Caso do Acaso - 02

Da série Caso do Acaso
Um conto erótico de Hanna ( escrito por Ryu)
Categoria: Lésbicas
Contém 4033 palavras
Data: 13/05/2026 23:17:26
Última revisão: 13/05/2026 23:39:33

Eu devia ter desviado o olhar na hora.

Mas não desviei. Fiquei um segundo a mais do que devia… talvez dois… talvez um pouco mais. Aquelas pernas bem torneadas! Aquela coxa! Principalmente, aquela bunda me hipnotizou!

Quando me dei conta, já era tarde. Ela percebeu.

E, em vez de se afastar rápido ou fingir que nada tinha acontecido, ela continuou ali por mais um instante, como se tivesse notado, e escolhido não interromper.

Então, ainda procurando as ferramentas, ela perguntou:

— Gosta do que vê?

Meu coração deu um pulo.

— Eu… — travei na hora — Quer dizer… a calça… achei a calça bonita… ficou bem em você… quer dizer… estilosa… — dei uma risadinha nervosa. — Depois me fala onde comprou.

Eu conseguia ouvir o nervosismo na minha própria voz, as palavras saindo todas tortas.

Sem saber onde enfiar a cara, tentei mudar de assunto o mais rápido possível:

— Você… achou as ferramentas?

Tentei recuperar qualquer traço de naturalidade, mas a sensação de ter sido pega no flagra ainda queimava no meu rosto.

— Achei sim — ela respondeu, com um tom leve, me entregando as ferramentas.

Peguei sem encarar muito, já me abaixando ao lado da roda.

— Tá… vamos resolver isso.

Comecei a trabalhar no parafuso, firme, focada, talvez até com força demais.

Qualquer coisa pra não pensar. Qualquer coisa pra não olhar de novo. Mas a sensação não ia embora. Eu sentia.

O olhar dela, vez ou outra.

E, junto com isso, aquela mesma impressão que vinha me acompanhando desde cedo: de que o dia tinha saído completamente do meu controle…e, de algum jeito estranho, aquilo ali só estava começando.

Eu me agachei ao lado do pneu, encaixando a chave e começando a soltar os parafusos. O som seco do metal girando trouxe um certo alívio.

— Engraçado… — ela disse depois de alguns segundos de silêncio.

— O quê? — perguntei, sem levantar o olhar.

— A gente nem se apresentou.

Soltei um pequeno suspiro pelo nariz. Justo.

— Hanna.

— Emanuele — ela respondeu, quase cantando o próprio nome.

Assenti de leve.

— Prazer.

— “Ana” — ela disse logo em seguida, com naturalidade — eu tenho uma caixa térmica com gelo e água. Vou pegar uma pra você.

Eu travei por meio segundo. “Ana”, sempre confundiam meu nome com “Ana”

Abri a boca pra corrigir.

— É Han—

— Nossa, você deve estar com calor, né? — ela continuou, já se virando sem nem me dar espaço pra terminar.

Fechei a boca.

Fiquei um segundo ali, parada, a chave ainda na mão.

E então só… deixei.

Um pensamento atravessou minha cabeça: já estou acostumada mesmo.

Voltei a girar a chave, focando no trabalho. Afrouxei os parafusos, posicionei o macaco, levantei o carro com cuidado. Movimento por movimento. Simples.

Quando percebi, Emanuele já estava de volta, abrindo a garrafa de água, observando tudo como se eu estivesse fazendo algo impressionante.

— Caramba… você faz isso parecer fácil — comentou.

— Não é tão complicado assim — respondi, ainda concentrada.

— Pra mim é — ela riu. — Eu provavelmente estaria chorando até agora.

— Trocar roda é tranquilo… Só fica difícil quando a rosca não quer colaborar!

— Mas que bom então que a rosca tá super colaborativa e bem lubrificada — Disse ela sorrindo – Do jeito que a gente gosta!

