Só Um Pouco Retorcido - Capítulo Um

Um conto erótico de M.K. Mander
Categoria: Gay
Contém 4873 palavras
Data: 18/05/2026 20:15:20
Assuntos: Boquete, Gay, Homossexual

Capítulo 1

A Sra. Hawkins ia matá-lo.

Shawn consultou o relógio e fez uma careta. Já era uma da manhã; ele havia prometido à Sra. Hawkins que não chegaria depois da meia-noite.

Preparando o espírito, ele abriu a porta o mais silenciosamente que pôde. Emily tinha o sono leve. Shawn fechou a porta, estremecendo quando ela rangeu. Droga.

— Sr. Wyatt? — disse a Sra. Hawkins, esfregando os olhos e sentando-se no sofá.

Shawn lançou um olhar para as gêmeas, mas elas não pareciam ter acordado. A babá estava com a testa franzida, uma expressão de desagrado no rosto.

— Sinto muito — Shawn disse antes que ela pudesse falar qualquer coisa. — Sinto muito mesmo, de verdade. Não vai acontecer de novo, eu juro. Não consegui voltar antes. A noite estava fraca e não ganhei muitas gorjetas. Eu não tinha dinheiro suficiente para te pagar esta semana, então acabei ficando até conseguir o valor.

A Sra. Hawkins comprimiu os lábios. Ela suspirou.

— Sr. Wyatt... Shawn. Eu entendo a sua situação — é o único motivo de eu ainda estar aqui —, mas você precisa entender a minha também. Eu também tenho família, mas passo até quinze horas por dia aqui, cuidando de duas crianças de quatro anos cheias de energia. Você não me paga o suficiente para isso.

— Vou arrumar outro emprego — Shawn disse rapidamente, tentando esmagar o pânico que subia pelo peito. — Vou achar um emprego melhor e te pagar mais.

Ela suspirou novamente, balançando a cabeça.

— Foi o que você disse no mês passado, Shawn. — Ela olhou para as meninas. — Eu admiro sua dedicação, mas não pode continuar assim. Você tem apenas vinte anos. Você merece algo melhor. Elas também merecem. Por que não procura uma boa família para elas?

— Não — ele disse, com a voz dura. — Elas já têm uma família. Elas têm a mim.

— Elas mal te veem. Perguntam de você o tempo todo. Sentem sua falta.

Shawn olhou para as meninas. Emily e Bee dormiam encolhidas uma na outra, as bochechas gordinhas quase se tocando. Um nó se formou em sua garganta.

— Eu também sinto falta delas. — Ele olhou para a Sra. Hawkins. — Por favor. Vou dar um jeito. Realmente não vai acontecer de novo. — Tirando a carteira do bolso de trás, ele entregou a ela todo o dinheiro que tinha. — Aqui, pegue isto.

Ela balançou a cabeça, mas aceitou o dinheiro.

— Pense no que eu disse, Shawn — ela falou antes de pegar a bolsa e sair.

Shawn trancou a porta e voltou para as irmãs. Ajoelhou-se ao lado da cama, apoiou o queixo no colchão e ficou observando-as. A luz fraca fazia o cabelo loiro-platinado delas parecer quase dourado. Pareciam anjinhos.

Shawn fechou os olhos. Deus, ele estava tão cansado, mas dormir era a última coisa em sua mente. Não precisava abrir a geladeira para saber que as compras tinham acabado: ele sabia exatamente quanto tempo levavam para ficar sem nada. Eles não teriam o que comer depois de amanhã.

O desespero arranhou sua garganta. Depois vieram o ressentimento e a raiva. Shawn os espantou. Sentir raiva dos pais por terem acumulado inúmeras dívidas, morrido e deixado os filhos sem um centavo era inútil. Ele não podia se dar ao luxo de perder tempo. Precisava de dinheiro. Agora. Mas como? Ele já tinha dois empregos.

— Shawn?

Shawn abriu os olhos. Uma das meninas não estava mais dormindo. Uma onda de pânico o percorreu quando percebeu que não conseguia mais distingui-las. Era Emily ou Bee?

