Lívia, uma bela evangélica que nunca havia namorado e nutria uma paixão secreta pelo tecladista de sua igreja, vê sua vida mudar quando um pastor, com o dobro de sua idade, passa a conduzir sua igreja e se encanta por ela. Um conto sobre os limites entre a obediência e o desejo. A fé e o pecado caminhando lado a lado.
Capítulo 1. Proposta
Dizem que a história de cada um de nós dá grandes saltos a partir de algumas poucas decisões que tomamos... O que vou relatar a seguir compreende um curto espaço da minha trajetória. Mas essa reduzida parcela de tempo representa algo que mudou totalmente a minha vida.
Meu nome é Lívia Carvalho (só o sobrenome é verdadeiro). Moro em Sorocaba, São Paulo.
Sou da Assembleia de Deus. Nasci e me criei no meio evangélico. Desde pequena, as primeiras lembranças que tenho são envolvendo os membros da igreja.
Minha mãe é muito religiosa. Seu nome é Nayara. Ela vai à igreja três a quatro vezes na semana. Em períodos de comemoração ou eventos, ela vai quase todo dia.
Ela me criou sob uma rígida educação religiosa.
Uma das coisas que ela sempre me dizia era para eu não dar atenção para nenhum macho da minha escola, que a maioria é de sem-vergonhas que só querem se aproveitar de jovens virgens e inocentes como eu.
Eu estava no terceiro ano do ensino médio. Atrasei em um ano meus estudos porque eu havia perdido o nono ano do ensino fundamental. Minha avó adoeceu na época. Ela mora sozinha em outra cidade e minha mãe não podia largar seu trabalho para cuidar dela. Essa tarefa coube a mim e, por faltar por mais de dois meses às aulas, tive que repetir o nono ano.
Minha mãe nunca me deixou namorar ou me aproximar muito dos rapazes da minha escola, nem mesmo dos garotos da minha igreja. Ela dizia que menina não tinha que namorar, que relacionamento evangélico era visando o casamento. Também falava que Deus tinha reservado alguém para mim e que, quando chegasse o momento, o meu escolhido apareceria.
Vivia dizendo que ela mesma era o maior exemplo de que jugo desigual nunca dava certo. Ela namorou um varão que não era da igreja (um homem do mundo, como costumamos dizer). Ele tirou sua virgindade e depois desapareceu, deixando-a sozinha, grávida de mim.
Minha avó, que é mais radical que mãe, ficou possessa quando isso aconteceu. Mudou até de cidade, fugindo da vergonha, com receio do que as outras pessoas iriam comentar.
Então, quando mamãe dizia para eu ficar longe dos rapazes, eu até entendia um pouco seu lado; conhecia os seus motivos.
Eu tive sorte que Deus me agraciou com certa beleza. Eu não tenho os olhos claros, cabelos loiros, nem o corpo de modelo. Mas sempre chamei muita atenção dos homens.
Apesar de minha mãe marcar colado em cima de mim quando o assunto era homem, eu sempre fui muito paquerada. Recebia recados na escola, na igreja, de meninos mais jovens que eu, da minha idade, mais velhos e até de homens casados. Eram diversos bilhetinhos me elogiando, tipo "você tem um rosto tão angelical", "tão meiga e tão linda", "adoro seu sorriso", e muitos outros assim, com palavras mais fofas.
Claro que havia mensagens mais ousadas, principalmente em rede social, como "você deve ser tão linda nua", "adoraria mamar nesses seus peitinhos gostosos" ou ainda "queria pegar você de quatro segurando nesses seus cabelos lisos". Era um misto de sentimentos quando eu recebia recados assim: no início, era um choque; depois vinha aquela sensação boa de ser desejada. Ainda assim, toda vez que alguém mandava uma mensagem mais desaforada, eu bloqueava logo.
Eu recebi muitos, diversos pedidos de namoro. Mas eu sempre recusava. Nunca nenhum desses pedidos realmente chegou a me empolgar.
Existia apenas um garoto por quem eu realmente me interessava: o nome dele era Jonas. Era o tecladista da igreja. Quando eu o conheci, ele tinha vinte e eu tinha acabado de fazer dezoito anos.
Eu adorava vê-lo tocando e cantando no ministério de louvor. Seu jeito despojado, sua voz doce: tudo nele me encantava. Mas nunca tivemos muito contato. Eram apenas alguns "oi" e "boa noite" pela congregação.
Por ele, eu teria contrariado minha mãe. Se ele me pedisse em namoro, eu teria feito de tudo para namorá-lo. Por quase um ano, eu esperei por Jonas. Esperei que ele me desse atenção e que me quisesse em seus braços.
O regresso
Quando eu estava perto de fazer dezenove anos, minha igreja teve mudança de dirigente. O antigo iria para o sul, voltar para a terra de sua família; ele havia passado mais de três anos pastoreando a nossa congregação.
O novo pastor já era um conhecido da nossa comunidade. Ele já tinha liderado nossa igreja antes e estava retornando. Sua idade era de quarenta anos. Vou chamá-lo aqui de Isaque.
Desde o primeiro dia na igreja, ele sempre olhou muito para mim. Seu olhar algumas vezes chegou a me incomodar. Me sentia constrangida, invadida. Mas mamãe gostou dele.
Uma semana após seu retorno, mãezinha veio falar comigo, toda empolgada, dizendo que Deus havia enviado o meu varão. Eu, curiosa, indaguei:
─ E quem é?
