AVISO IMPORTANTE
O conteúdo a seguir foi criado com auxílio de Inteligência Artificial. Todos os personagens, situações e eventos presentes nesta obra são estritamente fictícios. Todos os personagens são maiores de idade e todas as relações sexuais descritas ocorrem com pleno consentimento entre os envolvidos.
Este conteúdo pode ser sensível para algumas pessoas. Ao longo da obra poderão estar presentes temáticas como: incesto (real e não real), adultério, prostituição, relações heterossexuais, homossexuais, bissexuais, entre outras. Não nos responsabilizamos por quaisquer interpretações pessoais do conteúdo, e não encorajamos que qualquer situação descrita seja reproduzida na vida real.
Se você não se sente confortável com alguma dessas temáticas, recomendamos que não prossiga com a leitura.
APRESENTAÇÃO — JULIANA LEAL JARDIM
Olá! Pode me chamar de Ju, Juju ou Jujuba (prefiro Jujuba) — fica à vontade.
Meu nome é Juliana Leal Jardim, tenho 56 anos e sou dona de uma cantina em uma faculdade de São Paulo. Mas como cheguei até aqui? Bom, essa história tem seus segredos.
Ah, e já que estamos nos conhecendo... deixa eu me apresentar de verdade.
Tenho 1,58m, não sou alta, mas me viro bem com o que tenho. O corpo é de mãe mesmo — curvas avantajadas, seios e quadris generosos, daqueles que a vida e o tempo moldaram. Meu cabelo é ruivo oxigenado, de comprimento médio, e na cantina vivo com ele preso pra não atrapalhar o serviço. Os olhos são castanhos.
No trabalho uso roupas casuais com avental por cima — nada que chame atenção. Em casa uso shorts de dormir, pijamas confortáveis e vestidos longos. Agora... na vida dupla, depende do que o cliente pede. Às vezes pedem algo específico, alguém que ele queira fantasiar. E eu me adapto. Sempre me adaptei.
Quando fui conhecer a faculdade onde meu filho de 24 anos ia começar a estudar, dei de cara com uma surpresa: a cantina era de um antigo chefe meu — um homem que possui cantinas espalhadas por diversas faculdades e escolas pelo estado de São Paulo. Na hora, algo me bateu. E se eu conseguisse ficar com essa cantina? Ficaria mais perto do meu filho no dia a dia, poderia cuidar dele à minha maneira.
Fui conversar com ele. Ele relutou, claro. Por que abriria mão de uma unidade lucrativa?
Mas eu queria muito. E quando eu quero algo... eu vou atrás.
Apelei para o proibido. Ele era casado. Eu também era. Mas usei do meu charme, do meu jeito, do meu corpo — e transamos ali mesmo, pela cantina, naquela tarde. Quando terminamos, a cantina era minha.
O problema é que eu estava endividada. Precisava de dinheiro, e rápido. Foi então que me lembrei de como tinha conseguido a cantina — meu corpo como moeda. Pensei: só algumas vezes, até quitar as dívidas.
Pelo menos era o que eu me dizia.
Em três meses trabalhando na cantina de segunda a sexta, e como prostituta no tempo livre, paguei tudo. Dívida zerada. Missão cumprida.
Mas eu não conseguia parar.
Tentava me convencer de que ainda precisava, que era necessidade. Mentira. A verdade — aquela que eu não queria admitir — é que eu gostava. Gostava de ser paga por sexo. Gostava de ser tratada como objeto por desconhecidos. Gostava da adrenalina, do segredo e da vida dupla.
E assim segue minha história.
Capítulo 1 — Rotina
A cantina abria às sete da manhã.
Eu já estava lá às seis e meia, como sempre. Esse era o meu ritual — chegar antes de todo mundo, antes do barulho, antes dos alunos com pressa e dos professores mal-humorados. Acendi as luzes, liguei o exaustor, coloquei o café pra fazer. O cheiro de pão aquecendo foi se espalhando pelo corredor ainda vazio enquanto eu amarrava o avental por cima da blusa simples e prendia o cabelo ruivo num coque apressado.
Dois anos. Dois anos de rotina nessa cantina, e eu ainda gostava desses minutos antes de tudo começar. Do silêncio. Da faculdade ainda adormecida, sem pressa, sem barulho, sem ninguém me pedindo nada.