Troquei o pneu com mais alguns movimentos firmes, encaixando o estepe e apertando tudo no lugar. Quando terminei, desci o carro devagar e dei um último ajuste.

Pronto.

Levantei, limpando as mãos na própria calça.

— Foi. Prontinho, pneu trocado!

— AEE! — Emanuele praticamente comemorou, batendo palminhas curtas, animada. — Tá vendo? A gente não precisa de homem pra nada!

Eu soltei um meio sorriso, ainda recuperando o fôlego.

— Pra trocar pneu, definitivamente não.

— Pra nada mesmo — ela reforçou, com um brilho diferente no olhar. — Ainda mais eu, né…

Ela inclinou levemente a cabeça e me lançou uma piscadinha.

— Sou lésbica.

Aquilo me pegou de surpresa — não exatamente pelo conteúdo, mas pela forma direta, leve… quase provocativa com que ela disse.

Antes que eu reagisse, ela chegou bem perto de mim.

— Você tá suada — comentou, num tom mais baixo.

Quando percebi, ela já estava com um lencinho nas mãos.

— Deixa eu ...

Não tive tempo de responder.

Ela encostou o tecido na minha testa com cuidado, enxugando o suor de forma suave. O toque era leve… mas demorado demais pra ser só isso.

Fiquei imóvel.

Ela desceu devagar para a lateral do meu rosto, depois para a mandíbula.

Meu corpo respondeu, minha buceta ficou molhadinha.

Ela continuou passando pelo meu pescoço, o toque agora um pouco mais lento, mais consciente.

E então desceu mais, até a linha do decote.

Meu coração acelerou na hora, aquilo já não era só gentileza.

Eu engoli em seco, sentindo que, mais uma vez… a situação estava escapando completamente do meu controle.

— Pronto, já te sequei — Disse ela de forma sensual e provocante – Tem mais alguma parte do teu corpo que esteja molhadinha? ... Se tiver, é só me falar...

Eu soltei um riso curto, mais nervoso do que qualquer outra coisa.

— Acho que já foi suficiente…

Ela inclinou a cabeça de leve, observando minha reação, um canto do sorriso ainda preso nos lábios.

— Tem certeza? — perguntou, num tom mais baixo, quase um sussurro.

Não respondi. Ela deu meio passo para trás, finalmente criando espaço, não o bastante para quebrar o clima. Só o suficiente para me olhar melhor.

— Tá quente aqui fora — disse, casual.

Assenti, ainda tentando recuperar o controle da situação.

— Tá mesmo.

Ela girou as chaves do carro no dedo, num gesto distraído.

— Vamos pra dentro então.

Não esperei ela repetir. Entrei primeiro, sentindo o couro quente do banco. Ela veio logo depois, fechando a porta com calma.

Já dentro do carro, a Emanuele virou o rosto na minha direção, com um sorriso fácil e sem fazer cerimônia nenhuma, ela simplesmente tirou a calça e, num gesto leve, jogou na minha direção.

— Você gostou da minha calça, né? — disse, rindo. — Se te interessou, pode conferir com as próprias mãos.

Eu peguei o tecido ainda meio surpresa, sentindo a leveza dele entre os dedos. Era macio, fresco, daqueles que dá vontade de ficar passando a mão só pela sensação. Quando levantei o olhar de novo, foi inevitável notar.

Ela estava só de calcinha, bem branca, do tipo fio dental, que deixava a bundinha dela toda a mostra.

— A calça é bonita! Mas você sabe que eu me interessei mesmo foi pelo seu corpo!

Ela apoiou as mãos no banco e se levantou um pouco, o máximo que o teto do carro permitia. O movimento foi meio contido por causa do espaço, mas ainda assim suficiente pra ela se ajeitar e exibir a bundinha, bem perto do meu rosto.

Eu olhei automaticamente, babando com a beleza de Emanuele

Ela deu uma reboladinha, cuidadosa pra não bater a cabeça, rindo da própria limitação de espaço.

— Dentro do carro é meio versão compacta do desfile, né?

