Depois de um tempão, voltando com os momentos finais da história do gaúcho!
Sendo bem sincero, demorei um pouco para postar porque não estava curtindo como o texto tava ficando. Mas como promessa é dívida - e bom, o veredito final é sempre de vocês, os leitores- decidi postar logo! Depois me digam o que acharam ;)
Essa acabou sendo a penúltima parte da história, porque (como já virou tradição rs), o conto ficou muito longo. Na real vai ser mais um epílogo do que qualquer outra coisa. Mas de todo jeito, fiquem ligados!
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- CARALHO, Dani! O que foi aquele segundo gol do Corinthians? Tá doido, vai ficar pra história!
Coitado do gaúcho! A gente tinha ido até o o Rio pra assistir o jogo de volta da final da Copa do Brasil, em que o meu Timão enfrentaria o Vasco. Como não poderia deixar de ser, fui vestido a caráter pro Maracanã: do meião até o boné, não tinha uma peça de roupa que não fosse do Corinthians! O Dani, que foi até o estádio só pra me acompanhar, teve que me aguentar o caminho inteiro na volta tagarelando sobre a vitória por 2 a 1 contra o Vasco.
Sentado do meu lado no carro, ele me ouvia com o olhar atento: “O perfeito machinho corinthiano, meu!”, o Dani costumava brincar nessas horas, carregando no sotaque paulistano!
Mas bom, além de assistir meu Timão ganhar a Copa do Brasil, minha viagem para o Rio com o gaúcho tinha uma outra razão. Que, por incrível que pareça, era mais especial ainda que qualquer vitória do Corinthians (caralho, se o Duzão do passado lesse isso!). Em duas semanas, eu e o Dani iríamos nos casar!
Que loucura! Se alguém viajasse em uma máquina do tempo e me contasse que eu taria casando, de papel passado e tudo, com outro homem, eu teria um infato! E não, não ia ser uma coisinha “íntima” pra poucos convidados não! A gente planejou um puta festão da porra. Inclusive, o Fred – nosso padrinho, óbvio – ofereceu até a casa de campo da família dele para fazer a celebração!
Claro que, como tudo na vida, foi um processo até a gente dar esse passo. Primeiro, tive que abrir o jogo com a Bianca. 100%, sem rodeios. Depois de ter enganado ela por tanto tempo, sentia que o mínimo que devia à minha namorada da época (que bom, se tornaria minha última namorada) era ser honesto. E isso passava por, além de admitir ser gay, contar também que estava apaixonado por outro cara.
Por mais que a Bianca fosse super calma, já fui pra conversa esperando a pior reação possível. Por isso escolhi ter essa conversa em um restaurante, com medo que ela fizesse um escândalo. Mas, pra minha surpresa…não é que ela reagiu muito melhor do que esperava? Assim, claro que no começo ela ficou puta. Tipo: beeeem puta. Mas à medida que a conversa foi seguindo, ela até segurou a onda, dizendo que aquilo que eu tinha acabado de contar não era exatamente uma novidade…
- O quê? Mas como assim, Bianca? – perguntei logo depois do garçom que tinha servido uma água pra ela se afastou.
- Eduardo...- no jeito que ela falou “Eduardo”, senti o tom de professora que ela devia usar com os alunos adolescentes dela – você acha mesmo que nunca suspeitei de nada?
- Ah...ahhh...pô Bianca, sei lá! – até engrossei a voz, tentando disfarçar meu constrangimento.
Porra, quer dizer então que até minha namorada então já tinha sacado? A Letícia até vá lá, porque depois de um tempo eu realmente baixei a guarda. Mas com a Bianca eu jurava que nunca tinha dado na telha! Se bem, que se aquela conversa tinha me ensinado alguma coisa, era o quanto eu tinha subestimado a esperteza das minhas ex-namoradas. Que imbecil, eu me achando o maior machão, o pegador, enquanto elas já deviam saber que aquilo tudo não passava de uma fachada!
