CASO DO ACASO – 01

Da série Caso do Acaso
Um conto erótico de Hanna ( escrito por Ryu)
Categoria: Heterossexual
Contém 4026 palavras
Data: 11/05/2026 20:22:31

Já tentei outras vezes ... não consegui.

Mas de hoje não passa.

Hoje eu termino com ele.

Foi com esse pensamento que levantei antes do despertador tocar. Acordei decidida a encerrar o namoro com o Cadu!

Fui direto pro banheiro, lavei o rosto com água fria e encarei meu reflexo por um bom tempo, tentei encontrar algum sinal de hesitação, algum motivo pra voltar atrás.

Não tinha.

Peguei as chaves do carro em cima da bancada da cozinha. Já avisei que estava indo até o apartamento dele. Não pedi permissão. Só informei.

Entrei no carro, com o celular no banco do passageiro e o coração batendo num ritmo acelerado.

O discurso estava pronto, sem desvios.

Não que eu não gostasse do Cadu, ele é ótimo, mas me deixa explicar direitinho, para você entender melhor.

Isso não começou hoje. Nem ontem.

Eu tenho 24 anos, sou morena clara, cabelos pretos, lisos e brilhantes que caem até um pouco abaixo dos ombros, 1,78m e um corpo atlético. Não me acho arrogante ou convencida, mas também não finjo que não sei que sou bonita.

Venho de uma boa família, bem estruturada, com uma fé que sempre esteve presente em tudo. Minha família é católica, religiosa mesmo, do tipo que conhece as tradições, frequenta igreja e acredita que a vida tem um caminho certo a seguir. Não sou uma “crentona”, mas tenho minha fé comigo, constante, quase íntima.

Gosto de me vestir como me sinto no dia: às vezes roupas curtas, às vezes mais soltas. Sim, uso decotes, e não vou mentir, gosto de como eles valorizam meu corpo. Gosto de me sentir desejada, de sair com meus amigos, de beber, de dançar até tarde e viver como qualquer mulher da minha idade que não quer se prender cedo demais a nada. Já tive minhas experiências, já me envolvi com pessoas, já vivi coisas que minha família provavelmente preferiria não saber em detalhes.

E no meio de tudo isso, eu gostava de acreditar que sabia exatamente o que estava fazendo.

Já tava quase chegando na casa do Cadu, dirigindo com as duas mãos firmes no volante, repetindo em silêncio o que eu já decorei: sem choro, sem discussão, sem cair na conversa. Eu só ia falar, e sair.

Tava um pouco nervosa, não vou mentir, mas o pensamento “de hoje não passa!” ficava se repetindo na minha cabeça

Eu ainda não contei meu nome, né? Tô meio agitada mesmo.

Me chamo Hanna, minha mãe diz que significa flor em japonês.

Minha mãe é ótima, só que existe uma parte minha que ela não vê, ninguém vê.

Um problema, se é que posso chamar assim.

Há algum tempo, tenho sentido um desejo que não consigo explicar direito, muito menos controlar. Um desejo por mulheres. E isso me confunde de um jeito que eu não sei dizer. É como se algo dentro de mim insistisse em existir, mesmo quando eu tento empurrar para longe, ignorar, fingir que não está lá. E olha que eu tento. Tento muito.

Não contei isso pra ninguém. Nem pretendo.

Quando o Carlos Eduardo — o Cadu, como todo mundo chama — me pediu em namoro, eu não estava exatamente procurando um homem. Na verdade, eu nem sabia o que eu estava procurando. Mas ele… ele parecia uma boa opção no momento.

O Cadu é aquele tipo de homem que parece ter sido desenhado: bonito, culto, gentil. Ele tem presença, tem educação, tem estabilidade. É o sonho de muita mulher. E talvez, justamente por isso, eu tenha pensado que ele poderia ser a minha saída.

Se eu me entregasse a isso de verdade, talvez esse outro sentimento dentro de mim diminuísse. Talvez desaparecesse. Talvez eu pudesse ser só a Hanna de sempre — simples, direta, “normal”.

Eu pensei, quase como uma promessa silenciosa: talvez se eu gostar dele direito, isso passe.

Me faz sentir um pouco ingrata.