─ Ora, Lívia! Quem mais podia ser? É lógico que é o pastor Isaque. Dias depois que ele chegou, ele veio conversar comigo, dizendo que queria namorar você. A gente passou uns dias conversando, combinando as coisas, e já tá tudo acertado. Você vai namorar com ele!
Vocês não fazem ideia do que aquilo fez comigo. Senti um embrulho no estômago, minhas orelhas queimaram e, por um segundo, o mundo girou. Achei que fosse desmaiar ali mesmo, na frente dela.
Eu sempre fui muito obediente a ela, quase nunca a contrariava. Para ser sincera, acho que nunca a tinha contrariado. Mas eu não ia deixar que ela simplesmente escolhesse, sem mais nem menos, meu namorado, ainda mais no momento em que eu ainda nutria esperanças por Jonas. Então, acho que pela primeira vez eu fui contra sua vontade e retruquei:
─ Como assim a senhora diz pra eu namorar com ele sem falar comigo antes? Logo a senhora, que sempre disse pra eu não dar atenção pra homem nenhum!
─ Correto, eu sempre disse isso! Sempre disse pra você esperar em Deus! E o Senhor finalmente mandou alguém que vai te fazer bem.
─ E como a senhora tem tanta certeza que é ele?
─ Ora, Lívia! Como poderia não ser? Um servo de Deus, que prega a palavra, que ajuda os irmãos, todo mundo aqui conhece o Isaque e a história triste dele. Eu não tenho dúvida de que ele vai fazer muito bem pra você.
A história triste a que minha mãe se referia era de que o religioso já havia se casado antes. Infelizmente, sua esposa havia falecido na primeira onda de Covid em 2020.
Mas eu não queria fazer parte daquela história. Não queria para mim um homem de cabelo grisalho, barrigudo e que não despertava em mim nenhum interesse. Meu coração já pertencia ao Jonas...
Depois desse dia, ela e eu ficamos um tempo sem nos comunicar.
Cupido
Dias depois, ela estava novamente empolgada com o fato do pregador querer namorar comigo. Vivia me falando várias coisas sobre ele. Eu não dava bola. Apenas escutava e não dizia nada.
Certo dia, antes de irmos para igreja, ela veio falar para mim:
─ O pastor quer te conhecer melhor. Quer conversar com você. Quando é que você vai dar uma moralzinha pra ele?
Após alguns dias sem dirigir a palavra a ela, eu finalmente falei, e com muito ódio no coração:
─ Eu nunca vou dar moral pra ele! Nunca vou namorar com ele, mãe!
Ela olhou para mim incrédula, parecia não acreditar no que eu havia acabado de falar.
A situação entre nós duas ficou tensa. Mesmo assim, nós duas continuamos nossa caminhada até a igreja.
Durante o culto, minha mãe chorou amargamente. Em vários momentos, vi lágrimas escorrendo de seu rosto.
Apesar de seu jeito rígido e de sua imposição, eu sabia que ela me amava. Sempre cuidou de mim, teve que arcar com suas responsabilidades, além de ser também o pai que nunca tive. Eu ficava triste por tê-la deixado daquele jeito, mas não podia deixar que ele escolhesse alguém para eu namorar. Eu queria seguir meu coração.
Terminado o culto, retornamos para casa, em silêncio. Ela também passou alguns dias sem falar comigo.
No quinto dia sem trocarmos palavras, ela veio me sondar:
─ Filha, por que você não quer namorar o pastor Isaque?
Achei a pergunta repentina, mas não tive dificuldade em responder:
─ Bom, deixa eu ver... Ele é velho, é gordo, não gosto do jeito que ele me olha. Seu cheiro de sabonete Senador me lembra meu avô. E ele nem parece saber como tratar uma mulher. Enfim, não gosto dele.
─ Velho? Ele só tem quarenta anos. Vai ser bom pra você ter a companhia de alguém mais experiente e mais vivido, filha. Ele tá um pouco gordinho, sim, mas isso se resolve com uns dias na academia. E se ele te olha, é porque ele gosta muito de você.
─ Gosta de mim? Mas ele nem me conhece!
─ Ele tem muito apreço por você. Quando você o conhecer melhor, tenho certeza que você também vai gostar dele.
─ Duvido, mãe!
Após essa troca de farpas, ela parou de insistir. Porém, sempre que podia, ela abria a boca para elogiar aquele que ela queria para ser seu genro. E eu me fazia de desentendida, achando que não era comigo.
Mas aquilo me incomodava, sabe? A insistência dela. Queria me empurrar para alguém que eu mal conhecia. Eu só me sentia mais aliviada quando eu revia Jonas na igreja.
Certa noite, ao término do culto de jovens, ele passou por mim na saída da igreja. Veio em minha direção e, com sua voz doce e suave, falou "Boa noite, Lívia!", tocando levemente em meu ombro.
Sua voz era como a de um anjo. Seu toque fez meu corpo arrepiar. Tentei não parecer uma boba e retribuí o cumprimento.
Nossos olhares se cruzaram por alguns segundos. Queria quebrar aquele silêncio entre nós, dizer algo mais, só que fiquei paralisada. Me perdi em seus lindos olhos negros.
Eu não recordo direito o que aconteceu, mas parece que ele ia comentar algo. Antes que ele tivesse a chance, o baterista da igreja veio falar com ele e o levou para dentro da igreja novamente.
Fiquei sozinha do lado de fora por um tempo, esperando ele retornar. Como demorou muito, voltei para casa.
Nessa noite eu dormi pensando em Jonas, em seu olhar, em sua voz marcante. Sonhar com ele era algo que confortava meu espírito.
