MR. PORÃO: GRAVE PROIBIDO

Um conto erótico de LUCAS BARBOSA DA CHAGA MATOS
Categoria: Gay
Contém 620 palavras
Data: 12/05/2026 22:20:27

MR. PORÃO: GRAVE PROIBIDO

Conto II — “Olho no olho não é convite”

por Lucas Barbosa da Chaga Matos

No porão, ninguém é inocente.

Eu aprendi isso rápido demais na vida. E naquela noite o lugar parecia mais baixo ainda, como se tivesse descido mais um andar dentro da própria sujeira.

O som batia seco. Grave estourado. Luz vermelha falhando. Gente se esbarrando sem pedir desculpa. Olhar torto virando linguagem oficial.

Eu tava no meio disso quando ele me puxou pelo braço.

Não foi pedido. Não foi convite.

Foi imposição.

— Você tá se achando demais andando aqui sozinho — ele disse perto do meu ouvido.

A voz dele não tinha calor. Tinha corte.

Eu virei o rosto devagar, sem recuar.

— E você tá se achando o quê? Dono do lugar?

Ele riu sem humor nenhum. Um riso curto, perigoso.

— Eu não sou dono daqui. Eu só sei quem aqui dentro não sabe jogar o jogo.

O olhar dele me segurou como se fosse mão fechando no pescoço, mas sem tocar. Só pressão. Só presença.

E eu entendi o tipo de homem que ele era.

Não era o que fala alto.

Era o que decide silêncio dos outros.

O porão inteiro continuava vivo atrás da gente, mas ali naquele canto o ar tinha ficado mais pesado. Mais fino. Como se qualquer palavra errada fosse estopim.

— Você não devia me puxar assim — falei baixo.

Ele inclinou a cabeça. Devagar.

Como quem avalia se vai rir ou se vai piorar tudo.

— E você não devia me olhar como se não tivesse medo.

Eu dei um passo pra frente. Agora foi minha vez de invadir espaço.

— Quem disse que eu não tenho?

O silêncio entre nós ficou mais perigoso que o som do baile.

Porque agora não era mais curiosidade. Era confronto.

Ele segurou minha camisa de leve. Só o suficiente pra marcar território. Sem apertar ainda.

— Aqui dentro tem gente que desaparece por menos — ele disse.

Eu olhei direto pra mão dele no meu peito. Depois subi pros olhos.

— Então me solta se você acha que eu sou menos.

Foi aí que a coisa mudou.

A mão dele apertou de verdade. Não forte o suficiente pra machucar, mas forte o bastante pra deixar claro que ele podia.

E esse era o ponto.

Ele podia.

Mas não era isso que me assustava.

Era o fato de eu não ter recuado.

O grave explodiu de novo. Um grito veio da pista. Alguma confusão começou do outro lado do porão. Gente correndo. Corpo batendo em corpo. Segurança indo pro meio.

E ninguém ali se importava.

Porque no Mr. Porão, caos é parte do ingresso.

Ele chegou mais perto, quase colando a boca no meu ouvido, mas sem encostar.

— Você não é daqui — ele disse. — Motoboy não entra nesse tipo de lugar pra passear. Entra porque tá procurando alguma coisa.

Eu respirei fundo.

— E você acha que sabe o que eu tô procurando?

Ele soltou minha camisa devagar, como se tivesse decidido não acabar com aquilo ainda.

Mas o olhar continuou preso. Mais duro agora. Menos brincadeira.

— Eu sei quando alguém entra procurando problema — ele falou. — E sei quando alguém entra procurando ser encontrado por ele.

Aquilo bateu diferente.

Porque não era só ameaça.

Era leitura.

Ele virou o corpo um pouco, olhando o porão como se estivesse conferindo o ambiente, mas eu sabia que ele ainda tava me medindo por dentro.

— Se você ficar muito tempo aqui, vai sair diferente — ele disse.

— Todo mundo fala isso.

Ele voltou o olhar pra mim.

— E mesmo assim você fica.

Agora não tinha sorriso. Não tinha leveza.

Só a certeza de que aquele jogo não era mais sobre curiosidade.

Era sobre quem controla quem primeiro.

E nenhum dos dois queria perder.

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