Eu tinha quarenta e três anos e carregava aquele tipo de beleza que o tempo não apaga — apenas amadurece. Morena, sorriso calmo, olhar firme e um jeito naturalmente elegante que chamava atenção até quando tentava passar despercebida. Morava havia décadas na pequena cidade do interior de São Paulo ao lado do marido, Marcelo, de quarenta e nove anos, dono de uma oficina mecânica conhecida na região.
O casamento seguia estável por fora. As conversas no jantar, os fins de semana silenciosos, as contas pagas em dia. Mas havia tempos que sentia faltar de algo, difícil de explicar. Talvez o desejo de ainda ser observada. Desejada.
Era recepcionista no posto de saúde da cidade, era manhã de sábado, o plantão estava qcalmo. O frio ameno do inverno paulista deixava as ruas tranquilas, e poucos pacientes apareciam para atendimento. Havia escolhido uma blusa branca fina demais para o tecido claro do sol da manhã. Semi transparente. Sem sutiã.
Percebi os próprios mamilos marcados no reflexo do vidro da recepção. Hesitei por alguns segundos. Depois decidi manter a roupa assim mesmo.
Talvez porque quisesse se sentir viva.
O médico de plantão era novo, Dr. Henrique, vinte e oito anos, recém-formado, ainda carregando aquele entusiasmo tímido de quem não aprendera a esconder o olhar. Educado, bonito sem esforço, barba curta e voz tranquila.
Na primeira vez que passou pela recepção naquela manhã, ele desviou os olhos rápido demais.
Eu percebi.
E gostei.
— Movimento fraco hoje, né doutor? — comentei, inclinando-se levemente sobre o balcão enquanto organizava algumas fichas.
Henrique levantou os olhos apenas por um instante. O suficiente.
— Bem fraco — respondeu, limpando a garganta logo depois.
Sorri discretamente.
As horas correram lentas. O ventilador antigo espalhava o cheiro de café fresco pelo corredor vazio. Entre um paciente e outro, Henrique aparecia para pegar prontuários, fazer perguntas desnecessárias ou simplesmente permanecer perto da recepção por mais tempo do que precisava.
Sentia o olhar dele sobre mim.
Não constante. Não vulgar.
Curioso.
Cruzava as pernas devagar. Fingindo distração. Às vezes ajeitava os cabelos enquanto percebia o jovem médico tentando manter a compostura profissional.
A tensão crescia justamente porque quase nada acontecia.
Perto do almoço, uma garoa fina começou a cair sobre a cidade. O posto ficou praticamente deserto.
Henrique surgiu novamente no balcão.
— Você sempre trabalha nos fins de semana?
— Quase sempre. Marcelo meu marido, prefere ficar na oficina ou vendo televisão... — respondi, deixando a frase morrer no ar.
O silêncio entre nós pareceu mais íntimo que qualquer toque.
Henrique desviou os olhos para a transparência suave da blusa molhada pela umidade fria do ambiente. Quando percebeu que eu havia notado, ficou vermelho.
Eu não o poupei.
— O doutor parece nervoso comigo.
Ele soltou uma risada baixa.
— Acho que a culpa não é minha.
Aquilo me atravessou com um arrepio.
Fazia anos que ninguém flertava comigo daquele jeito — inseguro, sincero, intenso.
Eu me levantei lentamente da cadeira para buscar café na pequena copa. Senti o olhar dele acompanhando meus passos pelo corredor silencioso. E pela primeira vez em muito tempo, não senti culpa imediata.
Senti poder.
Quando voltei, Henrique ainda estava ali.
Nossos dedos se tocaram por acidente ao pegar a mesma xícara.
Pequeno gesto.
Mas suficiente para transformar o resto da tarde numa espera carregada de imaginação.
Do lado de fora, a chuva aumentava. Dentro do posto vazio, percebi que já não sabia se queria apenas ser observada.
Ou se desejava atravessar a linha perigosa que separa sedução de traição.
Me levantei e fui até a porta de entrada, fechando e passando a chave, tomando coragem fui até a sala onde Henrique estava. Com a desculpa se ele poderia me examinar, pois havia sentido à alguns dias um carocinho nos seios, e gostaria de sua opinião. Era mentira, na realidade queria sentir novamente a sensação de ser tocada.
Ficando em pé, me pediu para então tirar a blusa, isso foi fácil, fiz isso enquanto ele colocava as luvas, quando se virou, percebi ele parar olhando para mim, literalmente para meus seios, com as auréulas grandes e escuras, os bicos durinhos. Percebi ele engolindo seco, então se aproximou devagar sem tirar os olhos de mim, pedindo licença, começou a examinar.
O toque suave de suas mãos estavam me deixando louca, ele demorou tentando achar alguma coisa. Me olhando nos olhos perguntou onde realmente havia percebido alguma coisa diferente, mostrei sabendo que não havia nada, falando para ele fazer o exame com calma. Os bicos durinhos denunciavam o tesão que sentia naquele momento, ser tocada por aquele menino ainda, minha calcinha molhada, minha respiração ofegante.
Henrique me olhou dizendo não encontrar nada de diferente. Falei que já havia se passado alguns dias, que poderia ser coisa da minha cabeça mesmo. Ele se afastou tirando as luvas das mãos, mas não tirou o olho de mim. E devagar fui até a mesinha, peguei minha blusa e lentamente fui colocando, abotoava cada botão bem devagar, deixando-o apreciar meus seios ainda nus. Quando terminei, me aproximei e agradeci dando um beijo em seu rosto.
Me virei e retornei até a recepção, abrindo a porta novamente, onde a chuva permanecia lá fora, mas na realidade havia uma tempestade dentro de mim acontecendo, cheia de desejos, pensamentos e emoções.
Sabendo que o primeiro passo estava dado, somente aguardando o próximo plantão com o Dr. Henrique.