Porque eu sei que para muitas mulheres ele é o homem ideal. Ele é tão perfeito que até a minha sogra parece ter saído de um manual de convivência ideal. Dona Maria Lucia me trata como se eu já fosse parte da família de verdade. Diz que eu sou como uma filha para ela, já que a própria filha dela está há mais de um ano morando fora do país. Ela me recebe com carinho, me chama para almoçar, me inclui nas conversas como se eu sempre tivesse pertencido àquela casa.

E o mais curioso é que ela faz questão de que eu não a chame de Dona Maria Lucia. “Nada disso de formalidade”, ela sempre diz, pedindo para que eu a chame simplesmente de “Malu”. O apelido é um convite para intimidade, para afeto, para pertencimento. Na família do Cadu, aliás, todo mundo parece viver cercado desses apelidos carinhosos. Quase ninguém se chama pelo nome; são diminutivos, abreviações e nomes inventados que só fazem sentido entre eles. E isso deixa tudo ainda mais acolhedor.

E talvez por isso tudo fique ainda mais difícil.

Cheguei rapidamente no prédio do Cadu!

Pensei em várias frases para dizer pra ele

“Você é incrível, mas…”

“Eu não tô pronta…”

“Não é justo com você…”

Nenhuma parecia honesta o bastante. Mas era o que eu conseguia pensar

Passei pelo porteiro, e entrei no elevador.

Fiquei lembrando de tudo, fazia seis meses que eu conheci o Cadu. Quatro meses de namoro. E ele estava completamente apaixonado por mim. Ele falava em futuro, em casamento, em construir vida juntos como se isso já estivesse naturalmente encaminhado. E eu… eu escutava, sorria, concordava às vezes, mas por dentro eu ficava cada vez mais certa de uma coisa que me assustava: eu queria terminar.

Só que toda vez que esse pensamento aparecia com força, vinha junto uma culpa imediata. Uma pena dele. Uma pena da Dona Maria Lúcia. Uma sensação de que eu estaria quebrando algo que, de fora, parece tão perfeito.

E então eu adiava.

Dizia para mim mesma que talvez eu só precisasse de mais tempo. Que talvez fosse isso mesmo: insistir um pouco mais, tentar de verdade, ver se com ele esse outro sentimento dentro de mim, essa confusão que eu não sabia bem como nomear, diminuía ou desaparecia.

Principalmente quando eu via uma mulher bonita.

A Nádia, por exemplo, era uma gostosa, e eu me pegava olhando mais do que deveria para a bunda dela. Pensando coisas que eu não deveria pensar.

E aí vinha aquela sensação de novo — a mesma de sempre.

Como se tivesse algo em mim fora do lugar.

Eu ficava repetindo isso na minha cabeça: é só uma fase, é só uma fase, é só uma fase.

Mas o problema é que fase, para mim, sempre soou como algo que passa sozinho. E isso… isso não passava

Cheguei no andar do Cadu, respirei fundo, coração acelerado — não de nervosismo comum, mas daquela sensação de que alguma coisa ia mudar de forma definitiva.

Ele abriu a porta com um sorriso enorme.

E foi ali que tudo começou a desandar.

— Amor! — ele disse, me puxando para um abraço apertado, como se estivesse realmente feliz de me ver.

Eu congelei por um segundo. Aquele entusiasmo dele… desmontava qualquer roteiro que eu tinha preparado.

— Você lembra da minha bisavó? A dona Leonor?

Eu pisquei, meio pega de surpresa.

— Lembro sim… sua mãe fala muito dela.

Ele abriu ainda mais o sorriso, quase como uma criança animada.

— Então, sábado que vem ela faz 100 anos. Cem! — ele levantou as mãos, como se aquilo fosse um evento histórico. — A gente alugou uma chácara aqui na cidade ao lado. Vai ser uma festa enorme. Vai vir todo mundo… família de tudo quanto é canto, parentes que eu nem vejo há anos. Tá uma correria, mas vai ser incrível.

Ele falava rápido, empolgado, andando pela sala enquanto explicava os detalhes. Comentou da decoração, da comida, da música, de quem já confirmou presença.

— Eu tô ajudando em tudo. Tá sendo puxado, mas… sei lá, é especial demais, sabe?

E eu só conseguia olhar pra ele. Pro jeito como ele estava feliz, pro brilho no olho.

E, de repente, as palavras que eu tinha ensaiado… sumiram.

Sumiram completamente. Não fazia sentido interromper aquilo. Não naquele momento.

Não com ele daquele jeito.

Senti uma culpa imediata só de imaginar cortar aquele entusiasmo com um “a gente precisa conversar”.

