O verdadeiro AFETO não é aquele que apenas aplaude, mas o que compreende o CASTIGO como um ato de zelo; pois educar é ensinar que a liberdade floresce no limite, e que o amor, sem a disciplina, é apenas um abandono disfarçado de bondade.
Principais Personagens:
General Charles De Gaulle (https://postimg.cc/d7BLZnWP)
Samantha (https://postimg.cc/67jBNPj9)
Continuando ...
Chester, Inglaterra - Agosto de 1941
No início de agosto, enquanto os preparativos para o casamento de Blanche e Charles estavam sendo feitos, a guerra seguia seu curso com a Operação Barbarossa (Unternehmen Barbarossa). Esse foi o codinome para a invasão da União Soviética pelas potências do Eixo, iniciada em 22 de junho de 1941. Foi a maior operação militar da história em termos de tropas envolvidas e de violência.
Para os aliados, estavam claros os objetivos de Hitler com essa investida, pois, com a quebra do Pacto Ribbentrop-Molotov (um acordo de não agressão assinado em 1939), Hitler considerava Leste Europeu como o "Espaço Vital" (Lebensraum) para a raça ariana. Ele tinha como objetivos: destruir o "Bolchevismo Judeu" (a ideologia soviética), escravizar as populações eslavas e confiscar os recursos naturais, especialmente o petróleo do Cáucaso e os grãos da Ucrânia.
A magnitude da invasão colocou os exércitos aliados em alerta. Com um efetivo de mais de 3 milhões de soldados alemães, italianos, romenos, finlandeses e húngaros, uma frente de batalha de quase 3.000 quilômetros, do Mar Báltico ao Mar Negro e a famosa Blitzkrieg (tática Guerra Relâmpago), utilizando divisões Panzer (tanques) e apoio aéreo massivo da Luftwaffe, pegou Stalin e os aliados de surpresa.
Entretanto, os aliados não estavam dispostos a intervir no combate. A assinatura do tratado de não agressão entre a Alemanha e a Rússia tinha causado um desalinhamento entre esses últimos e a Inglaterra. Mas eles estavam monitorando a situação.
Mesmo neste cenário, na segunda-feira de madrugada partiram para Calais e, depois de passarem por três barreiras de militares alemães, embarcaram em um pesqueiro que os levou ao encontro de um barco contratorpedeiro estacionado a trinta quilômetros da costa. Foi uma viagem que só não foi divertida, por conta do comportamento de Aimée que reclamava de tudo e de Michel que, sentindo o efeito do balanço do barco, vomitou durante quase todo o percurso. A surpresa de todos foi assistir ao Capitão Dolson preocupado em acalmar a loira.
Em Londres, aonde chegaram ao anoitecer daquele dia, Hamdi sequer teve tempo de se comunicar com o Coronel Smith, pois York logo apareceu e, em seguida, ela desapareceu, como se tivesse sido sequestrada e, como não podia ser diferente, chegaram na reunião marcada para o dia seguinte trinta minutos depois do horário, fazendo com que o capitão inglês sofresse uma reprimenda diante de todos.
Durante os dois dias seguintes a reunião foi normal, com cada um dos integrantes do grupo francês passando as informações que tinham e listando as dificuldades que encontravam, até que, na quinta-feira, no período da tarde, Hamdi e York não compareceram deixando o Coronel Smith possesso e ordenando que quando o homem aparecesse, fosse preso e levado à sua presença.
Ninguém encontrou o casal que parecia ter sido tragado pela terra e apenas na sexta-feira, quando apareceram no aeroporto onde deviam embarcar em um avião com destino a Chester, o Capitão York foi detido e colocado em uma viatura. Mas, ninguém estava preparado para a reação de Hamdi que, pegando a todos desprevenidos, subiu na viatura e avisou:
– Aonde o York for, eu vou junto. Afinal, se ele fez alguma coisa errada eu também estava lá.
Estava criado um impasse muito pior do que se podia esperar. O avião não decolava e Hamdi não era trazida de volta até que, por volta das dezessete horas, receberam o aviso para voltarem aos locais onde estavam alojados que o avião só partiria no dia seguinte. Para preocupação de Grace e desespero de Aimée.
Grace e Michel, imediatamente, tentaram falar com Smith sem obter sucesso, pois o Coronel não foi encontrado. Entretanto, na medida em que a noite avançava, informações não oficiais iam chegando a eles e não eram nada boas, pois diziam que Smith fora desacatado por Hamdi, o que era verdade, apesar do exagero de que ela tinha agredido o oficial inglês.
