QUARTO 411

Um conto erótico de Vicente
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 3528 palavras
Data: 17/05/2026 23:13:07

No dia que pedi pro meu namorado amarrar meus pulsos e me bater, ele terminou comigo. Acho que assustei o coitado. Bastou pedir qualquer coisa além do papai-mamãe e o homem quase entrou em pane.

Mas não sofri. Nem corri atrás. Pelo contrário.

Naquela altura minha cabeça já estava em algo muito mais interessante.

Semanas antes, depois de uma trepada péssima na casa daquele frouxo, ele foi pro banho e eu fiquei mexendo no computador dele. E no auge dos meus vinte e dois aninhos, bastavam cinco minutos sozinha diante de um PC pra eu acabar em alguma safadeza.

Ah, mas eu sempre gostei dessas coisas. Muito antes da internet.

Meu padrasto tinha uma maleta escondida no guarda-roupa. Pelo menos ele achava que estava escondida. Tinha muita coisa ali. Playboy da Maitê Proença, Isadora Ribeiro, Sexy da Rita Guedes, filmes como A Dama do Lotação, Instinto Selvagem e Gabriela. Mas foram uns livrinhos de contos eróticos que acabaram comigo.

Capas cafonas. Papel barato. Gravuras em preto e branco. Quase todas as histórias tinham traição, desejos proibidos e mulheres fazendo coisas que eu nem entendia direito na época. Mesmo assim, eu devorava tudo.

Como vivia sozinha em casa durante as tardes, foi no meio daquelas revistinhas que me descobri. Que me toquei pela primeira vez.

Voltando...

O chuveiro nem tinha ligado ainda. Ótimo. Eu teria tempo. Tinha um site que eu acessava quase todo dia. O saudoso Contos Quentes. Bons tempos. Foi lá que encontrei um conto que me arrepia até hoje. A Cela 13, de uma autora chamada Hella. Eu lia e relia aquela história. Tinha alguma coisa nela que me prendia.

Depois acabava me perdendo nos comentários. Leitor flertando, brigando, implorando continuação… e eu no meio também. Era bom demais.

No MSN eu era a namoradinha de uns três autores daquele site. E eu era boa nisso. Fazia cada um se sentir único. Quando descobriam que não eram… puta merda. Virava confusão, ciúme, ameaça de bloqueio. Uma delícia de assistir.

Que saudade. Mas enfim… um clique foi puxando outro até eu cair num tal Senhor Dos Contos. Nome meio pretensioso, não?

Quando dei por mim, já estava no blog dele, a calcinha caída aos pés, lendo histórias que mexiam comigo de um jeito difícil de explicar.

E assim o vício começou.

No domingo, lá em casa, bateu aquela vontade de espiar o blog. Fingi curiosidade. Mentira.

O computador ofegava embaixo da mesa enquanto o modem chiava tentando conectar. No quintal, a gordura da carne estalava na churrasqueira, as risadas subiam altas, latas de cerveja abrindo sem parar e meu padrasto pedindo mais uma como se fosse dono do mundo.

Todo mundo distraído. E eu trancada no quarto, depois de dizer que ia só pegar uma coisa. Não voltei mais.

A página carregou.

O calor descia pelo meu pescoço e a saia grudava nas coxas. Nem parecia junho.

Ele escrevia de tudo um pouco. Mas eram os contos de dominação que acabavam comigo. Num deles eu era a aluna presa nos fundos da escola pelo diretor. No outro, uma secretária obediente.

Fechei os olhos.

O texto virou voz dentro da minha cabeça.

“Era pra esse relatório estar na minha mesa às onze.”

“Me perdoe, meu senhor… eu não…”

Puxei a calcinha pro lado.

“Mãos na mesa. Não tira até eu mandar.”

— Ahnn… Olhei pro guarda-roupa.

O brinquedinho estava lá, escondido no meio das calcinhas, na terceira gaveta.

— Não. Ainda é cedo. Desci a calcinha até os tornozelos e enfiei dois dedos bem lentamente. Aquele som molhado escapou baixinho.