— Bebê? — ele resmungou com a voz rouca pelo nó na garganta.

A garotinha sentou-se devagar, cuidadosa para não acordar a irmã, e Shawn soltou o ar. Era Emily: ela era mais madura e atenciosa que Bee, que era uma bola de energia sem noção. Emily estendeu os braços para ele, e Shawn a ergueu no colo.

— Ei, princesa — sussurrou, beijando-lhe a têmpora e inalando seu perfume doce.

— Você chegou — disse Emily, envolvendo o pescoço dele com seus bracinhos. — Senti saudade.

— Eu também — murmurou Shawn, acariciando as costas dela. Me desculpe. — Você se divertiu enquanto eu estava fora?

Emily assentiu.

— A gente brincou muito, mas a Falcão não deixou a gente ir lá fora!

— Não chame a Sra. Hawkins assim. — Embora ele tivesse que segurar um sorriso. — Mais alguma coisa?

— Um homem grande veio depois do café da manhã. Ele tinha uma carta para você, mas a Falcão não deixou a gente encostar nela.

— Uma carta, é? — Shawn levantou-se, aninhando Emily contra o peito, e caminhou até sua escrivaninha. — Vamos ver.

Ele pegou o envelope e voltou para perto do abajur. Semicerrou os olhos para enxergar e seu estômago afundou quando viu de quem era.

— O que é? — Emily perguntou.

Shawn abriu o envelope, tirou o pedaço de papel de dentro e começou a ler.

“...notas inaceitáveis...” “...caso não haja melhora...” “... a bolsa de estudos será cancelada, a menos que o aluno alcance...”

O papel escapou de seus dedos e caiu no chão sem que ele percebesse.

— Shawn? Aconteceu alguma coisa ruim?

Ele olhou para os grandes olhos azuis de Emily e forçou um sorriso.

— Não, docinho. Está tudo bem. — Ele enterrou o rosto no cabelo dela e fechou os olhos.

Desgraça pouca era bobagem.

**************************************************************************************

— Algo errado? — uma voz familiar perguntou, antes de um braço ser jogado sobre os ombros de Shawn.

Shawn olhou de relance para Christian, mas continuou andando. A próxima aula começaria em dez minutos, e aquela era uma aula para a qual ele não podia se atrasar.

— Nada.

— Mentira. Desembucha. — Os olhos castanho-escuros do amigo estavam fixos nele, cheios de curiosidade.

Shawn deu de ombros.

— Estou quebrado. E, para completar, vão cancelar minha bolsa se eu não melhorar minhas notas em três matérias.

Christian franziu a testa.

— Achei que você já tivesse falado com Bates e Summers e explicado sua situação.

Suspirando, Shawn passou a mão pelo cabelo.

— Sim. Mas também tem Mecânica dos Fluidos.

Christian fez uma careta.

— Rutledge.

— É — disse Shawn, infeliz.

O professor titular mais jovem da faculdade, Derek Rutledge, tinha o apelido de "Professor Babaca" por um bom motivo. Estrito e severo, ele estabelecia padrões impossivelmente altos para os alunos e desprezava aqueles que não conseguiam alcançá-los. Ele não tolerava "preguiça". E como Shawn faltava a muitas de suas aulas e frequentemente não tinha tempo para completar os trabalhos, ele era provavelmente um dos alunos de quem Rutledge menos gostava — se é que aquele homem tinha alunos favoritos. As chances de Rutledge dar uma folga a ele eram inexistentes. Rutledge não facilitava para ninguém. Suas exigências beiravam o ridículo, mas, aos olhos da reitoria, ele era intocável, já que conseguia muitas verbas de pesquisa — tipo, muitas mesmo. Shawn tinha que dar o braço a torcer: ninguém se tornava um pesquisador tão respeitado aos trinta e três anos sem ser incrivelmente inteligente — mas isso não mudava o fato de que o cara era um completo babaca.

— O que você vai fazer? — perguntou Christian.