Ligações para Chester foram feitas e de lá outras ligações de Charles tentando se comunicar com Smith. Quando estava perto da meia noite, ele voltou a ligar para Grace e realmente as notícias não eram boas e diziam que, apesar da versão de agressão física ser falsa, a de desacato era verdadeira.
O que ocorreu foi que, quando Hamdi praticamente invadiu a sala do Coronel que se assustou com a presença dela, pois acreditava que ela já estava voando em direção à Chester, foi lhe dizendo que exigia a libertação de York para ir com ela assistir ao casamento de Blanche, como havia sido combinado. O próprio Coronel também estava com a presença confirmada, porém, só seguiria viagem no dia seguinte. Quando Smith tentou explicar a ela que não podia fazer nada, pois se ausentar sem autorização era uma falha grave para um militar, ela disse a ele:
– Por favor, Coronel, Senhor! Vocês não podem fazer isso. O Capitão York e eu tínhamos planos de fazer o dia do casamento de Blanche ser muito especial.
– Infelizmente não posso fazer nada, Hamdi. Ele cometeu uma falha muito grave.
– Que falha grave, nada! A gente só trepou mais do que devia e perdemos o horário. Aposto que se fosse o senhor, também iria perder a reunião.
– Controle seu linguajar, senhorita. Você está falando com um Coronel do Exército Inglês.
– Por favor, Smith. Não faça isso. Olha, eu sei que se você quiser, pode dar um jeitinho, não pode?
– Não existe jeitinho para essas coisas, senhorita. Isso é um assunto grave. Muito grave.
– Como assim grave? O que tem de grave duas pessoas transarem quando se gostam?
– Pois trata-se de uma irresponsabilidade. Isso vindo de você é compreensível, porém, de um militar calejado como o York, não pode. E ele sabe disso muito bem.
– Tá bom! Vai me dizer agora que você também não gosta de uma mulher carinhosa.
– Isso não vem ao caso. E retire-se da sala antes que eu mande os guardas te jogarem na rua.
Aquela era o tipo de ameaça que o Coronel Smith nunca tinha feito e, se falou daquele jeito, é porque sabia que não podia ajudar, por mais que quisesse. Só que, para Hamdi, soou como desinteresse dele e ela surtou de vez:
– Jogue então! Pode jogar! Seu enrustido de merda. Olha aqui seu coronel, eu já me deparei com homens que querem se mostrar certinhos assim como você e aprendi que eles se dividem em três categorias: os que dão uma de moralista, mas que quando não tem ninguém olhando são totalmente imorais, os que são frouxos para foder uma mulher e por isso têm raiva delas e os veados. Em qual dessas categorias você se encaixa, hein?
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Desacatado na frente de outros militares, inclusive, a maioria sendo seus subordinados, deixou Smith possesso. Seu rosto ficou branco e depois foi escurecendo até adquirir um tom vermelho vivo e, com os punhos fechados, ele dava a impressão que ia agredir à jovem africana que continuava impassível diante dele. Mas a disciplina militar falou mais alto e ele gritou:
– Guardas? Prendam essa mulher. – Todos os presentes olhavam para ele com espanto e ele, vendo que ninguém se movimentava, perdeu de vez as estribeiras e gritou: – AGORA!
Dois guardas se aproximaram de Hamdi para retirá-la da sala, mas quando estenderam a mão para segurar seu braço ela falou:
– TIREM A MÃO DE MIM. É SÓ FALAR PARA ONDE IR QUE EU VOU, MAS NÃO ME TOQUEM.
Um dos guardas que usava divisa de sargento estendeu a mão para a saída e falou:
– Por aqui, senhorita. Por favor.
Sem dizer uma palavra, Hamdi abandonou a sala acompanhada por dois guardas que seguiram por um corredor comprido, mas quando chegou na metade da distância, aquele que parecia estar no comando falou:
– Por aí não, soldado. Vamos levá-la até o alojamento que ela ocupou antes e você fica de guarda na porta. – E se dirigindo à Hamdi, pediu com calma: E senhorita, por favor, não crie mais dificuldades.
Hamdi o fuzilou com o olhar, mas não disse nada. E não criou nenhum problema durante aquela noite.