“Hoje você vai aprender a me obedecer.”

Só de imaginar o chicote, um arrepio subiu pelas pernas. Quase sentia o couro deslizando pela parte interna das minhas coxas.

A porta abriu num solavanco.

Fechei as pernas tão rápido que a cadeira rangeu.

— Tia Sara! Olha o que eu ganhei! Minha sobrinha entrou correndo, toda animada.

— Que linda, guria… Quem te deu?

— Tio Marcos. O nome dela vai ser Susy.

Puxei a saia pra baixo às pressas, ajeitando o tecido entre as pernas. Minha sorte era que ela estava encantada demais pra reparar em qualquer coisa.

Quando saiu, fechei a porta devagar, encostei a testa na madeira e soltei o ar. O blog continuava aberto. Me esperando.

Certo dia, a casa inteira dormia, e lá estava eu diante do espelho.

A luz fraca do abajur subia pelo meu corpo. Meias pretas com renda na altura da coxa.

Na minha cabeça, aquilo parecia exatamente o tipo de coisa que excitava ele. As mulheres dos contos quase sempre apareciam assim.

Observei meu reflexo. Respiração curta. Cabelo preso. Um rubor que definitivamente não era culpa.

Peguei minha câmera digital. Eu adorava aquela câmera. Uma Cyber-shot pequenininha. Mirei no espelho e disparei. O clarão do flash engoliu meu rosto no reflexo. Foi sem querer, mas ficou perfeito.

Sentei na frente do computador, mordendo de leve o lábio. Fiquei alguns segundos encarando a tela. Então criei um e-mail. Nome falso. Idade falsa. Tudo falso.

A coragem não.

Escrevi: “Às vezes parece que você escreve pra mim…”

Anexei a foto. Enviei.

No dia seguinte, no escritório, abri o e-mail no cantinho da tela, rapidinho. Sempre tinha algum curioso olhando monitor alheio. Mas nada. Nenhuma resposta. Odeio esperar. Expectativa me corrói.

Tentei relaxar. Pensei no último conto e, num estalo, senti a mão dele deslizando pela minha coxa sob o jeans. Rocei uma perna na outra, num tesão danado.

A parte da manhã se arrastou.

Depois do almoço, uma colega apareceu na minha mesa.

— Está tudo bem, Sara?

— Tudo. Por quê?

— Sábado você sumiu do aniversário da Tati.

— Ai, Gabi… desculpa, mas eu tava mega cansada.

Que nada. A festa estava um tédio. A Tati agarrada naquele noivo dela… aff. Baunilha demais. Aquele amiguinho que mora no meu guarda-roupa me deu exatamente a diversão que eu precisava.

Quando ela saiu, conferi o e-mail outra vez. Nada. Merda.

No fim da tarde, quando eu já estava quase indo embora, chegou uma nova mensagem. Era ele. Cliquei no e-mail com a mão tremendo.

Olhei em volta.

Só tinha eu e um menino novo ainda trabalhando.

“Sabe o que isso significa, Sophia? Você é minha.”

Um sorriso escapou.

Respondi: “E se eu estiver só brincando com você?”

A resposta veio quase na hora.

“Brinque. Se precisar, eu sei te corrigir.”

— Tchau, Sarinha — disse o menino.

Mal olhei pra ele. Só ergui a mão, presa na tela.

Outra mensagem apareceu:

“Me ligue……”

O DDD era de São Paulo. Eu estava sem crédito no celular. Pensei que, se ligasse da mesa, ninguém estranharia. Vivo falando com gente da filial. Liguei dali mesmo.

Chamou uma vez. Duas. Eu roendo unha. Atendeu na terceira.

— Alô.

A voz dele era calma. Calma demais.

— Sou eu… Sophia. Mordi o lábio sem perceber.

— Muito prazer, Sophia… Em casa?

— No trabalho. Houve um silêncio curto.

— E como você está vestida agora?

O reflexo torto apareceu no vidro escuro da janela.

— Jeans… uma blusinha simples.

— Abra a calça. Meu estômago afundou.