— Não faço ideia. — Shawn seguiu para os lugares de costume na frente do auditório; Rutledge havia ordenado que ele e Christian sentassem ali o tempo todo depois de pegá-los conversando durante a aula. Shawn sentou-se e suspirou. — O que eu deveria fazer?

— Eu queria poder te ajudar. — Christian se jogou no assento ao lado dele. — Mas você sabe que a grana está curta para mim também.

Shawn assentiu. Christian morava com a avó e a ajudava como podia. Seus pais trabalhavam em outro país e não eram de muita ajuda.

— E a sua tia? — disse Christian. — Achei que ela costumava te dar uma força quando as coisas ficavam difíceis.

Shawn parou e lançou um olhar para ele.

— Ela morreu no ano passado, Chris. Eu te falei.

O rosto de Christian ficou vermelho instantaneamente.

— Merda, desculpa... eu não sei como eu...

Shawn balançou a cabeça.

— Esquece. — Não era que Christian não se importasse; ele apenas era muito sociável e tinha mais amigos do que Shawn tinha conhecidos. Não era de admirar que tivesse esquecido.

— E o seu primo, o Sage? — Christian sorriu sem jeito. — Viu, não sou totalmente sem esperança! Eu lembro dele!

Shawn riu.

— Você é um caso perdido. Ele saiu da prisão faz pouco tempo, precisa colocar a vida dele em ordem. Não precisa dos meus problemas além dos dele. Enfim, eu não estava perguntando sobre dinheiro. Eu quis dizer o Professor Rutledge. Se eu não tirar notas boas na aula dele, vou perder a bolsa e terei que trancar o curso. — Embora, às vezes, Shawn se perguntasse se não seria melhor desistir: se não tivesse a faculdade, teria mais chances de encontrar um emprego decente. Só que um diploma aumentaria suas chances de conseguir um trabalho bem remunerado e dar a Emily e Bee tudo o que precisavam enquanto cresciam.

— Na verdade — Christian disse de repente — ouvi um boato interessante sobre o Rutledge.

— Que boato?

Christian olhou ao redor, como se para garantir que ninguém pudesse ouvi-los, antes de se inclinar e sussurrar no ouvido de Shawn:

— O Tucker diz que o Professor Rutledge tem uma queda por garotos bonitos.

Shawn piscou, surpreso.

— De jeito nenhum. Ele estava só te zoando!

— Nada disso, ele estava falando sério. Pelo visto, alguém viu o Rutledge com um cara jovem todo em cima dele.

Shawn soltou uma risadinha, balançando a cabeça.

— Mesmo que seja verdade, o que isso tem a ver comigo?

Christian lançou um olhar incisivo para ele.

Shawn abriu a boca, fechou-a e abriu novamente.

— Você só pode estar brincando.

Christian mexeu as sobrancelhas.

— O Tucker diz que o Rutledge tem uma tara por loiros.

— Azar o seu, então.

Sorrindo, Christian passou a mão pelo cabelo castanho bagunçado.

— Pff. Se eu quisesse, isso não importaria. Mas para você é fácil, loirinho. Qual é, cara, é a solução perfeita!

Shawn fez uma careta.

— Tem um pequeno problema, no entanto. Eu sou hétero.

O amigo não pareceu abalado; ele teve até a audácia de rir.

— E daí? Não estou dizendo para você dar a bunda. Embora possa ser muito, muito bom se o outro cara souber o que está fazendo. — Christian sorriu malicioso, e Shawn bufou. Christian era bissexual e não tinha problema nenhum em admitir seu amor por um pau.

— Chris...

— Só estou dizendo que você pode flertar e o caralho a quatro sem realmente fazer nada com ele, entende? Você tem o visual. Quero dizer... você não faz o meu tipo, mas eu não sou cego. Você é gostoso. Facilmente o cara mais gato da escola.

— Você também não é exatamente um patinho feio. — Todo mundo adorava o Christian. Ele podia não ser classicamente bonito, mas praticamente todo mundo o achava atraente. Era difícil tirar os olhos dele. Shawn podia ser hétero, mas até ele às vezes parava e ficava olhando quando o amigo sorria.

