50 anos, 25 anos (parte 9 e 10 de 40)

Da série 50 anos, 25 anos
Um conto erótico de Marcelo e Felipe
Categoria: Gay
Contém 2530 palavras
Data: 11/05/2026 11:06:53
Assuntos: Gay

9. Dia dez (quinta) - Marcelo

Pensando. Ficamos pensando desde que saímos da imobiliária.

O dono do apartamento precisava do dinheiro da venda para custear a saúde de um parente, estava ofertando há mais de dois anos e nós éramos os únicos interessados com poder de fazer isso. Ótimo, mas o banco não liberou o financiamento, exceto se Felipe e eu casarmos, e… a esposa do dono é juíza e já adiantou que querendo a gente casa no mesmo dia, e… nós dois estamos livres e queremos morar juntos, independente de toda essa bagunça sexual que aparentemente é ignorada por todo mundo, eles acham que depois de uns poucos anos a gente pode descasar, mas…

Isso deu uma pirada na minha e na cabeça de Felipe e não quisemos dividir isso com mais ninguém, nem com Jonas. Isso era sobre Felipe e eu. Terça, ontem e hoje, pensando, Felipe entrou em crise de pânico e foi dispensado do trabalho ontem, ele deu o telefone e mandou ligarem pra mim, isso levou uns cinco minutos pelo que dizem, pegar o telefone, desbloquear e mandar ligarem pra mim, cinco minutos.

Moro perto da escola de Felipe, peguei um Uber para “levar para um hospital”, levei Lipe para a praia e disse que lembrava que ele ficava calmo fazendo castelos de areia, dois homens bem adultos, quase velhos, dois ursos maduros de jeans fazendo castelos na areia, cheguei mesmo a comprar um baldinho com um vendedor ambulante, levamos isso a sério, ele estava tranquilo, perguntei se era difícil se imaginar como meu marido, ele disse que tinha medo de ser feliz, sempre abandonado, sempre trocado, sempre… depois de ser feliz uma segunda vez…

Quando Felipe perdeu o filho, minha esposa enfrentava o câncer pela primeira vez e eu tinha duas meninas bem pequenas, nem ele podia estar comigo e nem eu com ele, mas a gente nunca esteve tão perto, cartas, telefonemas, ICQ, eu me sinto como se a gente só não tivesse podido estar junto, mas a gente estava tão perto quanto se podia estar, minha mulher venceu a doença do corpo, a mulher dele não resistiu a doença da alma, entristeceu e não conseguiu parar de… Nesse tempo Jonas estava em Jersey, acho, de vez em quando eu conseguia contato com ele, cáustico e animado, Jonas passou a manchar as memórias que tínhamos dele e de certo modo a gente deixou de ser a gente, porque a gente sempre foi três.

Beijei Felipe na beira do mar, só a morte ia me separar dele, ainda que ele estivesse com medo, ainda que a possibilidade de casar comigo lhe trouxesse a recordação de uma dor desumana… ele me amava, a gente se dá super bem há uns trinta e cinco anos e alguns meses, eu não ia abandonar a possibilidade de amar e ser amado de verdade por toda vida mais uma vez, dane-se meu luto, o interminável luto dele, dane-se o bom senso, beijei, beijei sem língua de olhos abertos e levantei para dizer que como um casal maduro precisamos de paredes mais firmes que as daquele castelo, levantei e ele me olhava, disse a Felipe que a gente precisava comer.

Estávamos a algumas quadras daquele hotel onde a gente se comeu pela primeira vez, eu queria fazer sexo com Felipe sozinho, sem Jonas, só Felipe e eu. Mas por hora, era decidir a cor do sofá, as prioridades de compras, ele fazia o prato dele e dizia que tínhamos de ver fiação, encanação, disse que iríamos medir a metragem e comprar papel para o chão e pintarmos assim que possível, cama e guarda-roupas, uma mesa pra sala e chega, o restante viria aos poucos, falei de uma máquina de lavar e secar, ele fez uma pausa pensativo com um garfo com carne a meio caminho de sua boca, falei que ele deveria se demitir da escola particular, ficar só na pública, não precisamos de tanto dinheiro só pra dois.

Felipe diz que teremos muitos gastos no começo, cortinas, toalhas, lençois, travesseiros, pratos, talheres, copos, lâmpadas, aparelhos de cozinha, uma rede. Uma casa do zero, do zero, uma estante para os livros que agora poderá ter e manter, ler pra mim em voz alta enquanto lavo os pratos, um chuveiro potente. Uma estrutura assim custa caro, já havíamos conversado sobre as contas, havíamos colocado Jonas fora da equação, de um jeito estranho e triste a gente vai desacreditando que ele possa fazer algo para continuar conosco. Felipe bebe um gole de minha cerveja e diz que acha que dessa viagem ele não retorna, e dessa vez, Jonas pode não saber, mas esse até mais vai ser adeus.