Ela riu mais alto dessa vez, ainda meio inclinada, segurando o encosto do banco pra se equilibrar. Mesmo naquele espaço apertado, dava pra ver como era gostosa:

— Se te interessou pela minha bunda, pode conferir com as próprias mãos também — Falou de forma bem safada.

Ela desceu de volta pro banco com cuidado, ainda sorrindo, claramente se divertindo com a situação.

E eu só fiquei ali, olhando pra ela por um segundo a mais, ainda com um meio sorriso no rosto.

— Você é linda — comentei, inclinando a cabeça. — Tipo… tá com um corpo de artista de cinema. Sério. Dava fácil pra ser modelo.

Ela soltou uma risadinha baixa, mas claramente contente.

— Aí! Pára! — respondeu, balançando a cabeça. — Imagina!

Mas o sorriso não saiu do rosto dela. E o clima ficou ali, leve, confortável.

Foi então que ela virou o rosto na minha direção devagar, sem pressa nenhuma.

Eu acompanhei o movimento… inevitável.

— Você fica assim sempre? — ela murmurou.

— Assim como?

Ela não respondeu com palavras.

A mão dela veio até meu rosto de novo — sem o lencinho agora. Só a pele. O toque era mais firme… mais direto.

Dessa vez, eu não fiquei imóvel.

Inclinei levemente na direção dela. O sorriso dela desapareceu, substituído por algo mais intenso.

E então, finalmente, a distância entre nós deixou de existir.

O beijo começou lento… quase testando.

Mas durou pouco nessa cautela.

Porque, em questão de segundos, já não havia mais dúvida nenhuma. O beijo foi se tornando cada vez mais intenso.

Não foi apenas bom, mas também deixou tudo claro.

Foi intenso de um jeito que não confundia, não deixava espaço pra questionamento. Eu senti, com toda certeza que aquilo fazia sentido. Mais do que qualquer outra coisa que eu já tinha tentado forçar a sentir antes.

Ali, naquele instante simples e inesperado, eu entendi. Não como uma hipótese, não como dúvida. Entendi de verdade.

Eu não queria mais fingir um caminho que nunca foi meu. O que eu senti naquele beijo foi direto, inteiro, inconfundível e, pela primeira vez, eu não tive vontade nenhuma de negar isso.

Emanuele veio com muito tesão, arrancou a minha blusa:

- Vamos colocar esses peitões deliciosos para fora – Disse para logo em seguida começar a sugar meus mamilos.

Ela continuou me beijando, descendo pela barriga. Eu tirei a calça e fiquei esperando ela chegar com a boca na minha bucetinha.

Ela continuou a dar beijinhos, chegou perto da virilha e afastou minha calcinha pro lado

O olhar dela encontrou a tatuagem da flor, bem ao lado da vagina — e ficou ali, sem pressa.

Um sorriso discreto apareceu.

— Achei uma flor — começou, em tom baixo — é muito bonita.

Eu olhei para baixo, como se redescobrisse a minha própria tatuagem.

— É?

Ela assentiu devagar, ainda observando.

— Delicada… mas não apagada — continuou. — Tem presença… mesmo não sendo muito grande.

— Nossa… quanta análise…

Emanuele deu um meio sorriso.

— Bem-feita também… — acrescentou. — Quanto mais você olha, mais chama atenção.

Dei um sorriso malicioso, e perguntei:

— Você tá falando da flor mesmo?

Com um olhar provocante e sem pressa ela me respondeu:

— Tô… — disse, sustentando o olhar. — Mas não só dela.

Dei uma risadinha baixa, balançando a cabeça.

— Sabia…

— Tô falando das duas flores!

Passei a ponta dos dedos devagar pela borda da minha buceta, que já estava melada:

— E também tá um calor aqui… — murmurei de leve — Flor assim não pode ficar largada desse jeito.

Ela concordou lentamente com a cabeça.

