Primeiras Contrações do Saber
Jacira Batista nunca teve pretensões acadêmicas.
Ex-cobradora de ônibus, criadora de gatos diabéticos, apreciadora de filmes pornô vintage com legendas fictícias, vivia uma vida pacata no bairro da Goma Queimada, Zona Leste da cidade onde a geografia não importava.
Até o dia em que, durante uma noite especialmente solitária, ela resolveu se masturbar assistindo a um documentário da BBC sobre estruturalismo francês.
Algo vibrou dentro dela — mas não de forma erótica.
Vibrou como se o cólon descendente tivesse entendido Lévi-Strauss.
E no clímax, ao enfiar dois dedos no cu e gritar "MERDE!", uma folha A4 escorregou de dentro dela, úmida, perfumada de lavanda e esperma.
O título?
“O Desejo como Texto: Uma Leitura Lacaniana do Orgasmo Não-Narrativo.”
Jacira desmaiou. Ao acordar, percebeu tudo: o seu cu escrevia ensaios.
A Puta do Notório Saber
No começo, pensou que era delírio.
Mas na semana seguinte, após um boquete apressado num entregador de sushi, sentiu o ânus pulsar com gana produtiva.
Foi até o banheiro.
Se agachou sobre o bidê.
Fez força.
Saiu mais um texto:
“A Dialética da Penetração: Marx, Rola e a Luta de Classes.”
Era brilhante.
Tinha notas de rodapé.
Citações perfeitas.
Estava formatado em ABNT, caralho!
Jacira entrou em contato com um amigo que ainda fazia parte da UFRJ — o Professor Fabiano Gallardo, especialista em Semiótica Aplicada ao Cinema Pornô dos anos 70.
Ao ler o texto anal, Gallardo tremeu, suou e teve uma ereção semiológica.
— Jacira… teu cu é... um gênio. Um gênio textual.
O Cu Acadêmico Vai à Universidade
A notícia se espalhou em círculos alternativos.
Jacira passou a ser convidada a participar de seminários.
Mas havia regras.
Ela só podia apresentar os trabalhos se estivesse excitada.
A vagina era muda. A boca só servia pra gemer.
Era o cu, e apenas ele, que expelia conhecimento.
No IV Simpósio de Epistemologias Marginais, em um motel temático em Niterói, Jacira apresentou o trabalho “Intertextualidade entre Fisting e Walter Benjamin”, que saiu inteiro enquanto ela enfiava o gargalo de uma garrafa de catuaba na xoxota e declamava "tesão é resistência" em iorubá.
Uma salva de palmas emocionada.
Um doutor gozou chorando de joelhos.
Outro pediu pra cheirar o papel ainda morno, recém expelido do reto.
A Inveja dos Catedráticos de Pau Murcho
Veio a inveja.
Os departamentos tradicionais começaram a acusá-la de charlatanismo.
— O que ela faz é pornografia de cloaca disfarçada de epistemologia!
— O saber deve sair da cabeça, não do esfíncter!
Mas não conseguiam negar a qualidade do material.
Revistas indexadas imploravam por artigos.
Ela assinava como “Prof.ª Doutora A.N.U.S. Batista”.
A sigla virou objeto de culto.
Grupos de estudo se masturbavam coletivamente ao som das suas leituras anais em áudio 8D.
Havia quem rezasse pro cu dela.
Havia quem o estudasse como objeto teológico.
Havia quem o lambesse por devoção.
A Tentativa de Contenção e a Fuga do Saber
O CAPES tentou intervir.
Quiseram impedir a defesa de sua tese de pós-doutorado:
“A Ontologia do Gozo: entre o cu e o Logos.”
O Ministério da Educação enviou fiscais.
Mas um deles — doutor em Políticas Públicas e passivo enrustido — acabou encantado.
Jacira o levou ao banheiro da reitoria.
Montou com fúria no pau dele com o cu.
E depois que gozou expeliu três capítulos da tese em folhas de linho aromatizado, molhadas de amor e insight.
O fiscal saiu chorando.
Renunciou ao cargo.
Fundou o Instituto Nacional de Produção Acadêmica Anal e começou a vender cópias dos artigos em feiras esotéricas.
O Orgasmo Teórico Final
Na defesa da tese, a banca era composta por:
Uma travesti filósofa que falava em glossolalia.
Um pastor punk que acreditava que Paulo Freire era uma entidade sexual.
Uma ex-noviça excomungada por gozar rezando o credo.
Jacira subiu nua à mesa.
Lubrificou-se com vinho do Porto.
Enfiou uma cópia de “Ética a Nicômaco” no cu e gritou:
— O saber não é acumulado!
O saber é parido pela bunda do desejo!
E então... começou a sair.
A tese inteira.
Página por página, entre gemidos e cãibras de verdade.
Gráfica, sensível, absurdamente lúcida. Aquele cu era uma impressora quântica de última geração.
Ao final, cagou uma rosa vermelha. E o diploma.
A banca chorava.
A platéia aplaudia de pé, uns batendo punheta, outras, siririca.
Uma professora da PUC teve um orgasmo auditivo e perdeu os sentidos.
Jacira foi declarada PHD em Filosofia Anal do Prazer Transgressivo.
O Cu Continua
Hoje, ela viaja o mundo com seu projeto “Saber Pelo Rabo”, onde dá oficinas em universidades, saunas gays, presídios femininos e bibliotecas sensoriais.
Seu cu já escreveu 3 livros, 8 ensaios, 42 artigos, 1 constituição alternativa e um tratado contra o fascismo em forma de poema escatológico.
E ela avisa:
— O próximo que disser que o conhecimento vem da cabeça… eu sento o meu cu numa pica até arrancar a dúvida dele. Por escrito.