Enfim, contar a verdade pra Bianca não foi fácil. Mas assim que as palavras saíram da minha boca, o peso de toda uma vida saiu dos meus ombros. Era como se durante todos aqueles anos, uma nuvem pesada, carregada, mas invisível, tivesse me acompanhado por onde quer que eu fosse E agora, finalmente, o céu tivesse aberto. “Nossa, se eu soubesse que seria tão bom, já tinha feito antes!”, passou pela minha cabeça, enquanto eu e ela saíamos do restaurante. Porra, quantas oportunidades será que eu tinha perdido na vida, por puro medo e covardia? Bom, mas não adiantava em nada ficar remoendo essas paradas. O importante é que eu fiz. Antes tarde do que nunca!
Na saída do restaurante, eu e a Bianca nos despedimos com um abraço educado, mas seco. Assim que ela se virou de costas, me bateu uma sensação de fim. Não só de um relacionamento, mas de toda uma fase da minha vida. Mas o que mais me surpreendeu é que isso não me assustava em nada. Porque sabia que tinha um começo foda – muito foda!- tava me esperando logo ali!
Primeira etapa, cumprida. Depois, chegou a vez dos meus pais. Essa prometia ser a conversa mais difícil. Achava que minha mãe seria mais tranquila de aceitar do que meu pai. Seu Carlos sempre foi um cara conservador, chefe de família, paizão à moda antiga. Imagina descobrir que o único filho homem , o orgulho da vida dele, era gay? Não seria brincadeira!
Mas porra, mais uma vez a vida me surpreendeu. Não é que eles aceitaram bem melhor a situação do que eu tinha imaginado? Assim, claro que eles ficaram surpresos quando apresentei o Dani não só como meu namorado, mas como noivo. Pensa só: um dia teu filho “pegador” te visita com uma gatinha ruiva, e no outro com um gaúchão, te pegando pela cintura! Mas com calma e paciência, as coisas foram se ajeitando. E bom, o carisma do gaúcho ajudou pra um caralho: em dez minutos de papo, o Dani, malandro que só, ganhou a simpatia dos meus pais. Com a minha mãe ele era um lorde, sempre atencioso, mas sem puxar o saco. Hoje em dia, ela tem mais carinho pelo gaúcho do que por qualquer nora que já apresentei! E meu pai então? Porra, os dois são melhores amigos! Fazem churrasco juntos e tudo mais! Tem vezes que eles engatam em um assunto – futebol, fórmula 1, que seja - e até eu fico sobrando!
- Porra Dani, tu é ligeiro! – comentei com ele uma vez no carro, depois de um almoço de domingo na casa dos meus pais – sério, de todas as namoradas que tive, nenhuma ganhou meus pais tão rápido como você! Meu pai então, porra! Só falta estender o tapete vermelho quando você chega!
- É claro né, Du – ele tirou o óculos escuros e me deu um olhar safado – teu velho sabe que eu sou homem pra cuidar da princesa dele…
Ah, o clássico humor do gaúcho! Nunca falha em me deixar com fogo! Nem preciso dizer que o pós-almoço de domingo foi em um motelzinho ali perto, né?
Em resumo: me assumir foi, de longe, a coisa mais foda que já fiz em toda minha vida. Mas, aos trancos e barrancos, tudo acabou dando certo. Agora, nessas horas, ter amigos, - mas parceiros mesmo, não só uns caras com quem você joga fut de vez em quando- foi fundamental. O Fred e o Tom me surpreenderam: depois que eu voltei a jogar com a galera, eles nunca deixaram que qualquer comentário maldoso rolasse no vestiário. O Dani então, foi demais: ele nunca teve um pingo de receio de me apresentar pra qualquer pessoa que fosse como meu namorado, seja amigo, familiar ou colega de trabalho. Na cabeça do “Duzão” do passado, isso seria impossível!
“Tá vendo como tu é querido por tanta gente, guri?”, o gaúcho me dizia nos meus momentos de dúvida. “Aproveita, que nem todo mundo tem essa sorte. Agora é só relaxar e ser feliz, besta!”
Deitado com a cabeça naquele peitão peludo do gaúcho, eu não podia deixar de pensar em como meu homem tinha razão!
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Chegamos na casa onde a gente ficaria hospedado. O Dani, que gostava de organizar as nossas viagens nos mínimos detalhes, me mimando como uma esposinha rica, não me mostrou uma única foto do lugar. Mas eu sabia que, para celebrar nosso noivado, o gaúcho não deixaria por menos!