Só eu, o café, e os pensamentos que eu tentava não ter.
Fui cortando o pão de forma no piloto automático, arrumando as bandejas, organizando os salgados na vitrine. Mãos ocupadas, cabeça vazia — era assim que eu preferia começar o dia. Quando a cabeça ficava ociosa cedo demais, ela ia para lugares que eu não queria visitar de manhã.
Rodrigo chegou às sete e dez, como de costume.
Ouvi a porta dos fundos antes de vê-lo — o barulho específico da maçaneta que ele nunca consertou, o som dos tênis no piso. Entrou com a mochila nas costas e os olhos ainda pesados de sono, o cabelo preto levemente despenteado, o degradê já pedindo uma passagem na barbearia fazia dias. Alto. Largo. Com aquela cicatriz discreta abaixo do olho esquerdo que eu conhecia desde quando ele era criança, quando caiu da bicicleta e eu o levei para o pronto-socorro chorando mais do que ele.
O meu filho.
— Bom dia, mãe. — A voz grossa, rouca do sono. Sempre assim de manhã — parecia que ele precisava de uma hora acordado para a voz afinar.
— Bom dia, meu filho. — Sorri sem virar. — Café tá pronto.
Ele passou por trás do balcão para pegar a xícara, e por um segundo o braço dele roçou o meu ombro. Leve. Completamente sem intenção. Eu continuei mexendo a panela como se nada tivesse acontecido, como se aquele contato de dois segundos não tivesse deixado uma espécie de rastro de calor que durou tempo demais.
Bobagem, pensei, firme. É meu filho.
Tomamos o café em silêncio, lado a lado no balcão, esperando os primeiros alunos chegarem. Era assim todo dia — ele dorminhoco, eu já no modo trabalho, os dois no mesmo espaço pequeno sem precisar encher de conversa. Eu gostava disso. Sempre fui de silêncio confortável com ele, desde pequeno.
Foi por isso que fiz tudo que fiz para conseguir ficar aqui. Para ter isso — o café das sete da manhã, o silêncio compartilhado, a certeza de que ele estava bem porque eu podia ver com os próprios olhos.
Pelo menos era o que eu dizia pra mim mesma.
Os alunos começaram a chegar perto das sete e meia e a cantina encheu num minuto. Pedidos de café, coxinha, suco de caixinha, pão na chapa com queijo, misto quente. Eu e Rodrigo nos movíamos no espaço apertado atrás do balcão com a sincronia de quem já decorou os passos do outro — ele na chapa, eu no caixa e no atendimento, os dois desviando um do outro por instinto sem precisar pedir licença.
Vez ou outra nossos olhos se cruzavam por cima da movimentação. Rápido. Ele desviava primeiro, quase sempre. Eu fingia que não tinha notado.
Às oito e meia as aulas começaram e o fluxo foi secando. Em dez minutos a cantina estava vazia de novo. Rodrigo tirou o avental, passou a mão no cabelo, pegou a mochila.
— Tenho aula até meio-dia. — Disse, já se afastando para a saída. — Volto no almoço.
— Vai com Deus. — Respondi automaticamente, os olhos ainda na vitrine que eu estava reabastecendo.
Mas quando ele saiu, parei.
Fiquei olhando o corredor por onde ele tinha sumido — as costas largas, a mochila, o jeito levemente curvado de quem é alto e ainda não aprendeu completamente a ocupar o próprio tamanho. Fiquei olhando por alguns segundos a mais do que precisava.
Depois sacudi a cabeça e voltei para trás do balcão.
Tinha coisas para fazer. E o professor Henrique não tardaria.
Ele chegou às nove e vinte, dez minutos antes do horário combinado, como sempre fazia.
Cabelos grisalhos bem cuidados, óculos de armação fina, paletó cinza mesmo com o calor que já castigava São Paulo naquela manhã. Sentou no banco alto do balcão com a pasta no colo e pediu um café que ficou esfriando do lado enquanto ele me olhava com aquela paciência específica — a paciência de quem tem certeza absoluta do que vai acontecer e por isso não tem nenhuma pressa.
