem na minha frente. E eu ali, olhando tudo, pensando comigo mesmo: “Meu amigo, se tu soubesse que minutos atrás ela estava aqui, de joelhos pra mim, me chupando inteiro e engolindo toda a minha porra... e agora tu aí beijando a mesma boca, cheia de gosto de mim...”
Depois de um tempo, ela se virou pra mim, com aquele ar de quem sabe tudo, e perguntou:
— E daí, Valdir... tu gostou?
Eu gelei na hora, fiquei todo sem graça, meio assustado com a pergunta, e respondi rápido:
— Gostei? É... gostei é... claro que gostei Ana! Gostei da limpeza, né? Tudo muito bem feito, tudo no lugar, perfeito! Muito perfeito mesmo, Ana!
Ela abriu um sorrisinho maroto, piscou pra mim e completou:
— Pois então tá bom... eu sou especialista, sabia? Faço tudo com capricho.
Aí o Cláus olhou pra mim, todo orgulhoso dela, e falou:
— E ela é mesmo, hein Valdir! Ela é muito boa, sabe fazer tudo direitinho, faz muito bem feito.
Eu respondi na hora, já entrando na dele:
— É como sabe, Cláus! Ela é demais, faz de tudo, deixa tudo impecável.
— Eu sei, eu sei... — falou ele todo bobo. — Lá em casa a casa é sempre limpinha, arrumada, graças a ela.
Conversamos mais um pouco, eles se abraçaram e se despediram. Levei eles até o portão, levei até a porta do prédio.
Enquanto a gente ia saindo, eu ouvi ele falar bem baixinho no ouvido dela:
— Amor, vamos pra casa... eu tô morrendo de tesão, quero te comer a noite toda, sem parar!
Ela respondeu também bem baixo, com a voz cheia de malícia:
— Ah amor... eu também! Tô desesperada, subindo pelas paredes de tanta vontade!
Eu fiquei ouvindo aquilo e senti uma alegria danada no peito. Era tudo o que eu queria: ver eles bem, se amando de novo, como antes.
Quando entraram no elevador, ela, bem na hora que ele virou de costas, olhou diretamente pra mim, deu uma piscadinha bem safada e jogou um beijinho no ar, só pra mim.
A porta fechou, eles foram embora.
Eu voltei pra dentro do apartamento, deitei no sofá e fiquei lá, imaginando tudo o que tinha acontecido e tudo o que ia acontecer agora entre eles. Senti uma felicidade enorme, pois via claramente que o Cláus tinha voltado a ser o mesmo homem animado e cheio de vida de antigamente, e que ela também tinha aceitado ele de volta, de corpo e alma, como devia ser. Tudo tinha dado certo, do jeito que tinha que ser.
ALGUNS DIAS DEPOIS
Dias depois, ele convidou eu, o Julião e o João pra ir até a sua casa, tomar umas cervejas e disse que tinha que falar com nós três, assunto sério.
Eu fui muito assustado, achando que podia ser alguma coisa sobre o que aconteceu entre nós, e que o João estava lá só de testemunha. Mas não...
Quando chegamos, ele tava bem animado, muito feliz, e tava com um colar com bico de criança pendurado no pescoço. Achei estranho pra caramba, né? Perguntei pra ele:
— Que que é isso, Cláus? Tá chupando bico agora é?
— Não, não, não... isso não é nada, depois eu conto pra vocês! — respondeu ele todo misterioso.
Ficamos bebendo, conversando, e ele lá, mexendo naquele bico na mão, pendurado no pescoço. A Ana não estava em casa, então ele ficou bem à vontade com a gente.
De repente ele levantou, parou na nossa frente e disse:
— Pessoal, eu tenho uma surpresa pra vocês!
Ele pegou um envelope branco que estava na mesa. Quando ele pegou o envelope, eu fiquei super nervoso, achei que podia ser fotos ou alguma prova do que rolou... mas não, não tinha como. Mas sabe como é, né? Quando a gente tá errado, a gente acha problema em tudo.
Ele abriu o envelope devagar, olhou pra gente com os olhos brilhando de felicidade e soltou:
— Pessoal... eu vou ser papai!
Eu e o Julião nos olhamos na mesma hora, assustados, paralisados, sem reação nenhuma.
O João, que não sabia de nada, levantou correndo, deu um abraço nele daqueles que quebram costela, bateu forte nas costas dele e gritou todo feliz:
— Parabéns amigão! Parabéns mesmo, que notícia boa!
Eu e o Julião continuamos parados, nos olhando de novo, sem falar nada. Depois de uns segundos, levantamos também, demos um abraço nele e dissemos:
— Parabéns Cláus! Você tava precisando mesmo de um filho pra incomodar um pouco, né? A vida de vocês era muito tranquila, precisava de uma criança pra bagunçar tudo e dar mais alegria!
Todo mundo deu risada, menos eu e o Julião, que estávamos com a cabeça a mil.
Ele ficou todo orgulhoso, bateu no peito e falou:
— É mesmo pessoal! Ela tá com um mês certinho... não veio a menstruação, ela foi fazer o exame e já deu positivo direto!
Aí eu olhei pro Julião de novo, sem falar nada, só com os olhos, ergui os ombros devagar, pensando cá com os meus botões:
“E agora... de quem é o filho meu? Meu... ou do Julião... ou do próprio Cláus?”
E a gente ficou lá, sorrindo por fora, mas com uma dúvida danada martelando na cabeça, enquanto ele ali, todo bobo, todo feliz, sem desconfiar de absolutamente nada.