Enquanto isso, Charles, por insistência de Blanche, continuava fazendo tentativas de resolver o problema e, quando viu que o Coronel Smith estava irredutível, ligou para o General De Gaulle que não ficou nada satisfeito ao ser acordado em plena madrugada, porém, ele ainda não tinha consolidado sua posição como líder de um País recém-formado e não podia prescindir de seus principais colaboradores. E Charles era um deles, pois estando atuando em plena França, podia estabelecer contato com outras lideranças políticas na tentativa de arregimentar mais aliados para a sua causa. Então resolveu interceder.
E foi assim que, na manhã seguinte, ao ser conduzida à sala de Smith, Hamdi se assustou quando, ao entrar, se deparou com aquele homem de quase dois metros de altura e com cara de poucos amigos, não por estar zangado com ela, mas por ser essa a sua fisionomia normal, pois De Gaulle é considerado, até hoje, um dos Presidentes mais mal-humorados da história.
Feita as apresentações, ele falou com ela com voz calma:
– Então a senhorita pretende enfrentar o exército inglês? Achei que nossos inimigos fossem os alemães.
O receio que dominava Hamdi em virtude da presença imponente do “General” não foi suficiente para impedir que ela respondesse com um tom de desafio na voz:
– Eu enfrento os alemães para defender os meus amigos e os ingleses, se for para defender o meu Capitão!
– Ah! “Seu” capitão? Desde quando?
– Desde quando ele e eu decidimos que vai ser assim. E ninguém tem nada com isso.
– Fique calma, senhorita. Não precisa falar desse jeito. Afinal, estamos reunidos aqui tentando encontrar uma saída para essa situação que você nos meteu.
– Eu não meti ninguém em lugar nenhum. Vocês que estão exagerando. Tudo bem que o Capitão faltou na reunião de ontem, porém, não precisa de nada disso. Por que não mandam ele fazer uns cem “apoios sobre o solo” e depois esquecemos tudo isso?
De Gaulle olhou para Smith com a testa franzida, pedindo uma explicação para a sugestão de Hamdi e o coronel explicou:
– Esse é um artifício disciplinar que usamos durante os treinamentos de novos soldados, Senhor!
– Ah! É verdade. Só que eu também gostaria que as coisas fossem tão simples assim. Mas, como não são, desejo informar que a senhorita está livre para seguir viagem junto com seus compatriotas. Pode ir.
– Mas ... e o Capitão York? Ele não vem comigo?
– Infelizmente não posso fazer nada. Ele é inglês e essa decisão cabe a eles. Não posso interferir.
– Não pode ou não quer? – Falou Hamdi com os braços na cintura e um olhar de desafio.
Seria um quadro hilariante ver aquela jovem mulher em posição de desafio diante de um homem que devia medir uns trinta centímetros a mais que ela.
– Senhorita. Por favor. Retire-se agora e vamos dar esse assunto por encerrado.
– Nem fodendo! Eu só saio daqui se o meu Capitão for comigo.
– Ele não é seu capitão, Hamdi. Ele é Capitão do Exército de Sua Majestade!
– É o meu capitão, sim, e já expliquei isso. E não é alguém que fica com a cabeça o tempo todo nas nuvens que vai dizer o contrário.
Ao fazer essa alusão ao General Charles De Gaulle, Hamdi ultrapassou o limite da paciência dele que disparou:
– Pra mim chega. Se você quiser ir a esse casamento, vá e, não quiser, fique aí. Eu tenho mais o que fazer. Não posso ficar defendendo duas pessoas que resolvem descumprir ordem só para ficarem fornicando.
– Fornicando é coisa de veado, General. Por que você não usa a palavra correta? A gente estava fodendo. Mas é natural o senhor não saber disso, pois o que tem de grandão deve ter de pau pequeno.
– CORONEL SMITH! PRENDA ESSA MULHER EM SEUS ALOJAMENTOS E JOGUE A CHAVE FORA. E QUE EU JAMAIS VOLTE A OUVIR O NOME DELA. – O “General” então se deu conta que estava se exaltando, respirou fundo e falou enquanto se dirigia para a saída: – Eu tenho uma guerra pra lutar e tenho que perder tempo com essas coisas. Onde já se viu.
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Depois desse novo desentendimento de Hamdi, os demais tomaram o avião e partiram para Chester. Entre eles, iam o Coronel Smith e, meia hora depois, outro avião decolou levando De Gaulle e sua comitiva.
O que ninguém esperava era pela reação de Blanche que, quando De Gaulle foi apresentada para ela, perguntou para ele:
– Me perdoe por lhe fazer essa pergunta, General. Mas o que o senhor veio fazer aqui?