Eu servi o café sem encontrar os olhos dele. Já sabia o que aquele olhar significava, já sabia o que vinha a seguir, e tinha aprendido que era mais fácil não estabelecer contato visual antes. Mantinha as coisas mais simples na minha cabeça.
Fui servindo os poucos alunos que ainda circulavam, limpando o balcão, esperando. Perto das nove e meia o movimento secou completamente. Olhei para os lados, confirmei que o corredor estava vazio, e virei a placa da porta para Fechado momentaneamente.
Indiquei a porta dos fundos com um gesto discreto.
O professor Henrique pegou a pasta, deixou o café intocado, e me seguiu sem dizer uma palavra.
O depósito era pequeno — prateleiras de metal de um lado cheias de caixas de suco e embalagens de café, a geladeira de bebidas zumbindo no canto. Ele entrou, olhou em volta com aquela expressão de quem avalia antes de agir, e largou o envelope em cima da prateleira mais próxima sem que eu precisasse pedir.
Nunca precisei pedir. Era parte do que eu gostava no professor Henrique — ele era direto. Sem jogo. Sem fingir que era outra coisa.
— De joelhos, Juliana.
A voz baixa. Sempre baixa, sempre controlada. Nunca precisou de volume para ter autoridade.
Desci devagar, o avental ainda amarrado na cintura, os joelhos encontrando o chão frio do depósito. Senti os dedos dele no meu cabelo antes mesmo de estar completamente no chão — desfizeram o coque com um puxão firme e meu cabelo ruivo caiu pelos ombros de uma vez. Ele passou os dedos nele por um segundo, como se gostasse da textura, antes de fechar a mão com força.
— Abre.
Abri.
Ele não tinha paciência para construção e nunca fingiu ter. Foi fundo desde a primeira vez que eu abri a boca, sem aviso, sem cerimônia, sem o tipo de gentileza que algumas pessoas usam para disfarçar o que realmente querem. O engasgo foi involuntário — sempre era nas primeiras investidas — e eu ouvi o som satisfeito que ele fazia quando isso acontecia, aquele som baixo no fundo da garganta que significava que estava exatamente onde queria estar.
As mãos dele no meu cabelo não me davam margem para ritmo próprio. Era ele que conduzia, ele que decidia quando ir fundo e quando recuar o suficiente para me deixar respirar, ele que determinava o ângulo, a velocidade, a profundidade. Eu aprendi — ao longo de meses de encontros semanais — a relaxar a garganta completamente, a transformar o reflexo de engasgo em algo que eu controlava, a respirar nos intervalos curtos que ele me concedia antes de voltar a me foder a boca com aquela força toda.
— Não para. — Disse ele, a voz rouca mas ainda controlada, enquanto usava meu rosto sem cerimônia nenhuma, me fodendo a garganta funda como se eu tivesse sido feita exclusivamente para isso.
E a parte que eu não conseguia mais negar — aquela parte que ficou quieta por meses e depois parou de ficar — era que eu gostava. Gostava do engasgo, gostava de sentir que não tinha controle sobre nada daquilo, gostava de ser usada assim por um homem de paletó no meio de um depósito de cantina. Gostava quando ele ficava mais agressivo, quando as mãos fechavam mais forte no meu cabelo e o ritmo ficava menos paciente e mais urgente, quando eu ouvia a respiração dele mudar e sabia que estava chegando no limite.
— Isso — ele disse, quase para si mesmo, os quadris acelerando contra meu rosto. — Fode essa puta garganta.
Minha maquiagem tinha escorrido toda pelo rosto. Os joelhos doíam no chão frio. O avental estava amassado e eu provavelmente estava um estado deplorável — e nada disso importava, porque aquela parte de mim que gostava de ser tratada como objeto estava completamente satisfeita com exatamente o que estava acontecendo.
Quando chegou no limite, o aperto no meu cabelo ficou brutal — esse era o aviso, aprendi a reconhecer faz tempo. Empurrou fundo, os quadris pressionados contra meu rosto sem me deixar recuar um milímetro, e gozou direto na minha garganta — quente, abundante, pulsando, com aquele som contido que era o máximo de barulho que o professor Henrique permitia a si mesmo. Eu engoli tudo porque não havia outra saída e porque, honestamente, já nem queria outra saída, os dedos dele no meu cabelo me mantendo exatamente onde ele queria até ele terminar completamente, até o último espasmo.