E porra… ele não deixou mesmo! O gaúcho conseguiu um casarão na Gávea que, sem brincadeira, parecia desses que a gente só vê em novela! Jardim enorme, churrasqueira, piscina de borda infinta, hidromassagem. Sem falar na vista sensacional pro Morro Dois Irmãos! Achei até um exagero alugar uma puta mansão daquela, que devia ter uma porrada de quartos, só pra nós dois!
No hall de entrada da casa, em cima de uma mesinha, logo reparei em um balde de champanhe com moreno. Desde o nosso primeiro dia dos namorados “clandestino”, aquela já tinha virado uma tradição nossa. “Se foi o que tu comeu quando tu gozou sem tocar no pau pela primeira vez, então deu sorte!”, o Dani sempre zoava. Fomos então até o quarto que, cacete, só ele era quase do tamanho do meu apartamento em São Paulo! Dei um sorrisinho quando notei que a cama estava coberta de pétalas de rosas vermelhas. Era um detalhe brega, eu sei, mas com o Dani eu sempre gostava de cumprir com todas as “breguices” de casal que durante anos fiz com as minhas namoradas!
E bem em cima da cama, encontrei um embrulho de presente…
– E aí, minha noiva? – o Dani me enlaçou pela cintura para dar um beijo – gostou da surpresa que preparei pra ti?
- Nossa Dani! Claro que sim! – eu olhava pros lados admirado, ainda em choque de estar naquele lugar tão foda – tá tudo perfeito! Porra, foi mal te encher o saco o caminho todo falando do Corinthians!
- Bah Du, capaz! – ele então deu mais um sorriso de moleque maroto. Sabia que o gaúcho iria levar nosso papo prum rumo mais safado – até porque acho tão bonitinho te ver falando do teu Timão, guri! Me faz lembrar quando eu te conheci, sabia?
Fiquei quieto. Sabia que agora a bola tava no campo dele...e que esse jogo, ah, eu já tinha perdido faz tempo! Envolvido pelos brações do meu gaúcho, senti a rolona dele, grossa como um tubo de Rexona, já marcando na bermuda de linho branca. Quantas vezes eu pegava os olhares indiscretos das minas e de outros caras pro dote do meu gaúcho. E eu, todo orgulhoso, pensava: “todo meu!”
- Tu sabe que quando tu fica falando desse jeito, dá até pra QUASE acreditar que tu é homem? Mas eu te conheço e não é de hoje, né, Dudinha? – ele então alisou minha bunda, com o toque firme de quem sabe o que é seu – e aí, preparada para curtir a noite com teu futuro marido?
- Hmmm, simmm – eu respondi molinho, já rebolando de leve.
- Ótimo! – pra minha surpresa, ele se afastou um pouco – dá uma olhada no seu presentinho, bebê..
Logo corri para abrir o presente. Obviamente, já tinha uma boa ideia do que era. Afinal, já tinha virado uma outra tradição nossa de casal que o Dani me presenteasse com uma lingerie safada em datas especiais! Mas ah, mesmo sabendo o que me aguardava, isso não diminuía em nada minha excitação! Abri a caixa, louco pra ver o que tinha lá dentro.
Mano, nem nos meus sonhos mais loucos eu conseguiria prever o que aquela cabeça depravada do gaúcho tinha aprontado! O Dani tinha comprado nada mais, nada menos, que um uniforme de líder de torcida... do Corinthians! Era demais: um topzinho branco com o brasão estampado no lado esquerdo, sainha preta curta com babadinhos, meião preto até o joelho… mano do céu, só faltou aqueles pompons que as minas usam nas apresentações!
– Gostou, Dudinha? Agora tu pode honrar teu Timão sem esconder a fêmea que tu é!
– AIII, DANI! – minha voz afinou na hora, bizarramente sem eu nem fazer esforço – eu amei! Obrigada, meu gato!
– Bah Dudinha, eu sabia que tu ia curtir! E pelo que te conheço, tu já deve ter trazido tua calcinha e sutiã do Corinthians, né?