Olhei pros lados.

— E se eu não fizer?

— Esse teu jeito teimoso. Gosto disso.

Soltei o botão. O zíper desceu lentamente.

— Porra, Sarinha, esqueci a carteira.

O estagiário voltou. Mas que inferno.

Pedi um minuto. Segurando o telefone contra o peito, fiquei ali tentando disfarçar enquanto o garoto remexia nas gavetas da mesa.

— Tchau… tchau, Sara.

Quando saiu outra vez, grudei no monitor.

— Pronto… — Imagine minha boca em você. Te chupando.

— Vocês sempre param cedo demais.

— Eu faria você perder o ar.

Fechei os olhos.

A voz dele começou a construir imagens na minha cabeça. Um quarto escuro. Lençóis bagunçados. Minhas mãos presas. O couro açoitando meu corpo.

— Ai, cacete…

— Não goze. Só quando eu permitir.

Apertei os lábios.

— Por favor… Gozei.

Desliguei na mesma hora. Fiquei parada por sei lá quanto tempo, olhando o telefone no gancho, tentando recuperar o fôlego… o raciocínio.

Passamos a nos falar todos os dias. Sempre de madrugada.

A gente usava a mesma operadora de celular, então dava pra passar a noite inteira no telefone por cinquenta centavos.

Em pouco tempo já não era só tesão. Algumas noites eu apenas contava como tinha sido meu dia. Ele ouvia. Aconselhava. Às vezes a gente ria junto por besteira. Mas, quando a conversa escapava praquele outro lado, ele assumia o controle. Sempre.

Um dia ele propôs que trocássemos cartas. Dizia que a letra da pessoa era algo íntimo demais. Na hora achei meio brega. E eu tinha muita preguiça de escrever. Mas ele tinha razão. Quando recebi a primeira carta, fiquei um tempo encarando aquela letra torta.

Guilherme F. Almeida.

Esse era o nome verdadeiro dele. Agora ele sabia o meu também.

Aquilo mexeu demais comigo. E assim, sem perceber, eu já estava indo longe demais.

Num fim de tarde, chegando em casa, dei de cara com um homem parado no portão. Roupa social, rosas na mão.

Meu coração disparou na hora. Graças a Deus era só o entregador da floricultura.

Atravessei a sala tentando parecer normal enquanto minha família soltava aqueles “hummm… tá namorando…”, entre risinhos.

No quarto, puxei o envelope do meio das rosas e joguei o buquê sobre a cama.

“Penso muito em você.”

Simples. Direto.

Debaixo do cartão estavam passagens de ônibus. Ida e volta para Balneário Camboriú.

Fiquei olhando aquilo por alguns segundos. Meu Deus… aquilo estava mesmo acontecendo.

À noite nos falamos.

Mas antes de qualquer coisa, ele me fez gozar usando o cenário daquele conto da Hella, e que gostava tanto. Até hoje não sei explicar como aquilo acontecia. Em segundos meu quarto desaparecia e eu já me via presa naquele manicômio abandonado, nas mãos de um médico sádico que me submetia às piores humilhações.

Nesse dia, a coisa foi tão forte que… esguichei. Juro por Deus.

Eu achava que isso era invenção de filme pornô. Mas era real. Nossa… como eu sonhava em gozar daquele jeito.

Toda suada, fui tomar banho.

Ria sozinha debaixo do chuveiro, sem acreditar.

Voltei pro quarto ainda quente e liguei pra ele de novo.

— Você acabou comigo…

— Quero fazer isso ao vivo.

— Acho que vou ficar muito tensa…

— Existe algo que te excite mais?

Hesitei um segundo.

— Tem uma coisa… mas dá vergonha falar.

— Pode falar.

— Amo aqueles vídeos onde os caras enfiam a mão inteira dentro da mulher… Será que aquilo é verdade?

Mesmo depois de tudo, senti vergonha.

— Fica tranquila. Vou te mostrar.

Puta que pariu.

Continuamos conversando e acertando os detalhes.