– Eu vim para o casamento de um dos meus mais fiéis colaboradores.
– Então devo lhe informar que o senhor perdeu tempo, pois sem a minha madrinha aqui, não vai ter casamento.
Olhando para Charles, De Gaulle perguntou:
– Coronel Charles. É esse pessoal indisciplinado que você treinou para obter informações junto aos nossos inimigos? Não tinha ninguém melhor? Umas mulheres muito jovens que a qualquer contrariedade age com irracionalidade!
– Não, General. Se tiver melhor, eu não conheço. Olhe a sua volta e repare que ninguém entre o grupo delas ficou contra elas. E o senhor sabe por quê?
– Deve ser porque elas são teimosas e só fazem o que querem.
– Não é bem assim. Ninguém intervém porque sabe que, quando se trata de Hamdi, a Blanche não faz concessões. E a recíproca é verdadeira. É como se elas existissem para defenderem uma à outra. Repare que até mesmo o Coronel Smith se nega a tomar partido.
– Coronel Smith, você concorda com o que o Coronel Charles está falando?
– Sim, general. Cada uma delas é determinada e quando resolvem fazer alguma coisa, não param diante de obstáculos. Quando se unem então, ficam prontas para enfrentar o mundo.
Durante mais de dez minutos, De Gaulle ficou andando de um lado para outro na sala sob os olhares aflitos dos demais, até que ele voltou a falar:
– Coronel Smith, eu vou lhe pedir um favor. Coloque o Capitão York e aquela moça em um avião e traga os dois para cá. Mas eu sugiro que seja algo bem ostensivo. Mande uma escolta armada para vigiar os dois e, de preferência, que eles venham algemados.
– Algemados senhor? Mas ... – Protestou Charles.
– Sim Coronel. Algemados. Eu sei que o Capitão York não vai tentar fugir, mas não posso dizer o mesmo daquela garota. É pegar ou largar.
Mesmo sabendo que o General estava exagerando e só fazia aquilo para castigar Hamdi, mas também sabendo o quanto ele era teimoso, Charles concordou informando isso ao Smith e depois foi ao encontro de sua noiva pronto para enfrentar uma nova tempestade, pois sabia que Blanche ia ficar furiosa ao saber que sua amiga viria até ela, porém, escoltada por soldados armados e algemada. Entretanto, ele se surpreendeu com a resposta o que ela disse:
– Algemada, não é? Tudo bem. Mas seria ótimo se colocassem uma mordaça nela também. Tem como?
– Não, querida. Isso poderia causar problemas. Vai que alguém fotografa e isso seria péssimo para a imagem de todos os envolvidos.
– É uma pena. Mas deixa comigo.
Provando que Charles estava certo, o Coronel Smith cumpriu a ordem apenas pela metade, ordenando que quatro homens acompanhassem York e Hamdi, mesmo sabendo que teria que dar explicações ao General mais tarde. Porém, isso não foi necessário.
Quando Hamdi chegou na casa da família Dubois transportada na carroceria de um caminhão em virtude de estar ela, o York, três soldados e um sargento, De Gaulle estava na varanda da casa e, ao notar que sua ordem de algemar os infratores não fora obedecida, se dirigiu ao Coronel Smith que já estava próximo aos recém-chegados, porém, foi ultrapassado por Blanche que, com uma pressa inexplicável, se aproximou de Hamdi que, sorrindo, estendeu o braço para ela.
Para surpresa de todos, Blanche evitou o abraço, estendeu a mão e agarrou a orelha dela enquanto falava:
– Vem comigo sua idiota. Eu vou te ensinar a ter educação.
– Aí Blanche. Está doendo. Solta a minha…
– Cale a boca. Se você fizer escândalo vai ser pior. – Falou Blanche, arrastando a africana em direção à casa.
A reação do Capitão York foi imediata e começou a andar em direção das duas na intenção de proteger sua amada, porém, estacou ao ouvir a voz de Smith:
– CAPITÃO YORK, SENTIDO!
O grandalhão se empertigou imediatamente, porém, logo se virou para seu comandante e falou com voz contida:
– Desculpe-me, Senhor. Mas eu não posso deixar isso acontecer.
– Não só pode, como vai. Fique aqui e não interfira.
– Senhor, eu não posso…
– SARGENTO!
– SIM CORONEL, SENHOR! – Atendeu o homem encarregado pela escolta.
– Se o Capitão York der um passo em direção àquela casa, dê um tiro na perna dele e se ele insistir pode atirar na outra. Só não o mate, por favor.