Filho da puta! O Dani, realmente, me conhecia melhor do que eu mesmo. Mas a verdade não era só que tinha levado minha lingerie do Corinthians pro Ri. N verdade, eu tinha assistido a porra da final da Copa do Brasil, por debaixo do meu uniforme de “machinho do Timão”, com a calcinha e sutiã do Corinthians!
O Dani cerrou os olhos. Bem nessa hora, a ficha dele caiu:
– Ah, essa não, amor!- ele batia na batata da perna de tanto rir – não vai me dizer que tu foi ver teu tão amado Timão no Maracanã de lingerie?
– Sim, Dani... – eu ainda não sei porque ficavam surpreso de ver que o Dani sempre descobria tudo! – na verdade, eu ando usando essa calcinha em todo jogo, pra dar sorte! Mas essa é a primeira vez que tive coragem de vestir pra ir no estádio...
O gaúcho chegou mais perto. Os 20cm de pura macheza gaúcha do Dani, que já tavam duros antes, tavam quase rasgando o tecido da bermuda:
– Guri...– ele molhou os lábios e me disse baixinho – tu fica de costas e abaixa essa bermuda. Devagarinho, como teu noivo gosta…
Já virado de costas pro Dani, ouvi ele se jogar na cama. Cacete, só de imaginar ele todo largadão, com aquela cara de puto, saboreando a expectativa de ver de lingerie, me arrepiava todo de tesão! Fui abaixando o calção bem devagarinho, pra construir o suspense que o gaúhhão sempre adorou. Deixei a bermuda tocar o chão, e já só de calcinha, empinei o rabo. Pelo espelho, o reflexo me contava uma história que eu já conhecia muito be. De cima pra baixo, o machão paulistano, de camisa e boné do Timão. Ma de cima pra baixo, entre minhas coxas grossas de jogador, ao contrário das minhas cuecas Calvin Klein de playboy paulistano, usava uma linda calcinha pretinha do Corinthians!
Dei meia volta, requebrando o quadril e acariciando o corpo. Comecei pelo peitoral, que estava até então secretamente espremido pelos cones do sutiã, até as coxas. Pelo reflexo do espelho, via como aquela roupinha valorizava meu físico. Continuei a frequentar a academia, mas sem o fanatismo de antes. Só para manter o shaope que conquistei naqueles tempos que passei separado do Dani.
Quer dizer...com uma pequena diferença: desde de ter voltado com com o gaúcho, passei a fazer depilação a laser no corpo todo. Pois é... os dias daquele “Duzão” peludo, com o corpão de macho raíz, tinham terminado! Do queixo para baixo, nem mais um pelinho tinha restado para contar a história. E nem foi o Dani que tinha me pedido para me depilar: ele mesmo já tinha me dito que não se incomodava com… (palavras dele!) a minha “bucetinha peluda”. Mas um belo dia, assim de repente, eu quis fazer. E fiquei feliz com o resultado: achei que valozriava meus músculos, sem falar na sensação de alisar minha pele, que era uma delícia!
É...da minha vida de antes, só sobrou o bigode mesmo!
- Guria...quem te vê no estádio, todo machão xingando o juiz, nem imagina a gostosa que tu é! – o Dani falou me admirando de cima a baixo, ajeitando a rolona dura na bermuda – Tu tá tão tesuda que tenho certeza que até o Yuri Alberto se acabaria em uma noite contigo, hein?
Ah, mas foi ouvir o nome “Yuri Alberto” que senti meu cuzinho piscar! O Dani sabia muito bem do meu tesão descomunal pelo camisa 9 do Corinthians e adorava me provocar por causa disso. E o pior? Eu não tinha moral nenhuma pra rebater: o Dani que não me ouça, mas eu perdi as contas de quantas vezes me dedei na cama, só de calcinha, pensando naquele macho! Coincidência ou não, bem nessa hora reparei que tinha melado a parte da frente da calcinha:
– Eita, foi só falar no Yuri Alberto que tu se molhou toda! Assim eu fico com ciúme, porra! – o Dani levantou da cama e veio caminhando na minha direção, com aquele andar de tigre típico dele – mas agora sobe a bermuda e vem comigo lá pra baixo. Aprontei mais uma surpresinha pra ti, bebê!