Então eu fiz o que eu já vinha fazendo há semanas:

Adiei.

“Depois da festa”, eu pensei.

“Deixa passar o sábado.”

“Não vou estragar isso pra ele agora.”

Foi quase automático.

— Vai ser lindo mesmo — eu disse, forçando um sorriso leve.

Ele se aproximou de mim de novo, mais devagar dessa vez. Me olhou de cima a baixo, sem pressa.

— Você tá… absurda hoje.

Eu revirei os olhos, mas ri.

— Para…

— Tô falando sério — ele disse, baixando um pouco a voz. — Esse decote… você sabe o que faz comigo.

E aí tudo seguiu como sempre.

Ele me puxou pela cintura, me beijou com aquela segurança de quem sabe exatamente o que está fazendo. Um beijo firme, quente, insistente.

Eu correspondi, como sempre.

A gente foi andando em direção ao sofá quase sem perceber. Entre um beijo e outro, ele me elogiava, passava a mão pelo meu cabelo, pelo meu braço, pela minha cintura.

Eu já estava querendo apenas dar um beijo e ir embora, já que não tinha conseguido terminar, mas Cadu tinha outra coisa em mente.

Suas mãos ansiosas encontraram o tecido da minha blusa e, começaram a puxá-la para baixo, para expor meus seios. Eu sabia exatamente o que ele queria: chupar meus peitos.

— Agora não, meu amor… eu preciso ir — Murmurei, tentando ajeitar o tecido,

Tentei ajeitar a roupa, meio sem jeito, ainda com intenção de sair naquele instante. “Só um pouquinho…”, murmurei, tentando acalmá-lo. Mas ele insistia, encostando em mim, e tirando a minha roupa.

Meus peitos “pularam pra fora” e ele começou a sugar meus biquinhos, bem guloso.

Comecei a sentia o calor dele, a respiração acelerada se misturando com a minha.

Ele foi me levando, até que eu senti que a parte de trás das minhas pernas encostou no sofá.

Ele continuou ali, me conduzindo com cuidado até que eu me deitasse. Meu coração estava acelerado, senti o peso suave dele sobre mim, intenso, mas sem me pressionar.

Institivamente passei meus braços ao redor dele, enquanto ele continuava se divertindo com os meus seios.

Ele começou a descer com a boca, me beijando na barriga e depois descendo mais um pouquinho.

Com muita vontade ele desabotoou minha calça,

Quando a calça desceu pelas minhas pernas e ele finalmente tirou tudo, meu primeiro impulso foi de me encolher.

Fiquei só de calcinha, que era bem delicada e minúscula.

Cruzei os braços sem perceber, tentando cobrir alguma coisa, qualquer coisa. Não sei exatamente o quê.

Por um segundo, eu evitei olhar pra ele.

Mas logo em seguida eu olhei mesmo assim, e ele me olhava fixamente. Um olhar de admiração..

— Você tá linda — ele disse, simples, direto.

Eu quase rio de nervoso, porque ainda me ache bonita, sempre bate uma insegurança.

Me sentia vulnerável.

E também minha tatuagem de flor acabou ficando à mostra. Eu ainda não tinha contado a ele — dias antes, fizera, em segredo, uma delicada flor na virilha.

Um arrepio de expectativa me percorreu; fiquei ansiosa, quase prendendo a respiração, aguardando a reação dele.

Uma flor delicada, mas impossível de ignorar — pelo menos era o que eu achava.

Ele arrancou minha calcinha e começou a beijar minha buceta de maneira brusca, lambendo com uma pressa quase descuidada, sem atenção aos detalhes

Uma pontada de frustração começou a crescer, pequena, mas insistente. Na minha cabeça, ele ia reparar na hora. Ia se aproximar, talvez passar a mão com cuidado, perguntar se doeu.

Mas ele não viu.

— Você… não reparou em nada? — perguntei, tentando soar casual, mas nem eu acreditei muito.

Ele franziu a testa.

— Em quê?

Suspirei, um pouco contrariada, e virei apontei para a tatuagem

— Aqui, ó.

Ele olhou, finalmente.

— Ah… — disse, com um aceno de cabeça. — Que tatuagem bonita!

. Eu conhecia o Cadu o suficiente pra perceber quando ele realmente se empolgava com alguma coisa — e aquilo definitivamente não era um desses momentos.