Só me soltou quando teve certeza absoluta de que tinha acabado.
Fiquei parada por um segundo apoiada na geladeira, respirando pelo nariz, deixando o mundo parar de girar levemente. O gosto na minha garganta, o rosto destruído de maquiagem, os joelhos vermelhos do chão frio — inventário automático de todas as quartas-feiras.
Abri a torneira pequena no canto e me refiz o suficiente para voltar ao balcão.
O professor Henrique já tinha ajeitado o paletó e pegado a pasta. Saiu sem dizer uma palavra — sem obrigado, sem até mais, sem nenhuma das cortesias que as pessoas usam para fingir que as transações são outra coisa. Eu apreciava isso. Era mais honesto do que a maioria das interações que eu tinha.
Peguei o envelope da prateleira. Não precisei contar — nunca precisava.
Virei a placa de volta para Aberto e coloquei a chaleira pra ferver.
O movimento do meio da manhã foi tranquilo — alguns alunos entre aulas, uma professora que vinha todo dia pedir chá de camomila e ficava reclamando da direção por dez minutos antes de ir embora. Eu ouvia, assentia, sorria. Parte do trabalho.
O diretor Marcelo chegou às dez e vinte.
Ele aparecia às quartas, sempre depois das dez, quando os corredores estavam cheios de aula e ninguém prestava atenção em quem entrava ou saía da cantina. Não deixava envelope — nunca precisou. O acordo entre nós não era em dinheiro, e os dois sabíamos disso desde o primeiro dia. Dois anos sem pagar aluguel de um espaço comercial dentro de uma faculdade particular em São Paulo valia muito mais do que qualquer cachê por hora, e nenhum dos dois precisou fazer esse cálculo em voz alta mais de uma vez.
Ele era diferente do professor Henrique em quase tudo. Mais velho, cabelos completamente brancos, barriga de homem que almoça bem todo dia. Sem a frieza calculada do professor — o diretor Marcelo era quase afável, do tipo que cumprimenta funcionários pelo nome e sabe o aniversário da secretária. Sentou no banco alto do balcão, pediu um suco de laranja que de fato bebeu até o fim, e ficamos trocando algumas frases sobre o movimento da semana, sobre a reforma prevista para o corredor B, sobre o calor que não dava trégua em São Paulo naquele outubro.
Quase normal. Quase uma conversa entre duas pessoas sem nenhum acordo implícito entre elas.
Quando o último aluno saiu e o corredor ficou vazio, o diretor Marcelo pousou o copo no balcão e me olhou. Sem pressa. Sem nenhum sinal específico além daquele olhar de quem sabe que chegou a hora.
Eu virei a placa.
Com ele era sempre da mesma forma — eu me apoiava no balcão de frente para a parede dos fundos, os antebraços no mármore frio, e ele vinha por trás. Sem variação, sem pedido diferente, sem curiosidade de experimentar outra coisa. Era um homem de hábitos rígidos, o diretor Marcelo, e eu era parte dos hábitos das quartas-feiras dele.
Aprendi a vir sem calcinha nas quartas fazia mais de um ano. Economizava tempo, e ele claramente apreciava a praticidade sem nunca ter dito isso em palavras. Quando ele levantou meu vestido com as duas mãos, devagar, encontrou exatamente o que esperava — e o som baixo que fez foi de aprovação pura.
As mãos dele se espalharam nas minhas nádegas por um momento, apertando, avaliando, como quem confere o que é seu. Depois uma delas foi para a minha cintura e a outra guiou o que precisava guiar.
Ele entrou devagar mas completamente, fundo de uma vez só, e o som que saiu de mim foi abafado pela mão que coloquei na própria boca — velho reflexo, o depósito ficava perto do corredor. Me preencheu completamente, e eu senti cada centímetro daquilo enquanto ele ficava parado por alguns segundos, me deixando sentir, antes de começar a se mover.
— Isso — ele murmurou, as mãos apertando minha cintura. — Que buceta boa.
Não era o tipo de coisa que eu esperava do diretor Marcelo. Mas às quartas, longe do paletó e da formalidade do cargo, ele era uma pessoa ligeiramente diferente.