Opa! Mais uma surpresa? Apesar de transbordando de tesão, a curiosidade falou mais alto: botei a roupa de novo e acompanhei o gaúcho até a churrasqueira. Com a noite avançada e as luzes apagadas, não conseguia ver muita coisa:
- Vai Dani, me conta o que é!
- Te aquieta, guria! Logo tu vai saber…
O Dani falava com aquele jeito de quem tá doido pra ver a reação da pessoa que vai surpreender. Sem mais delongas, ele acendeu as luzes da churrasqueira:
- SURPRESA!
CACETE! Não é que quem tava ali eram os filhos da puta do Fred e do Tom?
- Caralho, rapaziada! Não acredito que vocês vieram! – logo fui na direção deles pra dar um abraço!
- Mas é claro, Du! – o Fred, gatão como sempre na sua bermuda de linho branco e camisa com manga enrolada, me respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo - você achou mesmo que a gente ia perder a sua despedida de solteiro?
- O quê? Despedida? Mas pô, eu tinha combinado com o Dani que a gente não faria nada de despedida!
Nessa hora, os três se entreolharam e deram um risinho safado:
- Porra, Du! Que tipo de padrinho a gente seria se não fizesse nada?- o Tom, enquanto me abraçava, deu uma apalpada marota na minha bunda. Ele era outro que tava uma delícia, vestindo a camisa do Santos e uma bermuda que não deixava dúvida sobre a grossura do “Tomzão”
- Pois é, Du… o Dani passou o braço pela minha cintura. Me lembro que no começo odiava quando ele fazia isso, me tratando como uma namoradinha. Mas depois...ah, eu amava me sentir envolvida assim! – lembra que tu ficou chateado quando tu não foi convidado pra despedida do Fred? Então, pra compensar, a gente decidiu fazer uma festinha pra ti…
- Sim, Dr. Eduardo... – o Fred já me olhava com o velho ar de predador – e pelo visto, tu já até veio vestida pra festa…
Todos os moleques racharam o bico. Foi bem quando reparei que a rendinha da calcinha do Corinthians tava aparecendo de leve por cima da bermuda!
- Cacete! Caras, eu nem sei o que dizer! – falei, sem nem me importar de arrumar a bermuda – obrigado mesmo!
- Que isso, Du! Você merece – o Tom respondeu, dando uma pegada de leve no sacão– e se prepara, que restante da galera já tá chegando…
- O quê? Mais gente vem? – ah, eu tava gostando cada vez mais daquela história!
- Ihhh, Du...tu não viu nada!- o gaúcho, feliz com a minha alegria, me puxou para mais perto - tua despedida de solteiro vai ser inesquecível, guri!
E não é que foi o Dani falar isso, que a gente ouviu um som de buzina? O gaúcho logo foi abrir o portão. Fiquei besta de ver que três carros entraram. O Dani, o Fred e o Tom correram pra receber a galera, com uma animação digna de torcida organizada.
Puta que pariu! Quando vi quem tinha chegado, meu coração tremeu: Paulinho, Cauã, Beto...simplesmente, todo o nosso time de fut tava ali! Todos aqueles mesmos moleques que tinham me flagrado de calcinha em campo, e que depois ficaram zoando com a minha cara, me mandando mensagens safadas perguntando “quanto era o programa?”. Em outra vida, eu devia ficar puto da vida com a possibilidade de ter aqueles caras na minha despedida de solteiro…
Ah, mas na era... quem eu queria enganar? A ideia de ter o time de futebol completo na minha despedida de solteiro era um verdadeiro paraíso! Eu e o Dani sempre conversamos sobre fazer um gang bang pra valer, com vários caras, mas nunca conseguimos tirar a ideia do papel… e naquele momento, minhas pernas tavam bambas só de pensar que aquele sonho estava prestes a se realizar!
E ainda por cima, quem estava dirigindo o carro? O Wagner, o motorista grandão que contratado do Fred!