— Eu fiz porque… — comecei tentando recuperar o entusiasmo — o nome “Hanna”, em japonês, significa flor, então eu quis…

Nem terminei.

Ele simplesmente me puxou de novo, dessa vez com mais intensidade, e voltou a “atacar” minha boceta com a boca. Beijando, lambendo, mordicando

— Cadu! — disse, entre riso e desespero. — Mais devagar!

— Foi mal… — ele disse, sem parar nem por um segundo. Os olhos dele tinham aquele brilho específico que eu conhecia bem.

— Cadu, calma! — falei, rindo. — Ninguém vai tirar de você!

Ele tentou se controlar … mas eu ainda via a pressa nos seus gestos.

Ainda deitada no sofá, senti uma almofada nas minhas costas e virei-me lentamente, esticando a mão para pegá-la.

Percebi o olhar intenso de Cadu, admirando as minhas curvas.

A luz suave da sala destacava os contornos do meu corpo nu.

Aproveitei para sensualizar ainda mais, ao fazer o movimento, fiquei de quatro e empinei bem a bundinha, fazendo com que o buraquinho do meu cu ficasse à mostra.

O jeito como ele admirava cada movimento meu, me deu um tesão enorme ... me deixei levar pela sensação de estar sendo muito desejada.

Ele me agarrou pela cintura e socou o pau todo de uma vez. Enterrou forte, bem lá no fundo da minha buceta.

Me agarrou pelos cabelos com força e gemeu alto de prazer:

- Gostosa! Safada! Que delícia de buceta!

O pau dele entrando em mim .... não vou negar que eu gostei muito!

Ele socando com raiva, preenchendo minha bucetinha ... me deu muito prazer! Gozei gostoso!

Foi bom, mas ao mesmo tempo parecia que faltou alguma coisa!

No final, ele me puxou pelo cabelo, conduziu minha boquinha até o seu pau, e eu chupei gostoso. Lambi, suguei, babei ... engoli as bolas!

Deixei ele gozar dentro da minha boca!

Olhei para cima, virei o rosto o suficiente para perceber que ele já estava satisfeito. Como se tudo tivesse se resolvido para ele. Já havíamos acabado.

Tirei o pau da boca e fechei os olhos por um instante, tentando organizar o que estava sentindo. Não era exatamente insatisfação. Mas também não era ... satisfação. É como se eu tivesse estado ali só pela metade. Como se meu corpo estivesse presente, mas o resto de mim tivesse ficado de fora.

Não é que eu não goste. Eu gosto, sim. Gosto do toque, da forma como ele me deseja.

Mas é como assistir a um filme bom… sem sentir nada por dentro.

Funciona. Mas não atravessa.

E, enquanto ele me puxava mais pra perto, enquanto ele me beijava, um pensamento atravessou minha cabeça, rápido, indesejado, mas claro demais pra ignorar:

Eu queria, cada vez mais, saber como seria estar com uma mulher.

E foi nesse exato momento que eu percebi uma coisa que me deu um frio estranho no corpo inteiro:

Não era mais só dúvida. Era vontade.

Cadu não notou nada, logo depois dos carinhos ele sorriu, daquele jeito leve:

— Ah, amor… e sábado que vem vou ter que acordar cedo — bem cedo mesmo. Minha

mãe quer que eu vá pra chácara às seis da manhã pra ajudar a organizar tudo antes do

pessoal chegar.

Eu ainda estava ali, perto dele, com a cabeça meio embaralhada, quando ele continuou:

— Mas você não precisa ir cedo, tá? — ele disse, passando a mão de leve pelo meu cabelo, num gesto automático, carinhoso. — Pode ir mais tarde… lá pelo meio-dia. Aí você já chega pro almoço, com todo mundo.

Só pensei comigo: “Eu vim aqui pra terminar!”

A frase ecoou na minha cabeça com ironia. Vim decidida, ensaiada… e agora estava sendo praticamente convocada pra uma reunião de família.

Uma reunião de família.

Por fora, eu só sorri e acenei, como se tudo estivesse perfeitamente alinhado.

— Perfeito — falei, num tom leve que nem eu mesma reconheci.

O Cadu, todo empolgado, foi até uma mesa e pegou um papel.

— Ah, eu imprimi um mapinha pra você não se perder.

Eu segurei o papel e baixei o olhar. Era um mapa simples, com algumas marcações à caneta. Fui seguindo o trajeto com os olhos… saindo da cidade, pegando uma estrada menor, depois outra ainda mais isolada.