Christian piscou.

— Definitivamente não sou um patinho feio, mas não sou tão lindo quanto você, princesa.

— Ah, eu vou te mostrar a princesa! — Shawn o prendeu em um mata-leão, ambos rindo.

— Sr. Wyatt, Sr. Ashford, se os senhores já terminaram? — veio uma voz fria atrás deles.

Shawn congelou antes de soltar o amigo e se empertigar. Ele não se atreveu a olhar para Rutledge enquanto o homem passava por eles em direção à mesa. O auditório ficou em silêncio de repente.

— Fodeu — Christian sussurrou quando Rutledge parou na frente de sua mesa e permaneceu calado.

Shawn mordeu o lábio com força e arriscou um olhar para o professor. Os olhos escuros de Rutledge estavam fixos em Christian, as sobrancelhas escuras franzidas e os lábios comprimidos em desagrado. Mesmo quando não estava descontente com alguém, o olhar do Professor Rutledge podia fazer qualquer um se contorcer. Quando ele estava realmente insatisfeito, ninguém queria ser o alvo de seus olhares pesados. Shawn achou que ele parecia um falcão, pronto para mergulhar e agarrar sua presa.

Os olhos de Rutledge mudaram de Christian para ele. Se possível, ele parecia ainda mais descontente agora, um músculo pulsando em sua bochecha. O estômago de Shawn se contraiu em um nó. Ele molhou os lábios secos e tentou parecer o mais respeitoso possível, forçando-se a sustentar o olhar do professor com firmeza. Ele não era um covarde, porra. Rutledge era apenas um homem.

Os lábios de Rutledge se afinaram.

— Sr. Wyatt — disse ele calmamente.

Shawn engoliu em seco convulsivamente. Havia algo na voz de Rutledge que a tornava mais ameaçadora quanto mais baixa ficava.

— Sim, Professor?

— Se o senhor e o Sr. Ashford não estão interessados no que estou aqui para ensinar, podem sair.

Olhando para a expressão dura do homem, Shawn de repente se lembrou do conselho de Christian e quase riu alto — de tão ridículo que era.

— Não, senhor. Quero dizer, estamos muito interessados. — Quando nem um único músculo se moveu no rosto de Rutledge, Shawn acrescentou: — Na verdade, eu queria falar com o senhor depois da aula sobre minhas notas.

Rutledge olhou para ele por alguns instantes antes de oferecer uma resposta fria:

— Não tenho horário de atendimento hoje. — Ele se sentou atrás da mesa e começou a aula.

Shawn olhou para ele sem entender, incerto sobre o que a resposta de Rutledge deveria significar. Aquilo era um sim ou um não? Algo como "Não tenho horário de atendimento, então pode vir" ou "Não tenho horário de atendimento, então não venha"?

Ótimo. Fantástico.

Shawn suspirou.

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A porta do escritório do Professor Rutledge era escura e muito brilhante.

Shawn ficou encarando-a, tentando ignorar a sensação inquietante em suas entranhas. Suas palmas começavam a suar, então ele as esfregou no jeans. Não seja ridículo, disse a si mesmo. Rutledge era apenas um homem, não um monstro. O pior que o cara poderia fazer era dizer não.

Ele apenas falaria com ele, explicaria sua situação e esperaria que Rutledge não fosse o babaca que todos pensavam que era.

— Deseja alguma coisa, Sr. Wyatt? — uma voz grave e suave disse.

Shawn quase deu um pulo. Virando-se, tentou encontrar algo para dizer.

— Sr. Wyatt? — Rutledge estava de cenho franzido, com um vinco entre as sobrancelhas.

— Eu queria falar com o senhor.

— Não é horário de atendimento — disse Rutledge, destrancando o escritório e entrando.

Ele não bateu a porta atrás de si, e Shawn hesitou, sem saber se deveria segui-lo.

Rutledge sentou-se atrás de sua mesa enorme e ligou o computador.

— Não tenho o dia todo, Wyatt — disse ele sem olhar para o rapaz.