Ah...o Wagner! Esse é um que merece que eu pause a história pra falar um pouco dele. Depois daquela história toda em que ele me ajudou com o carro do Dani, não tive escolha se não “retribuir” o favor pro motorista do Fred. E bom, a partir daí – com a permissão do Dani, claro - eu criei uma certa “relação” com o Wagnão, por assim dizer. Que inclusive, fazia jus ao apelido: mano do céu, aquela jibóia preta que ele guardava no meio das pernas era coisa de cinema! Toda vez que tinha alguma festa na casa do Fred, quem ele mandava me buscar? Ele mesmo, o Wagnão! No caminho, ele sempre parava em algum trecho da estrada, pra fazer uso da “Dudinha da galera”:
- Ah, nada como um rabão branco de playboy de café da manhã! – ele me dizia, me comendo comigo apoiado na traseira do carro, em um cantinho escondido na beira da estrada – Dr. Daniel é um homem de sorte de ter uma fêmea com a bucetinha rosa assim!
- Boa noite, dr. Eduardo! – o Wagner me cumprimentava assim quando a gente se encontrava. Todo educado, mas com um tiquinho de ironia.
- Ah, Du, você não tem ideia! – o Fred começou a me contar – o Wagnão tá há dias falando dessa despedida de solteiro! Não pensa em outra coisa…
- Não mesmo!- o Wagner deu um risinho safado – dr. Eduardo, como moço de bom família que é, merece o melhor!
Todos riram do comentário sacana do Wagner, enquanto eu já visualizava aquela rolona dura na minha cara!
- Opa, Du! Firmeza?- foi a vez do Cauã vir me cumprimentar. Ele, que sempre foi o mais cheio de malícia, me pareceu mais desarmado naquela noite .
- Firmeza...- respondi cabreiro. Sempre achei o Cauã o mais complicados dos dos caras. Apesar dele, justiça seja feita, sempre ter sido um puta de um gostoso, com aquela covinha no queixo e o pauzão gigante, que ele ostentava sem medo no vestiário.
- Viu, Du...- o gaúcho interveio no papo, provavelmente percebendo minha desconfiança – deixei bem claro pra esses daí que a condição de participar é se eles te respeitassem, valeu?
- Isso mesmo – o Fred pegou a deixa – aliás, acho que um pedido de desculpa seria o mínimo, né rapaziada?
O Cauã, o Beto e o Paulinho se entreolharam. Pelo jeito, eles tinham já conversado sobre isso entre eles:
- Pois é, Du...- o Cauã começou- já que a gente tá aqui, acho justo a gente se desculpar. Principalmente por causa daquela parada que rolou no dia lá que o Will abaixou teu calção...porra, a gente aqui pisou feio na bola contigo!
- Nossa, sim! E meu, pensando que tu era nosso parceiro há muito mais tempo que o Will, a gente tinha a obrigação de ter fechado contigo! – o Paulinho continuou – mas é que também, vamo combinar: tu sempre foi tão arrogante, exibindo teu pau grande por aí, se achando por pegar as minas mais gatas! Foi engraçado te ver caindo do pedestal…
- É, eu odeio concordar com esse perna de pau do caralho, mas que você precisava de uma lição de humildade, isso é verdade – o Tom comentou zoando.
- Bom, nesse ponto até eu concordo... – o Fred brincou – se tem uma coisa que a gente pode agradecer ao gaúcho, é por ele ter baixado a bola do “Duzão”.
- E também...- o Cauã olhou pra baixo antes de continuar, parecendo que iria confessar algo- a verdade, na moral, é que a gente também ficou com inveja de você ter ficado com o Gaúcho e o Will…
- Epa...mas como assim?- perguntei confuso. O Dani, o Fred e o Tom também fizeram cara de quem não entenderam.
O Cauã então pegou o celular e começou a rolar o dedo na tela. Ele então abriu em um grupo de WhatsApp, formado por ele, o Beto e o Paulinho.
O nome? “A rabeta do D”. E na foto de capa, uma foto do brasão do Corinthians!
- Du, vou te jogar a real: tu acha mesmo que o gaúcho foi o primeiro a pirar nesse rabão? – ele então baixou o olho pra minha bunda, pra admirar a rendinha, com um risinho indecente – eu e os caras aqui, a gente já babava nele fazia tempo, pô! E bora combinar que você também não facilitava, sempre exibindo essa bundona no vestiário!