– Senhor! Mas isso é…
– ISSO É UMA ORDEM, SARGENTO!
– SIM CORONEL, SENHOR! – Respondeu o homem enquanto sacava a arma e mirava a perna do Capitão York.
Enquanto isso, Blanche entrava na casa ainda puxando a orelha de Hamdi e falou com Charles com gentileza, porém, deixando bem claro sua ameaça:
– Charles, querido! Se alguém tentar me impedir, você vai ter que se casar com o padre, porque comigo você não casa.
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Entrando na casa e seguida de perto por Charles, a Marquesa subiu as escadas enquanto Brigitte fez menção de segui-la enquanto pedia:
– Querida, por favor! Não faça isso. Todo mundo está vendo e …
– Deixe, mamãe. Deixe que elas se entendam.
– Mas … isso vai ser um escândalo! Além disso, essa moça que acabou de chegar pode reagir e aí sim as coisas vão ficar incontroláveis.
– Não vão ficar não, mãe. Quando se trata dessas duas, as coisas nunca são normais.
– Desculpe, meu filho! Mas eu não posso permitir uma coisa dessas.
– Pois vai ter que permitir, Dona Brigitte. Porque se você interferir, vou ter que gastar mais dois anos da minha vida tentando convencer à Blanche a se casar comigo.
Olhando bem nos olhos de seu filho, Brigitte se convenceu de que, sendo verdade ou não, ele temia muito que Blanche desistisse de se casar se não fosse obedecida e, preocupada com os gritos de Hamdi que já estava fechada no quarto com sua amiga, pediu gentilmente para que todos aguardassem fora de casa.
Enquanto isso, no quarto, Blanche estava sentada na cama com um chinelo na mão e Hamdi deitada de bruços sobre as suas pernas. Ela achava que sua amiga estava brincando e falou sorrindo, com o rosto voltado para ela:
– Você não vai fazer isso? Vai?
O estado do chinelo batendo na bunda de Hamdi foi ouvido por todos e ela gritou:
– Ai, Blanche! Doeu, viu!
Mais dois estalos foram ouvidos e depois a voz de Hamdi:
– Ai, ai… Você está doida? O que você pensa … Aí, Blanche. Para com isso!
– Cale a boca, Hamdi! Quanto mais você reclamar, mais vai apanhar.
– PARA COM ISSO, SUA LOUCA! EU NÃO SOU UMA CRIANÇA …
Plaft.
– ENTÃO ESTÁ NA HORA DE PARAR DE AGIR COMO SE FOSSE.
Plaft, Plaft, Plaft.
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Depois disso o silêncio foi total. Nenhum ruído era ouvido vindo do quarto e tampouco as pessoas que estavam fora da casa diziam qualquer coisa. Demorou mais alguns minutos até que Blanche apareceu na porta da casa e falou:
– General De Gaulle! Coronel Smith! Os senhores poderiam vir até aqui por favor!
Os dois homens obedeceram e, quando entraram na sala, se depararam com Hamdi em pé esperando por eles. A morena estava com o rosto banhado em lágrimas e de cabeça baixa, como se as chineladas que tivesse levado na bunda tivessem tirado toda sua petulância e continuou assim quando Blanche disse aos dois homens:
– A Hamdi tem algo para dizer aos senhores. – E virando-se para a amiga: – Vamos lá Hamdi. Diga logo o que tem para dizer.
– Desculpa! – Falou Hamdi sem levantar a cabeça.
– Desculpa? Assim? De cabeça baixa? Quando ofendeu a eles você deve ter falado alto para todo mundo ouvir. Então peça desculpas da mesma forma. E levante essa cabeça! Diga o que tem a dizer olhando nos olhos deles.
Hamdi levantou a cabeça e falou com voz que, em alguns momentos, foi interrompida pelos soluços que não conseguia evitar:
– General De Gaulle. Coronel Smith. Estou pedindo desculpas pelas palavras que falei aos senhores em Londres.
– E? – Falou Blanche quando viu que ela não disse mais nada.
– E prometo que nunca mais vou desrespeitar aos senhores. – Concluiu Hamdi.
Os dois homens assentiram enquanto Blanche saia pela porta procurando por Grace e, quando a viu, se dirigiu a ela pedindo:
– Grace, por favor, querida! Você pode ajudar a Hamdi a se preparar para o casamento? Eu preciso de uma madrinha mais bonita do que ela está agora.