— Você vai chegar primeiro. Quero você de vestido justo. Curto. Salto alto. Meias rendadas. Enquanto ele falava, eu já me imaginava na cena.

— Fique de costas pra porta. Vou te vendar.

— Mas eu quero te ver…

— Vou pensar no seu caso.

— Isso não vale. Ele riu baixo, daquele jeito calmo.

— Precisamos de uma palavra de segurança.

— Vou precisar beber alguma coisa. Já tô me vendo super nervosa.

— Tamarindo. — Tamarindo? Por quê?

— Tem que ser uma palavra que não combine com o momento.

Fiquei rindo sozinha do absurdo daquilo.

Fez-se uma pausa curta.

— Ah… e pode levar seu amigo.

Meu coração deu um salto.

— Sério? Mas…

— Você vai lembrar dessa noite pelo resto da vida, Sara.

Mordi o lábio.

— Tequila… amo tequila.

— Boa pedida. Vou levar uma.

— José Cuervo… prata, por favor.

Aquilo não ia prestar.

O ônibus levou quase dez horas de Porto Alegre até Balneário, mas, como combinado, cheguei primeiro. O quarto já estava reservado.

411

Entrei puxando o ar, torcendo pra ele não ser um psicopata.

Tomei um banho rápido, passei creme no corpo ainda úmido, me vesti e borrifei perfume no pescoço, no colo e entre as pernas.

Sentei na cama batendo o pé sem parar. Não aguentei. Peguei o celular e liguei.

— Onde você está? Do outro lado ouvi passos abafados e a voz dele, baixa:

— 407… 408…

— Aiii! Espera!

Joguei o celular na cômoda, corri até a porta, destranquei e voltei enfiando os saltos às pressas. Fui até a janela. O dia nublado deixou a cidade estranha, quase parada. Uma buzina soou ao longe. Depois só silêncio. O cheiro de mar entrava pela fresta.

A porta se abriu.

Travei.

A chave girou duas vezes, nos trancando ali.

Ele não veio logo. Mesmo de costas, dava pra sentir os olhos dele passeando pelo meu corpo enquanto eu permanecia imóvel diante da janela. Cabeça baixa, vestido preto curto, meias pretas rendadas e salto.

Primeiro veio o cheiro dele. Bom demais. Depois os passos lentos se aproximando por trás. Seu corpo colou no meu. O peito quente nas minhas costas, o quadril pressionando firme minha bunda.

Ele me puxou contra si enquanto a mão descia pela minha cintura, sentindo cada curva. Empinei por reflexo, empurrando o quadril contra ele. Foi então que os dedos dele deslizaram pela frente do meu corpo, subindo pelo ventre e pelo colo, até agarrar meu pescoço com firmeza. Apertou o suficiente pra me arrepiar dos ombros até as coxas.

— Qual o seu propósito aqui? — murmurou rouco no meu ouvido, a barba roçando minha pele.

— Te servir, meu senhor.

— Boa menina.

Aquilo me deixava mole.

Ele soltou meu pescoço. Voltei a respirar.

— Feche os olhos.

Obedeci.

Um tecido macio e frio desceu sobre meus olhos. Ele amarrou firme, apagando o mundo. Em seguida me virou de frente. Segurou minha nuca e colou a boca na minha. Gemi contra os lábios dele, me entregando.

Enquanto nos beijávamos, lembrei de todas as vezes que dizia não ver a hora de fazer aquilo. Me beijar.

Quando se afastou, eu estava ofegante, os lábios inchados.

— Vira — ordenou, a voz mais baixa agora.

— Mãos no batente da janela e não tira. Entendeu?

— Sim, senhor…

Voltei de costas e apoiei as mãos na madeira fria, os dedos cravados.

Se abaixou atrás de mim. As mãos deslizaram pelas minhas pernas, subindo pelas meias até encontrar a calcinha. Puxou o tecido pra baixo até cair nos meus tornozelos. Saí da calcinha, um pé de cada vez.

— Abre mais as pernas.

Abri… bem devagar, empinando.