— Não. Flor delicada precisa de atenção… — disse num tom calmo, quase provocante. — Precisa que alguém cuide direito… observe… toque com cuidado.

O jeito como ela falava deixava cada palavra mais lenta.

Dei uma risada baixa. Inclinei a cabeça, fingindo inocência.

— Você entende bastante de flores, hein?

— Só das interessantes. — Ela sorriu de canto. — E essa claramente gosta de atenção.

—Gosta de atenção e de … um beijinho ...

Antes que eu terminasse de falar, ela começou a beijar e lamber a minha buceta.

— Ai! — Exclamei, rindo e gemendo — Já estava quente, mas agora tá me derretendo agora!

— Dá para esquentar ainda mais … — disse, inclinando-se um pouco mais.

— Uhum… — confirmei, abrindo mais as pernas

Emanuele veio devagar, aproximando xota com xota.

Eu nunca tinha feito isso antes.

Já tinha visto em vídeos e tinha a maior vontade de experimentar.

Passei tanto tempo imaginando como seria que, quando a bucetinha da Emanuele foi se aproximando da minha meu coração começou a bater tão forte que eu tinha certeza de que ela conseguia ouvir. As mãos ficaram quentes, os dedos inquietos, e até minha barriga se contraiu numa ansiedade estranha e boa ao mesmo tempo.

Quando nossas vaginas se encostaram, a primeira sensação foi surpresa.

Não era como vi nos filmes, era muito mais gostoso. Mais macio. Mais quente. Mais real.

Meu corpo inteiro reagiu no mesmo instante, como se alguma coisa dentro de mim despertasse de repente. Senti um arrepio correr pelo meu corpo inteiro, enquanto meus olhos se fechavam quase sem eu perceber. A vagina dela era suave, úmida, e o simples movimento delicado daquela xoxotinha contra a minha fazia meu peito apertar de um jeito quase doloroso de tão intenso.

Eu não sabia exatamente o que fazer, mas meu corpo parecia aprender sozinho.

Inclinei um pouco o corpo, sentindo nossas pernas se encaixarem melhor, e um calor começou a crescer dentro de mim, espalhando-se pelo estômago, pelo peito, até minhas pernas ficarem leves. Era estranho perceber como uma coisa tão simples podia mexer tanto comigo. Minha respiração ficou curta, irregular, e cada vez que ela se esfregava em mim, eu sentia uma onda diferente atravessar meu corpo.

Era tão gostoso e confortável que fez meu corpo esquecer qualquer vergonha

Gozamos!

Aos poucos, a intensidade foi cedendo espaço a algo mais calmo.. Então ela me puxou devagar para mais perto, e eu me deixei cair naquele abraço.

Afundei o rosto no ombro dela por um instante, deixando o abraço me envolver por completo.. Os dedos dela deslizavam devagar pelas minhas costas, tranquilos, enquanto eu respirava fundo tentando recuperar o ritmo.

Então percebi Emanuele se inclinando um pouco sem me soltar totalmente. Ela alcançou a caixa e tirou algo lá de dentro. Já sabia o que era.

Era a cintaralha, com um pênis de borracha acoplado.

Ela segurou o acessório entre os dedos e arqueou a sobrancelha, divertida com minha reação.

— Quer experimentar? Me fode gostoso com a cinta!

Eu ri sem jeito.

— Nem sei colocar isso.

— É bem mais fácil do que parece — respondeu ela, calma.

Ela se aproximou outra vez e colocou o cinto nas minhas mãos primeiro, como se estivesse me dando tempo para decidir. Depois, quando concordei com um aceno tímido, me ajudou a vestir. Os dedos dela ajustaram tudo com cuidado, prendendo as fivelas devagar enquanto eu permanecia parada, sentindo cada toque aumentar minha ansiedade.

Quando terminou, dei uma olhada rápida para baixo e depois para ela.

