Oi me chamo Vinicius, tenho 19 anos, sou gay, magro com poucos músculos, branco e com a pele bem lisa e delicada tenho 1,75 e tenho cabelos cacheados castanhos e acabei de alugar meu primeiro apartamento no centro de São Paulo. Para bancar essa decisão, pego o máximo de turnos que consigo na cafeteria onde trabalho. O único problema do serviço é a minha timidez. Sempre fui o tipo de pessoa ansiosa que faz de tudo para agradar os outros, e interagir com os clientes às vezes me trava.
Hoje, o café estava um caos. A pessoa que me ajuda faltou, me deixando sozinho no salão. Foi no meio dessa correria que a porta abriu e ele entrou.
Ricardo.
Ele é um cliente assíduo dos finais de tarde. Deve ter uns 42 anos, alto, por volta de 1,85, barba rala, pele morena e ombros largos. Não é sarado, tem aquela barriga de quem toma chope aos finais de semana, mas a presença dele preenche o ambiente. Ele usava o terno escuro de sempre, o colarinho levemente aberto e o rosto marcado pelo cansaço do trabalho.
Pela minha sorte, ele era o último cliente a entrar. Eu ainda estava correndo para entregar os pedidos das outras mesas quando percebi que ele já estava no balcão, os dedos batendo impacientes na madeira.
Caminhei até ele, sentindo meu estômago embrulhar de nervoso.
— B-boa noite, desculpa a demora, hoje eu tô sozin—
— Já esperei demais. — Ele me cortou. A voz grossa e sem nenhuma alteração.
— S-sim, senhor. O que vai querer?
— Cappuccino. Croissant. Água com gás.
Sem esperar resposta, ele deu as costas e foi para a área de fumantes na varanda do café. Minhas mãos suavam um pouco enquanto eu preparava o pedido dele. O jeito direto, quase rude, fazia o ar faltar nos meus pulmões por uma fração de segundo.
Ajeitei tudo na bandeja e caminhei até a mesa.
— Aqui está, s-senhor.
Ele nem levantou os olhos. Apenas acendeu o cigarro, soltando a fumaça devagar. Voltei para dentro e comecei a fechar o caixa enquanto os últimos clientes iam embora. Da bancada, eu conseguia observá-lo. Ele estava sentado daquele jeito espaçoso, com as pernas bem abertas, o celular em uma mão e o cigarro na outra. O cheiro de tabaco, misturado ao suor do dia que impregnava o tecido do terno, chegava até mim. Não era ruim. Pelo contrário. Era um cheiro denso, masculino, que fazia o calor subir pela minha nuca.
Quando percebi que ele era o último ali, peguei o pano para limpar as mesas próximas e adiantar o serviço. Mas, ao me aproximar da mesa dele, meu quadril esbarrou na quina. A xícara virou, derramando o resto do cappuccino.
— Meu Deus! D-desculpa, senhor! Pode deixar que eu—
— Limpa.
A palavra saiu seca. Fria.
Minhas mãos tremiam enquanto eu pegava o pano. Me ajoelhei rápido no chão para enxugar o líquido escuro que pingava do pé da mesa. O sangue pulsava tão forte nos meus ouvidos que eu mal ouvia o barulho da rua. Dali de baixo, a visão do corpo dele era opressora. As pernas grossas afastadas, o tecido da calça social repuxando e marcando um volume pesado no meio. Minha respiração ficou curta. O cheiro de couro do sapato, tabaco e suor quente invadiu meu nariz, me deixando tonto.
— Vai morar aí embaixo?
Levantei num pulo, o rosto fervendo.
— M-me desculpe de novo, eu—
— Outro café.
Corri para dentro, fiz outra xícara quase derrubando o pó de nervoso, e voltei para a mesa.
— Aqui. Desculpe o transtorno.
— Mínimo, né? — Ele respondeu, os olhos ainda fixos na tela do celular.
— Com licença...
Voltei para trás do balcão e encostei na pia, tentando normalizar a minha respiração.
Esperei que ele terminasse. Quando finalmente se levantou e saiu, limpei a mesa e tranquei as portas do café. Ao sair para a rua, o vento gelado de uma garoa fina bateu no meu rosto. Nenhum carro de aplicativo aceitava corrida e o metrô já não era uma opção viável.
Ricardo ainda estava ali na calçada, encostado no carro. Uma mão segurava as chaves, a outra apertava a bituca do cigarro. O terno escuro parecia ainda mais pesado por causa da chuva, grudando levemente nos ombros dele. Mesmo cansado, a postura dele me intimidava.
Ele me mediu de cima a baixo por alguns segundos.
— Mora perto?
— Ah... não muito. Dá pra ir andando.
Ele destrancou o carro e abriu o porta-malas.
— Tô com compra. Vem.
Não soou como convite. Só uma ordem.
Fiquei parado na calçada por meio segundo, sem saber o que responder, o estômago revirando de ansiedade. Ele entrou no carro, ligou o motor e abaixou o vidro do passageiro.
— Mais rápido.