A revelação
Dali a alguns dias, eu e minha mãe fomos para o culto de domingo à noite. No encerramento, ela conversou um pouco com o pastor, e eu fiquei no terraço da igreja esperando por ela.
Pensei que Jonas pudesse aparecer por ali, mas não o revi.
Voltamos para a casa caminhando, como sempre fazíamos, só que, durante o trajeto, minha mãe parecia estar carregando um enorme peso nas costas. Eu podia perceber a tensão e tristeza em seu rosto e em seu corpo.
Ao chegarmos em casa, mamãe disparou:
─ Hoje eu conversei com o pastor, e ele me exigiu uma resposta sua. Ele falou que vai esperar mais uma semana, se você não quiser namorar com ele, ele vai procurar outra.
Eu fiquei tão feliz ao ouvir aquilo, então respondi:
─ Ótimo! Deus ouviu minhas orações!
─ Deixe de blasfêmia, menina! Você não sabe o que tá dizendo!
Ela começou a chorar. Soluçava, sua feição era de dor. Eu não gostava de vê-la assim. Então tentei consolá-la:
─ Ah, mãe, não precisa ficar assim. Se ele não quer esperar, depois vai aparecer outro.
─ Não é questão de esperar, Lívia! É você que não quer ele. Mas tá certo, eu vou abrir o jogo com você.
─ Que jogo? ─ fiquei sem entender.
Minha mãe estava tentando se recompor. Enxugou as lágrimas, parou de chorar e explanou:
─ Você sabe o quanto é difícil pra mim cuidar de você sozinha, não sabe? Seu pai nem sabe onde a gente tá. Eu sempre tive que dar conta de tudo! Eu tenho que me virar na loja, de segunda a sábado, faz anos que eu não sei o que é férias!
Sua voz era embargada, seus gestos eram inquietos. Fiquei calada escutando atentamente suas palavras, e ela continuou:
─ Eu não tenho descanso. Sempre fiz tudo pra você não saber o que é isso, pra você só ter tempo pros estudos e pra Deus, mas isso cansa! A gente não é rica, a gente não tem as melhores roupas, nem as melhores sandálias, mas nunca faltou nada nessa casa! E eu tô cansada, Lívia, cansada!
Mamãe tem uma loja de confecções femininas. Começou como sacoleira, e hoje tem uma loja que tem até vitrine e manequins. Eu escutei aquilo tudo como um desabafo e tentei não ser rude:
─ Eu sei que sua vida não é fácil. Eu mesma já me ofereci pra ajudar na loja, a senhora que não quis. Mas o que isso tem a ver com o pastor?
─ O que tem a ver? Ora, Lívia! Se você casar com ele, você vai ter tudo do bom e do melhor.
─ Casar? Antes era namoro, agora já é casar?
─ E pra que serve um namoro cristão se não for pra casar, Lívia?
Novamente a tensão e o embaraço no estômago tomaram conta de mim. Tentando juntar as peças e compreender o que acontecia, respondi:
─ Agora eu entendi. Eu me caso com ele e a senhora se livra de mim, não é? Pra viver a sua vida sem me ter como peso...
─ Não, Lívia, não é isso!
Eu também já tava começando a chorar e esbravejei:
─ É sim, mãe! A senhora quer se livrar de mim!
Ela tomou ar e, com um olhar fulminante, sentenciou:
─ Lívia, se você não casar com ele, a gente não vai ter mais um lugar pra morar.
Fiquei sem entender; não fazia ideia por que ela estava falando aquilo, então questionei:
─ Como assim? Do que a senhora tá falando?
─ Você sabe que a gente mora numa casa financiada. Com muito trabalho, muito esforço, consegui dar uma entrada e financiar o restante no banco. Mas já faz alguns meses que não consigo mais pagar as prestações. As despesas só vivem aumentando, o movimento da loja tá fraco. Eu não tive mais como arcar com as parcelas. O banco já tá tomando a casa.
Eu respirei fundo e concluí:
─ Então, se eu me casar com ele, vai ser ele que vai arcar com as parcelas atrasadas, é isso?
─ Não, Lívia. Se você casar com o Isaque, ele vai pagar todo o saldo devedor da casa. Ele vai quitar o empréstimo. A gente não vai mais precisar se preocupar em tomarem nossa casa.
Eu achava que as coisas não poderiam ficar piores, mas quanto mais minha mãe falava, mais eu afundava naquele lamaçal. Senti revirar o estômago. Atônita, sussurrei:
─ Eu não acredito, mãe!
─ Mas é verdade. O pastor me disse que, no dia do casamento, quando você estiver subindo no altar, ele faz o pix.
─ Não, a senhora não entendeu. O que eu não acredito é na sua coragem de me trocar por essa casa.
─ Lívia, parece que você não ouviu nada do que eu te disse, né? Presta atenção: daqui a algumas semanas, talvez dias, a gente não vai mais ter um lugar pra morar. A gente vai pra algum abrigo ou morar de favor com algum parente. É isso que você quer?
─ O que eu não queria era ser vendida! Ser trocada como uma mercadoria.
─ Você não entende mesmo né.
Para mim estava tudo muito claro.
Eu estava tremendo. As extremidades do meu corpo estavam geladas. Estava sentindo por minha mãe coisas que nunca havia sentido antes, principalmente decepção e raiva.
Olhei para as mãos da minha mãe, as mesmas que cuidaram de mim quando pequena, e senti uma ânsia repentina, como se aquelas palmas estivessem agora precificando cada centímetro do meu corpo.