Senti o hálito dele bem perto. Ficou alguns segundos ali, respirando contra mim de propósito, me deixando maluca. Quando a boca finalmente me tocou, minhas pernas quase cederam. A língua quente percorreu minha boceta inteira, explorando. Repetiu o movimento ainda mais lento, saboreando cada parte de mim. Chupou meus lábios, sugando um de cada vez, soltando com estalo molhado.

— Porra…

Já não conseguia controlar a respiração.

Enfiou a língua fundo, me fodendo com ela. Gemi alto, as pernas tremiam. Então dois dedos deslizaram pra dentro, curvando-se pra cima no ponto exato.

Eu estava encharcada. Para meu delírio, veio o terceiro dedo, aos poucos, me abrindo.

— Ahhh… caralho… — soltei, a voz falhando.

Metia os dedos girando, abrindo espaço, acertando exatamente onde eu mais queria.

— Você aguenta mais.

Enfiou o quarto dedo. Meu corpo tensionou inteiro. Parou por um instante, me dando tempo pra me acostumar. Depois veio o polegar.

A pressão ficou insana. Ele empurrou, girou e forçou com calma… até a mão inteira deslizar pra dentro de mim.

Foi nesse instante que, puta que pariu… eu esguichei. Forte. Muito forte. Muito mais intenso do que daquela vez no telefone.

Achei que fosse desmaiar, mas rebolei contra ele, completamente descontrolada.

— Safada — rosnou.

Um tapa seco estalou na minha bunda, os dentes dele cravaram na minha carne enquanto a mão fechada permanecia toda dentro de mim.

Eu nem acreditava no que estava acontecendo. Nunca tinha sentido tanto prazer.

Ele levantou, tirando a mão lentamente, me abrindo por dentro e deixando minha boceta latejando.

Virei de frente pra ele, segurei seu rosto e puxei-o pra mim. Beijei-o quase sem fôlego.

Interrompendo o beijo, murmurou rouco contra minha boca:

— Você desobedeceu.

Voltei depressa pra posição, o coração martelando no peito.

Atrás de mim, voltou a se abaixar. Tirou meus saltos, um de cada vez. Me senti ainda mais vulnerável, menor.

Depois suas mãos subiram pelas minhas coxas. Com uma calma quase cruel, desceu a primeira meia, deslizando o tecido pela minha pele, enrolando até o tornozelo. Fez o mesmo com a outra, ainda mais devagar.

O vestido continuou amontoado na minha cintura, deixando minha bunda e boceta completamente expostas.

— Quero que você conte — ordenou, voz baixa e firme.

Mal terminei de registrar as palavras quando o chicote cortou o ar.

Slaaaap!

O couro fino acertou minha bunda com força.

— Um! — soltei, a voz saindo trêmula.

Slaaaap!

— Dois… Os joelhos quase cederam.

Slaaaap!

— Três… — gemi, a ardência se espalhando quente pela pele.

Ele parou. O silêncio parecia amplificar a tensão.

— A quem você pertence? — perguntou, a voz grave bem perto do meu ouvido.

— A você… Guilherme… — respondi quase sem ar.

A cabeça do pau dele passeava entre minhas pernas, me provocando sem entrar. Subia, descia, espalhando meu próprio tesão por mim. Soltei um gemido preso na garganta. Baixinho.

Não é possível que um homem desse exista, pensei, a respiração toda fora de ritmo. Ele tinha que ter algum defeito.

Posicionou a glande na entrada e empurrou. Sem rodeios. Minhas paredes se esticaram ao redor dele, apertando forte. Ele entrou… me abrindo inteira. Soltei um gemido longo.

Com as duas mãos na minha cintura, sua estocada me fez ficar na ponta dos pés. Depois outra. E mais outra. Cada vez mais bruto, mais fundo. Meu corpo balançava pra frente com a intensidade das arremetidas.

Puxou meu cabelo, me fazendo arquear as costas, e virou meu rosto pro lado. O beijo veio selvagem, a língua invadindo minha boca enquanto não parava de meter.