O ritmo dele era o que eu já conhecia de cor — constante, deliberado, profundo, sem pressa. Ele comer minha buceta naquele balcão toda quarta tinha uma qualidade quase meditativa, como se fosse parte de uma rotina sagrada que ele levava muito a sério. As mãos nos meus quadris me mantinham no ângulo exato que queria, e ele não desviava daquele ritmo por nada — aumentava gradualmente, metodicamente, como quem sobe uma ladeira sem pressa mas sem parar.
Eu ficava olhando para o azulejo branco da parede e deixava. Não fingia prazer que não sentia, não encenava nada — com o diretor Marcelo não era necessário. Era uma troca limpa. Meu corpo em troca do espaço que eu ocupava. E se às vezes o ritmo dele me pegava num ângulo que fazia minha respiração travar involuntariamente, isso era só biologia. Não significava nada.
Não significa nada, repeti mentalmente, enquanto ele aumentava o ritmo e as mãos apertavam mais forte.
Quando chegou perto do fim, parou de ser metódico. As mãos fecharam nos meus quadris com força — forte o suficiente para deixar marca roxa, eu sabia por experiência de semanas anteriores — e começou a me foder com força de verdade, os quadris batendo contra mim com um som seco que ecoava levemente no depósito, me fodendo com aquela força toda que ele guardava durante toda a semana e despejava ali na quarta-feira de manhã.
— Não sai daqui — ele disse entre dentes, os quadris martelando. — Fica quieta assim.
Gozou dentro, fundo, com um aperto que me prendeu completamente no lugar enquanto ele terminava, a respiração pesada quebrando o silêncio do depósito por alguns segundos antes de ele se recuperar e voltar a ser o diretor Marcelo de sempre.
Se retirou sem cerimônia. Ajeitou a roupa com a calma de sempre. Voltou ao balcão, tomou os últimos goles do suco, e depositou uma nota dobrada no balcão como gorjeta.
— Boa semana, Juliana.
— O senhor também, diretor.
A porta fechou. Fui ao banheiro me arrumar antes do almoço.
O rush do almoço foi intenso, como sempre às quartas.
Rodrigo voltou das aulas com fome e o celular na mão, jogando o avental por cima da cabeça sem parar de andar. Trabalhamos lado a lado pelo movimento todo — ele na chapa, eu no atendimento — com aquela sincronia silenciosa de sempre.
Em algum momento, quando me virei rápido demais para desviar de uma bandeja que ele segurava, minha mão pousou no braço dele para me equilibrar. Ele parou. Olhou para a minha mão. Depois olhou para mim.
Nenhum dos dois disse nada.
Eu fui atender a mesa do fundo.
Inofensivo, pensei, firme. Completamente inofensivo. Para de inventar.
O resto da tarde passou sem novidade. Fechei a cantina às seis, fiz o caixa, separei o pedido de estoque. Rodrigo foi embora mais cedo, tinha trabalho da faculdade para entregar.
Em casa a noite tinha aquela qualidade silenciosa de sempre. Meu marido na frente da televisão, jantar no colo, as frases de sempre trocadas na cozinha. Superficial. Funcional.
Depois do jantar, enquanto eu lavava a louça, ouvi o chuveiro no banheiro. Rodrigo.
Terminei a louça, dobrei o pano de prato, e fui buscar a toalha limpa que tinha deixado separada no armário do corredor.
O armário ficava do lado do banheiro. A porta estava levemente entreaberta — só o suficiente para o vapor escapar, e para que o vidro fosco do box fosse visível do ângulo em que eu estava. A silhueta era clara. Alto. Largo. Os ombros que eu via todo dia atrás do balcão, agora sem nada por cima.
Fiquei parada por segundos que não deveria ter ficado.
Vai embora, Juliana.
Fui. Fechei a porta do quarto atrás de mim, sentei na beira da cama com a toalha na mão, o peito apertado com alguma coisa que eu me recusava a nomear. Fiquei ali até o chuveiro desligar, até os passos dele sumirem pelo corredor.
É meu filho, pensei.
Mas estava ficando cada vez mais difícil fazer essa frase funcionar.
No domingo meu marido estava acordado no sofá quando entrei, perto das onze da noite.