Shawn entrou na sala apressadamente. Fechou a porta, caminhou até a mesa e parou. Olhou ao redor, mas não havia muito o que ver.

— E então?

Shawn forçou-se a olhar para o outro homem. Rutledge o estudava com um toque de impaciência.

Shawn segurou o encosto da cadeira à sua frente.

— Como eu disse, queria falar sobre minhas notas.

Os lábios de Rutledge se comprimiram em uma linha fina.

— Não tenho certeza do que há para conversar. Eu não dou segundas chances a alunos que não as merecem. Você não se dá ao trabalho de frequentar a maioria das minhas aulas, a qualidade do seu trabalho de curso é abismal, e agora quer uma nota de aprovação. A política relativa à frequência escolar está claramente declarada no programa da disciplina; os alunos devem ler essa política com atenção e planejar o cumprimento da mesma. Francamente, estou surpreso que você seja um bolsista. Se está preocupado com sua bolsa, receio que a única coisa que possa fazer é trancar a disciplina.

— Não posso trancar sua disciplina — é um co-requisito para outra matéria que estou fazendo agora e não posso trancar as duas sem perder minha bolsa. Então, não posso reprovar e não posso trancar. Eu preciso de uma nota média, senhor.

O olhar que Rutledge lhe deu foi de total desdém.

— Você só pode culpar a si mesmo, Wyatt. Você não merece uma nota melhor. Sua frequência, trabalhos, participação em aula e notas em testes estiveram abaixo das expectativas para o curso. Se veio aqui para me contar alguma história triste e me implorar por uma nota melhor, poupe seu fôlego. Eu já ouvi de tudo: mães idosas doentes, criancinhas para cuidar, trabalhar em três empregos e por aí vai. Se você não pode ou não quer estudar e aprender, faça um favor a nós dois: pare de perder nosso tempo e saia da faculdade.

O coração de Shawn afundou. Uma parte dele esperava que Rutledge tivesse pena se ele contasse sobre sua situação e o deixasse entregar os trabalhos atrasados. Mas, aparentemente, Rutledge não se importava e não queria ouvir "histórias tristes".

A mandíbula de Shawn travou. Seu orgulho o instigava a dar meia-volta e ir embora, mas ele não podia. Não podia perder a bolsa. Suas irmãs dependiam dele.

De repente, ele se lembrou do conselho ridículo de Christian.

...dizem que o Professor Rutledge tem uma queda por garotos bonitos... Só estou dizendo que você pode dar em cima e tal sem realmente fazer nada com ele...

— Sr. Wyatt?

Shawn estremeceu, corou e olhou de volta para o homem.

— O que ainda faz no meu escritório? Está dispensado.

Olhando para a expressão dura de Rutledge, Shawn não conseguia, de jeito nenhum, imaginar-se flertando com ele. "Flertar" e "Professor Rutledge" nem deveriam ser mencionados na mesma frase, ponto final. E Shawn não tinha muita experiência com flerte, de qualquer forma: as poucas garotas com quem teve relações sexuais não exigiram nenhuma sedução. Para falar a verdade, ele geralmente não precisava fazer esforço algum.

Shawn respirou fundo e encarou os olhos de Rutledge.

— Senhor, eu... — Ele engoliu em seco. — Existe algum jeito de eu conseguir uma nota melhor? Eu farei qualquer coisa. Qualquer coisa.

Rutledge ficou encarando-o. Então, seus olhos se estreitaram.

— Sr. Wyatt — disse ele, finalmente. — Você está sugerindo o que eu acho que está sugerindo?

Shawn engoliu em seco novamente. Ele estava? Ele mesmo não tinha certeza do que estava sugerindo.

— Hum, sim?

As narinas de Rutledge dilataram. Ele encostou-se na cadeira e o estudou intensamente.

— Por favor, esclareça para evitar confusão.

Shawn correu o olhar pela sala antes de olhar para os próprios pés e dar de ombros. Seus tênis estavam gastos, mas ele não podia comprar novos.

— Acho que o senhor sabe, senhor.

Silêncio. Os segundos passavam.