Meu corpo se mexeu antes da minha cabeça conseguir processar. Quando percebi, já estava sentado no banco de couro do passageiro. A viagem foi em absoluto silêncio. Ele aumentou o volume das notícias no rádio e manteve os olhos na pista. Eu estava tão tenso que comecei a esfregar as unhas das mãos, balançando a perna direita de leve.
— Para de mexer. Não consigo focar na rua.
Travei a mandíbula e prendi a respiração. Não me movi nem um centímetro pelo resto do trajeto.
Ele estacionou na garagem de uma casa simples e destrancou a porta da frente.
— Guarda as compras na cozinha.
— S-sim, senhor.
Peguei as sacolas e entrei. A casa estava uma bagunça. Roupas espalhadas pelos móveis, poeira acumulada nos cantos e o ar pesado com cheiro de casa fechada e perfume amadeirado. Enquanto eu levava as sacolas para a cozinha, ouvi o barulho dos sapatos dele sendo largados no chão da sala. Ele tirou o paletó e desabou no sofá.
Arrumei tudo o mais rápido que consegui e voltei para a sala, apertando as mãos na frente do corpo.
— P-prontinho, já guardei tudo...
— Lava a louça. Esquenta a comida. — Ele respondeu, os olhos pregados na TV.
Hesitei. Fiquei parado no tapete da sala, o coração batendo forte na garganta, tentando entender se eu deveria mesmo fazer aquilo. O silêncio se esticou até que ele virou o rosto pesado na minha direção, me fuzilando com os olhos.
— Não entendeu?
— Sim, senhor.
Virei as costas e fui direto para a pia. Lavei a montanha de louça acumulada, minhas mãos agindo no automático enquanto minha mente tentava processar o calor absurdo que irradiava no meu peito. Ajeitei a comida no micro-ondas e coloquei no prato.
Voltei para a sala, parando ao lado do sofá.
— Pronto... d-deixei tudo—
— A cerveja também.
Engoli em seco, virei nos calcanhares e voltei para buscar a lata. Entreguei na mão dele junto com o prato.
— Aqui es—
— Tira os sapatos. Faz uma massagem.
Meu cérebro deu um curto-circuito. Olhei para os pés dele no tapete, depois para o rosto dele. Ele já estava comendo, a atenção completamente voltada para a tela da TV.
Me ajoelhei devagar na frente dele. O cheiro do algodão das meias sociais misturado com o suor de um dia inteiro de trabalho subiu quente pelo meu rosto. Minha garganta secou na mesma hora. Segurei o pé esquerdo dele com as duas mãos, apertando devagar. Ele nem olhava pra mim. Continuava comendo e mastigando, enquanto eu afundava os polegares na sola do pé dele, tentando ignorar a tremedeira nas minhas mãos e a visão do volume marcando o jeans bem na altura dos meus olhos.
O único som na sala era a voz do apresentador do jornal na TV e o barulho dos talheres raspando no prato. O calor subia pelo meu pescoço, me deixando tonto.
Então, ele falou, a voz baixa:
— Você gosta disso, né?
Minhas mãos pararam. Minha respiração travou.
— Eu... eu n-não sei.
Ele soltou uma risada curta pelo nariz.
— Sei. Beija.
Meu coração parecia que ia rasgar minhas costelas. Inclinei o tronco para frente, o rosto queimando de vergonha. Aproximei a boca do tecido úmido da meia e dei um beijo leve, quase encostando os lábios, sentindo o cheiro forte invadir minhas narinas.
— Direito.
Fechei os olhos, abri um pouco os lábios e pressionei a boca contra a meia dele, beijando o peito do pé com firmeza. Minhas mãos suavam frio. Fiquei ali embaixo, apertando e beijando, o corpo inteiro formigando de tensão e vergonha, enquanto ele terminava o jantar em silêncio absoluto.
Dez minutos depois, ele arrotou baixo.
— O prato na pia.
Levantei no mesmo instante, cambaleando um pouco de leveza, e levei a louça. Quando voltei para a sala, esperando me ajoelhar novamente, ele já estava em pé.
— Seu endereço.
— Rua das Flores, 33...
— O carro tá lá fora. Encosta a porta quando sair.
Ele sentou de volta no sofá e pegou o celular. Fiquei no meio da sala, os braços pendidos ao lado do corpo, querendo mais.
— M-muito obrigado, senhor, eu agrade—
— Vai.
Dei meia-volta e caminhei até a saída. Já do lado de fora, no frio da calçada, ouvi a voz dele antes da porta fechar completamente.
— Amanhã você chega mais cedo no café.
Olhei para trás, pela fresta. Ricardo continuava no sofá, rolando a tela do celular como se nada tivesse acontecido.
— E aprende a obedecer sem ficar pensando tanto.
A porta bateu, com um estalo metálico.
Fiquei sozinho na rua escura, a chuva fina molhando meus cabelos. Minhas mãos ainda tremiam, meu peito subia e descia rápido. E pela primeira vez na vida...
Eu sabia exatamente onde queria estar.
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Historia e personagens fictícios
Espero que tenha gostado, se gostou me avisa aqui nos comentários porquê pretendo estender essa historia rsrs
E se você é um dominador de São Paulo com as mesmas atitudes do Ricardo me chama no Telegram, estou procurando um dono assim rs = @Tkstein
até a próxima!