Zona rural de uma cidadezinha ao lado. E, no final, uma estrada de terra.

— Tranquilo, eu chego lá — disse.

Enquanto nos vestíamos e eu já me preparava para ir embora, ele solta aquela frase, como se fosse um elogio:

— Sábado, na festa da família, vou te apresentar pra todo mundo da família que você ainda não conhece. Eles vão ver como minha namorada é bonita e … gostosona.

Eu sorrio de leve, quase automático. Mas por dentro, algo trava.

E o pior, eu não tinha conseguido dizer uma única palavra. Ficou para depois da festa!

xxxxxxxxxxxxxxxxxx

A semana passou rápido demais. Quando percebi, já era sábado. Saí de casa me programando pra chegar um pouco antes do meio-dia. Tinha um plano simples na cabeça: eu ia me controlar, passar o dia com o Cadu, ser agradável, presente… e depois, no fim, quando tudo acabasse, eu finalmente diria.

Sem interrupções. Sem desculpas. Dessa vez, de verdade.

Peguei o carro tentando manter essa ideia firme. Entrei na rodovia, o movimento ainda leve, o céu aberto. Depois veio a saída. Uma estrada menor, mais silenciosa.

Continuei dirigindo.

As casas foram ficando mais espaçadas, os comércios desapareceram, os sinais da cidade começaram a sumir. Até que o asfalto acabou. A estrada de terra começou sob as rodas do carro, levantando uma poeira fina atrás de mim. Árvores, cercas, silêncio. Eu apertei o volante com um pouco mais de força. Foi quando eu vi.

Um carro parado à beira da estrada de terra, meio inclinado, sob a sombra de uma árvore. Diminui a velocidade quase por instinto, os olhos atentos. O pneu estava claramente murcho ... furado.

Conforme me aproximei, reparei nela. Uma mulher bem jovem, talvez até mais nova que eu, ao lado do carro. Ela segurava o celular com as duas mãos, mexendo rápido, como se tentasse fazer alguma coisa funcionar à força. O corpo dela denunciava o nervosismo: os ombros tensos, o olhar perdido entre a tela e a estrada vazia.

Eu tirei o pé do acelerador, sentindo o carro desacelerar devagar, enquanto uma dúvida rápida atravessava minha cabeça.

Ela levantou o olhar quando me aproximei, ainda com o celular na mão, como se estivesse tentando decidir se continuava tentando ligar pra alguém ou se aceitava que não ia funcionar.

Por um segundo, eu até pensei besteira — poderia ser golpe, uma mulher linda com um pneu furado no meio daquele fim de mundo… coisa demais pra ser coincidência. Mas havia algo nela que desarmava essa ideia. O jeito como ela parecia mais perdida do que ameaçadora. Mais frustrada do que estratégica.

Mesmo assim… ela era linda.

Cabelos longos, loiros — claramente tingidos, mas ainda assim bem cuidados, caindo pelos ombros com leveza. O rosto tinha algo quase angelical: traços delicados, nariz levemente arrebitado. E o corpo…alta, curvilínea, uma bunda perfeita.

Eu parei alguns passos antes dela, olhando rápido para o carro, depois para a estrada vazia dos dois lados.

— Você precisa de ajuda? — perguntei.

Ela levantou o rosto na hora, como se estivesse segurando tudo há algum tempo e finalmente tivesse encontrado alguém.

— Eu… sim — ela disse, e a voz saiu meio tremida, meio doce. — O pneu furou… e eu não sei trocar. E meu celular tá sem sinal. Não consigo falar com ninguém.

Ela me mostrou o aparelho, como se aquilo explicasse tudo. A tela acesa, sem sinal nenhum, só reforçava o quanto aquele lugar era isolado.

Eu olhei de novo para o carro dela, depois para o pneu, já murcho, soltei o ar devagar.

— Tá… deixa eu ver.

Enquanto eu me aproximava mais, eu sentia aquele misto estranho de coisas: o atraso que eu já tinha, o Cadu me esperando na chácara, toda a família dele reunida… e agora isso.

Mas também não tinha muito o que pensar. Ela claramente não ia conseguir resolver sozinha ali no meio da estrada de terra.

E, por algum motivo, eu tinha a sensação de que aquele dia já tinha saído do controle faz tempo.

— Eu acho que consigo trocar — eu disse me aproximando do carro.