Grace assentiu com um sorriso e entrou junto com ela que cruzaram na porta com os dois homens que saiam e teve que se controlar para não rir quando ouviu De Gaulle dizer para o Coronel Smith:
– Puxa! Que mudança! Se eu soubesse que era fácil assim eu mesmo teria dado umas palmadas nela lá em Londres.
– Ainda bem que o senhor não fez isso General! Acredito que só ia piorar a situação.
– Meu Deus! Chego a ficar com pena dos alemães.
Depois disso, todos foram se preparar para se dirigir à igreja onde se realizaria o casamento. Bernard foi trazido da clínica por Henry e junto com eles veio uma enfermeira. Blanche exigiu que fosse seu pai a conduzi-la ao altar. Ele estava calmo, porém, um pouco alheio às expectativas que as pessoas normalmente têm antes de um casamento.
A pedido de Charles que, apoiado por De Gaulle pediu para que Smith libertasse York e o deixasse livre de qualquer acusação, a escolta foi dispensada com a ordem de permanecer no local e retornar com eles para Londres, porém, ao saber disso, Blanche fez questão que todos os quatro fossem convidados para o casamento.
Quando, já vestida de noiva, Blanche desceu as escadas acompanhada de Hamdi, todo o clima que ainda pudesse existir por causa do confronto entre as duas se dissipou por causa da reação de Bernard que, ao ver a morena ao lado de sua filha, se levantou enquanto falava:
– Hamdi, minha filha! Você veio?
Ao ouvir seu nome e o tratamento que recebeu, a garota não resistiu e, descendo a escada correndo, se atirou nos braços de Bernard que, com o impacto, caiu sentado no sofá e ela, sem perder tempo, sentou-se em seu colo e cobriu seu rosto de beijos, estragando sua maquiagem e manchando as faces do homem com o seu batom, ficando ainda mais borrado quando as lágrimas do homem se misturam à essas manchas.
Todos ficaram emocionados até que a Grace falou enquanto pegava na mão da jovem emocionada a arrastava novamente escada acima:
– Muito bem, Hamdi. Venha comigo que vou retocar sua maquiagem. Essa vai ser a primeira vez que um casamento se atrasa por causa da madrinha.
Blanche, embora um pouco enciumada, também se emocionou com a cena que viu e mais ainda quando ouviu a enfermeira dizer:
– Esse é o tipo de coisa que ajuda na cura de pessoas como o senhor Bernard. Vocês deviam ter trazido ela antes.
Quarenta minutos depois, com quinze minutos de atraso, Bernard, emocionado e se controlando ao máximo, percorria a distância entre a porta da igreja e o altar levando sua filha para ser entregue em casamento à Charles Dubois.
Como não poderia deixar de acontecer, muitas lágrimas foram derramadas durante a cerimônia. Porém, para Hamdi foi uma surpresa muito grande ver Aimée com os olhos vermelhos recebendo carinhos de Capitão Dolson.
Para ela, já era surpreendente a loira não ter causado nenhum problema até aquele momento. Depois das reclamações que fez durante a viagem, Aimée tornou-se uma pessoa praticamente invisível, permanecendo sempre ao lado de seu marido que não evitava esforços em vê-la feliz. O casal entrou na igreja de mãos dadas e assim permaneceram até que ela não conseguiu conter suas lágrimas e se abraçou ao Dolson pressionando sua cabeça nos ombros dele que, com toda a ternura do mundo, fazia carinho em seus cabelos.
Os convidados foram recepcionados em um salão que ficava anexo à igreja e, depois das formalidades de praxe, como a dança dos noivos e da noiva com seu pai, com o corte do bolo e o buque sendo atirado e agarrado por Samantha, a enfermeira, o rito de festa de casamento foi substituído por um ambiente mais formal e isso quer dizer que alguns casais ou pares formados na última hora começaram a sair da festa para se dedicarem a atividades mais prazerosas e o primeiro casal a sumir foi Aimée e Dolson que, antes mesmo disso, foram surpreendidos na área externa do salão se beijando.
Depois de ter sido requisitada para dançar com as autoridades presentes, com De Gaulle e Smith se retirando logo depois de dançarem com ela, Blanche reclamou que ainda não tinha dançado com Michel e não o encontrava em lugar nenhum e foi Grace que a informou:
– Acho que não vai ser possível. Do jeito que eu vi o Michel saindo daqui com aquela enfermeira, acho que ele só vai aparecer amanhã de manhã.