— Entendo — disse Rutledge. — Tranque a porta e venha aqui.

O estômago de Shawn deu um solavanco. Com as pernas instáveis, ele caminhou até a porta e a trancou, o tempo todo tentando ignorar a vozinha em pânico em sua cabeça que gritava: O que você está fazendo?

Olhando para qualquer lugar que não fosse Rutledge, ele contornou a mesa e parou ao lado de seu professor, com o coração batendo na garganta. Rutledge girou na cadeira para ficar de frente para Shawn. Shawn focou o olhar no tecido escuro do terno do professor.

— De joelhos — disse Rutledge suavemente.

Cair de joelhos foi quase um alívio, de tão trêmulas que suas pernas estavam. Rutledge segurou o queixo dele com os dedos e inclinou sua cabeça para cima, forçando Shawn a encará-lo.

— Eu posso fazer você ser expulso por isso — disse ele.

Os olhos de Shawn se arregalaram.

Rutledge lançou-lhe um olhar de tamanho asco que Shawn recuou.

— Tenho alunos que nunca perdem aulas e trabalham muito duro apenas para conseguir um C. E então existem garotos bonitos e de cabeça oca como você, que acham que, se chuparem meu pau, conseguirão uma nota boa.

Shawn sentiu o rosto esquentar. Ouvir a palavra "pau" vinda do Professor Rutledge era estranho pra caralho. Estranho e puramente obsceno.

O aperto de Rutledge no queixo de Shawn aumentou.

— Você acha que isso é justo, Wyatt?

Shawn engoliu em seco, mas forçou-se a encarar o olhar do homem com firmeza.

— Se o senhor vai denunciar isso ao conselho, lembre-se de que eu não disse uma palavra sobre chupar seu pau, Professor. O senhor disse. Se o senhor me denunciar, eu denuncio o senhor.

Um músculo na mandíbula de Rutledge estremeceu.

— Seu merdinha. — A outra mão dele enterrou-se no cabelo de Shawn e o puxou com força para mais perto de sua virilha. — Certo. Você quer uma nota de aprovação? Vá em frente. Tente me impressionar.

Shawn sugou o ar. Rutledge sorriu. Não era um sorriso gentil.

— Já está desistindo?

— Não — disse Shawn com firmeza e buscou o zíper do cara, dizendo a si mesmo que era apenas um pau. Ele chuparia o pau do cara e conseguiria uma nota média. Quão difícil poderia ser? Provavelmente teria um gosto horrível, mas não o mataria nem nada.

Certo.

Lentamente, ele abriu o zíper da calça do professor e então... então ele parou. Não importava o que dissesse a si mesmo, ele não conseguia se mexer, encarando, transfixado, o volume sob a cueca boxer preta do homem.

Rutledge soltou um ruído irritado.

— Como eu pensei. Caia fora, e se me incomodar de novo...

— Não. — Shawn enfiou a mão na cueca de Rutledge e agarrou seu pau.

Um instante se passou. Shawn estava dividido entre rir histericamente e entrar em pânico. Ele estava com a mão no pau de outro cara. O pau do Professor Rutledge.

Estava quente em sua mão. Esse foi o primeiro pensamento. Estava crescendo e ficando mais grosso a cada segundo que passava. Isso o assustou um pouco, mas também lhe deu confiança. Não importava o que Rutledge dissesse, ele o desejava.

Shawn deu um aperto experimental e olhou para o homem. O rosto de Rutledge permanecia impassível. Por algum motivo, isso irritou Shawn. Ele sorriu.

— Parece que o senhor tem uma queda por "garotos bonitos e de cabeça oca", Professor.

Os lábios de Rutledge se apertaram. Fora isso, ele parecia quase entediado.

— É apenas uma reação fisiológica a estímulos e a um rosto bonito. Você não é responsável por sua aparência física, então dificilmente é algo de que se orgulhar. Agora, se você realmente pretende fazer isso, pare de perder meu tempo.