A sensação era inesperada. Eu me sentia diferente usando aquilo. Mais confiante. Mais ousada. Como se tivesse atravessado alguma barreira interna dentro de mim. E o jeito como Emanuele sorria, claramente satisfeita com minha reação, fez um arrepio correr pela minha pele inteira.

Ela passou a mão pela minha cintura de leve.

— Viu? Ficou perfeito em você. ¬

Meu coração acelerou na mesma hora. Ela de quatro na minha frente! Aquele corpo maravilhoso, somente esperando para ser penetrada ... fodida por mim.

Eu não achei que meu coração fosse bater tão forte, mesmo antes mesmo de iniciar a penetração. Minhas mãos estavam levemente trêmulas quando toquei sua cintura por trás. A pele quente dela, a visão da sua bucetinha e do cuzinho empinado!

Quando finalmente introduzi na sua xoxota, senti um misto de vitória e prazer.

O primeiro movimento me deixou super excitada, não era um simples “balanço”. Era como se o corpo dela tivesse um ritmo próprio, um fluxo contínuo que passava para mim.

No começo meu corpo tentou resistir, desajeitado… até que, aos poucos, fui entendendo. Me deixei levar. Meus quadris começaram a acompanhar o movimento, minhas pernas se ajustaram ao redor dela, e de repente eu não estava mais “montada na Emanuele” — eu estava junto.

Peguei ela pelos cabelos e puxei para trás, fazendo com que levantasse o rosto.

Eu estava no controle! Um leve puxar, uma pressão diferente, e ela reagia. Aquela sensação de poder me fez sorrir sem perceber. Era como se estivéssemos conversando sem palavras.

Cada socada que eu dava parecia um pequeno triunfo. Cada segundo ali em cima, penetrando na bucetinha dela apagava um pedaço do medo que eu carreguei por tanto tempo. No lugar dele, crescia uma sensação inesperada… poder. Não um poder de dominar, mas de estar ali, de estar me libertando.

Quando terminei de comer a xoxotinha dela, minhas pernas estavam meio bambas, como se ainda estivessem tentando acompanhar o ritmo da penetração..

— É muito mais gostoso do que eu imaginava… — falei, quase sem fôlego.

Tirei a cinta e a Emanuele ainda estava sorrindo, aquela cara de quem ainda ia aprontar alguma coisa.

— Deita aí!

— O quê? — eu ri, sem entender, mas obedeci mesmo assim, me jogando no banco do carro.

Ela abriu as pernas, colocou os joelhos cada um de um lado do meu rosto e de repente: ploft

Desceu coma buceta até meu rosto e começou a esfregar na minha cara.

— Emanuele!! — eu soltei, rindo na mesma hora, completamente surpresa.

Ela começou a rir junto, daquele jeito leve e totalmente sem culpa, enquanto esfregava bem no meu rosto.

— Você gosta ? Então toma! — disse, divertida. — Você quer buceta? Vai ter buceta!

E lá vinha mais. Ela esfregava no meu rosto todo, nas bochechas, na testa… eu tentava desviar, mas já estava rindo demais pra reagir direito.

— Para! — eu falava, entre risadas. — Não é assim que funciona!

Mas ela continuava, rindo, e eu não conseguia nem ficar brava. A xoxotinha dela tava quentinha e ela tava gozando, escorrendo, e eu já devia estar completamente lambuzada.

Em um momento, ela exagerou um pouco — praticamente sentou no meu rosto e acabou cobrindo boa parte. Eu fiquei meio sem saber por onde respirar por um segundo.

— Ei! — resmunguei, ainda rindo.

Ela percebeu na hora e parou, ainda rindo.

— Tá, tá, foi mal! — disse, mas claramente achando tudo muito engraçado.

— Eu adorei sua bucetinha … — falei, tentando fazer cara de brava, mas já sorrindo — mas isso foi demais.

Olhei pra ela, balançando a cabeça.

— Foi uma overdose de xoxota.

Ela caiu na risada de novo.

— Você tá inteira lambuzada — ela disse, ainda se divertindo com a situação.