– A enfermeira? Mas que safado. Se bem que ela, apesar de ser mais velha que ele, é uma mulher bonita. – Comentou Hamdi rindo.
– Pois é! O Michel, de uns tempos pra cá, vem demonstrando ter uma preferência por mulheres mais velhas.
– Ah! Não diga! E de quem será a culpa, hein? – Falou Hamdi com um sorriso zombeteiro.
– Nem vem, Hamdi! Não fui eu que desencaminhou o rapaz. Isso tudo é culpa sua.
– Não só minha. Se formos comparar, eu fui a professora dele na alfabetização, a Blanche no ciclo acima e você se encarregou de dar a ele todo o conhecimento de uma faculdade.
– O que quer dizer que eu não teria feito nada se não fossem vocês duas antes. – Falou Grace depois de rir do comentário de Hamdi.
– O que é que vocês tanto conversam aqui? – Perguntou Charles que se aproximou sem que elas notassem.
Blanche ficou com as faces vermelhas. Afinal, não é bom ser surpreendida pelo marido falando de suas aventuras de quando era solteira. Mas Grace, sempre mais preparada para essas situações, contornou a situação falando:
– Estávamos falando do Michel. Ele desapareceu e eu estava comentando com essas duas que elas insistiram tanto com ele para sair da barra da saia da irmã e quando isso aconteceu ele está querendo tirar todo o atraso.
– Ah bom! – Disse Charles se afastando para ir ter com sua mãe que o chamava com acenos.
Quando ele se afastou, Blanche comentou com Grace:
– Ainda bem que você é uma boa mentirosa. Já imaginou ser pega falando de minhas transas com o Michel pelo meu marido no dia do casamento?
– Descansa, Blanche. Ele já te conhece. Se insistiu tanto em se casar com você é porque não liga para isso.
Samantha, uma mulher de trinta e quatro anos, perdeu o marido na retirada de Dunquerque. Ele já tinha embarcado em um navio que foi atingido por uma bomba e naufragou. Ela era morena, estatura média, cabelos pretos e lisos que ela mantinha com um corte reto na altura dos ombros.
Seu rosto bonito e o corpo perfeito era motivo de ser muito assediada, porém, ela recusava a todos os pretendentes dizendo que, enquanto a guerra durasse, não se casaria de novo porque não tinha a intenção de ficar viúva uma segunda vez. Mas ela só era contra o casamento, pois era dona de uma libido a flor da pele e nunca hesitava em aceitar um convite para sair, o que sempre acabava com uma noite tórrida de sexo.
Ela se encantou com Michel assim que o viu, e ele logo percebeu, pois no primeiro convite que fez a ela para dançar, não permaneceram na pista até o final da segunda música e saíram furtivamente em busca de um local onde pudessem ficar livres para se entregarem um ao outro.
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Ela, cujos filhos passavam a maior parte do tempo na casa da avó deles, o levou para sua casa, onde naquele exato momento, alheio a tudo o que falavam sobre ele, o rapaz estava empenhado em fazer sua nova conquista explodir em prazeres com o uso de sua língua.
Naquele encontro furtivo, onde procuraram se afastar para transarem, nenhum dos dois estavam preparados para o que estava prestes a acontecer. Assim que entraram na casa, Sam se dirigiu à cozinha e encheu um copo de suco e ofereceu a Michel que prontamente o sorveu de uma vez.
Depois de fazer Sam, que era a forma que Samantha gostava de ser tratada, gozar em sua boca, Michel se preparou para esperar que ela recuperasse para foder sua buceta, porém, a mulher não demonstrou estar satisfeita, pois sem nenhum aviso, virou-se rapidamente e começou a lamber o pau do rapaz enquanto o elogiava:
– Nossa, menino! Que pau é esse? Se eu soubesse que era assim já teria te arrancado daquela igreja.
– Ai, Sam! Você está fazendo gostoso demais.
– Psiu! Não fale nada. Só curta o momento.
Ao ser obedecida, ela tratou o pau do jovem como se fosse um presente dos deuses. Lambeu toda sua extensão e depois o abocanhou e, com uma capacidade que ele desconhecia, o engoliu com uma fome de quem passou meses em um deserto. Ao sentir seu pau pressionando a garganta dela, ele falou:
– Ai que delícia! Você é demais, mulher. Nunca ninguém conseguiu ir tão fundo comigo.
– Gostou? Pois você ainda não viu nada. Vem cá, fique em pé aqui do lado da cama.