- É, mano...e depois que tu pegou firme na academia, tua raba foi crescendo, crescendo e crescendo!- o Beto, que em geral era mais na dele, não desgrudava os olhos do meu rabo – porra, me desculpa, mas pra gente que se amarra numa bunda, fica foda!
O Cauã me deu o celular pra eu dar uma olhada as mensagens do grupo. Com o dedo eu fui descendo, enquanto o Tom e o Fred e o Gaúcho se juntaram atrás de mim pra dar uma espiada também. Eu não podia acreditar no que eu tava vendo: o Cauã e os outros moleques tinham criado um grupo no Whats com o ÚNICO objetivo de falar... da minha bunda! E mais: eles ficavam competindo pra tirar as melhores fotos do meu rabo enquanto eu tava distraído! Era foto minha no gramado, nas festinhas que rolavam nos bares...e claro, várias, mas várias mesmo, tiradas no vestiário, comigo de cueca ou com o rabão toda à mostra!
E cara...nos comentários, eles tinham aquela clássica “conversa de vestiário” de macho escroto. Era um “Caralho, que rabetão!” ali , um “Daria tudo pra ter essa rabeta no meu colo!” acolá, um “será que tem cuzinho rosinha?” logo depois. E eles ainda brincavam entre si sobre quantos centímetros a” rabeta do Duzão”, como eles tinham apelidado minha bunda, devia ter. “Porra, do jeito que ele tá treinando, deve bater fácil no 100cm!”, o Cauã meteu uma vez.
Eu não conseguia parar de olhar as mensagens. Tenho que admitir: a ideia de que aqueles moleques, que por anos foram meus “parças do fut”, passaram esse tempo todo salivando pela minha bunda em segredo me deixou transtornado de tesão!
- Caralho, cada fotão hein! – o Fred não se aguentou – olha essa aqui no pós-jogo, com o calção entrando no rego!
- Ah, essa é uma das mais top! – o Paulinho se meteu – com todo respeito, mas já bati cada homenagem pro Du olhando essa foto…
Todo mundo – até mesmo eu!- riu do comentário do mais franguinho do grupo. Logo depois o Dani, de queixo erguido, tirou o celular da minha mão e entregou de volta pro Cauã. Eu via no olhar dele o mesmo ar metido que eu tinha quando os outros caras elogiavam as minas que eu saía:
- Tá vendo, Du? Lá no fundo, tava todo mundo com ciúme do gaúchão aqui! – ele bateu no peito, todo pimpão, tipo jogador quando acaba de marcar um gol- Todo mundo querendo tirar uma casquinha da minha Dudinha!
Nessa hora, a voz de um cara, que ainda não tinha participado da conversa, se impôs atrás gente:
- Mas também né…vendo o material, a “rabeta do Duzão” é de respeito mesmo….
Era o Rique, aquele moleque que conheci na festa de aniversário do Fred. Mano, engraçado isso: tem caras que até acho bonito e tal, mas tem outros que mexem com a gente de um jeito especial. . O Dani, obviamente, fazia parte do segundo grupo, assim como o Fred. O Will também, por mais que eu deteste admitir (porra, depois de tudo, não é que eu ainda me pegava pensando com aquele pirocão lendário dele?), além daquele gauchinho que me traçou no banheiro.
O Rique, eu percebi rápido, também era um desses! A cara era de moleque gracinha, desses que ajudam as senhoras a carregar as compras no mercado com um sorriso no rosto. Mas naquele rosto de novinho, ele exalava safadeza: com o cavanhaque, brinquinho na orelha e cabelo cacheadinho curto, ele tinha um ar mais “cria” que meus amigos costumavam ter: sem falar no risquinho na sobrancelha, que ele devia ter feito desde a última vez que nos conhecemos, e me pegou de jeito! Naquela noite, ele usava com uma camisa de linho azul, com as mangas enroladas nos cotovelos, com os últimos três botões abertos. Caído no peitão malhado e liso, caía uma correntinha de ouro, dessas que tem um pingente com o rosto de um santo. Um detalhe que me fez arregalar o olho: ele tinha tatuado um ano no peito. “2003”.