— Eu percebi — respondi, passando a mão no rosto e olhando o estrago.

Ela então se inclinou pra frente e puxou um pacote de lencinhos úmidos.

— Calma, eu resolvo — falou, começando a me ajudar a limpar.

Enquanto ela limpava meu rosto com cuidado, ainda rindo de vez em quando, eu só conseguia pensar que, no fim das contas…Valeu a pena!

Eu tinha esquecido completamente do mundo.

Esquecido da estrada lá fora, do pneu trocado, do almoço, do Cadu. Tudo parecia distante, como se existisse uma camada invisível entre nós e o resto do mundo.

O cheiro dela estava grudado em mim — no meu cabelo, na minha pele, no ar apertado do banco de trás. E eu não conseguia parar de olhar pra ela, foi a melhor transa da minha vida. Meu coração parecia mole dentro do peito, lento e pesado daquele jeito ridículo que só acontece quando a gente está apaixonada demais.

Ela sorriu de canto, ainda perto de mim, os dedos passeando distraídos pela minha cintura.

— O quê? — ela perguntou baixinho, percebendo que eu a encarava feito uma idiota.

Balancei a cabeça, rindo sem ar.

— Nada… eu só…

Só te amo, pensei.

E então aconteceu. Um clique seco dentro da minha cabeça. Como um choque.

Eu me afastei rápido demais.

— Meu Deus.

Emanuele franziu a testa.

— O que foi?

Olhei que horas eram, num desespero automático e arregalei os olhos no instante em que vi o relógio.

— Não, não, não… eu tô atrasada.

O encanto se despedaçou na hora.

Comecei a me mexer rápido, tropeçando nos próprios braços dentro daquele espaço apertado. Vesti a blusa, tentando ajeitar o tecido amassado, passei os dedos no cabelo sem nem saber o que estava fazendo direito.

— Hanna… calma — ela riu.

Tentei vestir a calça, mas minha perna entrou no lugar errado e eu quase bati a cabeça no teto do carro.

Emanuele já estava rindo abertamente agora.

— Para de rir!

— Você tá surtando.

— Porque eu devia estar na festa!

Meu coração, que antes parecia derretido de amor, agora batia em puro pânico. Eu me ajeitei no banco, puxando a calça com pressa, tentando desfazer o erro de tê-la vestido ao contrário.

E foi aí que ouvi.

Tin.

Um barulho pequeno. Metálico. Nós duas olhamos pra baixo ao mesmo tempo.

A aliança. A porcaria da aliança de namoro tinha escapado do bolso da minha calça e rolado pelo assoalho escuro do carro.

Meu estômago despencou.

— Acho que… — murmurei.

Ela se inclinou antes de mim e pegou o objeto no chão do carro.

Ela girou o anel entre os dedos… e então leu o interior. O clima mudou.

Não foi brusco. Foi pior. Foi lento.

— Hanna e Cadu…? — ela disse lendo os nomes na parte interna da aliança, levantando o olhar pra mim

Eu congelei por um instante.

— Meu nome é Hanna — respondi — Não é Ana… você entendeu errado.

Ela ainda segurava a aliança.

Os olhos voltaram pro anel, como se agora ele tivesse mais peso.

— E “Cadu”? — perguntou, dessa vez sem suavidade. — É seu namorado?

A pergunta ficou no ar. Eu engoli em seco.

— Você é comprometida?

Eu respirei fundo antes de falar. Precisava ser honesta — ou pelo menos o mais perto disso que eu conseguia naquele momento.

— Eu… já tentei terminar antes — comecei olhando para a aliança ainda nas mãos dela. — Não é de hoje. Só que… hoje é a festa da família dele.

Ela não disse nada, mas o olhar pedia explicação.

— Do Cadu. É importante pra ele. Eu… não tive coragem de estragar isso — continuei sentindo o peso das próprias palavras. — Mas eu vou terminar. Depois da festa. Eu já decidi.

O silêncio dela ainda era atento, mas menos duro.