A televisão ligada, volume baixo. O olhar de lado quando a porta abriu — aquele olhar específico que eu conhecia em detalhes, que não era raiva ainda mas que era o estágio imediatamente anterior. A desconfiança tomando forma, as perguntas se enfileirando atrás dos dentes.
Conhecia esse olhar fazia anos. Sabia exatamente o que fazer com ele.
— Tardou.
— Minha mãe estava mal disposta. Fiquei mais tempo.
— Todo domingo é a mesma coisa. Você some o dia inteiro e chega quase meia-noite.
Não respondi de imediato. Larguei a bolsa na cadeira mais distante — longe dele, longe do envelope que estava lá dentro — e me aproximei do sofá sem pressa, sem urgência, sem nada que parecesse estratégia, embora fosse exatamente isso. Sentei do lado dele. Coloquei a mão na coxa dele com aquela leveza específica que eu sabia que funcionava — nem leve demais, nem direta demais. A pressão certa.
Senti ele enrijecer. Resistência antes do desejo. Sempre nessa ordem.
— Tô aqui agora. — Disse baixinho, inclinando o rosto para o pescoço dele, os lábios roçando abaixo da orelha.
Ele ficou rígido por mais alguns segundos — tentando manter a posição, tentando ser o marido que faz perguntas e recebe respostas. Mas eu conhecia esse corpo fazia mais de vinte anos. Sabia onde a tensão dele morava, quais pontos dissolviam a resistência antes que virasse confronto. Deixei a mão subir devagar pela coxa, senti o momento exato em que ele parou de resistir — aquele segundo específico em que o corpo decide antes da cabeça — e me levantei, puxando ele pelo braço em direção ao quarto.
Ele foi sem reclamar.
No quarto tirei a blusa antes mesmo de ele acender a luz. Conduzi tudo desde o começo porque era mais rápido assim, e porque enquanto eu conduzia ele não pensava em mais nada. Empurrei ele para a cama, subi por cima, e comecei devagar — o ritmo certo para desligar a cabeça dele completamente.
Não era desejo. Era precisão cirúrgica disfarçada de intimidade — eu sabia exatamente o que fazer com aquele corpo para que ele esquecesse qualquer coisa que estava prestes a perguntar. Deixei os sons saírem quando calculei que fariam efeito. Aumentei o ritmo quando senti que ele estava perto de se perder de vez. Segurei o rosto dele quando achei que precisava de algo mais pessoal para fechar o ciclo.
Quando ele terminou, estava sem fôlego, satisfeito, completamente desarmado.
Virou de lado em menos de dois minutos. Dormiu em cinco.
Eu fiquei deitada olhando para o teto no escuro, a respiração voltando ao normal, a casa em silêncio ao redor.
Necessidade, pensei, como sempre pensava.
O envelope na bolsa na sala. O professor Henrique às quartas de manhã. O diretor logo depois. O aplicativo nos fins de semana, os homens cujos nomes eu não sabia, os apartamentos que eu nunca voltaria a visitar. A vida inteira construída sobre um segredo que tinha começado como solução emergencial e que agora era simplesmente a minha vida.
Necessidade, insisti.
Mas nem eu mesma acreditei há meses.
O celular vibrou na mesa de cabeceira perto de meia-noite e meia.
Meu marido não acordou. Eu peguei rápido, a tela iluminando o quarto escuro.
Era o Mateus.
Tia Ju! Tudo bem? Tô voltando pro Brasil semana que vem, finalmente rsrs. Tava pensando... seria muito abuso passar uns dias aí na sua casa antes de resolver as coisas aqui em SP? Me diz se não puder, sem pressão
Fiquei olhando para a mensagem por alguns segundos.
Mateus. Dezenove anos, a última vez que o vi tinha dezesseis e estava embarcando com os pais para Portugal cheio de planos e de energia. Três anos fora. Voltando semana que vem.
Digitei a resposta antes de pensar demais:
Que saudade! Claro que pode, fica o tempo que precisar. A casa é sua.
Pus o celular de volta na mesa, olhei para o teto.
Meu marido roncava levemente do lado.
Fechei os olhos.
Completo com imagens ilustrativas:
https://docs.google.com/document/d/1dKe2PZ3nMhsHrYESQ4Ww5E3TCLwxyn--UPQDncRlXw0