- Meu, “2003”...é o ano que você...nasceu, moleque?
Caralho, não podia ser! Eu já tinha memórias de 2003! Como alguém que tinha nascido nesse ano já tava assim tão...bom, tão crescido!
- Sim...de novembro ainda...- ele deu uma risada malandra. Notei um volume se formar na bermuda branca dele. Nesse exato segundo, algo como um sexto sentido atinou em mim. Eu nem precisava ver pra saber: com certeza, aquele moleque era pauzudo. Esse tipo de coisa eu já tinha começado a pegar no ar. Tem cara que tem uma confiança, uma ernergia que, como dizem na gringa, exala “big dick energy”!
- É Du, o Rique é o nosso mascote, o guri mais novinho do time! – o Dani então deu um soquinho de brincadeira no ombro dele – ah, e tem um detalhe que tu não sabe dele ainda! Rique, qual é teu time?
Toda a galera riu de novo, claramente sabendo de alguma coisa que eu não sabia. O Rique chegou mais perto de mim, com um ar de satisfação no rosto:
- Pois é, eu não tenho sotaque, mas meu pai é carioca – ele então abaixou um pouco a bermuda, revelando a barrinha da cueca.
Caralho! A cueca que ele tava usando era do Vasco! Porra, justo o time que o Corinthians tinha acabado de derrotar na final da copa do Brasil?
- Pois é, o povo ri da minha cara, dizendo que vascaíno nasce pra sofrer...– o novinho continuou – mas hoje, apesar do que rolou no jogo, acho que a minha maré vai mudar…
- Ah, é? – o Dani continuou a atiçar o molecão – me diz Rique: depois da final de hoje, tu tá com raiva, mas muita raiva, de corinthiano metido a macho?
- PRA CARALHO, gaúcho! – ele olhou com cara de bravo pra mim – meu irmão… eu daria tudo pra estourar as pregas de um hoje!
Foi o novinho falar isso que os moleques já formaram um círculo ao meu redor. Ate ali, o clima tava mais de zoeira, brincadeira entre amigos. Mas naquele momento, no olhar de cada um, já dava pra sentir a mudança no ar. Agora agora aqueles caras estavam com olhares de predadores cercando a presa, carnívoros sentindo o cheiro da caça, salivando de fome. Os volumes cada vez mais indiscretos nas bermudas, que eles faziam questão de pegar com a mão. Eu já conseguia sentir aquele clima de vestiário, de um bando de macho junto: cheiro de suor, cheiro de desodorante masculino, cheiro de saco guardado na cueca.
Cacete, os meus cheiros favoritos do mundo!
- É, gurizada...bora iniciar os trabalhos?- o Dani anunciou me encarando, dando uma ajeitada na rola. Chegando perto de mim, ele sussurou no ouvido por trás. Senti o volumão dele roçando no meu rabo – vai se aprontar que a gente te espera aqui na piscina!
Minhas pernas tremiam, meu cuzinho piscava. Fui correndo me arrumar. Mas apesar de estar uma pilha de ansiedade, quero logo me jogar na putaria, tomei meu tempo: queria que o retorno da famosa “Dudinha da galera”, agora com o maior público da minha “carreira”, fosse lendário, digno de entrar pra história!
Mas nossa...por mais que tivesse imaginado, nada teria me preparado pra recepção que eu tive! Quando os moleques me viram...mano, o escarcéu que eles fizeram foi parada de outro mundo! Tem ideia do que são 11 machos, um mais gostoso que o outro, berrando que nem gorilas, te chamando de puta, de tesuda, de cachorra? Só ali, já molhei a calcinha toda!
- Bora lá, minha noiva! – o Dani se ergueu do sofá e veio na minha direção. Chegando juntinho, ele cochichou no meu ouvido – essa noite tu vai ser tratada que nem a rainha que tu é!
Ali, olhando bem fundo nos olhos daquele puta homão, tive certeza: se todos as decisões que fiz durante minha vida me fizeram chegar até aaquele momento, alguma coisa de certo eu tinha feito!
– Pronta pro resto da sua vida, Dudinha?
Ah, até o Dani ia ficar assustador de ver o quão “pronta” eu tava!