— E não é só por isso… — acrescentei, mais baixo. — Faz um tempo que eu venho me sentindo… diferente. Atraída por mulheres. Eu só… nunca tive coragem de encarar isso de verdade.

Parei um segundo. Respirei.

— Até agora.

Os olhos dela suavizaram um pouco.

— Eu gostei de você, Emanuele. De verdade. E eu sei que fiz errado. Eu devia ter terminado com ele antes de… deixar isso acontecer.

Dessa vez, o silêncio veio diferente.

Ela olhou pra aliança mais uma vez… e então a colocou de volta na minha mão.

— Eu acredito em você — disse, simples.

Meu peito aliviou de um jeito quase imediato.

Saímos do carro juntas. O ar da rua parecia outro agora — mais leve, mesmo com tudo ainda indefinido.

Ela encostou na porta do carro por um instante, me olhando com um meio sorriso.

— Termina com ele — falou. — Depois… você pode me procurar.

Não era uma promessa vazia. Era um convite.

Eu sorri, sentindo algo acender de novo por dentro.

— Eu vou.

A gente se abraçou. Dessa vez, sem tensão. Só calor.

Antes de se afastar, ela riu de leve.

— Obrigada pelo pneu, aliás.

— Disponha — respondi, ainda sorrindo.

Ela abriu a porta do carro, mas antes de entrar, olhou pra mim mais uma vez.

— Sabe… eu acredito muito em destino — disse. — E isso aqui? Não foi acaso.

Inclinei a cabeça, curiosa.

— Foi tipo… um empurrãozinho dele pra gente se encontrar.

Não respondi. Só sorri. Ela entrou no carro… e foi embora.

Fiquei ali por alguns segundos, parada, com um sorriso que eu não conseguia esconder. Entrei no meu carro ainda leve, quase rindo sozinha. Ela disse que eu podia procurar. Eu ia procurar.

Foi quando o pensamento veio, cortando o momento:

— O telefone.

Eu não tinha o número dela.

Franzi a testa, tentando lembrar.

Ela usou meu celular.

Ligou pra alguém…

Talvez desse pra descobrir por ali.

Levei a mão até o aparelho — mas antes que eu pudesse desbloquear, ele começou a tocar.

Na tela: Cadu.

Soltei um suspiro curto.

— Claro… tô atrasada.

Atendi rapidamente, já pedindo desculpas:

— Desculpa o atraso, Cadu. Tive um contratempo, mas já tô indo.

Do outro lado, a voz dele veio tranquila:

— Relaxa… e desculpa não ter atendido antes, eu tava longe do celular.

Franzi a testa.

— Mas eu não te liguei…

— Ligou sim — respondeu ele. — Duas vezes. Uma às 11:30 e outra às 11:33.

O tempo pareceu travar por um segundo.

11:30h.

11:33h.

Foi quando eu emprestei o celular pra ela. O mundo encaixou de uma vez só. Eu fiquei em silêncio.

Fotos. Ele já tinha mostrado.

Só que…

Morena. Agora loira.

Meu coração acelerou — mas dessa vez de um jeito completamente diferente.

Engoli seco, voltando pra ligação:

— Ah… é mesmo. Eu liguei sim. Esqueci. Mas vou me atrasar só mais uns minutinhos, tá? Já tô indo.

— Beleza, te espero aqui.

Desliguei.

Fiquei alguns segundos parada.

E então comecei a rir.

Claro.

Manu.

Manu, a irmã do Cadu.

Emanuele.

Ninguém chamava ela de Emanuele. Era sempre Manu.

Balancei a cabeça, ainda rindo da coincidência enquanto ligava o carro.

— Não é possível…

Logo mais, eu ia encontrar a Emanuele de novo.

Na festa.

Olhei pra frente, já saindo com o carro.

— Que bom… — murmurei, divertida.

E deixei escapar, quase como um segredo:

— A minha sogra querida vai continuar sendo a mesma, a Malu!

FIM

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