Tentei manter as mãos no batente da janela, mas falhei. Uma delas escapou, subiu e agarrou a nuca dele, puxando-o mais pra mim. Os gemidos roucos vibravam contra meus lábios, o quadril batendo forte contra minha bunda ainda ardida do chicote.

Cada estocada me fazia subir na ponta dos pés outra vez. Eu estava completamente entregue, gemendo sem controle. Caralho… gozei de novo. O orgasmo me atravessou com violência, fazendo minhas pernas vacilarem.

— Ahnnn… já não tenho mais forças — murmurei entre os lábios dele, com um riso fraco e desesperado.

Guilherme não parou.

Continuou metendo fundo, cada vez mais rápido, até finalmente gozar. Senti o jorro quente e grosso me enchendo por dentro. Sem camisinha. O sêmen escorria denso pelas minhas coxas.

Puxou o laço da venda e a removeu. Quando o tecido caiu, nossos rostos ainda estavam colados. Nos beijamos de novo, agora mais calmos.

— Qual é o seu defeito? — perguntei, sorrindo, ainda ofegante.

Seus braços me envolveram por trás, apertando meu corpo contra o dele. Que delícia. Guilherme oscilava entre um pervertido implacável e um amante carinhoso de um jeito que me viciava.

Saí dele e deslizei a mão pelo peito dele. Encarei-o nos olhos. Depois desci o olhar. — Olha pra esse pau… — murmurei, segurando-o com a mão. Comecei a punhetá-lo devagar, sentindo ele voltar a endurecer na minha palma, crescendo outra vez. — Qual é seu defeito? Precisa ter um.

Sorri.

Preciso confessar que Guilherme não era o tipo de homem que eu costumava notar numa balada ou num bar. Não era bonito do jeito óbvio. E ali, olhando pra ele, percebi o quanto eu podia ser fútil. Me senti meio idiota por isso.

Talvez, se na minha vida, eu não tivesse me prendido tanto à embalagem, não teria perdido tempo com caras babacas que não valiam nada.

Ainda no sábado, cavalgando forte nele numa poltrona no canto do quarto, tive um orgasmo tão intenso que minhas pernas tremiam descontroladas. Minha boceta apertou aquele pau com muita fome. Tanto que os dedos dele cravaram na minha coxa e ele soltou, quase sem ar:

— Caralho, vai cortar meu pau assim?

Eu ri.

— Pompoarismo, querido. — queria ter respondido, mas na hora não saiu.

Foram dois dias de muito sexo, tequila e boas risadas. Até aquele meu amiguinho ele usou. Com os punhos e tornozelos amarrados na cama, ele o deixou lá dentro, vibrando. A ordem era não gozar. Brincadeira, né? Ele queria me castigar mesmo.

No domingo à noite fomos juntos pra rodoviária. O ônibus dele saía uma hora antes do meu. Quando ele entrou no veículo, senti um aperto danado no peito. Um vazio súbito.

Houve outros encontros depois, quase sempre muito intensos. Até que, no último, ele percebeu que eu já não estava mais ali de verdade. Mal respondia aos e-mails, a frequência das ligações diminuiu, a distância pesou. E eu vacilei… conheci um cara. Enfim…

Anos depois rolou um remember.

Eu o procurei, ele foi muito querido. Parecíamos os mesmos de antes. Só que, depois dele mencionar umas duas ou três vezes o meu erro, entendi que aquilo não ia dar certo.

Nunca fui boa em escrever contos. Na verdade, foi por causa dele que comecei a arriscar. Gostei do processo. Por isso decidi registrar nossa história. Não sei se ele vai ler um dia, mas pelo menos ficará guardada. Nossa história merece ser contada. Foram orgasmos demais pra deixar no esquecimento.

Mas hoje, enquanto meu marido tomava banho, não sei o que me deu, mas liguei o notebook e entrei naquele e-mail que não abria há séculos. Havia uma mensagem nova. Dele. Enviada há um mês.

“Penso muito em você.”

P.S.: C. K, esse é pra você.

Sinto saudades das conversas. Os e-mails antigos já não funcionam rs... então estou aqui:

Vicente Braga

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