Ainda assim, tive que perguntar:
─ Mãe, e quanto foi? Por quanto a senhora tá me passando pra ele?
─ Lívia, eu não tô te passando pra ele! Mas olha só: o saldo devedor dessa casa é mais de sessenta mil. Se o banco tomar, eu não sei como a gente vai fazer. Não pense que tô te obrigando a fazer alguma coisa. Eu não tô te obrigando e nem vou.
Ela fez uma pausa, e eu tentava organizar meus pensamentos após levar aquela punhalada nas costas. Pouco depois, continuou:
─ No final a decisão é sua. Quando acabar essa semana, se você não o quiser, eu vou lá e falo pra ele. E a gente vai pra debaixo da ponte. Se você não quiser, tá decidido e pronto!
─ Pois saiba desde já que não quero!
Eu saí da sala e fui para o meu quarto. Nunca pensei que um dia a minha mãe pudesse me machucar tanto assim. Parece que toda a tensão por conta das nossas dificuldades havia se acumulado ao longo dos anos para ela me jogar na cara de uma só vez.
Por certo, eu não sabia que nossa condição financeira estava tão complicada assim. Sim, era verdade, não luxamos, mas ela sempre fazia o possível para me dar tudo o que eu precisava, às vezes até me mimava.
Ela nunca havia me falado antes dessas dificuldades com dinheiro, das parcelas atrasadas da casa. Acredito que ela quisesse me poupar, mas isso não dava a ela o direito de tomar decisões por mim, de decidir com quem ia me relacionar, me usando como moeda de troca.
Fiquei chorando o resto da noite e parte da madrugada. Fiquei pensando um monte de bobagem. Pensei em conversar com Jonas e me declarar para ele. Se ele quisesse sumir comigo, eu iria sem pensar duas vezes.
Tentando colocar a cabeça no lugar, demorei a dormir.
Decepção
Ao raiar do sol, acordei e não fui para a aula. Passei a segunda sem falar com minha mãe. Os dias que se sucederam também. Foram dias de aflição. Mas na quinta foi pior. Foi o pior dia da minha vida...
Decidi ir ao culto de jovens na quinta-feira. Fui sozinha. Queria conversar com Deus e pedir por iluminação.
O louvor da igreja nesse dia foi maravilhoso. Os arranjos de teclado feitos por Jonas estavam inspirados. Ele também estava mais bonito que de costume. Estava com uma camisa preta, que parecia ser nova. O cabelo penteado para trás. Estava mais sorridente.
Parecia que aquilo era um sinal para mim.
Eu nunca na minha vida havia dado em cima de homem antes. Nem em Instagram, Whatsapp, Tiktok. Nem mandando recadinho em bilhete. Mas eu estava começando a criar coragem para me declarar para o Jonas. Não naquele dia, nem naquela semana, mas depois que eu me aproximasse mais dele, quando meu coração estivesse menos aflito.
Ao fim do culto, me distraí um pouco conversando com minhas amigas da igreja. Estávamos falando sobre o meu aniversário de dezenove anos, que estava próximo, quando uma delas falou:
─ Você viu como a noiva do Jonas é bonita?
Por um momento eu não acreditei no que eu havia escutado. Achei que ela estivesse brincando. Automaticamente eu falei:
─ O quê?!
─ Aquela ali, ó! Vão se casar no próximo mês ─ outra acrescentou.
Ela apontou para o altar, me mostrando Jonas e sua amada de mãos dadas. Enquanto eu observava, minhas amigas continuavam falando comigo, mas eu não conseguia ouvir.
A garota parecia ter a minha idade. Cabelos lisos e compridos. Trajava um vestido laranja, bem recatado, e salto alto. Quando vi seu rosto, confirmei o que minha amiga havia dito. Era bonita, sim.
Não era de nossa congregação. Nunca a tinha visto antes. Como era que eu não sabia que Jonas tinha uma noiva?
Comecei a tremer. Tentei disfarçar a ansiedade e a decepção. Minhas amigas não sabiam, ninguém sabia, na verdade, de meu amor secreto por Jonas. Nunca havia comentado com ninguém. Era algo só meu. Algo que eu havia criado em minha cabeça e nutria com uma inabalável esperança.
De uma hora para outra, vi aquilo desmoronar.
Sem dar muita explicação, resolvi sair rápido dali. Fui para casa sob a noite fria, caminhando a esmo.
Eu não podia acreditar que Jonas tinha uma noiva! Como assim? Ele nunca deu sinais. Não tinha nem aliança no dedo! Casar no próximo mês? Era tudo inconcebível para mim.
Ele era tão dedicado ao louvor, à sua música, à igreja como um todo. Nem dava atenção para as garotas. Mas agora eu entendia o porquê. Seu coração já tinha dona. E não era eu.
Se ele não ligava para outras meninas, é porque era fiel à sua amada. Meu Jonas... A esperança de um dia tê-lo comigo me confortava. A certeza de que não seria meu era como se eu estivesse sendo sugada para um abismo.
Antes de chegar em casa, ainda fui pega de surpresa por alguns pingos de chuva. Só tirei minha roupa molhada e fui deitar.
Eu não entendia. Sempre havia sido uma serva exemplar. Eu chorava e me questionava o que eu tinha feito para ser tão duramente castigada assim por Deus.
Aceitando o caminho
No dia seguinte, não saí de casa. Fiquei enfurnada, remoendo minha tristeza e solidão. Também foi mais um dia sem falar com minha mãe, mas sempre que eu olhava para ela, me vinha aquela pressão e angústia.