Continuo insistindo que ele deveria ao menos reduzir o número de aulas, o surto dele ia dar respaldo a essa decisão, ele diz que discorda, mas como meu esposo, tem de ouvir o marido. Ele ri quando eu sorrio disso, manda eu ligar para o dono do apartamento, eu peço para ver o apartamento novamente, para medirmos os espaços, comprarmos tinta para as paredes. Ele poderia nos ceder as chaves assim que eu passasse o sinal para a imobiliária, caramba, em algumas horas eu terei minha primeira casa própria e no caso é um apartamento.

Vamos a pé buscar essa chave, falamos dos tons de parede, marrom quase branco, verde quase branco, cinza quase branco, branco… Felipe diz que quer um sofá de couro, mesmo falso, caramelo, para ficar óbvio onde a porra cai quando escorresse de minha bunda e ele me fizesse lamber a porra vazada dele, eu estava apaixonado demais, que vontade de beijar ele no meio da rua, como eu fazia antes, antes de saber que sou gay, disse a ele que eu não sei a quanto tempo sou gay, talvez eu sempre o tenha amado, mas era inexperiente demais e de toda forma queria ser o filho perfeito… ele pegou minha mão e beijou o verso.

Entramos no apartamento e já era quase noite, no dia seguinte eu iria com ele ao Fórum e estaria casado antes da onze, o banco receberia toda a documentação antes da hora do almoço e na segunda ele e eu seremos um casal de fato donos deste apartamento em que ele fecha a porta e me esmaga contra ela num beijo. O puto me chama de safado pauzudo, diz que quer me chupar e depois me comer, estamos sem gel, sem camisinha, sem… foda-se, eu o conheço desde a vida anterior se brincar, eu o amo, eu o quero e se meu marido quer encher meu cu de porra, me fazer vazar e depois lamber, caralho, é o mínimo, é isso o que vou fazer.

Mas a gente vai pra varanda, afrouxamos as roupas e colocamos o dedo um no cu do outro, sem entrar, só a pontinha, só a unha arranhando, só a pressão e o rabo fazendo um bico, o pau querendo saltar e a gente olhando o prédio ao lado, cheio de consultórios, escritórios e salas comerciais, ele diz que nem reparou nisso, teremos alguma privacidade à noite e nos fins de semana. Não aguento mais e ponho meu pau pra fora, ele me sorri, ajoelha e faz O Boquete, o melhor de minha vida, pede tapa e eu me sinto seguro e dou, é meu macho, dou e ele vira o rosto e sorri, chupa e lambe e baba como se eu fosse um deus a ser adorado, diz que eu tenho de sujar a cara dele de porra, e eu tento adiar isso por muito tempo mas não consigo, nem adiar por tanto tempo e nem fazer bagunça, gozo em sua boca, rindo ele me vira e passa minha porra em meu cu, me come, minutos depois goza dentro de mim, morde minhas costas e ri, eu também. Diz que está no nirvana.

10. Dia onze (sexta) - Felipe

Acordo com o cu dolorido, a boca machucada e o rosto ardendo um pouco. Fodemos muito, muito, muito. Fomos dormir perto das três da manhã, mas às seis e meia, o despertador toca, vamos chegar antes das nove no tribunal, sem pressa. Marcelo vira irritado com o celular, desligo, levanto e dou quinze minutos para ele, com o corpo cheio de marcas, lá vou eu para o banho.

Noite agitada seguida de dia movimentado. Jonas trouxe quatro malas, três cinzas e uma cor de vinho, essa ele nunca abre, sempre trancada por um cadeado, então eu pensei que as coisas que ele tinha disponíveis tão facilmente para incriminar o ex companheiro poderia ser pra uso próprio, nem conversei com Celo, peguei uma caneta e arrombei o zíper. Alguns pen-drives, toalhas roubadas de diversos hotéis e um verdadeiro estoque de sex-shop. Eu abri por curiosidade, porque não conheço mais Jonas como gostaria de conhecer e realmente a história de Bruno é assustadora e violenta dos dois lados, e não havia nenhum indícios de que não foi algo mais terrível ou tudo era ficção de Jonas, por último porque podia imputar a invasão de privacidade a Marcelo, jornalistas e militares nunca foram e nem serão amigos.

Lá era uma coisa, muito couro, muito metal, muito silicone. Tinha arreios, cabrestos, gags, vendas, joelheiras e cotoveleiras, cintos de castidade, plugs, pirocas de formatos alienígenas, com escamas, com espirais, com estruturas que pareciam quase espinhos, em formatos lisos como um mouse ou em aspecto anatômico, nenhum era modesto, coisas graudas, tinham aparelhos de choque, velas, esporas; e tinham os chicotes de muitos tamanhos, palmatórias, chicote de montaria, chicote que pareciam um rabo de boi, cauda de cavalo, cordas de couro fino, e algumas coisas que nem sei o nome, espalhadas pela cama, pelo chão essas coisas pareciam nunca mais parar de sair daquela mala, e quase perdidas os pen-drives, claro que eu copiei os arquivos, fotografei as coisas à medida que tirava da mala, depois foi só devolver uma a uma separadas e protegidas por toalhas roubadas que só depois vi marcas marrons e amarelas como fluidos que foram enxugados com aquilo e depois não foi lavado rapidamente, esperma, suor, urina, sangue, o que seriam essas manchas nas toalhas com cheiro de talco de lavanda?