Encarando-o com raiva, Shawn acariciou o pau até a dureza total, observando uma mudança sutil na respiração do homem. O ângulo era estranho, então ele puxou o pau para fora. Era grande e grosso — e estava muito perto de seu rosto. A centímetros de distância. Shawn lambeu os lábios nervosamente, incapaz de desviar o olhar. Puta que pariu, devia ter pelo menos uns vinte centímetros de comprimento.

Rutledge suspirou, como se estivesse enojado com a reação de seu próprio corpo, e moveu-se ligeiramente. A cabeça do pau pressionou os lábios de Shawn.

— Chupe.

Shawn inalou com cuidado. Não cheirava tão mal. Tentativamente, ele lambeu a cabeça. O gosto era... estranho, mas nem de longe tão terrível quanto esperava. Lambeu novamente.

O professor grunhiu, a mão apertando o cabelo de Shawn com mais força.

— Abra a boca. — Era uma ordem.

Shawn fez o que lhe foi dito, e a cabeça gorda empurrou para dentro de sua boca. Shawn sugou suavemente. Uma parte de sua mente ainda estava presa ao fato de que ele estava com o pau do Professor Rutledge na boca e não conseguia acreditar, mas o calor e o peso do pau esticando seus lábios tornavam tudo muito, muito real.

Os olhos de Rutledge estavam fixos em seu rosto enquanto ele empurrava o pau mais fundo, com a mão pesada na nuca de Shawn. Shawn encontrou seu olhar, corado, e fechou os olhos, determinado a apenas focar em terminar o serviço. Quanto mais rápido Rutledge gozasse, mais cedo acabaria e mais cedo ele poderia esquecer aquilo.

Mas, com os olhos fechados, seus outros sentidos ganharam vida e ele podia sentir tudo com mais agudeza.

Era... tão estranho. Rutledge estava duro e grosso em sua boca, com gosto de pele e algo mais. Era estranho, mas não era terrível. Shawn se afastou, respirou fundo e sugou a cabeça novamente, descendo um pouco mais, testando. Teve um breve momento de preocupação de que não estivesse fazendo certo, mas disse a si mesmo para não ser bobo: não existia boquete ruim, certo?

Shawn desceu um pouco mais, tentando abocanhar o máximo que podia. Ele descia e subia, estabelecendo um ritmo, tentando se acostumar. Estava focando tanto nisso, tentando contar em sua cabeça, que demorou um pouco para perceber que Rutledge estava lhe dizendo algo.

Shawn soltou o pau com um estalo e olhou para Rutledge, ainda sentindo o gosto dele por toda a língua. Piscou para ele e teve que suprimir o desejo ridículo de perguntar se ele estava indo bem, como um aluno ansioso para agradar o professor.

— O quê? — disse ele em vez disso. Como sempre quando estava nervoso, sua voz soou um pouco atrevida. Ele tendia a compensar demais às vezes.

Rutledge apenas olhou para ele pelo que pareceu uma eternidade, seus olhos escuros com as pálpebras pesadas e vidrados. Eventualmente, ele disse:

— Este é o seu primeiro pau, Wyatt? — A voz de Rutledge estava rouca e gutural, como se ele fosse quem tivesse passado os últimos minutos com um pau na boca.

— Isso importa?

Os lábios de Rutledge se torceram.

— Não. Mas explica por que você é tão ruim nisso.

Shawn franziu o cenho e apertou a ereção do cara.

— O seu pau parece achar que estou indo muito bem.

Rutledge desdenhou.

— Isso só prova o quão fáceis nós, homens, somos. — Ele olhou para os lábios de Shawn. — Continue, mas pare de pensar demais. Você não pensa na aula, mas agora pensa demais quando não deveria estar pensando.

Shawn lançou-lhe um olhar furioso, mas assentiu.

Deu algumas lambidas no pau de Rutledge antes de envolver os lábios nele novamente e fazer o que queria, que se danassem o ritmo e a concentração.

Ficou muito mais sujo desse jeito. Ele descia o máximo que podia sem engasgar, voltava e saía, lambendo uma longa listra pela parte de baixo do pau de Rutledge e usando a língua na fenda, sentindo o gosto amargo e salgado.