Sábado resolvi ir ao culto, tentando buscar algum conforto na palavra do Senhor. Não era o pastor que ia pregar, era dia do culto das senhoras.
Nesse dia, uma irmã que estava ao meu lado, conhecida na igreja por ser profetisa, passou o culto todo sem olhar para mim, sem sequer falar comigo. Seu nome era Miriã, já estava na casa dos sessenta e poucos anos. Seus cabelos compridos e parcialmente brancos, com suas vestes cobrindo praticamente todo o corpo, lhe davam um ar misterioso.
Ao final do culto, ela tocou em meu ombro, olhou firme para mim e, com uma voz gutural e arrastada, declarou:
─ Aceita aquilo que Deus escolheu pra ti!
Após dizer isso, foi embora.
No entanto, suas palavras me deram um calafrio. Do que ela estava falando? Será que ela estava se referindo ao pastor? Ao que minha mãe disse? Será que ela sabia de algo? Não, não podia ser. Minha mãe e essa senhora nem se falavam direito.
Talvez aquilo realmente fosse um sinal divino.
Não sei o que aconteceu, mas ao chegar em casa após o culto, senti meu coração mais leve. Saber que Jonas ia casar ainda apertava meu coração, mas a dor agora já era suportável.
Após várias noites sem dormir direito, finalmente tive uma noite de sono decente.
Quando despertei pela manhã, voltei a pensar nas palavras de mamãe. Eu cheguei a estar disposta a enfrentá-la e não me envolver com aquele homem, nem que eu tivesse que arrumar um emprego para ajudar com aluguel ou com as prestações da casa.
Mas eu devia ponderar as coisas.
Eu pensei bastante naquele domingo. Meu futuro estava em jogo. E, querendo ou não, o futuro de minha mãe também.
As horas não passavam; elas se arrastavam e pousavam sobre mim. O silêncio da casa só era interrompido pelos afazeres de minha mãe, que pareciam lembrar-me a todo momento que eu tinha uma decisão a tomar.
Eu me olhava no espelho e não via mais a jovem que sonhava com os acordes de um teclado; via uma moeda que estava prestes a ser trocada para manter um teto sobre nossas cabeças.
Depois de muito refletir, percebi que, no final das contas, mamãe tinha um pouco de razão.
E eu estava muito decepcionada com Jonas. O amor que eu cultivei em segredo, como uma flor escondida, havia sido esmagado. Saber que ele ia casar foi a pá de cal naquilo tudo.
A simplicidade com que minha mãe via aquela situação, antes sentida como uma ofensa, agora soava como uma sentença inevitável.
Ela queria uma resposta, e eu já sabia o que dizer.
Ao final da tarde, levantei-me da cama, sentindo um frio na barriga e um aperto no peito. Fui até o quarto dela, que estava encoberto por uma penumbra. Murmurei:
─ Eu aceito...
Acrescentei que eu iria precisar de um prazo. Se ele quisesse namorar comigo, que pelo menos esperasse eu completar dezenove anos, que seria dali a três semanas.
Queria um pouco desse tempo para eu me acostumar com a ideia e abrandar meu coração.
Depois de vários dias tristes, minha mãe esboçou um sorriso. Me abraçou, me beijou, agradeceu e mandou mensagem para o pastor.
Minutos depois, veio a resposta: ele respeitaria meu tempo e esperaria por mim.
Quanto a mim, eu não sabia ao certo o que esperar de tudo aquilo. Só pedia a Deus que iluminasse meu caminho.
*****
Capítulo 2. Casamento
Antes de saber daquela proposta, eu havia pensado em comemorar meu aniversário de dezenove anos com algumas amigas em uma pizzaria. No entanto, mudei de ideia. Não havia muito para comemorar.
Faltei muito às aulas naqueles dias, porém, fui à igreja com mais frequência. Queria estar mais próxima de Deus, ser agraciada com o Espírito Santo. Clamei por mais força e sabedoria para lidar com o que viria pela frente.
Em uma noite durante a semana, com poucos membros no culto, e a dois dias de meu aniversário, reencontrei Miriã.
Estava toda de branco. Olhou para mim e fez "sim" com a cabeça, em sinal de concordância. Não falou nada. Virou-se e foi se ajoelhar próxima ao altar.
Naquele momento eu não entendi, pensei que estivesse se comunicando com outra pessoa, mas eu estava sozinha naquela fileira de bancos. Será que ela estava querendo dizer que eu estava fazendo a coisa certa?
Enquanto ela estava ajoelhada no altar, percebi que havia deixado um pequeno papel no banco. Aproximei-me e vi que só estava escrito Salmos 37:5.
Procurei a passagem em minha bíblia e fui ler. Reli algumas vezes. Após fechar o livro e olhar novamente para Miriã de joelhos, senti um conforto em meu coração.
Visita
Passados alguns dias do meu aniversário, pastor Isaque veio pela primeira vez à casa de mamãe, me visitar.
Ela estava toda animada. Fez um bolo de laranja e um chá de capim-limão para recepcioná-lo.
Desde o meu aceite de seu acordo até aquele momento, meu espírito havia se aquietado mais. Aquele intervalo também foi importante para eu poder perdoar minha mãe.
Mas ainda havia uma certa apreensão em meu peito. Estava prestes a me relacionar com um quase desconhecido.
Quando o religioso chegou à nossa casa, ele vestia uma calça azul escura com um sapato preto e uma camisa branca mangas longas. Usava um perfume sutil, porém marcante e agradável. Não havia tomado banho com Senador.