A mala voltou a seu lugar como se nunca houvesse sido violada, intacta, e eu sabia que ele não daria margem ao pensamento de que um de nós fosse violar sua privacidade, mas Jonas é uma pergunta sem resposta. Quando ele viajou eu falei do que vi com Marcelo, ele estava curioso, disse que lhe faltou coragem, falou que queria ver os vídeos. Mas não vimos.

Na noite do dia em que surtei e acabamos por decidir nos casar fomos ver os vídeos dos pen-drives, eram fotos também, fotos de viagem, fotos de lugares públicos, interior de casas, namorados ou caras que ele conheceu para foder o cu dele. O que nos interessava eram os vidéos, sessões de sexo pervertido onde aqueles brinquedos eram usados, palmatórias na bunda nas costelas, coxas e por três vezes no rosto, muita coisa nos deixou excitados, muita coisa nos estarreceu, mas todas as coisas eram como novidades pecaminosas que estavam sendo discutidas por Marcelo e eu como possíveis ou impossíveis de serem feitas por nós, quase todas as coisas a gente quis fazer, não um no outro, a gente ia precisar desse puto. A gente ia.

Ver Jonas de boca aberta enquanto três caras mijavam em sua boca e ele dava conta de beber e se banhar… bem… é interessante, é algo que ia deixar todas as futuras conversas com Jonas acontecer de outra forma, ele é um masoquista submisso e curte muito uma mão pesada sobre ele, o cara nem liga de ficar por dias sem condições de se expor em público, uma pessoa que lida com a própria imagem, recebendo tapas que o faziam despencar da própria altura para rastejar e lamber botas de seu agressor.

Me interessei em foder um cuzinho com o pé esmagando a cabeça de um cara, bem… não gostei do tapa que havia levado horas antes, mas queria ver a cara de felicidade que meu marido fez ao fazer aquilo a mim, sim, aquelas cenas estavam mexendo conosco, era impossível passar por aquilo e ignorar depois, ser indiferente era pior que repulsa, e Marcelo e eu estávamos longe de repudiar aquilo, pensei nos tapas que dei ou pensei em dar em bundas, peitos e bochechas das mulheres e das putas que comi. Celo dizia que nunca faria isso com a esposa, mas precisávamos definir, éramos mesmo dominadores e sádicos ou isso era só curiosidade?, quem a gente iria usar para nossa diversão e qual a proximidade desses nossos futuros vassalos de nós e de nosso relacionamento?, Marcelo concordou quando eu disse que eu e ele seremos casados apenas entre ele e eu, sem trios, quartetos, casamentos abertos, precisamos de alguns submissos não podemos ficar na dependência de ter apenas um e ele se garantir a ser especial, mesmo o gostoso dodói da cabeça que Jonas aparentava ser. O que foi a realidade que aconteceu com Bruno? De repente pensei que eu posso ser o próximo Bruno.

Fodemos. Deixamos os pensamentos se afastarem um pouco, Marcelo disse que queria usar coisas da mala, queria que eu o fodesse sim com meu pé na cabeça, mas ele chupando um trambolho anatômico e eu com um plug no cu, queria saber porque nesse pornô gay que passou a consumir, tantos caras usam arreios, queria provar o choque e saber se nossos futuros servos iriam sofrer muito ou se iam ficar bem com isso, queria saber se eu estava bem… Notei que eu estava pasmo, com a boca aberta sem reagir a essas vontades de meu marido, eu o beijei, eram quase nove da noite e a gente testou muita coisa, um no outro, começamos com tapas entre os beijos, adorei dar, detestei a sensação na pele, gostei da cusparada, aceito de meu marido, ou que meus escravos cuspam dentro de minha boca, vão apanhar se errarem o alvo.

Marcelo disse que a gente podia trepar dessa forma com Jonas, mas nada de joguinhos de dominação e poder, não era seguro começar algo dessa natureza com Lúcia ou Jonas, ou alguém que já tenha tido um passado afetivo conosco, principalmente Jonas, acho que meu medo de nosso amigo era uma coisa partilhada, mas pensamentos depois. Era hora de foder, e fodemos até despencar, coisas pelo chão, marcas de cinto, chicotes e mordidas nele e em mim, a dor da água no corpo foi inesperada, nada comparado ao sabonete, exageramos!

O corpo lembrando que a gente pego pesado com os carinhos do dia anterior no momento de nosso casamento, simples, o corretor e sua namorada com testemunhas, almoçamos e agora era esperar, fomos ao centro da cidade, ver móveis, depois fomos ver tintas e rolos, pinceis em uma loja de material de construção e decoração e saímos a noite, fomos para a casa que alugamos, meu marido recebeu uma ligação de sua filha e disse que estava oficialmente casado, contou a história enquanto eu conversava com Jonas, ele disse que conheceu dezenas de pessoa, perguntei dos contatinhos, ele deveria ter dito que estava num compromisso conosco, mas disse que só tem um. Então tá.

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