Shawn tentou não pensar no quão obsceno provavelmente parecia assim, balançando a cabeça e pingando saliva por toda parte enquanto chupava o pau de seu professor. Rutledge estava grunhindo e empurrando sua cabeça para baixo, então ele claramente estava fazendo algo certo. Tranquilizado, Shawn continuou chupando, movendo a boca mais rápido agora, ignorando a dor na mandíbula e movendo a mão mais rápido pela parte do pau de Rutledge que ele não conseguia colocar na boca.

— Abra os olhos — Rutledge ordenou.

Shawn abriu e olhou para ele. Seus olhos se encontraram e Shawn corou, plenamente consciente de que seus lábios ainda estavam firmemente envolvidos no pau de seu professor. O pau de seu professor. Puta que pariu.

— Eu vou foder sua boca agora — Rutledge disse, em tom de conversa, como se não estivesse com o pau na boca de seu aluno. — Fique parado e me deixe fazer o trabalho. Olhe para mim.

Shawn sentiu as bochechas e o pescoço avermelharem, mas fez o que lhe foi dito. Rutledge mudou de posição, suas mãos grandes e fortes segurando seu rosto. O pau dele deslizou para fora da boca de Shawn até que apenas a cabeça ficasse dentro. Shawn olhou para Rutledge. O homem olhou de volta e estocou fundo em sua boca. Shawn arquejou, lutando contra o reflexo de vômito e tentando desesperadamente respirar ao redor do pau, mas ainda manteve o olhar do professor, conforme instruído.

As narinas de Rutledge dilataram, seus olhos percorrendo todo o rosto de Shawn. Ele puxava e estocava de volta. Depois de novo. E de novo. O tempo todo olhando para ele. Shawn tinha certeza de que estava corando, porque parecia incrivelmente sujo. Era o seu professor — o professor mais temido da faculdade — que estava usando sua boca para se satisfazer. Tudo parecia demais e avassalador: o gosto, o peso, a sensação do pau do Professor Rutledge em sua boca, as mãos fortes segurando seu rosto com firmeza enquanto Rutledge estocava para dentro e para fora de sua boca, a respiração de Rutledge tornando-se mais pesada, seus olhos escuros e intensos fixos nos de Shawn—

Rutledge deu um solavanco com os quadris e Shawn quase engasgou, mas aguentou, sentindo o porra quente atingir o fundo de sua garganta, jorrando em sucessões rápidas. Tossindo, ele soltou o pau que começava a amolecer da boca.

— Engula — ordenou Rutledge.

Shawn olhou feio para ele, mas fez o que lhe foi dito, embora com alguma dificuldade. Felizmente, não tinha um gosto tão ruim quanto esperava.

Olhando para ele com os olhos semicerrados, Rutledge respirou fundo. No momento seguinte, sua expressão tornou-se fria. Ele retirou as mãos e guardou-se na calça.

— Passável.

Shawn não sabia se ria ou se dava um soco na cara do babaca. Ele se levantou, limpou os lábios inchados e disse:

— Obrigado, Professor. — Sua voz estava rouca e arranhada — de chupar o pau de seu professor. — Então, e quanto à nota?

Um músculo pulsou na bochecha de Rutledge. Ele parecia genuinamente irritado.

— Dispensado, Wyatt.

Shawn saiu.

Assim que a porta do escritório do professor se fechou atrás dele, Shawn soltou o ar. Não conseguia acreditar que realmente tinha feito aquilo. Tinha chupado o pau de outro cara. Tinha deixado Derek Rutledge, logo ele, foder sua boca em troca de uma nota.

Shawn corou e olhou ao redor, subitamente paranoico de que todos pudessem adivinhar o que tinha acontecido apenas de olhar para ele. Mas ninguém lhe prestava atenção. Ninguém sabia.

Tudo estava bem.

O que estava feito, estava feito. Ele poderia deixar o incidente para trás e fingir que nunca tinha acontecido. Agora, só podia esperar que Rutledge cumprisse sua parte no trato.

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