Seus gestos eram delicados e sua fala era mansa e envolvente.
Conversamos sobre vários assuntos, sentados sobre o sofá da sala, mas a maior parte de nossa conversa era centrada em minha pessoa. Ele estava muito curioso sobre mim, as coisas que eu fazia, o que eu gostava.
Ele realmente me ouvia e genuinamente parecia se importar comigo e com as coisas que eu falava.
De início, eu estava um pouco nervosa, não sei se ele percebeu. Mas com o transcorrer da conversa, fui ficando mais à vontade. Me senti bastante confortável com sua presença.
Conversamos por quase três horas.
Antes dele sair, deixou um pacote para mim, dizendo que era meu presente de aniversário atrasado. Era uma caixa pequena em um embrulho elegante. Agradeci e ele saiu.
Segundos depois, abri o presente: era um perfume de nome J'adore, de uma marca chamada Dior, que eu nunca tinha ouvido falar. Passei um pouco em minha pele e o aroma me agradou bastante. Mãezinha viu e disse que era um perfume caro e que eu tinha que passar bem pouco por ter uma longa duração e projeção forte.
Minha primeira conversa privada com o pastor foi melhor do que eu imaginava. Ele era muito atencioso e simpático. Sempre que possível, me fazia rir. Foi um contraste em relação àquele homem firme e rigoroso que eu sempre via pregar na igreja.
Esse encontro serviu para tirar um pouco da má impressão que eu tinha sobre ele. Ainda assim, permaneci com um pé atrás.
Primeiro beijo
A partir dali, ele quase sempre vinha nos visitar duas vezes na semana. Às vezes três. Mamãe sempre o recebia, ficava algum tempo conosco, depois se retirava, nos deixando à vontade na sala. Mas tenho quase certeza que ela, em algum canto da casa, ficava espreitando a nossa conversa.
A cada visita dele, eu ia me sentindo mais próxima a ele e confortável com sua presença. Ele transmitia a imagem de um homem bom e gentil.
Em meio àquelas visitas, ocorreu algo que eu já aguardava.
Jonas e sua noiva com ar de sonsa casaram.
O casamento do casal ocorreu em nossa igreja. Todos os membros da comunidade foram convidados, mas eu decidi não ir. Fiquei em casa, trancafiada em meu quarto. Tentei não chorar nesse dia, mas acabou sendo inevitável. Porém, não deixei que isso me abalasse por muito tempo.
Após o casamento de Jonas, sua esposa passou a frequentar nossa igreja e eu passei a evitá-los o máximo que podia. Eu não suportava olhar para a cara dela e por algum tempo não tolerei ver os dois juntos.
Mas eu tive que me acostumar. Ver o Jonas com outra havia se tornado minha nova realidade.
Um mês após o pastor começar a frequentar nossa casa, finalmente aconteceu o meu primeiro beijo.
Ele já havia tentado me beijar umas cinco vezes antes, mas eu não me sentia preparada. Havia algo que me segurava e eu sempre virava o rosto, frustrando sua tentativa de juntar seus lábios aos meus. Mas ele não mudou comigo por causa disso. Continuou me tratando bem e me respeitando.
No dia que aconteceu, ele estava bem próximo a mim, segurando minha mão. Não foi pedido, nem roubado; aconteceu naturalmente. Ele iniciou com alguns beijos em meu pescoço, me deixando com os pelos do braço eriçados. Beijou meu queixo, minha bochecha e, enfim, pousou sua boca em meus lábios. E eu deixei acontecer.
Eu fechei meus olhos e apenas tentei acompanhar seus movimentos com minha boca.
Confesso que a impressão do primeiro beijo foi uma sensação estranha. Entretanto, tempos depois, após relembrar o momento, cheguei à conclusão de que eu havia gostado.
Nesse dia eu também percebi que Isaque estava um pouco diferente. Estava mais magro. Seus fios grisalhos haviam sumido. Seu cabelo estava todo castanho escuro. Será que minha mãe havia comentado algo com ele? Não sei, só sei que ele estava mais vistoso aos meus olhos.
A partir daquele dia, sempre que ele vinha até nossa casa, nos beijávamos no sofá da sala.
No início eram beijos mais tímidos. Eu ficava com vergonha, com medo que mamãe aparecesse a qualquer momento. Mas ela respeitava nossa privacidade e nunca fez isso.
Depois vieram beijos mais longos, beijos de língua, e meu corpo passou a reagir de forma diferente. Os bicos dos meus seios ficavam bem firmes. Minha respiração acelerava. Sentia um frio na barriga. Entre as minhas pernas, eu sentia um calor e uma pulsação... Minha calcinha sempre ficava molhada após esses nossos encontros.
Era algo viciante que eu gostaria de ter experimentado mais cedo, em minha adolescência.
Dois meses após o início de suas vindas à minha casa, em uma de suas visitas, em frente ao sofá que eu sentava, ele ajoelhou-se à minha frente e me pediu em casamento. O pedido foi feito com uma aliança improvisada de lã, me dizendo que, se eu aceitasse, depois me levaria para escolher a aliança do casamento.
Ele nunca comentou comigo nada do que havia combinado com minha mãe. Nunca me constrangeu ou fez qualquer comentário dúbio. Eu gostei disso nele. Então, como se eu estivesse surpresa com o pedido, disse:
─ Eu aceito ─ respondi tentando ser espontânea.
Ele sorriu e perguntou se o casamento poderia ser já no mês seguinte e eu questionei:
─ Mas assim tão rápido?
Ele voltou a sentar no sofá ao meu lado e revelou:
─ Você não faz ideia do quanto eu te quero, Lívia...
Eu sorri, baixei minha cabeça e falei:
─ Tudo bem então. Pode marcar o casamento.
Após essas palavras, ele calou minha boca com mais um de seus beijos ardentes.
Preparativos
Quando soube, minha mãe era só felicidade. Se exibia para todas as suas amigas da igreja, dizendo que a filha dela ia casar com o líder da nossa congregação.
No domingo daquela semana, houve um anúncio oficial no culto e todos foram convidados para a cerimônia. Muitos já sabiam, mas, para a maioria, foi uma surpresa.
Para outros, um choque!
É comum, em nossa comunidade cristã, garotas casarem jovens, com dezesseis, dezessete anos. O que não era muito habitual era existir uma diferença de idade tão grande entre o noivo e a noiva.
Entre o pastor e eu, essa diferença era de vinte e um anos.
Sim, ele tinha idade para ser meu pai e isso feria os princípios morais dos mais puritanos de nossa congregação. Todavia, como se tratava do dirigente da igreja, uma autoridade para os irmãos, a maioria fez vista grossa para esse fato.
Eu já não me incomodava mais com isso. Estava até gostando de ser o centro das atenções. Várias irmãs da igreja vinham me paparicar e me desejar felicidades.
Posteriormente, meu futuro esposo me levou até uma joalheria para escolher as alianças. Mamãe foi comigo ajudar na empreitada. Acabei optando por uma de ouro, com linhas retas, de cinco milímetros, um pouco mais grossa, bem diferente daquelas mais comuns boleadas. Ela continha uma pequena pedra de diamante no centro. Juntamente com a aliança, também quis um anel aparador. Eles ficariam prontos em duas semanas.
De lá, fomos até uma loja escolher o vestido. Meu noivo ficou no saguão da loja me aguardando, enquanto eu e minha mãe subimos até o outro andar para vermos os modelos disponíveis. Ela foi de grande ajuda nessa parte, pois era algo que ela entendia bem.
Acabei escolhendo um modelo sóbrio, mas elegante, que mamãe dizia, com um largo sorriso em seu rosto, que combinava muito comigo.
Voltamos para casa; a exaustão pousava em minhas costas após uma tarde corrida. Deitei em minha cama e me dei conta de como as coisas estavam acontecendo rápido demais. Fazia um pouco mais de três meses que eu estava desolada, sem saber o que fazer da minha vida. E, de uma hora para outra, já estava conformada com a ideia de casamento. Mais que isso: já havia tido até alguns pensamentos pecaminosos envolvendo meu futuro marido...
Meu coração estava mais leve. Eu havia decidido de bom grado aceitar o que Deus colocava à minha frente. Acredito que concordar foi bem melhor do que ir contra.
Ainda assim, lá no fundo, em algum canto escondido do meu coração, eu ainda sentia um ressentimento por Jonas. Não era algo doloroso como foi no início. Também não passava muito tempo me martirizando com aquilo. Mas, sempre que eu lembrava que ele estava casado com uma irmãzinha qualquer de outra congregação, ainda doía.
Carícias
Meu casamento com o pastor foi marcado para um domingo de manhã, às dez horas. Haveria uma recepção para todos os irmãos da congregação, em um terraço ao lado da igreja, ao meio dia.
Antes do nosso casamento, nos vimos uma última vez onde eu morava, na sexta-feira pela tarde.
Passamos um tempo juntos no sofá e ele me disse que, desde quando começamos a namorar, ainda não havia conhecido meu quarto. Era verdade, mas expliquei a ele que não seria adequado uma garota como eu ficar sozinha com um homem num quarto fechado.
Ele me convenceu a levá-lo até lá, dizendo que dali a menos de quarenta e oito horas, ele e eu já seríamos marido e esposa.
Ao fechar a porta do quarto, ficamos frente a frente. Sorrateiramente, ele ficou contra a parede, fazendo meu corpo colar ao dele, e começamos a nos beijar.
Àquela altura, já havíamos nos beijado antes de forma mais ardente. Sua mão sempre tentava procurar meu corpo, mas eu o impedia. Em algumas dessas ocasiões, eu percebia o volume formado em sua calça.
Mas aquele beijo ali no meu quarto foi diferente. De alguma forma, eu senti mais privacidade. Meu corpo se prensava contra o dele. Sua mão firme pegou em minhas nádegas e pressionou contra a sua cintura. Senti seu volume firme e rígido outra vez. Por entre as minhas pernas, eu sentia o calor subir. Tenho certeza que minha calcinha já estava começando a ficar molhada.
Assim como inúmeras outras vezes, senti sua mão subir pela minha perna, indo em direção à minha calcinha, por dentro do vestido. Como nas outras ocasiões, o impedi com minha mão, afastando a mão dele de lá.
De repente, sinto sua mão acariciar meu rosto e sua boca perguntar ao meu ouvido:
─ Você se masturba, Lívia?
Fiquei surpresa com aquela pergunta. Não imaginava que o pastor fosse querer saber algo assim, tão específico, embora ele já tivesse feito perguntas de cunho mais íntimo como, por exemplo, se eu ainda era virgem. Por um instante imaginei se tratar de algum tipo de teste. Era igualmente compreensível que fosse meramente uma curiosidade masculina. Após essa breve hesitação, respondi envergonhada:
─ Não, pastor, claro que não. Nunca! E isso é pecado, não é?
─ Sim, é verdade, princesa, mas é algo comum em garotas da sua idade, até mesmo entre as evangélicas.
─ Ah tá, entendi, mas eu nunca fiz isso aí que o senhor perguntou.
─ Tudo bem. Talvez tenha sido até melhor assim porque, depois que a gente casar, você não vai precisar mesmo fazer isso.
Ao encerrar essas palavras, ele me levou até a cama, sentamos e novamente tirou meu fôlego com seus lábios.
Sem que eu me desse conta, em pouco tempo nós já estávamos deitados sobre a cama, com nossas pernas se tocando.
Meu busto parecia querer pular para fora do decote, pois eu não vestia um sutiã que o segurasse naquele momento. Senti sua mão apalpar meus seios por cima do vestido para, logo em seguida, outra vez percorrer minha coxa. Foi subindo, se aproximando, até seus dedos tocarem minha calcinha.
Não sei o que foi que houve com minha cabeça, mas deixei sua mão me tocar. Ele ficou me acariciando lá embaixo e senti uma sensação gostosa que nunca havia sentido antes.
Tenho certeza que seus dedos ficaram melados de tão molhadinha que eu estava.
Seus lábios quentes e úmidos chegaram ao meu ouvido e ele murmurou:
─ Ai, Lívia, que vontade de chupar você.
Aquela expressão vibrou no meu ouvido. "Chupar você" não era algo que eu esperava ouvir dele. Fiquei sem jeito ao ouvi-lo dizer, e eu achava que estivesse se referindo aos meus seios. Só dias depois que fui descobrir que eu estava enganada...
Sua mão suave, deslizando em mim, estava me deixando com vontade. Eu já tinha ficado com vontade antes, mas nunca como ali, naquele dia, em meu quarto. Eu sabia que ele também estava sedento de desejo. Talvez, se fosse por ele, eu até já teria perdido a minha virgindade antes do casamento.
No meio daquele amasso lascivo, a voz de minha mãe ecoava em meus pensamentos, relembrando de algo que ela me dizia desde a minha primeira menstruação: "Lívia, só depois de casar!".
Resistindo àquela tentação, retirei a mão do meu noivo por entre as minhas pernas e falei:
─ Isso aqui tá ficando perigoso. É melhor a gente parar.
Isaque ficou todo desconcertado, mas acatou meu pedido. Nos recompomos e voltamos para a sala.
Assim que estávamos na sala e mamãe apareceu, fiquei com vergonha e com frio na barriga. Me senti maculada. Era como se eu tivesse sido marcada e ela pudesse notar o que havia acontecido apenas olhando para mim. Fiquei receosa que ela desconfiasse de algo ou, pior, achasse que eu tivesse feito o que não devia.
De sorte, foi apenas impressão minha, pois ela nem sequer notou que meu futuro marido havia estado em meu quarto.
Não demorou muito e ele se despediu dela e de mim, e eu só o veria novamente no domingo do nosso casamento.
Enlace
Aquela manhã surgiu ensolarada. Por volta das sete horas, minha mãe veio bater à porta do meu quarto; eu já estava acordada. Ela estava inquieta, parecia que estava mais preocupada que eu. Ela mandou eu ir tomar banho, porque a maquiadora e a cabeleireira que ela havia contratado para minha maquiagem e penteado não iriam demorar a chegar. Antes de sair do quarto, ela me entregou um aparelho de barbear cor de rosa e um frasco de espuma e perguntou:
─ Você sabe o que fazer com isso, não sabe?
Tomei em minhas mãos e sussurrei:
─ Uhum.
Fui para o banheiro e tomei um banho demorado. Com muito cuidado, passei espuma e raspei tudo lá embaixo; a deixei bem lisinha. Foi inevitável não lembrar, enquanto eu me depilava, do toque do pastor nela; mesmo que por cima da calcinha, foi um intenso prazer.
Vesti um robe de banho e desci para me preparar para o casamento.
Enquanto eu era maquiada, minha mãe me chamou em um canto e confirmou, discretamente, que havia recebido o pix que ia quitar a casa.
E eu falei para ela nunca mais tocar nesse assunto comigo.
Depois que passei a conhecer melhor o líder de nossa igreja, era difícil acreditar que ele havia combinado aquilo com minha mãe. Eu preferia acreditar que tudo aquilo era coisa da cabeça dela e que aquela proposta nunca havia acontecido.
Cheguei à igreja por volta das dez e meia. A igreja havia mandado um carro ir me buscar. Até que não me atrasei muito.
Ao chegar ao portão, todos os olhares se voltaram para mim. A igreja estava lotada, não havia lugar para todos sentarem. Fiquei nervosa, com medo de tropeçar na calda de meu vestido branco ou algo parecido. Fui caminhando lentamente, cercada por flores alvas, com minha mãe ao meu lado, que me guiava até o altar.
Muitas coisas passaram pela minha cabeça nesse curto trajeto.
Ao chegar mais próxima do altar, pude reparar melhor em meu noivo. Estava esbelto, com o peito estufado e todo sorridente, de terno azul escuro, colete, gravata borboleta branca e uma flor na lapela. Seu cabelo estava penteado para trás e a barba aparada e alinhada. Desde quando retornara à nossa cidade até aquele dia, ele havia mudado. Estava, de fato, mais bonito.
E, claro, vi Jonas também. Estava tocando a música da minha entrada no teclado Yamaha. Ele estava no lugar errado. Não era para ele estar tocando.
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