[Perspectiva de Malik]
Acordei tateando o vazio.
Minha mão buscou o calor da pele de Ayandara no lençol, mas encontrou apenas o tecido frio. Abri os olhos, sentindo aquele segundo de pânico de quem acha que sonhou tudo, mas então o cheiro me atingiu: café fresco sendo passado.
Sorri. Um sorriso bobo, de quem acorda com a certeza de que a vida mudou.
Levantei-me e caminhei em direção à cozinha, seguindo o aroma. Parei no batente da porta, em silêncio, para admirar a vista.
Lá estava ela. Ayandara usava apenas a minha regata branca, que nela virou um vestido curto e indecente. O tecido mal cobria a curva da bunda, deixando as pernas grossas e a pele preta expostas à luz da manhã. Ela cortava o pão na bancada, cantarolando baixo, movendo o quadril num ritmo que era só dela.
A cena era doméstica, mas o efeito em mim foi visceral.
Cheguei de fininho, sem fazer alarde. Meus pés descalços no piso frio não fizeram som. Aproximei-me das costas dela, sentindo o calor do corpo dela irradiar antes mesmo do toque.
Agarrei a cintura dela com firmeza.
[Perspectiva de Ayandara]
A faca de pão tremeu na minha mão.
Eu não o ouvi chegar. Estava perdida no cheiro do café e na sensação estranha e deliciosa de estar "em casa" num lugar que não era meu. Mas quando as mãos grandes de Malik prenderam minha cintura e a boca quente dele pousou no meu pescoço, meus joelhos cederam.
— Bom dia, minha mulher... — ele sussurrou, a voz rouca de sono vibrando na minha pele.
Meu corpo amoleceu instantaneamente. A postura de "mãe eficiente fazendo café" desmoronou, dando lugar à fêmea que ele acordou na noite anterior.
— Malik... o pão... — tentei dizer, mas ele não estava interessado em pão.
Ele tirou a faca da minha mão com cuidado e a pousou na pia. Num movimento rápido, ele me girou e me içou do chão como se eu fosse feita de plumas.
Senti o mármore frio da bancada contra as minhas coxas e a bunda, um choque térmico que me fez arfar. Ele se encaixou entre as minhas pernas, dono de si, dono de mim, domando o ambiente com a presença dele.
Ele me olhou nos olhos, desafiador.
— Vamos testar sua teoria — ele disse, lembrando da videochamada. — A altura parece perfeita.
[Perspectiva de Malik]
Ela estava linda ali, elevada, entregue.
Ajoelhei-me diante dela. Não era submissão; era adoração.
Comecei pelos pés, que balançavam no ar. Beijei o peito do pé direito, depois o esquerdo. Subi beijando a canela, o joelho, sentindo a pele dela arrepiar sob meus lábios. Ayandara jogou a cabeça para trás, as mãos agarrando a borda da bancada para não cair.
Cheguei às coxas.
Afastei as pernas dela devagar. Beijei a parte interna da coxa, a pele macia e sensível, sentindo o cheiro dela — uma mistura de banho, sono e desejo — ficar mais forte.
Subi mais. Encontrei o monte de Vênus, coberto pelos pelos que eu já conhecia de cor. Beijei o triângulo sagrado, soprando ar quente, vendo cada fio da buceta dela se arrepiar com a proximidade da minha boca.
O corpo dela não resistiu. Ela arqueou as costas, oferecendo-se.
Minha boca encontrou o que procurava.
Beijei o grelo dela, brincando com a língua, provocando.
Abri os lábios com os dedos, beijei a carne escura e roxeada, exposta, e chupei devagar. Senti a buceta dela verter líquidos de pré-gozo, o "mel" da manhã, temperando minha língua.
Olhei para cima sem parar o movimento. Vi a excitação tomar a face dela, o rosto contorcido num prazer que beirava a dor.
[Perspectiva de Ayandara]
Eu estava perdendo o controle.
De novo.
A boca de Malik era uma arma de destruição em massa. A língua dele sabia exatamente onde tocar, onde pressionar. Minha mão, sem que eu percebesse, voou para a cabeça dele, segurando os fios curtos, puxando-o mais contra mim, ou talvez tentando afastá-lo antes que eu enlouquecesse.
Senti a mão dele subir pelo meu abdômen, quente e áspera, até encontrar meu peito por baixo da regata. Ele segurou meu seio com posse, os dedos brincando com o mamilo rígido, criando uma corrente elétrica que ligava meu peito à minha buceta.
A língua dele tocou meu interior, no meu ponto mais íntimo, e a explosão foi inevitável.
— Ahhh! — gemi alto, a voz ecoando na cozinha, sem me importar com vizinhos ou com o mundo.
Meu corpo estremeceu, arrepiado da nuca ao dedão do pé. Um fio de saliva escapou pelo canto da minha boca aberta enquanto as ondas de prazer me atravessavam, violentas e doces.
Eu era dele. Inteira.
[Perspectiva de Malik]
Senti ela gozar na minha boca, tremendo, apertando minhas orelhas com as coxas.
Não parei até sentir o último espasmo dela.
Subi devagar, beijando o abdômen contraído dela, os seios duros, o pescoço suado, até chegar à boca. O beijo teve gosto de café e sexo.
— Teoria comprovada — sussurrei contra os lábios dela.
Ayandara riu, uma risada solta e feliz.
Terminamos de fazer o café entre beijos e risadas, esbarrando um no outro de propósito. O clima pesado da paixão deu lugar a uma leveza doméstica. Fizemos planos para o dia — talvez um parque, talvez apenas ficar na cama — enquanto o cheiro de pão tostado enchia a casa.
Sentei-me à mesa com a minha xícara. Havia uma cadeira vazia ao meu lado, mas Ayandara a ignorou.
Ela veio até mim com o prato de pão com mortadela na mão e, sem cerimônia, sentou-se no meu colo.
Ela se ajeitou, rebolando levemente para encontrar conforto. Era uma Rainha assumindo seu trono. Ela estava feliz, radiante.
Ela beijou meu pescoço, mordiscando de leve, e subiu até encontrar minha boca novamente.
Enquanto ela comia o pão, senti o corpo dela relaxado sobre o meu. Mas, lá embaixo, a proximidade da bunda dela acordou meu pau novamente. Ele latejou, duro e insistente, pressionando contra as nádegas dela.
Ayandara parou de mastigar.
Ela sentiu.
Ela se afastou um pouco para me olhar nos olhos, um sorriso malicioso se formando nos lábios sujos de migalhas.
— Parece que alguém ainda está com fome, Malik... — ela sussurrou. — E não é de pão.