Dizendo isso, ela se deitou atravessada na cama de forma que sua cabeça ficasse para fora do colchão e voltada para baixo, então, pegando o pau de Michel o puxou para tê-lo em sua boca e, levando as mãos à bunda dele, fez pressão para que ele chegasse mais perto. Michel, quando viu seu pau todo sumindo dentro da boca dela, compreendeu o que ela estava fazendo. Com a cabeça caída para baixo, o pau dele invadia a garganta e seguia em frente e ele, dominado pelo tesão, começou a foder a boca de Sam e quando sentiu que ia gozar, tentou recuar, mas ela permitiu que ele recuasse apenas o suficiente para que ficasse apenas com a cabeça do pau em sua boca e sugou com força.
Michel disparou vários jatos na boca dela que foi engolindo tudo e só não despejou toda a porra que tinha armazenado porque a intensidade de seu orgasmo foi tão grande que suas pernas não o sustentaram e ele caiu sentado ao lado da cama. Admirado com o fato de ela ter engolido toda a sua porra, ele comentou:
– Meu Deus, Sam! Você é louca! Uma admirável louca.
– Você ainda não viu nada, querido. Agora vamos tomar um banho e depois continuamos.
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Ainda debaixo do chuveiro a Sam reanimou o pau de Michel com uma bela chupada e depois, para surpresa dele, virou-se de costas, apoiou-se no azulejo e arrebitando a bunda perguntou:
– Você já fodeu uma bundinha gostosa como a minha?
– Isso quer dizer que …
– Isso mesmo, meu lindo macho. Estou dizendo que quero sua bela pica enterrada no meu cuzinho agora.
– Nossa! Isso é maravilhoso!
– Então fode, vai. Mas começa devagar, tá? Faz tempo que eu não dou meu cu e ele está fechadinho.
A própria Sam lubrificou o pau de Michel com creme para cabelos e depois voltou à posição que estava antes. Com cuidado excessivo, o rapaz começou a tentar penetrar seu cu e estava difícil, até que ela mesma falou:
– Assim você não vai conseguir, meu bem! Eu disse devagar e com isso não quis dizer que era para você ficar fazendo carinhos na minha bunda com a cabeça do seu pau. Use a força, rapaz.
Michel forçou e a mulher gemeu e orientou:
– Isso. Agora fique parado um pouquinho até que eu me acostume.
– Quando você estiver pronta me avisa, então.
– Não vai ser preciso. Você vai entender.
Quando ela começou a rebolar e a forçar sua bunda para trás foi que Michel entendeu o que ela quis dizer e, em um só movimento de quadril, enfiou seu todo seu pau, já começando a gemer por causa do calor que sentiu e, se não bastasse isso, Samantha começou a se movimentar também enquanto tocava a sua buceta com uma das mãos, gozando logo a seguir.
Michel ainda demorou um pouco para gozar e quando o fez, sentiu o corpo de Sam começar a vibrar, provocando nele uma sensação que ele jamais teve, inclusive, gozando logo em seguida. Ainda ficaram vários minutos se acariciando dentro da banheira, antes de irem para a cama.
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Depois, deitados na cama, o rapaz estranhou que, apesar de ter gozado três vezes, seu pau logo deu sinal de vida, bastando para isso que a mulher o tocasse.
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Então ele comentou:
– Você deve ser mágica. Já está me deixando pronto para outra.
– Nem tanto, meu bem! Sabe aquele suco que eu te dei para tomar assim que chegamos.
– Ah! O suco que é mágico?
Sam deu uma gargalhada e depois explicou:
– Não. O suco não é mágico. É apenas de um produto que um amigo trouxe de um país da América do Sul. É o pó extraído do pau de uma árvore que eles chamam de Guaraná.
– Que coisa boa isso. Depois você me arruma um pouco.
– Se você foder minha buceta, coisa que ainda não fez, eu te dou um pouco.
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Essa era uma ordem que Michel cumpriria mesmo que não tivesse o benefício prometido e logo estava fodendo Samantha na posição de frango assado com o pau enterrado na buceta carnuda dela.
Michel só saiu da casa de Sam porque o Coronel Smith, depois de se informar sobre o endereço dela, mandou a patrulha que tinha escoltado o Capitão York até a cidade de Chester à sua procura. Em seu bolso, ele levava o que ele passou a chamar de ‘pozinho mágico’ sem saber que, o uso daquele produto ia ajudá-lo a adquirir a fama de grande fodedor de Paris, o que ia mudar a sua vida.
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