Ela me acompanhou com o olhar e, então, perguntou com uma voz doce, quase melodiosa:

— Olha… eu tô vendo que você tem celular. Tá com sinal?

Olhei para a tela. Tinha, sim, um pouco de sinal — fraco, mas tinha.

— Tá… — respondi. — Posso te emprestar se você quiser.

Ela relaxou um pouco, como se aquela fosse a primeira coisa concreta de ajuda desde que tudo tinha dado errado. Estendi o celular pra ela.

Quando ela pegou, eu acabei olhando de relance a tela.

11:35h.

Meu estômago deu um leve aperto. Ainda dava tempo.

Tecnicamente, ainda dava tempo de chegar antes do meio-dia na chácara. Ainda dava tempo de manter meu plano intacto.

Mas, ao mesmo tempo, eu estava parada ali, no meio de uma estrada de terra, ajudando uma desconhecida com um pneu furado.

Ela pegou meu celular com um alívio visível, como se aquilo já resolvesse metade do problema.

— Obrigada… — ela disse rápido, já discando o número com pressa.

Ficou em silêncio por alguns segundos, esperando.

Depois franziu a testa.

— Droga… não atende — murmurou, olhando pra tela como se ela tivesse feito aquilo

de propósito.

Ela desligou e tentou de novo. Dessa vez, mais insistente, o corpo levemente inclinado pra frente, como se isso fosse melhorar a ligação.

Eu fiquei ali ao lado, observando o movimento dela e o vento leve na estrada de terra.

O tempo passando.

Quando ela terminou a segunda tentativa, soltou um suspiro irritado.

— Não atende mesmo! — disse, agora com mais frustração na voz.

Ela baixou o braço com o celular na mão, olhando em volta como se só naquele momento percebesse de novo onde estava: isolada, sem sinal, sem ajuda imediata.

— Eu posso trocar pra você — falei, tentando soar prática, objetiva. Focar no problema.

Ela olhou surpresa como se eu tivesse oferecido algo muito maior do que só ajuda.

— Sério? Nossa… eu ia te amar pra sempre — disse, com aquele jeito leve, meio exagerado.

Soltei um sopro curto pelo nariz.

— Não precisa tudo isso. Só… onde estão as ferramentas?

Ela olhou pro próprio carro, depois pra mim, e fez uma careta meio confusa.

— Então… é que… eu não sei.

— Não sabe?

— Tipo… — ela deu um sorrisinho sem graça, quase orgulhosa da própria falta de noção.

Balancei a cabeça de leve.

— Normalmente fica no porta-malas.

Enquanto ela ia até a traseira do carro, abaixei o olhar por um instante e girei discretamente a aliança no dedo. A peça metálica ia só atrapalhar agora — podia escorregar, prender em alguma ferramenta, ou até machucar. Sem fazer alarde, puxei a aliança de compromisso que o Cadu tinha me dado e a guardei rápido no bolso da calça. Melhor não arriscar.

Fui atrás, observando enquanto ela abria o porta-malas. Ela pegou uma caixa e falou, toda curiosa:

— Deixa eu ver o que tem aqui mesmo…

Ela abriu a caixa e tirou um vibrador lá de dentro. Vi também que tinha uma cintaralha com um pênis acoplado.

— Ah… — soltou uma risadinha meio envergonhada. — Isso aqui definitivamente não troca pneu.

Desviei o olhar na mesma hora, como se não tivesse percebido. E voltei a perguntar das ferramentas!

— Deve estar embaixo do forro — falei, apontando. — Levanta aí.

— Tá!

Ela puxou o suporte do chão do porta-malas e se inclinou pra dentro.

Foi automático. A calça já era colada, mas daquele jeito… inclinada, procurando as ferramentas… o tecido esticou ainda mais, marcando o movimento do corpo dela de um jeito impossível de ignorar.

Eu devia ter desviado o olhar na hora.

Mas não desviei. Fiquei um segundo a mais do que devia… talvez dois… talvez um pouco mais. Aquelas pernas bem torneadas! Aquela coxa! Principalmente, aquela bunda me hipnotizou!

Quando me dei conta, já era tarde. Ela percebeu.

E, em vez de se afastar rápido ou fingir que nada tinha acontecido, ela continuou ali por mais um instante, como se tivesse notado, e escolhido não interromper.

Então, ainda procurando as ferramentas, ela perguntou:

— Gosta do que vê?

Continua ...

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Ryu a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários